O Recife e a erosão marinha
Jaime Gusmão Filho
Jornal do Commercio, 2 de fevereiro de 2010
Na última conferência sobre o clima em Copenhague, divulgou-se uma previsão das maiores cidades do mundo com ainda pouco tempo para visitá-las, antes que desapareçam com a subida do mar, devido ao gelo derretido. Entre elas, está o Recife.
O Recife remonta ao início da colonização portuguesa no Brasil. Com a capital Olinda em terreno elevado, a saída para o mar ficava mais ao sul, um porto natural protegido das ondas do Atlântico por uma muralha de arrecifes. O desenvolvimento da cidade foi discreto até a invasão holandesa, quando uma nova cidade foi construída na primitiva ilha de Antônio Vaz.
Em pesquisa na universidade, estudamos o crescimento de sua área física com a chegada dos holandeses. Dois terços da área dos bairros do Bairro do Recife, Santo Antônio e Boa Vista cresceram ao longo de 275 anos, do início da colonização holandesa até o princípio do século passado. Ou seja, dois terços da área destes bairros foram tomados ao mar, aos rios e aos mangues. Para isto mobilizou cerca de cinco milhões de metros cúbicos de terra, carregando com três milhões de toneladas o subsolo compressível. Desde então, novas áreas foram aditadas àqueles bairros e a mais outros, por novos aterramentos do rio e dos mangues.
Algumas das consequências estão entre os atuais problemas da cidade. É a situação de risco geológico, podendo apresentar efeitos danosos, com perdas de vida e bens econômicos, além de prejuízo na qualidade de vida dentro do espaço urbano. O processo geodinâmico, associado ao avanço e retrocesso da linha de costa, resulta em inundação de largas áreas costeiras e de baixadas próximas ao mar. O assunto já foi discutido no 7º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia, em 1992, quando nós participamos de mesa-redonda sobre riscos geológicos no Recife, com ênfase na erosão marinha.
Medições realizadas em seis localidades na costa do Brasil, durante o período de 20 anos (1950-1970), indicam uma tendência de elevação do mar entre 5 cm/século a 37 cm/século (Pirazolli, 1986). Apesar do curto prazo das observações, os resultados obtidos justificam que se comece a avaliar os impactos deste risco e o estabelecimento de uma política de gerenciamento costeiro no Brasil (Neves, 1991).
O litoral do Recife, por causa da situação anteriormente descrita - estuário de vários rios, áreas de baixada e vários canais de interligação - será fortemente impactado pela emergência do mar. Comparação entre ortofotocartas de 1975 e 1984 indica retrocesso em trechos da linha de praia, de alguns metros para até 25 metros (Neves et alii, 1991).
Esta situação é atribuída a várias razões. Redução de areia trazida pelos rios, com a construção de barragens e dragagem do porto. Construção de obras de engenharia de costa, a exemplo de portos, cais, marinas, prédios próximos à linha e enrocamentos diversos. Rochas no litoral, impedindo os sedimentos de serem movimentados do continente para a praia. Mineração de areia nos córregos, rios e canais da planície. E olhe que não se falou em subida do mar devido ao gelo derretido dos polos...
O Recife não está preparado para o cenário deste risco mais que provável. A pesquisa citada considerou a elevação de um metro no nível médio do mar, e obteve valores de 24 metros a 7 metros para o recuo da linha de costa nas Praias de Boa Viagem e Piedade, onde se concentra a população de maior renda e os terrenos mais valorizados. Maior ainda é a extensão da área inundável nas margens do estuário, lagoas e canais que se espalham pela planície, hoje predominantemente ocupadas pela população de baixa renda. O centro da cidade fica, também, ameaçado no seu sistema de drenagem.
É preciso que os órgãos governamentais reconheçam a importância de estudos e pesquisas, como os iniciados na UFPE, e inclua no seu planejamento estratégico o cenário de elevação do nível do mar. Isso implica em monitorar os pontos críticos da zona costeira pelo geoprocessamento. Estabelecer exigências de cota mínima para a infraestrutura e edificações em áreas futuramente vulneráveis. Preparar os projetos de proteção do Recife. Vez que pequenas barragens, muros de contenção e comportas em todos os canais são obras que serão necessárias para a defesa da cidade.
Jaime Gusmão Filho é professor emérito da UFPE
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
03 fevereiro 2010
Nem eu nem o PCdoB nos intrometemos em questões internas do PT
. Nota de Ana Lúcia Andrade na coluna Pinga-Fogo (JC) insinua que eu estaria tomando partido de João da Costa nas dificuldades entre o prefeito e o ex-prefeito João Paulo.
. Escreveu ela: “Times dos Joões - É um defende João Paulo de cá, resguarda João da Costa de lá... Discretamente vão se montado os “times” dos Joões. E o ex-vice de JP Luciano Siqueira parece que marcou posição do lado do atual prefeito. Fez uma defesa ontem de João da Costa! "
. E acrescentou (aí corretamente): “De Luciano, ao ler a mensagem de João da Costa - “Esse governo continua sim o projeto vitorioso de 2000, 2004 e 2008. Agora não se trata de uma simples repetição, mas de seguir adiante, no mesmo rumo”.
