17 fevereiro 2017

Sendo o que é

Inquirindo o ex-governador Tarso Genro, em Porto Alegre, o juiz Sérgio Moro fez perguntas sobre a crise e a refundação do PT e afins, entrando numa seara política que só confirma o caráter político-partidário que imprime à Operação Lava Jato.

Como sempre

A cúpula nacional tucana, em sua melhor tradição de dubiedade, quer continuar apoiando Temer, mas nem tanto. Para usufruir da regressão neoliberal sem contudo perder as condições de disputar a presidência da República em 2018.

Decadência

Temer receia que o Senado crie dificuldades a uma possível reeleição de Rodrigo Janot e sofra represálias que venham a respingar no governo, registra o noticiário. Pobre República a nossa!

16 fevereiro 2017

O prazer da fotografia

Cena urbana: Barcos de Piaçabuçu, AL (Foto: LS) #cenaurbana #alagoaspic.twitter.com/e0NmFuucoC

Tempo sombrio

Economia, Política e a "operação-abafa"
Walter Sorrentino, no portal Vermelho

A onda deletéria neoliberal esvaziou a democracia em todo o mundo e tornou a Economia diretamente em Política, sem maiores mediações, para impor os interesses do sistema financeiro.

No Brasil idem. Com o escárnio dos juros mais altos do mundo, a galinha de ovos de ouro para a comunidade financeira daqui e d´alhures.

Com a singularidade de que a Política tornou-se diretamente judicializada - a Operação Lava Jato determina, por ação e reação, a Política imediata.

A verdadeira operação abafa em curso no Brasil não é sobre a Operação Lava Jato, mas sobre a situação da economia, sujeita a vasto consenso mistificante de que “agora vai”. É o círculo maior que ajunta todos os setores conservadores.

Um círculo menor, nesse mesmo bloco, abrange os que querem e precisam se livrar das condenações merecidas e estão momentaneamente cobertos pelo interesse maior da Economia. Até quando? Diria: até que uma pactuação “pelo alto” nos bastidores produza a futura candidatura presidencial sem chance de derrota, como foi com FHC cavalgando o Plano Real. Tais pactuações, quando se veem os primeiros sinais, é porque já estão em pleno curso. Não é certo que o consigam, mas o roteiro é esse.

O “agora vai”, mesmo que levasse à retomada do crescimento econômico, põe o país em direção oposta às reais tendências do mundo hoje, de oposição entre globalização e interesses nacionais.

Lamentável que se deixe a direita conservadora, protecionista e xenófoba levar a termo vitórias explorando o ressentimento popular, nos EUA como na Europa.

No Brasil, “agora vai” leva para o brejo a soberania nacional e os direitos sociais – um projeto anacrônico até mesmo aos pregoeiros das austeridades que aprofundaram a estagnação econômica mundial para salvar em primeiro lugar a banca.

Como não se faz um projeto de nação no brejo, a democracia tem que ser conspurcada para esses intentos. Tristes trópicos.

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

Recessão e fragilidade

Cenário crítico
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

Mergulhado em uma crise política gravíssima o País vê-se às voltas com uma estratégia econômica conscientemente recessiva cuja justificativa central, alegam, tem sido manter a inflação em baixa.

Com isso aprofunda-se a paralisia do desenvolvimento nacional, avança o desemprego e surgem os óbvios sinais de uma séria crise social que já se reflete na situação dramática da segurança pública nos Estados da federação.

Mas esse cenário deve se alastrar, infelizmente, para outros setores como saúde pública e educação, a paralisia nos investimentos em projetos de infraestrutura etc., em decorrência da aplicação pelo governo federal de uma política econômica conservadora e neoliberal cujas consequências em todo mundo mostram-se catastróficas e repudiadas por todos os lados.

Na verdade aplica-se a linha econômica dos governos Fernando Henrique Cardoso mas em um contexto histórico muito mais dramático, numa crise estrutural global e sistêmica do capitalismo iniciada em 2008 nos Estados Unidos e que depois alastrou-se pelo mundo.

