31 outubro 2017

Infância e paz

Na abertura do Seminário Internacional Itinerante da Primeira Infância e Cultura da Paz, no Centro de Convenções. [Por uma práxis consequente, acrescento.]

Em breve intervenção, procurei situar o pano de fundo do debate da matéria: o mundo sob crise estrutural e profunda de um sistema que condena 1/4 da Humanidade a morrer de fome e 2/3 a sobreviver em condições muito precárias. As crianças, como sempre, como vítimas primeiras. Na ocasião, a guisa de saudação, mencionei duas educadoras de nossa rede municipal, que considero profissionais exemplares: Kleyse Paes e Ana Catarina Magnata. Merecidamente.

Como assim?

Em editorial, o ‘Estadão’ assinala que “Michel Temer tem sido mais eficiente que seus antecessores petistas porque governa com o Congresso, e não comprando o Congresso”. 

Verdadeira pérola de tergiversação da grande mídia monopolizada!


Como se a nação não tivesse presenciado tão desavergonhada compra de parlamentares em balcão de negociatas comandando pelo próprio Temer para se livrar da segunda denúncia da Procuradoria Geral da República.

30 outubro 2017

Pesos pesados

Pesquisa Ipsos: Temer é rejeitado por 95% dos brasileiros, Aécio por 93%. Terão grande influência - negativa - no pleito de 2018.

29 outubro 2017

Poesia sempre

Marcos Beccari

Diz o meu nome
Mia Couto

Diz o meu nome
pronuncia-o
como se as sílabas te queimassem
                                  [os lábios
sopra-o com a suavidade
de uma confidência
para que o escuro apeteça
para que se desatem os teus cabelos
para que aconteça

Porque eu cresço para ti
sou eu dentro de ti
que bebe a última gota
e te conduzo a um lugar
sem tempo nem contorno

Porque apenas para os teus olhos
sou gesto e cor
e dentro de ti
me recolho ferido
exausto dos combates
em que a mim próprio me venci

Porque a minha mão infatigável
procura o interior e o avesso
da aparência
porque o tempo em que vivo
morre de ser ontem
e é urgente inventar
outra maneira de navegar
outro rumo outro pulsar
para dar esperança aos portos
que aguardam pensativos

No húmido centro da noite
diz o meu nome
como se eu te fosse estranho
como se fosse intruso
para que eu mesmo me desconheça
e me sobressalte
quando suavemente
pronunciares o meu nome 


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27 outubro 2017

Debate

A luta no campo das ideias tem enorme relevância em tempo de crise. No Brasil de hoje, mais do que nunca.

O quê?

Temer diz em vídeo que a 'verdade venceu' após vitória na Câmara. [É a mentira institucionalizada].

Deprimente

O ‘Diário Oficial da União’ traz hoje demissões de apadrinhados de deputados que votaram a favor da abertura de processo contra Michel Temer. A esculhambação continua. 

Campo minado

Governo não tem mais voto para projetos importantes, avalia Rodrigo Maia. [É hora de aumentar a pressão].

Temer a serviço de quem?

Truculência
Eduardo Bomfim, na Gazeta de Alagoas

Diz uma colunista da grande mídia hegemônica que a notícia sobre a rejeição da segunda denúncia contra o desacreditado e carcomido presidente Michel Temer foi recebida com enfado na Faria Lima e adjacências, com um testemunho de um de seus representantes: deixe-nos trabalhar em paz, é só isso que queremos.

Ora, mas são os representantes do capital financeiro quem têm conduzido a nau dos insensatos, levando o País ao fundo do poço onde se encontra, associados à grande mídia global, em um frenesi irrefreável, responsáveis pelo non sense reinante nas instituições republicanas onde medíocres como Michel Temer dão as cartas no jogo institucional esquizofrênico que impera no Brasil.

Os senhores do capital especulativo, seus executivos engravatados com ternos, camisas, sapatos importados, de grifes famosas, são os que lucram com essa miséria intelectual e política em que nos encontramos.

O que se traduz das afirmações dos representantes do rentismo é que Temer ultrapassou todos os limites “aceitáveis” de impopularidade para um presidente da República, mesmo sendo um marionete de quinta categoria como ele efetivamente, realmente tem sido.

O País encontra-se à deriva, à mercê do mais predador capital especulativo existente e de um governo cuja pauta é a destruição das mais elementares conquistas trabalhistas adquiridas desde a era de Getúlio Vargas, asseguradas há mais de meio século.

Fernando Henrique Cardoso, quando assumiu seu primeiro mandato presidencial, declarou que sua grande tarefa era destruir o legado de Getúlio e introduzir o projeto neoliberal no País. Mas as condições políticas, a correlação de forças à época, fizeram com que só conseguisse realizar em parte o seu intento.

A existência desse Temer deve-se à tentativa da entrega descarada dos ativos financeiros, riquezas naturais, destruição dos direitos sociais mesmo em uma sociedade primitivamente civilizada.

É um governo de extrema truculência, a serviço do capital especulativo, elevado ao poder via corporações messiânicas, grande mídia hegemônica, contrários a um projeto de País soberano.

Apesar de 95% de rejeição, em 2018 ele será substituído por um sósia qualquer se não existir ampla união em defesa da Nação, sem exclusivismos táticos eleitorais, desprovidos dos mais elevados interesses nacionais.

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Paulinho Fonteles, presente!

Uma dor que sufoca, uma vida que inspira
Jorge Panzera*

Hoje o dia amanheceu com uma notícia que gerou em todos nós uma dor que sufoca. O desaparecimento físico do camarada, irmão, amigo Paulo Fonteles Filho. Não há palavras para definir essa dor e essa perda.

Há muito o que dizer sobre a vida intensa e imensa que viveu Paulinho Fonteles. Paulo é verdadeiramente um filho da luta do povo brasileiro, desde a sua geração, passando por seu nascimento e toda a sua vida.

Nessa hora de profunda dor prefiro falar da vida que inspirou e inspira a nossa luta. Paulinho decidiu entrar no PCdoB no dia 11 de junho de 1987, quando do assassinato de seu pai Paulo Fonteles. Desse dia até hoje dedicou a vida à luta do povo: liderança do movimento estudantil na luta em defesa da educação e nas jornadas pela meia passagem em Belém, presidente estadual da UJS no Pará, vereador de Belém por dois mandatos - ocupando na Câmara a liderança do governo e a presidência da Comissão de Direitos Humanos, lutador incansável em defesa do povo, da memória de suas lutas e dos Direitos Humanos. Ultimamente comandava o Instituto Paulo Fonteles de Direitos Humanos.

Em todas essas trincheiras lutou com intensa dedicação e sempre com poesia, um intelectual e poeta da luta. Companheiro leal, pai amoroso, avô curuja. Essencialmente uma vida que inspira! Nestes tempos de horror que vivemos, o exemplo de Paulinho Fonteles fica na memória afetiva da luta e do povo. Saberemos suportar essa dor, assim como superaremos esses tempos tenebrosos, nessa luta a vida de Paulinho será inspiração para a atual geração e para as futuras. E é esta vida que ficará profundamente marcada em nossos corações.

Vá em paz Paulinho, leva seu corpo para o descanso, sua vida ficará sempre presente em todas as lutas de nosso povo até a libertação total dos trabalhadores do mundo. Aos familiares e amigos fica nosso caloroso abraço e o esforço que nós do PCdoB faremos para honrar essa intensa e imensa vida do Paulinho.

Paulinho Fonteles presente! Hoje e sempre até a Vitória!

*Presidente do PCdoB no Pará

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26 outubro 2017

Angu de caroço

Planalto reconhece que, apesar da vitória, votação mostra base do governo desorganizada. [Não é fácil conquistar plena unidade na lama].

Luta de grande envergadura

Ingente desafio programático
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Programático tanto no sentido de que é preciso ir mais a fundo na devida consideração do drama que o país atravessa, como na formulação de alternativas.

Apenas o protesto (sempre justo e oportuno) e a denúncia (também necessária) das negociatas que mantêm Temer no governo não são suficientes para converter em ação prática a insatisfação que se alastra na população.

A empreitada é muito maior e mais complexa.

Recordo-me de que à altura do terceiro ano do primeiro governo Lula, por sugestão do próprio presidente, uma dezena de integrantes da Comissão Política Nacional do PCdoB se reuniu no Palácio do Planalto com a então ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff e o também ministro Jacques Wagner, tendo como mote as reiteradas críticas do nosso Partido à política macroeconômica.

Na ocasião, Dilma nos fez uma ampla apresentação da ações de governo, sobressaindo-se o esforço intenso e continuado em desfazer uma gama de leis, decretos e instruções normativas que Fernando Henrique Cardoso deixara, cujo sentido era engessar o Estado brasileiro naquilo que poderia servir à indução do desenvolvimento econômico em bases soberanas. Inclusive a interdição de recursos para as Universidades públicas, para a pesquisa científica e para a manutenção e fortalecimento da rede de escolas técnicas federais, por exemplo.

A mim ficou a impressão de que Lula iria incrementar ousada tentativa de reformar o Estado. Cheguei até a comentar o assunto, na mesma noite, em telefonema a um colunista do Jornal do Commercio, do Recife.

Mera impressão, entretanto. Logo o governo se veria enredado nos contratempos de uma correlação de forças quase sempre instável e abandonaria o que nos parecia compromisso com reformas estruturais. Até mesmo no período 2007-2012, quando o prestígio do presidente se elevara ao máximo e o jogo de forças no parlamento lhe favorecia francamente.

Faltou descortino estratégico, convicção e vontade política.

Agora, sob o governo ilegítimo de Michel Temer, dá-se o contrário. Sobram convicção e vontade para agir no sentido inverso e, na agenda regressiva, pontificam múltiplas iniciativas de desmonte do Estado nacional.

Nessas circunstâncias,é certo que a pretendida reforma previdenciária há de receber sempre destaque no movimento oposicionista, pois toca mais diretamente à sensibilidade da maioria da população. É uma espécie de “gancho” para mobilizar o povo.

A resistência às reformas antipopulares e à perda de direitos é indispensável, porém há de ter maior sustança (como diz o matuto) a defesa do Estado nacional.

E se àquela altura do governo Lula o trabalho era intenso e permanente, o que vai se consolidando com Temer é o desmonte rápido – que implica, digamos assim, num ingente desafio programático.

Ou seja: urge fundir as bandeiras de luta mais imediatas e mais sensíveis ao sentimento do povo com proposições de caráter estratégico.

Daí a real dimensão do que temos na ordem do dia: resistir de todas as formas possíveis, ampliar o debate acerca das alternativas à crise e paulatinamente forjar um “programa mínimo” de unidade das forças democráticas e progressistas, tendo a recomposição da capacidade de indução e planejamento do Estado como vértice.

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É guerra

Após a vergonhosa vitória de ontem, Temer quer acelerar a agenda regressiva e uma prioridade é a reforma da Previdência. Vamos à luta!

25 outubro 2017

Decadência

Agenda regressiva de Temer atinge inteligência nacional: sem dinheiro, universidades federais reduzem obras, pesquisas e até bandejão.

