21 novembro 2017

Arrogância & presunção

Devagar com o andor que os tempos são outros
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Cá com meus botões e olhar de modesto, porém vivido observador, causa-me espécie ver pretendentes à disputa majoritária no próximo pleito se apresentarem em público ostentando desmedida presunção.

Um, que almeja presidir o país, reedita a velha e frustrada fórmula de deitar sentença sobre como deve o Nordeste, e Pernambuco em particular, percorrer o caminho da recuperação econômica desconsiderando o lastro alcançado no recente impulso de crescimento - quando dos governos Lula-Eduardo Campos - e insinuando indicativos vagos e descolados de nossa realidade.

Como se completar a integração intra-regional, valer-se do grande volume de capital fixo recém-investido, operar a infra-estrutura moderna e, ao mesmo tempo, retornar às políticas de inclusão social produtiva dependendo quase que somente do desempenho da Bolsa de Valores.

É o que Miguel Arraes criticava como enxergar o Brasil com o olhar da Avenida Paulista. 
Muito distante do que somos e do que precisamos ser, sem a menor sensibilidade para a imensa diversidade regional que marca a sociedade brasileira.

De outra parte, na lide local, a proclamação prévia de postulação vitoriosa (sic) ao governo estadual, a quase um ano da peleja, mostra-se risível. Mais do que isso: um traço de prepotência sob todos os títulos em desacordo com o tempo que vivemos.

Subproduto da múltipla crise que o país atravessa, a descrença e a desconfiança em relação às instituições e instâncias político-partidárias, muitas lideranças inclusive, estamos diante de um eleitor agora arredio e, quem sabe, quando sensibilizado e predisposto a exercer a sua cidadania, estará mais atento a uma indispensável coerência entre a palavra e o ato.

Com o se a retórica supostamente aguerrida fosse suficiente para recuperar o estado das consequências da agenda neocolonialista e socialmente regressiva do governo Temer.

Aliás, a presunção da vitória fácil na pele de quem expressa, no conteúdo e na forma, a imagem do atual governo central não passa disso mesmo: presunção.

Sem querer meter o bedelho no terreiro dos outros, para o bem da democracia e em favor do enfrentamento consistente e responsável dos problemas que afligem o Brasil e Pernambuco, bom seria baixar o tom, clarear as ideias e caminhar com mais respeito aos demais contendores. 

Afinal, quem se dispõe a carregar tão frágeis andores não pode desconhecer obstáculos e oponentes, sob pena de tropeçar na primeira esquina.

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Desastre social

Cerca de 30% dos brasileiros com menos de 25 anos estão sem trabalho, pior índice em 27 anos. [Economia não pode seguir sob ditames do mercado financeiro].

