24 abril 2017

Ciência & ambiente

Entre a lenda e a ciência: as 25 espécies mais buscadas pelos cientistas

A lista inclui animais e uma planta que não são vistos há mais de 1.500 anos

Joana Oliveira, El País 

O último exemplar vivo da tartaruga gigante da ilha Fernandina, em Galápagos, foi visto pela última vez há 111 anos

É difícil imaginar que seja possível perder uma tartaruga gigante, mas é exatamente o que aconteceu com a espécie da ilha Fernandina, a menos explorada e a mais jovem das Ilhas Galápagos. O único exemplar já encontrado foi um macho, descoberto em 1906 por pesquisadores da Academia de Ciências da Califórnia, que o mataram para estudá-lo como modelo. A pista seguinte apareceu em 1964, quando um grupo de cientistas encontrou excrementos do animal. Uma expedição aérea em 2009 detectou algo parecido com uma tartaruga gigante, mas para todos os efeitos práticos o rastro desse réptil se perdeu há 111 anos.
Agora, a busca para encontrar esta e outras 24 espécies desaparecidas se renova graças a uma iniciativa da organização Global Wildlife Conservation (GWC), que lançou uma campanha global para encontrar o que consideram os 25 animais (e uma planta) mais procurados do planeta. Nenhum está oficialmente extinto, mas, coletivamente, as espécies não foram vistas em mais de 1.500 anos. “A tartaruga gigante, por exemplo, está na mais vulcânica das Ilhas Galápagos. Todo o território é um cone vulcânico massivo, coberto de matagais quase impenetráveis. Alguém poderia caminhar muito perto de uma tartaruga de mais de um metro do outro lado de um arbusto e sequer perceber que estava ali”, comenta Robin Moore, biólogo e líder do projeto.
A lista, elaborada por centenas de cientistas da União Internacional para a Conservação da Natureza, inclui um morcego, uma abelha, um periquito, um cavalo-marinho e um tipo de coral. Os especialistas tiveram de nomear espécies que não tinham sido detectadas em mais de 10 anos —aquelas já declaradas extintas, como o tigre da Tasmânia, não foram consideradas— e, a partir de uma lista inicial de 1.200 espécies, a organização reduziu a busca ao que considera 25 espécies “peculiares e carismáticas” que, se ainda existem, são encontradas em 18 países em todo o mundo.
As expedições começarão no fim do verão europeu (fim do nosso inverno), depois de uma campanha para arrecadar 500.000 dólares (cerca de 1,6 milhão de reais). Moore explica que cada investigação será diferente. Os cientistas podem dar início a uma busca de duas semanas nas pradarias e pântanos do norte de Myanmar (antiga Birmânia) para procurar o pato de cabeça rosada, que está desaparecido há 68 anos. Para procurar a equidna de Attenborough, o mais provável é que os cientistas utilizem armadilhas de câmeras que serão monitoradas pelos moradores. A busca da salamandra escaladora de Jackson vai exigir uma expedição aos bosques nevoentos da Guatemala para revirar troncos durante o dia e percorrer a selva com lanternas à noite. “Falar com os moradores será chave na maioria das buscas, como no caso da rã conhecida como sapinho arlequim, na selva da Venezuela”, comenta o biólogo.
Moore tem certeza de que a campanha funcionará e tem evidências em primeira mão para acreditar: liderou em 2010 uma busca por sapos possivelmente extintos, que envolveu 33 equipes de especialistas em espécies desaparecidas em 21 países, e que resultou não só na redescoberta de três dos 10 anfíbios mais procurados, mas também conseguiu encontrar outras 15 espécies.
Há, além disso, indícios que sustentam a hipótese de que as 25 espécies procuradas atualmente podem estar escondidas em algum canto do planeta. Em 2007, um grupo de cientistas encontrou rastros de tocas que, por sua forma, poderiam ser da equidna de Attenborough, apesar de não haver evidência física ou de DNA. Entre 2000 e 2001, caçadores encontraram sinais que indicam que uma espécie de macaco antes considerado extinto, o colombo vermelho ocidental, sobreviveu. Na Guatemala, duas espécies de salamandra foram redescobertas depois de mais de três décadas sem deixar rastro —“O que nos leva a crer que a salamandra escaladora também pode nos surpreender”, diz Moore. E na Venezuela, os nativos relataram ter visto rãs que coincidem com a descrição do sapinho arlequim. “Todos esses fragmentos de evidências são tentadores. É uma centelha de esperança para a redescoberta dessas espécies”, afirma o biólogo.
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Sintonia

A conhecida loja de roupas Dimpus, na Visconde de Pirajá, Ipanema, zona sul do Rio, procura atrair clientes em sintonia com o sentimento da maioria. Num cartaz anuncia: quem gritar Fora Temer ganha 20% de desconto. #ForaTemer #cenaurbana

Humor de resistência

Bessinha vê o direcionamento político das delações no âmbito da Operação Lava Jato.

Por um amplo pacto

Tempus fugit
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

A prolongada crise nacional vai atingindo múltiplos aspectos da sociedade brasileira e nada indica que nesse rumo, ou na absoluta falta dele, as coisas vão chegar a um bom termo.

No plano econômico, mesmo com o denodado esforço da grande mídia hegemônica, a contínua queda dos indicadores econômicos aponta no sentido do agravamento da recessão, aumento galopante do desemprego, além do processo estrutural da desindustrialização do País.

No aspecto institucional, o que se observa é a afirmação de uma espécie de novo tipo de fascismo adequado às características e exigências do Mercado financeiro, e das oportunidades que usufruem as grandes empresas estrangeiras com o desmonte do parque produtivo nacional, estatal e privado.

