22 março 2017

Exposição

Agora no MAMAM, abertura da Exposição "Sugar and Speed" (a velocidade e os efeitos do açúcar).

Decadência

Rodrigo Janor e Gilmar Mendes trocam desaforos em público: ai de ti, República brasileira!

Subserviente

Temer no Twitter: "Recebi hoje telefonema de @realDonaldTrump. Ele está acompanhando o nosso trabalho e me congratulou com os resultados que já alcançamos."

É um subserviente empavonado. Ridículo.

Contra o trabalhador

governo decidiu recuperar uma iniciativa que havia sido tomada ainda no mandato do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso. O projeto de lei 4302/1998, que é muito pior do que tudo de ruim que foi anunciado até agora, havia tramitado em 2002 e “dormia” desde então na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados, sem ter sido submetido ao plenário, comenta o portal Vermelho em Editorial. O projeto de lei de FHC elimina na prática toda a legislação trabalhista e põe a faca e o queijo nas mãos dos patrões, que passam a faze valer apenas suas vontades (e ganâncias) nas relações com seus empregados. O projeto libera a terceirização para qualquer atividade nas empresas, inclusive para as atividades principais (atividades-fim). Leia mais http://migre.me/whYCb

Discricionário

O episódio Lula, mais o vazamento dos grampos de Lula e Dilma, afastou de vez a presunção de isenção da Lava Jato e mostrou seu alinhamento com o golpe de Estado em curso – comenta Luís Nassif no Jornal GGN. A condução coercitiva de Eduardo Guimarães (do Blog da Cidadania) expõe de forma inédita o uso do poder pessoal arbitrário do juiz Sérgio Moro para retaliar adversários. Não se trata mais de disputa política, ideológica, de invocar as supinas virtudes da luta contra a corrupção para se blindar: da parte de Sérgio Moro, a operação atende a um desejo pessoal de vingança.

Modus operandi

O “Estadão” registra que o deputado Jovair Arantes (PTB-GO) será advertido pelo Planalto por ter se pronunciado contra o projeto da terceiurização. Será cobrado pelos “quarenta cargos que indicou para a Conab”. É o modus operandi de Temer & Cia., considerado “normal” pela mídia governista.

Diversidade

Numa conjuntura em que 84% dos brasileiros não se sente representado por partidos políticos e em que reina a instabilidade, o pavor e a dispersão no Congresso Nacional, o governo agiliza todo o seu arsenal de maldades contra conquistas e direitos. Isto em meio ao bate cabeças entre os chamados três poderes da República. Para além das manifestações de protesto da semana passada – vigorosas -, creio que o próprio povo, espontaneamente, tenderá a criar novas formas de resistência. E será preciso viver plenamente novas experiências de luta.