Vitória de Pirro

Quem vence e quem perde hoje
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

A dúvida não é sobre o resultado da votação na Câmara dos Deputados, é sobre o dia seguinte.
Quanto à interrupção da denúncia da Procuradoria Geral da República contra Michel Temer, de fato não há dúvida: por margem estritamente suficiente, a maioria governista fará valer a sua vontade.
O que se questiona (segundo se noticia, na expressão do próprio Temer) é se o presidente impostor ganhará algum fôlego ou seguirá simplesmente feito “pato manco”.
“Manco” porque frágil, desmoralizado e, no exercício do governo, a mercê das pressões do “centrão” fisiológico.
Do ponto de vista dos grupos que o sustentam, o Mercado sobretudo, pouco importa — desde que siga cumprindo a agenda de desmonte do Estado nacional e de regressão de direitos.
Temer teria dito ontem, em convescote com parte de sua base de apoio, que deseja passar à História como um governante corajoso, que promoveu mudanças.
O caráter das mudanças é que pesa. Por isso, inevitavelmente, terá o pior lugar na História republicana, rejeitado agora e definitivamente execrado no futuro.
Há que se perguntar também que expectativa nutrem os parlamentares que se eximem de qualquer consideração moral e ética e se deixam capturar no balcão das negociatas.
Diz-se que a maioria pouco está se lixando para as consequências dos seus atos, seja pelos seus compromissos de classe, seja mesmo porque não se importa com o julgamento da opinião pública esclarecida e convertem em parte as benesses aferidas em fomento de suas bases eleitorais, de natureza clientelista.
Assim, Temer e seus apoiadores certamente entrarão pela madrugada comemorando a vitória urdida na lama; e o povo brasileiro, insatisfeito mas ainda atônito, amargando mais uma derrota.
Mas outras batalhas virão e os vencedores de agora terão que enfrentar a vontade da maioria, sob circunstâncias bem distintas e mais amplas do que os gabinetes palacianos, hoje convertidos em galpões de venda e troca.
A resposta virá nas ruas e nas urnas, quem sabe, a depender da dimensão em que a resistência, hoje fragmentada, venha a confluir para um leito comum de ideias e de ação.

E assim segue o purgatório da nação brasileira.
*
O Brasil vai mal e tem muita gente vendendo gato por lebre. Todo cuidado é pouco. Veja aqui 
goo.gl/Pb98M2

Cinema

Amores de Chumbo estreia na Mostra de São Paulo nesta quarta-feira
Portal Vermelho
Ao passar os olhos pela programação da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo parece impossível selecionar 2, 3 filmes para assistir num dia. Mas algumas obras se destacam nestes mais de 370 títulos disponíveis este ano, uma delas é o longa de Tuca Siqueira, Amores de Chumbo, que estreia nesta quarta-feira (25). 
O filme cujo pano de fundo é a ditadura militar do Brasil questiona os limites de cada um numa trama de conflitos que se desenrola à medida que segredos guardados há mais de 40 anos aparecem. Um triângulo amoroso misterioso é o ponto central da trama. Muitos sentimentos confluem na história, baseada nas virtudes e fragilidades dos personagens. A obra trata da capacidade do ser humano em cometer erros e do quanto um determinado contexto social e político pode interferir na vida das pessoas, numa perspectiva que é ao mesmo tempo individual e coletiva.

Quarenta anos separam Maria Eugênia (70), ou Maê (Juliana Carneiro da Cunha), escritora pernambucana radicada na França, do casal Miguel (70) (Aderbal Freire Filho) e Lúcia (65) (Augusta Ferraz), que acaba de comemorar união matrimonial de quatro décadas. O retorno de Maê suscita dúvidas e desconfianças há muito tempo guardadas. Miguel, professor de Sociologia e ex-preso político, deseja encarar a verdade, e Lúcia, parceira de vida que se dedicou a tirá-lo da prisão, quer fugir dela. É pelo ponto de vista desses três personagens centrais que conhecemos acontecimentos políticos e sociais dos anos de chumbo no Brasil; uma história que mudou o rumo de muitas vidas.
Este é o primeiro filme dirigido por Tuca, que é cineasta, roteirista, jornalista e fotógrafa. Apesar disso, ela ousou na escolha de seus atores, todos com larga experiência teatral. Miguel é interpretado pelo ator e diretor de teatro cearense Aderbal Freire-Filho, uma indicação da corroteirista Renata Mizhari. 

Para escolher as atrizes, Tuca também conversou com muitos colaboradores até chegar nos dois nomes. Maê é interpretada por Juliana Carneiro da Cunha (de Lavoura Arcaica). Quem dá vida à Lúcia é a atriz conceituada no teatro, Augusta Ferraz. 

Tuca Siqueira é diretora pernambucana com diversos prêmios e incursões em curadorias, júri de festivais, oficinas e workshops. Já ministrou aulas em diferentes áreas do audiovisual, tais como roteiro, videoarte, realização e montagem. Formada em Comunicação (UFPE), com especialização em Estudos Cinematográficos (UNICAP-PE), produziu o primeiro filme na conclusão do curso, em 2003, ao realizar o premiado curta-documentário “Homine: costurando identidades urbanas circulou”, que circulou por vários festivais.

