31 maio 2017

Quem?

Temer: "Mesmo quando têm críticas, as pessoas dizem que querem o programa de governo que iniciamos". Que "pessoas"? O Mercado, claro!

História: a greve de 1917

"A situação era tensa. Um grupo de operários chegou à porta do cotonifício Crespi e conclamou os trabalhadores a aderirem ao movimento grevista, que tinha se iniciado havia dias. A polícia, decidida a não permitir piquetes, interveio violentamente. O saldo do conflito: um morto. A vítima chamava-se José Ineguez Martinez, era sapateiro e tinha apenas 21 anos. Depois deste dia São Paulo não seria mais a mesma. Numa fria manhã de julho, dia 11, uma multidão de cerca de 10 mil pessoas caminhou lentamente pelas principais ruas da cidade paralisada, numa última homenagem ao operário assassinado. As bandeiras vermelhas e negras tremulavam entre choros e sentimentos de vingança. A São Paulo proletária estava nas ruas, nunca se tinha visto aquilo antes." (Do artigo “A greve geral paulista de 1917 e os seus reflexos no movimento operário brasileiro”, de Augusto Buonicore) Leia mais http://migre.me/wIMZU

Diretas

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou por unanimidade nesta quarta-feira (31) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a realização de eleições diretas se a Presidência da República ficar vaga nos três primeiros anos do mandato. O texto aprovado, de autoria do senador Reguffe (sem partido-DF) e relatado pelo senador Lindbergh Farias (PT-RJ), será enviado ao plenário do Senado. Leia mais http://migre.me/wIMGj

Humor de resistência

Bessinha vê a rejeição popular a Temer

O homem do Mercado

Há um personagem central em toda essa trama. É o ministro da Fazenda e da Previdência Social, Henrique Meirelles. Quase todos os interesses do golpe estão no ministério que conduz. Estão também, em certa medida, no ministério do Planejamento. Mas esse não tem luz própria nem estofo dentro da estrutura governante, escreve João Sicsú. Leia mais http://migre.me/wIGa7

Obstáculos a superar

Diretas na dependência da intenção e do gesto
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Vozes as mais diversas, incluindo gente conservadora, reconhecem que um pleito direto agora para suprir a vacância da presidência da República, pós-queda de Temer, "arejaria" a árida cena política nacional.

Mas não está fácil. Entre a intenção e o gesto há muitas contradições a contornar.

Enquanto isso, Temer se mantém na UTI respirando por aparelhos, movimenta sua tropa de resistentes e se beneficia da ausência de consenso entre o PSDB, a maioria peemedebista e seguidores de menor expressão, que não encontram o nome da confiança comum para o pleito indireto. 

Tucanos à frente, a turma do golpe trabalha com duas intenções pétreas: assegurar as reformas trabalhista e previdenciária e o conjunto da agenda neoliberal regressiva; manter o controle sobre a saída política para a crise institucional.

E se no conjunto da sociedade mais de oitenta por cento da população deseja eleições diretas agora, essa intenção não se traduz num movimento da expressão e força correspondente.

Essa contradição, digamos assim, há que ser enfrentada com a construção de uma plataforma comum, de fato orientada para a superação da crise e destinada a empolgar a nação, em combinação com a mobilização de rua.

São as pedras de toque para a consecução de uma ampla frente democrática em contraposição ao contraditório, porém dominante consócio entre a maioria parlamentar reacionária, parte do judiciário e do aparelho policial e a grande mídia.

Nesse contexto, uma hipótese aparentemente frágil, porém real é a manutenção de um governo Temer moribundo até 2018.

O que seria péssimo para a nação, para o povo brasileiro e extremamente corrosivo para a possibilidade de restauração democrática.

Ainda que num ritmo claudicante, as partes se movem e o desenlace imediato ainda não é claramente previsível. 
Daí ser simplista comparar o atual movimento pelas diretas com a memorável jornada de 1984.

Àquela época, a peleja reuniu amplas forças sociais e políticas e, a partir de certo instante, ganhou ressonância na grande mídia.