Arte & política

Quem tem medo de artista?
Wagner Moura, ator

Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia - todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política.
A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.
Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?
Faz um tempo, dei muita risada ao ver uma dessas pessoas, que se referia com agressividade a um texto meu, dizer que todo bom ator é sempre burro, pois sendo muito consciente de si próprio ele não conseguiria "entrar no personagem".
Talvez essa extraordinária tese se aplicasse bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita "let's make it great again". De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas.
Esse medo manifestado pelo status quo já fez com que, ao longo da história, artistas fossem censurados, torturados e assassinados. Os gulags de Stálin estavam cheios de artistas; o macarthismo em Hollywood também destruiu a vida de muitos outros. A galera incomoda.
Uma apresentadora de TV fez recentemente sua própria lista de atores a serem proscritos. Usou uma frase atribuída a Kevin Spacey, possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série "House of Cards".
A frase era a seguinte: "a opinião de um artista não vale merda nenhuma". Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento "ad hominem" para desqualificar os que discordam de suas opiniões.
É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que você pensa, portanto tento destruir você pessoalmente. Um estratagema ignóbil, mas muito eficaz, de fácil impacto retórico. Mais triste ainda tem sido ver a criminalização da cultura e de seus mecanismos de fomento, cruciais para o desenvolvimento do país.
Aliás, todos os projetos sérios de Brasil partiram de uma perspectiva histórico-cultural, como os de Darcy Ribeiro, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.
Ver o ministro da Cultura dando um ataque diante do discurso de Raduan Nassar só faz pensar que há algo mesmo de podre no castelo do conde Drácula. Mesmo acostumado a esse tipo de hostilidade, causou-me espanto saber que o ataque, na semana passada, partiu de uma peça publicitária oficial da Republica Federativa do Brasil.
Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta de reforma da Previdência.
O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público, no qual me chama de mentiroso e diz que eu fui "contratado" -ou seja, que recebi dinheiro dos sem-teto brasileiros para dar minha opinião.
O vídeo é tão sem noção que acabou suspenso, assim como toda a campanha publicitária do governo em defesa da reforma da Previdência, pela Justiça do Rio Grande do Sul.
Um governo atacar com mentiras um artista, em propaganda oficial, é, até onde sei, inédito na história, considerando inclusive o período da ditadura militar.
Mas o melhor é o seguinte: o vídeo do presidente não conseguiu desmontar nenhum dos pontos levantados pelo MTST.
O ex-senador José Aníbal (PSDB) escreveu artigo em que me chama de fanfarrão e diz que a reforma só quer "combater privilégios". Devo entender, então, que o senhor e demais políticos serão também atingidos pela reforma e abrirão mão de seus muitos privilégios em prol desse combate? E o fanfarrão ainda sou eu?
Se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência.
Mas eles não querem discutir nada, nem mesmo as mudanças demográficas, um debate válido. O governo quer é votar logo a reforma, acalmar os credores, passar a conta para o trabalhador e partir para a reforma trabalhista antes que o povo se dê conta.
Tenho uma má notícia: no último dia 15, havia mais de um milhão de pessoas nas ruas do país. Parece que não é só dos artistas que eles deverão ter medo.
WAGNER MOURA é ator. Protagonizou os filmes "Tropa de Elite" (2007) e "Tropa de Elite 2" (2010). Foi indicado ao prêmio Globo de Ouro, no ano passado, pela série "Narcos" (Netflix)
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Um passo adiante?

Reforma política é oportunidade histórica para um novo pacto social

Vanessa Grazziotin, na Folha de S. Paulo

A grave situação do Brasil nos obriga a uma análise profunda sobre a luta política e os conflitos de interesses econômicos que movem e alimentam tão prolongada crise.
Precisamos repensar as relações e o nosso ordenamento político-institucional, apresentar alternativas, agir com coragem e determinação, quebrar mitos, paradigmas e sobrepor a essência à aparência.
Um tema fundamental é a reforma política, visto o esgotamento do atual modelo, um híbrido genuinamente brasileiro, com forte predominância do poder econômico, campanhas milionárias e fragilização dos partidos.
Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que 84% da população não se sente representada por nenhum partido político, evidenciando o divórcio entre a sociedade, os políticos e os partidos.
A inadiável reforma política é uma janela de oportunidades para um salto democrático, que garanta igualdade de oportunidades, diversidade na representatividade e transparência.
Partir da premissa de que o problema está na quantidade exagerada de partidos (de fato uma deturpação) ou nas coligações é não só um equívoco mas um escapismo que visa manter os pilares dessa estrutura carcomida.
Se não se faz política institucional sem partido ou organização política (como queiram), é necessário criar um sistema eleitoral que valorize os programas, as propostas e ideias das diferentes correntes ideológicas.
Significa refundar os partidos. Possibilitar ao eleitor votar num programa e não em "chefetes", que se autoproclamam "independentes" para mascarar seu apetite fisiológico.
Uma das propostas mais antigas, que vigora em vários países, é o sistema de lista pré-ordenada, que estabelece critérios mais democráticos, respeita a composição da sociedade e garante alternância de gênero. Ainda amplia a democracia interna, o debate de ideias e programas. No Brasil, a medida reduziria e ajudaria a superar o vexatório 148º lugar em participação feminina no Legislativo.
Hoje se vota num candidato e se elege outro. Com a lista –que será pública–, esse risco não existirá. Se um programa ou quem encabeça a lista não lhe agrada, você simplesmente não vota naquela lista. Ninguém se "esconderá atrás das listas".
Esse sistema, combinado com um fundo de financiamento democrático, evitará a relação promíscua entre agentes públicos e privados, que tem sido a base da corrupção.
A oportunidade é histórica para um novo pacto social que envolva todos os segmentos, aprofunde a democracia, amplie os espaços institucionais, torne menos desiguais os pleitos e supere o apartheid imposto pelo poder econômico contra as mulheres, os negros e pobres. 

