O frevo nosso de todos os dias
É frevo o ano inteiro
Alexandre Ramos
O frevo não acaba
quando finda o carnaval.
Não obedeçamos
calendário, nem aceitemos ser guardado nas gavetas de frevereiro.
Ele vem do frever
antigo, quente,
que nasceu do ferver
das ruas,
do povo misturado,
apertado, vibrando.
Ferve o corpo,
acende o passo,
transforma chão comum
em território de alegria.
Quando confetes viram
poeira
e orquestras
silenciam,
O frevo continua.
No assobio distraído
de caminhantes,
na radiola pela
janela.
Frevo não é só festa:
é patrimônio em
movimento,
é o cotidiano
colorido,
é o coração do Recife
no ritmo da baqueta.
Por isso, escutaremos
frevo em março, em junho, em novembro.
Escutaremos quando a
vida estiver morna
porque ele nasceu
para isso:
para lembrar que
alegria boa é a que ferve.
O carnaval passa.
Mas o frevo, feito
água em ebulição,
segue vivo o ano
inteiro,
quente, inquieto,
impossível de esfriar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário