Paz e soberania na Venezuela! Sangue por petróleo, não!
Política de guerra, domínio e saque de Trump contra os países da América Latina e do Caribe deve ser rechaçada em todos os espaços, de forma ampla e massiva
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
O ano de 2026 tem início com um brutal ato de guerra dos Estados Unidos contra a Venezuela. Sob ordens diretas de Donald Trump, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e se encontram, ilegalmente e injustamente, presos em Nova York. É a primeira vez que um país da América do Sul sofre uma intervenção militar direta, de grande porte, dos EUA. E Trump deixou claro qual objetivo dessa torpe operação bélica: assumir, sem intermediários, o governo venezuelano e se apossar das maiores reservas de petróleo do mundo, que pela ambição ianque passariam a ser exploradas por grandes empresas estadunidenses. Isto tem nome: é neocolonialismo. O imperialismo dos EUA, em novas circunstâncias, retoma as velhas guerras de saque e pilhagem.
Todavia, a vice-presidente da Venezuela Delcy Rodrigues, com respaldo das instituições do país, foi empossada presidenta interina. Ao lado das principais autoridades venezuelanas, entre elas o ministro da Defesa, fez um firme pronunciamento neste 3 de janeiro, convocando e conclamando o povo e as instituições à resistência. “Nunca seremos colônia de nenhuma nação” e tampouco os venezuelanos serão escravos de ninguém, disse. Ela ainda pontuou a emergência da defesa da independência nacional e da soberania do país. O Brasil reconheceu a presidência interina de Delcy Rodrigues.
Donald Trump, neste domingo (4), ergueu a espada da chantagem e da ameaça contra a presidente interina. Arrogando-se uma espécie de soberano da América latina, disse que Delcy poderá pagar um “preço alto”, maior inclusive que o de Maduro, caso não colabore com seus planos – quais sejam, total subserviência à Casa Branca.
O Brasil, por meio de um comunicado do presidente Lula, de modo assertivo, vem repelindo o ataque desde o 3 de janeiro: “Os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável. Esses atos representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional”. Depois de sublinhar que a ação criminosa de Trump lembra “os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz”, Lula instou os países, por meio da Organização das Nações Unidas (ONU), a reagirem. Concluiu, afirmando que “o Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”
Essa posição deverá ser externada pelo Brasil na reunião do Conselho de Segurança da ONU que será realizada nesta segunda-feira (5), por solicitação da Colômbia, com apoio da China e da Rússia. Já neste domingo (4), em caráter ministerial, realizou-se uma reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) que reúne 33 países das Américas – somente os Estados Unidos e o Canadá não participam. O Brasil reiterou a posição já vocalizada pelo presidente da República. Também, neste domingo, os governos de Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram um importante comunicado de rechaço às ações militares dos EUA.
As centrais sindicais, os movimentos sociais, as entidades e as personalidades se manifestam contra os atos de guerra e em defesa da paz. Manifestações de rua estão programadas para se realizarem nesta segunda-feira (5) e nos dias subsequentes. Em várias cidades de diferentes países, já aconteceram mobilizações com brado semelhante.
Em contraste, lideranças da extrema direita e da direita, na batida do tarifaço, disputam entre si o grau de fervor à política de guerra de Trump. Uma vez mais, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Romeu Zema, Ratinho Junior, Tarcísio de Freitas e outros se revelam serviçais dos EUA não importando as graves consequências que o Brasil poderá sofrer, tampouco os malefícios à paz na região. Registrem-se as exceções – até aqui – do PSDB e de Eduardo Leite (PSD), governador do Rio Grande do Sul.
Além do Brasil, países como México, Colômbia, Uruguai, Cuba e Chile – cada um na sua gradação – rechaçaram a agressão à soberania da Venezuela. Já os governos de direita, entre eles, da Argentina, Paraguai, Equador, El Salvador e Panamá, respaldaram Trump. China, Rússia e Irã emitiram posições fortes de protesto e de solidariedade à Venezuela. Na Europa, houve tomadas de posição, como a Itália, que prestou apoio aos EUA, enquanto Espanha, Reino Unido, Alemanha e França apresentaram, em distintos tons, ressalvas ao ataque. Dentro dos EUA, a ação criminosa nem de longe é uma unanimidade. Setores da mídia e do Congresso têm pontuado divergências.
As reflexões e diretivas da resolução política do Comitê Central do PCdoB, de dezembro último, são relevantes para que se possam compreender as razões de fundo da questão em exame. O Conselho de Segurança dos Estados Unidos recentemente divulgou um documento no qual esquadrinha ambições imperialistas em todos os continentes, tendo como vértice a política de enfrentamento com a China socialista. Arrogantemente, traça uma linha imaginária segundo a qual o Hemisfério Ocidental seria uma área de influência sob o seu absoluto domínio e controle.
Em relação à América Latina e o Caribe, escancara a ambição de impor o monopólio dos interesses do Estado e oligopólios estadunidenses sobre a economia e recursos naturais estratégicos dos países e, assertivamente, repelir e expulsar a presença econômica e política de potências extra-hemisféricas. Para tal, indica o deslocamento de parte considerável de seu poderio bélico à região.
No contexto das últimas décadas, a presente investida de guerra dos Estados Unidos contra a soberania da Venezuela é um fato da mais alta gravidade. Inaugura uma etapa nova, de forma e conteúdo, das pretensões e ações do imperialismo na região. É uma ilusão imaginar que as agressões com diferentes modos e instrumentos se restringirão ao país amigo e vizinho. Trump reitera suas ações e ameaças contra a Colômbia e Cuba. Fez interferência direta nas recentes eleições de Honduras. O Brasil, por sua dimensão, suas riquezas e importância geopolítica, está em sua linha de tiro.
As forças democráticas, populares e patrióticas são chamadas, nesta hora crucial, a unir os mais diversos setores em movimentos e ações de frente ampla, tendo como alvo o governo Trump e sua política de guerra e cobiça. É preciso rechaçar a brutal agressão realizada contra a Venezuela. A nossa bandeira é a América Latina e o Caribe como zona de paz e cooperação, soberania nacional dos países e autodeterminação dos povos. Nas ruas, nas redes, no âmbito das instituições, em todos os espaços, que realizemos iniciativas as mais amplas, unitárias e massivas que sejam possíveis.
PCdoB: Repúdio ao criminoso ataque contra Venezuela https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/pcdob-protesta.html
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