22 setembro 2017

Insensatez

Na caleidoscópica cena pré-eleitoral (antecipada), quem age com truculência tem voo curto.

21 setembro 2017

Antinacional

Temer corta 44% o orçamento destinado à Ciência, Tecnologia e Inovação. Faz parte da agenda da recolonização do Brasil. 

Afundou

Pesquisa CNT: o político mais rejeitado do Brasil é Aécio Neves, com 72,5%. Alguém sabe o motivo?

Protagonismo

Vozes convergentes em busca da unidade ampla
Luciano Siqueira, no Vermelho e no Blog do Renato

A decisão do STF de encaminhar à Câmara dos Deputados a segunda denúncia da Procuradoria Geral da República contra Temer e as declarações duras do deputado Rodrigo Maia, presidente em exercício, contra interferências do Planalto na disputa por parlamentares de direita ora alojados no PSB são a bola da vez no noticiário da crise.

Quase que apenas “detalhes” num oceano de contradições que afetam todas as esferas da sociedade brasileira.

Concomitantemente, a mini reforma política confirma remendos num sistema caduco. Menos mal, pois com a atual composição do Congresso Nacional, reformas estruturais progressistas são impensáveis.

O fato é que a conjuntura pós-impeachment segue marcada pala imprevisibilidade e pela dispersão no terreno das ideias, enquanto avança a agenda regressiva de cunho neoliberal encetada por Temer e seu bando.

Nesse cenário, permanece a discrepância entre o grau de insatisfação reinante na sociedade e o aparente imobilismo.

A reação popular, aqui e mundo afora, em geral não se faz de imediato a uma grande derrota.

O primeiro momento configura perplexidade e resistência “primária”, onde cada segmento social e cada corrente política reage como pensa que pode e conforme suas circunstâncias, sem que as energias convirjam para um mesmo leito.

Esse é o desenho natural da evolução da consciência social mais avançada em tempo bicudo.

O PCdoB — que detém a primazia na análise multilateral do que se passa no país desde 2002, incluindo o legado dos governos Lula-Dilma — tem assinalado a absoluta necessidade da construção de ampla frente social e política em torno de uma plataforma destinada à superação da crise e a retomada do ciclo transformador, em novo patamar.

Uma empreitada hercúlea. Nada fácil, como nunca foi. Nem há fórmula definida nem roteiro rígido.

O diálogo entre os diversos segmentos da atual resistência, incluindo personalidades e grupos que se desgarram das hostes governistas, ao mesmo tempo e em sintonia com as manifestações concretas de luta nos salões e nas ruas, há que prosseguir — livre de estreitezas e sectarismos, tendo a defesa da nação como vértice.

A existência de pré-candidaturas à presidência da República, nesse cenário, além de um direito natural dos partidos, pode contribuir para uma ulterior conjugação de forças. Lula, pelo PT e Ciro Gomes, pelo PDT podem cumprir esse papel.

Em seu documento-tese em debate relativo ao 14° partidário, o PCdoB reafirma que seus esforços “pela constituição da Frente Ampla, pela coesão do campo democrático patriótico e popular, em torno de um programa e de uma candidatura; podendo, nesse processo, apresentar ao povo e às forças políticas progressistas uma pré-candidatura presidencial que contribua para a concretização destes objetivos.”

Uma pré-candidatura do PCdoB, nesses termos, em muito poderá contribuir no debate de novos rumos para o país.

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20 setembro 2017

Sufoco

STF decide enviar segunda denúncia contra Temer à Câmara - que fará nova rodada de negociatas para manter maioria parlamentar a seu favor.

Repúdio

Na pesquisa CNI/MDA, 84,5% dos brasileiros rejeitam Temer. Motivos de sobra para essa verdadeira execração pública.

19 setembro 2017

Mentira

Temer usa dados não oficiais e ignora rombo nas contas em discurso na ONU. O mesmo que faz aqui e o povo rejeita. 

Com quem?

"Compromisso com o desenvolvimento sustentável é de primeira hora", diz Temer na ONU. Ou seja, de sustentação dos interesses do Mercado.