20 novembro 2017

Competente e hábil

"Não se combate o crime com jargão de internet"
Folha de S. Paulo, 20.11.17
Confirmada oficialmente neste fim de semana como pré-candidata à Presidência, a deputada estadual Manuela D'Ávila (PC do B-RS), 36, elenca como um dos principais eixos de sua campanha a questão da violência.
Coincidência ou não, tema ligado ao concorrente que gravita no campo político oposto ao seu, Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Ela diz que as propostas do rival se resumem a "jargões de internet". E defende a candidatura de Lula (PT).
Para Manuela, o juiz Sergio Moro o condenou sem "nenhuma prova". Ela lista ainda algumas de suas propostas na economia -elevação do investimento público e controle de juros e câmbio.
*
Folha - O PC do B nunca teve candidato a presidente no atual período democrático, é o 14º partido na Câmara, governa apenas um Estado e terá tempo mínimo na TV. Acha que tem chance de vencer?
Manuela D'Ávila - Acho que sim, sobretudo em um momento de crise política e econômica tão aguda, o que pode fazer com que as pessoas escolham nossa candidatura.
Temos dois grandes centros. O primeiro é a retomada do crescimento econômico. O outro é a ideia da unidade. Vivemos um período em que a ideia de viver em paz é algo tão importante quanto o controle da inflação foi no início da década de 1990.
Não é só viver em segurança, é viver sem todos os tipos de violência, com qualidade na escola. É ter trabalho.
Em caso de vitória, o que faria de diferente em relação aos anos do PT?
O tema da indústria 4.0, por exemplo, é algo diferente. Podemos nesse novo ciclo pensar na indústria de uma outra forma, mais ousada. Tudo que junta emprego de mais qualidade, inovação.
Também trabalharia com mais centralidade o tema da violência urbana e a ideia de que é preciso garantir paz para as pessoas trabalharem, estudarem e pensarem suas vidas.
Participamos daquelas experiências, elas construíram muitas transformações no Brasil e a gente tem orgulho disso. Mas não existe como pensar repetir em 2019 algo que começou em 2002. Tivemos entre 2002 e 2019 dez anos de uma das maiores crises da economia no mundo.
Caso Lula seja condenado em segunda instância, a sra. defende que seja aberta uma exceção para que ele possa se candidatar?
Eu defendo que o presidente Lula receba o tratamento que defendo para todos os brasileiros. Que as pessoas só sejam condenadas quando provas forem apresentadas. Todo o processo de julgamento dele é construído com uma base não sólida. Não há nenhuma prova.
A sra. acha que a sentença do juiz Moro foi equivocada?
Não há provas. Não sei o que vai acontecer lá [na segunda instância] e não gostaria de comentar o futuro. O que acho é que a eleição sem o Lula seria um episódio de agravamento da crise política.
Descarta abandonar a sua candidatura para fazer uma aliança com o PT, como vice?
Não descarto absolutamente nada, em nenhuma dimensão da minha vida. Aprendi que precisamos estar abertos às possibilidades. Isso significa que minha candidatura não é para valer? Não. Minha candidatura foi construída porque acreditamos que temos saídas para o Brasil.
Aceitaria apoio dos que trabalharam pelo impeachment de Dilma?
Em 2018 é o momento de debatermos o futuro do Brasil. Meu partido tem muito claro que ocorreu um golpe em 2016. Não só pelo impeachment, mas porque o programa que venceu as eleições foi rasgado. Mas não podemos viver eternamente amarrados a 2016, o Brasil vive uma crise severa.
Embora diga não ter tratado diretamente com a sra., um dos delatores da Odebrecht diz ter repassado valores para campanhas suas, "de maneira oficial e não oficial". A sra. os solicitou?
Eu recebi oficialmente ajuda dessa empreiteira. Tem oficial e eu que pedi. Era a regra da eleição brasileira.
Ele pediu alguma forma de contrapartida?
Não, tanto que nem está no âmbito da Operação Lava Jato, está no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul. Não teria o que pedir e não pediria.
Pretende ser a candidata antagonista a Jair Bolsonaro?
Todos os candidatos com propostas democráticas para o Brasil e saídas para a crise são antagônicos às candidaturas que não apresentam saídas para a crise. Existem pessoas que tentam aglutinar sentimentos que precisamos superar nas eleições, sobretudo medo e ódio. Fomentar medo e ódio no povo brasileiro não resolverá os problemas que vivemos. Acho que temos outras pautas para tratar no país diferentes das que ele [Bolsonaro] sugere. Eu quero debater segurança pública de verdade. Com reflexões sobre o papel dos policiais, como eles podem ser valorizados, como podemos devolver a legitimidade das polícias para o povo mais pobre, como podemos combater o extermínio de jovens negros. E a gente não vai fazer isso repetindo jargão de internet, né?
A sra. propõe referendos sobre a reforma trabalhista e a proposta que congelou os gastos federais. O Congresso não representou a vontade popular nesses casos?
São matérias relevantes para serem discutidas como foram, sem um mínimo pacto com a população. Não fizeram parte de nenhum programa de governo. Surgiram em um governo sem legitimidade.
Qual será a política econômica de um eventual governo do PC do B?
Queremos discutir juros, câmbio, planos de obras públicas. O Brasil tem a tradição de baixos investimentos privados. Então o investimento público, o Estado como indutor da economia, é algo que historicamente ocorreu nos nossos melhores ciclos econômicos. Juros mais baixos, uma espécie de câmbio controlado. Achamos hoje que os juros e os câmbios não servem ao interesse do povo brasileiro.
A sra. defende alguma mudança na legislação do aborto, trataria de homofobia?
Defendo que o aborto seja tratado como um problema de saúde pública, é a segunda causa de morte materna.
Sobre a homofobia, precisamos criminalizar aquilo que é crime. Mas não acredito que a mera criminalização resolva, precisamos implementar políticas públicas de transformação da cultura.
Mas haverá um embate com a bancada religiosa.
Não acho. Existem representações que são mais radicalizadas do que a base. Acho que o povo evangélico, povo cristão, minha origem é cristã, é um povo que acredita no amor ao próximo.
É o povo que tem como ensinamento máximo a ideia de Cristo com Maria Madalena. Cristo é o homem que acolheu Maria Madalena, o que impediu que as pedras fossem jogadas.
Que lições tira da Revolução Russa?
Como militante do PC do B, a principal lição é a ideia de que não existem modelos para serem seguidos de uma nação para outra.
A Revolução Russa marcou o século passado, é a revolução das artes, da psicologia, dos satélites, pôs
fim ao nazi-fascismo, os russos não jogaram a bomba atômica.
Stálin, os expurgos?
Eu acho sempre algo artificial debater um país sem debater o mundo. Debater o que foi o stalinismo é debater o que foi o nazismo, o que foram Hiroshima e Nagasaki.
Era um mundo de guerras, era um mundo de mortes. E é esse mundo que nós não queremos que volte.
Hoje só cinco países se declaram comunistas. A sra. se espelha em alguns deles?
Eu não me espelho, mas a China hoje é o motor da economia do mundo. Não é espelho, não é modelo, mas acho que temos sempre que buscar referências de transformações positivas.
Mas direitos humanos lá seriam uma referência?
Direitos humanos são um problema do mundo hoje. Como é que vive todo o Oriente Médio sobre as guerras? Como é que tratam os refugiados na Europa?

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Crueza

Fórum Brasileiro de Segurança Pública: negros são 54% da população e 71% das vítimas de homicídio. [Retrato dramático da discriminação racial]. 

17 novembro 2017

Desigualdade

A marca da desigualdade e da discriminação: 63,7% dos 13 milhões de desempregados no Brasil são pretos ou pardos.

16 novembro 2017

Manu na IstoÉ

Manuel D’Ávila: “Não há alternativa fora da política”
Revista IstoÉ, por Octávio Costa

