China indica autossuficiência tecnológica e mercado interno como eixos do crescimento
Artigo na Qiushi sistematiza diretrizes do 15º Plano e defende inovação, demanda interna e planejamento estatal como resposta ao cerco tecnológico e comercial dos EUA
Lucas Toth/Vermelho
Em artigo publicado na revista Qiushi, o presidente da China, Xi Jinping, apontou a inovação tecnológica e o fortalecimento da demanda interna como elementos centrais da orientação econômica do país para 2026, primeiro ano do 15º Plano Quinquenal (2026–2030).
No texto, Xi sistematiza as prioridades discutidas na Conferência Central de Trabalho Econômico, realizada em dezembro de 2025, e descreve o cenário internacional como “complexo e desafiador”, marcado pelo aumento de barreiras comerciais e controles de exportação, especialmente no setor tecnológico.
Segundo o presidente chinês, a resposta do país deve se concentrar no fortalecimento das “bases estruturais” da economia, evitando estímulos de curto prazo e apostando em planejamento de médio e longo alcance.
O artigo reafirma a inovação como principal motor da modernização industrial chinesa.
Xi defende o fortalecimento da capacidade doméstica de desenvolvimento tecnológico e a aceleração da formação de novos vetores de crescimento, em linha com o que o governo define como “novas forças produtivas de qualidade”.
Entre os setores destacados estão semicondutores, inteligência artificial, energia de próxima geração e a integração da IA aos processos industriais. A ênfase ocorre em meio ao endurecimento das restrições impostas por Estados Unidos e países aliados ao acesso chinês a tecnologias avançadas, sobretudo chips de última geração.
Ao tratar da inovação, Xi orienta os formuladores de políticas a “compreender as principais alavancas que movem todo o sistema”, indicando foco em áreas consideradas estratégicas para a soberania econômica do país.
Outro eixo central do texto é o fortalecimento do mercado interno. Xi afirma que a demanda doméstica continuará sendo prioridade na construção de uma economia mais resiliente, com medidas voltadas à ampliação da renda das famílias e ao estímulo do consumo.
Entre as ações mencionadas estão o aumento de pensões básicas para residentes urbanos e rurais e a formulação de políticas para elevar a renda familiar, em reconhecimento aos impactos da baixa confiança do consumidor sobre a recuperação econômica.
A estratégia busca reduzir a dependência do crescimento baseado em exportações, em um contexto de acesso mais restrito aos mercados dos países centrais.
Crítica à competição predatória
O presidente chinês também critica o fenômeno conhecido como “involução”, termo usado no país para descrever a competição excessiva e de baixa qualidade entre empresas, marcada por guerras de preços e compressão das margens de lucro.
Xi defende a atuação dos órgãos reguladores para conter práticas consideradas destrutivas e acelerar a criação de um mercado nacional unificado, com regras capazes de evitar a deterioração estrutural da rentabilidade industrial.
O artigo reforça a necessidade de aprofundar reformas estruturais para sustentar o desenvolvimento de alta qualidade. Xi destaca a importância da gestão ativa e prudente dos riscos, especialmente no setor imobiliário e nas finanças locais.
Entre as medidas citadas está a ampliação da compra, por governos locais, de imóveis comerciais não vendidos para conversão em moradias populares, com o objetivo de reduzir estoques e estabilizar preços.
Apesar do contexto de tensões comerciais, Xi afirma que a China não recuará em sua política de abertura econômica. O texto defende a ampliação da cooperação com economias emergentes e a diversificação dos canais de comércio, incluindo o fortalecimento do comércio eletrônico transfronteiriço.
A abertura, segundo o artigo, deve ocorrer em bases consideradas mais equilibradas, com menor dependência dos mercados norte-americanos e maior integração com países do Sul Global.
China: quando planejar é governar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/china-politica-no-posto-de-comando.html

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