Nesta quinta-feira. Imperdível

Um marco histórico sob um olhar contemporâneo. 
. O expositor do tema, LUÍS FERNANDES, é professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da PUC-Rio, doutor em ciência política e renomado estudioso da evolução histórica da ex-União Soviética. 
. Como debatedor, atuará KARL SCHURSTER, doutor em História Contemporânea pela Universidade Livre de Berlin, professor e pesquisador da UPE. 
- Aberto ao público.

Trump + Temer

Cena expressiva de um mundo em decadência
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Nos Estados Unidos, onde participa hoje da Assembleia Geral da ONU, Michel Temer ontem se encontrou com o presidente Donald Trump e posou sorridente para um grupo de fotógrafos pouco interessados e cumprindo mera missão profissional.

A cena por si mesma diz muito, retrato fiel de um mundo em que a decadência.

Trump, eleito presidente da ainda maior potência militar do globo em circunstâncias muito peculiares, exerce sua missão num misto de comportamento atabalhoado, agressivo e inconsequente.

O traço mais marcante da situação atual é a aceleração — sob o caldo de cultura de uma crise econômica e social estrutural do sistema capitalista — da transição da atual conformação de forças sob domínio unipolar norte-americano para uma nova ordem multipolar, na qual ganham expressão crescente a República Popular da China e a Federação Russa e, liderando a Comunidade Europeia, a Alemanha.

Temer, no exercício de um cargo a que foi içado através de um golpe institucional, no triste papel de energúmeno e impostor, como que prestando contas de sua agenda neocolonialista e regressiva de direitos e conquistas.

No concerto internacional, nos dois governos Lula e no primeiro governo Dilma, em sequência, o Brasil alcançou lugar de destaque — fruto de uma política externa altiva e proativa, seja como catalisador natural da conjugação de nações do subcontinente sul americano e da América Central, seja como protagonista da diversificação das relações comerciais e diplomáticas à margem das imposições dos EUA e da Comunidade Europeia.

Agora, há pouco mais de um ano, Temer e seu grupo, obedientes depositários de interesses manipulados desde Wall Street e Washington, rebaixa nosso país à vergonhosa condição de republiqueta subjugada.

Tempo tenebroso esse, que vivemos no mundo e no Brasil. Mas que a compreensão precisa da evolução da realidade concreta e das contradições inerentes ao sistema imperante mantém acesa a chama da esperança e impulsiona democratas e progressistas de todas as partes à luta emancipatória.

A cena armada em torno do encontro desses dois símbolos da decadência — Trump e Temer - há de servir de incentivo à resistência que aqui, nos EUA e mundo afora, sob diferentes formas e circunstâncias, vem gestando novo ciclo de transformações libertárias de nações e povo subjugados. 

E a tormenta degradante que ora agride a nação brasileira adiante será superada por ampla, e plural convergente aglutinação de forças progressistas.
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18 setembro 2017

Pluralidade

Pré-candidaturas à presidência da República de partidos potencialmente aliados são legítimas e podem contribuir desde já para o bom debate sobre os rumos do país.

Cara de pau

Temer fala em respeito à Constituição na posse da nova procuradora geral da República. Esqueceu que tirou Dilma com um golpe institucional?

15 setembro 2017

Força motriz da História

Cenas explícitas de luta de classes
Quando o Muro de Berlim caiu em 1989, uma das falas mais marcantes e que demonstravam bem o interesse do Império foi a do filósofo nipo-americano Francis Fukuyama, que, a partir daquele momento decretava o "fim da história".

