31 agosto 2017

Contra os trabalhadores


Tal como Temer, na França Macron prepara reforma trabalhista com redução de direitos. Neoliberalismo lá e cá.

Lances da crise institucional

Tudo no Brasil atual tem que resvalar para o ridículo
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

A entrega da Câmara à presidência do deputado Fufuca parecia fofoca. Não era. Tudo no Brasil atual tem que resvalar para o ridículo. Estão aí alegres e vitoriosos, também, os procuradores da República que descobriram o envio, pelo "rei dos ônibus", de R$ 200 em flores "Para Guiomar e Gilmar", há dois anos.
É o que consideram a prova substanciosa e irrefutável de relações do casal com Barata Filho, preso a quem o ministro do Supremo concedeu recente habeas corpus. Já havia, porém, até fotos do casal apadrinhando o casamento da filha do "rei". Por que mais? Ah, faltava o ridículo.
Para o impedimento de Gilmar Mendes na decisão do habeas, já que ele burlou-o, o documento fotográfico tem eloquência além da necessária. O resto, nessa querela, é cinismo. Mas está posta a discussão sobre o peso da foto para o impedimento, se as flores bastariam para comprovar o grau de relações que o ministro nega, e mais lenga-lengas. O que importa para todos não é discutido.
Há dez dias, a Procuradoria-Geral da República pediu à presidente do Supremo, Cármen Lúcia, a retirada do caso Barata Filho das mãos de Gilmar Mendes, considerando o impedimento por provada proximidade entre os dois. Como de praxe, foi pedida ao ministro a sua manifestação. Para efeitos externos, Gilmar Mendes deu logo a previsível explicação de mero ataque pessoal de Rodrigo Janot. E não impedimento.
Nada de novo. Já em maio, Cármen Lúcia recebeu idêntico pedido da Procuradoria-Geral, provocado por habeas corpus de Gilmar Mendes para Eike Batista. Janot argumentou que Guiomar Mendes é associada ao escritório de um dos advogados de Batista. O ministro negou interferência de sua mulher na defesa. E desde então o assunto ficou imobilizado e silenciado no gabinete de Cármen Lúcia. Se aplicada solução no tempo devido, fosse em um ou outro sentido, todos seríamos poupados do segundo caso que deprecia mais o conceito do Supremo.
Afinal de contas, servem para alguma coisa, ou não, os pedidos e recursos apresentados ao Supremo sobre procedimentos ali verificados ou dali esperados? A presidente do tribunal tem outros ofícios não respondidos e referentes a Gilmar Mendes. Tem mais um, agora. E a expectativa cá fora não a favorece. Com boa dose de razão, há dois dias a ministra atribuiu-nos incompreensão quanto a atos da magistratura. Pode, então, atenuar sua incompreensão das nossas queixas, começando por dar-nos mais respostas que temos esperado em vão.
SUBTERFÚGIOS
O juiz Sergio Moro respondeu ao trabalho de Estelita Hass Carazzai e Joelmir Tavares, revelador da rapidez do processo contra Lula (Folha, 25/8): "No caso em questão, os prazos processuais foram seguidos estritamente". E acusa: "É lamentável que a mera observância dos prazos legais seja invocada para alimentar teorias conspiratórias por este jornal".
Sergio Moro gosta de saídas artificiosas. Agora mesmo, respondeu a uma história improvável admitindo ter como "conhecido", apenas, alguém que é seu amigo íntimo e padrinho de casamento. Os repórteres não o acusaram quanto a "prazos processuais", cumpridos ou não. Mostraram que o processo da condenação de Lula, no caso do apartamento, "chegou em tempo recorde ao Tribunal Regional Federal" (Porto Alegre), que julgará o recurso da defesa.
Foram 42 dias. Mas "a média dos demais recursos, nesse mesmo percurso [de Moro ao TRF], foi de 96 dias". Com caso de até 187 dias.
Moro não toca no assunto verdadeiro da reportagem. E faz, como se ao jornal, aos dois repórteres a acusação de "teorias conspiratórias". Sobre ser tola, é acusação injusta. O que não fica muito bem em juiz. 

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Poesia sempre

MUTATIS MUTANDIS
Bartyra Soares
Tomo a forma do mar.
Se é preciso que em minhas águas
navegue o vento e em mim
o sol refaça caminhos
de impulsos e chamas verdes
não me furto ao compromisso que hoje
me impõe esta manhã.
Minhas águas de sal e segredo
ferem-se na aspereza dos corais
e por não ser lâmina e por não
ser espinho não tenho
como revidar. Deixo que minha dor
em mim desabe. Recolho meu grito
de incertezas e convicções.
E quando a última gaivota
da tarde no poente pousar
a sombra do seu cansaço
só então serei quem fui.
Assim sobre penhascos
e dunas não mais depositarei
lembranças e sargaços.
(Foto: LS)

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Peleja estratégica

Palmas para o Barão!
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Refiro-me ao Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, que realizou no último fim de semana, em São Luis, com pleno êxito, o seminário ‘Desafios da Comunicação nas Administrações Públicas’.

Rica agenda de debates, temática oportuna e certeira, debatedores qualificados. A democratização da mídia como pedra de toque vis a vis concepções e experiências vivenciadas a partir do desafio de governar contribuindo para a elevação do nível de aspiração e de consciência política do povo.

Vale dizer, tendo a luta de ideias como o fio condutor irrecusável. 

Pois nas mais variadas experiências administrativas - do governo da República aos governos estaduais e municipais - conduzidas por coalizões democráticas, muitas delas sob a hegemonia de correntes de esquerda, não bastam a eficiência no fazer mais e melhor e a lisura no trato das finanças públicas; é essencial contribuir para despertar nos beneficiários das ações governamentais a consciência de que o cidadão é sujeito de direitos e ao Estado, nas suas três dimensões federativas, cabe o dever de prover as condições para que seus direitos sejam efetivados.

