20 junho 2018

Quem?

‘MDB dá prazo à Meirelles para se viabilizar como candidato’ [Falta combinar com o povo].

O prazer da fotografia

Detalhe da Igreja da Sé, Olinda (Foto: LS)

Situação concreta


Na Copa e na política nem tudo é loteria
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Peraí, gente! Tudo bem que a Copa na Rússia ocupe grandes espaços na mídia: porque realmente desperta o interesse de milhões e porque há muito dólar investido em merchandise.

Mas é um saco amanhecer ouvindo uma enquete acerca de quantos gols o português Cristiano Ronaldo faria hoje contra o Marrocos; e se Neymar melhorou ou não a aparência com o novo corte de cabelo!...

Há muito mais assunto importante para a vida das pessoas sobre o solo conturbado do Planeta!

Natural que a principal estrela do selecionado brasileiro, Neymar, esteja no foco da reportagem. Mas há outros craques igualmente importantes e um dado que chama a atenção na atual versão da canarinho: a intimidade dos jogadores com as variações táticas adotadas pelo técnico Tite. 

Eu me sentiria contemplado se houvesse mais atenção a esse item.

Quanto às apostas sobre a artilharia do principal jogador português, até as crianças sabem que numa competição dessa natureza ninguém vence de véspera e o Marrocos poderia até surpreender. 

Soa meio arrogante imaginar que para o CR7 o jogo seja um simples passeio.

Parece com palpites na luta eleitoral. Muita gente não enxerga além das aparências e teima em analisar as coisas esquematicamente.

Agora mesmo, quem será capaz de prever o desenlace do pleito presidencial? E nos estados, salvo em um ou outro como a Bahia, onde a vantagem do atual governador, o petista Ruy Costa parece estar consolidada, tudo pode acontecer.

Pelo sim, pelo não, é preciso dosar a emoção e conter o subjetivismo. Para evitar apostas exageradamente arriscadas. 

A análise criteriosa de dados e cenários — no futebol, na política e na vida — dá trabalho, mas faz muito bem. 

Não é à toa que a milenar sabedoria oriental ensina que a subestimação do adversário e o desconhecimento do campo da luta são meio caminho andado para a derrota. E que na luta política, assim como na guerra, a correta avaliação da correlação de forças e dos fatores de risco é essencial para definir estratégias.

Na Insurreição Pernambucana, nossas forças eram carentes de armamentos, mas fartas em astúcia e hábeis na guerra de guerrilha; enquanto os holandeses, fortemente armados e superiores em efetivos, moviam-se rigidamente orientados pelos conceitos da guerra de posições, em terreno plano.

Nos Montes Guararapes, atraindo o inimigo para a mata fechada e para as veredas, na base de emboscadas, vencemos.

O terreno das eleições de outubro ainda não é plenamente conhecido.

Então, acompanhemos a Copa e as démarches pré-eleitorais com menos chute e mais critério. Do contrário, tudo vira loteria.

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19 junho 2018

Como assim?

‘No Planalto, há uma enorme preocupação com o clima de fim de festa e com o pessimismo de integrantes dos primeiros escalões.’  [E tem como ser otimista num governo execrado por mais de 90% da população!?]

Face cruel da crise


Os nômades forçados e a negação da política 
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Findando a segunda década do século 21, celebram-se conquistas da ciência e da tecnologia em todas as esferas da pesquisa e da inovação.

O aporte de novas tecnologias aos processos produtivos, por exemplo, elevaram enormemente a capacidade de se produzir mais e melhores mercadorias em menor espaço de tempo.

Assim como se aprimora extraordinariamente a capacidade humana de extrair o melhor desempenho da agricultura e espaços reduzidos.

Isso para acentuar a possibilidade real de se diminuir a jornada de trabalho dos que atuam na produção e nos serviços, permitindo ao trabalhador mais tempo para sua evolução intelectual e para o lazer.

Entretanto, a lógica do capitalismo se mantém centrada na busca do lucro máximo via extração da mais-valia relativa e absoluta.

Ao invés da democratização das oportunidades e do bem estar, a acelerada concentração da produção e da riqueza.

Assim, segundo estudo da Oxfam, a riqueza acumulada pelo 1% mais abastado da população mundial equivale à riqueza dos 99% restantes.

