Lula entre Estados Unidos e Venezuela a
passos firmes*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
São muitas as baboseiras que se escuta e se lê na grande mídia
monopolizada brasileira a propósito do conflito Estados Unidos versus
Venezuela. Em particular sobre a postura altiva e propositiva do governo
brasileiro.
No fundo, o desejo de que o Brasil se
perfile ao lado do imperialismo norte-americano, sem explicitar esse propósito
com todas as letras, à luz do dia.
De quebra, a persistência no intuito de
desqualificar o presidente Lula e a política externa praticada pelo
Brasil.
Uma forma de encontrar chifre em cabeça
de cavalo, nessa matéria, é insinuar que o presidente brasileiro enfrentaria o
dilema de se posicionar ao lado de Trump ou da vice-presidente Delcy Rodriguez,
no exercício da presidência da Venezuela.
Ora, são duas questões distintas ainda
que possam roçar entre si ponto de contato.
A postura firme do governo brasileiro
em defesa da autodeterminação dos povos e contra absurda intervenção armada
norte-americana e o sequestro do presidente Nicolás Maduro percorre um trilho.
A postura altiva e hábil de Lula que resultou na abertura de negociações com
Trump a propósito do tarifaço segue em outro trilho.
Ou seja, não há uma suposta
"encruzilhada" envolvendo essas duas matérias.
O que se critica como ambiguidade no
governo brasileiro no trato simultâneo dessas duas questões é na verdade a
prática de uma política externa altiva e propositiva, acrescida da habilidade
diplomática que historicamente caracteriza o Itamaraty.
Uma contrariedade para o complexo
midiático, que de maneira velada ou aberta (pela voz de alguns prepostos
ansiosos por prestar serviços aos seus patrões) anseia pela submissão do Brasil
aos Estados Unidos — algo absolutamente inadmissível, por mil razões, entre as
quais o papel que nosso país hoje cumpre em articulações multilaterais, como o
BRICS, e na diversificação de iniciativas de cooperação com a China e outros
países ascendentes.
*
Em tempo: desde Marx e Engels a importância de fatos fortuitos ou inesperados já era reconhecida na evolução de situações conjunturais específicas que proporcionam mudança de rumos na cena política, como na obra "As lutas de classes na França de 1848 a 1850" de Karl Max. No Brasil de agora, o tarifaço trumpista, em certa medida contaminado pelo bolsonarismo, resultou num passo adiante no conteúdo do discurso do presidente do Brasil — superando uma espécie de "economicismo governamental" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html e assumindo com toda clareza e prioridade a defesa da soberania nacional e da democracia. O ataque norte-americano à Venezuela contribui para reforçar essa postura.
*Texto da minha coluna semanal no 'Vermelho'
Leia também: Paz e soberania na Venezuela! Sangue por petróleo, não! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/editorial-do-vermelho_5.html

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