07 janeiro 2026

Minha opinião

Lula entre Estados Unidos e Venezuela a passos firmes* 

Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65

São muitas as baboseiras que se escuta e se lê na grande mídia monopolizada brasileira a propósito do conflito Estados Unidos versus Venezuela. Em particular sobre a postura altiva e propositiva do governo brasileiro. 

No fundo, o desejo de que o Brasil se perfile ao lado do imperialismo norte-americano, sem explicitar esse propósito com todas as letras, à luz do dia.

De quebra, a persistência no intuito de desqualificar o presidente Lula e a política externa praticada pelo Brasil. 

Uma forma de encontrar chifre em cabeça de cavalo, nessa matéria, é insinuar que o presidente brasileiro enfrentaria o dilema de se posicionar ao lado de Trump ou da vice-presidente Delcy Rodriguez, no exercício da presidência da Venezuela. 

Ora, são duas questões distintas ainda que possam roçar entre si ponto de contato. 

A postura firme do governo brasileiro em defesa da autodeterminação dos povos e contra absurda intervenção armada norte-americana e o sequestro do presidente Nicolás Maduro percorre um trilho. A postura altiva e hábil de Lula que resultou na abertura de negociações com Trump a propósito do tarifaço segue em outro trilho. 

Ou seja, não há uma suposta "encruzilhada" envolvendo essas duas matérias. 

O que se critica como ambiguidade no governo brasileiro no trato simultâneo dessas duas questões é na verdade a prática de uma política externa altiva e propositiva, acrescida da habilidade diplomática que historicamente caracteriza o Itamaraty.

Uma contrariedade para o complexo midiático, que de maneira velada ou aberta (pela voz de alguns prepostos ansiosos por prestar serviços aos seus patrões) anseia pela submissão do Brasil aos Estados Unidos — algo absolutamente inadmissível, por mil razões, entre as quais o papel que nosso país hoje cumpre em articulações multilaterais, como o BRICS, e na diversificação de iniciativas de cooperação com a China e outros países ascendentes. 

*

Em tempo: desde Marx e Engels a importância de fatos fortuitos ou inesperados já era reconhecida na evolução de situações conjunturais específicas que proporcionam mudança de rumos na cena política, como na obra "As lutas de classes na França de 1848 a 1850" de Karl Max. No Brasil de agora, o tarifaço trumpista, em certa medida contaminado pelo bolsonarismo, resultou num passo adiante no conteúdo do discurso do presidente do Brasil — superando uma espécie de "economicismo governamental" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html e assumindo com toda clareza e prioridade a defesa da soberania nacional e da democracia. O ataque norte-americano à Venezuela contribui para reforçar essa postura.

*Texto da minha coluna semanal no 'Vermelho'

Leia também: Paz e soberania na Venezuela! Sangue por petróleo, não! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/editorial-do-vermelho_5.html 

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