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O prazer da fotografia

Cena urbana: Um lugar para cuidar da beleza, Cidade do Porto, Portugal (Foto: LS) #cenaurbana#portugal

21 março 2017

União Europeia

Recebi ontem em meu gabinete o Embaixador da União Europeia, João Gomes Cravinho.Um diálogo cordial, centrada em expectativas futuras de incremento de relações econômicas e culturais. (Foto: Carmem Fischer)

20 março 2017

Microeconomia

Segundo dados levantados pelo site Compara Brasil, em quase um terço das cidades brasileiras, o pagamento de aposentadorias, pensões e outros amparos assistenciais, como o Benefício de Prestação Continuada, superam a receita corrente das prefeituras  http://migre.me/whjS3

Temer mente

Brasil é o país em que o presidente é produtor oficial de notícias falsas

Janio de Freitas, Folha de S. Paulo

Os alemães estão preocupados com o número e os efeitos crescentes de notícias falsas. Seu governo discute, já como anteprojeto, uma legislação duríssima contra empresas que viabilizam redes na internet, quando não eliminem com presteza as notícias falsas e a disseminação do ódio.
No Brasil, providência semelhante seria contraditória, sendo o país, por exemplo, em que um ex e badalado presidente da República e um ministro do Supremo Tribunal Federal propõem que o caixa 2 em política – o dinheiro tomado e destinado em segredo – não mais seja considerado como corrupção.
Ou, mais simplesmente: o país em que o presidente é produtor oficial e contumaz de notícias falsas. Com uso não só da internet, mas de todo o sistema de comunicação informativa do país. O que Fernando Henrique e Gilmar Mendes pretendem aceitável é a maior causa da grande mentira eleitoral, o mito das eleições livres e limpas no Brasil. Lembre-se, a propósito, que as contas da campanha presidencial de Fernando Henrique foram recusadas pela Justiça Eleitoral, com um grande rombo apesar da contabilidade conveniente. Como diz Carlos Ayres Britto, com brilhante passagem pelo Supremo, o caixa 2 "é eticamente espúrio e juridicamente delituoso".
Michel Temer repete, com a esperança de que o país o ouça, serem as críticas ao projeto de "reforma" da Previdência movidas apenas por interesses. Nega perdas: "Cerca de 63% dos trabalhadores terão aposentadoria integral, porque ganham salário mínimo. Quem pode insurgir-se é um grupo de 27%, 37%".
À parte a dupla indecência que está na proporção dos recebedores de salário mínimo e no valor dele, já desmoralizantes da Previdência e da "reforma", o projeto do governo fere sobretudo os mais carentes. Os de salário mínimo integram a grande multidão que começa a trabalhar mais cedo, na puberdade ainda. Exigir-lhes mais cinco ou dez anos de trabalho, para chegar à nova idade mínima de aposentadoria, é um ônus desumano. E negá-lo é mentir ao país.
O "ministério de técnicos", a "recuperação da moralidade pública", a "retomada do crescimento ainda neste ano" (de 2016!), e tantas balelas mais, formam uma estrada imoral de mão única. Na qual foi erguido há pouco um monumento à indignidade. Recusar-se a reconhecer uma autoria legítima é uma usurpação, seja ou não em proveito próprio. No caso, era.
Michel Temer saiu-se com a bobagem de que "a paternidade da transposição do São Francisco é do povo brasileiro". Sua forma de negar a autoria de Lula, em áspera batalha técnica e de comunicação, e a difícil continuidade assegurada por Dilma. Citou valores errados, sempre em seu favor. E inventou a entrega de 130 mil cisternas.
Para breve comparação: Tereza Campello entrou calada no governo Dilma, permaneceu muda e, no impeachment, saiu em silêncio sobre seu papel no governo. Mas, entre outros êxitos incomuns, fez construir e instalar no Nordeste cerca de um milhão de cisternas.
Por isso a recente seca, brutal, não provocou o abalo e os demais efeitos das secas equivalentes. Observação de valor especial nestes tempos: tamanha obra sem que houvesse sequer vestígio de escândalo, na atividade que mais produziu corrupção e escarcéus na história do Nordeste.
Tereza Campello, a cujo silêncio realizador a imprensa/TV respondeu com silêncio incompetente, foi uma ministra extraordinária.
Quanto a Michel Temer, entende-se por que lhe pareceu normal nomear Alexandre de Moraes, coautor de um livro que assina sozinho, para o Supremo. A veracidade não é o que lhe importa. Como caráter não se vende em supermercado, Michel Temer não recebe informações a respeito.

