19 fevereiro 2026

O frevo nosso de todos os dias

É frevo o ano inteiro
Alexandre Ramos   
 
O frevo não acaba quando finda o carnaval.
Não obedeçamos calendário, nem aceitemos ser guardado nas gavetas de frevereiro.
 
Ele vem do frever antigo, quente,
que nasceu do ferver das ruas,
do povo misturado, apertado, vibrando.
Ferve o corpo,
acende o passo,
transforma chão comum em território de alegria.
 
Quando confetes viram poeira
e orquestras silenciam,
O frevo continua.
No assobio distraído de caminhantes,
na radiola pela janela.
 
Frevo não é só festa:
é patrimônio em movimento,
é o cotidiano colorido,
é o coração do Recife no ritmo da baqueta.
 
Por isso, escutaremos frevo em março, em junho, em novembro.
Escutaremos quando a vida estiver morna
porque ele nasceu para isso:
para lembrar que alegria boa é a que ferve.
 
O carnaval passa.
Mas o frevo, feito água em ebulição,
segue vivo o ano inteiro,
quente, inquieto, impossível de esfriar.

Foto: Eduardo Araújo
 
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