Hoje, ainda é um bandeira erguida por partidos de esquerda, centrais sindicais e movimentos sociais diversos e personalidades de certa projeção. Carece de amplitude e ainda se embaraça em percalços advindos do sectarismo e da intolerância.

Avançar é preciso – com largo descortino, em defesa da nação e da democracia.

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Pode?

Parecem relações promíscuas. E são. O Instituto Brasiliense de Direito Público, que tem no ministro do STF Gilmar Mendes um dos seus proprietários, realizará entre 20 e 21 de junho um seminário com a participação de Michel Temer.
Gilmar preside o TSE, que tem na pauta o julgamento da chapa Dilma-Temer, tido como uma oportunidade de afastamento do presidente ilegítimo.
Que tem a ver uma coisa com a outra. Tudo. Ou nada?

Teoria do fato e Janot

Charge de Clayton
Teoria do Fato é um método de investigação que o Ministério Público Federal introduziu na Lava Jato. É um nome vistoso para uma metodologia utilizada empiricamente por repórteres na cobertura de casos complexos. Trata-se de montar uma narrativa com um conjunto de deduções amarradas a algumas informações objetivas – escreve Luis Nassif. Veja a Teoria do Fato sobre o acordo de delação da JBS. Clique aqui http://migre.me/wIC3P

Garras do imperialismo

Como os EUA passaram a controlar a Petrobras e a JBS
Luis Nassif, Jornal GGN

A respeito do post “Xadrez de como Janot foi conduzido no caso JBS” (https://goo.gl/ubAHLX) recebo informações de leitores que complementam a questão geopolítica apresentada.
Há duas áreas estratégicas no Brasil, de interesse direto dos Estados Unidos. Uma, a área de energia/petróleo; outra, a área de alimentos. Nelas, a Petrobras e a JBS.
O interesse estratégico na JBS se deve ao fato de ter se transformado no maior fornecedor de proteína animal para a Rússia e a China. Na Petrobras, obviamente pelo acesso ao pré-sal.
Nos dois casos, o Departamento de Justiça logrou colocar sob fiscalização direta do escritório Baker & McKenzie, de Chicago, o maior dos Estados Unidos, o segundo maior do mundo, com 4.600 advogados e 13.000 funcionários mundo e com estrutura legal de uma sociedade registrada na Suíça (Verein) para pagar menos impostos. É considerado ligado ao Departamento de Estado e ao Departamento de Justiça e é visto em todo o mundo como um "braço" do governo americano, atuando em alinhamento com ele na proteção dos interesses essenciais dos EUA.
No Brasil, o nome de fachada da Baker & McKenzie é o escritório de advocacia Trench, Rossi & Watanabe.
Trata-se de uma nova versão originaria do primeiro escritório Baker & Mackenzie no Brasil, fundado como Stroeter, Trench e Veirano em uma pequena casa na Rua Pará em Higienópolis em 1973. O cabeça era o advogado Carlos Alberto de Souza Rossi, filho do empresário Eduardo Garcia Rossi, ligado à SOFUNGE fundição do grupo Simonsen. Depois o Veirano saiu e montou seu próprio escritório e entrou o desembargador aposentado Kazuo Watanabe, um dos pais dos Juizados de Pequenas Causas.
O Trench, Rossi & Watanabe foi indicado pelo Departamento de Justiça como fiscal dentro da Petrobras, serviço pelo qual já cobrou mais de 100 milhões de reais. Hoje a Petrobras está sob supervisão direta  do BAKER MCKENZIE, que analisa todos seus contratos, vasculha seus e-mails, tentando identificar novas áreas de atuação suspeita.
Agora, assumiu a defesa da JBS, inclusive nas negociações com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O Baker McKenzie é o principal escritório da JBS nos EUA. O caso JBS está sendo monitorado de perto pelo governo dos EUA porque os EUA poderão ter de graça sob seu controle a maior empresa de proteína animal do mundo.
Na realidade a JBS "salvou" a indústria de frigorificação de carne dos EUA, toda ela quebrada, e salvou com dinheiro publico brasileiro.
O Brasil praticamente "entregou" a JBS ao controle do EUA. Os Batista não têm saída a não ser virarem americanos. É mais um bom serviço prestado pelos  moralistas do Brasil.
Antes os EUA usavam pastores evangélicos para penetrar nos países, hoje usam promotores.
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30 maio 2017

Afundando

Temer diz que "trajetória do governo não será interrompida". Ou seja: caminha célere para o fundo do poço. 

Desvairado

Trump perde mais um assessor, Michael Dubke, das comunicações, e acentua imagem de centralizador e inconsequente. Patético. 

Rolo

Serraglio recusa Ministério da Transparência e tira foro privilegiado de Rocha Loures, suplente de deputado e ex-assessor especial de Temer - o da mala com com milhão de reais. 

Descarrilhado

Falando num fórum de empresários, em São Paulo, Temer garantiu que o Brasil segue nos trilhos.

Faltou dizer que seu governo descarrilhou. 

Lado

O senador José Agripino (DEM-RN), sem subterfúgios, diz na TV que os "empregadores nos pressionam" para votar logo as reformas trabalhista e previdenciária. Quanto à pressão popular em contrário, ouvidos de mercador. 

Transição

A troca de farpas entre Donald Trump e Angela Merkel vai muito além de divergências em torno da manutenção do Acordo de Paris. Faz parte da transição do mundo unipolar, sob hegemonia norte-americana, para uma nova ordem multipolar com a emergência de novos polos de poderio econômico, militar e político. 

Consenso difícil

O que falta para Temer cair?
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Maduro, exalando mau cheiro – mas ainda não caiu. Assim é Temer, que a todo custo procura se sustentar.

Menos de 10% da população o vê com bons olhos, a esmagadora maioria – índices recordes – o rejeita.

Sua base parlamentar e partidária se esgarça e bate cabeças no quesito encaminhamento das reformas antipopulares.

O núcleo palaciano – ou seja, seus ministros mais próximos – se vê acossado por repetidas denúncias de corrupção.

No ar, a expectativa ameaçadora de uma nova e bombástica revelação envolvendo o presidente ilegítimo.

Assim mesmo, o governo tenta a todo custo aparentar normalidade e seguir adiante.
Até quando? Depende.

Embora a rejeição extrema coloque o povo contra o governo e parcelas organizadas e mais ativas empunhem a bandeira das diretas-já, as rédeas do processo permanecem com a maioria governista no Senado e na Câmara – que persiste como palco principal das démarches. Isto no que se refere à formula pela qual o presidente deva cair.

A hipótese de uma solução via TSE, mediante a cassação da chapa Dilma-Temer, parece afastada com a retórica declaração de Gilmar Mendes, que exime o Tribunal da responsabilidade de solucionar o impasse, sugerindo, inclusive, que um dos ministros poderá pedir vista e o processo assim se estenda ad infinitum.

Pelo andar da carruagem, dois imbróglios carecem de solução: a escolha de um candidato unitário para as eleições indiretas; e o modo como afastar Temer e lhe assegurar imunidade.
Fernando Moraes, em seu blog Nocaute, registra a tentativa de um “acórdão” lastreado nos seguintes pontos:

Temer sairia logo, evitando a eventual convocação de eleições diretas já para presidente da República. Em seu lugar, um governo de maioria tucana, no qual Henrique Meirelles seria substituído no Ministério da Fazenda por Armínio Fraga. Preservar-se-ia a mulher e a filha de Eduardo Cunha (Moro já deu o primeiro passo) para garantir o seu silêncio.

Mas não há consenso a respeito do nome que seria eleito indiretamente. Nem como evitar uma futura prisão de Temer. Alguns sugerem um indulto.

Como se vê, mesmo no Congresso, onde os golpistas têm larga maioria, a coisa continua complexa.

Enquanto isso, a economia afunda e os males sociais se ampliam aceleradamente.

Nesse contexto, campanha pelas eleições diretas precisa ganhar força. Já.