Um mundo de contradições e carências implica na disputa desenfreada por fontes de energia, o petróleo em especial, e mergulha em conflitos regionais crescentemente sangrentos.

Nesse contexto, o relatório Tendências Globais, da ONU assinala que há hoje em nosso Planeta 68,5 milhões de pessoas deslocadas de suas áreas de origem, o maior número em 7 décadas. 

No ano passado, 2,9 milhões de pessoas se tornaram refugiadas. São nômades forçados.

Daí a crise de valores e de perspectiva, que atinge quase toda a Humanidade.

E numa economia global em crise sistêmica e estrutural, que se arrasta desde 2008, sem sinais de superação real, ocupa o comando de tudo precisamente o capital financeiro internacional, que ao mesmo tempo engendra a crise e adota "saídas" consonantes com seus próprios interesses.

Aí está a causa primordial da campanha mundial de descrédito na política.

Em toda parte, utiliza-se de fatos negativos reais — como a prática da corrupção institucional — para alardear a falsa ideia de que pela via política não se resolvem os problemas que afligem toda a sociedade

Mas é precisamente através da política que se formam pactos sociais e políticos, e os modernos "donos do mundo" não têm o que oferecer além da preservação do status quo. Então, que se elimine a política como forma de negociação dos conflitos.

Nessa matéria, o que ocorre no Brasil dos nossos dias é parte desse drama mundial.

Resistir é preciso. Sempre.

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Com que roupa?

Tucanos de alta plumagem preocupados com o conteúdo da campanha de Alckmin, que consideram ‘mais do mesmo’. Não sabem ‘o que ele apresentará de atraente’ para conquistar o voto. [Na verdade, as ideias do PSDB foram derrotadas nas urnas nas últimas quatro eleições e triunfaram com o golpe].

Inquietação

Porta-vozes do mercado mostram-se inquietos com a “imprevisibilidade” das eleições de outubro. Ainda não conseguiram uma candidatura à presidência que una as forças golpistas e temem o avanço da oposição. 

18 junho 2018

A opinião de Tostão


Empate foi ruim, mas muita água vai rolar
Não gostei da saída de Paulinho, que, apesar do jogo apagado, é importante na área do adversário
Tostão, na Folha de S. Paulo

Falta uma hora para começar o jogo. Tomo um café com pão de queijo e me ajeito no sofá. A televisão mostra, pela milésima vez, o pênalti perdido por Messi e compara seu fracasso com o sucesso de Cristiano Ronaldo, como se fosse raro Messi perder pênalti.

Diferentemente do senso comum de que quem bate pênalti é o craque do time, acho que outro jogador deveria ser treinado, pois a pressão no melhor do time é muito maior, a não ser que ele tenha uma confiança sobrenatural, um homem-máquina, como Cristiano Ronaldo. Grandes craques perderam pênaltis em Copas, como Maradona, Platini, Baggio, Zico, Sócrates.

A televisão começa a mostrar a festa no estádio do jogo entre Brasil e Suíça. Dá vontade de estar lá, para conhecer a Rússia e assistir aos jogos, participar da festa nas praças, como torcedor, turista, um desconhecido.

A bola rolou. No primeiro tempo, o Brasil teve uns dez a 15 minutos de futebol espetacular, coletivo e individual, acompanhados do magistral gol de Coutinho, de seu jeito, chutando de fora da área, forte e de curva. Acho que é o gol mais bonito da Copa até agora.

Neste pequeno período de esplendor, o Brasil tinha dois quartetos e dois trios. Um quarteto ofensivo, formado por Coutinho, William, Neymar e Gabriel Jesus, e outro, defensivo, de marcação no meio-campo, com William, Coutinho, Paulinho e Casemiro. Havia ainda um trio, no meio-campo, com Casemiro, Paulinho e William, e um trio ofensivo, pela esquerda, formado por Marcelo, Coutinho e Neymar. São ótimos exemplos do que é o futebol apoiado, uma expressão da moda.

No segundo tempo, logo no início, a Suíça empatou, com um gol irregular. Não acho que foi pênalti no lance com Gabriel Jesus. O Brasil, como já havia acontecido a partir da metade do primeiro tempo, caiu de produção. Coutinho não conseguiu mais atacar e defender, por não ter a força física para isso, durante muito tempo. William foi muito pouco usado pela direita. Faltou o grande brilho de Neymar.

