As cinzas de ontem e de agora
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Já não se ouvem os sinos ao alvorecer anunciando a quarta-feira de cinzas. A folia segue e se prolonga um pouco mais, como no Recife e em Olinda.
No século passado, a quarta-feira era um dia de luto sub-reptício, não
havia arrependimento, mas um ar solene de que os tempos se transfiguravam desde
a madrugada.
Ao trabalho, gente! Apenas a concessão de uma visita às redes digitais
para a constatação de que os cinco dias mágicos deixaram suas marcas, as mais
diversas e imagináveis, conforme os sonhos vivos sob o som dos tambores e o
traçado apaixonante dos clarins.
Mas é obrigatório conferir e-mails, atualizar a agenda, retomar
compromissos.
O peso da realidade se impõe.
Nas ruas ainda palmilhadas por confetes, serpentinas, restos de
fantasias, marcas da jornada vivida, a cidade retoma pouco a pouco a sua
rotina.
Trabalhar é preciso.
E a consciência da finitude. A eternidade apenas na promessa dos versos
do samba e do frevo-canção, nas juras de amor pronunciadas sob o fogo da
paixão.
E consolo nas palavras do poeta: “Mundo, vasto mundo,/se eu me chamasse
Raimundo/seria uma rima, não seria uma solução./Mundo, mundo vasto mundo,/mais
vasto é o meu coração.”
Leia também: Carnaval, carnavais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/e-carnaval.html

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