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29 maio 2017

Fratura exposta

Em artigo publicado nesta segunda-feira (29), no jornal Valor Econômico, o cientista político, professor do departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP) Fernando Limongi descreve “o caos” do cenário político brasileiro. Afirma que “a coalizão que comandou o processo de impeachment se esfacelou, perdeu o rumo e trabalha para catar os cacos”, mas segundo ele, será improvável que ainda “se recomponha”. Leia mais http://migre.me/wI2ZR

Imposição

Alheia ao clamor popular, a base governista abusa das manobras legislativas para evitar a aprovação de uma emenda constitucional pelas eleições diretas. Uma proposta nessa direção, elaborada pelo deputado Miro Teixeira, da Rede, está em debate na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, seja qual for o motivo da vacância do poder: renúncia, impeachment ou cassação do mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral. Para evitar que o texto começasse a ser analisado na terça-feira 23, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), apressou-se a dar início à ordem do dia no Plenário, o que obrigou o colegiado a encerrar a discussão uma hora depois do início dos trabalhos (detalhes na reportagem à pág. 14). No dia seguinte, o peemedebista Rodrigo Pacheco, presidente da CCJ, incumbiu-se de segurar a pauta. Leia mais http://migre.me/wI37n

Poesia sempre

Edvard Munch
Soneto puro
Ledo Ivo

Fique o amor onde está; seu movimento
nas equações marítimas se inspire
para que, feito o mar, não se retire
de verdes áreas de seu vão lamento.

Seja o amor como a vaga ao vago intento
de ser colhida em mãos; nela se mire
e, fiel ao seu fulcro, não admire
as enganosas rotações do vento.

Como o centro de tudo, não se afaste
da razão de si mesmo, e se contente
em luzir para o lume que o ensolara.

Seja o amor como o tempo – não se gaste
e, se gasto, renasça, noite clara
que acolhe a treva, e é clara novamente.


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O "x" da trama

Nas conversas dos partidos sobre o pós-Temer, caso ele perca o mandato, uma unanimidade é que o escolhido deve preservar o núcleo da equipe econômica, uma forma de tranquilizar o mercado em meio à crise - informa a Colina do Estadão.

Óbvio. Ou alguém tem dúvida de que a opção pelas indiretas é exatamente para seguir o programa econômico dos golpistas? 

Traição completa

"É prematuro pensarmos em candidaturas enquanto apoiamos um governo cuja agenda nós elaboramos”, afirma Aécio Neves em encontro com líderes tucanos.

Isso mesmo! Temer foi eleito em chapa com Dilma defendendo programa oposto ao do PSDB. Com o golpe, traiu por completo os 52 milhões de eleitores que recusaram o programa tucano, empunhado por Aecio, tornando-se seu executor.

Como assim?

"Não há tensão entre o governo e o Judiciário", afirma o novo
Ministro da Justiça, Torquato Jardim, em entrevista à Folha de S. Paulo. 

Ele se refere ao governo Temer e ao Judiciário brasileiro. Ainda não caiu na real?  

28 maio 2017

15 anos sem João Amazonas

João Amazonas faleceu em 27 de maio de 2002. Para lembrar sua memória, nada melhor do que persistir na divulgação de suas ideias, especialmente nesses tempos de obscurantismo golpista, de retrocesso no ciclo progressista que ele ajudou a construir. Amazonas não chegou a ver a vitória de Lula em 2002, embora tenha sido um dos maiores entusiastas partidários da candidatura do líder operário e sindical à Presidência da República desde 1989 com a Frente Brasil Popular. Mas deixou a marca de suas ideias e da sabedoria política acumulada em mais de seis décadas de militância comunista – ideias impressas na bandeira do PCdoB, na luta por democracia, pela soberania nacional e pelo progresso social. Leia aqui http://migre.me/wHGEg

Tendência contra

Informa a Folha de S. Paulo ter ouvido líderes das dez maiores bancadas no Senado (72 senadores, 89% do total) e na Câmara (397 deputados, 77%) que rechaçam as eleições diretas para a substituição de Temer.  