Mais do que isso, além de promover essa "consciência cidadã" primária, debater as razões pelas quais os direitos fundamentais das pessoas não são exercidos de modo igualitário na sociedade em que vivemos. 

E, desse modo, despertar a consciência de que o povo é o verdadeiro agente transformador da sociedade.

No seminário, as coisas não foram verbalizadas dessa forma — mas esse conteúdo permeou todo o debate, sobretudo nas intervenções do governador Flavio Dino e dos jornalistas Franklin Martins e Altamiro Borges. 

Na verdade, uma multiplicidade de questões próprias da resistência ao monopólio da mídia — luta de caráter estratégico no processo civilizatório brasileiro — vieram à tona nas muitas falas. Todas relevantes e por si mesmas provocadoras da reflexão aprofundada acerca do tema. 

Entretanto, duas questões ganharam destaque nas anotações desse modesto escriba: 1) a luta pela democratização da mídia é parte indissociável da luta pelo poder político e dispensa ilusões liberalizantes; 2) governos hegemonizados por correntes de esquerda ainda se mostram refratários à verdadeira dimensão desse desafio.

Certamente o exemplo mais emblemático disso está na experiência de treze anos de governo central protagonizados por Lula e Dilma.

Prevaleceram ilusões de cooptação ou de amenização da fúria reacionária da mídia dominante, ao invés da valorização da mídia alternativa e, mais ainda, do enfrentamento da reforma dos meios de comunicação via legislação democratizante. 

O seminário de São Luis contribui para a necessária autocrítica e continuidade da luta em patamar mais elevado.

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Monstro maldito

Governo Temer "frankstein": o programa é do PSDB e a base parlamentar majoritária é do "centrão". E a vítima é o Brasil.

Apetite

Expectativa de nova denúncia da PGR contra Temer atiça apetite da sua base parlamentar fisiológica: todos querem negociar tudo.

O prazer da fotografia

Cena urbana: Tambor de Crioula, São Luís, MA (Foto: LS)

30 agosto 2017

Remendos antidemocráticos

A reforma de Itararé
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Tal como a Batalha de Itararé — a que não houve —, assim tudo indica que será a reforma política ora em discussão na Câmara dos Deputados e no Senado.

Ou, se houver, será mais uma vez um arremedo de reforma que em nada contribuirá para a melhora do cenário político-partidário e eleitoral em nosso país.

Muito ao contrário, poderá piorar.

O fim das coligações proporcionais e o aborto do financiamento público de campanhas — como se desenha nesse instante — pode tão somente favorecer, em certa medida, os atuais grandes partidos e não afastar fatores de distorção da vontade do eleitorado e de estímulo à corrupção institucional.

Na verdade, a essência de uma reforma política efetivamente democrática se assenta em dois pilares: a eleição parlamentar através do sistema de listas preordenadas pelos partidos e o financiamento público de campanhas.

O sistema de listas preordenadas, vigente na maioria dos países, induz o eleitor a votar na legenda de sua preferência tendo em conta propostas programáticas, tendo peso relevante, porém secundário, a nominata propriamente.

Os parlamentares eleitos, por conseguinte, se vêem obrigados a cumprir o programa do seu partido e não agir por conta própria e conforme interesses pessoais, como predomina hoje no Brasil, no atual quadro de pulverização da representação política nas casas legislativas.

As chamadas “legendas de aluguel” tenderiam, assim, a desaparecer, ganhando mais consistência o espectro partidário.

Campanhas eleitorais limitadas a recursos advindos de fundo público, e segundo regras claras de utilização, são precisamente o inverso do que acontece agora no Brasil, com forte influência do poder econômico e portas abertas a relações promíscuas entre agentes públicos e empresários e especuladores.

Mais uma reforma assim tão drasticamente avançada dificilmente se viabilizará no atual Congresso.

Seja pelo instinto de autopreservação dos atuais detentores de mandatos, infelizmente mais comprometidos com interesses pessoais, paroquianos ou corporativos do que com o progresso da sociedade; seja pela ausência de um debate esclarecedor e de pressão social nesse sentido.

Resta-nos assistir a confirmação de uma não-reforma ou da aprovação de alguns remendos ao sistema atual inspirados no casuísmo imediatista.

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Uma grande negociata

3G e o Negócio do Século com a Eletrobras
Por Luis Nassif, Jornal GGN

O pano de fundo da privatização da Eletrobras é o seguinte.

O pai da ideia é o Secretário Executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, operador colocado para dar as cartas no MME. O Ministro é figura decorativa.

Pedrosa é ligado ao fundo de private equity GP Investimentos, que nasceu das entranhas do Banco Garantia.

GP é Garantia Partners, que comprou a Cemar (Centrais Elétricas do Maranhão), quando essa estava sob intervenção da Aneel depois de ter sido devolvida pela Pennsylvania Power and Light, que perdeu 330 milhões de dólares na primeira privatização da Centrais Elétrica do Maranhão e a entregou de volta por 1 dólar.

Foi dada de graça a esse grupo apesar de haver uma proposta com dinheiro a vista do grupo americano Franklin Park, operador do Fundo Guggenheim, um dos maiores fundos de private equity americanos. Mas foi um leilão de cartas marcadas, no qual o trunfo do comprador estava na facilidade em renegociar os passivos da empresa com a Eletrobras.

Daí nasceu a Equatorial Energia, que depois comprou a Celpa (Centrais Elétricas do Pará).

Denunciei essa operação, quando colunista da Folha de São Paulo, através das colunas
onde mostrava a influência do grupo de ACM e Sarney e dos movimentos incompreensíveis da Eletrobras.