Não gostei da saída de Paulinho, que, apesar do jogo apagado como armador, o que é comum, é importante na área do adversário, no momento do abafa, da pressão, do jogo aéreo que ocorreu no fim do jogo.

O empate não foi bom, mas fica o consolo de que as outras grandes seleções tiveram também enormes dificuldades. É só o começo. Muita água vai rolar.

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Crônica da Copa e da vida

Acertos e erros
Luciano Siqueira

A prática é antiga entre os amantes do futebol: o "bolo" de apostas nos jogos da Copa do Mundo. 

Eu é que andei por fora, mas nesta Copa — por influência de Flavio, que cuida da minha agenda e joga em tudo o que puder, da mega sena à porrinha na roda de chope — entrei na onda.

Como ando falho em matéria de palpites no futebol! 

É certo que ninguém podia prever os cinco gols da Rússia, o empate da Argentina com a Islândia nem a derrota da Alemanha para o México. Mas nas outras partidas de resultados mais ou menos esperados, chutei demais. Pelo menos até a segunda rodada.

Me informei precariamente do estado da arte de cada seleção. É isso.

É como no jogo da vida. Em geral, creio que acerto na tentativa de compreender as pessoas. Mas aqui e acolá erro. Por subjetivismo exagerado, satisfazendo-me com as aparências...

Na Copa do Mundo, quem erra não tem como corrigir. 

Mas na vida, sim. Sempre é possível reavaliar as situações e as pessoas. Pois a prática é o critério de verdade e a boa observação — objetiva, criteriosa — ajuda a compreender fatos, ideias e gentes. 

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Desigualdade

1% dos mais ricos detém renda 36 vezes superior à média da metade mais pobre da população brasileira.

Veneno

A desconfiança mata previamente qualquer tentativa de entendimento. Na política, no amor, na vida.

Usura

Sistema bancário aplica a essência neoliberal: enquanto o PIB do Brasil variou 1% em 2017, o lucro dos 5 maiores bancos subiu 33,5% com o fechamento de 1,3 mil agências e a demissão de 14,1 mil empregados bancários. (Márcio Pochmann, no Twitter)

17 junho 2018

Crônica da Copa


Orquestra desafinada
Luciano Siqueira


Tudo bem. Nossa seleção sentiu a tensão da estreia, não jogou bem e encontrou uma Suíça não apenas capaz de se defender, mas também de criar jogadas ofensivas inteligentes.

Dificuldades no primeiro jogo são comuns. A Alemanha perdeu para o México, a Argentina empatou com a Islândia e nada impede que outras grandes seleções enfrentem situações semelhantes nas outras estreias que acontecerão a partir de amanhã.

Mas senti falta da esperteza tática. Afinal, Tite vem armando bem nosso time, experimentando variações de jogo que têm dado certo.

Nada disso aconteceu hoje. 

Aquelas triangulações ágeis e ofensivas, a transição rápida da defesa ao ataque... falharam. 

Vi na TV, após o jogo, nosso técnico respondendo aos jornalistas. Algo abatido, humilde. Como um maestro que esperava muito mais da sua orquestra e se surpreendeu com a desafinação na hora do espetáculo.

A vida é assim. Nem tudo o que a gente quer e planeja se concretiza. 

Resta aprender com a experiência. Novos jogos virão. 

Vamos continuar torcendo. 

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Fragilidade

Nossa seleção esteve hoje muito aquém do seu nível. Taticamente bisonha, sem criar alternativas à marcação rigorosa do time suíço. 

Golaço

Gol de craque, uma pintura esse de Filipe Coutinho. Vamos, Brasil!

1x0

Errei no Bolão, mas gostei da vitória do México sobre a Alemanha.

Competência

Muita tranquilidade e categoria do mexicano Lozano nesse gol contra a Alemanha.

Crônica da vida cotidiana


Os dois lados de tudo
Luciano Siqueira

Nada é tão feio ou tão bonito que mereça ser visto apenas por um lado. Tudo tem dois lados.

As coisas têm dois lados, as pessoas têm dois lados, os sentimentos têm dois lados.