Ou seja, preferem que o próprio Congresso faça o pleito indireto – apesar de ser hoje uma instituição muito desacreditada perante a opinião pública. Segundo pesquisa Data Folha, 58% consideram o parlamento ruim e inconfiável.

Dificilmente essa tendência mudará – salvo se o movimento pelas diretas-já ganhar uma dimensão muito maior do que a que atinge hoje. Uma tarefa de todos os democratas.

Lutar é preciso

video

Equívoco

Nada justifica, da parte de governante lúcido, persistente ligação com o governo Temer nem apoio a reformas antipopulares. É erro crasso.

Uma obra prima

Foi numa terça-feira de 1965. Gabriel García Márquez tinha acabado de voltar de um fim de semana em Acapulco (México) com sua mulher e seus dois filhos quando, fulminado por um “cataclismo da alma”, sentou-se diante da máquina de escrever e, como ele mesmo se recordaria anos mais tarde, não se levantou até o início de 1967. Naqueles 18 meses, todos os dias, das nove da manhã às três da tarde, o escritor colombiano gestou Cem anos de solidão. Leia mais http://migre.me/wHx6R

Mistificação

O triunfo da emoção
Eduardo Bomfim, no Vermelho

A crise brasileira já atingiu as raias do paroxismo. Ela não foi deflagrada agora, veio à tona em 2013 com as manifestações de rua, como tempestades de ansiedades difusas cobertas ao vivo por essa grande mídia global hegemônica que dá o tom da atual aventura autoritária.

E que foram denunciadas depois pelo ex-agente da NSA, serviço de espionagem dos EUA, Edward Snowden, como uma edição tupiniquim das “primaveras árabes” que desestabilizaram nações na região pautadas por interesses norte-americanos.

Mas quem se encontra por trás de todos os fatos desencadeados é um consórcio, que envolve além das estratégias hegemônicas dos EUA no Brasil, o monopólio midiático global.

A grande mídia, arquiteta das interpretações escatológicas da vida brasileira, ligada aos interesses do rentismo, associou-se a corporações que cresceram nos últimos anos graças à prática dum tipo de um falso republicanismo onde prevalece o esquartejamento do Estado, que se sobrepõe aos interesses estratégicos da nação.

E motivações explícitas vendem a ideia através do monopólio midiático, que o mal do País é a democracia, via campanha sistemática, de lavagem cerebral e fulminante contra a política.

Assim a democracia parlamentar, e todos os partidos, sem exceção, seriam o tumor maligno do País. Para isso contam com o concurso das forças retrógradas e grupos ultristas de vários matizes que soprados pela grande mídia dão o tom nas redes sociais.

É a tempestade perfeita: a atividade política seria então uma universidade de criminosos a ser extirpada da vida social, substituída pelo Mercado rentista, consórcios aliados e, no poder, um “insuspeito apolítico”.

A nação movida a surtos psicóticos de ódio é refém da máxima de propaganda explicitada no filme da cineasta Leni Riefenstahl, predileta do nazismo hitlerista, O Triunfo da Vontade: “a emoção deve se sobrepor à razão”.

Urge o esforço de amplas forças políticas num pacto que defenda o que ainda resta do Estado de Direito além da luta em defesa dos interesses nacionais, da soberania do País, solapados à luz do dia.
Com a nação à deriva impõem-se soluções democráticas e patrióticas, sem aventureirismos particularistas. O Brasil está à beira do precipício. Ou será o primado da vida democrática ou o triunfo fascista da emoção sobre a lucidez da razão.
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Na luta

Situação complexa, correlação de forças adversa e elevado grau de imprevisibilidade - traços essenciais da atual cena política. Atenção à intensa articulação das forças golpistas, capitaneadas pelo PSDB, na busca de um nome de consenso num pleito indireto, pós-que da Temer. Fortificar a luta pelas diretas-já de todas as formas possíveis é essencial e urgente em Pernambuco, respeitando a pluralidade na esfera dos partidos e nos movimentos sociais. (Tópicos do debate hoje na reunião ampliada da Comissão Política Estadual do PCdoB.)

