19 julho 2018

PCdoB+PT


Luciana em reunião com PT: "Nossa estratégia é vencer as eleições"

Portal Vermelho, Dayane Santos


A presidenta nacional do PCdoB, deputada Luciana Santos, o vice-presidente, Walter Sorrentino, o presidente da Fundação Mauricio Grabois, Renato Rabelo, e o deputado federal Orlando Silva (SP) estiveram reunidos nesta terça-feira (17), na sede do partido em São Paulo, com a presidente nacional do PT, a senadora Gleisi Hoffman, o também senador Lindberg Farias (RJ), os deputados Paulo Teixeira (SP) e José Guimarães (CE), e Sergio Gabrielli.

Na conversa, que tratou sobre o processo eleitoral e as possibilidades de aliança nacional e nos estados das duas legendas, Gleisi Hoffman manifestou o desejo do PT em construir formalmente uma aliança para as eleições de outubro.

“Nós viemos aqui reiterar a nossa vontade de caminharmos conjuntamente. De que o PCdoB possa estar, dentro da estratégia deles de unidade, caminhando conosco nacionalmente, seja através de um programa construído conjuntamente, pois temos muita unidade programática, mas também das alianças estaduais, que são muito fortes”, enfatizou a presidenta do PT.

A presidenta Luciana Santos, por sua vez, disse que o partido tem como centro de sua estratégia a vitória nas eleições e que a unidade do campo progressista e de esquerda é fundamental para atingir esse objetivo, por isso o diálogo.

“Para o PCdoB, o centro da nossa estratégia é vencer as eleições no Brasil pela quinta vez consecutiva. Achamos que, apesar da ofensiva da direita, é possível nós ganharmos as eleições. E para isso defendemos a unidade, uma estratégia comum”, reforçou.

Luciana disse ainda que na reunião, o PCdoB reafirmou alguns compromissos programáticos e os dois partidos trataram das alianças nos estados “numa perspectiva superar os impasses e otimizar as potencialidades de competitividade” para eleger um número expressivo de parlamentares federais.
“Tanto do PCdoB como do PT, em qualquer que seja a circunstância, isso é fundamental. Seja para a governabilidade ou para fazer a luta de resistência, se for o caso”, frisou.

Manuela d'Ávila - Gleisi reafirmou o respeito que o PT tem à pré-candidatura de Manuela d’Ávila e o “papel que ela cumpre, inclusive na mobilização de setores importantes da sociedade”, como a juventude. Ao ser questionada sobre as especulações sobre uma possível aliança, tendo Manuela como vice, Gleisi disse que seria uma articulação vista com “muita simpatia”.

“Temos muita simpatia por Manuela e por esse arranjo de tê-la na vice. Obviamente que isso não é uma decisão que se toma de momento, pois depende de uma discussão no PCdoB, já que essa é uma candidatura construída nas instâncias partidárias e também nas instâncias que o PT tem internamente e com outros partidos”, frisou a senadora.

Luciana declarou que o debate sobre a possibilidade de Manuela ser vice “não está posto hoje”. “Sempre dissemos que não somos óbice para qualquer tipo de unidade. Nós defendemos que o nosso campo possa caminhar junto. Não acontecendo isso, temos a candidatura de Manuela. Estabelecer convergências e caminhos comuns, entendendo que o PT tem a candidatura de Lula e o PCdoB tem a candidatura de Manuela D’Ávila, que está nesta cena procurando debater saídas para a crise”, disse.
Segundo Gleisi, o momento é de muita conversa e o PT ainda mantém o diálogo com o PSB e com o PR. “Essas conversas ainda não terminaram. As tratativas nem as conversas terminaram. Temos um tempo de maturação. A nossa decisão não será agora, embora a gente tenha uma reunião amanhã da executiva. A nossa decisão vai ser no início de agosto”, disse. 

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Dando o que não lhe pertence

Alckmin diz que, se eleito, deixará com a Petrobras tudo que é relacionado a prospecção, pesquisa, retirada de petróleo e gás. As etapas seguintes seriam privatizadas (distribuição e transmissão). [DNA entreguista, sem dúvida!]

Cuidado: frágil

Se um candidato bem situado nas pesquisas não consegue uma legenda disposta a indicar seu vice, ou não se acredita em pesquisas ou se prevê uma tendência de queda das intenções de voto nele.

Dispersão


Se só tem tu, vai tu mesmo
Luciano Siqueira, no portal Vermelho

A quarenta dias das convenções partidárias, permanece a dispersão de forças — nas oposições e nas hostes governistas.