Olhar apenas um lado distorce a percepção das coisas belas e das coisas que não são belas. Confunde sentimentos, embaralha ideias.

Mas é muito comum a percepção unilateral dos fenômenos e das coisas. Por isso o saber não é o todo, é apenas uma parte — e quem enxerga apenas uma parte é induzido ao erro.

Erro de avaliação e de entendimento. 

Assim, se fragmenta a vida, o trabalho, a luta, o amor. 

Mais: quem se esforça por enxergar os dois lados e perceber o todo frequentemente colhe incompreensão. 

Pois que assim seja.

Mas insisto: não quero outro modo de caminhar pelas estradas a vida.

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Torcer ou não torcer?

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Poesia sempre


Saudade
Mia Couto

Magoa-me a saudade
do sobressalto dos corpos
ferindo-se de ternura
dói-me a distante lembrança
do teu vestido
caindo aos nossos pés

Magoa-me a saudade
do tempo em que te habitava
como o sal ocupa o mar
como a luz recolhendo-se
nas pupilas desatentas

Seja eu de novo tua sombra, teu desejo
tua noite sem remédio
tua virtude, tua carência
eu
que longe de ti sou fraco
eu
que já fui água, seiva vegetal
sou agora gota trémula, raiz exposta

Traz
de novo, meu amor,
a transparência da água
dá ocupação à minha ternura vadia
mergulha os teus dedos
no feitiço do meu peito
e espanta na gruta funda de mim
os animais que atormentam o meu sono 

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16 junho 2018

Quem? Aonde?

Temer poderá virar embaixador após deixar o governo, ganhando fórum privilegiado — especula o Estadão. [Depende: 1) se um golpista for eleito presidente; 2) só se for embaixador na Pensilvania].

15 junho 2018

Alegria de milhões


Crypto Lobo
Magia do futebol
Jaime Sautchuk*, no portal Vermelho

Com a chegada da Copa do Mundo de Futebol, desta vez na Rússia, a seleção mais vezes campeã se prepara pra um momento único, em que representa um Brasil sem divisões, na torcida. Um momento especial, em que as nações de todos os continentes entram em disputa, mas sem armas, num gesto simbólico de uma globalização carregada de nacionalismos, mas sem xenofobia, em pura paz.
Parte indissociável da cultura brasileira, brasileiríssimo, esse esporte foi por nós importado há pouco mais de um século. Um exemplo de atividade econômica globalizada, numa dialética em que convivem o gigantismo do negócio altamente lucrativo de alguns com o singelo sentimento de amor e predileção de milhões, fonte de alegria e felicidade.

Por mais que tentem, estudiosos e comentaristas pouco conseguem explicar do que é exatamente esse estado de graça.

Alguma fé religiosa sem catecismo, crendice sem misticismo ou pura causa sem partido. Um jogo simples, de fácil compreensão, que todos, de qualquer sexo, cor ou crença, acham que sabem jogar -- talvez esteja aí o mistério.

É bem verdade que a xenofobia e o racismo têm se feito presentes em estádios e outros ambientes do futebol. A jogadores e dirigentes dos grandes clubes europeus, por exemplo, é difícil aceitar que parte de seus elencos tenha passaporte de países pobres de outras partes do mundo e sejam de outras etnias. Pior: que na hora da copa joguem pelas suas seleções.

No entanto, são justamente esses atletas os grandes trunfos dessas equipes, que mantêm olheiros mundo afora e caçam talentos onde quer que eles estejam. Dinheiro não lhes falta e, por outro lado, mesmo no Brasil, as escolinhas de futebol já formam seus plantéis de olho nessa grana estrangeira.

É certo que há nisso um problema, pra eles.

Volta e meia, esses grandes times são desfalcados de seus craques, quando convocados por seus países, como manda a legislação esportiva. Por isso, os negociantes do esporte tentam há décadas valorizar as equipes em vez dos selecionados. Criaram torneios regionais e até globais interclubes, mas não conseguiram emplacar.

Há nos atletas um sentimento de nacionalidade, uma espécie de orgulho por vestir a camisa do torrão natal. O componente não econômico pesa na decisão. Mesmo sendo ricos e apesar de valorizarem o emprego que têm, os jogadores são ídolos nacionais, queridos de suas famílias e prestigiados pelos governos locais. Muitas vezes, notadamente na África e Ásia, são fatores de unidade nacional.