27 maio 2017

Movediço

PSDB, PSD e DEM seguem no governo, mas à espera da decisão do TSE e atentos à eventualidade de algum "fato novo" que possa comprometer mais ainda Temer. 

É o que se pode chamar de "apoio movediço". E dá a dimensão da fragilidade dos laços que hoje unem os golpistas. 

Rombo

Reportagem do Estadão registra estimativas de perdas para a atividade econômica em 2017 entre R$ 25 bilhões, no cenário mais otimista, e R$ 170 bilhões, no mais pessimista, na comparação com que se esperava antes das denúncias envolvendo o presidente Michel Temer. É consenso entre os especialistas ouvidos pelo Broadcast/Estadão que o tamanho do estrago vai depender da duração da turbulência em Brasília e do desfecho da reforma da Previdência.

Há um outro cálculo que precisa ser feito: o da dimensão das perdas sofridas pelos milhos de trabalhadores atingidos pela crise e pela redução dos gastos públicos com políticas sociais, sobretudo nos doze meses de governo Temer. 

O prazer da fotografia

Um detalhe do Recife (Foto: LS)

Nó a desatar

O país chegou a um gargalo, um poderoso impasse, no momento com um vazio político a preencher. Quem tem em mente os acontecimentos da Argentina em torno do ano 2000, quando ocuparam a presidência cinco mandatários em algo como 18 meses, também aqui a saída de Temer da Presidência não é garantia total em termos de estabilidade, salvo se se levar a solução ao arbítrio do voto popular – assinala Walter Sorrentino em artigo no Vermelho. Leia mais http://migre.me/wHaC2

Acuado

Temer sob a proteção e o temor
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

A elevação do modo de protesto popular violento em Brasília, do vandalismo para o ataque típico de revolta civil, não foi um aviso.
Os avisos estão dados desde o colar de incidentes começados ainda no governo Dilma. Os ataques aos ministérios foram já o primeiro ato.
Quem até aqui não quis ver –nos governos e no Congresso, na imprensa/TV, no empresariado que influi na política– está confrontado pelos fatos: a situação interna do país mudou.
Iniciou-se um processo que, embora não irreversível, é propenso a avançar, sob o incentivo ignorante das classes privilegiadas, aqui sempre empedernidas e vorazes.
Só esses predicados podem levar à crença de que é possível impor, a um só tempo e impunemente, desemprego, ostentação de roubalheiras premiadas do dinheiro público, salários atrasados, cassação de direitos trabalhistas, redução dos miseráveis recursos e serviços da saúde, ainda piores condições de aposentadoria para quem de fato trabalha ou trabalhou, corte dos investimentos públicos e, pairando sobre ou sob esse conjunto idealizado pela classe dominante, uma composição imoral de governo.
As ações diretas do povo não seguem regras. Obedecem à lógica das suas contingências.
Nessa lógica está, hoje em dia, o alto grau de indignação e de violência –praticada e potencial– nas cidades difusamente armadas e mais suscetíveis a próximos capítulos da nova etapa de escalada. Caso notório de Rio e São Paulo, mas não só.
Brasília é mais vulnerável a ocorrências ditas de praça pública, na arrogância dos seus prédios e no convite das suas vidraças, não porém em armas à mão. São Paulo, território primordial para a comercialização de droga em dimensões nacionais, e Rio, território com enclaves bandidos, exemplificam melhor o risco que a Capital projeta sobre o país.
Michel Temer e seus parlamentares pretenderam mais uma atitude indecente. Na calada, não da noite, mas da bagunça mental que se generalizou, quiseram fazer na Câmara e no Senado aprovações que levariam o empresariado influente e imprensa/TV a ampará-los, em retribuição e por querer mais.
Em consequência, o Palácio do Jaburu, apesar de proteção especial, passa a ter horas, talvez noites e dias, de suspense e temor. A Câmara e o Senado deixam de saber quando poderão funcionar não ou, como ontem.
Forças Armadas são postas a reprimir, não bandidos, mas a gente comum. Alguma dúvida de que tirar Michel Temer é a única hipótese das chefias políticas e seu empresariado para atenuar as tensões do país? Mas no povo a ideia também única, que se constata por toda parte, é de que o país está entregue a ladrões. E ele em pessoa é uma vítima de todos os ladrões.
É apenas lógica e induzida a elevação do modo de enfrentamento popular. 
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Acesse https://www.facebook.com/LucianoSiqueira65/