Aqui na província, quando se frustram tentativas de entendimento em busca de um objetivo comum, se usa essa expressão popular: se só tem tu, vai tu mesmo.

É possível que o rentismo em sua expressão política, que perpassa os partidos de centro-direita e de direita, organizações empresariais e o complexo midiático, ainda não tenha esgotado as chances de ter, afinal, a candidatura que lhe represente (em associação com as elites mais retrógradas) e que unifique forças suficientes para suplantar o ex-capitão de extrema direita (que não lhe inspira confiança) e disputar o pleito com possibilidades reais de vitória.

Até os minutos finais da prorrogação muita coisa ainda pode acontecer, que nem nos jogos da recente Copa do Mundo.

Mas a coisa anda confusa e ao candidato certamente de maior confiança, Geraldo Alckmin, aparentemente tem faltado competência para juntar os demais.

De toda sorte, em algum grau essas forças comprometidas com as políticas ultra liberais haverão de se somar.

Do ponto de vista dos interesses reais da nação e do povo, ruim é que prevaleça cenário semelhante no campo oposicionista.

Disputar com quatro candidaturas de esquerda, mesmo que se respeitem entre si e mirem o alvo comum — pois não têm divergências tão profundas, como diz a deputada Manuel D'Ávila, pré-candidata pelo PCdoB —, será um risco enorme.

Tudo bem que distintas correntes políticas desejem expressar com nitidez suas propostas programáticas. Mas não se pode resvalar para a hipótese reducionista de marcar posição.

Uma unidade agora geraria a possibilidade real de um segundo turno polarizado entre uma coalizão de esquerda e progressista contra o centro-direita.

Mas, é óbvio, falta combinar com os russos.

A jogada de alto risco do PT, que persiste na pré-candidatura do ex-presidente Lula a todo custo, e a resistência a alianças por parte do pré-candidato do PSOL conduzem a um impasse, já que o PCdoB e o PDT têm se mostrado mais acessíveis a uma composição.

Pode-se supor que a sociedade está polarizada em sua base, como esteve em 1989, e venha novamente a ignorar candidaturas estruturadas sobre lastro partidário forte e leve a um segundo turno essa polarização.

Esquerda versus extrema direita? Ou não tanto assim, mas entre candidaturas à testa de composições em que fronteiras programáticas estejam mais ou menos borradas, como comumente acontece?

O PT parece jogar nessa hipótese, arriscando uma possível substituição de Lula na undécima hora em nome da polarização na base da sociedade. Será?

Em último caso, do lado de cá da peleja, se deve evitar por todos os meios que tenhamos que enfrentar as urnas plenamente divididos. Pelo menos uma unidade parcial se impõe como absolutamente necessária.

Se tivermos que adotar a alternativa só tem tu, vai tu mesmo o grau de imprevisibilidade quanto aos resultados chegará ao extremo. 

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Arte é vida

Almeida Júnior

18 julho 2018

Unir quem e por quê?


Edmário
Tão rara quanto indispensável
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

"A unidade não é cinza, há de ser sempre multicolor", ensinava o velho dirigente comunista João Amazonas.

Ou seja: cabe unificar o pensamento em torno do essencial e conviver com múltiplas abordagens acerca de um mesmo problema. Respeitando as diferenças.

A realidade é complexa e comporta opiniões definitivas. Até porque tudo está em movimento, sujeito a transformações. 

Então, unir é indispensável — mas não é fácil, sobretudo em tempo de crise estrutural, como o que vivemos no Brasil. 

Basta um olhar superficial no noticiário acerca dos partidos políticos e como se comportam diante do desafio das eleições gerais deste ano — tanto em relação à presidência da República como quanto aos governos estaduais — para constatar que falta às coalizões em formação, como a cada partido internamente a necessária convergência de ideias e intenções.

No espírito da unidade sugerido por Amazonas, o PCdoB se sobressai como um partido nacionalmente uno; preservando a liberdade de depressão entre seus militantes, para que o debate flua permanentemente e possa inclusive aperfeiçoar a unidade alcançada.

Cá na província, recentemente divergências sobre a composição da chapa majoritária do bloco oposicionista liderado pela pré-candidatura do senador Armando Monteiro (PTB) ao governo do estado vieram à tona com certa virulência.

Também chama a atenção a disputa que se arrasta no interior do PT, tendo como foco uma candidatura própria ao governo estadual confrontada com a defesa da integração desse partido à Frente Popular.

Muitos outros exemplos podem ser cotejados. 

Tamanha dispersão haverá de se reduzir quando a proposta programática – seja qual for - estiver posta à mesa como elemento em relação ao qual se deva celebrar, ou não, a união de forças.