O Ministério Publico da Suíça tem um dossiê sobre as operações com a Cemar, e chegou a investigar o episódio através da Embaixada da Suíça em Washington. Mas, depois que perderam, os americanos preferiram não se envolver.

Em todo caso, se o MPF brasileiro pedir o dossiê, é possível que o Ministério Público suíço colabore. Na época, tinham rastreado o dinheiro da propina e chegado ao beneficiário final.

A Equatorial faz parte do grupo de controle da Light Rio.

Paulo Pedrosa foi Conselheiro da Equatorial, da Celpa, da Cemar e da Light, portanto ligado ao grupo Equatorial que é controlado pelo GP Investimentos, hoje com novo nome de 3G. O fundo 3G é hoje o segundo maior acionista privado da Eletrobras e foi um dos grandes compradores de ações na véspera do anuncio da privatização. A CVM está investigando. Para não aparecer, o 3G usou o J. P. Morgan e mais dois bancos como fachada.

Há vários meses há um grupo de trabalho interno da 3G debruçado sobre os ativos e passivos da Eletrobras.

A meta é assumir o controle da Eletrobras, o grande alvo do grupo Equatorial. Se bem sucedido, seria um negócio do "padrão GP". A Eletrobras, companhia com ativos avaliados em 400 a 600 bilhões de

Seria o negocio do século. Com R$ 15 bilhões, o 3G compraria um patrimônio liquido real de 300 a 350 bilhões de reais, uma operação na escala da AMBEV e melhor ainda que esta.

Há pouco tempo o grupo 3G tentou comprar o controle da UNILEVER, e foi barrada pelo Governo britânico, desconfiado do estilo corsário do grupo.

É um conflito de interesses gigantesco. Paulo Pedrosa, o Secretario Executivo do Ministério de Minas e Energia, é o idealizador do anúncio de privatização da Eletrobras, sendo conselheiro de todas as empresas do Grupo Equatorial por trás do qual está a 3G. Eis o que está por trás da pretenciosa privatização da Eletrobras...
reais, com dividas de 39 bilhões e passivos ocultos de 64 bilhões, mas que podem ser liquidados por um terço disso e cujo controle pode ser comprado por R$ 15 bilhões.


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29 agosto 2017

Paciência...

Muito cedo para o desenho das próximas eleições em Pernambuco. Há muito chão pela frente e tudo o que é sólido pode se desmanchar no ar.

Baixo nível

Eduardo Cunha divulga "carta ao Papa" e Jucá diz que Janot deve ter 'fetiche' com seu bigode. A que nível chegamos!

Instituições decadentes

A nação à deriva
Luciano Siqueira

Mosaico de péssima aparência, desenhado sobre areia movediça. Eis a síntese da situação do Brasil agora.

Começa que as fronteiras entre os chamados três poderes da República estão definitivamente borradas. A independência entre eles e a demarcação do quadrado de cada um já não existem, esgarçados pela gravidade da crise - que hoje já é, num certo sentido, principalmente institucional.

No Congresso Nacional ninguém lidera ninguém, isto é, identificam-se as bancadas mais por epítetos em razão de interesses imediatos do que pelas legendas partidárias: "centrão", "da bola", "da Bíblia", "ruralistas"...

Mais: a cada matéria complexa e de agudo interesse do governo se realiza penosa e desmoralizante rodada de negociações, distante sob todos os títulos dos princípios republicanos.

Ministros da Suprema Corte definitivamente se converteram em personagens midiáticos e militantes para-partidários e reincidem frequentemente no exercício de funções que constitucionalmente cabem ao Parlamento.

O Executivo, com a mancha da ilegitimidade e enlameado por procedimentos espúrios, implementa uma agenda absolutamente contrária à soberania do país e retira ou restringe direitos dos que sobrevivem do seu trabalho. Pratica um ajuste fiscal dogmático que afunda a economia na recessão.

Um cenário em que o que menos se pode esperar é a confiança da maioria dos brasileiros nas instituições.

Um vazio se aprofunda. Perigosamente. E requer respostas das forças sociais e políticas comprometidas com a soberania nacional, com a democracia e com a valorização do trabalho e da produção.

À direita, correm em busca de esperto mimetismo eleitoral o deputado Bolsonaro e o prefeito Doria.

O centro democrático vê-se dizimado, pós-oposição a Dilma e pós-decepção com Temer, e dá lugar à preponderância do centro-direita.

No campo popular e progressista, o desafio é fazerem convergir impressões e propostas e, para além do sectarismo e da intolerância, aglutinar forças em arco tão amplo e diversificado quanto necessário para o enfrentamento das próximas batalhas, inclusive as eleições gerais do ano vindouro.

Nesse sentido, repetidos pronunciamentos do ex-presidente Lula em favor de alianças políticas e eleitorais, no transcurso de sua viagem pelo Nordeste, contribuem para alertar segmentos ultra-sectários da inconsequência do autoisolamento.

Por enquanto, a nação segue à deriva - inserida num mundo conturbado e pleno de ameaças.

Reagir e buscar alternativas à crise é um dever patriótico. 

28 agosto 2017

Falácia

Meirelles diz que "a economia do Brasil está reagindo e o país voltará a crescer de forma sustentável". Sem investimento público, juros altos e retração da demanda?

Zona de risco

Chances de nova denúncia contra Temer são 'as maiores do mundo', admite o melhor ministro Padilha. Terá descoberto a pólvora?

26 agosto 2017

Vamos ver

Sinistro, Meireles diz que Plano de privatizações é 'factível' de ser executado até o fim de 2018. Abstrai a resistência popular. Veremos.

