07 dezembro 2019

Humor de resistência

Charrue de Laerte

Primeira plenária


Um passo adiante na tática eleitoral do PCdoB. É o que debatemos hoje na primeira reunião plenária da nova direção estadual do PCdoB.

Para inspirar o fim de semana



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05 dezembro 2019

Uma grande iniciativa


Ousadia em mar revolto
Luciano Siqueira

Após a celebrada a Anistia, em 1979, o PCdoB ainda em semi-clandestinidade, João Amazonas insistia da necessidade de “falarmos para milhões“.

Como seria isto possível — eu me perguntava — a um partido pequeno, que então se reorganizava após o duro período da ditadura militar?

Abordei Amazonas sobre o assunto: “alcançar milhões como?“

O velho dirigente, em seu modo simples e firme de se expressar se expressar, sugeriu:

— Pense dialeticamente camarada. Esse Brasil imenso se move a contradições e a nossa tarefa é compreendê-las e nos colocarmos  politicamente na posição correta.

É o que o Partido faz agora, ousadamente, ao dar um passo adiante e sua tática eleitoral.

Audacioso ao apresentar candidaturas próprias a prefeito em capitais e cidades grandes e médias, a partir mesmo do Sudeste, numa situação política em que a correlação de forças ainda é francamente desfavorável ao campo democrático e popular. Uma aposta na justeza da linha política do Partido e na necessidade de nos apresentarmos como alternativa visível a grandes parcelas do eleitorado, carentes de proposições que correspondam às suas inquietações, necessidades e expectativas.

Isto no âmbito do “Movimento 65“, que para além da militância filiada ao Partido busca agregar, nos mais diversos segmentos da sociedade, gente que se bate pela democracia e pelos direitos do povo.

Mirando o pleito de 2020, trata-se de formular uma plataforma em defesa de cidades democráticas e mais humanas.

No âmbito desse movimento, dar ensejo a que cidadãos e cidadãs imbuídos dos mesmos propósitos, ainda que não aderentes plenamente ao Programa Socialista do PCdoB, disputem prefeituras e cadeiras nas câmaras municipais pela legenda do Partido.

Movimento dessa natureza, além de acrescentar robustez à ação própria do PCdoB, nos dará maior poder de fogo tanto para alcançar vitórias eleitorais expressivas, como para nos fazermos mais convincentes na peleja pela construção de ampla frente democrática capaz de isolar, enfraquecer e derrotar a extrema direita encastelada no governo central do país.

O movimento 65, na medida em que ganhe dimensão, também contribuirá desde já para o acúmulo necessário às condições para que o PCdoB possa apresentar candidatura própria à presidência da República em 2022.

Na essência, acreditamos na correção do rumo que apresentamos ao país - apontando para um novo projeto nacional de desenvolvimento - e na capacidade militante de filiados e amigos e nos colocarmos no curso real dos acontecimentos e mobilizarmos, sob nossa liderança, parcelas expressivas da população.

Isto não quer dizer, entretanto, a adoção de atitudes aventureiras, descoladas da realidade concreta e da correlação de forças em cada lugar. Quer dizer sim, que ousaremos disputar prefeituras sem abrir mão da amplitude e da flexibilidade que nos permite unir forças, parcial ou totalmente, em cada situação.

Um exercício dialético de abordagem da realidade concreta em evolução, como defendia e praticava João Amazonas.
[Ilustração: Frantisek Kupka]
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O tacão norte-americano


A retribuição de Trump à vassalagem de Bolsonaro
Portal Vermelho
Quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou o slogan "América em primeiro lugar", ele não deixou margens para dúvidas de que comandaria um jogo comercial de regras brutais. Isso ficou mais definido em sua intervenção no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, de 2018. Na ocasião, Trump disse que o livre-comércio “precisa ser justo e recíproco”.

Na mesma reunião, o secretário do Tesouro norte-americano, Steve Mnuchin, foi além ao dizer que "o presidente Trump está cuidando dos interesses dos trabalhadores americanos e dos interesses dos Estados Unidos, da mesma forma que espera que outros líderes cuidem dos interesses de seus cidadãos". A juras de amor pela “justiça” nos intercâmbios internacionais, tendo como base essas declarações, soaram como falácias.