No campo social são evidentes as ameaças, e concretizações destas, às Históricas conquistas trabalhistas adquiridas desde a revolução de 1930. De outro lado, tramitam no Congresso Nacional projetos que ameaçam a soberania e integridade nacional, como a venda criminosa de terras a grandes grupos estrangeiros, incluindo a Amazônia brasileira.

A nação já não vive um clima de legalidade democrática, encontra-se sob um verdadeiro Estado de Exceção, onde o poder executivo, a presidência da República, vítima de golpe de mão, não representa qualquer segmento da sociedade nacional, salvo os interesses do capital rentista, da mídia golpista e de aventureiros de ocasião cujos anseios estão a anos luz da grandeza que a nação exige.

O Congresso Nacional, salvo louváveis exceções já conhecidas, vai à deriva, abatido por si próprio tanto como pelos ataques cirúrgicos da grande mídia hegemônica, uma das protagonistas do golpe de Estado.

O açoitamento da política, caminho da participação social nos rumos do País, tem sido uma constante por essa mesma grande mídia hegemônica, que é recorrente na prática de arranjos autoritários para o País, como nos tempos atuais.

Por isso, tempus fugit: o tempo voa para que os democratas, patriotas e progressistas constituam um amplo pacto político, com intensa participação de variadas camadas sociais, que enseje a reconstrução nacional, a integridade do País, assegure os direitos trabalhistas dos cidadãos, aponte um novo rumo para a economia e o desenvolvimento, antes que alguma figura delirante empalme os destinos do Brasil.
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Menos direitos

A reforma trabalhista proposta pelo governo Temer permitirá que o patrão possa reduzir os salários dos trabalhadores ainda que ele continue a exercer a mesma função na empresa, e nem mesmo a Justiça poderá interferir no assunto. A irredutibilidade dos salários é uma garantia da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Leia mais http://migre.me/wuU7x

Pela ciência

Uma inédita manifestação mobilizou milhares de pessoas em mais de 500 cidades de diferentes países no último sábado (22). Cientistas, professores, pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, além de parlamentares e lideranças sociais ocuparam as ruas em cerca de 70 países para participar da Marcha pela Ciência. No Brasil, pelo menos vinte cidades participaram da marcha. Leia mais http://migre.me/wuTX3 

23 abril 2017

Desastre

Em três anos, empresas investigadas pela Lava Jato já demitiram mais de 600 mil trabalhadores. É no que dá a não separação do joio e o trigo e colocar na mesma vala a punição de executivos corruptos e a inviabilização das empresas. Campo aberto para empresas estrangeiras ocuparem o lugar das nacionais e para a liquidação da engenharia brasileira. 

Para onde?

Oito dos onze candidatos à presidência da França, hoje, defendem a saída da União Europeia. Subproduto da crise global e da transição a uma nova ordem multipolar. 

O prazer da fotografia

Cena urbana: O sol se põe no Arpoador (Foto: LS) #cenaurbana #riodejaneiro

22 abril 2017

Inquisição

Numa escola sem partido, quais autores seriam permitidos, comunistas arrependidos ou reacionários assumidos?, pergunta Marcelo Rubens Paiva em sua coluna no Estadão. "Se o projeto escola sem partido for adiante, nossos melhores historiadores e escritores serão chamas da grande fogueira da intolerância, livros queimando em pátios, numa inquisição ideológica de que ninguém tem saudades", afirma.

Tem razão.

Ônus

Lula afirma — com toda razão — que os que o acusam têm o dever de provar a sua culpa; e não ele provar sua inocência.

Delação

Advogados de Lula afirmam que o empresário Leo Pinheiro, da OAS, está mentindo sobre o ex-presidente para ter a sua delação premiada aprovado. Pode ser. Faz sentido

Golpe

Enquanto a grande mídia monopolizada se deixa com sofreguidão à sanha de atacar Lula a todo custo, a revista CartaCapital publica extensa reportagem, na dação desta semana, dando conta das confissões de Temer que confirmam o espírito de vingança que moveu Eduardo Cunha ao deflagrar o processo de impeachment de Dilma Rousseff. Rolou uma negociata de 40 milhões de dólares com Temer e Cunha no escritório do atual presidente. Confira: cartacapital.com.br 

21 abril 2017

Carga pesada

Na capa do jornal O Globo hoje, verdadeiro bombardeio contra Lula — das principais manchetes às chamadas das colunas. Enquanto isso, Aécio, Serra, Alckmin, Temer, Fernando Henrique Cardoso et caterva continuam tratados amigavelmente. Não se trata de combate à corrupção; é o jogo duro para evitar Lula em 2018.

20 abril 2017

Preferência

Pergunto a Alice, 3 anos:
- Do que é que você gosta mais aqui na praia?
- Bolo de rolo e piscina!

Tarefa indispensável

Nada substitui o trabalho político na base
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Resultados de pesquisa recente realizada pela Fundação Perseu Abramo com foco em populações periféricas de São Paulo causam estranheza e inquietude.

Mas não deviam surpreender, pois apenas revelam conhecido dado da realidade: a discrepância entre o discurso político dos segmentos mais avançados da sociedade e o nível de percepção da maioria da população.

Essa discrepância é maior ou menor, dependendo em boa parte das circunstâncias políticas; e é mediada por vários fatores – entre os quais a natureza e a qualidade dos vínculos de partidos e agrupamentos políticos com a base da sociedade.

Pesa, sobretudo, a qualidade do diálogo entre militantes e ativistas e o cidadão comum.
Quando do último pleito presidencial, uma expressão esteve presente no discurso de todos os candidatos: "Você chegou até aqui por esforço próprio".

Isto porque as pesquisas de então já revelavam que os quase 40 milhões de brasileiros que haviam ascendido socialmente em doze anos de Lula e Dilma não percebiam sua melhoria de vida como fruto de políticas públicas adotadas pelo governo. Atribuíam o êxito ao próprio esforço.