Desgaste

Pesquisa Ipsos revela que 67% dos brasileiros desaprovam conduta do ministro Gilmar Mendes, do STF. Deve haver razões para tanto.

Vendilhões

Lula diz que Instalaram "verdadeira imobiliária" no Palácio da Alvorada. Estão vendendo até a Casa da Moeda, a Eletrobrás, a Chesf. Tem razão. É a soberania do país em causa.

Convergência

"Tem tudo a ver", diz Luciana Santos sobre possibilidade de aliança entre PT e PSB. Está certa. Forças populares avançam se estiverem juntas.

Midia democrática

No Maranhão, a Rádio Timbira (pública) permite o acesso do ouvinte à sua programação diretamente pelo telefone 0800 098 1686, gratuitamente. 

Distorção

Programas destinados ao público infantil são os de maior audiência na TV pública. A TV comercial os retirou da grade por causa da proibição de propaganda destinada a crianças. Redes privadas desinformam e buscam o lucro acima de tudo.

Desigualdade

IBGE diz que diferença de salário médio de homens e mulheres pode chegar a quase R$ 1 mil no país. Item destacado na luta pela igualdade de gênero.

Traição

Ministério avisou mineradoras canadenses a extinção de reserva na Amazônia 5 meses antes do anúncio oficial. Promiscuidade lesa-Pátria.

25 agosto 2017

Energúmeno

"Semipresidencialismo" proposto por Temer considerado até pelos seus aliados confuso e "fora de hora". De fato, um presidente ilegítimo e minúsculo. 

Largueza

Visita de Lula a Renata Campos além de gesto de amizade pessoal significa atitude política correta — longe da intolerância e do sectarismo.

Ausência

Em São Luís, onde participo de Seminário sobre comunicação pública — conforme antecipei pessoalmente ao presidente estadual do PT, amigo Bruno Ribeiro, que me visitou em meu gabinete — perco hoje o ato político com o ex-presidente Lula. Infelizmente.

24 agosto 2017

Decadência

Arenga entre o juiz Marcelo Bretas e o ministro Gilmar Mendes: mais um sinal da grave crise institucional que também envolve o Judiciário.

Jogo sujo

Ações da Eletrobrás têm movimento acima da média antes do anúncio de privatização. "Bem informados",  especuladores lucram. 

Flexibilidade

Lula acerta ao afirmar que alianças para o pleito de 2018 devem estar abertas, sobretudo entre partidos que guardam convergências entre si.

Humor de resistência

Bessinha vê o entreguismo de Temer e do PSDB

Palavra de criança

Alice, quatro anos:
— O mundo devia ser como quebra-cabeças pra gente montar e desmontar do jeito que a gente quer. Ficava mais fácil, né?
#diálogospertinentes

Dever

À esquerda, à direita ou ao centro, governar é liderar e tomar partido sobre problemas cruciais. A omissão é a pior opção. 

Entrega criminosa

Temer quer arrecadar R$ 40 bi com 57 privatizações que incluem até a Casa da Moeda. Butim criminoso contra o patrimônio público. 

23 agosto 2017

Sintoma

Na TV, as aparições de Donald Trump são sempre patéticas. Detalhe significativo de um mundo em transição para uma nova ordem multipolar.

Miguel Arraes presente

O governador e a privatização da CHESF
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10


A história recente registra tentativas recorrentes de privatização da CHESF - sempre com argumentos precários, segundo os quais o Estado seria inepto para gerir tamanho complexo energético.

Ridículo argumento, que colide frontalmente com a evidência dos fatos.

É o que se repete agora, quando o governo Temer reedita tentativa frustrada no governo FHC. Na remodelagem do setor energético ora apresentada pelo Ministério de Minas e Energia, a transferência do controle acionário do sistema Eletrobrás à iniciativa privada envolve a Companhia Hidroelétrica do São Francisco. Vale dizer: um contundente ataque aos interesses nacionais e do Nordeste em particular.

Resistir é preciso. Na Câmara dos Deputados, por iniciativa da deputada Luciana Santos (PCdoB-PE), é articulada uma frente parlamentar com esse propósito.

Engenheiros e especialistas na matéria têm se pronunciado criticamente sobre o assunto.

Num instante como esse, vale lembrar o governador Miguel Arraes, que em seu tempo compreendeu como poucos a dimensão do cargo - que mais do que obrigações administrativas, implica liderança política.

No governo Fernando Henrique Cardoso, em carta aberta ao presidente da República (cujo rascunho tive o privilégio de conhecer em conversa com o governador), Arraes se pronunciou contrário à tentativa de privatização da Companhia, assinalando que tal intento significava, na prática "privatizar o Rio São Francisco" - um bem público inalienável.

A CHESF não existe sem o rio – dizia ele -, pois de suas águas produz energia. O que equivale a dizer não se pode vender a empresa sem dar, como peso morto, o rio.

Semelhante argumento Arraes brandiu, em outra oportunidade, em artigo publicado na Folha de S. Paulo, citando o engenheiro João Paulo Maranhão Aguiar: "por que privatizar um sistema se ele foi construído em 50 anos de investimentos maciços do povo brasileiro, gera energia boa e barata, comparada ao custo internacional, e dá lucro? Por que países como os EUA e Canadá mantêm estatizados seus sistemas hidrelétricos, havendo até casos de reversão de operadoras privadas para o setor público?”

Na ocasião - vale destacar como ensinamento às novas gerações -, o governador de Pernambuco fazia ouvir sua palavra segura e firme na defesa da Região e, mais, ainda, na afirmação da absoluta necessidade de controle estatal desse setor estratégico a um projeto nacional de desenvolvimento.

