A
arte, a técnica e a objetividade no futebol
Melhores meio-campistas, além de darem bons passes,
também não perdem a bola. Muitas vezes se confunde jogar bem com jogar bonito
Tostão/Folha
de S. Paulo
Está muito confusa a realização de dois campeonatos ao mesmo tempo, os estaduais e o Brasileirão. Isso piora a qualidade das partidas e a evolução das equipes, que mudam a escalação a cada jogo. Agora vai ficar pior devido aos jogos decisivos dos principais times pelos estaduais.
Em Minas
Gerais, o Cruzeiro,
bastante criticado no início, melhorou na última partida, com Gerson atuando
pela esquerda, onde joga melhor do que pela direita ou pelo centro. Prefiro
também Lucas Silva ao lado de Lucas Romero. Os dois se entendem muito bem, com
Romero mais atrás e Lucas um pouco mais adiantado. Lucas Silva nunca foi um
jogador excepcional, mas raramente erra um passe, pois faz as escolhas certas.
Os melhores meio-campistas não são apenas os que dão passes para gols, mas os
que também não perdem a bola.
O Atlético
Mineiro goleou o Itabirito por 7 x 2 com três gols de Hulk. Os jogadores deviam
estar cansados de Sampaoli. Um treinador que deixa Scarpa na reserva de
Bernardo teria de ser dispensado.
Sempre que um
time ganha e joga mal, dizem que teve objetividade. Quando joga bem e perde,
não teve objetividade. Muitas vezes confundem jogar bem com jogar bonito. O Barcelona, depois das derrotas por 4 x 0
para o Atlético de Madrid e 2 x 1 para o Girona, tem sido criticado por falta
de objetividade.
Os jogos
do Barcelona são sempre deliciosos de ver, pois o time cria e sofre um grande
número de chances de gols. As partidas estão sempre perto de uma goleada, a
favor ou contra o Barcelona. Isso ocorre porque o time catalão joga com os
defensores no meio-campo, além de terem pouca qualidade para o nível técnico do
Barcelona. Mais que isso, para jogar com a defesa tão adiantada é preciso
pressionar e recuperar rapidamente a bola, para não deixar o adversário se
organizar, trocar passes e contra-atacar com lançamentos nas costas dos
defensores.
A objetividade
é uma das palavras mais ditas no futebol. Na Copa do Mundo de 1966, o
Brasil, bicampeão do mundo, foi eliminado na primeira fase. Analistas
brasileiros e estrangeiros, encantados com a correria dos ingleses e europeus,
diziam que era o fim do futebol-arte, bonito, lúdico e o início de um novo tempo,
o da disciplina tática, velocidade e objetividade.
Nelson
Rodrigues chamou esses analistas de idiotas da objetividade. Quatro anos
depois, na Copa de 1970, no México, o Brasil encantou o mundo com a união do
futebol-arte, técnico, bonito, equilibrado e objetivo.
Os grandes
craques são os que unem, em variadas proporções, a habilidade, a técnica, a
inventividade, a ousadia, ótimas condições físicas e emocionais e objetividade. Pelé não perdia tempo. Em uma fração
de segundos, com poucos movimentos e espetaculares ações, recebia a bola e
fazia o gol. Lionel Messi seguiu o mesmo caminho, embora
não seja tão completo como Pelé.
Kaká, Rivaldo
e outros se destacavam pela técnica, pela praticidade e pela objetividade.
Faltava aos dois a fantasia. Ronaldinho Gaúcho e Maradona, grandes artistas da bola, uniam a
beleza e a fantasia com a objetividade.
Os efeitos
especiais eram os adornos que iluminavam os seus talentos.
Leia também: A teoria e a prática no futebol https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/futebol-fatores-que-se-cruzam.html

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