Grampo no Supremo: a volta do estilo Veja
O estilo Veja já era conhecido: gravações clandestinas de conversas, uso de arapongas ligados a Carlinhos Cachoeira.
Luís Nassif/Jornal GGN
A informação de Mário Sabino, diretor da sucursal paulista do Metrópoles, de que o jornalista Márcio Aith assessora o ministro Dias Toffoli e é, também, colunista do Poder 360, fecha o ciclo. Reforça a convicção de que a gravação da reunião reservada do Supremo Tribunal Federal — na qual se deliberou sobre a situação do próprio Toffoli — foi feita pelo próprio Toffoli e encaminhada por Aith, em artigo não assinado no jornal.
Mas é curioso como o mundo dá voltas.
Quando decidi, em 2008, enfrentar a máquina de destruição de reputações da Veja — armado apenas de um blog —, uma de minhas fontes era justamente Márcio Aith. Ele e Reinaldo Azevedo respondiam a Mário Sabino numa subordinação de caráter quase humilhante. Reinaldo chegou a publicar textos me atacando com todos os ingredientes do estilo Sabino — cujas interferências nos textos da redação equiparei, na época, a prego sobre vinil. Já Aith me trazia informações com o objetivo de queimar Eurípides Alcântara. Mário e Eurípides disputavam o comando da revista.
O estilo Veja já era conhecido: gravações clandestinas de conversas, uso de arapongas ligados a Carlinhos Cachoeira — como documentei no site O Caso Veja, que montei na época.
O fluxo de informações durou até o dia em que publiquei um artigo mostrando que Sabino havia alterado os critérios da lista de livros mais vendidos da revista para encaixar um romance de sua autoria. Aí, Aith entrou em pânico. Ligou desesperado, pedindo que eu “descesse o cacete” nele — e me forneceu alguns argumentos contra ele próprio. Fiz o que pediu. Nos comentários do artigo, leitores lamentaram o episódio: conheciam e tinham grande respeito por seu pai, advogado formado na Faculdade do Largo de São Francisco.
Pouco tempo depois, a Veja desistiu da disputa jornalística e entrou com cinco processos contra mim. No processo movido por Sabino, Aith compareceu como testemunha de acusação. Entrou tão curvado na sala do juiz, sem ousar erguer os olhos na minha direção, que preferi não humilhá-lo mais. Logo depois, Sabino foi demitido da Veja — e Aith foi junto. Passou então a atuar como informante de advogados: contratado para levantar dados em defesa de clientes e para atacar a parte contrária.
Contei essa história no artigo “Márcio Aith, minha fonte no caso Veja”. O conteúdo completo do site sobre o caso está disponível aqui em PDF. E o livro “O Caso Veja”, aqui.
Para fechar o ciclo, Reinaldo foi contratado pelo Metrópole – o veículo mais empenhado em atacar o Supremo. Um mês antes deu uma declaração repleta de autopiedade, pedindo para seus leitores rezarem por ele. Julguei que tivesse sido acometido de doença grave. Mas era o UOL se desfazendo dele, devido às suas qualidades. Será curioso ver como se comportará no Metrópole, o veículo mais empenhado em atacar o Supremo.
Aqui, o capítulo sobre ele, no Caso de Veja.
Em mensagem que me enviou, depois de ter esta reportagem, Dias Toffoli nega o grampo.
Leia também: O caso Master e a crise regulatória do mercado de capitais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/a-cvm-e-o-caso-master.html

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