Agora, tanto quanto antes, cabe a todos os que não arriaram suas bandeiras de luta nem cederam às pressões imediatistas de um poder efêmero e nocivo, nem se permitem envolver na atual agenda regressiva de direitos e solapadora das salvaguardas soberanas de nossa economia, somarem esforços na resistência.
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Sem limites

Trump ataca senadores do seu próprio partido e defende ex-xerife acusado de violar direitos humanos. Aonde pretende chegar?

22 agosto 2017

Racismo

56% dos americanos reprovam resposta de Trump a confrontos raciais. Ainda é pouco.

Dupla

Enquanto Meireles governa, Temer mergulha em negociações com parlamentares  sobre distribuição de cargos. Ai de ti, República!

Polos opostos

Lula, Temer e os dois Brasis
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Michel Temer, acuado diante do fogo cruzado em muitos flancos e rejeitado por mais de noventa por cento dos brasileiros, frequenta salões oficiais e oficiosos e fala a empresários e a burocratas, aos quais pede aplausos ao anúncio de cada nova medida de sua agenda regressiva de direitos e de desmonte nacional.

Luis Inácio Lula da Silva percorre cidades do Nordeste e é acolhido com entusiasmo por uma multidão calorosa, que o identifica como símbolo de conquistas e de mudanças em favor dos mais pobres.

Os aplausos a Temer são protocolares – por mais que corteje o grande capital, para quem governa.
A recepção a Lula tem o cheiro do nosso barro e a emoção genuína dos que sobrevivem do trabalho.
Temer representa o golpe institucional e a mais desbragada escalada regressiva de direitos e de esvaziamento de salvaguardas da soberania nacional.

Lula encarna doze anos de transformações sociais sem precedentes, de ampliação da democracia e de afirmação do Brasil como nação independente e altiva no concerto mundial.

São dois Brasis – distintos e diametralmente opostos.

Quaisquer que sejam os desdobramentos da crítica situação atual e os protagonistas da disputa presidencial de 2018, estarão em confronto esses dois Brasis.

Prenuncia-se uma peleja radicalizada entre dois pólos, sejam ou não matizados pelo PT e pelo PSDB, como ocorreu nas ultimas quatro eleições gerais.

Nem o descrédito na política nem o esgarçamento das instituições, que corroem expectativas e esperanças, impedirão que a sociedade brasileira seja instada a decidir sobre os rumos da nação.

Também a confusão midiática, que tenta borrar a real natureza dos fatos e tergiversar sobre a essência da agenda regressiva posta em prática pelo presidente ilegítimo não impedirão que o confronto de alternativas se faça perceptível pela maioria.

A questão a ver é se a onda conservadora que varre o mundo e nos atinge em cheio prevalecerá sobre a consciência de direitos suprimidos e aspirações represadas.

A narrativa governista, amplamente disseminada pela mídia aliada, tropeça na realidade e nos seus efeitos imediatos.

No outro polo, as oposições são chamadas a ultrapassarem os limites do protesto e da denúncia (sempre necessários) e convergirem para proposições comuns, que resultem num ideário claro, 
factível e compreensível pela maioria dos eleitores.

Entre os extremos representados pelo triste e deprimente cortejo seguido por Temer e a euforia emocionada que acolhe Lula nas ruas, segue a crise em suas variadas dimensões – econômica, institucional, de perspectivas.


Que se acirre o debate das ideias e se confrontem os rumos opostos – para que os brasileiros decidam conscientemente, através do voto.

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21 agosto 2017

Jogo sujo

Temer prepara maratona com parlamentares para convencê-los a votarem na reforma previdenciária às vésperas das próximas eleições. Falta combinar com os eleitores. 

Lesa-pátria

Para reforçar o caixa, governo propõe a privatização da Eletrobrás. Patrimônio público em liquidação.

20 agosto 2017

Poesia sempre

Tereza Costa Rego
Amor bastante 
Paulo Leminski
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

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Barganha

Emendas usadas por Temer para se salvar custam milhões. Trocam benefícios paroquianos pelos destinos do Brasil. Aí de ti, República!

Jerry Lewis

Jerry Lewis morre aos 91 anos deixando marca própria no cinema norte-americano. Com méritos - apesar da superficialidade das comédias que estrelou.

Da água para o vinho

Exterior vira opção permanente de moradia para fugir da crise, noticia a Folha de S. Paulo. Nos governos Lula-Dilma (2003-2014), até começar em 2015 o boicote pena maioria parlamentar oposicionista liderada pelo PSDB, o fluxo era inverso: o Brasil era opção para os que fugiam da crise na Europa e nos EUA.

19 agosto 2017

Indigesto

PSDB dividido, pressão do "centrão" por mais cargos e medo de uma nova denúncia da PGR: cardápio de Temer no fim de semana. Merece.

18 agosto 2017

Canoa furada

Trump isolado, sem eira nem beira, demite estrategista-chefe da Casa Branca, Steve Bannon. 

17 agosto 2017

Perdido

PIB do 2º trimestre deve vir próximo de zero ou negativo, diz Meirelles. Isso se chama "jogar a toalha" e reconhecer o fracasso.

Na mesma

Partidos mudam nomes e siglas, mas conservam as posições políticas de sempre. Mero mimetismo eleitoral.

Crise global

Sociedade em chamas
Eduardo Bomfim, no Vermelho

A globalização financeira vem promovendo desde o final da década de oitenta um tipo de hegemonia mundial e de sociedade que já mostra a olhos vistos uma furibunda decadência, quer seja no âmbito das relações internacionais, quer nas estruturas sociais, erigidas nos mais diversos Países em todo o planeta.