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Com Lula em Monteiro

Fé, alegria e esperança na celebração das águas da transposição
Luciana Santos, no Brasil 247

O Dia de São José é uma data especial e cheia de simbolismo para o povo nordestino. Neste dia a religiosidade popular destina ao santo as orações e pedidos de chuva e por uma boa colheita. É um dia de festa e neste último domingo (19) a festa teve um caráter ainda mais simbólico.
O dia foi escolhido para a inauguração popular da transposição do Rio São Francisco na bacia do Rio Paraíba, em Monteiro, onde estive ao lado dos ex-presidentes Lula e Dilma e de colegas parlamentares e lideranças populares de várias regiões. Essa obra estruturante é um dos principais legados dos governos progressistas no Brasil. Quando estiver pronta, nos dois eixos, a transposição deve beneficiar 12 milhões de pessoas.
Assistimos ontem uma linda manifestação que levou milhares de pessoas ao cariri paraibano. Emocionante ver, já ao longo da estrada, o reconhecimento popular, as manifestações de carinho ao ex-presidente Lula e os depoimentos sobre como essas águas mudarão definitivamente a vida do povo daquela região.
A transposição é um sonho antigo dos sertanejos. É um projeto que data do período colonial e que nunca saiu do papel. A primeira versão desse projeto data de 1847. Desde então muitas vezes as águas do São Francisco foram apontadas como boa solução para o enfrentamento da seca e voltavam a ser esquecidas ao final de cada período de estiagem.
Ainda durante o período da ditadura militar o caráter cíclico das secas já era de conhecimento público e exigia ações mais perenes. No entanto, conforme denunciou Marcia Dementshuk em reportagem para a Agência Pública*, a informação foi mantida em segredo e a transposição mais uma vez não saiu do papel. “O fato de as secas nordestinas serem cíclicas já havia sido preconizado em 1977 pelos pesquisadores Carlos Girardi e Luiz Teixeira, do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), em São José dos Campos (SP). Mas a informação era mantida em segredo pelo governo militar. Os pesquisadores previram secas com duração de cinco anos a cada 26 anos, e secas de menor intensidade, com duração de três anos, a cada 13 anos”.
A decisão política e reconhecimento do papel dessa obra para o desenvolvimento do país e enfrentamento às desigualdades regionais foram fundamentais para que em agosto de 2007 esse projeto finalmente tivesse início. Ao longo dos Governos Lula e Dilma muitos desafios precisaram sem enfrentados para que, afinal, pudéssemos ver as águas correndo nas terras pernambucanas e paraibanas, irrigando a sede e renovando a esperança do nosso povo.
Ver concluído um trecho de uma obra estruturante como essa aumenta nossa convicção na defesa de um projeto popular e progressista para o país. Materializa o que o golpe que sofremos no ano passado tenta tirar do nosso país. O sorriso, a fé, a alegria que tomou conta desse domingo nos lembra que o nosso povo tem direito à felicidade e que nós temos o dever de combater o golpe, lutar pela nossa democracia e junto com esse nosso povo retomar o caminho do crescimento, do desenvolvimento e da soberania.
*Deputada federal, presidente nacional do PCdoB
Foto: Diego Galba/Ascom Luciana

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Lula nas águas do São Francisco

Em discurso marcado pelas lembranças da seca na infância e do enfrentamento por meio das políticas de seu governo, o ex-presidente Lula criticou o governo Temer e o chamou para briga pelo voto nas ruas. Lula alertou o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), da necessidade de cobrar o governo federal para que construa adutoras e estação de tratamento para as águas. E alfinetou: “O que não pode é deixar fazendeiro pegar toda água só para ele, com bomba. Esse projeto tem função social. O eixo norte está parado desde que essa mulher foi golpeada. É preciso terminar a obra para que o nordestino, se tiver de ir para São Paulo, que seja para passear”. Leia mais http://migre.me/whgo5

Falso testemunho

Na churrascaria em Temer ofereceu jantar a embaixadores de 30 países na intenção de desfazer o desgaste provocado pela Operação Carne Fraca, a carne bovina servida é... argentina!

Que tamanha trapalhada!

O quê?