Ao nascer sua filha Laura, a deputada estadual Manuela D’Ávila, da Assembléia gaúcha, comunicou à direção do PCdoB que dedicaria 1000 dias de exclusividade à primogênita. Só assumiria compromissos oficiais vencido esse prazo. Viu-se, porém, forçada a antecipar o fim da quarentena por motivo de força maior. Laura ainda tem dois anos e dois meses, mas Manuela foi convocada por seu partido para disputar a Presidência da República em 2018. Aos 36 anos e 20 de militância, a ex-deputada federal assumiu a missão com muito gosto. “O PCdoB tem grandes nomes e eu me sinto honrada por ter sido a escolhida”. Diante da tendência mundial de se buscar nomes sem vínculos partidários, ela afirma que “é contraditório dizer que alguém fora da política vá resolver a crise brasileira”. Quanto aos comentários de que o PCdoB vai retirar a candidatura própria no caso de o ex-presidente Lula concorrer, Manuela descarta tal decisão: “Minha candidatura tem relação com nossas bandeiras. A unidade com o PT pode se dar no segundo turno”. Pelo visto, a pequena Laura terá de dividir a presença de sua mãe com a campanha à Presidência.
Sua candidatura é para valer mesmo ou é uma tentativa de marcar posição?
O País tem 13 milhões de desempregados, 60 mil pessoas perdem a vida por morte violenta, no trânsito ou por arma de fogo. Seria muita irresponsabilidade lançar uma candidatura só para marcar posição. O PCdoB é um partido com uma história muito longa e de muita responsabilidade. Nós temos 95 anos de vida política. Apenas uma vez pela sigla, lançamos candidatura à Presidência, com o Yedo Fiúza (ex-prefeito de Petrópolis-RJ) em 1945. Não faríamos uma candidatura apenas para marcar posição. Achamos que é o momento de nós apresentarmos saída para a crise.
Não é uma responsabilidade muito grande para a senhora sair como presidente?
Sempre acho as responsabilidades que o meu partido me deu muito grandes. Para qualquer brasileiro ou brasileira, a responsabilidade de ser pré-candidato a presidente é infinitamente grande. Para mim, não é maior
do que para nenhum outro que tenha noção das responsabilidades e dos desafios que é pensar o Brasil e discutir a saída da crise para com o nosso povo.
Por que escolheram o seu nome já que o partido tem quadros históricos?
Eu tenho 20 anos de militância no partido e acredito que nossa direção avaliou todos os nossos nomes. Tínhamos muitos outros nomes com qualidade política: como é o caso de Jandira Feghali (deputada federal) e da senadora Vanessa (Grazziotin). O próprio governador do Maranhão, Flávio Dino, poderia ser um nome natural. Mas achamos que o desafio dele no Estado é muito grande e pedimos para que ele não concorresse à eleição. A direção do partido, então, chegou à conclusão de que eu aglutinaria as melhores condições nesse momento. Para mim, é motivo de muita honra.
Qual é a principal bandeira da sua campanha?
O centro do debate da eleição deve ser as saídas para a crise e a construção de uma unidade da nação, que nós chamamos de frente ampla e popular, para unir o país, nosso povo, em torno de saídas para a crise. Acreditamos que é importante que o país debata a retomada do seu crescimento. Qual o papel do Estado na retomada desse crescimento. Defendemos também o debate profundo sobre medidas que Temer tomou e que prejudicam as cadeias produtivas mais dinâmicas do Brasil e a indústria nacional, como é o caso da TJLP (taxa de juros de longo prazo) e das operações no BNDES. Esse debate tem muito a ver com a nossa juventude. A gente tem uma leva de jovens brasileiros que acaba deixando o País pelo processo de desindustrialização. Queremos debater como nós vamos fazer para encontrar saídas enquanto nação.
Num programa recente, o PCdoB deu muita ênfase à questão do capital estrangeiro. Fez lembrar as músicas da UNE com menção ao “entreguismo”. A senhora acha que esse é um ponto importante?
Quando falamos sobre a revogação dessas medidas de Temer, a gente discute justamente isso: o que o Temer tem feito com a economia brasileira. Como essas saídas vão reforçar a nação, garantir a nossa soberania e desenvolvimento? Não existe nação desenvolvida sem soberania e sem indústria. É preciso investir nas nossas indústrias.
A senhora deve ser a candidata mais jovem. Acha que isso pode atrair o apoio dos jovens a sua candidatura?
Como a política brasileira é composta por gente muito acima da minha idade, parece que estou sempre jovem. Acho que os jovens brasileiros têm preocupação em qual país eles vão viver. A eleição não pode ser um espaço de acirramento de crise, mas um espaço de construção e soluções. Os jovens terão interesse em discutir isso porque nós também temos essa preocupação.
Ao mesmo tempo, fala-se muito da tendência de buscar um nome novo para a política, o que faz surgirem nomes fora da política, como o do apresentador Luciano Huck. A senhora acha que isso pode prejudicar sua campanha?
Todos esses nomes merecem respeito. Mas a gente precisa entender que não existem nomes por fora da política. O problema do Brasil é político. Não vai se resolver essa crise por fora da política. É contraditório dizer que alguém fora da política vá resolver a crise brasileira. Essa pessoa não vai se sentar com os presidentes de outros países? Não vai se sentar com setores econômicos do nosso país? Isso é fazer política.
O PCdoB tem 95 anos e, além disso, é um partido marxista. Isso não conflita com a atual tendência de se buscar nomes novos na política?
Eu acho que nós somos o novo. A crise que estamos vivendo é a crise do capitalismo, esse sistema que tem
levados milhares de jovens brasileiros à morte, por causas violentas, que se mantém a partir da desigualdade social.
A senhora é marxista?
Eu sou. Se não fosse, não seria filiada ao PCdoB desde os meus 16 anos.
A Revolução Russa nesse cenário ainda serve de exemplo para sua militância política?
Marcou esse século. Óbvio que nos inspira. Mas os erros do processo da revolução também nos ensinam. Tem gente que não aprende com os erros. Sobretudo, aqueles que tentam repetir as saídas para a crise iguais as de 1929. Não há modelo de socialismo de um país para o outro. Foi isso que aprendemos com a Revolução Russa.
Se o ex-presidente Lula tiver a candidatura confirmada, a senhora vai continuar com a sua?
Nossa candidatura não tem relação com os debates dos outros partidos. Ela é fruto da relação com as nossas bandeiras: dos problemas que nós identificamos no Brasil e das soluções que nós acreditamos serem possíveis para o país. A não participação de Lula no processo eleitoral seria o símbolo do agravamento da crise institucional. Essa unidade com o PT pode se dar num segundo turno das eleições.
Mas essa decisão não seria da senhora. Seria da direção do partido?
Todas as decisões nossas são do partido. Como aconteceu na minha candidatura. Fazemos as coisas de forma coletiva. Isso é o mais adequado: que as pessoas não se julguem salvadoras da pátria. Não sou uma candidata de mim.
A senhora afirmou que não admitiria ser vice do Lula. Por quê?
Não falei isso. Falei que sou candidata a presidente. Ninguém se lança candidato a presidente, com o seu programa, para ser vice.
Existe um fato novo nessa eleição que é um candidato assumidamente de direita, com posições que batem de frente com o pensamento da esquerda, que é o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Como a senhora avalia a candidatura dele?
Na verdade, ele bate de frente com as ideias de uma direita liberal. Representa um tipo de direita que é ultraconservadora e que beira o fascismo. Muitas vezes, se manifesta dessa forma. Ele fere tudo que nós conquistamos de positivo, do respeito às instituições, do reforço aos direitos individuais. O mais grave nisso é a ideia de que a crise não tem uma saída e que precisa ser acirrada. Isso que ele estimula na sociedade.
A senhora acha que a candidatura dele não prospera?
Eu acho que, na hora que começarmos a fazer um debate sobre o Brasil, as pessoas perceberão que ele é uma antítese da esperança que nós precisamos ter para a construção de um Brasil melhor. Ele é o agravamento da crise.
E quanto aos tucanos, que são tradicionais adversários, sempre no segundo turno contra o PT, a senhora acha que pode ocorrer novamente esse enfrentamento?
É uma eleição absolutamente aberta. Não me precipitaria em fazer uma análise sobre esse bolo todo de uma eleição que ainda não tem nem o seu primeiro turno consumido, com todas as peças.
Os candidatos principais do PSDB, que são o prefeito João Dória e governador Geraldo Alckmin, têm a
vantagem de sair de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país…
Eles nem se acertaram entre eles. Como é que a gente vai falar sobre a candidatura deles?
A senhora tinha largado Brasília dizendo que queria voltar a sua terra. Como é que se explica sua entrada numa disputa acirradíssima e que envolve a possibilidade de voltar à capital federal?
Adoro ser deputada estadual. Voltei para cá porque tenho compromisso com meu estado, que vive uma situação econômica bastante difícil. Não concorri à prefeita e nem para deputada federal porque minha filha tinha seis meses de vida. Eu achava que aquilo seria errado para o que eu acredito sobre a maternidade. A minha filha agora tem dois anos e dois meses. Ela já conversa. Ontem (quinta-feira 8), quando eu fui a Brasília, ela me mandou um vídeo dizendo: ‘a mamãe tá num trabalho grande’. Quase se passaram os meus 1000 primeiros dias (de exclusividade à primogênita). Como, por duas vezes, eles foram acolhedores com as minhas decisões pessoais, eu também achei que era o momento de eu ouvir o debate que eles estavam fazendo sobre o meu nome com tranquilidade.
Como a senhora pretende lidar com a questão do machismo?
A gente não lida. A gente enfrenta o machismo. O tempo inteiro, nós vivemos com isso. Não tenho orgulho de dizer isso, mas eu me tornei alguém forte para lidar com o machismo porque eu tenho mandato desde os 22 anos.