Através da captura de várias organizações internacionais, com a associação da grande mídia hegemonizada pelo discurso político, econômico e cultural, com o predomínio das estratégias do capital rentista, armou-se uma espécie de ditadura do pensamento único onipresente, que vai desde noções pseudocientíficas sobre fenômenos naturais, à uniformização global das estruturas sociais que permeiam a evolução do povos, das nações.

Essa ideologia dominante, a serviço de uma governança mundial da nova etapa do rentismo predador, forma o que atualmente costumam proclamar a sociedade global pós-moderna, onde reinam os enunciados do politicamente correto, cuja finalidade precípua é a desconstrução das identidades nacionais ou regionais, no afã de sentenciar como marginal qualquer forma de resistência a esses conceitos.

De tal maneira é o cerceamento à luta dos povos e nações na batalha pela afirmação de seus valores do passado, presente, a confiança no futuro, que tentam imputar aos que propugnam pela solidariedade à nação como portadores de ideias condenáveis.

O historiador britânico Eric Hobsbawm em seu livro O Breve Século XX já alertava para o que chamou, ao final da década de noventa passada, como “a desconstrução do contínuo Histórico que ameaça as novas gerações do milênio que se inicia”.

O que assistimos são os sinais trágicos de um terremoto em um tipo de comunidade que só serve aos ditames do Mercado. Afirmou recentemente o ex-presidente FHC, gestor mor do neoliberalismo no Brasil, sobre as atuais insatisfações sociais que são generalizadas, “alguns segmentos se beneficiaram, mas a sociedade ainda paga um preço alto”. Assim é que o individualismo delirante virou mais que um altar, transformou-se em algo “sagrado”.

Mas em decorrência de tantos males visíveis vai ficando claro no Brasil que a única alternativa, a esse modelo dantesco, é a união das grandes maiorias em defesa da soberania nacional, dos direitos do povo, da democracia, violentamente agredidos.

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Humor de resistência

Bessinha vê a corrupção no Palácio do Planalto.

Qual a saída?

Meta fiscal do fracasso
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

A queda de braço entre a equipe econômica e a área política do governo Temer durou sete dias até ser anunciada a nova meta fiscal. Querela típica de um governo que prioriza as finanças em detrimento da produção e insiste no falso caminho de retomada do crescimento com redução de investimentos públicos.

Quando Dilma anunciou o déficit de 70 bilhões foi um escândalo: a oposição e a grande mídia logo decretaram o fracasso e irremediável do governo legítimo.

Agora, um rombo de 159 bilhões, patrocinado pelo governo ilegítimo e a maioria parlamentar governista e a grande mídia tratam o assunto como natural e aceitável.
Realmente, tempo difícil e obscuro o que vivemos!

Concomitantemente, o IPEA anuncia o retorno às condições de existência abaixo da linha de pobreza de nada menos do que 4 milhões e 100.000 brasileiros desde o ano passado.

E deram o golpe policial-mediático-judiciário-parlamentar com a justificativa de que era preciso mudar a presidência da República para garantir a recuperação da economia e da oferta de empregos!
Nesse cenário, mostra-se lógico e coerente que em todas as pesquisas o índice de aprovação do atual governo não passa de 5%.

Assim como fica evidente que a cantilena sustentada pela maioria parlamentar neoliberal-fisiológica que votou contra o prosseguimento da denúncia por corrupção contra Temer — a estabilidade política e a normalidade da economia — não tem nenhuma sustentação na realidade.

E a crise segue qual filme de horror de longa duração cujo clímax, tudo indica, que será mais terrível do que o que se vê agora.

"Tudo isso é um absurdo e não entendo por que o povo não está nas ruas protestando", comenta um amigo pelo whatsapp.

A reação popular por enquanto está se alimentando que nem fogo de monturo, lentamente e labaredas surgirão inevitavelmente. É questão de tempo — retruco.

É tão certo que a grande maioria dos brasileiros está insatisfeita quanto ainda não enxerga na linha do horizonte propostas alternativas que inspirem confiança.

Levará tempo para que a multiplicidade de forças sociais e políticas hoje postadas na oposição convirjam para uma plataforma comum, lastreada na preservação da soberania nacional, normalização democrática e retomada do crescimento econômico inclusivo.

Certos estão os que propõem recuperar a capacidade de indução e planejamento do Estado e elevar a taxa de investimento, recorrendo ao sistema nacional de financiamento de longo prazo, restaurando o papel do BNDES e das empresas estatais estratégicas, as parcerias público-privadas e a busca de acesso ao fundo de investimento patrocinado pelo Brics, usando, inclusive, parte das reservas internacionais.

O centro de gravidade da recuperação da economia não pode ser o mercado financeiro e sim a indústria, fator determinante do desenvolvimento e da oferta de emprego. Mais: investimentos em infraestrutura, inovação tecnológica e na esfera social, reduzir estruturalmente a taxa real de juros, manter sob controle a trajetória da dívida pública e defender a moeda.

Como costuma dizer Miguel Arraes, “é por aí...”.

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16 agosto 2017

Prepotência

Trump dissolve conselhos empresariais após renúncias de executivos por polêmica racista. Falta dissolver a própria empáfia.

Engano

"Avanços" incomodam setores que tiveram de "se curvar", diz Temer. Errado. O povo não se curva e reagirá. Questão de tempo.

15 agosto 2017

Tentação

Por apoio à reforma previdenciária, Temer faz ofensiva sobre líderes religiosos - depois de ter vendido a alma ao Diabo.

Contraste

PMDB governista briga pela Diretoria de Controle e Risco do Banco do Nordeste. Na região apenas 4% da população apoia o governo Temer.

14 agosto 2017

Quanto?

Impasse no governo adia anúncio de revisão de meta fiscal. Todos reconhecem o fracasso, mas uns defendem R$ 159 bilhões, outros 170 bilhões. 