As diferenças socioeconômicas nas sociedades são sublimadas nas ocasiões em que o povo calça chuteiras, como dizia Nelson Rodrigues, e se aproxima da igualdade. Nas arquibancadas ou diante da telinha de TV os sentimentos convergem num sentido só, da busca do gol, da vitória.
O rico capitalista, o trabalhador sindicalista, o desempregado, o sem-terra, o fazendeiro, o intelectual comunista, todos no mesmo balaio.

São incontáveis as teses acadêmicas sobre esse fenômeno. Um dos autores mais respeitados do último século, o historiador e pensador inglês Eric Hobsbawm foi, ele próprio, uma síntese de tudo isso nos 95 anos que viveu. Teórico de Economia, falecido em 2012, estudou também o esporte, profundamente. Rato de bibliotecas, cansou de sentar também em estádios, na torcida pelo seu Arsenal.

Em sua vasta obra, ele menciona o futebol tupiniquim em muitas ocasiões, citando times e jogadores. Ao sociólogo brasileiro Luciano Costa Neto, que traduzia um dos livros dele, Hobsbawm relembra momentos da Copa de 1970 e elogia os craques Gerson e Tostão. Mas diz que uma das grandes decepções de sua vida era a de nunca ter visto Garrincha jogando em algum estádio, ao vivo.

O fato é que o futebol existe como elemento fundamental das sociedades contemporâneas, mesmo naquelas em que esse esporte não tenha se desenvolvido como parte importante das culturas locais. A grande verdade é que nenhuma história do mundo moderno será completa se não levar em conta o futebol.
* Trabalhou nos principais órgãos da imprensa, Estado de SP, Globo, Folha de S.Paulo e Veja. E na imprensa de resistência, Opinião e Movimento. Atuou na BBC de Londres, dirigiu duas emissoras da RBS.

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Agora deu

O último minuto agora me beneficiou: cravei Marrocos 1x0 Iran. 

Crônica da política cotidiana


Simplificação primária 

Nenhum fenômeno na Natureza em geral e na sociedade humana em particular é determinado por uma única variável. Mesmo quando alguma tem a primazia. 

No futebol é assim.

Como nas pelejas eleitorais, onde são muitos os fatores que interferem. 

Questionar se o apoio de Lula a uma das candidaturas ao governo estadual tem importância, ou não, com o argumento de que não há precedente de que essa variável tenha sido determinante é uma tremenda bobagem.

Pode não ser determinante, porém é importantíssima quando somada a outras variáveis. E, assim, contribuir decisivamente para o resultado final do pleito. 

Óbvio. (Luciano Siqueira)

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Por um minuto

Gol do Uruguai no último minuto me tirou 3 pontos no bolo da Copa. Estou ruim de palpite.

Identidade

Meirelles fustiga outros pré-candidatos à presidência da República como meio de se tornar conhecido. Mas quando povo descobre quem ele é  rejeição é imediata.

Negócios

Preste atenção ao noticiário da Copa do Mundo: destaca atletas e seleções em linha direta com o merchandising. Futebol e propaganda se fundem no grande negócio global.

14 junho 2018

Chute

Mal informado, cravei Rússia 1x0 Arábia Saudita no bolo organizado pela minha equipe de trabalho. Como fiquei longe!

Poesia sempre


Juliane Mercante
Futebol
Carlos Drummond de Andrade

Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
futebol se joga na rua,
futebol se joga na alma.
A bola é a mesma: forma sacra
para craques e pernas-de-pau.
Mesma a volúpia de chutar
na delirante copa-mundo
ou no árido espaço do morro.
São vôos de estátuas súbitas,
desenhos feéricos, bailados
de pés e troncos entrançados.
Instantes lúdicos: flutua
o jogador, gravado no ar
– afinal, o corpo triunfante
da triste lei da gravidade.
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Na torcida


"Pessimistas de todo o Brasil, Uni-vos!"
Luciana Santos, no Vermelho

Ao contrário de anos anteriores, não se vê massivamente nas ruas o tradicional verde e amarelo, ancorado em bandeirinhas, pinturas, fitilhos. Pior, não se vê no rosto da nossa gente o sorriso esperançoso, a ansiedade da torcida, a fé na conquista de mais um campeonato.