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Com a cara de nossa gente

PCdoB indispensável
Luciano Siqueira, no Vermelho e no Blog do Renato

Ariano Suassuna dizia que quando ouvia alguém negar a distinção entre direita e esquerda, logo reconhecia no declarante um ex-militante de esquerda.

Observação semelhante cabe a respeito de quem afirma que partido político da natureza do PCdoB já não é necessário, seu tempo histórico findou.

Partindo de quadro político tarimbado, de prolongada militância, vai nessa falsa assertiva a negação da perspectiva revolucionária, acomodamento ao status quo (visto como modificável apenas parcialmente) e opção por projeto de natureza individualista, de curto descortino. 

Mas o fato é que nas novas e complexas condições da luta emancipadora, mais do que nunca é necessário um partido assentado na teoria marxista-leninista, movido pelo ideal socialista, ousado no esforço de elucidar os fenômenos atuais — sem esquemas rígidos ou dogmatismo — e determinado a recriar alternativas e formas de luta. 

Mais do que necessário, imprescindível.

É sob essa aura que o Partido Comunista do Brasil realiza o seu 14° Congresso no próximo fim de semana, em Brasília. 

Ainda limitado em sua força organizativa, é verdade, porém teórica e politicamente amadurecido e apto a encarar, nas circunstâncias brasileiras, a nova luta pelo socialismo.

Reafirma princípios e se renova para dar conta das transformações que se operam em sua base social — o proletariado — sob a quarta revolução industrial.

Reúne sustança programática e experiência tática.

Transfere gradativamente seu comando dirigente, com êxito, às novas gerações de quadros.

Comparece ao concerto político nacional – onde sustenta maduras e mutuamente respeitosas relações com todo o espectro partidário e goza de reconhecimento e prestígio - com pré-candidatura própria à presidência da República — uma mulher jovem, cativante e ao mesmo tempo competente, preparada, corajosa e hábil, a deputada Manuela D’Avila.

O projeto de resolução posto a debate neste 14° Congresso diferencia o PCdoB na cena nacional por apresentar análise ampla, circunstanciada e consistente - dos governos Lula-Dilma e do golpe parlamentar-judiciário ao momento atual. E indica elementos essenciais de uma plataforma capaz de unir amplas forças sociais e políticas, tendo como fio condutor a restauração do Estado nacional como indutor do desenvolvimento.

Também diferencia o PCdoB o elevado grau de unidade, fruto de um persistente exercício democrático interno que lhe permite mover toda a inteligência militante coletiva.

Assim, ao contrário de obsoleto ou historicamente ultrapassado, o PCdoB segue adiante como velho, experiente, moderno e renovado partido — com o jeito de nossa gente e a cara do socialismo.

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O prazer da fotografia

Cena urbana: Pão de Açúcar visto de Niterói (Foto: LS) #cenaurbana#riodejaneiro #lucianosiqueira 

Como assim?