Vale para a eleição nacional e para a eleição local — e para todas as coalizões partidárias.

A correlação de forças na busca do voto será em grande parte determinada pela boa ou má resposta que as candidaturas majoritárias venham a dar à questão "quem se une a aquém e com que propósito?"

Chegou a hora das definições.

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Mandela, 100 anos


Testemunho

A escola pública me faz feliz!
Danielle Maria*

No começo de tudo eu tinha muito medo de estudar na escola pública. Eu nunca escutava falar bem de uma escola da rede, eu tinha medo de não conseguir passar de ano, eu tinha medo que as meninas cortassem meu cabelo, eu tinha medo que algum maloqueiro tentasse me tocar. Eu tinha medo de várias coisas.

Mas... em um belo dia tive que mudar. Eu entrei na escola da rede municipal.

A minha mãe ela procurou várias informações de uma escola de referência, foi daí que ela encontrou a escola em tempo integral Nadir Colaço.

Quando eu entrei na rede municipal, tudo em minha vida mudou. Eu me tornei a aluna mais feliz da minha escola.

Em um belo dia a minha irmã estava me procurando feito uma doida com um papel. Foi a minha professora de Português que tinha dado para ela. Daí eu fui à professora e ela me falou: Estude esse projeto e me fale sobre ele amanhã.

No outro dia eu expliquei o projeto para minha professora Vanderlea de Oliveira. Participei junto com meus colegas: Rhudá e Cássia, da Feira Escola, fomos para Fecon (Feira do Conhecimento do Recife) e lá premiados para a Mil Set Brasil em Fortaleza e fomos premiados para a Ciencap, no Paraguai com o projeto Piano de Garrafas.

Foi com essas oportunidades que a escola pública me tornou uma criança feliz.

*Danielle, 14 anos, aluna da Escola Municipal Nadir Colaço, no Recife

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17 julho 2018

Exclusão crescente


Trabalho precário em ambiente de recessão
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Além da queda, o coice. Após toda recessão se reforça a centralização do capital, da produção e da riqueza e se enfraquece ou se reduz a força de trabalho.

É uma lei objetiva do sistema capitalista.

Agravada com a terceira e, agora, a quarta revolução industrial, que aporta inovação tecnológica aos processos produtivos e dispensa mão de obra.

No Brasil de agora, segundo estudo da MCM Consultores (noticiado no Valor Econômico), na atual conjuntura econômica – recessão e tímida retomada – há uma maior precarização do trabalho comparando-se com situações semelhantes verificadas num passado relativamente recente.

O estudo cruza estatísticas da Pesquisa Mensal de Emprego (PME) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), ambas do IBGE. E compara o desempenho do mercado de trabalho em sete períodos recessivos desde 1989 - incluindo os 12 meses seguintes ao fim do período de recessão.

Com uma observação capenga, a de que a Reforma Trabalhista pode contribuir para melhorar esse quadro por facilitar contratações formais temporárias.

Na prática, ocorre o contrário.

Há uma Pesquisa realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), seções São Paulo e Porto Alegre, a pedido do Ministério Público do Trabalho (MPT), reveladora de que a precarização do trabalho avança rápido com a entrada em vigor da Reforma Trabalhista, em 11 de novembro de 2017.

Amplia a vulnerabilidade social e incrementa o trabalho infantil.

Não precisa ir a detalhes para compreender que igual cenário se dá em todas as regiões metropolitanas do País.

No Nordeste, sobretudo, quanto menor o nível de escolaridade do chefe de família, e quanto mais frágil o vínculo trabalhista, maior a incidência de crianças e adolescentes trabalhando – certamente bem maior do que em São Paulo, capital que chega a 1,3% das famílias.

Tudo a ver com a agenda regressiva de direitos do governo Temer.

E com a pauta das eleições presidenciais de outubro.

Um confronto inevitável se dará entre candidaturas que propõem aprofundar as políticas ultra liberais vigentes e candidaturas que propugnam a retomada do crescimento econômico inclusivo, impulsionada por investimentos públicos pesados, principalmente em infraestrutura.

São projetos diametralmente opostos. A maioria dos brasileiros é chamada a decidir.

Quanto mais esclarecedor for o debate, maior a possibilidade de se repetir a escolha verificada nas últimas quatro eleições presidenciais, em que a agenda atual foi rechaçada nas urnas.

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Fragilidade

‘Meirelles diz que o MDB é o único partido que pode disputar “sozinho” a eleição presidencial’ [Começa a jogar a toalha consciente da rejeição a Temer e do seu próprio isolamento].