O conceito de justiça é sempre carregado de subjetividade. Além de questões ideológicas, ele depende de regras que devem ser estabelecidas de forma democrática. Não é o que tem ocorrido no âmbito do direito internacional, sobretudo pela imposição da hegemonia dos Estados Unidos nos aspectos econômico e militar. Na América Latina, por exemplo, é famosa a "Doutrina Monroe", um punhal norte-americano cravado na região.

Com ela atua o "Destino Manifesto", um poderoso elemento mobilizador da energia do país em favor do seu expansionismo. Trata-se de uma "teoria" que surgiu e se difundiu na metade do século XIX como atestado de que os norte-americanos nasceram para ser o melhor povo do mundo. É muito forte a influência da religião nessa "teoria", um destino que teria sido profetizado pela "providência divina", elixir do intervencionismo norte-americano.

Há ainda os acordos da Conferência de Bretton Woods, de 1948, que criaram o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (Gatt) – mais tarde Organização Mundial do Comércio (OMC) –, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Sem falar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o clube do arsenal bélico dos que se autoproclamam donos do mundo, habituados a pisotear o direito internacional, passando por cima da autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU).

Diante desse cenário, é evidente que os países que prezam a sua independência e a sua soberania não podem vacilar. Muito menos se jogar aos pés da principal potência que comanda tudo isso, como fez o presidente Jair Bolsonaro. Nem tampouco falar fino com o chefão da Casa Branca e grosso com os chefes de Estado que buscam a soberania e a independência da região, como disse certa vez o cantor e compositor Chico Buarque de Holanda.

Trump lança seus ataques em todos as direções. Depois de fustigar a China, retomando com agressividade a pressão pela valorização do yuan frente ao dólar, ele ameaça impor tarifas de até 100% sobre US$ 2,4 bilhões em importações europeias. E agora se volta para o Brasil e a Argentina, anunciando tarifas sobre aço e alumínio como retaliação à “maciça desvalorização” do real e do peso, prejudicando o comércio exterior dos Estados Unidos.

O objetivo, está claro, é proteger a indústria norte-americana da concorrência internacional. Bolsonaro, com sua vassalagem, se encontra completamente fragilizado para enfrentar o rompante de Trump. Não tem sequer força para se unir ao presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, para uma ação mais efetiva. O presidente norte-americano se vale de uma indiscutível falácia. Mas se aproveita da situação vassala do governo brasileiro para impor seus interesses.
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04 dezembro 2019

Sua palavra


É o mesmo restaurante simples (agora com o nome de “Casa da Dinda”) onde nós fazemos nosso bate-papo uma vez por mês, ali por trás no Supermercado RM da Av. Mário Melo. Será ótimo ter a sua presença.

03 dezembro 2019

Regressão social


Governo Bolsonaro traz servidão moderna para a realidade brasileira
Atualmente, 1 a cada 4 trabalhadores encontra-se na situação de subutilização do trabalho, constituindo o novo voluntariado em ascensão que sai das estatísticas do desemprego para adentrar à servidão moderna.

Por Marcio Pochmann*, portal Vermelho

Em quase 14 décadas de sua dominante existência no Brasil, o modo de produção capitalista conviveu com uma diversidade de crises conjunturais. Mas somente duas delas foram crises de dimensões estruturais, capazes de fazer com que o capitalismo alterasse radicalmente o seu funcionamento, especialmente na forma com que o Estado passou a se relacionar com o conjunto da classe trabalhadora.

Na primeira crise de dimensão estrutural que transcorreu concomitante com a Depressão de 1929, o país abandonou o liberalismo vigente no velho agrarismo e transitou para a sociedade urbana e industrial. Na segunda crise de dimensão estrutural que se encontra atualmente em curso, o neoliberalismo voltou a predominar, consolidando o fim da industrialização e a passagem precoce para a sociedade de serviços.

Com a drástica queda no preço internacional das commodities existentes na época (só o café caiu 70% em seu preço internacional), a primeira crise estrutural explicitou a inviabilidade da sociedade agrária e de sua economia primário-exportadora assentada na exportação de quatro produtos a quatro países (Inglaterra, EUA, Alemanha e França). Mesmo com a parte majoritária da população vivendo no campo, a Depressão de 1929 generalizou ainda mais o sofrimento humano, sobretudo nos centros urbanos, como na cidade de São Paulo, que chegou a registrar 29,5% de sua força de trabalho desempregada (*).