- “O contrabaixo serve para marcar o ritmo e preencher os vazios”, explica o músico amigo.
- Inclusive os vazios da alma?
#dialogospertinentes

15 novembro 2017

Qualificar o debate

Para além da arenga e da dispersão
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo

Analistas mais argutos têm indicado que a cena brasileira, hoje, se assenta na tríade imprevisibilidade, instabilidade e incerteza. Há que se acrescentar a dispersão.

Sim, porque tanto no lado governista (ou beneficiário da agenda Temer), quanto na oposição não se vê nenhum movimento consistente de aglutinação. Prevalece a dispersão.

A se manter atual situação, ou seja, a continuidade do governo Temer — a despeito de sua recorde impopularidade e frágil sustentabilidade — em menos de doze meses teremos um novo pleito presidencial e sequer as forças que assaltaram o poder se vêem intimamente coesas.

Anteontem, numa solenidade no Rio de Janeiro, Temer assinalou em discurso a “estabilidade” do seu ministério. Poucas horas depois, o ministro das Cidades lhe apresentou o pedido de exoneração (arguindo falta de apoio do seu partido, o PSDB) e, à noite, o próprio presidente anunciou ampla reforma ministerial a ser feita em curtíssimo prazo!

Prova maior de instabilidade não há.

Demais, mesmo com a ajuda da grande mídia (de há muito uma espécie de partido político informal), partidos governistas encontram enorme dificuldade em formular um projeto eleitoral comum.

Os dois maiores, PSDB e PMDB, se esgarçam na esteira de divergências internas.

No campo oposto, correntes políticas, movimentos sociais e segmentos influentes da sociedade ainda vivem a sua fase preliminar da resistência. Nos próximos meses certamente o debate caminhará na direção de plataformas de luta e, quiçá, se venha a construir um rol de proposições convergentes capaz de unir amplas forças.

As pré-candidaturas presidenciais de Lula (PT), Ciro (PDT) e Manuela (PCdoB) podem contribuir nessa direção, pois ostentam a um só tempo discrepâncias, no que tange à saída para a crise — tendo a real dimensão do papel do Estado como um dos pontos essenciais — e possibilidades unificadoras.

O fato é que a dispersão total em nada contribui para a solução dos problemas do país. Nem para clarear a compreensão dos eleitores.

Teremos eleições gerais melhor equacionadas se as ideias assumirem o centro da disputa, para além das arengas e do denunciamos mútuo.