Observando esse panorama lembrei-me de uma carta de Henfil de 1980. “O atual sistema, para governar, nos fez pessimistas. E pessimista não dorme, não faz amor, não faz partidos, não incomoda, não reclama, não briga. Que diabo de país é este?”. Creio que se aplica, não? Apesar da conjuntura pós-golpe e do Governo Temer que está tentando nos massacrar: retirando direitos, desrespeitando a constituição, se desfazendo do nosso patrimônio a preço de banana e, com isso, minando uma das maiores conquistas do povo brasileiro dos últimos anos: a nossa autoestima; não devemos confundir com a afirmação da brasilidade que esses momentos representam.

A esperança é o que nos mantém mobilizados na construção de um país melhor. Por isso mesmo não podemos abrir mão desse traço tão rico da nossa identidade enquanto Nação: a alegria! Ora, se a negação da política não muda a política — é a participação que produz a transformação — não seria a negação do que nos faz uno enquanto povo que seria capaz de superar as condições de divergência e de bipolaridades.

Ninguém deve nos convencer de que não torcer é o caminho para superar a crise. Parafraseando Henfil, diria que o futebol é do povo, assim como a greve é do trabalhador. O futebol é maior que o desgoverno atual, que as diferenças com a seleção ou suas estruturas. O futebol é de meninos e meninas das cidades deste país, é meu, é seu, é nosso. Gritemos GOL! Gritemos Golpe! Vamos mudar esse estado de coisas, com o nosso jeito, com alegria e com verde e amarelo, que é a cor dos que amam o Brasil e dos que lutam por ele. De mais ninguém!

Nota: O título, assim como a frase de Henfil citada, são trechos de uma carta à sua mãe de 7 de junho de 1978.
* Luciana Santos é deputada federal por PE e presidente nacional do PCdoB

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Tática lá e cá


Nosso futebol na Copa e a resistência democrática
Luciano Siqueira, no portal Vermelho

A participação do Brasil na Copa do Mundo de futebol sempre foi marcada por simbolismos, na proporção em que galvaniza as atenções da grande maioria dos brasileiros.

Esta Copa ainda não pegou. E talvez nem chegue a emocionar, salvo se a seleção brasileira começar bem, vencendo as primeiras partidas com brilho.

A Confederação Nacional do Comércio estima que parte considerável dos produtos alusivos ao certame segue encalhada nas prateleiras das lojas em todo o País. 

Mais do que a dolorosa lembrança dos 7x1 que sofremos da Alemanha há quatro anos, pesam os dissabores e a tristeza decorrentes dos dois anos de regressão econômica e social sob o governo golpista de Temer. 

Reina a desesperança. 

Assim mesmo, como somos "a pátria do futebol" — segundo reza a lenda —, há uma intercessão entre elementos simbólicos no que pretende Tite em gramados russos e nas manobras das oposições no campo de batalha mirando o pleito de outubro.

Tite experimenta opções táticas ousadas, numa espécie de combinação de triangulações ágeis, tendo sempre um pivô capaz de resolver a parada. Apóia-se na habilidade de muitos craques que compõem nosso time. 

Mas há uma dúvida: com Philippe Coutinho, Willian, Neymar e Gabriel Jesus — o novo "quadrado mágico" — adiantados, perdemos capacidade defensiva?

O técnico presume que não, confiante no vigor e na agilidade do meio-campo e da defesa, capazes de se manterem compactos e de ocuparem os espaços.

O futebol moderno é sobretudo isso: a ocupação dos espaços. Impedir que o adversário progrida e, em triangulações rápidas, chegar à cara do gol em condições de marcar.

Já na luta das oposições ao governo Temer, por enquanto ainda reinam indecisões e o risco de uma tática semelhante à do técnico Parreira, excessivamente recuada, pouco criativa, para quem "o gol era apenas um detalhe". 

Como assim? 

Nossas forças não estão compactadas, permanecem dispersas, não ocupam os espaços que vão se abrindo na esteira da rejeição ao governo; e o risco é de permanecermos na defensiva, pouco ousando agredir as hostes adversárias (temporariamente dispersas e desgastadas).