Por Nilson Vellazquez*, no Vermelho

Obviamente, ao decretar o fim da história, Fukuyama estava, ao lado dos vencedores, declarando a vitória e supremacia do Império perante os povos explorados e os trabalhadores de todo o mundo. Batia de frente com as concepções marxistas que apontavam a luta de classes como motor da história.
Além dele e da direita neoliberal de todo o mundo, partidos de esquerda também passaram a desacreditar num futuro justo para a humanidade e, a partir daí, concepções niilistas, individualistas, pós-modernas e multiculturalistas foram tomadas - mas todas partindo de um princípio: fomos derrotados no que de mais profundo poderia existir, que era uma transformação do modelo econômico-social de desenvolvimento do mundo.
Essas concepções nos tornaram cada vez mais reféns de disputas no seio da sociedade de cunho liberal - direitos às individualidades, aos costumes e ao consumo - em detrimento da luta de classes, que nunca foi praticada de maneira escamoteada, pelo contrário, sempre precisou derrubar símbolos (como o Muro de Berlim), derramar sangue e castigar os derrotados.
Quando Zumbi dos Palmares foi assassinado, em 20 de novembro de 1695, como exemplo para os outros escravos, exibiram sua cabeça em plena praça pública, para que ninguém mais ousasse levantar-se contra os desmandos da Coroa. Assim também aconteceu quando a burguesia ascendeu ao poder na França, decapitando do imperador Luís XVI.
Esses exemplos servem apenas para ilustrar que luta de classes, embora também atue no seu modo soft através dos aparelhos ideológicos não é feita com subterfúgios; quando se tem força para executar os seus objetivos, a classe hegemônica não titubeia.
Aqui no Brasil, portanto, a luta de classes nos últimos tempos tem se dado da maneira mais explícita possível. Quem achava que o impeachment fraudulento da presidenta Dilma representava uma troca de governantes apenas, ou que era um golpe contra o PT, ou até mesmo para acabar com a corrupção, deve(ria) passar a perceber os verdadeiros objetivos do golpe.
Em um ano de governo ilegítimo - patrocinado pela mídia golpista e setores de corporações do estado - várias já foram as ações que desnudam o caráter de classe impresso nesse processo de ruptura democrática pelo que o Brasil passa. De um ano pra cá, uma quadrilha apeou o poder da República para tentar executar o que o "mercado" lhe delegou: entregar o Brasil de bandeja e novamente inseri-lo na cadeia capitalista de maneira subalterna, umbilicalmente ligado aos interesses do decadente império estadunidense. As medidas que acabam com direitos do trabalhador tais como a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência e Terceirização são medidas de tamanha violência - real e simbólica - que nem a Ditadura Militar foi capaz de fazer e, obviamente, para dar durabilidade a essas medidas é preciso acabar, tal qual as estátuas de Lênin ou de Stálin, com os nossos símbolos e com a esperança do povo brasileiro de retomar o crescimento soberano e justo.
As mais recentes investidas contra Lula são provas de que na luta de classes não se brinca. E é preciso dizer: não se combate a luta de classes no nível de radicalização em que ela se encontra com cirandas e dinâmicas de grupo; se combate com politica, política como arte, política como guerra, como guerra de trincheiras, buscando espaço, tentando dividir o inimigo e sobretudo acumulando forças para o ataque que por mais que queiramos não tem nenhuma condição de ser dado agora.
O golpe, por mais que atrapalhe essas políticas, não é homofóbico ou racista por si só. O golpe é classista e nos passa uma mensagem: nunca mais ousem governar esse país. Por isso, é preciso acabar com qualquer chance de a esquerda voltar. Daí ser tão explícitas as medidas que fazem contra Lula e a venda do nosso patrimônio, marcas profundas de gado no lombo do nosso país, com o selo bem grande dos EUA.
Quisera eu que também pudéssemos ter impresso a nossa marca com maior profundidade. Infelizmente, o caminho de distribuição de renda apenas, ou da "questão social" sem tocar na estrutura do estado e no caminho da soberania nacional tendo e vistas o socialismo possibilitou que nossas mudanças fossem leves como o vento. Aos poucos, iremos nos desfazendo de todas elas. O Brasil já voltou ao mapa da fome e é cada vez mais crescente o número de trabalhadores informais e moradores de rua nas cidades de nosso país.
Por isso, em tempos difíceis como este em que vivemos - tempos de cenas explícitas de luta classes, que é vivida em tabuleiro internacional - é preciso atuar explicitamente também. Fazer luta de classes no parlamento, nas ruas e onde mais puder ser. Sem essa perspectiva bradaremos incansavelmente nossas consciências e nosso radicalismo sem adentrar no cerne da questão: como transpor o regime golpista?
Pra mim, só ultrapassaremos esse estágio da luta de classes com muita amplitude, trazendo para o lado de cá quem puder trazer. Ao longo desse caminho, ficaremos alguns, eliminaremos outros, mas só uma grande frente nacionalista, desenvolvimentista e consciente da árdua missão que nos cabe poderá superar a ignomínia a que submetem o nosso país dia a dia.
Vamos à luta!