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Palavra de Manuela

O Brasil é muito maior que o medo e o ódio, diz Manuela D’Ávila
Mais votada nas eleições parlamentares que disputou, deputada gaúcha afirma que candidatura ao Planalto pelo PCdoB busca saída para a crise sem radicalismos.
Por Paula Sperb, revistaVeja 
O ano de 2018 vai ser decisivo tanto para o Brasil, que terá eleição após sucessivos escândalos de corrupção de sua classe política, quanto para Manuela D´Ávila, que anunciou que vai concorrer à Presidência da República pelo PCdoB após ter sido a parlamentar mais votada pelos gaúchos em todas as eleições que disputou – iniciou-se na carreira aos 23 anos. Agora, aos 36, ela deverá ser a primeira do seu partido a pleitear o comando do país desde a redemocratização. “O PCdoB tem 95 anos. A nossa história é a prova de que não lançamos candidatura para causar”, disse em entrevista exclusiva a VEJA no seu gabinete de deputada estadual, em Porto Alegre, em resposta a quem acha que o lançamento de seu nome é apenas uma estratégia para marcar território – o PT, diz, pode ser um aliado, mas apenas no segundo turno na eleição.
Formada em jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), casada com o músico Duda Leindecker e mãe de Laura, de 2 anos e três meses, Manuela se apresenta como uma alternativa para o eleitor atingido pela crise econômica, mas não recorre a discursos radicais. “O medo e o ódio não são propostas para sair da crise que o Brasil vive”, disse, fazendo referência a um provável adversário na disputa, o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Para ela, uma candidatura de extrema direita como a dele serve para impulsionar uma alternativa de centro. “O Alckmin, por exemplo, não é um candidato de centro, mas, diante do Bolsonaro, ele pode parecer”, disse.
Em 2016, uma foto da senhora amamentando a filha Laura na Assembleia repercutiu no Brasil inteiro. Por quê?
Decidi amamentá-la exclusivamente até os 6 meses. Era um dia normal na Comissão de Direitos Humanos e ela começou a chorar, chorar, e eu estava no meio da fala. Fiz o que todas as mães fazem:
resolvi o problema dela. Amamentar não era um ato político. A repercussão dessa foto fez com que eu tivesse a dimensão de como o ato de amamentar é um tabu na nossa sociedade, que objetifica o corpo das mulheres. Cumprir a orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é algo visto como um absurdo, um erro.
A senhora sempre atuou pelo direito das mulheres. Depois do nascimento de Laura, a perspectiva mudou?
Eu consegui muito mais conectar o tema da mulher com o tema do Brasil. Porque a maternidade torna muito visível o que é um Estado não adequado às mulheres. O que representa um Estado pequeno e a ausência de creches, de escola em turno integral, para uma mãe trabalhadora? O Brasil é um país muito violento com as mulheres. Pautas como salário inferior [ao dos homens] e assédio sempre fizeram parte da minha rotina de parlamentar. Mas talvez eu tenha compreendido o peso da maternidade na situação que a mulher vive no Brasil.
A primeira-dama, Marcela Temer, é embaixadora do programa Criança Feliz. O que acha do programa? O papel da mulher ainda é o de primeira-dama?
A ideia é boa, inspirada no Primeira Infância Melhor [do Rio Grande do Sul], mas não existe investimento para ele, é só uma jogada publicitária. Então, na realidade, dizer que vai investir nas nossas crianças congelando o investimento em políticas sociais por vinte anos [PEC dos Gastos] é uma falácia. Sobre ser primeira-dama, quando a gente debate que “lugar da mulher é onde ela quiser”, é para fazer com que as mulheres saibam que podem estar em qualquer lugar. Não é que não possam se sentir bem no espaço de primeira-dama. É que queremos mostrar que podem estar em outros espaços também.
Seu gabinete desenvolveu e distribuiu o “machistômetro”, um termômetro que indica atitudes machistas e orienta mulheres. Esperava os ataques que recebeu na internet?
A gente fez o machistômetro como apoio para os debates sobre violência contra mulher. Ele era bastante simples, mas acabou gerando muito impacto. Essa onda de ódio na internet acontece
sistematicamente, não só com o tema das mulheres. Existem candidaturas que têm tentado organizar e potencializar o ódio e o medo.
Por que a senhora faz vários vídeos para o Facebook respondendo a comentários nas redes sociais?
Há pessoas que não percebem como o ódio é um instrumento político e pode sair das redes sociais para as ruas. Esses vídeos são feitos com o esforço de mostrar que é possível construir diálogos e soluções.
Essa onda de ódio na internet acontece sistematicamente, não só com o tema das mulheres. Existem candidaturas que têm tentado organizar e potencializar o ódio e o medo (…) Há pessoas que não percebem como o ódio é um instrumento político e pode sair das redes sociais para as ruas.
Quando anunciou a candidatura à Presidência, a senhora disse que eleição é seu “elixir da juventude”. Por quê?
Quando me candidato, falam: “Ela é muito nova”. Quando é que eu vou ficar velha? Este é meu quarto mandato e minha sétima eleição, e continuo eternamente jovem. Por isso, a eleição é meu elixir, nunca envelheço perante os olhos dos críticos. Fui eleita pela primeira vez quando tinha 23 anos. Agora tenho 36. É praticamente a idade do presidente da França [Emanuel Macron, 39 anos], basicamente a mesma idade do primeiro-ministro do Canadá [Justin Trudeau, 45 anos], da prefeita de Roma [Virginia Raggi, 39 anos].
Em 2011, a senhora presidia a Comissão de Direitos Humanos da Câmara e pediu a saída de Bolsonaro do grupo. Em 2018, vão disputar o mesmo cargo. Conhece bem seu adversário? 
O Bolsonaro tem feito um esforço para aglutinar o ódio e o medo. Quando falei [no anúncio de sua candidatura] que o bom-senso da população é o principal adversário do Bolsonaro, é porque o medo e o ódio não são propostas para sair da crise que o Brasil vive. Fui colega dele por oito anos e sei que foi um parlamentar invisível. Ele não tem propostas sequer para as áreas nas quais estimula o ódio. Qual é a proposta dele para a segurança pública?
Quando me candidato, falam: ‘Ela é muito nova’. Quando é que eu vou ficar velha? Este é meu quarto mandato e minha sétima eleição, e continuo eternamente jovem. Por isso, a eleição é meu elixir, nunca envelheço perante os olhos dos críticos.
Mas Bolsonaro é um risco?
Ele é usado como alternativa de extrema direita para que que uma eventual candidatura de centro cresça, mas sem ser de centro. O Alckmin, por exemplo, não é um candidato de centro, mas, diante do Bolsonaro, ele pode parecer. Por isso precisamos debater ideias. Para que aqueles que defendem o fim do Estado não se passem por alternativas centristas, que não são.
Como a senhora se tornou candidata à Presidência? É a primeira candidatura majoritária do PCdoB desde a redemocratização.
No decorrer da construção do Congresso Nacional do partido [marcado para 17 e 19 de novembro], avaliamos que a melhor forma de apresentar as saídas que a gente interpreta como as melhores para a crise do Brasil seria lançando essa pré-candidatura. Foi um processo de uns seis meses da direção do partido comigo, de conversas, de diálogo.
A crise é grave, tanto econômica como política. Quais são suas principais propostas?