Recessão

Investimentos do governo federal podem chegar ao final deste ano no menor nível em dez anos. É o "Estado mínimo" aprofundando a recessão.

Regressão social

Cândido Portinari
A fome voltou
Joan Edesson de Oliveira, no Vermelho

Conheço bem a fome. Quando criança, brincávamos de esconde-esconde com ela, que não raras vezes nos encontrava. Nunca passou, confesso, de fomezinha, minúscula. Há gradações na fome, na miséria, na pobreza, que as estatísticas nem sempre dão conta. As estatísticas não dão conta das gradações da dor que a fome provoca.

Entre a pobreza da minha infância, nós éramos pobres, apenas pobres, sem adjetivos ou advérbios. Havia, numa escala abaixo, os muito pobres e os miseráveis, aqueles para cuja sobrevivência o nada já era muita coisa.

Não me orgulho disso. Não há motivo algum para se orgulhar da pobreza, da miséria, da fome. Faço o registro porque a fome voltou, e eu a reconheço onde a vejo, eu tenho gravado a fogo na minha memória a sua cara feia, eu tenho tatuado no peito a dor que ela causa, eu sei dela por todos os meus poros, e eu não a esqueço, não consegui, não conseguirei jamais. 

Tampouco tenho vergonha disso. Já tive, muita, muita vergonha de ser pobre. É uma perversidade sem tamanho, e em criança me ensinaram que eu era menos que os outros, que os outros eram superiores, e que portanto eu devia me envergonhar da minha condição. Não mais, nunca mais, prometi um dia a mim mesmo. Não me envergonharia mais disso. Tampouco teria orgulho. É um registro apenas, uma condição de certa época da minha vida.

Conheço a fome. A minha, fome pequena, e a de outros, fome enorme, dentes arreganhados, a carantonha a assustar o mais corajoso dos viventes. Naquele ciclo de seca do início da década de 1980, entre 1980 e 1983, foi quando a vi mais de perto. Naquele então ela já não me alcançava mais, mas atingia com força muita gente próxima a mim. Há imagens daquele tempo que estão de tal forma gravadas em minha memória que é como se eu as visse agora, nesse exato momento.

Não esqueço do homem em uma bicicleta com o caixãozinho azul de anjo parado na porta da igreja, colocando aquele minúsculo caixão nos braços e esperando que as portas se abrissem. O padre estava viajando, mas ele só queria que o caixãozinho entrasse na igreja, que alguém murmurasse uma prece, antes que ele amarrasse novamente o pequeno esquife na garupa da bicicleta e fosse, sozinho com sua dor, enterrar o anjinho.

Não posso esquecer os três irmãos, tão pequeninos, mortos num único dia. Os caixõezinhos enfileirados, três anjinhos mortos de fome. A mãe e o pai não choravam mais, não tinham mais pranto. O rosto era uma máscara apenas, indiferença e resignação. Àqueles eu acompanhei até a cova, pois a família, tão desfalcada, não era suficiente para carregar os três até o cemitério. Aqueles me doem até hoje, até hoje me fazem chorar quando sou, como agora, obrigado a esta lembrança.

Naqueles anos eu perdi a conta de quantos anjinhos, em seus caixões azuis, vi desfilar nas minhas retinas. Eu trabalhava ao lado da igreja, numa cidadezinha afogada em seca, fome, morte e desolação, perdida no meio da geografia dos Inhamuns, nos sertões do Ceará.

Há outras imagens, como a do homem que vi, em 1983, batendo com a cabeça no portão de ferro de um armazém de milho. Eu o conhecia, era meu amigo. Como esquecer aquele desespero, aquele homem que de tão faminto acreditava ser possível derrubar um portão de ferro batendo nele com a cabeça? O portão caiu, outras cabeças e outras mãos e outros braços se juntaram a ele, e eu aprendi ali que os castelos podem ser derrubados. 

Não posso esquecer do sargento da polícia batendo no velhinho que juntava do chão os grãos de feijão, abandonados pelo saque, um dentre tantos que presenciei, e levando-o preso mesmo ante o protesto, ainda tímido e medroso, de tantos que pediam para não prenderem o homem.

Acreditei que não precisava mais recordar essas coisas. Acreditei que elas dormiam profundamente no fundo de mim. Mas agora essas cenas retornaram. A fome voltou. Já anda livremente pelas ruas, de mãos dadas com a outra anciã perversa, a morte. As duas buscam alimento farto novamente pelos sertões, assolados por quase uma década de seca. Buscam e encontram.

O golpe trouxe de volta a fome. Ela está aí, esmurrando a porta. Eu a conheço, eu a reconheço em qualquer lugar, e mesmo que por ora esteja a salvo, ela já atinge muita gente próxima a mim.

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Pirotecnia

Governo muda comunicação digital para melhorar a imagem de Temer. Quem disse que a internet faz milagres?

Vulnerabilidade

Com Temer, Forças Armadas sofrem corte de 44% dos recursos e se vêem ameaçadas de colapso. Defesa da nação comprometida.

13 agosto 2017

Retrocesso

Corte de gastos reduz orçamento do PAC ao menor valor em 8 anos. Crescimento estilo Temer: pra baixo, feito rabo de cavalo.

12 agosto 2017

Obscurantismo

Secretário de Alckmin manda tirar busto de Lamarca de museu. Quer apagar a História.

Quem?

"Dizem que sou corajoso. Eu digo que sou mais que corajoso. Sou ousado”, diz Temer. Bravata de quem faz jogo sujo e é repudiado pelo povo.

Barbárie

Confronto entre supremacistas brancos e antifascistas deixa feridos em Charlottesville, nos EUA. É o império do ódio e da decadência.