É que o processo de formação de uma consciência social avançada é algo complexo, nem é instantâneo nem se dá em linha reta.

Espontaneamente o indivíduo tende a ver quase que somente a realidade local e pessoal. Não faz a relação de suas vivências individuais ou coletivas com a realidade do país e com a necessidade de se mudar a natureza do poder político como condição indispensável a transformações sociais e políticas que permitam solucionar os problemas fundamentais do povo e destravar o desenvolvimento nacional.

Por mais eficiente que seja a propaganda dos feitos e benefícios atribuídos a determinado governo, jamais dispensará um trabalho cotidiano que proporcione ao cidadão seu aprendizado político.

É o que é Lenin em sua obra clássica "Que fazer?" chamou de introdução do elemento consciente no movimento espontâneo.

A realidade atual é bem diversa daquela em que o grande líder russo atuou, final do século XIX e início do século XX.

Hoje o trabalho político militante envolve um conjunto de variáveis, da sofisticação dos meios de comunicação à multiplicidade de estímulos com os quais o indivíduo convive no seu dia a dia.

Mas o desafio é o mesmo. E não foi enfrentado devidamente pelas forças governantes no ciclo transformador recém-interrompido.

O limitado descortino estratégico da força política hegemônica e a presença saliente, na coalizão governista, de segmentos conservadores pesaram nesse sentido.

Neste instante da vida do país em que está instaurada a crise e a instabilidade em todas as esferas da sociedade, sob correlação de forças favorável ao agrupamento que deu o golpe e promove o retrocesso neoliberal, a luta no terreno das ideias e a atividade militante, pedagogicamente eficiente, têm enorme relevância.
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Futuro

Um novo salto civilizatório no Brasil se dará com o socialismo. Há um longo, complexo e sinuoso caminho a ser percorrido até lá - passando por conjunturas adversas como a atual. 

Vai quem quer

A frente ampla contra o governo golpista de Temer e por um novo ciclo de transformações políticas e sociais é uma proposta justa. A sua construção é um processo gradativo, sem esquema prévio; e provavelmente não incluirá todas as forças de esquerda, ficando de fora alguns grupos que não compreendem a necessidade de uma coalizão ampla e preferem o autoisolamento.

Alvo

Informações dadas por delatores não são necessariamente verdadeiras. A mídia faz uma edição muito bem feita e com orientação política clara: já não pode esconder os tucanos e os peemedebistas, mas mantém Lula e o PT como alvo principal.

19 abril 2017

Reforma política em alta

Mais de cem entidades civis se reuniram para reativar a Coalizão pela Reforma Política, nessa segunda-feira (17), em Brasília, dentre elas a CNBB, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral, UNE e OAB Nacional. A decisão foi tomada por representantes do grupo para fazer pressão à reforma política-eleitoral, em discussão na Câmara dos Deputados. Recentemente, o relator da proposta, Vicente Cândido (PT-SP), defendeu o sistema de voto em lista fechada e o financiamento público para as eleições de 2018 como um modelo de transição que vigore até as eleições de 2022. A partir do ano eleitoral seguinte, em 2026, as escolhas dos candidatos seriam realizadas no modelo distrital misto. Para o eleitor desatento, todos esses termos como “voto em lista aberta, ou fechada”, “modelo distrital puro, ou misto”, por exemplo, acabam causando confusão. Por isso, o ex-deputado pelo PCdoB e um dos articuladores da Coalizão pela Reforma, Aldo Arantes, defende a máxima divulgação do tema na imprensa e nas redes sociais. Em entrevista para Luis Nassif, do Jornal GGN, Arantes explicou que o que obrigou o Congresso a colocar na mesa a reforma política foi o fim do financiamento privado de campanha, apontando o tipo de sistema eleitoral defendido pela Coalizão e os riscos de a reforma reforçar a cultura do coronelismo no país, caso um modelo distrital consiga passar. Entenda os principais pontos da reforma que propõe mudanças eleitorais e pode reforçar retrocessos no país http://migre.me/wt0Zh

Rejeição

Na pesquisa CNI/Ibope, a maior rejeição a Temer se dá na população entre 25 a 44 anos de idade.

Gesto elevado

Defesa da nação
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Um país que se respeite há de ter sempre, nos momentos mais difíceis, vozes que se alevantam em defesa dos interesses nacionais e do povo.

O Brasil é um país de peso geopolítico próprio, mais do que respeitável, ainda que temporariamente – com José Serra e agora com Aloysio Nunes -, tenha abandonado a postura de independência e altivez e se realinhado com os EUA.

Num mundo em transição para uma nova ordem multipolar, voltamos a uma posição retrógrada.
Isto num cenário geral de crise mundial e interna, o que acentua nossas vulnerabilidades.

E para completar os infortúnios do momento, na esteira da controversa Operação Lava Jato se acelera o esgarçamento das instituições e a negação da política, abrindo um perigoso vazio muito próprio de situações pré-ditaduras.

Mas, nessas adversas circunstâncias, sob a liderança do ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, renomados economistas, professores, físicos, engenheiros, sociólogos, músicos, arquitetos, cineastas, escritores, intelectuais, políticos, advogados lançaram dias atrás o Manifesto do Projeto Brasil Nação  http://migre.me/wqMLG.

Nele, com clareza e consistência, a denúncia do desmonte do Estado nacional e a regressão de conquistas e direitos sociais, o esfacelamento de nossa indústria a partir da espoliação da Petrobras – que ameaçam conduzir o Brasil “à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento.”

“Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país”, assinala o documento. 

E acentua que “o governo reacionário e carente de legitimidade não tem um projeto para o Brasil. Nem pode tê-lo, porque a ideia de construção nacional é inexistente no liberalismo econômico e na financeirização planetária. Cabe a nós repensarmos o Brasil para projetar o seu futuro – hoje bloqueado, fadado à extinção do empresariado privado industrial e à miséria dos cidadãos”.