O tema central é a política econômica, retomar o crescimento. Politicamente, a candidatura defende uma frente ampla, que é a ideia de reunir setores maiores da sociedade. Como a gente faz para o Brasil entrar nesse período da revolução 4.0, da tecnologia, da quarta Revolução Industrial? Precisamos entender qual é o papel do Estado na indução desse crescimento. Precisamos saber qual é o Estado que servirá melhor o povo. De forma mais eficiente? Claro. Mas o debate sobre o Estado não é uma mera discussão sobre gestão. A gestão é fundamental, o Estado tem que funcionar, ser harmônico e ter menos burocracia. Mas a gente não pode fazer com que esse debate pareça que é o debate que vai resolver o problema da retomada do crescimento do Brasil. A gente está discutindo emprego. Melhorar gestão não necessariamente gera emprego.
Quais são as medidas efetivas para melhorar esse desempenho da indústria nacional?
Vou dar um exemplo das medidas [prejudiciais] do Temer, que é a alteração da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) [mudança de taxa subsidiada para taxa de mercado]. Defendemos um referendo revogatório da alteração porque sem a TJLP a gente jamais vai ter emprego de qualidade no Brasil. Porque todos os países têm banco de desenvolvimento com taxa de juro de longo prazo para favorecer a indústria própria e de inovação, que geram empregos. A mesma coisa com os juros e câmbio. A economia brasileira tem que estar a serviço do povo brasileiro. Como a gente tem taxas de juro tão altas se elas não servem para a indústria nacional, para gerar competitividade? Como a gente tem um câmbio que não serve para a indústria brasileira?
Há uma crise no Congresso, com parte significativa dos deputados investigada. Se for eleita, como conseguirá negociar com os parlamentares para ter governabilidade?
O Congresso também vai ser eleito em 2018. É preciso fazer esse debate com a sociedade: quais os compromissos dos parlamentares que serão eleitos? Acredito muito no debate com a população e com
o Congresso. Cito o exemplo dos 10% do pré-sal para a educação. Era um grande pacto para o futuro do país, que foi destruído agora. Mas naquela ocasião o Congresso votou a favor por causa do debate popular. Acredito nessa equação.
A senhora já disputou eleições, como a municipal em Porto Alegre, contra candidatos do PT. Como é ter o PT adversário?
Nunca tive o PT como adversário. Nossas candidaturas sempre tentaram colocar os problemas das pessoas e da cidade no centro. Isso faz com que você enxergue os outros partidos de uma forma diferente. Tenho bastante tranquilidade com isso. Nós e o PT temos uma relação fraterna, mas somos partidos diferentes. É natural que tenhamos candidaturas diferentes e que nos encontremos, na frente, em eleições de dois turnos.
Gleisi Hoffman, presidente nacional do PT, elogiou a senhora na semana passada, em Porto Alegre, mas disse que o partido não desistiu de uma aliança com o PCdoB. A sua candidatura é só para tentar ocupar o cargo de vice?
O PCdoB tem 95 anos. A nossa história é a prova de que não lançamos candidatura para causar. Se fosse para causar, poderíamos ter lançado candidatura em todas as eleições e depois retirado. Lançamos a candidatura porque 2018 é o momento de discutir o futuro do Brasil, e não o passado. A gente tem uma caracterização política muito firme. Em 2016 houve uma ruptura, um golpe parlamentar e, a partir disso, se abre um novo ciclo. Temos uma interpretação muito parecida com a do PT sobre o passado. Mas as saídas para a crise nós temos as nossas e eles têm as deles. Sim, a gente acredita que vai se encontrar no futuro. Mas achamos que esse futuro é o segundo turno das eleições.
Quando anunciou sua candidatura, a senhora disse que a participação do ex-presidente Lula na eleição do ano que vem é importante. Por quê?
Eleição é momento de superação da crise, não de agravamento dela. Em uma eleição em que o Lula estivesse impedido de concorrer, a crise estaria agravada.
Mas a senhora acha que o Lula não cometeu crime, como aponta a Lava Jato?
Eu não sou juíza, mas, se ele cometeu crimes, é preciso que haja provas. O Lula e qualquer brasileiro têm que ser julgados pela lei, é isso que garante a democracia e a existência das nossas instituições. Enquanto não apresentarem uma prova de que ele cometeu crime, ele não cometeu crime. É assim com ele e deve ser assim como todos.
E o que pensa da Lava Jato e da atuação do juiz Sergio Moro?
A operação surgiu com o bonito interesse de combater a corrupção no Brasil, só que ela virou uma operação absolutamente política. Basta ver o que acontece hoje em Brasília, os desfechos e o entorno do presidente Temer.
Eleição é momento de superação da crise, não de agravamento dela. Em uma eleição em que o Lula estivesse impedido de concorrer, a crise estaria agravada.
No início deste ano, um delator, Alexandrino Alencar, da Odebrecht, chegou a citar a senhora na Lava Jato. Como foi sua reação? Isso avançou na Justiça?
Qualquer pessoa honesta se sentiria mal de ser citada por alguém naquela circunstância. Inclusive, citada de forma triangulada, não me menciona diretamente. O caso está fora da Lava Jato e está no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, não avançou ainda. Foi direto ao TRE por estar ligado à eleição, e não a outro tipo de crime. Ele me mencionou de forma equivocada. Fala coisas que não são verdadeiras, como eu ter recebido valor em caixa dois. Na verdade, eu recebi em caixa um, está registrado. Todas as doações da minha campanha foram legais. A prova maior é que ele diz que não se encontrou comigo. Qualquer pessoa honesta se sentiria mal de ver seu nome [envolvido] porque é uma injustiça. Mas, o.k., a Justiça vai comprovar isso.
A senhora é a favor da legalização das drogas?
É preciso discutir o tema na perspectiva proposta pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), unindo a sociedade para debater números, e não achismos. Quantos jovens morrem, qual é a situação da segurança, qual o resultado concreto. Os números mostram que a violência aumentou a partir de uma política de guerra às drogas. O Brasil pode fazer esse debate, vinculando inclusive a tributação das drogas a campanhas educativas de prevenção do consumo de todas as drogas. O Brasil subestima o consumo de drogas lícitas.
Alguns grupos, como o MBL (Movimento Brasil Livre) usam o termo “comunista” como xingamento. Por que isso acontece?
Por ignorância, por não saberem o que representamos. Somos aqueles que defendem a ideia do comum, de que é possível viver em uma sociedade com acesso ao básico.
Como seria uma Presidência comunista no Brasil?
Nosso projeto é de desenvolvimento com crescimento da economia a partir da indústria nacional, que significa emprego de qualidade com direitos sociais. As pessoas olham para outros países e buscam viver como as pessoas de lá vivem. Só que elas não enxergam que essa vida de andar tranquilo na rua, de poder ter o filho matriculado em escola pública, como é na Europa, tem por trás um projeto de país. “Quero viver como o inglês, que tem transporte público, mas sou contra o Estado.” Não combina. É preciso saber que aquilo existe a partir de um projeto de nação, que serve para Inglaterra, Holanda ou França. Qual é o nosso projeto? O governo do PCdoB será um governo amplo, que reúna setores, dialoga e constrói saídas que passam pela ideia de que é possível fazer do Brasil um grande país. Acredito nisso. O Brasil é muito maior do que o medo e o ódio que tentam plantar nos nossos corações.

