Da
tela para a vida
Quem
inventou 'Ninguém é perfeito', 'Siga o dinheiro' e 'Elementar, meu caro
Watson?' Frases boas de filmes são aquelas que entram para o nosso dia-a-dia e
não sabemos de onde vieram
Ruy Castro/Folha de
S. Paulo
Todas as reportagens que se fizeram sobre o excepcional ator Robert Duval, morto no domingo (15), citaram sua fala no papel do tenente-coronel Kilgore em "Apocalipse" (1979), de Francis Ford Coppola. De farda, mas sem o dólmã e com um chapéu de ranger da Cavalaria americana, em meio às explosões no Vietnã, ele diz, já com uma ponta de nostalgia da guerra: "Adoro o cheiro de napalm pela manhã".
É uma grande
fala, escrita pelo roteirista John Milius. Duval a imortalizou, mas só tem
sentido no filme. Você nunca a aplicou na vida real. Frases boas de filmes são
aquelas que entram para o nosso dia-a-dia e não se sabe de quem são ou de onde
vieram. Como "Ninguém é perfeito", que Joe E. Brown diz para Jack
Lemmon em "Quanto Mais Quente Melhor" (1959), de Billy Wilder. Quem a
escreveu? I.A.L. Diamond, parceiro de Billy como roteirista em 12 filmes.
E "Quando
a lenda supera a realidade, publica-se a lenda", em "O Homem que
Matou o Facínora" (1962), de John Ford? De quem é? De James Warner Bellah.
E "Amar é não ter de pedir perdão", em "Love Story" (1970),
de Arthur Hiller? De Erich Segal. E "Vou fazer uma proposta que [você] não
conseguirá recusar", em "O Poderoso Chefão" (1972), também de
Coppola? De Mario Puzo. E "Siga o dinheiro", em "Todos os Homens
do Presidente" (1976), de Alan J. Pakula? De William Goldman.
"Casablanca"
(1942), de Michael Curtiz, deixou duas frases para a história: "Nós sempre
teremos Paris", suspira Humphrey Bogart para Ingrid Bergman, e
"Prenda os suspeitos de sempre", ordena ao soldado o chefe de polícia
Claude Rains. De quem são? De Howard Koch ou dos irmãos Julius e Philip
Epstein, dos vários que trabalharam no roteiro.
E
"Elementar, meu caro Watson"? Ficou famosa por causa de um filme,
"As Aventuras de Sherlock Holmes" (1939), de Alfred Werker, criada
pelos roteiristas Edwin Blue e William Drake e dita por Basil Rathbone como
Sherlock. Não consta de nenhum dos 66 contos e quatro romances de Arthur Conan
Doyle sobre Holmes. Cinema também é cultura.
Ilustração:
Heloisa Seixas
"Nosso amado planeta vítima da indiferença" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/08/minha-opiniao_9.html

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