Uma vez concluída a Revolução de 1930, Getulio Vargas tomou posse como presidente da República em 3 de novembro e em três semanas criou o Ministério do Trabalho. A partir daí, a relação do Estado com a classe trabalhadora se transformou radicalmente, distanciando-se da República Velha (1889-1930) que negava o desemprego e tratava a questão social como caso de polícia.

Em quase nove décadas de funcionamento, o Ministério do Trabalho dirigiu a conversão da classe trabalhadora em cidadania portadora de direitos políticos, sociais e trabalhistas, uma vez que o trabalho deixou de ser uma mercadoria à disposição do livre arbítrio patronal. Para isso, o trabalho passou a deter direito próprio, constituído por um compêndio de leis, normas e regulamentos (CLT) julgado por específica parte de juízes estabelecida no interior do Poder Judiciário, além do reconhecimento de sindicatos, com financiamento e funcionamento garantidos.

Diante da segunda crise capitalista de dimensão estrutural, Jair Bolsonaro começou o seu governo em 2019 estabelecendo o fim do Ministério do Trabalho, aprofundando ainda mais o maior ataque aos direitos sociais e trabalhistas já ocorrido no Brasil desde 1930. Na perspectiva do receituário neoliberal, o desemprego possível seria fundamentalmente o voluntário, quando o próprio trabalhador se indisporia à oferta de emprego patrocinada pelo patronato.

Por conta disso que o governo atual não trata da temática do desemprego, muito menos do sofrimento humano, pois acredita que o desmonte de todo o “entulho social e trabalhista” instalado desde a Revolução de 1930 destravaria a demanda patronal pela contratação de trabalhadores, o que solucionaria o desemprego involuntário. Sem o direito do trabalho e o reconhecimento dos sindicatos, os desempregados estariam livres dos atuais obstáculos legais (salário mínimo, jornada máxima de trabalho, condições de trabalho e outros) que atualmente os impediriam de ser imediatamente contratados pelos patrões.

Nesses termos, a sociedade de serviços se generalizaria antecipando o retorno das condições de trabalho próximas às vigentes no ultrapassado agrarismo, pré-Revolução de 1930, quando o desemprego somente era identificado como decisão voluntária do próprio trabalhador em não aceitar as condições ofertadas pelo patronato da época. Tal como nas fazendas, a sociedade de serviços sem a regulação social e trabalhista deixa de separar tempos de trabalho e de não trabalho pela sobrevivência.

Assim, o trabalhador passa a estar disponível o tempo todo para realizar qualquer tipo de demanda ocupacional, em submissão patronal equivalente à condição de servidão moderna(*). O contrato a templo pleno, como o intermitente atualmente em curso desde a deforma trabalhista de Temer, permite que o desemprego aberto, conforme proposto pela OIT (Organização Internacional do Trabalho) e medido pelo IBGE, disfarce cada vez mais o desemprego aberto.

Por isso, a explosão da condição do trabalho subutilizado se generaliza, enquanto o desemprego aberto cede lenta e gradualmente. Atualmente, por exemplo, 1 a cada 4 trabalhadores encontra-se na situação de subutilização do trabalho, constituindo o novo voluntariado em ascensão que sai das estatísticas do desemprego para adentrar à servidão moderna.


 *Marcio Pochmann é professor de economia e pesquisador do Centro de Estudos Sindicais e da Economia do Trabalho da Unicamp. É presidente da Fundação Perseu Abramo.
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02 dezembro 2019

Movimento por cidades democráticas


"Movimento 65!" luta por cidades democráticas, com a marca do PCdoB
O Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) aprovou, no encerramento da sua 7º reunião neste domingo (1), o documento “Venha para o Movimento 65!”. De acordo com o texto, a ideia é fazer a indignação popular e a repulsa ao governo Bolsonaro se manifestar nas urnas de 2020, nas eleições municipais.
Portal Vermelho

A proposta é de uma campanha que faça reaviver a esperança no futuro do país, baseada nas aspirações por cidades democráticas, sustentáveis, com garantias de direitos como educação, cultura, saúde, emprego, segurança, moradia e transporte.