Sem estratégias de qualquer espécie, o Brasil encontra-se como uma nau a vela dos tempos antigos: paralisada em meio a uma escassez de ventos que a impulsionem. A única coisa em movimento é a remuneração do capital financeiro que apresenta lucros recordes nos balanços publicados.

Sem protagonismo geopolítico regional ou global o Brasil vive um estado de torpor. Mostra-se em processo de regressão, de catatonia política.

As linhas monetaristas adotadas pelo governo Temer assemelham-se às do início do período das políticas neoliberais da década de 70 do século passado, das iniciativas neoliberais do presidente Ronald Reagan e da primeira ministra britânica Margaret Thatcher.

Mesmo assim mostram-se farsescas, como se fossem réplicas do auge das linhas gerais do liberalismo recauchutado que pontuou o final do século XX.

Onde se proclamava, hegemonicamente, através dessa mesma grande mídia atual, que a economia resolve por si própria todas as questões. Quem atrapalha é a intervenção do Estado nas relações institucionais ou nas políticas financeiras.

Como disse André Araújo “estão praticando um economês de quitanda... vamos chegar ao pico da crise com uma inflação na meta e a nação em crise social, à beira da guerra civil. Exemplo de miséria em País rico”.

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

Reprovado

. Enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com larga vitória frente a todos os cenários de intenções de votos para a Presidência em 2018, o atual presidente Michel Temer acumula reprovação da maioria dos brasileiros: 62,4%.
. A informação é da pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta quarta-feira (15), e que ouviu 2.002 pessoas, em 138 municípios nas 25 unidades federativas, entre os dias 8 e 11 de fevereiro. 
. As perguntas foram para analisar o desempenho pessoal de Temer no comando do Palácio do Planalto. A desaprovação de 62,4% dos entrevistados foi a segunda maior já calculada até agora na gestão do peemedebista.

. Leia mais http://migre.me/w4rwa

Paixão desfigurada

O creme de avelã está matando o futebol brasileiro
A vida, em sua essência, é simples, cotidiana, até banal. E é justamente nas coisas ínfimas onde residem nossas maiores alegrias. Mesmo assim, o ser humano insiste em colocar penduricalhos na existência, insiste na gourmetização.

Ricardo Flaitt, no portal Vermelho

O fenômeno embelezador-civilizatório também chegou ao futebol, que sofre com essa necessidade de quererem transmutar o que é simples, em algo especial, sem nos perguntarem o que é de fato especial para nós, os torcedores.

Futebol, como a vida, já é especial por si só. Seja na pelada praticada na rua, num estádio do interior ou em campo ultrassofisticado, tudo começa e termina com 22 homens, correndo atrás de uma bola, tentando, desesperadamente, ao longo de 90 minutos, fazê-la atravessar por um retângulo, em um ato que se chama gol, que arranca da gente os ruídos mais viscerais, mais primitivos.

Os burocratas nunca entenderão, mas o futebol compreende a vida.

Movido por um conceito de "modernidade", principalmente depois da Copa do Mundo no Brasil, o futebol ganhou tantos ângulos, padrões, tantas análises, tantos números, tantos scoutings que, em certos momentos, a gente até fica em dúvida se se trata de um jogo de bola. O futebol fico tão "importante".

Esse movimento do "futebol científico" não é novo. A antiga URSS já levara ao extremo esse conceito, lá nos idos de 1958, na Copa do Mundo, na Suécia, quando colocaram réguas, esquadros, compassos para compreender o futebol brasileiro e, consequentemente, tentaram parar um gênio, chamado Garrincha, que, com suas pernas tortas e sem combinar com os russos, desmontou todas as teorias com sua intuição.

Longe deste texto ser uma apologia ao retrocesso, ao arcaico, em um movimento nostálgico-piegas. Sem dúvida que o futebol precisa da ciência. O que não se pode fazer é colocar todas as explicações do universo nas Exatas, porque na bola e na vida, o que nos rege é o imponderável, o inexplicável, o metafísico.