A defesa do ex-presidente Lula e do direito de se candidatar é posição justa e necessária, mas como tática política ainda é basicamente defensiva. Tanto que se alimenta fundamentalmente da denúncia da arbitrariedade jurídica de que ele é vítima e do legado dos seus dois governos e do primeiro governo Dilma. Carece de proposições claras sobre a superação da crise e o pós-outubro.

Diante de adversário poderoso — partidos golpistas, complexo midiático, Judiciário e aparato policial —, cuja orientação tática emana essencialmente do Mercado, as oposições bem que poderiam constituir seu "quadrado mágico" unindo as pré-candidaturas existentes e se tornando ofensivas, sobretudo despertando a esperança e o entusiasmo de milhões de eleitores e, quem sabe, ousando vencer a disputa.

Tite tem revelado a sabedoria de dispor dos seus atletas basicamente conservando o jeito com que jogam em seus clubes, evitando adaptações forçadas. E vem obtendo êxito.

As forças de esquerda, cada uma preservando a sua identidade e o seu modo de agir, mas confluindo em torno de um projeto único já no primeiro turno, poderiam levar a disputa a um segundo turno e, ampliadas, vencer.

Manuela D'Ávila, pré-candidata à presidência pelo PCdoB, tem sido de uma competência exemplar. Defende proposições destinadas à superação da crise e reafirma a todo instante a unidade das oposições como caminho para a vitória.

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Rejeição geral

Com mais de 2 anos de experimentação neoliberal da economia do golpe conduzida pelo condomínio de interesses que sustenta o governo Temer, 3/4 dos brasileiros declaram que a vida piorou.Mais: 62% rejeita o que legislativo e 84% a mídia e o judiciário pertencentes ao mesmo condomínio. (Marcio Porchmann, no Twitter)

13 junho 2018

Realidade multifacetada

Tudo embaralhado — como sempre
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10 e no Blog do Renato 

Abra os jornais — daqui e do Brasil afora — e você verá o registro de um fenômeno tão comum como a farinha de mandioca na feira, mas que a reportagem insiste em considerar estranho: líderes, grupos políticos e partidos que se digladiaram em pleitos passados agora se unem, em função de propósitos comuns.

Além disso, os que agora se juntam quase sempre divergem em relação à disputa pela presidência da República.

Daí a "queixa" de analistas pouco atentos ao processo histórico e às peculiaridades do sistema eleitoral e partidário brasileiro falarem em "incoerência", "falta de compromisso ideológico" e que tais. 

Ora, a complexidade da sociedade brasileira — a imensa diversidade regional e intrarregional, sobretudo — sempre influenciou o sistema partidário, a ponto de a própria legislação eleitoral tradicionalmente não vincular coligações nacionais a coligações estaduais. 

E, na prática, num leque de mais de trinta agremiações credenciadas legalmente para a disputa, talvez não chegue a meia dúzia as correntes políticas e ideológicas efetivamente representadas. 

A esmagadora maioria não assume caráter programático. Flutua ao sabor da conjuntura.

De outra parte, os partidos programáticos são chamados a juntar forças em busca das necessárias maiorias eleitorais.

Onde buscar a coerência, então? Na plataforma (programa) pactuado pelas forças coligadas na presente peleja.

O contrário — alianças despidas de qualquer compromisso —, estas sim, não guardam nenhuma coerência nem merecem credibilidade.

Por isso, quando as alianças se dão sobre a base de compromisso programático focado no objeto da disputa — o governo estadual, por exemplo — não faz sentido reclamar de eventuais novos aliados outrora adversários por posicionamentos assumidos em oportunidades passadas. Como se quem erra na política, a critério de cada um, tivesse que responder com a imolação numa imaginária fogueira para o resto dos tempos, como na Inquisição.

Se Lula tivesse agido assim não teria jamais sido eleito duas vezes presidente da República. O mesmo com Miguel Arraes, três vezes governador de Pernambuco à testa de alianças amplas e diversificadas.

Desse modo, com todo respeito aos que se dedicam a noticiar e a analisar o que se passa na cena política, necessário se faz (para a boa informação dos seus leitores, ouvintes e telespectadores) ir mais a fundo na avaliação das atuais composições em construção.

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