Uma “nova esquerda” com ideário de centro-direita – como propõe o senador Cristovam Buarque em entrevista ao Diário de Pernambuco – é possível? Mais fácil é o acasalamento de jacaré com porco espinho.

Governista

O Diário de Pernambuco defende hoje, em editorial, as reformas previdenciária e trabalhista propostas pelo governo como “necessárias para a retomada do crescimento”. E acusa os movimentos sociais de serem “as mesmas forças que se aliaram a governos responsáveis por afundar o Brasil nessa crise sem precedentes”. Lamentável. 

O bom combate

Cartazes e panfletos com fotos e nomes de deputados federais supostamente comprometidos com a reforma da Previdência, tratando-os antecipadamente como inimigos, em nada contribui para convencê-los a votar contra e, portanto, construirmos a maioria necessária para derrotar o governo.

Se estamos corretos, por que não usar dados e argumentos que, em articulação com a pressão das ruas, demonstrem a justeza de nossa luta?

O ambiente predominante nas redes sociais, entretanto, não é do debate consciencioso de ideias, infelizmente é da agressão e do desaforo, expressões próprias do sectarismo e da intolerância.

A democracia - que conquistamos com tanta luta - implica polêmica mutuamente respeitosa e esclarecedora — para que, inclusive, se eleve o nível de consciência política do nosso povo, que assim possa escolher melhor na hora de votar.
#soucontraareformadaprevidência 

19 março 2017

Falácia

Um dos principais argumentos para justificar igualar a idade de aposentadoria entre homens e mulheres é o fato de que as mulheres vivem mais. Mas será que isso é verdade depois que se adquire o benefício? O IBGE diz que não. Leia aqui  http://migre.me/wgWND

Maiakósvki canta o amor

Lauri Blank

Dedução
Vladimir Maiakóvski


Não acabarão nunca com o amor,
nem as rusgas,
nem a distância.
Está provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e faço o juramento:
Amo
firme,
fiel
e verdadeiramente.

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A verdade dos fatos

BNDES vive a ressaca da pós-verdade
Luciano Coutinho, no Blog do Renato

Afirmações falsas, insistentemente repetidas por meios de comunicação credíveis, viram “pós-verdades” injustas. Assim tem sido em relação ao BNDES no período de 2007 a 2016. O editorial “A ressaca dos campeões”, desta Folha, é um exemplo disso. Destaco algumas dessas inverdades.

Primeiro, é falso que a política de consolidação e internacionalização de empresas teria sido implementada com recursos subsidiados, aportados pelo Tesouro, visando escolhas voluntariosas de favoritos.

As operações da BNDESPar, subsidiária de participações societárias do BNDES, sempre foram feitas sem subsídios, a custos de mercado e em sua grande maioria contando com a participação de investidores do mercado de capitais.

A BNDESPar existe há décadas. É altamente lucrativa e gera recursos a partir do giro de
sua carteira foram mais de R$ 23 bilhões “líquidos” de 2007 a 2015, ou seja, operou independente de qualquer repasse.

De 2007 a 2014, teve R$ 24 bilhões de lucros, que permitiram reduzir os spreads do
BNDES, sustentar sua rentabilidade e pagar dividendos à União. Só em 2015 houve
prejuízo, em especial pela desvalorização (reversível, como se observa hoje em dia) das
ações Petrobras.

Também é falsa a alegação de opacidade e favoritismo. A Política de Desenvolvimento Produtivo, lançada em 2008, estabeleceu a diretriz de apoio à internacionalização de empresas de capital nacional capazes de disputar posições de liderança.

Disso resultaram avanços em vários setores: aumento da formalização de produtores, adoção de melhores práticas socioambientais, aumento da arrecadação de impostos e melhoria da gestão.
Muitas dessas empresas, em especial as exportadoras, foram golpeadas no final de 2008 por prejuízos violentos, oriundos de operações com derivativos cambiais.

O BNDES, junto com o mercado de capitais e bancos comerciais, buscou estruturar soluções para que as operações produtivas se mantivessem intactas, mesmo que isso implicasse fusões e aquisições setoriais. Não houve escolha voluntariosa, mas ações coordenadas para debelar a crise.

Outras afirmações frequentes e falsas são: 1) os recursos aportados pelo Tesouro ao BNDES no período de 2008 a 2014 tiveram impulso efêmero sobre os investimentos; 2) só beneficiaram grandes empresas.