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Brasil hoje


14 novembro 2017

Divergência

Base governista rejeita critério de reforma ministerial proposta por Temer. [No lamaçal ninguém confia em ninguém].

Lá e cá

Variável regional das eleições gerais
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Na grande mídia multiplicam-se comentários de “analistas“ surpreendentemente perplexos com o que chamam de um “fator novo” a complicar as relações entre Michel Temer e a sua base de apoio na Câmara e no Senado.

Inclusive agravaria as dificuldades já existentes quanto à tramitação da reforma previdenciária.

A “novidade”, entretanto, é muito antiga: alianças regionais discrepantes das composições nacionais, agora e em futuro próximo, relativas ao posicionamento de cada corrente política diante do governo central e o jogo de forças em plano local, mirando governos estaduais.

Nenhum motivo para surpresa nem perplexidade. Eleições gerais nunca foram verticalizadas no Brasil, coalizões em torno de candidaturas à presidência da República diferem das celebradas nos estados.

Até em eleição “solteira“, como em 1989. Por exemplo, o maior partido de oposição de então, o PMDB, não marchou unido em torno da candidatura de Ulysses Guimarães. Pelo Brasil afora se dispersou em torno de outras postulações, sobretudo do candidato vitorioso Fernando Collor.
Assim, noticia-se que em alguns estados importantes há conversações entre o PT e o PMDB, que admitem alianças no pleito vindouro.

A leitura simplista desse fato sugere algo formalmente impossível, porém perfeitamente viável na prática. Tanto que Lula, em seu jeito fácil de comunicar, declarou recentemente que perdoaria golpistas e com eles poderia marchar olhando para o futuro do Brasil.

(Aliás, uma postura tática correta, livre de sectarismo e de armadilhas mecanicistas).
Tudo a ver com a complexidade da sociedade brasileira, especialmente a enorme diversidade regional do ponto de vista econômico cultural social e político.

Também reflexo da própria legislação eleitoral, que absorve essa realidade.

Tivéssemos partidos programáticos e regras que induzissem o eleitor a identificar partidos e programas ao invés de simplesmente escolher indivíduos — como o voto em listas preordenadas para cargos legislativos, por exemplo —, teríamos uma mínima harmonia entre alianças nacionais e locais.

Ao largo dessa percepção da realidade, cabe tudo — inclusive manifestações de estreiteza e intolerância, pondo a segundo plano as razões de conteúdo.

Que Temer tenha suas dificuldades políticas agravadas em si é algo positivo, no sentido de dificultar o incremento de sua agenda antinacional e regressiva de direitos.

Mas estranhar o jogo de forças furta-cor que antecede o próximo pleito não passa de ingenuidade ou de mero desconhecimento da vida política brasileira.


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Crise

Troca de ministros é natural em qualquer governo. Mas com Michel Temer é expressão de permanente instabilidade e do conflito entre o “centrão” e os tucanos.

Regressão de direitos

Reforma trabalhista – o Brasil de volta ao passado
Editorial do portal Vermelho

Os brasileiros rejeitam o ocupante do Palácio do Planalto, Michel Temer, como nunca haviam antes rejeitado outro mandatário.

Os brasileiros têm razão. Estão na raiz de seu descontentamento as sucessivas traições que Temer cometeu – primeiro, contra a presidenta Dilma Rousseff, ao protagonizar o golpe que roubou o poder que o povo havia conferido a ela em eleições legítimas e legais.

A lista de traições aumentou desde que ele ocupou o governo, levado pelo golpe. Cortou recursos que a Constituição destinou à saúde, educação, ao investimento público. Tenta cortar o direito dos trabalhadores à aposentadoria. Tenta reimplantar o trabalho escravo. Fez aprovar a contrarreforma trabalhista, que rasgou a CLT e empurrou o Brasil de volta ao passado, aos tempos em que os trabalhadores ficavam sob a ganância e as arbitrariedades patronais.

As pesquisas mostram uma rejeição ao ilegítimo Michel Temer superior a 85%, e apenas 3% o apoiam. Revelam também igual condenação aos parlamentares que aprovaram a contrarreforma trabalhista que entra vigor neste sábado (11): 79% (isto é, oito em cada dez) declaram que não votarão novamente nos parlamentares que, em 11 de julho passado, traíram o povo e jogaram a CLT na lata do lixo, com enormes prejuízos para os trabalhadores. Os brasileiros não se deixam enganar – uma pesquisa recente, da Vox Populi/CUT, mostra que dois terços dos entrevistados (67%) sabem que a “reforma” trabalhista só favorece os patrões e corta direitos dos trabalhadores, duramente conquistados em lutas históricas ocorridas ao longo de décadas.

A entrada em vigor da decisão que eliminou a CLT – uma temeridade que nem mesmo os militares da ditadura de 1964 cometeram – deve levantar o Brasil contra Temer e as novas regras draconianas e contra os trabalhadores. Nesta sexta feira (10) ocorreram manifestações contrárias em todas as unidades da Federação, em todas as capitais de Estado e inúmeras cidades. Surgiu inclusive a proposta de uma greve geral, caso o governo usurpador leve adiante sua pretensão de impor a contra reforma da Previdência. O Brasil se levantou e demonstrou sua indignação contra as contra-reformas de Michel Temer, dos golpistas e da direita ultra liberal.

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Preconceito?

Ilustrando matéria com o senador Cristóvam, Estadão põe fotos de possíveis candidatos à presidência da República e exclue Manuela. Por que?

Nociva

“Por que a reforma trabalhista é tão impopular”, pergunta colunista da Folha de S. Paulo. [Porque suprime direitos dia trabalhadores, ora!] 

Que trilhos?

“O Brasil voltou aos trilhos” escreve Temer no Estadão. [Aos trilhos do entreguismo e da supressão dos direitos do povo].

13 novembro 2017

Discriminação

Negros ganham metade da renda de brancos e, pelos padrões atuais, igualdade levaria mais de 70 anos, diz pesquisa. Ou seja: é preciso lutar agora. Decididamente.

Rebu

Temer fará reforma ministerial para reforçar “centrão” e excluir PSDB? Pode ser. Mas não impedirá novas fissuras no lamaçal.

Sujeira

Vamos sair do governo pela porta da frente, como entramos, diz Aécio. [E com as mãos sujas de lama.]

Contraste

Folha: “Henrique Meirelles tem a preferência do mercado em eventual candidatura”. [Difícil vai ser conquistar o apoio do povo].