16 julho 2018

Crônica da vida cotidiana


Os muitos modos de dizer as coisas
Luciano Siqueira

Enquanto ponho ordem em minha biblioteca, separando livros e rasgando papéis agora inúteis, ouço no rádio entrevista com um cineasta que lança agora o seu primeiro longa metragem.

Verdade que pratico a atenção difusa, os olhos nos papéis e ou ouvidos na entrevista — portanto, correndo o risco da dispersão. 

Mas o dito cujo não consegue dizer claro as coisas. Ora pensei tratar-se de um documentário, ora de uma ficção no gênero aventura... 

As frases do entrevistado vão ficando pela metade. Ele nunca diz tudo o que deseja, ou que precisamos ouvir.

Comento com minha filha Tuca, cineasta:

— Tenho a impressão de que vocês estudam roteiro, direção, fotografia, som, montagem e tantas outras coisas para se tornarem bons profissionais do cinema; e também são treinados para responder perguntas apenas pela metade...

— Conflito de áreas, pai.

— Como assim?

— Provavelmente um artista dirá algo parecido em relação a vocês políticos.

— Não creio que a gente fale as coisas fracionadas, como vocês fazem.

— É que nossas respostas nem sempre podem ser precisas, lidamos com arte...

Pode ser. 

Mas ela mesma cita Lula como exemplo de político que fala as coisas de um jeito que todos entendem.

E eu cito Geraldo Alckmin como exemplo de político que fala linguagem da elite, que poucos entendem.

Ficamos por aí, porém cá com meus modestíssimos botões me pergunto se as pessoas de todas as áreas não deveriam falar simples, sem perda de conteúdo.

Eu mesmo quando médico residente, se me cabia acompanhar o pós-operatório de um paciente, me esforçava por explicar aos familiares (em geral gente humilde e pouco letrada) a natureza da enfermidade, o porquê da cirurgia e o prognóstico. Para que todos pudessem compreender.

Creio que seja daí que cultivei uma quase obsessão por falar claro e simples e escrever em tom coloquial é compreensível.

Afinal, comunicação é quando alguém fala e o outro entende, dizem os especialistas. 

Vale para as artes, a política, o amor e a convivência diária. 

Pois evitemos esses dialetos típicos da área de atuação de cada um e falemos a mesma língua pátria, tão bela e sonora!

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Jogo é jogo...


Momento Copa do Mundo 2018
Bosco Rolemberg


Com uma semana de antecipação os brasileiros tiveram que guardar seu estoque de bandeiras, alegria, cerveja e churrasco.

Apesar dos pesares, no avanço de fase, o ceticismo estava começando a ter um gostinho de talvez.

O brasileiro ainda não assimilou que o futebol internacional estudou, pesquisou , inovou e evoluiu.

A seleção pentacampeã não seria eternamente superior, imbatível e vitoriosa.

Os que acompanharam os preparativos falam dos erros na convocação, na escolha dos adversários para amistosos, da insuficiência dos preparativos físicos, etc. e que Tite é o melhor treinador da atualidade.

Como diz a sabedoria popular “Jogo, o nome já diz”.

Uma parte é inteligência, planejamento e a outra são o acaso, o lance de sorte ou azar.

Não acompanho o mundo esportivo, mas como todo brasileiro “médico, louco e técnico” por intuição e pensei até em preconceito, considero o treinador pouco inteligente e postei clamando que eu estivesse errado.

Demonstrou incapacidade de avaliar os adversários de cada jogo, e com flexibilidade realizar alterações que conduzissem à vitória.

Sobrou pra Neymar, que perdeu a oportunidade de firmar-se como um dos melhores e está sendo linchado pela mídia internacional.

A Copa 2018 foi mais um momento de afirmação do esporte como instrumento da confraternização e competição entre as nações.

A Rússia sai fortalecida nas suas relações diplomáticas, pelo êxito do evento.

E a França merece os parabéns pela conquista da segunda estrela.

A conquista da sexta estrela pelo Brasil exige uma reviravolta tão gigantesca, que não sei se alguma força tem interesse e condições de fazê-lo.

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Risco

'Pesquisa do SPC Brasil/CNDL revela que em maio deste ano três em cada dez brasileiros que fizeram compras no cartão não sabiam quanto gastaram.' [São vitimas diretas do estímulo midiático ao consumismo].

Piora

‘Inflação de supermercados em junho é a maior já registrada desde 2000’ [E a dupla Temer-Meirelles — na maior cara de pau — diz que em 2 anos a vida do povo melhorou!]