Basta consultar o IBGE para ver que a taxa de investimento subiu de uma média de 16,4% do PIB de 2000 a 2007 para 20% de 2008 a 2014. Essa diferença significou um volume adicional acumulado de investimento de cerca de R$ 1,5 trilhão, o triplo dos recursos aportados no BNDES.

Quantos às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs), é falso que estiveram excluídas dos créditos: de 2007 a 2015, o cartão BNDES desembolsou cerca de R$ 70 bilhões, saltando de R$ 838 milhões para cerca de R$ 12 bilhões anuais, a valores atualizados.

A participação das MPMEs nos desembolsos do banco passou de cerca de 20% no início dos anos 2000 para cerca de um terço em meados desta década. O número de empresas com acesso ao BNDES saltou de 44 mil em 2007 para 277 mil em 2014 quase todos os novos clientes são firmas de menor porte.

O significado da verdade é um debate milenar que voltou à moda atualmente. Se não é possível estabelece-la de forma absoluta, é preciso franqueza de espírito para buscar dados, entender os fatos e as razões de cada um. Quantos no jornalismo brasileiro podem hoje se orgulhar desse esforço?

LUCIANO COUTINHO, economista, foi presidente do BNDES de 2007 a 2016

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Palavra de poeta

"O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher." (Cora Coralina).

Humor de resistência

Bruno Aziz vê a quase indiferença da grande mídia em relação às manifestações contra a reforma previdenciária.

Globalização financeira em causa

Brasil e Mercado
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

O processo de acumulação do capital parasitário atingiu uma dimensão nunca vista antes. Fez-se uma inaudita destruição dos direitos dos povos, das identidades culturais das nações, a desqualificação das elevadas conquistas e valores da humanidade ao longo dos séculos.

Constituíram-se acima do espírito do Direto, convenções internacionais, uma Governança Mundial onde o Mercado incorporou organizações globais e a grande mídia, tornando-as associadas aos seus objetivos de acumulação parasitária.

Um poder gigantesco, difícil de ser nomeado, sem fronteiras, bandeira ou território, mas que exerce uma ditadura econômica, ideológica sem precedentes.

Boa parte das políticas internacionais, e das nações, dão-se através de personalidades públicas, ou grupos partidários, que foram cooptados ou aderiram às estratégias do capital rentista.

Aos olhos dos povos tornou-se difícil distinguir matizes programáticas antes óbvias, salvo determinadas posições sobre assuntos pontuais que não ameaçam a hegemonia do capital rentista e às vezes fazem parte da sua “agenda social global”.

Mas é crescente a insubordinação mundial contra os efeitos terríveis da globalização financeira, como agora no Brasil vítima de um golpe que “emponderou” o governo Temer sob a proteção da grande mídia e estamentos identificados com o Mercado.

Que desejam criminalizar a única forma da sociedade participar dos destinos da nação, a via política democrática, assim como as conquistas sociais, trabalhistas, promover o desmonte estatal e privado, anular o protagonismo do País conquistado em décadas, como liderança global de porte médio.

Estudo divulgado no El País, maior jornal espanhol, indica que o Brasil em 2050 será a 5a economia global depois da China, Índia, EUA, Indonésia, pela ordem.

É uma conclusão que provoca insônia entre as nações mais ricas, ou seja, das grandes economias quatro delas serão de Países emergentes em poucos anos, inclusive o Brasil.

Assim, por posição estratégica, extensão continental, imensas riquezas, população, capacidade industrial, originalidade civilizacional e cultural, é certo constatar que a onda autoritária, antinacional que vivemos é temporária, menor que o País e o seu futuro, desde que tenhamos como norte a centralidade da questão nacional e os direitos do povo brasileiro.

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Eurofutebol

Times multinacionais continuam pesando decisivamente para a hegemonia dos campeonatos europeus no futebol mundial. Belos espetáculos.

18 março 2017

PCdoB no Diário de Pernambuco

Celebração de 95 anos do PCdoB
Dirigentes preparam atividades para comemorar a data e acreditam que se pode renovar a política com a experiência adquirida pelo partido
Rosália Rangel
rosalia.rangel@diariodepernambuco.com.br

No dia 25 de março, o PCdoB completará 95 anos. Para comemorar a data, os dirigentes do partido estão programando várias atividades. Em Pernambuco, a direção estadual está montando uma exposição, composta por 32 painéis, para mostrar ao público os principais momentos da história da legenda no país e no estado. A data do evento ainda não está definida, mas deverá acontecer na primeira quinzena de abril.