Fosse o futebol fruto único e exclusivo da ciência, nunca um Gabiru desmoronaria o Barcelona de Ronaldinho Gaúcho e cia. ltda. Nunca um Garrincha passaria numa peneira: seria descartado, considerado inválido, segundo as estatísticas, encaminhado ao INSS.

O grande problema é que, na ânsia dos cartolas quererem transformar o futebol brasileiro – no sentido de espetáculo – o mais próximo de um produto com selo de exportação, estão forçando a barra, desconsiderando as nossas características, a nossa fragilidade econômica, as nossas discrepâncias sociais, o nosso modo de ser. Estão passando muito creme de avelã no pão de cada dia de nossa realidade.

Sendo o futebol a expressão de um povo, com certeza, esse "new futebol", que exclui os menos favorecidos por meio dos altos valores nos ingressos, que não quer mais exibir os desdentados na televisão, que nos forçam sentar em cadeiras para que assistamos à partida inertes como se um índio cantando para os nobres europeus, esse futebol que não existe bandeira, que não tem bumbo, que não tem bandinha, de fato, não condiz com as nossas raízes.

Tudo se transfigurou quando os mercadores transnacionais da bola venderam-nos, e lucraram muito em cima de um conceito e o padrão de modernidade sobre o nosso espetáculo. Assim, sumiram com nossas arquibancadas, esconderam a geral, embalaram os ambulantes em uniformes de lanchonetes americanizados, agregaram valor através de camarotes, silenciaram os radinhos de pilha. Limparam a paisagem.

Retiraram também de nós o lanche de pernil, aquele suculento, que escorre óleo no canto da boca, e empurraram-nos um pão com creme de avelã, que não combina com as necessidades primevas do brasileiro e a sua relação sentimental com a bola.

Segmentaram, fracionaram, segregaram, dividiram um dos poucos momentos em que as camadas sociais se compreendiam por um só sentimento, o do seu time de coração.

Os que os engravatados não enxergaram, como sempre, é que enquanto tentam domesticar o nosso modo de torcer, os europeus, que antes levavam nossos craques, agora também assimilam nosso antigo modo de vibrar.

Ao ver um jogo do Borussia Dortmund, da Alemanha, é impossível não enxergar que a gente também torcia daquele jeito. Ninguém está aqui vociferando a favor de estádios ou "arenas" – como queiram – sem condições estruturais, obsoletas; mas sim que a atualização seja feita considerando as características do nosso povo.

Os dirigentes não compreenderam que em torno de um estádio existe um povo, um país. E o brasileiro, ligado umbilicalmente ao futebol, movido pela paixão, está longe de ser racional, burocrático, científico. Porém, os tecnocratas, munidos de cifras, estão transformando, gradativamente, os torcedores em coisa, em objeto, em marca, em slogan, em números.

O grande Manoel de Barros, em Retrato do artista quando coisa, já se rebelara diante da coisificação da vida: "Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio às 6 da tarde, que aponta lápis". No futebol, não aguentamos ser um sujeito que fica sentado, tendo que ser contido em nossas emoções, que tem de assistir uma partida de futebol como se uma ópera. No Brasil, de Garrincha, não é assim.

Se por um lado o creme de avelã tem a função de "embelezar" nossa realidade, em contrapartida, há um efeito colateral, que produz refluxos: muitos torcedores estão se afastando dos novos estádios.

As "arenas" estão cada vez mais minguadas em seus públicos; porque o torcedor brasileiro, além da segregação financeira, não se sente mais parte dessa "modernidade", que chegou ao ponto de transformar o Maracanã, um templo mundial da bola, em um objeto estranho no corpo da cidade e no coração dos torcedores.
 

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

Nas mãos da militância

Com que roupa vamos ao samba e à luta?
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

"Com que roupa que eu vou/pro samba que você me convidou?", pergunta Noel em uma de sua deliciosas composições. 