Em 2008, com o curta “O Caso da Menina”, ganhou na categoria de melhor vídeo do Festival Pernambucano de Vídeo. Em 2011, assinou a curadoria, junto à cineasta Alice Gouveia, do projeto “Olhares sobre Lilith”, filmografia do livro “As filhas de Lilith”, de Cida Pedrosa, composto por 26 curtas e com a participação de 22 diretoras convidadas. Entre 2012 e 2014, lançou o curta-metragem documental “Garotas da Moda” (vencedor do Prêmio Lucas Marcier no Festival Visões Periféricas-RJ e eleito melhor filme no Festival de Vídeo de Teresina, em 2012), o longa-metragem “A Mesa Vermelha”, além das séries documentais televisivas “A Torre e o dirigível dos Sonhos” e “O Vento que me Visitou”, todos sob seu roteiro e direção. No fotojornalismo, publicou dois livros e participou de exposições individuais e coletivas.

“Amores de Chumbo”, seu primeiro longa-metragem de ficção, participou de editais de desenvolvimento, entre eles o Funcultura/Governo de Pernambuco e o Fundo Setorial do Audiovisual- FSA/PRODAV 5. O filme também foi selecionado para o BRLab - Laboratório de desenvolvimento de projetos da América Latina, realizado em São Paulo, em 2014, e o Cinéma en Développement do Festival Cinélatino, em Toulouse, na França, em 2015. Tuca Siqueira está, ainda, em desenvolvimento do roteiro do seu próximo longa “Coração de Lona”, com recursos do FSA voltados à estruturação de núcleos criativos de desenvolvimento de projetos audiovisuais em todo o país por meio da Agência Nacional de Cinema (Ancine). 

Amores de Chumbo será exibido em três sessões na Mostra de SP:
Quarta-feira (25), às 21h15 no Espaço Itaú de Cinema- Frei Caneca 2
Sábado (28), às 14 horas no Instituto Moreira Salles
Segunda-feira (30), às 18h10 no Cine Caixa Belas Artes – sala 3 

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Contestar o absurdo

Risco de banalização do inaceitável
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Manchete principal de um dos sites noticiosos de audiência nacional, hoje cedo: “Temer assume pessoalmente balcão de negociações às vésperas da votação de denúncia.” Ao que completei no Twitter: “Mais deplorável é que ele age assim desde que usurpou o governo.”

Como a nação inteira presencia diariamente.

E o mais grave é que o noticiário há muito vem tratando as vergonhosas manobras cotidianas de Michel Temer e do grupo que com ele governa com absurda naturalidade.

Pesa mais a contabilidade das adesões ao presidente na votação da denúncia da Procuradoria Geral da República, na Câmara dos Deputados, do que o teor das negociatas celebradas por ele próprio e seus ministros mais íntimos.

Ao risco de passarem como “naturais“ a redefinição dos parâmetros de avaliação do trabalho escravo, o perdão de parte considerável das dívidas de multas de proprietários rurais infratores ambientais e assim por diante.

Ainda nos anos 60, na apresentação do seu livro “Tortura e torturados no Brasil“, o jornalista Márcio Moreira Alves mencionou uma reunião de pauta do órgão em que trabalhava, o Jornal do Brasil, na qual, diante da informação de novas prisões e torturas de militantes políticos, um dos participantes comentara que aquele tipo de notícia já vinha se banalizando e não mereceria destaque.

Márcio, então, assustado com tão absurda opinião, decidira reunir num volume todos os casos conhecidos de violência cometida pelos militares até então.

De modo semelhante, ouvi hoje um comentarista político de uma emissora de rádio dizer que a corrupção no governo Temer como método de auto-sustentação já não seria mais novidades e, portanto, o mais essencial é avaliar as possibilidades do presidente vencer a votação de amanhã com maior ou menor margem.

Daí se poderá deduzir, em parte, no dizer do comentarista, com que autoridade (sic) Temer seguirá governando.

Eis aí um risco real de cristalização, pela pior via, do ambiente geral de descrença e desengano que envolve a maioria dos brasileiros e brasileiras na atual conjuntura 

Ao contrário, há que crescer a justa indignação no espírito do nosso povo a cada revelação das tramóias cotidianas de Temer e seu grupo.

Jamais se deve ter como “natural” a permanência do presidente no cargo que usurpou via golpe institucional e que exerce cumprindo uma agenda por todos os títulos inaceitável, de desmonte do Estado nacional, de regressão de direitos e de favorecimento a interesses e privilégios dos piores segmentos da elite tupiniquim.

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Atolado

Temer quer afastar especulação de que será 'pato manco' após votação. [Sim, além de manco, atolado na lama].

Vergonha

Presidente do Comissão de Ética do Senado arquiva processo contra Aécio. E a honra também.  

Placar

Líderes governistas já cantam vitória de Temer hoje. E a derrota do povo.

24 outubro 2017

Negociatas

Manchete do G1: “Temer assume balcão de negociações às vésperas da votação de denúncia.” [Mais deplorável é que ele age assim desde que usurpou o governo].

Lama

Com base de apoio menor, Temer libera R$ 829 milhões para garantir votos de deputados a seu favor. Com as mãos sujas de lama.

A ficha caiu

Em editorial, o ‘Estadão’ afirma que a Lava Jato, vai deixando de ser uma operação contra a corrupção para se transformar em partido político. [Reconhecimento tardio, porém útil].