Nessa direção, os subscritores do documento se ajuntam aos que se batem pela necessidade de se combinar a denúncia e o protesto – no parlamento, nas redes e nas ruas – com a construção de uma plataforma capaz de unir amplos segmentos sociais e políticos verdadeiramente comprometidos com a defesa da Nação.

O documento sentencia que “nossos pilares são: autonomia nacional, democracia, liberdade individual, desenvolvimento econômico, diminuição da desigualdade, segurança e proteção do ambiente – os pilares de um regime desenvolvimentista e social.”

Uma palavra sensata, aguerrida e oportuna – a ser considerada e debatida amplamente.

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Marionete

Em carta enviada a Temer, o Papa Francisco alerta: "Não se pode confiar na 'mão invisível' do mercado". O problema é que Temer é um marionete do "mercado"!

Cena esquisita

Moro e Temer riem de quê?

Vamos ver

Derrota do pedido de urgência para a tramitação da reforma trabalhista pode ter dois sinais: ou a base governista que por negociar mais vantagens na negociação direta com o Planalto ou cresce o volume de dissensões. É acompanhar para ver. 

Intriga no covil

No Planalto, há queixas de que o líder do governo no Congresso, deputado André Moura (PSC-SE) seria apenas "decorativo", e não líder de fato, segundo a coluna política da Folha de S. Paulo. A base governista envolta com uma agenda francamente impopular claudica. 

Até onde?

Pergunta oportuna: Quando chegarão ao Judiciário e ao Mercado Financeiro as revelações feitas nas delações premiadas? 

Saída política

O caos e o futuro
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

- Nunca vi tamanha confusão, pra onde a gente se vira só tem notícia ruim, comenta o amigo no WhatsApp.

- Pois eu já vi, rapaz. Vi, vivi e a História registra inúmeras situações assim, respondo.

- Até aqueles grupos que organizaram manifestações pelo impeachment viraram avestruz, cara!

- Como assim?

- Calaram o bico, enfiaram a cabeça no chão e estão feito cachorro de mudança que cai de caminhão...

- Sim, é verdade. Derrubaram Dilma e botaram Temer achando que o país ia melhorar e quebraram a cara. O país afunda e o grupo que governa com Temer se revela envolvido em tudo o que não presta.

- Então, a gente não sabe o que fazer nem sabe para onde ir...

- De lado de cá, da oposição, também tem muito bate-cabeça, tem gente que alimenta a revolta (justa) e protesta, mas não encontra o rumo.

- Uns reclamam dos outros...

- Alguns usam uma metralhadora giratória, atacam inimigos, adversários ocasionais, aliados, potenciais aliados...

- E aí, como a gente sai dessa?

- Calma, amigo. Esse caos aparente é próprio das situações de crise, acontece no Brasil e mundo afora. Nem tudo é delação da Odebrecht, embora a mídia só fale nisso.

- Você acredita numa luz no fim do túnel?

- Mais ou menos isso. Meu partido, o PCdoB, tem trabalhado nessa direção. O ex-ministro Bresser-Pereira lidera um movimento chamado Projeto Brasil Nação, que reúne expressivo contingente de economistas, físicos, artistas, sociólogos, arquitetos, jornalistas... muita gente respeitada. Setores de partidos de oposição, juristas, a OAB, a CNBB, parcelas dos movimentos sociais trabalham também nisso...

- E tem a greve geral dia 28, né?

- A greve geral, as manifestações contra as reformas previdenciária e trabalhista, o Grito da Terra, a defesa de conquistas sociais e direitos.

- O pessoal está reagindo...

- Sim, há uma crescente resistência que ganha as ruas e sensibiliza milhões dos que não estavam compreendendo as mudanças políticas recentes. E há um esforço, ainda disperso, mas que tende a convergir, no sentido de construir uma plataforma que una todas as forças que lutam pela democracia, pela retomada do desenvolvimento econômico com inclusão social, pela soberania do país.

- Você é otimista.

- Sempre. Do caos pode brotar o futuro.
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18 abril 2017

Manifesto oportuno

Liderados pelo ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, economistas, professores, físicos, engenheiros, sociólogos, músicos, arquitetos, cineastas, escritores, intelectuais, políticos, advogados estão lançando o Manifesto do Projeto Brasil Nação. O texto afirma que o Brasil passa por um desmonte, com o esquartejamento da Petrobras, a destruição da indústria, a demolição de direitos sociais. Esse processo levará o país “à dependência colonial e ao empobrecimento dos cidadãos, minando qualquer projeto de desenvolvimento. Privatizar e desnacionalizar monopólios serve apenas para aumentar os ganhos de rentistas nacionais e estrangeiros e endividar o país”. Leia mais http://migre.me/wqMLG

O prazer da fotografia

Cena urbana: Baía Formosa, RN (Foto: LS)

Regressão

O Projeto de Lei 6787/16, da reforma trabalhista de Temer, que já era muito ruim, piorou ainda mais com o parecer apresentado pelo relator, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). Para o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), “o substitutivo se traduz num cardápio de maldades contra os trabalhadores”. Ainda segundo o Diap, “a proposta estabelece que o acordo e/ou convenção se sobreponha aos direitos garantidos em lei e, ainda, que o acordo prevalecerá sobre a negociação coletiva e possibilita o impedimento do acesso à Justiça na forma do acordo extrajudicial irrevogável e arbitragem das relações de trabalho, dentre outras formas, como o termo de quitação anual das obrigações trabalhistas” – assinala Editorial do portal Vermelho. Leia mais http://migre.me/wqN1U

Coisa antiga

"O que temos no Brasil não é um negócio de cinco, dez anos. Estamos falando de 30 anos atrás", afirmou Emílio Odebrecht em seu depoimento à Lava Jato, a propósito do chamado “caixa 2”. Por que essa verdade é pouco debatida na mídia hegemônica?