A questão se põe a todos os viventes, sobretudo em tempo bicudo como o de agora, em que a crise sistêmica que corrói a economia mundial afeta duramente o Brasil e respinga na casa e no bolso de todos nós.

Aos partidos políticos a questão também se coloca, pois a mais recente “mini” reforma política acertadamente interditou o financiamento empresarial privado de campanhas eleitorais, porém não introduziu o financiamento publico, como seria oportuno e correto.

O fato é que, seja pelos caminhos legalmente estabelecidos, seja por outros caminhos, o poder econômico seguiu interferindo fortemente na cena política, como se viu nas eleições municipais de outubro passado.

Demais, aos partidos situados à esquerda, fundamentalmente vinculados aos trabalhadores e às demais camadas populares da sociedade, a nova situação política decorrente do golpe judiciario-parlamentar-midiático implica mais dificuldades ainda.

É o caso do PCdoB, que em março próximo celebrará 95 anos de atuação ininterrupta.

Antes, nos períodos ditatoriais, alvo da repressão e do impedimento legal; na atual quadra democrática, recorrentemente objeto de tentativas de restrições à presença no Parlamento, via cláusula de barreira e outros artifícios – dentre os quais as limitações financeiras.

A resistência dos comunistas, seu descortino estratégico e sua habilidade e consequência tática têm permitido ao PCdoB persistir em sua senda. 

Mas é preciso ter olhos abertos e sagacidade para compreender - como assinalou Ronald Freitas em recente encontro nacional de dirigente destinado ao trato das financias partidárias - que a nova situação política "impacta fortemente em todos os níveis de atuação do Partido, tornando-a muito mais difícil”, incluindo as suas condições de subsistência.

Isto quando no horizonte se vislumbram desafios ingentes, tanto os relacionados com as eleições gerais de 2018, como os que se põem de imediato na resistência às políticas regressivas de conquistas e de direitos e lesivas à soberania do País, encetadas pelo espúrio governo Temer.

Sustentar a atividade política do PCdoB com base fundamentalmente nos parcos recursos do fundo partidário resultaria numa passividade incompatível com a sua missão histórica e o seu papel político atual.

Nesse cenário, ressalta dentre um rol de diretrizes afins, o "relançamento" da contribuição militante.
Ou seja, desenvolver junto aos militantes a compreensão de que eles é quem são os verdadeiros mantenedores do Partido, através de uma campanha nacional que convença, entusiasme e mobilize milhares de militantes, filiados e amigos.
Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

15 fevereiro 2017

Sangria

. Segundo estudo divulgado em dezembro pela organização estadunidense Global Financial Integrity, dedicada a investigar e denunciar os fluxos financeiros internacionais ilegais, e o Centro de Pesquisa Aplicada da Escola de Economia da Noruega, desde 1980 os países em desenvolvimento perderam 16,3 trilhões de dólares em transações internacionais.
. A sangria abrange grandes vazamentos nos balanços de pagamentos, movimentação ilícita de dinheiro por meio da falsificação de valores nas faturas de transações comerciais internacionais (trade misinvoicing) e transferências financeiras registradas.
. Esses recursos representam imensos custos sociais pagos pelos cidadãos de todas as nações em desenvolvimento. CartaCapital selecionou os trechos a seguir do importante levantamento, intitulado “Fluxos financeiros e paraísos fiscais: combinando-se para limitar a vida de bilhões de pessoas”. 