De acordo com a presidenta do PCdoB, Luciana Santos, essa batalha tem grande importância. “É uma construção cotidiana, um processo que não pode ser artificial. Temos de fazer essa construção com afinco”, diz ela. “É concentração de esforço nas capitais, nas grandes e médias cidades”, afirma. “Vamos priorizar as conversas no nosso campo”, enfatiza Luciana Santos, acrescentando que o PCdoB deve afirmar o seu lugar político, sua identidade, se apresentando para o povo com cara própria.

Esse esforço, afirma o texto, ganha mais relevância em uma conjuntura marcada pela vigência de uma legislação antidemocrática que visa à exclusão de partidos programáticos compromissados com a Nação e a classe trabalhadora – como o PCdoB – da vida legislativa e da gestão pública.

Leia a íntegra do texto:

Venha para o Movimento 65!


Emprego e direitos sociais em cidades democráticas, sustentáveis e seguras

A poesia de Carlos Drummond de Andrade proclamou, certa feita, que “as cidades podem vencer”. Muitas vezes o destino de um país depende da força e da resistência das cidades, da consciência e tomada de posição dos cidadãos e cidadãs.

Esta imagem bem se encaixa com as eleições municipais de 2020. Transcorrido praticamente um ano de governo Jair Bolsonaro, da extrema-direita, dele se pode afirmar resumidamente que se trata de um governo inimigo da democracia, carrasco do povo e traidor de nosso país.

Nesse ambiente, a partir das cidades, com as eleições municipais, poderá emergir um importante capítulo da resistência democrática, popular e patriótica.

Com esta visão, o PCdoB se dirige a seus filiados(as), militantes e amigos(as), eleitores(as), às forças progressistas, com a proposta de uma campanha que faça desembocar nas urnas a indignação e o rechaço do eleitorado à tragédia que tem sido o governo Bolsonaro.

Uma campanha que reacenda a esperança e dê respostas às aspirações da maioria da sociedade por cidades democráticas, sustentáveis, que a todos assegurem direitos como educação, cultura, saúde, emprego, segurança, moradia e transporte.

Jornada que resulte na vitória de alianças progressistas, democráticas e de esquerda. Vitória que, uma vez alcançada, impulsionará o Brasil na direção da democracia e do desenvolvimento soberano, da geração de empregos, da distribuição de renda e do resgate dos direitos do povo.

Tal esforço ganha mais relevância em uma conjuntura marcada pela vigência de uma legislação antidemocrática que visa à exclusão de partidos programáticos compromissados com a Nação e a classe trabalhadora – como o PCdoB – da vida legislativa e da gestão pública.

Essa conduta autoritária, de feição fascista, é bem visível no comportamento do presidente Bolsonaro que, reiteradamente, ameaça comunistas, socialistas, ativistas dos movimentos sociais e demais segmentos progressistas.

O PCdoB, legenda quase centenária, com rico legado na construção do Brasil e do acervo de conquistas do povo, se põe em ação para participar ativamente das eleições de 2020 com uma face própria e renovada.

Dispõe-se a construir um movimento eleitoral e cívico amplo, de caráter frentista — Movimento 65 —, um lugar para os lutadores e lutadoras das causas da classe trabalhadora e do povo, intelectuais e agentes culturais progressistas, líderes da sociedade civil. Todos(as) terão lugar no Movimento 65 para se candidatar nas eleições municipais de 2020.

Que todos e todas venham compartilhar conosco a legenda 65 como símbolo democrático, patriótico e popular, destinado a dar pluralidade à esquerda, atender aos anseios do povo por uma vida melhor e defender o nosso país.

Ou seja: um partido a serviço do povo brasileiro. Uma legenda democrática das pessoas comuns, das novas lideranças que precisam ter representatividade política em todos os âmbitos da vida social. Socialistas, humanistas, patriotas, integrantes de todas as religiões, das organizações sociais e culturais que vierem a compartilhar conosco, com base nessa plataforma e em acordos pactuados de direitos, os mandatos de representação que alcançarmos.

Queremos ser a alternativa – em especial para mulheres, jovens, negros e mestiços – contra toda forma de discriminação política, social, de cor da pele, de orientação sexual.

Queremos representar o povo brasileiro!

Conclamamos: Venham para o Movimento 65 (o número da nossa legenda)!

Um movimento por cidades democráticas, sustentáveis, por direitos, emprego, segurança e vida digna. Venha se candidatar por um partido idôneo, marcado pela honestidade e o rigor com a coisa pública! Venha fazer parte de uma saudável, construtiva e combativa militância, de uma legenda que sempre esteve do lado do povo!

O Brasil precisa de uma oposição forte, ampla e vigorosa. E, para tal, necessita de um partido como o PCdoB, que sempre coloca os interesses do país e os direitos do povo em primeiro lugar.

A democracia é importante para o Brasil e o PCdoB é indispensável para a democracia! E precisa de você para ser ainda mais forte!

As cidades e o povo podem vencer!

São Paulo, 1º de dezembro de 2019

Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)

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Uma crônica sobre consumismo


Então é Natal

Cícero Belmar

 

Pessoas esbarrando umas nas outras nos corredores dos shoppings centers, pisadelas e xingamento. Lojas parecendo formigueiros oferecem produtos de péssima qualidade, vendidos a peso de ouro. Empurrões e filas quilométricas. Lá fora, transportes coletivos igualmente lotados e calorentos, barulho ensurdecedor e clima de excitação geral. Não há dúvida nenhuma: este purgatório é o sinal de que o Natal está chegando.

Imagine como isso não estará em mais duas semanas.

Haja néon, pisca-pisca, efeitos especiais. Quando a criatura imagina que essa experiência é a representação, na terra, do inferno de Dante, descobre que pode ficar pior: por onde você passa só escuta a voz monocórdica de Simone, a entoar, nos graves, Então é Natal. “E o que você fez?”. Até parece que os estabelecimentos do mundo inteiro se combinaram para tocar somente essa lavagem cerebral que foi gravada quando Matusalém era menino.

No início de dezembro e por todo o mês, já virou tradição: todo mundo se esquece que o Natal deve ser a comemoração do aniversário do Menino-Deus e acredita que é a festa do consumo. Ligado nessa contradição, o papa Francisco, que para mim é um servo de Deus, aproveitou os preparativos do Black Friday, ocorrido na semana passada, e mandou um recado que vale para todos os 31 dias: “Consumismo é como uma doença”.

Doença da alma. Que impede a prática da generosidade. “É uma doença séria, o consumismo, de hoje. Eu não digo que todos fazemos isso, mas gastar mais do que precisamos, é uma falta de austeridade de vida. Esse é um inimigo da generosidade”, disse o pontífice. Ele aproveitou para alertar que as pessoas procurem “fazer o bem”, em vez de gastar com supérfluos, e que ajudem umas às outras “como for possível”.

A fala de Francisco, que eu copio aqui por que tem tudo a ver com essa crônica, é um apelo corajoso. Quando diz para fazermos o contrário do que o consumismo (e a ostentação) nos impõem, ele está mostrando que nós faríamos mais negócio, acumulando prestígio junto ao dono da festa, se lembrássemos do legado que Ele nos deixou através de suas Palavras.

Francisco sugeriu uma atitude nova, simples e admirável, se considerarmos que o senso de justiça (trocar o consumo pela generosidade) precisa estar nas nossas ações diárias nesse tempo natalino. Generosidade, todos sabemos, é oferecer o que temos, em vez de só gastar. É ajudar a fazer justiça (social). Em última análise tem a ver com a compaixão de se saber colocar no lugar do outro e sentir a dor dos que necessitam.

Não é fácil fazer isso num mundo onde o consumo é prática incentivada pelos dirigentes das nações e identificada como a razão do desenvolvimento. A nossa sociedade criou doentes ao estimular a existência de pessoas consumistas baseada na teoria de que, quanto mais se consome, maior é a estabilidade econômica de uma região, de um país. (Só que não: enquanto assistimos ao crescimento desenfreado do consumismo, também constatamos que são maiores os problemas financeiros das pessoas, das famílias e dos governos).

Sem contar que existe, sim, uma relação entre o consumismo e o meio ambiente. Não estou com discurso fácil ou querendo fazer pose de ambientalista. Mas é um fato que para aumentar a demanda da produção, retira-se a matéria-prima de onde? Elementar: tudo precisa de água, energia elétrica e de transporte. A emissão de gases gera degradação e destruição de ecossistemas. Por aí vai. E enquanto mais se consome mais se gera lixo. É um ciclo.

Na contramão desse mundo contemporâneo maluco, este papa Francisco é um subversivo. É a Voz que clama no deserto da globalização. Um transgressor.

[Ilustração: LS]
__________
Cícero Belmar é escritor e jornalista. Autor de contos, romances, biografias, peças de teatro e livros para crianças e jovens. Membro da Academia Pernambucana de Letras.

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01 dezembro 2019

Imediatismo

Flamengo muito superior ao Palmeiras vence de 3x1 no Parque Antártica. E o técnico palmeirense Mano Menezes começa a ser questionado. É a instabilidade permanente do futebol brasileiro. 
Na letra da canção, um toque de poesia.

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Rendimento em campo


Correr mais e cansar menos

Tostão, Folha de S. Paulo

Neymar tentou retornar ao Barcelona, mas não conseguiu, nem com o pedido de Messi. O time catalão não quis pagar mais do que recebeu com a saída do jogador para o PSG. Além disso, muitos torcedores protestaram por causa do comportamento de Neymar, quando foi para o time francês. Não entendi também a conduta do PSG, que desprezou uma fabulosa quantia e ficou com um jogador insatisfeito e que é vaiado por sua própria torcida.
Neymar conseguiu ser hostilizado pelas torcidas do PSG e do Barcelona, embora todos reconheçam seu extraordinário talento. Neymar é extremamente inteligente e esperto em campo, mas fora dele, apesar de ser da nova geração, não tem bom senso nem esperteza para lidar com o mundo moderno, com as redes sociais e com as fake news.
No empate do PSG, fora de casa, com o Real Madrid, por 2 a 2, Neymar entrou apenas no segundo tempo. Ele ficou fora porque se recupera fisicamente de uma longa ausência por contusão e porque o técnico alemão Thomas Tuchel percebeu que, para ganhar muitos elogios, como aconteceu, seria bom barrar Neymar, para mostrar que não se submete aos caprichos do jogador. Neymar na reserva dá grande repercussão.
Desde que assumiu o PSG, há quase dois anos, Tuchel tem cometido seguidos erros técnicos e táticos. Escala o excepcional zagueiro Marquinhos de volante. Contra o Real, ele colocou, mais uma vez, Neymar no meio-campo. Neymar não participava da marcação e voltava para receber a bola no próprio campo, muito longe do gol. Deu belos dribles e passes, mas perdeu duas vezes a bola perto de sua defesa, o que é um grande perigo. Não é só no Brasil que há técnicos ruins no comando de grandes times.
Espero que Tite não escale Neymar dessa maneira, como já fez. Ele até pode atuar pelo centro, desde que seja perto da área adversária, onde é magistral, formando dupla com o centroavante. Nessa situação, seria necessário um jogador de cada lado, que ataque e seja capaz de voltar para também defender.
No meio de semana, vi o Flamengo ganhar do Ceará, e o Liverpool, sem brilho, empatar com o Napoli. Flamengo e Liverpool possuem sistemas táticos bem diferentes, porém estratégias muito parecidas, de marcar por pressão, para recuperar rapidamente a bola, e, com velocidade e intensidade, chegar ao gol. Dos outros times brasileiros, o único que tenta jogar dessa maneira é o Athletico-PR.
Diferentemente do que li e escutei durante décadas, que quem marca por pressão cansa muito, o que se tornou justificativa para não usar essa estratégia, ocorre o contrário. A marcação por pressão no jogador mais próximo desgasta muito menos do que ter de correr para trás, recompor, para fechar os espaços na defesa.
Além dos jogos da Liga dos Campeões, a rodada do Brasileiro foi emocionante. Assim como o Botafogo, o Fluminense está quase livre do rebaixamento. Um time que tem bons jogadores, como o lateral esquerdo Caio Henrique e um habilidoso trio no meio-campo, com Alan, Daniel e Ganso, não merece cair.
Fiquei triste e decepcionado com o Cruzeiro, cada dia mais perto da Série B. É impressionante como os jogadores têm atuado tão mal. Eles se esforçam, mas, além da total falta de confiança, há muitos atletas fracos e decadentes. Abel Braga não tentou nada diferente. Se ele não tivesse pedido demissão, seria demitido, ainda mais que o novo técnico, Adílson Batista, tem um vínculo emocional com o Cruzeiro. O torcedor gosta dele. Ainda há esperança.
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Guerra híbrida


O golpe de Estado na Bolívia alinha-se na tipologia do que passou a ser conceituado como “guerra híbrida” [1] - e dá lugar a um banho de sangue. É que, na teoria que a sustenta, a mistura ou passagem das chamadas “revoluções coloridas” à “guerra não convencional” confluem de uma estratégia unificada à “guerra híbrida”. A combinação de atos (milícias irregulares, desordem criminal organizada, guerra convencional), apoiados na manipulação midiática/redes sociais, ciber-ataques, vias diplomáticas e de espionagem perseguem a desestabilização, seguida da “troca de regime” (regime change). Claros acontecimentos esses estruturados e pensados há tempo, na Bolívia. Leia mais https://bit.ly/2q7eG7x

Ameaças e conflitos



Haroldo Lima fala sobre as manifestações na América Latina contra as manobras neoliberais antipopulares. A região está dividida. No Uruguai empate técnico entre a centro-esquerda e a centro-direita, enquanto que Guido Rios, chamado de Bolsonaro uruguaio, foi derrotado. No Chile, o presidente Piñera pôs o exército nas ruas em guerra contra o povo. No Brasil, o projeto a favor do excludente de ilicitude ameaça o cidadão vulnerável e contrário aos desmandos autoritários do trio Bolsonaro-Moro-Guedes.

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Realidade e rumo

Jair Bolsonaro alterou a estratégia com que liderava seu governo, disse a presidenta do PCdoB, Luciana Santos ao abrir a reunião. Segundo Luciana, o presidente da República tomou para si “a condução da coalisão que formou para governar”. Mais do que isso, ele iniciou uma “nova fase” de seu projeto de poder – um projeto “de longo prazo” – centrado na criação de um “partido-movimento genuinamente de extrema-direita” – a Aliança para o Brasil. A despeito de suas peculiaridades, o fenômeno do bolsonarismo “não tem como ser compreendido sem uma visão alargada do ambiente político internacional, de suas contradições, impasses e alternativas”, avalia a dirigente do PCdoB. Entre os fatores que influenciam essa correlação de forças, Luciana cita a luta em torno da “multipolaridade do sistema internacional” (sobretudo o duelo EUA x China), a crise estrutural do capitalismo e a “ebulição de conflitos políticos e sociais” no Ocidente, em particular na América Latina. Leia mais https://bit.ly/34DtB8E

30 novembro 2019

Construção

Diferenças de opinião entre partidos e segmentos sociais organizados da sociedade que se batem pela democracia são naturais e próprias da luta política. Mas não impedem que exploremos, pontualmente, oportunidades de ação conjunta — indispensáveis à construção de uma futura coalizão ampla mais consistente em plano nacional.

Defesa do SUS


Com a participação da presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, terminou nesta sexta-feira o 6º Encontro Nacional de Saúde do PCdoB, em São Paulo (SP). A defesa enfática do Sistema Único de Saúde (SUS) foi uma das marcas dos debates e pautou um ato político durante a programação. “O SUS é um dos maiores patrimônios do povo brasileiro. Sua política de vanguarda foi construída a muitas mãos e por muitas gerações”, afirmou Luciana. O PCdoB, defensor histórico do SUS, tem casos bem-sucedidos em iniciativas na gestão pública de saúde. “Os comunistas foram os ideólogos, por exemplo, da farmácia popular. Para essa inovação ser vitoriosa, entramos em confronto até com a indústria farmacêutica”, lembrou a presidenta do Partido. Leia mais https://bit.ly/2Y30WHB

Zélia Duncan canta 'Catedral'


Para iluminar o fim de semana, uma bela canção em interpretação suave e perfeita.

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História viva

Ganhei essa pérola da camarada Jana Sá: seu pai Glenio Sá, ex-guerrilheiro do Araguaia — um herói do povo brasileiro — e eu, numa entrevista ao jornal O Norte, da Paraiba, em abril de 1987.