Quem comanda o retrocesso?

Quem são os donos do golpe
Desde a sua concepção até a sua execução diária, há cristalinos interesses econômicos no golpe em curso. Os interesses econômicos não são simples participantes dentro do movimento político do golpe; tais interesses são dirigentes, são a bússola do golpe.
Por João Sicsu, na Carta Capital 

Muitos interesses e diferentes atores compuseram o movimento do golpe de 2016. Há golpistas de primeiro escalão, são aqueles que estão pilotando a agenda econômica do governo de Michel Temer. Há também golpistas de segundo escalão, que têm interesses ora atendidos e ora contrariados. E, existiu o terceiro escalão, que já foi até descartado.

Já foi descartada a classe média que apoiou o golpe acreditando num novo governo sem corruptos e que promoveria o crescimento econômico. A Fiesp e a Firjan, entre outros patos, estão naquele grupo intermediário que ganha alguma coisa e, ao mesmo tempo, têm boa parte de seus estímulos públicos solapados. Na proa do golpe estão os banqueiros, as multinacionais e os interesses rentistas.

O empresariado produtivo brasileiro, as multinacionais e os bancos ganharam com a aprovação da terceirização ilimitada. Mas o empresariado produtivo brasileiro perdeu com a mudança das regras de conteúdo nacional (na cadeia de petróleo e gás). E perdeu também com a mudança do ordenamento que garantia baixas taxas de juros nos financiamentos do BNDES.

A mudança da regra de conteúdo nacional e o desmonte do BNDES são ganhos para as multinacionais. E mais: recente decreto (no 8.957) do governo federal (aliás, muito pouco divulgado pela mídia desinformadora) escancarou as portas da economia brasileira para as empresas estrangeiras.

Esse decreto associado à lei 4.131/1962 permitirá que empresas estrangeiras obtenham créditos e garantias junto aos bancos públicos para realizar investimentos em áreas agora consideradas de “alto interesse nacional”. Entre os setores indicados no novo decreto estão: telecomunicações de qualquer natureza, têxtil, petróleo e gás natural (compreendendo a exploração e a produção de hidrocarbonetos e toda a sua cadeia produtiva), serviços de turismo, saúde, educação e comércio. Ganharam (muito) as multinacionais com o novo decreto.

Além disso, a primeira mudança de grande impacto do governo golpista atendeu imediatamente os interesses rentistas quando aprovaram a PEC que limita todos os gastos do governo, exceto os pagamentos de juros da dívida pública. Garantiram ao rentismo, portanto, uma polpuda reserva dentro orçamento público por vinte anos.

Multinacionais estão abocanhando ativos da Petrobras e o pré-sal – e ganhando com a destruição da indústria naval nacional e das empreiteiras brasileiras. E avançam sobre a indústria nacional da carne e sobre reservas minerais (ouro, por exemplo) e naturais. Mais: as multinacionais vão poder comprar grandes extensões de terras brasileiras.

Banqueiros empurram goela abaixo do Congresso Nacional um projeto de reforma da Previdência que fará disseminar planos de aposentadoria oferecidos pelo sistema financeiro. O arrocho previdenciário e o desmonte de programas sociais (Mais Médicos, Farmácias Populares etc) buscam garantir recursos no orçamento público para serem transferidos ao rentismo.

Os alvos do golpe são os pobres, os trabalhadores, a classe média e o funcionalismo público. Ademais, as pequenas e médias empresas e a grande indústria nacional também estão na mira. Todas as instituições do Estado brasileiro que são protetoras ou geradoras de empregos e de bem-estar social para esses segmentos estão sob ameaça porque o objetivo do governo é limpar o terreno (higienizar o ambiente) para que haja a facilitação de ganhos econômicos e financeiros para o primeiro escalão golpista.
 

Os pobres, os trabalhadores, a classe média, o funcionalismo público e algumas instituições são barreiras ao aumento dos lucros e ganhos das multinacionais, dos banqueiros e do rentismo. É dentro dessa lógica que podemos entender o desmonte do Estado brasileiro que está se transformando num balcão de negócios e favorecimentos exclusivo do primeiro escalão golpista.

Essa é a lógica que explica a tentativa de destruição da ciência e tecnologia desenvolvidas nas universidades e centros de pesquisa brasileiros. Os esforços nacionais não são considerados úteis, as multinacionais já dominam conhecimento necessário à exploração do País.

Essa é a lógica que explica também porque os bancos públicos federais estão sendo desmontados juntamente com os programas sociais que estão associados. Estão vindo abaixo o programa de financiamento estudantil (Fies), o Minha Casa Minha Vida e os programas de microcrédito. O programa de financiamento da agricultura familiar (Pronaf) será a próxima vítima.

O objetivo da destruição dos bancos públicos é abrir espaço no mercado financeiro para os bancos privados. O objetivo do definhamento dos programas sociais é, como dito, aliviar o orçamento federal garantindo recursos para os rentistas.

Até os bancos públicos estaduais vão ser privatizados como obrigação dentro do projeto de alívio orçamentário provisório do Estados da federação que o governo federal tenta aprovar no Congresso Nacional. No passado, o Itaú comprou quatro bancos estaduais. O Bradesco adquiriu outros quatro. O Santander abocanhou o Banestado (SP). Agora estão de olhos e bocas abertas para o Banrisul (RS), o BRB (DF), o Banpará (PA), o Banestes (ES) e o Banese (SE).

Em conclusão, no programa econômico do golpe, bancos, multinacionais e rentistas somente ganham. E os pobres, os trabalhadores, a classe média e o funcionalismo público só perdem. A Fiesp e patos assemelhados viraram baratas tontas – seguem desorientados tentando se agarrar no governo ilegítimo que lhes tratam como gente de segunda linha.