. Leia mais: http://migre.me/w3Z5h

Retrocesso fundiário

Regularização fundiária para quem?
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Vivemos um tempo em que a tergiversação é arma de elevado poder ofensivo, porque reverberada por poderosas mídias, quando se quer defender privilégios e subtrair direitos.
O mote invariavelmente é algo que a todos incomoda – a burocracia estatal, por exemplo. 
Quem não reclama dos processos lentos, complicados e muitas vezes mediados pela figura do despachante para resolver algo relativamente simples, nas relações entre o cidadão e os órgãos públicos?
Daí a roupagem da desburocratizarão via de regra servir de glacê para um bolo indigesto aos que vivem do seu trabalho e não gozam de benesses.
Mesma lógica do “impostômetro”, patrocinado pelos que muito ganham e pouco pagam e se recusam a fazer também um “jurômetro”, porque se beneficiam da ciranda financeira.
É o que acontece agora quando, desde dezembro, o ilegítimo presidente da República Michel Temer encaminhou ao Congresso Nacional a Medida Provisória 759, destinada, entre outros objetivos, a "desburocratizar" a regularização fundiária rural e urbana.
Nada mais falso! 
O que a MP 759 pretende, isto sim, é atropelar os processos de desapropriação passando por cima de dispositivos legais essenciais em defesa dos que ocupam terras antes devolutas, no campo; e nas cidades, extensas e inúmeras áreas de ocupação "irregular", em decorrência da rápida urbanização verificada em nosso país.
Pois a Constituição Federal, em seu artigo 6º, assegura um rol de procedimentos jurídicos, urbanísticos, ambientais e sociais destinados a regularizar assentamentos considerados irregulares e o emitir o título de posso dos seus ocupantes. Em consonância com o caráter social da propriedade territorial urbana e o direito à sustentabilidade ambiental.
Numa apreciação mais atenta, a MP 759 rompe com o texto constitucional, pois adota dispositivos que, na prática, anulam critérios que garantem o interesse social e favorecem aos detentores de capital.
Assim, suprime o tratamento especial às áreas de interesse social por parte do Poder Público, inclusive o dever público de investir em infraestrutura e na requalificação urbanística das áreas, para assegurar condições de habitabilidade.
Em assentamentos “subnormais” (para usar uma expressão muito cara a alguns estudiosos), o licenciamento ambiental há de ser sempre diferenciado quando do processo de regularização fundiária. A MP 759 anula esse tratamento diferenciado, impondo restrições legais, portanto, prejudiciais à população dessas áreas.
Por outro lado, extingue a obrigatoriedade dos loteadores irregulares e grileiros de terras públicas a providenciarem medidas corretivas, transferindo ao poder público essa responsabilidade.
A matéria é complexa, o texto da MP longo e detalhado. Esse breve registro pergunta: desburocratizar para quem?

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

14 fevereiro 2017

Repressão

O retrocesso do governo Michel Temer deu mais um passo rumo ao desmonte do Estado Democrático de Direito. Em situação típica de um Estado de Exceção, enquanto aplica o ajuste fiscal, arrochando as contas públicas e cortando os direitos sociais, Temer anunciou que as Forças Armadas serão usadas pelas reprimir movimentos em todo o país. Leia mais http://migre.me/w3wim

13 fevereiro 2017

Ensino rebaixado

A educação e a juventude brasileiras sofreram mais um duro golpe na noite de ontem (8) com a aprovação pelo Senado Federal da Medida Provisória 746/2016 (Projeto de Lei de Conversão 34/2016) que institui a reforma do ensino médio. É o que afirma Maria Izabel Azevedo Noronha em artigo reproduzido no portal Vermelho. Leia mais http://migre.me/w38uJ

Sem limites

O deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), relator da reforma trabalhista, anuncia sua pretensão em reduzir o número de sindicatos no Brasil. Além de retirar direitos, quer enfraquecer as organizações de luta dos trabalhadores. Sem nenhuma vergonha!

12 fevereiro 2017

"Revoltados seletivos"