23 outubro 2017

Luciana na chapa majoritária

PCdoB lança pré-candidatura de Luciana Santos ao Senado
O Partido Comunista do Brasil em Pernambuco torna pública a disposição da legenda de apresentar aos pernambucanos, ao Brasil e às forças políticas aliadas, com convicção e entusiasmo, uma candidatura própria à Presidência da República, e, no âmbito local, a pré-candidatura da deputada federal Luciana Santos à Senadora da República, nas eleições de outubro de 2018. 
A decisão foi aprovada pelo Pleno da 20ª Conferência Estadual do PCdoB realizada neste fim de semana, que reuniu, no Recife, cerca de 300 delegados/as de diversos municípios do estado, etapa preparatória ao 14º Congresso Nacional do partido, que acontecerá nos dias 17, 18 e 19 de novembro próximo, em Brasília (DF), quando será debatido o nome do (a) camarada que participará da disputa presidencial.  
Com essa proposta, o PCdoB reforça sua luta pelo desenvolvimento do Brasil, marcada por seus 95 anos de presença constante na vida política, social e cultural da Nação; reafirma o compromisso de luta pelo restabelecimento da política externa soberana e do Estado Democrático de Direito, contra a perseguição política de parte do sistema judiciário ao presidente Lula e pela garantia de realização das eleições em 2018.
Os comunistas pernambucanos reafirmam ainda seu compromisso de lutar pela reaglutinação das forças democráticas, progressistas e populares, em Pernambuco e no Brasil, com vistas à construção de uma frente ampla, plural e heterogênea capaz de derrotar as forças que nos usurparam o poder e de possibilitar a retomada do ciclo transformador do nosso país em bases soberanas, democráticas, e em favor do povo. 
No âmbito local, o PCdoB-PE se mantém firme no combate à discriminação e à retaliação praticadas pelo governo ilegítimo dirigido por Temer contra o governo do nosso estado no seu esforço de recuperar a Mata Sul dos estragos feitos pelas enchentes; concluir as obras das adutoras do Agreste e de Serro Azul; construir o Anel Viário da Região Metropolitana do Recife, entre outras iniciativas essenciais para o progresso e o desenvolvimento de Pernambuco e de seu povo. Os comunistas se colocam ainda contra a privatização da Chesf e o sucateamento da Hemobrás.
O PCdoB-PE conclama todos (as) os (as) pernambucanos (as) a lutarem ainda contra o retrocesso ultraliberal imposto pelo governo ilegítimo de Temer; a eliminação de direitos sociais da população mais pobre; e as reformas trabalhista e previdenciária, que atingem de morte milhares de trabalhadores e trabalhadoras brasileiros (as). 
Recife, 22 de outubro de 2107.
Comissão Política Estadual
20ª Conferência Estadual do PCdoB/P
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Mutilação

Com contingenciamento anunciado pelo governo de 44%, o orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação (MCTIC ) é o menor de todos os tempos. 

22 outubro 2017

Poesia sempre

Respirações possíveis sobre o amor
Patrícia Claudine Hoffmann

O amor é um rumor de remos
lançados em mares
nunca pequenos.

Sc para eles ainda não fomos,
nós iremos.

Arrumando rumos,
remoendo rimas, amoras
e arames de tecer as horas,

sobre os derrames
da eternidade
e mais um pouco de agora.

O amor é éter de atar vontades.

Avatar envolto na selva
da saudade.

Clichê, por vezes renascido
de novidades.

Longe. Porto.
Perto. Sonho.

Senha de Eros.
Urso.
Desenho incerto.

Insônia dos justos.
Surto em movimento
Relento.
Alento.

Mantimento e fome.

Indigência.
Nome.

Gume entreaberto.

Deserto em que me embarco.

Costume. Voo.
Ninho ao vento.

Vaga-lume-marinho
com barcos de pousar dentro.

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Missão

A convergência de ideias é uma construção cotidiana. Vale para vida em geral e, sobretudo, para a luta política.

21 outubro 2017

Vergonha

União Internacional de Física pede que Temer reconsidere cortes na ciência. Desnuda caráter antinacional do Governo.

Alienígenas

Moradores relatam suposto pouso de 'disco voador' em Peruíbe, no litoral de São Paulo. [E o povo torcendo para que marcianos levem Temer.]

Quem?

Procuradoria Geral da República afirma que Geddel é o líder da organização criminosa. [Então Temer passa de líder a liderado?] 

Oportunismo

Com medo do desgaste para eleição, deputados governistas estudam faltar em vez de votar com Temer. [O mesmo que calçar luvas para esconder as mãos sujas.]

Decadência

Alimentando a barbárie, EUA debatem armar professores nas escolas. [É a cultura de paz ao inverso].

20 outubro 2017

Semeadores do caos

Sociedade dos dissensos
Eduardo Bomfim, no Vermelho


No final do século XX o velho diário londrino The Times publicou o comentário de que “há um grupo de homens mais ricos, poderosos e influentes do Ocidente que sempre se reúnem para planejar eventos que, depois, simplesmente acontecem”.
Essas reuniões, reservadas, podem ter nomes distintos mas agrupam a elite financeira mundial, em alguns casos com a participação de personalidades de áreas das ciências, exatas ou humanas, além de magnatas da mídia global.
Esses eventos e alguns menos importantes, mais abertos, badalados através da grande mídia internacional, representam o grande poder do capital financeiro.
Eles não são eleitos por ninguém em canto algum do mundo, mas definem a agenda financeira, política e social do planeta, à exceção de um reduzido número de Países que adquiriram condições para ditar suas próprias estratégias geopolíticas e neutralizar, em parte, as ações da seleta elite global financeira.
Indivíduos, como o mega especulador George Soros com suas ONGs, a exemplo da Open Society, difundem com o auxílio da grande mídia global as narrativas econômicas, financeiras, geopolíticas e sociais que parecem surgir nas sociedades ocidentais como “fenômenos naturais, espontâneos”.
Mas nada existe nas sociedades ao acaso, como se fosse uma equivalência à falsa teoria de Lamarck sobre a geração espontânea de certos animais. Tudo é fruto de interesses de grupos, de contradições, antagônicas ou não, nos segmentos sociais ou entre nações.
A hegemonia do capital rentista passou a exercer o domínio das políticas globais, numa escala jamais vista, em quase todas as esferas, procurando ditar as agendas que melhor lhe proveem, utilizando-se sempre do velho jargão imperial “divide et impera”.
O País é alvo destacado, pelas dimensões continentais, riquezas naturais, econômicas e população, de tal estratégia, como nas “Primaveras Árabes”, via fragmentação, “tribalização” dos estratos sociais mais aptos à ação consciente, enquanto o Brasil real das grandes maiorias dos 210 milhões de indivíduos fica à margem dos destinos da nação. É a sociedade dos dissensos.
O único antídoto a essa agenda maligna é a defesa da nação, do seu patrimônio físico, da sua identidade cultural, através de uma ampla política de união nacional, pela soberania e o desenvolvimento do Brasil.