Essa é uma possível anatomia econômica dos interesses, empresas, instituições e pessoas presentes ou afetadas pelo golpe em curso. Uma anatomia política discorreria certamente sobre a Lava Jato, os políticos patrimonialistas, o sistema político-eleitoral e a grande mídia desinformadora.
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No fundo do poço

Vox Populi: 93% dos brasileiros são contra reforma da Previdência. E a rejeição ao governo de Michel Temer continua em trajetória crescente. Uma nova pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizada entre 6 e 10 de abril, mostra que apenas 5% dos entrevistados consideram o desempenho do presidente ótimo ou bom. Esse percentual era de 8% em dezembro do ano passado e de 14% em outubro. Leia mais http://migre.me/wqMPX

Resistência

Que os estragos, em termos de imagem, de grande parte da representação política atual – sobretudo dos que deram o golpe, afastaram Dilma e puseram Temer no governo -, possam reforçar a necessidade de se avançar em saídas para a crise. Temer e seu grupo palaciano, manipulados pelo “mercado”, cuidam das reformas neoliberais antipopulares com a sofreguidão de quem tem um dever de casa a fazer e o tempo é curto. Seu destino é a lata de lixo da História. Mas no seio da sociedade e dos partidos comprometidos com a democracia, há se construir a plataforma de unidade que possibilite uma vitória do povo em 2018.

Sumiço


Luzes e sombras

O novo século
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

O que acontece atualmente com o Brasil, com o golpe de Estado que entronizou no poder Michel Temer, é reflexo direto de uma encarniçada batalha geopolítica em curso.

O País é a 7ª economia mundial e não chegou a tal escala de crescimento através de geração espontânea, como a falsa teoria de Lamarck, mas graças à condição peculiar de nação continental, detentora de múltiplas riquezas naturais como o petróleo, além de várias outras estratégicas como o Nióbio etc.

Possui imensa riqueza em águas, como a reserva aquífera da Amazônia, a maior do mundo. Uma situação geopolítica que o define, junto com suas dimensões geográficas, como um dos principais atores no atual tabuleiro de xadrez da arquitetura mundial.

Na verdade, há várias décadas o Brasil deixou de ser o País do futuro, definido pelo escritor austríaco Stefan Zweig, que aqui se exilou fugindo do nazismo na Europa.

Após a 2a Guerra Mundial a nação passou a trilhar, com idas e vindas, avanços e retrocessos, um protagonismo crescente, adquiriu sofisticada estrutura com quadros nos mais diversos estamentos do aparato estatal.

A economia brasileira foi atingindo, apesar dos percalços, a dimensão atual, e o caminho do desenvolvimento nacional mesclou a associação dos setores público e privado, característico dos Países em desenvolvimento.

No século XX, o século norte-americano, o Brasil não só sobreviveu às agruras da ação intervencionista dos EUA como chegou ao patamar que o define hoje como um dos integrantes dos BRICS. E a tendência de tornar-se em 2050 a 5a economia mundial, apesar das abissais desigualdades sociais, enorme déficit em infraestrutura etc.

Já disseram: se você controla o petróleo controla as nações... se controla o dinheiro controla o mundo.

O século XXI é o século do poder do Mercado financeiro global, da decadência agressiva dos EUA. Mas também da emergência geopolítica multipolar onde o Brasil é protagonista de nível médio.

O golpe de Estado, além de antidemocrático, tem a intenção de desconstruir a cadeia produtiva nacional, privada e estatal, pretende a subalternidade da nação frente às suas imensas possibilidades de ator geopolítico, de interlocutor progressista num mundo em rápida transformação. Por isso a necessidade de uma frente patriótica e democrática em defesa da reconstrução da nação.

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De que lado?

Temer pressiona parlamentares para que votem a favor das reformas previdenciária e trabalhista como argumento de que se não forem aprovadas a economia estará prejudicada (sic), o "mercado" contrariado e o futuro político de cada um comprometido. E o povo não conta? Quanto cinismo!

No rádio

Lula tem dado muitas entrevistas a emissoras de rádio, sobretudo do Nordeste. Faz muito bem. O rádio ainda cumpre um papel importante no cotidiano das pessoas. 