Não há panelaços e bonecos infláveis para os acusados do governo Temer

Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Agora ficou mais fácil compreender o que se tem passado no Brasil. O poder pós-impeachment compôs-se de sócios-atletas da Lava Jato e, no entanto, não há panelaço para o despejo de Moreira Franco, ou de qualquer outro da facção, como nem sequer houve para Geddel Vieira Lima. Não há panelaços nem bonecos inflados com roupa de presidiário.
Logo, onde não há trabalhador, desempregado, perdedor da moradia adquirida na anulada ascensão, também não há motivo para insatisfações com a natureza imoral do governo. Os que bancaram o impeachment desfrutam a devolução do poder aos seus servidores. Os operadores políticos do impeachment desfrutam do poder, sem se importar com o rodízio forçado, que não afeta a natureza do governo.
Derrubar uma Presidência legítima e uma presidente honesta, para retirar do poder toda aspiração de menor injustiça social e de soberania nacional, tinha como corolário pretendido a entrega do Poder aos que o receberam em maioria, os geddeis e moreiras, os cunhas, os calheiros, os jucás, nos seus diferentes graus e especialidades.
Como disse Aécio Neves a meio da semana, em sua condição de presidente do PSDB e de integrante das duas bandas de beneficiários do impeachment: "Nosso alinhamento com o governo é para o bem ou para o mal". Não faz diferença como o governo é e o que dele seja feito. Se é para o mal, também está cumprindo o papel a que estava destinado pela finalidade complementar da derrubada de uma Presidência legítima e de uma presidente honesta.
Não há panelaço, nem boneco com uniforme de presidiário. Também, não precisa. Terno e gravata não disfarçam.
POLÍTICA, SIM
Se divulgar a delação da Odebrecht, como propõe Rodrigo Janot, pode levar à "destruição de prova útil" –como disse o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima ao repórter Thiago Herdy–, "de outro lado, há o uso de vazamentos para o jogo político, algo que não nos interessa".
Sem esse interesse, não teria havido os vazamentos. Atos cuja gravidade não se confunde com a liberação particular de informações para jornalista. O inaceitável eticamente nos vazamentos da Lava Jato é a perversa leviandade com que torna públicas, dando-lhes ares de verdades comprovadas, acusações não provadas, em geral nem postas (ainda?) sob verificação.
Otávio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, por exemplo, proporcionou um desses vazamentos: acusou Edinho Silva e outro petista de receberem determinado cheque, relatando até o encontro para a entrega. O então ministro José Eduardo Cardozo localizou e exibiu o cheque de tal pagamento: o destinatário do cheque nominal era um certo Michel Temer. Mas a Lava Jato pusera Edinho Silva, secretário de Comunicação da Presidência de Dilma, nas manchetes e na TV como recebedor do suborno da empreiteira.
Otávio Azevedo e outros ex-dirigentes da Andrade Gutierrez estão chamados a corrigir seus depoimentos, porque a delação da Odebrecht revelou que distorceram ou omitiram. E também foram vazamentos acusatórios. Diz a regra que trapacear nas delações as anula. Não porém para protegidos na Lava Jato, como Otávio Azevedo e Alberto Youssef.
Ficou comprovado que a Lava Jato e mesmo o seu juiz programavam vazamentos nas vésperas dos dias importantes na campanha contra Dilma e Lula. Só por "interesse político" –evidência que ninguém na Lava Jato tem condições honestas de negar.