15 julho 2018

Uma questão ética


Por que a indústria do cigarro está investindo em ONG antitabagista?
CartaCapital

Cientistas de reputação imaculada deveriam aceitar contribuições financeiras de uma companhia de tabaco? Este não é um teste teórico de comportamento ético, mas o dilema que se apresentou dramaticamente para acadêmicos da Universidade de Utrecht (UU), na Holanda.
Quem lançou a isca foi a Philip Morris, gigante mundial do tabaco, e a oferta não era de se jogar fora: 360 mil euros (1,64 milhão de reais) para o trabalho de investigar as consequências do contrabando e falsificação de cigarros. De mais a mais, a companhia acenava com total liberdade para os acadêmicos em suas apurações.
Não são historicamente as mais decentes as relações entre profissionais da saúde e as controvertidas usinas de câncer de pulmão. Décadas atrás, a indústria de tabaco tinha o hábito de recrutar médicos de forma que eles, ao contrário do que já indicavam os alertas patológicos, alardeassem publicamente as virtudes do fumo para os pulmões e as vias respiratórias.
Médicos de prestígio aceitavam alegremente ser cúmplices desse crime. É natural que, hoje em dia, quando a indústria procura a academia, uma fumaça de desconfiança impregne o ar.
O professor de Direito John Vervaele, encarregado de administrar a doação em Utrecht, reagiu às críticas argumentando: “A indústria de tabaco não é ilegal. O comércio ilícito de cigarro, sim”.
O argumento não convenceu os pneumologistas e oncologistas da Sociedade Holandesa do Câncer, os mais desconfiados em relação à pretensa boa vontade da Philip Morris. Cerca de 7 milhões de pessoas continuam morrendo todos os anos, no mundo inteiro, vítimas dos efeitos malignos do fumo – rebateram os clínicos.
A discussão azedou a tal ponto que a UU acabou declinando da doação. Anunciou que ela própria vai bancar a pesquisa do professor Vervaele e sua equipe. 
A Philip Morris, por sua vez, está disposta a verter uma montanha de dinheiro em programas como aquele que tentou, em vão, na Holanda. O combate ao comércio ilegal de cigarro vai lhe custar 100 milhões de dólares – não só em pesquisas, mas também nos custos de repressão ao tráfico.
Outro bilhão de dólares a Philip Morris pretende investir, ao longo de 12 anos, na Foundation for a Smoke-Free World, uma ONG com sede em Nova York. Como entender que a fabricante do Marlboro, a marca número 1, esteja financiando uma fundação que prega “um mundo sem cigarro?”
A tal fundação suscita controvérsias, de fato. A Philip Morris assegura que ela exprime hoje uma preocupação que é de toda a indústria do tabaco: como ajudar os fumantes a encontrar alternativas seguras aos cigarros combustíveis, unanimemente fadados à extinção? 
Já a Organização Mundial da Saúde não tem tanta certeza assim dos objetivos meritórios das campanhas da indústria.
Segundo a brasileira Vera Luzia da Costa e Silva, chefe da Convenção do Controle do Tabaco, com sede em Genebra, o que uma entidade endinheirada como a Foundation for a Smoke-Fee World almeja é atropelar as iniciativas coletivas para impor sua própria pauta, seus próprios métodos e, no final, seus próprios interesses. Que continuam comprometendo a vida saudável. 
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Melhor

Aparentemente a Croácia jogou mais, porém a França é muito mais disciplinada taticamente e eficiente. Mereceu a Copa.

Poesia sempre


Tateio
Hilda Hilst

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.

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Unidade e independência

Crônica da vida cotidiana


Foto: Marina Aguiar
A construção nossa de cada dia
Luciano Siqueira

A reinvenção da vida é uma construção cotidiana. Conscientemente ou não, seguimos um "plano" que leva a algo todos os fins de noite.

Alfa ou ômega, a critério de cada um.

Como uma página em branco a ser preenchida com sentimentos, fatos, ideias, emoções.

As emoções dão cor à vida.

Frequentemente uma folha em branco é insuficiente. Várias são necessárias, tamanho o volume de demandas, desafios, diálogos e feitos.

Assim me ocorre — pois lido com agendas que se superpõem e se entrelaçam, todas muito exigentes: a do governo, a do Partido, a da leitura e da reflexão e a dos meus modestos escritos, a da vida pessoal.

Sim, várias são as folhas que preencho todos os dias. Às vezes com pleno êxito, às vezes com rotundo insucesso ao frustrar gente que de mim espera mais do que consigo dar.

Entretanto, alivia-me saber que dou o melhor de mim, inspirado nos versos do poeta Manuel de Barros:

"Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes",

pois todas as pessoas e todas as coisas e todas as ideias e todos os sentimentos são verdadeiramente importantes.

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Arte é vida

Dantas Suassuna

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