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Discriminação

Racismo é causa de 1 em cada 4 casos de intolerância em São Paulo.  Um retrato do Brasil - que precisa mudar. Com muita luta.

Lamaçal

“Verbas, cargos, emendas parlamentares e outros agrados”, assim sintetiza ‘O Globo’ a agenda de Temer para se livrar da denúncia da PGR. Aí de ti, República!

Relações perigosas

Policia Federal revela que Aécio ligou para Gilmar no dia em que o ministro tomou decisão favorável ao tucano. [Essa intimidade parece notícia velha. E é.]

Sujo

Estadão lamenta em editorial que tudo o que emana do governo Temer “é desde logo tratado como retrocesso, como cassação de direitos ou, simplesmente, como crime.” Mas é verdade, ora!

19 outubro 2017

Emprego

Foram criadas 34,4 mil vagas de empregos formais em setembro em todo o país. Menos mal - mas ainda é muito pouco.

Operação

Temer promove mais uma rodada de oferta de cargos ao ‘centrão’ antes da decisão sobre denúncia da PGR. E segue na lama.

Em defesa da democracia

As prerrogativas do Legislativo são garantia democrática
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) divulga nota nesta quarta-feira (18) ressaltando que as prerrogativas do Legislativo são garantia democrática. Segue abaixo a íntegra:

Há algum tempo percebe-se uma tendência do Supremo Tribunal Federal (STF) de intervir em prerrogativas do Congresso Nacional. O Senador Delcídio do Amaral foi preso sem que tenha havido “flagrante delito de crime inafiançável” e, mais recentemente, uma turma do STF deliberou pela suspensão de mandato do Senador Aécio Neves e por sua prisão cautelar durante as noites.

Sem entrar no mérito da conduta de ambos os senadores, que merecem o rigor da lei, aceitar as decisões do STF seria romper abruptamente com a norma constitucional segundo a qual “são poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário”.

No que diz respeito à posição da Primeira Turma do STF, relativa ao senador Aécio Neves, consideramos acertada a decisão do pleno do supremo que a reviu e considerou que a última palavra no assunto cabe à Casa legislativa a que pertença o parlamentar.

É inquietante a recorrente investida do STF contra a independência e autonomia do Poder Legislativo. Nenhum Poder pode intervir em outro e nenhum pode aceitar a condição de Poder sob intervenção. Todos os precedentes históricos que começaram assim, terminaram com o rechaço da democracia.  Os ditames constitucionais devem ser respeitados rigorosamente, sem “interpretações” que distorçam o espírito e a letra com que foram elaborados.

Ao defender com veemência a independência e autonomia do Poder Legislativo frente a essas estranhas incursões do STF, de forma alguma estamos querendo diminuir a gravidade dos fatos, absolutamente inaceitáveis, em que foi pilhado o Senador Aécio Neves, conforme gravações televisivas mostraram.

O senador Aécio Neves, ao se recusar a aceitar os resultados eleitorais de 2014, desencadeou o processo golpista que depôs Dilma Rousseff e foi um de seus líderes. Sobre sua cabeça pesa o agravamento da situação brasileira, o golpe ao Estado democrático de direito, o desmonte nacional e a derrocada dos direitos do povo brasileiro. Agora, esse senador é alvo de graves acusações de corrupção e obstrução de Justiça.

E aí é bom que se diga: o Senado tem prerrogativas que devem ser respeitadas pelos outros Poderes, mas ele próprio deve honrá-las, não permitindo que elas justifiquem a impunidade de um senador que cometeu atos repulsivos.

O PCdoB defende o Estado democrático de direito.

Repele com força a ofensiva retrógrada que pretende criminalizar a política, pretextando “limpar o país dos corruptos”. Vê nisso uma ameaça fascistizante.

Mas com igual força não concorda que um Poder seja conivente com a aberta corrupção de um de seus membros.

O povo, mais cedo ou mais tarde, cobrará a responsabilidade dos membros dos Poderes da República.

COMISSÃO POLÍTICA NACIONAL do PCdoB
São Paulo, 16 de outubro de 2017

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18 outubro 2017

Será?

Na volta ao Senado, Aécio diz não sentir 'ódio ou rancor'. [Será que sente culpa?]

Intimidade

Entrevista na Globo News, juiz Sérgio Moro considera o senador Aécio Neves “muito espirituoso”. Curioso, né?