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

Futebol como hoje é

Cresce o número de estratégias modernas, dependentes do físico
Tostão, na Folha de S. Paulo
A Primeira Liga já morreu e nunca deveria ter existido. Ela foi criada para atrapalhar o calendário, aumentar ainda mais o enorme número de jogos durante o ano, para poucos faturarem e para iludir os que, como eu, acreditavam que ela seria o embrião de uma forte liga nacional, de oposição à CBF.
Assim como acontece em todas as áreas, existe, no futebol, uma prática de delimitar o conhecimento por épocas, com datas de início e de fim, como se conceitos e estratégias diferentes não pudessem existir juntos. A rígida divisão atual é a de rotular os treinadores e a maneira de jogar em modernas ou obsoletas. Pior, quem ganha é chamado de moderno, e quem perde, de obsoleto.
Estratégias modernas não significam, obrigatoriamente, que sejam eficientes. Há pontos negativos, que podem ser aproveitados pelos adversários. Diminuir os espaços entre os setores e entre o jogador mais recuado e o mais adiantado é uma busca dos treinadores modernos. É o futebol compacto. Isso facilita a aproximação e a troca de passes e dificulta que o outro time faça o mesmo.
Porém, se os zagueiros se adiantarem demais, aumentam os espaços nas costas. O goleiro tem de saber jogar bem fora do gol, outra necessidade moderna. Muitos não sabem. Se os zagueiros marcarem atrás, longe dos armadores, sobram muitos espaços entre eles, para o adversário jogar. Se os zagueiros e os armadores recuarem muito, aumentam os espaços para o adversário ficar com a bola, trocar passes e pressionar. Não há nenhuma solução ideal. O resultado vai depender de inúmeros fatores.
Outras estratégias muito usadas hoje são as de trocar passes desde a saída de bola do goleiro e alternar a marcação por pressão com a mais recuada. Os adversários do Barcelona, mesmo os pequenos, descobriram que, em vez de recuar e bloquear os espaços próximos à área, é melhor pressionar na saída de bola. Com isso, o Barcelona tem perdido muitas bolas em sua intermediária e sofrido mais gols.
Muitas equipes fracassaram com o mesmo sistema tático que faz sucesso no Chelsea. O time, quando perde a bola e não consegue pressionar, volta e marca com nove jogadores à frente da área, para contra-atacar, com velocidade e organização. O pequeno Leicester, campeão inglês da temporada passada, usa hoje o mesmo sistema tático do título, igual ao do Chelsea, e luta para não ser rebaixado.
Cada dia mais aumenta a intensidade do jogo, a capacidade de atacar e de defender com muitos jogadores, sem descanso, durante a partida. É uma das virtudes do Campeonato Inglês. Nem sempre funciona. Às vezes, confundem intensidade com correria desorganizada, com afobação e pressa para chegar ao gol.
Para onde caminha o futebol? Não sei. Há muitas variáveis. Os avanços técnicos são cada vez mais dependentes do preparo físico, dos superatletas. Sou otimista porque sempre haverá craques, transgressores, inventivos, lúcidos para tomar decisões corretas e capazes de, em uma fração de segundos, mapear e calcular todos os movimentos e a velocidade dos companheiros, dos adversários e da bola, como se tivessem megacomputadores no corpo.
Charles Chaplin, no filme "Tempos Modernos", disse: "Não sois máquinas, homens é que sois". Algum modernista ou modernoso diria: "Não sois homens, máquinas é que sois"

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD

Proteção indevida?

“Em novembro, o acusado Eduardo Cunha fez 41 perguntas a Michel Temer, sua testemunha de defesa nos processos de Curitiba. O juiz Sergio Moro censurou metade do questionário. Afirmou que oito indagações não tinham "pertinência" e outras 13 eram "inapropriadas".
Cunha e Temer são velhos aliados, e as perguntas vetadas por Moro forneciam um bom roteiro para a Lava Jato. Numa delas, o correntista suíço queria saber: "O sr. José Yunes recebeu alguma contribuição de campanha para alguma eleição de vossa excelência ou do PMDB?"

Em dezembro, Yunes foi acusado por um delator da Odebrecht de receber dinheiro em espécie para Temer. Ele se disse indignado e deixou o cargo de assessor do presidente.“ (Bernardo Mello Franco, na Folha de S. Paulo)

Marcos Dionísio

Infinita tristeza pela morte do companheiro e amigo Marcos Dionísio (Mosquito), destacado militante do PCdoB no Rio Grande do Norte, paladino dos Direitos Humanos. Viverá sempre na luta do povo pela liberdade e pelo socialismo.

10 fevereiro 2017

Do jeito que o diabo gosta

A Comissão Especial da Reforma da Previdência (PEC 287/16), instalada ontem na Câmara dos Deputados, é presidida pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS), conhecido pelo seu desempenho na “tropa de “choque” de Eduardo Cunha. Certamente conduzirá os trabalhos com a “eficiência” que Temer deseja. 

