Quatro
pontos antes do carnaval*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Frequente é o feedback deste breve comentário semanal
aqui na coluna. Há anos atrás por e-mail; depois pelo WhatsApp.
A propósito da coluna da quinta-feira passada,
"Após o carnaval tudo pode acontecer", pelo menos trinta e cinco
mensagens ensejam quatro esclarecimentos:
1. Não condeno a caleidoscópica fisionomia das
alianças eleitorais em plano estadual, frequentemente dissonante das
composições em torno das candidaturas à presidência da República. Registrei
como fato recorrente, dado de realidade política — que se relaciona, sobretudo,
com a imensa diversidade regional, econômica social, cultural e política, que
marca a sociedade brasileira.
2. Mencionei a predominância de partidos não
programáticos e, portanto, plenos de interesses regionais, locais e de
pequenos grupos como fato negativo, comparando-se a situação brasileira com a
de inúmeros países praticantes da "democracia ocidental". Significa
atraso político, não contribui para a necessária governabilidade e prejudica a
elevação do nível de consciência do eleitorado. Requer uma reforma política
efetivamente democrática — bandeira que o PCdoB e outros partidos situados à
esquerda defendem há muito tempo.
3. Salientei também (várias mensagens que recebi
tratam disso) a importância crucial de se elegerem senadores e deputados federais
sintonizados com as bandeiras do campo democrático e progressista, condição
necessária para o êxito do próximo governo Lula e, inclusive, para uma possível
retomada adiante da luta pela reforma política.
4. Por fim, considerando preocupações reveladas por
boa parte dos leitores que me abordaram, reafirmo que é possível avançar em
ambiente político e ideológico de extrema heterogeneidade mediante postura
tática que equilibre, dialeticamente, a defesa de proposições próprias com a
aglutinação de variadas correntes e partidos em torno de uma plataforma tática
comum, consentânea com o horizonte político possível. Mais: isolar, enfraquecer
e derrotar o adversário principal é o que se impõe. Implica alianças em
diversos níveis de convergência — até para neutralizar, se possível, grupos que
possam se desgarrar do lado de lá, mesmo sem plena adesão às nossas
proposições. A vitória depende da correlação de forças.
*
Demais, a quem interessar possa esclareço que nos
dias de Momo não percorrerei as ladeiras de Olinda nem as ruas do Recife
Antigo, como já fiz no passado. Tenho um encontro marcado com a boa leitura em
nossa modesta biblioteca e na rede da varanda do apartamento.
A vocês que cairão na folia, desejo um ótimo
carnaval. Evoé!
*Texto da minha coluna semanal no portal Vermelho
Ilustração: Lula Cardoso Ayres
Leia: Após o carnaval tudo pode acontecer https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_29.html

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