Estado de exceção

As manchetes sonegadas e o fascismo
Tarso Genro, Brasil 247

As delações premiadas são confissões-informações prestadas por cidadãos que já reconhecem ter cometido delitos e pretendem, através de uma colaboração formal com o Ministério Público e o Poder Judiciário, obter reduções significativas de penas e até condições especiais para o cumprimento das mesmas. Defendo que o instituto da “delação” -usado com as devidas cautelas constitucionais- pode ser um bom instrumento para nortear investigações e constituir provas para comprovar delitos de difícil aferição.
O que está acontecendo no país, porém, não é isso. Trata-se de um outro processo, de natureza jurídico-política, que caracteriza bem os momentos de “exceção” que submetem, hoje, a democracia brasileira. Momentos que pervertem o Estado de Direito, ferem o direito de defesa e promovem linchamentos pela mídia tradicional, no melhor estilo da imprensa stalinista, contra os “inimigos do povo soviético” e da imprensa nazi-fascista, que adiantava as sentenças do Tribunais domesticados pelo sistema policial, autonomizado dos demais poderes do Estado. O sistema policial, nestas hipóteses, era o próprio Estado.
O instituto da “delação”, no Brasil, tornou-se apenas um sistema de blindagem e impunidade dos delatores empresariais, para incriminar toda a esfera da política, penalizando pela mídia de forma massiva -sem quaisquer critérios de verificação, sem seletividade, sem hierarquia de responsabilidades, sem separar crimes de irregularidades formais, sem separar propinas de contribuições legais de campanha- penalizando, repito  todos os que estão no “mundo” da política. A sujeira das outras instituições do Estado, do mundo privado, inclusive das mídias tradicionais passou, assim, a ser depositada de forma exclusiva na “política” e nos partidos.
Isso era para ser feito exclusivamente contra o PT, mas o processo “descontrolou-se”. Atingiu -em proporções gigantescamente maiores- a soma de lideranças dos partidos de direita e de centro-direita no país, que começaram a sofrer os mesmos métodos de incriminação em abstrato, que o PT e a esquerda vinham sofrendo, “réus” sem processo perante a opinião pública, mas já responsáveis pelos delitos apenas imputados. Delitos sem definição por sentença ou mesmo sem  relatórios próprios de qualquer Inquérito Policial numa situação de normalidade jurídica. (“Outro lado”: evidentemente, dentre os delatores estão pessoas que querem colaborar sinceramente com a Justiça e safar-se, arrependidos, das penas previstas para os crimes que se envolveram, cumprindo as tarefas dadas pelos seus patrões).
Observem como se dá o roteiro das incriminações: ele começa com notinhas nas redes, em “blogs” dos jornais tradicionais ou nos seus associados, ideologicamente, que transitam “informações” que logo são acolhidas por  colunas, aparentemente sem vínculos políticos (notoriamente anti-esquerda, anti-petistas e anti-Lula), que preparam as condições para o próximo passo: os vazamentos seletivos. Estes, são selecionados por pessoas da burocracia do MP ou da Justiça -ou por ambos- e passam a orientar a confecção das “Listas”. Estas vão “revelar” os delitos, como se eles já fossem apurados -cometidos pelos “políticos bandidos”- que, já encomendado no clamor popular, devem ser presos “imediatamente”, como é levado a dizer qualquer cidadão comum.
O processo de investigação inicial para apurar a notícia “criminis”, como se diz no jargão penal, desta forma substituiu o processo judicial e as “Listas” tornam-se, elas mesmas, as sentenças executadas por execração pública, que debocham da Lei e da Constituição. Debocham porque nem todos -de qualquer “Lista”-  são políticos bandidos (sejam de esquerda ou de direita) e porque os fatos que supostamente envolveram as pessoas “listadas”,  numa “Lista penal” única, não só são diferentes entre si, mas sequer são produto de um inquérito regular ou processo judicial, que tenham garantido qualquer resquício do direito de defesa.
Interessei-me, especialmente, pela chamada “Lista Fachin”, porque o jornal “Zero Hora” havia noticiado que dois ex-governadores do Estado estariam nela. Mesmo tendo confiança que o meu nome não estaria na “lista” (porque sempre escolhi como Tesoureiros de campanha pessoas afinadas com a posição de não recebimento de doações sem registro legal), tenho experiência suficiente, porém, para saber que não é difícil ser alvo de montagens para falsas incriminações, nesta verdadeira anomia moral e política que vive o país. E porque, de outra parte, ninguém está livre de “receber” (falsamente) uma “doação” ilegal, através de pessoas que eventualmente usem o nome do Partido ou do Candidato, para obter recursos para proveito próprio.
Quando vi a tal “Lista” percebi que dos últimos cinco Governadores do Estado apenas dois, eu e Olívio Dutra, do “maldito PT”, não estávamos na “Lista” de investigados, o que não nos impede -feitas as devidas simulações e montagens que estão sendo processadas com tais delações-  de estarmos eventualmente nas próximas. Surpreendi-me, mesmo assim, imaginando qual seria a manchete do referido jornal ZH, que já havia noticiado a presença, na “Lista”, de dois Governadores investigados e imaginei-a assim: EM VINTE ANOS SÓ OS GOVERNADORES DO PT NÃO RECEBERAM PROPINA.
Rapidamente reagi, ao sentir que eu também estava sendo impregnado pelo mesmo espírito fascista que empesta hoje -através da grande mídia- o ambiente político do país. Eu estava inconscientemente desejando aos os meus adversários, o mesmo tratamento que vinha sendo dado exclusivamente ao PT, e que hoje se destina -de forma indistinta- a todos os partidos e lideranças políticas. Sejam elas criminosas ou não, com ou sem provas, com “Listas” que misturam doações irregulares de campanha -que devem ser apuradas na forma lei- com roubos de dinheiro público e apropriação de recursos fraudulentos de empresas, para fortuna própria.
Fui ler os despachos do Ministro Fachin, que são simples encaminhamentos para verificar -em relação a todos os listados- da pertinência de instauração de inquéritos para apuração de determinados fatos, sobre os quais estarão em disputa a palavra dos delatores, que confessaram crimes e pretendem reduzir suas penas, de um lado, e de outro, a palavra dos “políticos”, apontados como beneficiados em processos eleitorais.  É claro que dentre os listados devem estar pessoas que cometeram delitos, mas seguramente colocar numa só lista  pessoas com graus de responsabilidade diversa (ou sem nenhuma responsabilidade) é um crime que o Estado comete contra a política e a democracia, característico de um período de “exceção”.
Como se verificará mais tarde -talvez em relação à maioria- o Estado aqui é que comete  um crime contra as reputações de delatados sem culpa. Não posso falar de todos, aqui do Rio Grande, porque não acompanho de maneira suficiente a sua militância, mas tenho absoluta convicção que -estes posso dizer porque os conheço bem- Germano Rigotto, Estilac Xavier, Maria do Rosário e Manuela D’Ávila, por exemplo, são pessoas que estão ou estiveram na política por seus ideais, não em busca de dinheiro ou vantagens pessoais. Basta ver o despacho de Fachin, para se chegar à conclusão sobre a leviandade das delações em relação a eles, submetidos a uma execração pública odiosa e construída de forma arbitrária.
Apenas um exemplo da grotesca situação a que estamos submetidos, neste processo sem controle legal, que caracteriza os momentos de “exceção”, que dissolvem os fundamentos da ética republicana num jogo barroco de informações que só favorece os grandes criminosos: a investigação pedida sobre Estilac Xavier é sobre recursos “não contabilizados” da sua campanha a Deputado Estadual em 2O10!  Repito, 2010!  Nesta eleição, Estilac Xavier não concorreu a Deputado Estadual! A investigação, portanto, deverá ser arquivada liminarmente pelo STJ, se este tiver um mínimo de isenção e seriedade no trato das questões que lhe são aferidas pela Constituição Federal. Mas o prejuízo já está feito.
O vídeo de delação que foi “liberado” por Fachin, refere-se à negativa de Estilac para receber recursos “não contabilizados”, a serem utilizados para a minha campanha a Governador, em 2010, cumprindo fielmente nossa orientação a respeito deste tema. A partir desta negativa de Estilac, o delator alega que encaminhou uma doação ao PCdoB, por sugestão de Estilac, visivelmente pasmado pela postura irredutível do Tesoureiro da campanha do PT, contra o “caixa 2”. Se o PCdoB disser que não recebeu esta doação “não contabilizada”, vale a palavra do delator que quer “ajudar” a Justiça para não cumprir uma pena ou do PCdoB, com o Partido político? Não é possível concluir que estes recursos ficaram no “meio do caminho”, com alguém que os detinha em depósito, e não foram devolvidos para empresa?
Os pequenos, médios, micro-empresários, que apostam no neoliberalismo e apostam no nosso João Berlusconi Dória para o futuro, estão cavando seu próprio túmulo. A sociedade que está sendo construída pelas grandes corporações empresariais globais, industriais, financeiras e de serviços, é uma sociedade onde o Estado não será um Estado de combate à corrupção nem será reduzido. Ele  simplesmente será absorvido e aparelhado por estas grande corporações, que sempre serviram dele, Estado, para a sua acumulação infinita. A premissa-chave, para que isto ocorra num regime de democracia formal, é a extinção da política e dos partidos, em cujo limite está o fascismo, que é o super Estado da violência irrestrita. Ou está o neoliberalismo absoluto, no qual o Estado -dissolvido nas grandes corporações financeiros- é um gigantesco aparato de acumulação sem trabalho vivo, mantido pelos gastos públicos da guerra e da morte sem limites, espalhada pelo globo.
(*) Tarso Genro foi Governador do Estado do Rio Grande do Sul, prefeito de Porto Alegre, Ministro da Justiça, Ministro da Educação e Ministro das Relações Institucionais do Brasil.