O prazer da fotografia

Cena urbana: A menina procura conchas (Foto: LS)

Falácias

“O mergulho depressivo iniciado entre o crepúsculo de 2014 e a aurora de 2015 pode ser apresentado como um exemplo do fenômeno que as teorias da complexidade chamam de “realimentação positiva” ou, no popular, ‘quanto mais cai, mais afunda’. As decisões “racionais” do ponto de vista microeconômico, prestam homenagem às falácias de composição que infestam os modelos macroeconômicos: o que parece bom para o “agente individual” – seja ele empresa, banco ou consumidor – é danoso para o conjunto da economia”, analiza Luiz Gonzaga Belluzzo. Leia mais: http://migre.me/w1ZzB  

Repetição como farsa

“Os vitoriosos de 2016 achavam que a história se repetiria e que Michel Temer seria um novo Itamar Franco. Que, apesar da insignificância, Temer poderia produzir um “novo fenômeno”, uma reencarnação de Fernando Henrique Cardoso, prontinho para salvar o primitivo capitalismo brasileiro, livrando-o dos perigos do “lulopetismo”. O que tivemos, no entanto, foi a confirmação da velha regra, de que, na segunda vez, um episódio histórico se torna farsa. Temer é pior do que Itamar em qualquer quesito, a começar pela honorabilidade”, escreve Marcos Coimbra na CartaCapital. Leia mais http://migre.me/w1YGU

Plágio?

Em vias de ser sabatinado no Senado, Alexandre de Moraes se vê no meio de polêmica sobre o plágio que teria cometido contra o doutrinador espanhol Francisco Rubio Llorente, conforme divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo. O caso deve se seguir durante os dias, com a possibilidade de haver outros, conforme a comunidade acadêmica escrutina sua obra. Leia mais http://migre.me/w1YDh

Sem solução à vista

A crise
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

As informações demonstram que a economia global pode estar se aproximando de um novo e mais elevado estágio da crise financeira mundial.
Os setores dinâmicos da produção, como a indústria, continuam em forte processo de estagnação, enquanto os ativos monetários estão sendo usados para socorrer os bancos, especialmente aqueles na área de “investimentos”, o que vale dizer para aplicações financeiras de curto prazo, do capital rentista.
O Brasil, assim como a América Latina, vem sendo conduzido a um novo estágio de subalternidade em sua dinâmica econômica, a partir de uma orientação política para esse fim que é, em última instância, quem na verdade dá os rumos ao processo econômico em qualquer País do mundo.
Enquanto em meio a essa crise global assistimos, desde 2008, novos jogos de guerra com invasões armadas, especialmente pelos Estados Unidos, cujos objetivos mais evidentes são a disputa por matérias primas, destacadamente o petróleo, a ocupação de espaços geopolíticos, há uma uma nova reconfiguração internacional rumo à multipolaridade que caminha a passos mais rápidos que se imaginava há alguns anos atrás.
Mesmo com os incentivos ao complexo industrial militar durante as últimas administrações da Casa Branca, de Clinton à família Bush, passando ao governo Obama, a economia dos Estados Unidos continua em situação catastrófica apesar dos intensos esforços dos comentaristas econômicos da grande mídia associada ao capital financeiro.
Mas o fato é que torna-se óbvio o enfraquecimento da economia dos EUA na medida que seu déficit na balança comercial atinge, desde 2000, 8,6 trilhões de dólares, sendo que o total chega a 10,5 trilhões de dólares.
Não há como entender as últimas eleições presidenciais norte-americanas, abstraindo a decadência industrial, o desemprego em massa, casas hipotecadas, a desesperança do cidadão comum dos EUA.
Ao tempo em que a Europa patina num caos político imprevisível, o Brasil atravessa grave crise multilateral com a hegemonia das políticas neoliberais do Mercado no País.
É um cenário assemelhado à crise capitalista de 1929, a ascensão nazifascista, a carnificina da 2a Guerra Mundial. Assim, para nós brasileiros é fundamental a retomada da economia produtiva, a defesa intransigente da paz, das liberdades democráticas e da soberania nacional.

Leia mais sobre temas da atualidade: http://migre.me/kMGFD