. Eu nada disse, nem fiz que autorize a competente colunista a concluir qu eu estaria tomando ao lado de um contra o outro. Ontem afirmei, sim, como se lê na segunda nota, que o atual governo guarda fidelidade e coerência com o projeto político-administrativo por 8 anos liderado por João Paulo.
. O que é verdade. Basta conferir no PPA e no balanço do primeiro ano de governo encaminhado à Câmara Municipal, as intenções e a prática.
. É o que avalia o PCdoB, longe de divergências e eventuais disputas internas no partido aliado, o PT.
. Escreveu ela: “Times dos Joões - É um defende João Paulo de cá, resguarda João da Costa de lá... Discretamente vão se montado os “times” dos Joões. E o ex-vice de JP Luciano Siqueira parece que marcou posição do lado do atual prefeito. Fez uma defesa ontem de João da Costa! "
. E acrescentou (aí corretamente): “De Luciano, ao ler a mensagem de João da Costa - “Esse governo continua sim o projeto vitorioso de 2000, 2004 e 2008. Agora não se trata de uma simples repetição, mas de seguir adiante, no mesmo rumo”.
. Eu nada disse, nem fiz que autorize a competente colunista a concluir qu eu estaria tomando ao lado de um contra o outro. Ontem afirmei, sim, como se lê na segunda nota, que o atual governo guarda fidelidade e coerência com o projeto político-administrativo por 8 anos liderado por João Paulo.
. O que é verdade. Basta conferir no PPA e no balanço do primeiro ano de governo encaminhado à Câmara Municipal, as intenções e a prática.
. É o que avalia o PCdoB, longe de divergências e eventuais disputas internas no partido aliado, o PT.
Poeta do azul
. Apresentei projeto de lei denominando poeta Carlos Pena Filho ao Anexo II da Escola Municipal Manoel Rolim.
. O Anexo já reúne condições de se tornar escola independente, o que a Prefeitura deve efetuar em médio prazo.
. O Anexo já reúne condições de se tornar escola independente, o que a Prefeitura deve efetuar em médio prazo.
Indústria fecha janeiro com atividade em alta
. Segundo o Valor Econômico de hoje, um conjunto de fatores positivos ajudou a indústria a iniciar 2010 com aumento de produção e vendas. A base fraca de comparação, a necessidade de repor estoques, a demanda ainda aquecida, o aumento do salário mínimo e as obras de infraestrutura estão entre as razões que explicam vendas entre 5% e 40% maiores da indústria no mercado interno em janeiro na comparação com igual período do ano passado, auge dos efeitos recessivos da crise econômica. A exportação ainda sem sinais de retomada é a principal razão para que em alguns setores a produção siga deprimida.
. Depois de registrar uma queda de 32% em janeiro de 2009, o setor de distribuição de aço festeja o forte começo de 2010. O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, estima que o segmento tenha vendido cerca de 315 mil toneladas em janeiro; 43% acima do mesmo mês de 2009. A West Coast, fabricante de calçados, iniciou o mês planejando vendas 8% maiores, mas encerrou janeiro com um aumento de 15% no número de pares entregues no mercado interno. O percentual foi o mesmo obtido pela Fabrimar na venda de metais sanitários, enquanto a Samsung registrou alta de mais de 40% na venda de televisores de LCD, um movimento que a empresa ainda não credita à Copa do Mundo.
. Depois de registrar uma queda de 32% em janeiro de 2009, o setor de distribuição de aço festeja o forte começo de 2010. O presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, estima que o segmento tenha vendido cerca de 315 mil toneladas em janeiro; 43% acima do mesmo mês de 2009. A West Coast, fabricante de calçados, iniciou o mês planejando vendas 8% maiores, mas encerrou janeiro com um aumento de 15% no número de pares entregues no mercado interno. O percentual foi o mesmo obtido pela Fabrimar na venda de metais sanitários, enquanto a Samsung registrou alta de mais de 40% na venda de televisores de LCD, um movimento que a empresa ainda não credita à Copa do Mundo.
O buraco é mais embaixo
. Queixam-se demo-tucanos e peemedebistas de PE da falta de discurso da oposição, nacional e local.
. Problema de quem está longe do povo.
. Problema de quem está longe do povo.
02 fevereiro 2010
Uma coisa ou outra
. Os tucanos continuam em ziguezague, em busca de argumentos diante da visível (nas pesquisas) ascensão de Dilma.
. Ora se diz que ela não decola, ora se tenta justiçar que ela cresce porque “faz campanha antecipada”.
. Ora se diz que ela não decola, ora se tenta justiçar que ela cresce porque “faz campanha antecipada”.
História: 2 de fevereiro de 1849
Os praieiros tentam, sem êxito, tomar Recife. Pedro Ivo mantém a luta com guerrilha nas matas do Jacuípe. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).
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