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29 abril 2023
Palavra de poeta: Adélia Prado
Módulo de verão Adélia Prado As cigarras começaram de novo,
brutas e brutas. Nem um pouco delicadas as cigarras são. Esguicham atarraxadas nos troncos o vidro moído de seus peitos, todo ele – chamado canto – cinzento-seco, garra de pelo e arame, um áspero metal. As cigarras têm cabeça de noiva, as asas como véu, translúcidas. As cigarras têm o que fazer, têm olhos perdoáveis. Quem não quis junto deles uma agulha? – Filhinho meu, vem comer, ó meu amor, vem dormir. Que noite tão clara e quente, ó vida tão breve e boa! A cigarra atrela as patas é no meu coração. O que ela fica gritando eu não entendo, sei que é pura esperança.
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