20 fevereiro 2026

Lula na Índia

Lula impulsiona nova governança global na Índia e desafia hegemonia tecnológica
Presidente busca parcerias estratégicas e soberania digital para o Brasil em cenário de disputa por tecnologias críticas
Jornal GGN    

A recente viagem do presidente Lula à Índia para a cúpula em Nova Délhi é um marco importante no cenário global, avaliou Rey Aragon, jornalista especializado em geopolítica da informação e da tecnologia e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberania Informacional (UFF). Em entrevista a Luís Nassif, Aragon analisou que a cúpula se diferencia da lógica do capital do Vale do Silício, focando em aplicações da inteligência artificial em áreas como medicina, defesa, indústria e comércio, e buscando uma abordagem contra-hegemônica. 

A parceria do Brasil com a Índia, costurada desde a cúpula do BRICS do ano passado, visa diversificar os parceiros comerciais do Brasil. Além disso, Lula expressou apoio à concepção de uma nova governança global para a internet, parte de um projeto chinês que integra iniciativas de desenvolvimento, segurança e civilização global, reformulando a ONU e defendendo a soberania tecnológica do Sul Global.

Aragon destacou que o século XXI será impulsionado por tecnologias como terras raras, semicondutores, software, redes soberanas e infraestruturas de comunicação. A computação em nuvem, por exemplo, traz desafios como a mineração de minerais críticos, que se tornará um ativo fundamental.

A mídia tradicional, no entanto, não tem dado a devida atenção a esses temas, o que, para Aragon, reflete a falta de interesse em um debate público amplo sobre soberania e desenvolvimento, áreas onde o governo Lula tem um discurso forte. Ele apontou que as grandes empresas de tecnologia, com sua influência no Congresso, não têm interesse em discutir a soberania tecnológica.

No que tange às políticas públicas, o Brasil, historicamente vanguardista na internet com o CGI, enfrenta desafios. Apesar de ter tido grandes investimentos em ciência e tecnologia nos primeiros governos Lula e Dilma, a instabilidade democrática do país compromete projetos de longo prazo, como o desenvolvimento de tecnologias de litografia. O baixo investimento atual em ciência, tecnologia e inovação, com recursos bloqueados pelo Congresso, também é um obstáculo. No entanto, o Brasil possui alta capacidade em programação, matemática e sistemas, com um movimento forte de software livre e militância pela soberania digital.

Aragon ressaltou a importância de programas como o Redata, que visam a implementação de data centers, mas questionou a forma como são conduzidos. Ele defendeu que o Brasil deveria investir em sua própria infraestrutura e oferecer serviços, em vez de entregar o controle total a grandes empresas de tecnologia.

O Brasil, segundo maior detentor de reservas de minerais críticos, precisa de uma estatal e regulação para o setor, a fim de negociar a venda desses minerais com valor agregado, em vez de exportar apenas a matéria-prima bruta, evitando que estados e empresas privadas negociem diretamente com potências estrangeiras sem a participação da União.

Há espaço para a Soberania Digital https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/brasil-na-era-digital.html

Nenhum comentário: