25 junho 2017

Fiasco

Acossado por denúncias, presidente buscou agenda positiva, mas encontrou protesto, cometeu gafe e viu governo estrangeiro cortar financiamento ao Brasil. Leia mais http://encurtador.com.br/cmsvR

Precarização

A permissão de que empresas contratem trabalhadores com contratos intermitentes, sem jornada definida, precariza de forma profunda a situação dos trabalhadores e, em vez de facilitar a geração de empregos, irá apenas tornar legal o que hoje é proibido. Leia mais http://encurtador.com.br/sxB14

O prazer da fotografia

Amanhece no Recife, detalhe (Foto: LS)

24 junho 2017

No fundo do poço

Datafolha: 81% defende o impeachment de Temer e 83% quer Diretas Já 

A nova pesquisa do Datafolha confirma o que outras sondagens já haviam indicado: a grande maioria da população brasileira rejeita o ilegítimo Michel Temer como presidente da república, quer sua saída e que em seu lugar assuma alguém eleito pelo voto popular. O levantamento feito entre quarta-feira(21) e sexta-feira(23) revela que Temer é avaliado como ruim e péssimo por 69% dos entrevistados, enquanto 23% o consideram regular e apenas 7% o avaliam como ótimo ou bom. Há dois meses a avaliação positiva de Temer era de 61%.

A pesquisa concluiu também que 65% da população prefere a saída de Temer para que seja superada a crise política e que ocorra uma recuperação da economia. Por outro lado, apenas 30% defendem sua permanência na presidência. Entre os que defendem sua saída, 76% defendem que ela ocorra através da renúncia, enquanto 81% querem que Temer sofra um processo de impeachment. A pesquisa indica que 20% são contra a renúncia e 15% contra o impeachment.
 

Voto popular - O maior índice, entretanto, é entre os que desejam que Temer seja substituído por um presidente eleito pelo voto direto. Independente da forma que ele deixe o cargo, 83% da população defende a convocação de eleições diretas. O percentual também confirma a tendência de pesquisas feitas por outras institutos e do próprio Datafolha, que em abril indicou que 85% (uma variação dentro da margem de erro) já defendia a soberania do voto popular para substituir o presidente golpista. Por outro lado, apenas 12% prefere uma eleição indireta.

Do Portal Vermelho, com informações de agências

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Ciência brasileira

Há mais de 10 anos, o Laboratório de Bioquímica de Vírus do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Laboratório de Bioquímica Física de Fármacos do Instituto de Medicina Molecular (iMM), em Lisboa, colaboram em estudos sobre a interação de proteínas virais e as membranas celulares. Resultados desses estudos deram origem a um projeto internacional – chamado Inpact – com o objetivo de desenvolver fármacos inéditos para combater aquela que é conhecida como a doença do século 21 – o câncer –, além de várias doenças infeciosas causadas por bactérias.

Entre os resultados dessa colaboração que serviram de base para a proposta do projeto Inpact – que reúne instituições de cinco países – está a descoberta de que uma proteína presente na camada que envolve o vírus da dengue é capaz de transportar ácidos nucleicos (moléculas que compõem o DNA e o RNA) para o interior das células, sem que estas percam sua funcionalidade. Essa capacidade deve-se a certas características também desvendadas pelo mesmo grupo, como o fato de essas proteínas conseguirem atravessar as membranas celulares dos mamíferos. Leia mais http://twixar.me/Smq

Poesia & pássaros

Nesta manhã de sábado, canários-da-terra e beija-flores disputam água com mel na minha varanda, enquanto me alimento da poética de Fernando Pessoa:
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."
A vida verdadeira se faz assim: a soma de fragmentos de sonhos, luta, luz e paz.

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Minúsculo

Temer retorna da Rússia e Noruega menor ainda do que foi - anêmico em credibilidade e compostura.

Soberania

‪Críticas da primeira-ministra norueguesa são até procedentes, mas é inaceitável a ingerência estrangeira sobre assuntos internos do Brasil.‬ Temer não reagiu porque não tem espinha dorsal.

23 junho 2017

Poesia no rádio

O projeto nasceu para a Rádio Frei Caneca, emissora pública, que em fase experimental toca música. Eu pensava, e penso ainda, que a poesia pode entrar no rádio como se fosse música nos intervalos das canções. Talvez com um anúncio: “a rádio que toca poesia”. É possível, desde que o poema seja bem lido e organizado em um ambiente receptivo. Afinal, todo ouvinte é uma pessoa, e toda pessoa é capaz e carente de poesia. Leia mais http://encurtador.com.br/uFY23

Saída possível?

Na crise, placas tectônicas se movem
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato


Há uma enorme distância entre as necessidades essenciais do povo brasileiro (e os desafios da nação) e as instituições que compõem a República. 

Distância e desencontro. 

Os chamados Três Poderes literalmente experimentam um processo de contínuo esgarçamento, envoltos em conflitos intestinos e colidentes entre si.

Crise econômica se resolve pela política. Crise complexa, multifacetada - econômico-financeira, social e político-institucional - como a nossa, mais ainda.

Não há saída à margem da política.

O Estado brasileiro é configurado de tal forma que o terreno próprio da política, em âmbito institucional, reside no Parlamento e no Executivo.

Em tese, não cabe às instituições judiciárias, nem ao Ministério Público, nem à Policia Federal, ocuparem esse espaço.

Hoje ocupam - e têm a iniciativa, em conjugação com o "partido" em que se converteu o complexo midiático monopolizado. 

Vê-se no noticiário de hoje, como no de ontem e no de anteontem, e se verá nos dias que virão: ministros do STF debatem publicamente a natureza política dos processos que devem julgar, convertem sessões da alta corte em espetáculos midiáticos; o procurador geral da República comanda um destacamento próprio em guerra; gente da espécie do juiz Moro e do minúsculo procurador Dellagnol fazem proselitismo (recebendo generosos cachês) para plateias diversas - todos confluindo para uma espécie de substituição dos partidos, das casas legislativas e do próprio Executivo, que tratam de desmoralizar perante a opinião pública, para muito além dos limites de investigações, denúncias e processos procedentes. 

Como pano de fundo, na base da sociedade, ampliam-se e se agravam os efeitos danosos da crise sobre a maioria da população.

O Brasil exibe uma gama de impasses em todas as esferas.

Nesse cenário, atores políticos bem intencionados e responsáveis (longe dos holofotes da mídia, corretamente) buscam a construção de um pacto que nos conduza à solução desses impasses.

Às forças populares e democráticos cabe abertura, sem preconceitos, até a soluções "heterodoxas" — desde que tenham como pedra de toque (mesmo via pleito indireto) a interrupção das reformas trabalhista e previdenciária, elementos mais visíveis da agenda regressiva neoliberal.

A antecipação do pleito presidencial, e mais ainda, se possível, a realização de eleições gerais arejaria o ambiente da melhor forma, recorrendo à soberania popular através do voto. 

Por enquanto, tudo ainda é imprevisível. 

Há que como um movimento de placas tectônicas, subterrâneas, do qual poderá emergir a solução política para a crise ou o prolongamento da agonia. 

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Na lama

Registros desse tipo são desagradáveis – sobretudo porque se inserem no ambiente geral de denuncismo estimulado poelas delações premiadas. Este dá conta de que o grupo palaciano parece mesmo atolado na lama: “Previsão foi feita em depoimento à Polícia Federal na semana passada; Lúcio Funaro, que está preso e é acusado de ser operador de propinas de Eduardo Cunha, negocia delação premiada com os investigadores da Lava Jato e promete entregar inclusive Michel Temer; em dois depoimentos à PF, Funaro contou e entregou provas de que teria sido pressionado por Geddel Vieira Lima, um dos principais aliados de Temer, para não delatar; segundo ele, Geddel recebeu R$ 20 milhões em propina para ajudar na liberação de crédito para empresas da holding J&F; ele diz ainda ter pago comissão para Moreira Franco, atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência e outro braço direito de Temer, relacionados à recursos do FI-FGTS”, noticia o Brasil 247. Leia mais http://encurtador.com.br/pyzBF

22 junho 2017

Regressão

Constrange a qualquer observador atento ver que senados e deputados da base governista condicionam seu voto a favor das reformas trabalhista e previdenciária a dois fatores: a ocupação de cargos na estrutura do governo; a garantia de se manter em ambos os textos itens dos mais frontalmente regressivos de direitos. 

21 junho 2017

Terreno árido

A reforma trabalhista seguirá tramitando no Senado (agora na Comissão de Constituição e Justiça), em ambiente de mal estar. Na Câmara, a reforma previdenciária está empacada.

Concomitantemente, as dissidências da base parlamentar governista tendem a aumentar.

Péssimo para Temer, Meirelles & cia, que se respaldam no Mercado justamente com a promessa de que as reformas antipopulares serão aprovadas a ferro e fogo. 


Inferno

As pressões dos próprios tucanos para que Aécio renuncie à presidência do PSDB revelam o tamanho da encrenca em que está metido o senador mineiro. 

Crise sem fim

Revista "Piauí"
O rei está nu e mal acompanhado
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Numa crise que se arrasta sem sinal de superação, todo fato novo é importante, ainda que não decisivo. A rejeição do relatório apresentado pelo senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) na Comissão de Assuntos Sociais do Senado, ontem, dá fôlego à luta contra a reforma trabalhista.

Mais do que isso, sinaliza o avanço das rachaduras na base parlamentar governista, subproduto do crescente desgaste do presidente ilegítimo Michel Temer, alvo de ataques da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República.

Enquanto isso, Temer viaja à Rússia e à Noruega – reconhecem ministros da sua intimidade – para passar a impressão de que há normalidade no País.

Arguido sobre a derrota de ontem, transferiu suas expectativas para a votação em plenário.
Perguntado sobre o relatório da Polícia Federal que o acusa de corrupção com base em evidências factuais, respondeu (pateticamente) que o assunto é da esfera judiciária e não política.

Em breve palestra a empresários e autoridades russas, Temer afirmou sem a menor desfaçatez que “quando a economia dava sinais de crescimento, surgiram fatos absolutamente ‘irrelevantes’ para perturbar a superação da crise”, referindo-se ao escândalo da J&F.

Ou seja, o rei não apenas está nu – e faz de contas que se veste a rigor -, como anda muito mal acompanhado: há os que o apoiam e prenunciam a retirada e os que já desembarcam das hostes governistas desde já.

Seu “núcleo duro” de governo segue tão enlameado quanto o próprio presidente, preservado apenas o ministro Meirelles, que a grande mídia e o Mercado blindam por ser justamente ele o operador do projeto de regressão de conquistas sociais e direitos e de submissão completa e definitiva de nossa economia a establishment financeiro externo e interno.

Quando o governador de São Paulo Geraldo Alckmin reafirma que o apoio do PSDB ao governo está como que “sub judice”, condicionado à natureza e a à repercussão de novas revelações comprometedoras contra o presidente, dá a medida da fragilidade atual da coalizão governista.

E a crise aprofunda suas implicações sociais, num misto de piora crescente das condições de existência da maioria da população e de falta de perspectiva.

Tendo em mira as eleições gerais do ano vindouro – se de fato acontecerem -, há espaço para uma alternativa renovadora da política e das expectativas, desde que se conjuguem forças em torno de uma plataforma comum consistente e capaz de empolgar a maioria do eleitorado.

Nada está fácil e prevalece a imprevisibilidade.

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Um olhar original sobre o Sertão

Noventa anos de Ariano Suassuna

Ariano Suassuna inaugura uma nova maneira de olhar o sertão. Não falo do sertão a que se referiam os ingleses – backlands, terras de trás –, conceito que abarcava tudo o que não é litoral, incluindo até mesmo os interiores de São Paulo. Refiro-me ao sertão do nordeste brasileiro, já visitado pelo romantismo de José de Alencar no “O Sertanejo” e por Euclides da Cunha na sua epopeia de Canudos. 
Por Ronaldo Correia de Brito*, no Vermelho

Há uma sucessão de recriadores desse lugar ou não lugar. Com o Romance de 30 e o Movimento Regionalista, surge a visão moderna e social de Graciliano Ramos, José Lins do Rego e Raquel de Queiroz. No “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, sobrepondo-se à épica e ao social, o mundo sertanejo é representado através da poesia e da metafísica. 

No “O Romance da Pedra do Reino”, Ariano Suassuna retoma a tradição mítica e a épica sertaneja, através dos romances ibéricos de tradição oral, da literatura de cordel, do teatro, dos contos e brincadeiras populares, e de sua história familiar, tão rica de acontecimentos trágicos e burlescos. “O Romance da Pedra do Reino” tornou-se um novo marco inaugural, um sertão com matriz nas cidades de Taperoá, Princesa e São José do Egito, e nos estados da Paraíba, de Pernambuco, do Rio Grande do Norte e de Alagoas.
 

Ariano Suassuna nunca negou seu nacionalismo. Os escritores russos Tolstoi, Dostoievski e Gogol foram importantes na sua formação por serem nacionalistas. Compositores russos, romenos, húngaros e tchecos serviram de modelo e inspiração aos conceitos do Movimento Armorial, pois criavam a partir de matrizes populares. O xilogravador Gilvan Samico, um dos primeiros membros do Armorial nas artes plásticas, elabora suas gravuras inspirado nas histórias dos folhetos de cordel. Da mesma forma, o compositor Antonio Madureira compõe sua música Armorial ouvindo os violeiros, aboiadores, rabequeiros e brincantes.
 

No nordeste do Brasil, a arte popular é um bem comum a todas as pessoas, não há um abismo entre ela e a tradição erudita. Câmara Cascudo e Mário de Andrade referiam que ainda não tínhamos resolvido a questão da nossa oralidade. Ariano, um artista de formação culta, trabalha com os recursos da tradição oral e uma grande bagagem erudita, principalmente ibérica e latina clássica. Dialoga com Molière e Goldoni, para construir o teatro e o romance que o notabilizaram, e para elaborar um discurso político em defesa da cultura brasileira, a maior razão de sua existência.

*Ronaldo Correia de Brito é escritor e dramaturgo brasileiro
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Encurralado

Inquérito da PF e novas revelações apertam o cerco contra Temer. Investigadores apontam corrupção no caso da JBS. Cheques a Henrique Alves e esquema envolvendo coronel complicam situação do presidente ilegítimo. Leia mais http://zip.net/brtK2L

Soberania ameaçada

Não é só no terreno das medidas internas (como Previdência Social, relações trabalhistas e investimentos sociais) que a desmontagem do que resta de um projeto de desenvolvimento autônomo e inclusivo do Brasil está sendo levada a cabo por um governo que carece da legitimidade que só o voto do povo pode conferir. Fatos recentemente noticiados, sem muita análise, têm o potencial de afetar de maneira significativa a visão que até hoje prevaleceu sobre a inserção do Brasil no contexto global e regional. Comecemos pelo mais simples. Segundo relatos, sempre esparsos e desprovidos de detalhes, estariam programados (ou já em curso) exercícios militares envolvendo alguns de nossos vizinhos, além de Panamá e Estados Unidos. Leia mais http://zip.net/bftK3w

Falácia

Reforma trabalhista desmente crise no sistema previdenciário;  é uma miríade de incentivos à “sonegação” de contribuições sociais por diversos motivos. Leia aqui http://twixar.me/gKq

20 junho 2017

Crise agônica

Crônica do impasse persistente
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Tudo normal – é a impressão que Temer quer passar ao viajar ao exterior agora, enquanto o deputado Rodrigo Maia faz de contas que governa e o Congresso da sequência à agenda regressiva e assim por diante.

Entrementes, vêm à tona novas escaramuças entre membros do STF (internamente dividido) e o procurador-geral da República.

O PSDB, mentor do programa de governo de Temer e principal pilar das reformas antipopulares, pela voz de dois dos seus próceres mais destacados - o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin -, sinalizam o desembargue próximo do governo, dando gás a uma parcela de parlamentares tucanos que cobra da cúpula a ruptura já é a renovação do discurso da agremiação. 

No campo oposicionista, o volume da pressão organizada ainda se faz algo defasado em relação à generalizada insatisfação que envolve cerca de noventa por cento da população, segundo as mais recentes pesquisas de opinião.

São componentes do impasse que perdura. E tudo leva a crer que o desenlace não se dará agora e que Temer e seu grupo palaciano, crescentemente desmoralizados, poderão ocupar o Planalto até o fim do ano vindouro, numa espécie de agonia calculada que a ninguém serve e esgarça mais ainda o tecido social e as instituições enroladas em crise.

A ninguém serve, vírgula. Não é à toa que o próprio Temer destaca a "fidelidade" do ministro Meirelles e a mídia monopolista o enaltece: é ele quem toma a iniciativa, como lídimo representante e principal operador do Mercado no governo. 

Em suma, vivemos em plenitude as consequências do golpe parlamentar-judiciário-policial-midiático que derrubou a presidenta Dilma, democraticamente eleita, com a justificativa principal de que seria necessário dar um jeito na economia e retomar o crescimento do País.

A vida demonstra a dimensão dramática dessa falácia. E a nação aguarda que de atores envoltos em multifacetadas dificuldades, surja - por dentro de instituições agastadas - uma solução política viável.

A realização de eleições antecipadas, ao devolver ao povo a iniciativa através do voto, poderia oxigenar o ambiente e, via debate aberto entre diferentes alternativas, produzir algo plausível que viesse a superar ar a gravidade da crise. 

Porém enquanto não se aprofundarem as fissuras na chamada base parlamentar governista, a maioria dos senadores e deputados federais persistirá tentando a todo custo impor as reformas trabalhista e previdenciária, principais sinais de sua compromisso com o Mercado, onde se instala o verdadeiro comando das operações da guerra regressiva de conquistas e de direitos e fragilização da soberania nacional.
Ao movimento oposicionista cabe intensificar a resistência por todos os meios possíveis e ampliar o arco de forças envolvidos na peleja. 
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O remador e o rio

Dei a volta ao mundo num barco a remo
Pedro Caldas Ramos

Quem acorda para Remar nunca sabe se vai remar. Quem vai remar nunca sabe por qual caminho vai até pôr o barco na água, posicionar os remos e fechar as forquetas. Quarta-feira quando fomos para a água, umas cinco e dez da manhã, só remamos e fomos seguindo automaticamente até perto do Sport, foi quando houve a pergunta: e aí, bora? Bora!
Ir significava dar a “VOLTA AO MUNDO”, ou seja, dar uma volta na Ilha de Antônio Vaz.
(Dar a VOLTA AO MUNDO é sair do náutico passar pela Boa Vista e Coelhos, dobrar no braço sul do Capibaribe, sair no Parque dos Manguezais, passar pelo Riomar/Pina e entrar no recife antigo, ou seja, remar por mais de dez quilômetros (para quem sai da Rua da Aurora, como nós) passando por Santo Amaro, Boa Vista, Coelhos, Joana Bezerra, Cabanga, Afogados, Imbiribeira, Ilha de Deus, Pina, São José, Recife Antigo, Santo Antônio e Santo Amaro novamente. Uma loucura.)
Mas e aí, bora? Bora! Fomos para o desconhecido e foi uma experiência louca, vivi um misto de medo, cansaço e êxtase por uma hora enquanto navegava pelas costas do Recife.
O primeiro Trecho, já muito conhecido por nós tem uns 3,5 km e vai do náutico até o perto do Hospital Português, foi tranquilo e basicamente o aquecimento. Não sabíamos que iríamos fazer o que fizemos e por isso foi sem expectativas.
Isso durou até entrarmos no Braço Sul do Capibaribe.
Remando esquerda entramos no segundo trecho, no desconhecido. O Braço Sul do Capibaribe é estreito, relativamente curto e são as costas de Joana Bezerra e Afogados, uma parte cheia de miséria, viveiros (que aparecem entre os casebres) e pontes. Fomos surpreendidos pela passagem de um metrô que quebrou a trilha sonora de remos, aves e da respiração ritmada. O fim desse trecho é marcado por uma ponte bem baixa que nos impede de ver o que vem a seguir.
Passada a Ponte surge um mundo d’água cheio de canais, mangue, casas e barcos de pesca atracados, o vento frio da manhã nublada bate forte e é sentido por todo o corpo. Esse foi um momento de êxtase profundo, a paisagem é bonita e desconhecida (pelo menos desse ponto de vista) e nunca me imaginei ali num barco de dois palmos de largura.
Paramos na frente do Riomar, a água meio calma pouco nos movia e deu para se hidratar tranquilamente. Eu e Heleno conversávamos sobre a cidade e sobre a remada até que bateu uma rajada de vento frio, sinal de que a chuva se aproximava, era melhor não ficar ali.
Voltar a remar foi necessário, a maré não nos ajudava e estávamos regredindo. A dor nas pernas apareceu e sumiu assim como um barco de pesca que apareceu, seguimos.
Enquanto remava não percebi a aproximação das gigantes pontes do Pina e confesso que me assustei, nessa parte da jornada todas as proporções são gigantescas e nós minúsculos.
O tempo foi fechando e o vento ficando mais frio, sinal de que a chuva ia chegar. Aumentamos o ritmo na tentativa de não tomarmos banho, o que de nada adiantou, já que no meio do Cais José Estelita a chuva fina começou a cair. A nossa sorte é que a chuva era fraca e o vento inexistente, ou seja, poderíamos ter sofrido muito mais. Cerca dez minutos depois a chuva cessou, o corpo estava molhado de suor e de chuva e seguimos remando.
O fim do Cais José Estelita é também o fim da calmaria, as ondas vão aumentando de tamanho o que começa a dificultar a remada completa. Remamos normalmente até uma onda cobrir o barco, a água já não era de Rio e remar normalmente poderia nos fazer virar, aí eu pensei: e se virarmos? Estaríamos muito fodidos, no mínimo boiaríamos por uma meia hora até que outro barco passasse e nos desvirasse. Em voz alta perguntei: e se virarmos? Escutei como resposta: nem pensa nisso... Era melhor não pensar mesmo. Por causa dessas ondas passamos a remar Meio-Carro (uma remada mais curta e mais segura, porém mais lenta). Remamos até as Torres Gêmeas onde nem Meio-Carro dava para remar, as enormes ondas não só nos desequilibravam como nos jogavam para o paredão da margem, decidimos remar só Braço, ou seja, mais lento ainda só que de forma totalmente equilibrada. Chegar à Ponte Giratória foi um alívio, a água estava mais calma e o caminho era conhecido, além de ser a reta final.
O ultimo trecho, passando pelo Recife Antigo e pelo Cais de Santa Rita, foi tranquilo, não havia ondas e deu para ver a cidade acordando e o sol saindo , eram umas seis e meia e já dava para escutar os ônibus e as muitas pessoas que saiam e chegavam, algumas nos olhavam, outras, mais apressadas, só passavam.
Chegamos à Rampa do Náutico de seis e quarenta mais ou menos, minhas pernas totalmente destruídas precisaram de um tempinho de descanso para eu poder sair do barco, a vontade que tinha era de dormir ali mesmo.
Quando sair do Double estava cansado, mas ainda precisava tirar o barco da água, lavar e guardar. Sabe o que me motivou nesse momento? Saber que tinha um cuscuz com ovo e um chá-mate me esperando no Refeitório, ou seja, o ponto alto do treino de um remador.
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Caixa baixo

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (20) pela Receita Federal, a arrecadação do governo em maio foi a pior para o mês desde 2010. O resultado teve influência da diminuição das receitas pagas pela indústria, chegando a R$ 97,6 bilhões, uma redução real de 0,96% na comparação com o mesmo mês do ano passado, já descontada a inflação no período. Leia mais http://twixar.me/GKq

Bóia fria

"É o cenário do trabalhador bóia-fria". Esse é o comentário do diretor-técnico do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Clemente Ganz Lúcio, sobre a afirmação de que a reforma trabalhista vai gerar empregos. Estudo feito pelo Santander e publicado nesta terça-feira (20) pelo jornal O Globo afirma com estardalhaço que em caso de aprovação a reforma criará em menos de um ano 2,3 milhões de empregos. Leia mais http://twixar.me/mKq

Poesia sempre

QUIMERA
Waldir Pedrosa Amorim

Um dia 
hei de sonhar um sonho
infindo
e desacostumado de ter tempo
e de ter pressa.

Um dia
sonharei um sonho louco,
sem metáforas,
curtido...
desacostumado
de ter senso
de ter nexo...
limpo ou sujo
radiografia de mim.
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Bosco & Chico

Para os 73 anos de Chico Buarque
Bosco Rolemberg, no Facebook

Compartilhei cela e sofrimento com Chico Buarque, mesmo à distância, sem ele saber.

Graças a sua música, enfrentei a solidão, recompus os cacos e mantive acessa a chama da esperança.

A notícia falsa de sua visita aos presos políticos de Itamaracá deixou em alvoroço o coração das esposas e seus maridos encarcerados.

Um dia, bastava um dia.....como nas visitas de nossas esposas, mães e filhos, para aplacar nossa agonia.

Suas canções tocavam o coração de todos nós.

No meu violão, com suas letras, transmitimos inquietudes e angústias do nosso tempo.

Obrigado Chico Buarque por sua generosidade e solidariedade, ainda hoje, inesgotáveis.

Por um país democrático e justo.

Por muitos e muitos anos você será cantado no mundo inteiro.

Grande abraço, 

Bosco Rolemberg
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Pantomima

Temer encena deplorável pantomima em sua agenda na Rússia: um morto-vivo fazendo de contas de que é estadista. Ridículo.

19 junho 2017

Compromissos

Geraldo Alckmin também muda o discurso e agora diz que sempre discordou da participação do PSDB no governo Temer. O essencial - afirma - são as reformas trabalhista e previdenciária. Ou seja: se divorcia de Temer e consolida o casamento com o Mercado. Neoliberal até a medula.

Tentáculos norte-americanos

JBS e a globalização da Justiça americana

Joaquim Falcão, na Folha de S. Paulo

 

Para entender a delação premiada da JBS é necessário compreender o que se passou ou ainda se passa entre a companhia e as autoridades dos Estados Unidos.
Sendo a JBS um grupo global, com cerca de 56 empresas nos Estados Unidos, dificilmente haveria delação premiada aqui sem prévio ou potencial acordo lá, com as autoridades americanas.
O cenário maior a ser considerado é que a globalização econômica tem sido acompanhada por uma globalização judicial. Ou seja, há expansão unilateral das leis e da judicialização americana. Juízes e autoridades passam a ser globais.
Quem confere a eles esse poder é a cooperação internacional entre autoridades e a múltipla legislação: Anti-Corruption Act, Anti-Terrorism Act e tantas outras.
Através desta judicialização, autoridades americanas interferiram na Suíça, via Fifa. Na Argentina, via fundos abutres. No Brasil, via Embraer, que pagou, lá, mais de US$ 200 milhões por corrupção praticada na República Dominicana, em Moçambique e na Arábia Saudita.
Braskem e Odebrecht também concordaram em pagar multas ao governo americano. A Petrobras, seus conselheiros e diretores, deverão fazê-lo no momento adequado.
Para que tal jurisdição ocorra, basta que se tenha conta bancária nos Estados Unidos. A JBS tem. Basta que se tenha empresas nos Estados Unidos. A JBS tem. Basta que se tenha estado presente no mercado de valores mobiliários. A JBS tem estado. Ou apenas ter transacionado em dólar em qualquer país no mundo. A JBS fez isso.
Não é por menos, inclusive, que os irmãos Batista, donos da JBS, escolheram um escritório de advocacia, Baker e Mckenzie, de lá. E, de lá, gerem a negociação aqui no Brasil.
Não é razoável esperar que se desconheça, lá, a corrupção sistêmica daqui, que até as tribos da Amazônia conhecem, como bem ressaltou o ministro do TSE Herman Benjamin. E que se desconheça o amplo envolvimento da JBS.
O ponto crucial é o desejo, necessidade mesmo, de os irmãos Batista pretenderem morar nos Estados Unidos, com visto permanente de residentes. Logo depois da denúncia do procurador-geral da república, Rodrigo Janot, a família embarcou para lá. Antes, familiares, irmãos e sobrinhos, inclusive moradores de Goiânia, já tinham ido.
Deve ter havido, ou estar ainda em andamento, negociação com o governo americano para concretizar essa pretensão. Provavelmente pelas pessoas físicas, os sócios.
No sistema legal dos Estados Unidos, são múltiplas as maneiras de conseguir vistos ou algum tipo de benefício em situações dessa natureza.
A delação premiada precisa ser reconhecida por um juiz, mas pode se manter secreta se as partes concordarem. Dificilmente saberemos. Informações estratégicas.
O DPA, que pode ser traduzido como a Suspensão Condicional do Inquérito, permite multa, confissão, delação e provas contra terceiros. O investigado não é fichado como criminoso e obriga-se a delações futuras e a não reincidir no crime. Não há também publicidade.
Direta ou indiretamente, parece inevitável, o maior grupo empresarial do mundo em proteína animal, através de seus controladores ou de suas empresas, deve estar agora sob controle da expansionista jurisdição americana.
Seria esse o destino dos campeões nacionais? Ao se tornarem campeões globais, transmudam-se em campeões americanos?
Há muito ainda o que revelar. Aqui e lá.
JOAQUIM FALCÃO, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em educação pela Universidade de Genebra, é professor da Escola de Direito do Rio da Fundação Getulio Vargas
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A semana se inicia com escaramuças entre o Judiciário, o Ministério Público, e Executivo e o Legislativo. Como já acontece desde os antecedentes do golpe institucional que derrubou a presidenta Dilma.

Como pano de fundo, a crise que se aprofunda e é administrada com rédeas curtas pelo Mercado financeiro, via ministro Meirelles. Temer é apenas uma marionete - desgastado, encurralado e perdido. Quase figurativo.

