05 janeiro 2026

Governadores vira-latas

Ao bajularem Trump, governadores de direita rifam democracia brasileira
Após os ataques à Venezuela, governadores pré-candidatos à presidência do Brasil se apressaram em mostrar, sem pudor, seu apreço pelo autoritarismo e pela ilegalidade dos métodos dos EUA
Priscila Lobregatte/Vermelho    

Subservientes à política imperialista de Donald Trump, governadores brasileiros de direita pré-candidatos à presidência comemoraram, despudoradamente, a investida ilegal e autoritária dos EUA contra a Venezuela, sem se preocupar com os riscos que isso pode representar para toda a América Latina e para o Brasil em particular.

Seguindo por esse temerário caminho, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemorou a captura do presidente venezuelano Nicolas Maduro, em vídeo publicado em suas redes sociais. E, para atacar Lula, usou fotos do presidente com Maduro e disse que o governo chavista só foi possível porque houve “conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro”.

Também declarou que a Venezuela “estava, agora, vencendo a esquerda” e desejou que “no final do ano o Brasil também vença”. Ou seja, para ele, não há problemas com a intervenção de uma nação sobre outra, desde que a direita saia vitoriosa.

Comentários na postagem mostraram que muita gente não engoliu a lorota do governador. Uma das suas seguidoras disse: “Eu sou de direita e não apoio isso! Existem vários interesses envolvidos! As terras raras do Brasil é uma delas! No Paraguai, os EUA instalaram uma base militar (na fronteira com o Brasil) e agora na Venezuela tbm terá!! Além de outros interesses! Se o Trump estivesse tão preocupado assim com a população do mundo, o continente africano já estava a salvo a anos!!” (Sic). Outro, que disse ser seu eleitor, disparou: “(…) mas você, que apoiou um golpe militar no Brasil, (…) quer falar de ditadura?”.

Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná e outra aposta da direita para 2026, também não perdeu tempo e, comprando a velha tese dos EUA “salvador da democracia”, declarou pelas redes: “Quero parabenizar o presidente Trump pela brilhante decisão de libertar o povo da Venezuela, um povo que estava sendo oprimido há décadas por tiranos antidemocráticos”.

Seguindo o mesmo caminho, Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, afirmou: “Que este 3 de janeiro entre para a história como o dia da libertação do povo venezuelano, oprimido há mais de 20 anos pela narcoditadura chavista. Que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país”.

Romeu Zema (Novo), governador de Minas Gerais, seguiu a mesma trilha, desejando que a Venezuela possa “se abrir novamente com liberdade, responsabilidade, democracia e oportunidades reais” para a população.

Entreguismo barato

Interessante notar que governadores de um país de base republicana e democrática ignorem o que diz a própria Constituição, a qual deveriam respeitar e zelar, por mero entreguismo barato.

Em seu artigo 4º, a Carta Magna diz que, no âmbito das relações internacionais, o Brasil rege-se, entre outros princípios, pela independência nacional; pela prevalência dos direitos humanos; pela autodeterminação dos povos; pela não-intervenção; pela igualdade entre os Estados; pela defesa da paz e pela solução pacífica dos conflitos.

Vale destacar que as ações dos EUA rasgam acordos internacionais que vão no mesmo sentido da Constituição brasileira e configuram-se como o puro suco do autoritarismo ao impor uma nova ordem política de fora para dentro.

Além disso, destroem instituições e criam caos econômico e jurídico, o que pode levar à quebra de setores produtivos e à piora das condições sociais da população e mesmo à instalação de graves conflitos civis. Basta ver o resultado da ação dos EUA em países como Iraque, Líbia e Afeganistão, por exemplo, para entender que apenas os estadunidenses e seus parceiros lucraram, enquanto a população local ficou à míngua.

Mas, para esses governadores da direita brasileira, isso é o que menos importa. O que eles ambicionam é angariar a preferência de eleitores que, assim como eles, são “patriotas de fachada” e preferem que seu próprio país corra perigo frente à sanha imperialista do que vê-lo governado por um presidente democrático e de esquerda.

Este é um dos debates que estarão em jogo nas eleições de outubro: manter o Brasil como um país soberano e democrático ou torná-lo subserviente aos EUA, transformando o território nacional em mera colônia de exploração de recursos naturais, com riscos reais à democracia e à vida da população.

[Ilustração da minha escolha pessoal]

PCdoB: Repúdio ao criminoso ataque contra Venezuela https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/pcdob-protesta.html 

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