Protesto oportuno

Clara Averbuck 
Após denuncia de estupro, hashtag #MeuMotoristaAssediador ganha as redes
 Victória Damasceno, CartaCapital
Escritora Clara Averbuck relatou nas suas redes sociais um estupro que sofreu durante uma viagem do aplicativo Uber

Por meio de uma denúncia pública de assédio sexual em uma viagem da empresa Uber, a hashtag #MeuMotoristaAssediador chegou às redes.
A escritora e militante feminista Clara Averbuck foi vítima de um estupro na noite de domingo 27, em São Paulo, quando voltava para casa por meio do aplicativo que conecta motoristas com passageiros.
“Virei estatística”, escreveu. “O nojento do motorista do uber aproveitou meu estado, minha saia, minha calcinha pequena e enfiou um dedo imundo em mim, ainda pagando de que estava ajudando ‘a bêbada’”.
Averbuck conta que ainda não decidiu se fará a denúncia formal por não querer se submeter a violência que é ir na Delegacia da Mulher. “Não quero impunidade de criminoso sexual mas também não quero me submeter à violência de estado. Justamente por ter levado tantas mulheres na delegacia é que eu sei o que me espera. Estou ponderando”.
A partir do relato a escritora lançou a hashtag #MeuMotoristaAssediador, que visa tornar público casos de assédios ocorridos em aplicativos semelhantes.
A reportagem entrou em contato com a central de atendimento da empresa e foi informada que o único canal para denúncias é por meio do site, e que não existe nenhum número de contato que preste socorro à usuária vítima de assédio. Segundo a empresa, o motorista foi banido e ela está prestando apoio à vítima.

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Agonia

Michel Temer deve vencer na Comissão de Constituição e Justiça, porém continuará execrado por mais de 90% dos brasileiros.

17 outubro 2017

Convergência necessária

Muitos caminhos podem dar na frente ampla
Luciano Siqueira, no Vermelho e no Blog do Renato

Tempo tenebroso o que vivemos. Forças poderosas sustentam o governo frágil e desmoralizado, em favor de um programa de desmonte do Estado nacional e regressivo de conquistas e direitos.

É o novo pacto neoliberal imposto à nação através do golpe institucional que derrubou a presidenta Dilma, constitucionalmente eleita por sufrágio universal.

Interditá-lo é crucial para o presente e o futuro mediato do país. O que não se consegue sem uma ampla e plural conjugação de forças, que faça convergir para um leito comum variada gama de insatisfações e interesses.

Tarefa hercúlea, que se depara com múltiplos obstáculos, sobretudo no plano subjetivo: além de naturais receios e desconfianças mútuos, incompreensões recorrentes no arco de forças situado mais à esquerda.

Tem certa audiência a falsa avaliação de que a frustração do ciclo mudancista verificado nos governos Lula e Dilma se deu em razão da amplitude das alianças, então concertadas para a governabilidade.

Inclusive segmentos do PT, carentes de autocrítica em relação ao próprio exclusivismo, põem a “culpa” na amplitude das alianças e não nos equívocos cometidos em sua condução.

Por extensão, chegam ao disparate de “explicar“ a nossa tradição histórica de rupturas inconclusas pela amplitude das alianças.

Se limitadas as alianças ao campo popular, teríamos avançado muito mais do que conquistamos em episódios marcantes da evolução civilizatória brasileira — dizem —, como na proclamação da Independência, no advento da República, na Abolição da escravatura e assim por diante.

Nada mais falso.

Justamente quando ocorreram coalizões amplas e heterogêneas é que a vitória foi possível — sendo o limite relativo das conquistas resultante, duplamente, da imaturidade momentânea das forças progressistas e da peculiar capacidade de manobra das elites brasileiras.

E é certo afirmar que acumulamos expressiva tradição de frentes amplas no Brasil. Desde a Insurreição Pernambucana de 1645-1649, que culminou com a expulsão dos holandeses, e em outros tantos pelo Brasil afora.

Neste movimento, que findou com a vitória nas batalhas do Monte Guararapes, o desenho frentista é emblemático na figura do seus três principais líderes — o comerciante João Fernandes Vieira, o militar e dono de engenho André Vidal de Negreiros e o índio Felipe Camarão.

Querer delimitar agora a estreito arco de forças sociais e políticas a resistência ao governo golpista de Temer e a busca de superação da crise mostra-se, assim, erro crasso.

Cabe sim, sem fórmula predeterminada nem roteiro rígido, explorar variados caminhos que podem dar num novo pacto social e político, apto a livrar o país da crise e da ameaça neocolonialista, restaurar a democracia e inaugurar um novo ciclo transformador.

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Opção

'Posto que chama, que seja eterno enquanto dure', canta o poeta sobre o amor. A luta pela liberdade e pelo socialismo é sempre.

Poesia sempre

Tereza Costa Rego
Flor de açucena
Thiago de Mello

Quando acariciei o teu dorso, 
campo de trigo dourado, 
minha mão ficou pequena 
como uma flor de açucena 
que delicada desmaia 
sob o peso do orvalho. 
Mas meu coração cresceu 
e cantou como um menino 
deslumbrado pelo brilho 
estrelado dos teus olhos. 
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Uma crônica para descontrair

Farofeiros nas nuvens
Luciano Siqueira, no Blog da Folha e no Vermelho

Tempo bicudo o que vivemos. Para onde você olha, mais dificuldades aparecem. Nisso há uma absurda convergência nacional.

As empresas de aviação estão completamente sintonizadas com a situação. Além de tratarem o usuário com perversa indiferença, como se pudessem tudo e em troca de tarifas pesadas não devessem oferecer nada mais do que o transporte de um destino a outro, acumulam novidades negativas - contra nós indefesos passageiros.

Além de novos limites de tamanho e peso da bagagem - um artifício para a cobrança de uma taxa a mais –, a antipática substituição do antigo serviço de bordo por um saquinho-de-qualquer-coisa, acompanhado de um mísero copo d'água.

- Doce ou salgado, senhor? Aceita água - com ou sem gelo?

A aeromoça nos aborda como quem faz um imenso favor ou generosa cortesia.