A ideia inicial é de fazer a abertura com um ato solene na Câmara Municipal do Recife e depois tornar a exposição itinerante para que possa contemplar outros locais da cidade e de grande circulação, a exemplo da Estação Central do Metrô. Além da exposição, também será exibido um vídeo, com duração de três minutos, de entrevistas com alguns representantes do partido no estado.

Ontem, o presidente estadual do PCdoB, José Bertotti, e o integrante das executivas municipal e estadual, George Braga, estiveram no Diario para divulgar a iniciativa. Eles foram recebidos pelo vice-presidente Maurício Rands. Para marcar a data, também está programado um pronunciamento do vereador Almir Fernando (PCdoB) na Câmara do Recife.

Ao comentar a história da legenda, Bertotti afirmou que, no atual cenário do país, é possível “renovar a política” com partidos com a longevidade do PCdoB. “Um partido que sempre esteve presente nos momentos mais importantes das lutas nacionais”, comentou. O PCdoB foi criado em 1922 com a bandeira de lutar pelos direitos dos trabalhadores, por melhores salários e conquistas sociais.

Quando questionado sobre a possibilidade de uma candidatura própria na eleição presidencial de 2018, George Braga afirmou que a discussão está acontecendo internamente no partido e que deve continuar. “Temos quadros importantes a exemplo de Aldo Rebelo, Luciana Santos (deputada federal/PE e presidente nacional do partido) e a deputada Jandira Feghali/RJ. Acho importante ter um candidato em um momento como esse”, frisou.

José Bertotti, por sua vez, ponderou sobre uma possível candidatura do ex-presidente Lula (PT) e, nesse caso, como seria a posição adotada pelo PCdoB. “Temos que separar os debates. O nosso partido sempre foi um aliado histórico do PT, nos governos Lula e Dilma. Mas, neste momento, é importante ter todo mundo falado (sobre o tema)”, observou.

Sobre a reforma política, Bertotti acredita que dois pontos são fundamentais na proposta: o financiamento de campanha e o fortalecimento dos partidos políticos. “As pessoas têm que ter opinião formada sobre o conteúdo dos programas de governo dos candidatos. A reforma deve ocorrer nesses termos”, destacou. Os dirigentes, no entanto, não acreditam que a reforma seja aprovada ainda neste ano.
Acesse https://www.facebook.com/LucianoSiqueira65/

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16 março 2017

É possível impedir a reforma?

As ruas e o Parlamento
Luciano Siqueira 

Cerca de um milhão de pessoas protestaram ontem em quase todas as capitais e muitas cidades do país contra a reforma previdenciária proposta pelo governo Temer.

O relator da matéria na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), declarou que as manifestações em nada alterarão o seu relatório.

Será?

O relatório do deputado governista baiano pode até não se alterar em sua essência sob a pressão das ruas. Mas no percurso de sua tramitação pode vir a sofrer mudanças substanciais ou mesmo a PEC fracassar quando votada em plenário.

É evidente que a correlação de forças atual no Congresso é francamente favorável ao governo. A maioria, flagrantemente conservadora e oportunista, vem dando respaldo à agenda regressiva de Temer.

Entretanto, em nossa História recente há exemplos marcantes de inversão de tendência no Parlamento sob a pressão das ruas.

O Congresso que sequer deu quórum para a votação da emenda das eleições diretas para presidência da República — porque majoritariamente apoiava o regime militar —, em 1984, menos de um ano após deu maioria a Tancredo Neves contra Paulo Maluf e derrotou o mesmo regime militar.

À época, foram decisivas as crescentes manifestações públicas de apoio à candidatura indireta de Tancredo e a divisão das hostes governistas.

E a correlação de forças se inverteu.

Agora o cenário é outro e a batalha que está em curso também assume grande envergadura. Não se trata apenas de impedir a reforma previdenciária nos termos propostos, trata-se do enfrentamento de todo o desmonte de conquistas e direitos encetado por Temer, sob inspiração neoliberal.

O movimento que ocupou as ruas ontem ainda carece de descortino mais amplo e de unidade, é verdade, mas pode vir a crescer muito desde agora.