*Nilson Vellazquez é professor da rede pública e secretário de formação do PCdoB de Pernambuco.

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13 setembro 2017

Dever

Em ambiente conturbado e ameaçador, ir além dos fatos e abordar os destinos do país é um dever patriótico. 

Notícia velha

"Temer e Cunha tramavam 'diariamente' queda de Dilma", afirma delator Lucio Funaro. Mas, convenhamos, isso todo mundo está caduco de saber.

Bumerangue

Temer diz que "bandidos constroem versões" para atacar a presidência da República. Contra Dilma fizeram isso - e ele, Temer, ajudou.

Turbulências

Supremo julga hoje pedido de suspeição contra Janot em clima de intrigas e confrontos internos. Aí de ti, República!

Uma questão crucial

O que há de mais nocivo na agenda regressiva
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Quando tudo conspira contra não é fácil identificar o problema principal. Assim ocorre agora com o ilegítimo governo Temer.

Na agenda regressiva de direitos e de restrições à soberania, certamente no desmonte do Estado nacional reside o que há de mais danoso. Porque no mundo de hoje, nenhum país logra êxito prescindindo do Estado como indutor do desenvolvimento.

E o que assistimos no Brasil pós-golpe, sob a égide da consigna “menos Estado, mais mercado”, é o logro da retomada do crescimento econômico apoiado no setor privado, na esteira do esvaziamento do setor público.

A narrativa governamental parece ser lógica, mas não é.

Para deter a desorganização das finanças públicas, a mágica é o ajuste fiscal centrado no corte das despesas governamentais.

Além de sacrificar duramente programas sociais compensatórios, sufocar a pesquisa científica e o ensino público universitário e técnico e restringir o mercado interno, aborta investimentos públicos em infraestrutura – receita de aprofundamento da recessão – e não resolve o problema eleito como central, o déficit público.

Nesse contexto, ganha destaque o programa de privatização de 57 empresas públicas apresentado como solução heroica para a geração de receitas necessárias para o equilíbrio financeiro.

Nessa matéria, sequer aprendemos com lições recentes. Nos governos Collor e FHC, a privatização de empresas estatais estratégicas resultaram na transferência de 15% do PIB ao setor privado e proporcionaram a perda definitiva de 546 mil postos de trabalho. E nem promoveram crescimento nem sanaram o déficit público – como bem assinala o economista Marcio Pochmann em artigo recente.

Ora, não se conhece nenhum caso mundo afora de crescimento econômico sem pesados investimentos públicos.

A lógica de Temer e sua equipe econômica é a lógica do rentismo. E da renúncia à soberania.

Mas o noticiário produz uma imensa cortina de fumaça, que dá como legitima a interrupção da normalidade constitucional e prioriza o combate à corrupção – bandeira de toda a sociedade, que não pode ser subestimada nunca, mas que se presta, na atualidade, não apenas à transgressão de normas processuais, a uma seletividade criminosa e a confundir a população.

Mais do que nunca é preciso defender um projeto nacional de desenvolvimento – que comporta sim, a restauração da normalidade democrática e a defesa e o restabelecimento de direitos e conquistas sociais fundamentais, mas sobretudo a preservação do Estado nacional.

O programa de privatizações não pode seguir sem resistência. A inclusão da CHESF na tentativa de transferir ao setor privado esse segmento estratégico há de mobilizar todas as forças vivas do Nordeste – partidos progressistas, movimentos sociais, governadores, parlamentares, a academia e o mundo da ciência e da tecnologia. Antes que seja tarde.


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Factoide

Ligeiro crescimento do PIB fruto da safra recorde e consumo pela liberação do FGTS não se sustenta porque o investimento segue em queda.