Mas vem o comissário de bordo empurrando o carrinho e nos oferece o cardápio sem graça nem gosto, a preços nada agradáveis. 

Pois bem. Num voo da Gol do Rio de Janeiro ao Recife, nossa delegação - Luci, eu, filha, genro e três netos -, ocorreu a todos que a privação de comes e bebes despertaria, se não fome propriamente dita, talvez o desejo irrefreável de mastigar algo.

E ninguém estava a fim de adquirir nada do insosso e inflacionado menu.

Mal nos sentamos, apertamos o cinto e nos preparamos para a decolagem, bolsas se abriram deixando visíveis pacotinhos de biscoito, chocolates e que tais.

Não deu pra trazer o hambúrguer de Miguel, o cuscuz de Pedro e o arroz branco de Alice. Mas a ração de guloseimas era bem razoável.

- Somos farofeiros nas nuvens!, proclamei de imediato.

E assim percorremos as duas horas e quarenta e cinco minutos que nos levaram do Rio ao Recife nos "achando o máximo", com olhares de superioridade dirigidos aos ocupantes dos assentos mais próximos, eles pobres coitados condenados a sobrevirem a mini bolachinhas e água. 

(Meu genro Alexandre, sempre atento a tudo, jura que surpreendeu, uma fila adiante, uma jovem senhora, muito bem posta, saboreando imensa banana prata).

Karl Marx concebeu a História evoluindo em espiral: a cada época, a Humanidade como que retorna ao ponto de partida para recomeçar novo ciclo, agora em patamar superior. Em matéria de viagem aérea, talvez estejamos vivendo um péssimo tempo de escassez e maus tratos como prolegômeno ao início de novo ciclo, tão farto quanto no áureo tempo da Varig, dos aperitivos e das refeições completas.

Não percamos a esperança. 

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Bumerangue

Em carta a parlamentares para se defender, Temer fala em 'conspiração' para derrubá-lo. [“Quem com ferro fere, com ferro será ferido”].

16 outubro 2017

Proteção

Temer cria regras que dificultam acesso à lista suja do trabalho escravo, a pedido da “bancada ruralista”. Para proteger proprietários rurais flagrados na prática criminosa.

Intimidade

Em carta aos deputados, Temer usa argumentos de Eduardo Cunha para atacar o ex-aliado Funaro. Eles se conhecem muito bem.

Rumo a 2018

Preliminares de um jogo complexo
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo 

Nos dois planos — nacional e local — ganham corpo lances e manobras das forças políticas em presença, tendo em vista as eleições gerais de 2018.

Com uma particularidade: desta vez, mais do que o comum, o cenário futuro é marcado pela imprevisibilidade. Tanto pela multifacetada e intricada crise em que o país se vê mergulhado, como pelos movimentos erráteis e algo contraditórios dos atores locais. 

Com a consumação da última mini reforma política, pelo menos as regras do jogo estão postas. 
Mas o desenho das alianças, mais do que se possa supor, ainda demora a se fazer, pois há uma espécie de transição para a realidade eleitoral pós-impeachment, com todas as suas implicações, em que se sobressai a pergunta: qual será o ambiente social no qual o eleitor fará suas escolhas? 

Ou seja: terá perdurado o clima de descrença na política e nos políticos, a desesperança e a apatia? Ou a população terá enfim despertado para a necessidade de reagir usando mais criteriosamente a arma de que dispõe, o voto?

Numa ou noutra alternativa, mais do que artifícios midiáticos e a pirotecnia demagógica será necessário apresentar propostas consistentes e compreensíveis — o que exige um mínimo de compromisso dos candidatos, majoritários sobretudo.

Em Pernambuco, ainda que persista um quadro de alianças algo "misturado", resíduo do projeto presidencial de Eduardo Campos, um passo adiante possivelmente será dado movimento meio que de placas tectônicas (ainda lento) de reaproximação de forças à direita e à esquerda. 

A dispersão ainda é a tônica, mas a tendência é que se afirmem dois polos aglutinadores — um no governo, ainda liderado pelo PSB, outro na oposição, sem que se possa afirmar ainda sob a liderança de quem. Uma terceira via, como sempre é mais uma vez, certamente não será viável.

Alguns agem com truculência e precipitação; outros talvez exagerem na cautela; e todos ainda equidistantes do debate a ser feito, sobre os destinos do estado e do país.  

Mesmo os pré-candidatos à presidência da República ainda se voltam quase que exclusivamente para a narrativa do passado recente e da denúncia (ou do apoio velado) ao Estado de exceção inspirado nos exageros do Judiciário. 

No campo oposicionista em plano nacional, nem Lula, do PT, nem Ciro, do PDT, arriscam um ingresso no debate de soluções para a crise. Obviamente representando uma força organicamente menos volumosa, mas ideológica e politicamente expressiva, o PCdoB poderá decidir em seu 14° Congresso, em novembro, lançar pré-candidatura própria à presidência da República cuja motivação imediata será contribuir para o debate sobre os rumos do país.

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Poesia sempre

ALÉM DA TERRA, ALÉM DO CÉU
Carlos Drummond de Andrade

Além da Terra, além do Céu,
no trampolim do sem-fim das estrelas,
no rastro dos astros,
na magnólia das nebulosas.
Além, muito além do sistema solar,
até onde alcançam o pensamento e o coração,
vamos!
vamos conjugar
o verbo fundamental essencial,
o verbo transcendente, acima das gramáticas
e do medo e da moeda e da política,
o verbo sempreamar,
o verbo pluriamar,
razão de ser e de viver.
(Ilustração: Wellington Virgolino)

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