Angu de caroço

Temer pretende contemplar 'centrão' com cargos de segundo e terceiro escalão, e não com ministérios. É rolo. Ai de ti, República!

11 agosto 2017

Venezuela na crise global

Uma grave crise
Eduardo Bomfim, no Vermelho

A situação da Venezuela possui vetores que alimentam uma crise que não mostra sinais de arrefecimento, em verdade tende a se agravar. De qualquer maneira é fundamental prevalecer o princípio indeclinável da autodeterminação e soberania das nações no cenário mundial.

No entanto essa máxima, que se encontra assinada pelas nações signatárias da Carta das Nações Unidas, não tem sido aplicada, muito menos nas primeiras décadas do século XXI.

Ao contrário, proliferam as intervenções, especialmente no Oriente Médio, cujos objetivos são geomilitares, e a guerra de rapina por riquezas naturais, como o petróleo, a principal matriz energética do planeta.

Independente de equívocos, voluntarismos, que possam estar sendo cometidos pelo governo da Venezuela, a campanha uníssona feita pela grande mídia global, associada ao Mercado, mostra que a ação para desestabilizar a Venezuela é escancarada.

Um País que é um dos grandes produtores mundiais de petróleo, membro da OPEP. E por esse motivo foi alvo de ações intervencionistas no século XX, com a soberania ameaçada, onde prepostos a serviço das grandes empresas petrolíferas quase sempre governaram essa nação sul-americana.

Hoje, além do petróleo, há uma nova realidade multipolar com a ascensão dos BRICS. Em consequência, surgem múltiplas reações sangrentas anglo-americanas em vários continentes.
A presença de grupos mascarados na Venezuela, que estrearam nas chamadas primaveras árabes, como também no Brasil, e se transformaram em uma espécie de franquia internacional louvada na grande mídia global, de facções incendiárias, depredadoras, pseudo-anarquistas, é sinal do que está em marcha contra esse País.

O Brasil, com 2.199 quilômetros de fronteiras com a Venezuela, abdicou, sob o governo Temer, da sua histórica liderança no hemisfério sul, avassalou a sua grande tradição diplomática ao Mercado, aos objetivos geopolíticos anglo-americanos.

A ofensiva do Mercado, dos EUA, abre um teatro para conflitos na região que até agora consegue viver distante dos cenários de grandes operações militares globais.

O recrudescimento da crise venezuelana não interessa aos povos latino-americanos. Cabe ao Brasil recuperar seu protagonismo de mediador, de potência regional solidária, como membro dos BRICS, na transição para uma nova ordem mundial.

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Pobres pagam

Com redução de 543 mil benefícios em 1 mês, Bolsa Família tem maior corte da história. Ajuste fiscal nas costas do povo.

10 agosto 2017

Educação em baixa

Lei de Diretrizes Orçamentárias foi sancionada nesta quarta-feira (9), com vetos feitos por Michel Temer, exatamente na parte que incluía entre as prioridades para 2018 o cumprimento das metas previstas pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Ele vetou um artigo que previa que a alocação de recursos na área de educação deveria ter por objetivo, no Projeto e na Lei Orçamentária de 2018, o cumprimento das metas previstas no PNE. 

Realidade e consciência

Fator de avanços e de retrocessos
Luciano Siqueira, no Vermelho

Na esteira da crise da teoria marxista pós derrocada da URSS, tem-se procurado compreender melhor a relação entre a realidade objetiva e as forças subjetivas no movimento transformador.

No informe político ao 7º. Congresso do PCdoB, em 1988, João Amazonas manuseia esse conceito – com o qual os comunistas têm lidado na construção do seu Programa Socialista e de orientações táticas conjunturais.

Amazonas, naquele informe, apoiado em argumentação consistente, registra as circunstâncias objetivas de então, vinculadas aos novos fenômenos da acumulação capitalista — em que, em razão queda tendencial da taxa média de lucro, a própria realimentação do sistema se via comprometida. 

Daí as políticas ditas neoliberais, cuja essência no que diz respeito a essa questão específica está na recuperação da mais valia a todo custo, incluindo a super precarização das relações de trabalho. 

E com o avanço da globalização nos termos atuais, borrar fronteiras e enfraquecer os Estados nacionais passou a ser também, para a reconfiguração do sistema, uma questão nodal.

Em consequência, a super exploração dos povos pelos centros capitalistas e a absurda desigualdade social.

Caldo de cultura para a eclosão de movimentos libertários.

Entretanto, no plano subjetivo, as forças populares, democráticas e revolucionárias, padeciam (como padecem até hoje) de uma imensa defasagem teórica e política.

Essa equação permeia o exame do ciclo mudancista que vivemos no Brasil durante os dois governos Lula e o primeiro governo Dilma.

A coalizão governista de então, a corrente hegemônica em particular, o PT, soube manusear em certa medida, com êxito, problemas conjunturais, carecendo, no entanto de descortino estratégico.

Em outras palavras, a despeito da afirmação da soberania do país, da revalorização da democracia e de conquistas expressivas não âmbito social, não se logrou êxito na direção de um novo projeto de desenvolvimento do país, a ser conduzido por um Estado nacional forte.

Ao contrário, precisamente por essa falta que descortino estratégico, se adotou medidas que enfraqueceram o Estado. Tudo a ver com a atual crise institucional e com o processo de recolonização de nossa economia, em curso.

Os erros táticos crassos, sobretudo no segundo governo Dilma, refletem tanto a ausência de um projeto estratégico, como da absurdamente precária compreensão da correlação de forças em presença.

O Projeto de Resolução Política em debate no 14º Congresso do PCdoB configura uma agenda, que plenamente desenvolvida, contribuirá em muito para a superação do atraso das forças subjetivas no Brasil de hoje.

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