O conflitos entre os Poderes da República dão a medida da incerteza que paira no horizonte. Uma ágil reformulação das regras eleitorais e a antecipação do pleito poderia ser uma saída - incluindo, para contar com a anuência e a participação das oposições, a suspensão da toda Itacoatiara das reformas trabalhista e previdenciária. 

A nação aceitaria isso. O Mercado, não. Aí está o nó que as forças ora dominantes no Congresso não parecem ter fôlego nem vontade de desatar. (LS)
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Fiel

Temer - registram os jornais - elogia sempre o ministro Meirelles por sua fidelidade. A fidelidade é ao Mercado, ora!

Para quem?

Temer cobra punição para criminosos. Deve pedir punição inclusive para si mesmo, ou não? 

Contra o povo

Reforma da Previdência e as desigualdades

Katia Maia e Oded Grajew, na Folha de S. Paulo

Dos vários desafios pelos quais passa o Brasil, a necessidade de promover uma reforma da Previdência está sobre a mesa. Mas reformar para quê? Para beneficiar quem? Quais objetivos e valores devem nortear esse processo?
O Brasil é um dos países com maior índice de desigualdade no mundo. Quase dois terços dos brasileiros têm renda mensal média inferior a dois salários mínimos e cerca de 45 milhões de pessoas recebem apenas um salário. Por outro lado, 5% da população se apropria de metade de toda a renda nacional. Apenas seis pessoas possuem riqueza equivalente à dos 50% mais pobres.
No nível local, o Mapa da Desigualdade da capital paulistana, elaborado pela Rede Nossa São Paulo, torna visível a situação.
O município é dividido em 96 distritos, com uma população média de 120 mil habitantes em cada um deles. A idade média no distrito de Pinheiros é de 79,67 anos, enquanto em Cidade Tiradentes é de 53,85. Uma diferença de 25 anos na mesma cidade! Mais de 4 milhões de pessoas que vivem em 36 distritos da cidade têm uma idade média menor de 65 anos ao morrer.
É claro que vários elementos contribuem para uma idade média baixa, como a violência urbana, a mortalidade infantil e o falho sistema de saúde. Desse modo, como podemos estabelecer uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria se a maioria da população em situação de pobreza não terá a mínima chance de chegar até lá?
Pessoas pobres, por razões óbvias, começam a trabalhar mais cedo. Nesse novo sistema, teriam que contribuir por mais tempo que as pessoas mais ricas. Muitas não conseguirão se aposentar. Ainda que o país esteja passando por uma recessão severa, as soluções não podem estar centradas em medidas que recaiam sobre os que mais sofrem com as desigualdades do nosso país. 
Vivemos uma das maiores crises políticas da nossa história recente. Nesse contexto, a proposta de uma reforma da Previdência, ainda que seja um tema importante a ser enfrentado, é inoportuna tanto pela ausência de participação adequada da sociedade quanto pela falta de legitimidade da política brasileira.
A proposta do governo permanece excessivamente pesada para os trabalhadores de baixa renda e desconsidera a desigualdade na própria contribuição previdenciária. Segundo Marcelo Medeiros, do Ipea, o 1% mais rico dos aposentados fica com a mesma fatia dos gastos da seguridade social que os 50% mais pobres -situação que se agravará se a mudança for aprovada.
Hoje não há mais ambiente político apropriado para tal debate. Segundo o Datafolha, 71% dos brasileiros são contra a reforma. Tamanha resistência deveria servir de freio ao governo e ao Congresso.
Foram conquistados, desde a Constituição de 1988, direitos e políticas que possibilitam o combate à pobreza e às desigualdades. Neste momento, é fundamental que essa quase esquecida agenda seja priorizada, norteando as políticas de retomada da economia.
KATIA MAIA, socióloga, é diretora-executiva da Oxfam Brasil; ODED GRAJEW é presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil e presidente emérito do Instituto Ethos. É idealizador do Fórum Social Mundial
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Waldir Pedrosa Amorim, presente!

Uma dor imensa! Recebi agora a notícia do falecimento do querido amigo e companheiro de luta, médico e poeta Waldir Pedrosa Amorim – que se foi ontem levado pelas dores do mundo.

Versos do poeta que permanecerá para sempre em nossa memória:

“Não eram manchas,
Nem tatuagens eram.
Eram mapas de dor
Gravados n’alma”.

Waldir, presente!