O ataque a conquistas e direitos atinge o bolso, as condições de vida e as expectativas da grande maioria da população que, gradativamente, adquire consciência disso.

E na esfera parlamentar, a maioria governista não é tão coesa como parece e provavelmente será sensível ao risco de desgastes na votação de proposições tão impopulares — isto quase às vésperas das próximas eleições. 

Daí o desafio de seguirmos adiante na mobilização do povo nas ruas (e nas redes) e, ao mesmo tempo, travarmos o bom combate em âmbito parlamentar, esgrimindo com o máximo de consistência e habilidade, escoimando-se da pressão sobre os parlamentares comportamentos meramente "denuncistas" ou desaforados.

Enfim, a luta que hoje travamos há que buscar inspiração nas lições do passado e se alimentar da compreensão exata da correlação de forças e da dimensão atual do desafio tático.

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15 março 2017

Injusta e inoportuna

Reforma previdenciária a favor de quem?
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Hoje em todo o Brasil ocorrem manifestações contrárias à reforma previdenciária que, por iniciativa do governo, tramita no Congresso.
Em função da ampla maioria governista pressionada pelo mercado financeiro e pela mídia monopolizada, há o risco real de ser aprovada – inicialmente na Câmara e em seguida no Senado.
Mesmo num ano pré-eleitoral e sob a ameaça (aos parlamentares que a aprovarem) de tremendo desgaste nas eleições do ano vindouro.
Pois essa reforma atinge um direito fundamental do povo trabalhador, conquistado e mantido com muita luta ao longo de décadas.
Isto num cenário de agravamento da crise global e das suas consequências sobre a economia brasileira, que atinge duramente a maioria da população.
Para empurrar a reforma a todo custo, o governo e seus arautos midiáticos a põem como de absoluta necessidade para que a economia retome o crescimento. Igual fazem em relação à reforma das leis trabalhistas.
Entrementes, nenhuma palavra sobre estudos sérios que questionam, com dados precisos e consistentes, a falácia de que a Previdência quebrou.
Um desses estudos, realizando no âmbito da Unicamp, sob a coordenação do professor Eduardo Fagnani, parte da consideração de que a Previdência integra o sistema de Seguridade Social, incluindo também a Saúde e a Assistência Social.
A Constituição estabelece o financiamento tripartite de financiamento: Estado, empregadores e trabalhadores contribuem. 
Hoje, os defensores da reforma, tal como ela está formulada, alegam um déficit incontornável. Mas escondem que, desde 1989, se exclui a parcela de contribuição do governo no financiamento da Previdência.
Ou seja, como bem assinala Fagnani, nega-se assim que a Previdência faça parte da Seguridade Social, em confronto com os artigos 194 e 195 da Constituição.
Mais: os constituintes de 1988 criaram duas fontes extraordinárias de receita no intuito de viabilizar a parcela de contribuição do governo para a Previdência - a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), que incide sobre o faturamento das empresas.
Mas desde 1989 o Ministério da Fazenda se apropria dos recursos aferidos com a CSLL e o Cofins.
Em conseqüência, o financiamento, que seria tripartite, passou a ser apenas bipartite, apoiado na contribuição do trabalhador e do empregador.
O governo Temer esconde isso tudo e despenca sobre os ombros dos brasileiros e brasileiras que vivem do seu próprio trabalho uma conta eticamente insustentável e socialmente injusta.
Ao igualar, por exemplo, as condições dos trabalhadores rurais aos urbanos, homens e mulheres, impondo a aposentadoria com, no mínimo, 65 anos de idade e 25 anos de contribuição, consolida distorções e desigualdades.
Daí a absoluta justeza e o irrecusável dever da resistência popular nas ruas e nas redes. Uma luta de todos os que se batem pelos direitos fundamentais do povo.

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Reforma da Previdência: lutar é preciso!

video
Reforma da Previdência na prática acaba com a aposentadoria dos trabalhadores e favorece os donos do dinheiro. Lutar é preciso! Veja vídeo.

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INFANTILIDADE
- Você leu o texto que lhe enviei?
- Li e discordo.
- Discorde de quê exatamente?
- De tudo, parágrafo por parágrafo! Odeio golpistas. 
- ...
(O texto trata exatamente da denúncia dos golpistas e da resistência ao governo Temer. Claro que a amiga "não leu e não gostou". Tamanha irracionalidade merece mesmo a mais eloquente indiferença.)