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17 abril 2017

Humor de resistência

Duke vê o retrocesso da terceirização.

O tamanho do retrocesso

Desmanches, cinismo e oportunismo
Walter Sorrentino, no portal Vermelho

O que está em desmanche não é apenas a Constituição de 1988, mas toda a modernidade brasileira aberta em 1930, aos trancos e barrancos sob o ponto de vista democrático - a Era Vargas.

A proposta de reforma da CLT altera mais de 100 artigos da CLT e cria dois novos modelos de contratação: o de trabalho intermitente, por jornada ou horas de serviço e o teletrabalho, o chamado “home office”. O fim do imposto sindical está no texto. O projeto vai a plenário no dia 19 e cria garantias contra a terceirização. O texto prevê que o empregador e o trabalhador possam negociar a jornada de trabalho chegando a até 12 horas por dia e 48 horas semanais.

Também na Previdência. Até a própria FSP (para não falar de vastos setores sociais) aponta evidências de que o governo federal não tratou os dados sobre a reforma da Previdência com toda a clareza quanto ao cálculo do gasto que foi apresentado pelo governo se baseando só em aumentos reais do salário mínimo. A conclusão é a mesma anterior: havendo a aprovação da reforma, dificilmente a política de aumento do salário mínimo seria mantida, o que penalizaria o estrato mais desfavorecido dos segurados. Mais um pilar da Era Vargas e impulsionado por Lula e Dilma.

O cinismo e oportunismo não têm limites. Nada mais se fala de superávite fiscal no governo Temer. As garantias que a plutocracia exige do governo não é o superávite, mas as contrarreformas. Com isso, jamais se viu uma política tão frouxa no plano fiscal, com déficits recorrentes de mais de centena de bilhões de reais.

Na outra ponta da polarização, “Moro reconhece dificuldade de investigar vazamentos e diz que 'é como caçar fantasmas'” – Como assim? O resto é investigável mas esse crime não? Bem oportunista a declaração. Não aprenderam isso nas reuniões feitas nos EUA? Carmem Lúcia do STF se contorce para evitar que os vazamentos possam anular os processos e bate de frente com Gilmar Mendes.

Vai mal o projeto golpista.

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Ciência dá trabalho

Novas teorias científicas só podem ser aceitas e validadas se puderem ser verificadas por meio de diversos experimentos independentes. É sobre esse princípio que a ciência moderna vem sendo construída desde a época do renascimento, o que permitiu os grandes avanços não somente na compreensão da natureza, mas também no desenvolvimento de novas tecnologias. Mas nem sempre é fácil realizar experimentos para verificar a validade científica da uma teoria. Em alguns casos, são necessários sofisticados experimentos em grandes laboratórios, utilizando o trabalho de centenas ou até milhares de pesquisadores, sem falar nos recursos financeiros, que podem atingir a ordem de bilhões de dólares. Um exemplo são os experimentos realizados no Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), uma dispendiosa iniciativa que teve seus resultados mais importantes a descoberta do bóson de Higgs em 2012. Também audacioso, o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferômetro Laser (LIGO, na sigla em inglês) anunciou nesta quinta-feira (11) a comprovação da existência das ondas gravitacionais previstas por Einstein há cem anos. Leia mais na Ciência Hoje Online http://migre.me/wqOk3