26 maio 2017

Vício de origem

Qualquer adolescente minimamente informado sabe que o governador Geraldo Alckmin encontra imensa dificuldade de se legar presidente em votação direta. Não conhece o Brasil, vê os problemas com o binóculo invertido da avenida Paulista e fala uma língua que a maioria não entende. 

Agora é citado como alternativa à presidência numa eleição indireta, no Congresso Nacional. É o DNA da velha UDN funcionando...

Indulto

A colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, comenta que estaria em estudo a hipótese de um indulto de Temer logo que ele deixe a presidência da República. 

A se confirmar essa hipótese, claro que haveria reação negativa na opinião pública. Mas o que há de positivo na notícia é que se consolida o fim do governo. Falta a fórmula. 

Indicadores negam

Um dos argumentos de Temer para lamentar que seu governo tenha sido abatido em pleno vôo é que a economia ia bem... Nada disso. Ao tentar explicar a polêmica revisão dos indicadores relativos ao desempenho do comércio e dos serviços em janeiro, o economista Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), terminou se contrapondo ao discurso oficial do governo. De acordo com ele – e ao contrário do que diz Michel Temer -, o cenário “é muito ruim” e o ambiente econômico "não melhorou". Leia mais http://migre.me/wGQBA

O tamanho do impasse

Enquanto Temer e seu pequeno e desgastado grupo palaciano faz tudo para adiar a queda do governo, permanece o vazio político - que não pode ser preenchido tão somente pela conspiração tucano-peemedebista pela eleição indireta de alguém que toque adiante a agenda das reformas antipopulares. 

Entrementes, o movimento democrático pelas diretas há que se expandir rapidamente. E agregar conteúdo através de uma plataforma de unidade destinada a tirar o país da crise.

Submeter a agenda anticrise ao crivo das urnas seria não apenas o democrático e maus sensato, como faria o contraponto à prolongada agonia de instituições esgarçadas e conflitantes  entre si.

Por enquanto, o movimento é de placas tectônicas, em ritmo incompatível com s gravidade da crise. 

25 maio 2017

Hediondo

Usar Exército para mandar recado a opositores é hediondo, comenta o governador Flávio Dino (PCdoB-MA), a propósito do decreto de Michel Temer, publicado ontem, autorizando o uso das Forças Armadas para conter as manifestações que pedem a sua renúncia e rechaça as reformas. Leia mais http://migre.me/wGzL1

Recuo

Acuado, Temer recua e revoga o decreto que pôs as Forças Armadas nas ruas contra o povo. Fragilidade ou tibieza?

Conspiração antidemocrática

Deplorável atalho ao poder
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Na história das sociedades há fenômenos que, recorrentes, ganham status de lei objetiva - ou seja, se incorporam definitivamente às peculiaridades do povo e da nação.

No Brasil, cuja história é marcada por soluções "pelo alto" em situações críticas, via negociação entre as forças litigantes, fator decisivo das "rupturas inconclusas" que se sucedem desde o Império aos instantes recentes, uma corrente política se faz presente e invariavelmente nefasta.

Refiro-me ao “udenismo”, expressão política do que podemos chamar de inclinação ao centro-direita, que empalma importante segmento da sociedade composto por parcelas da classe dominante e da chamada "classe média" conservadora.

No espectro partidário, a representação mais precisa disso foi a UDN, nos anos cinquenta e início dos anos sessenta; e na atualidade o PSDB.

Não à toa os udenistas eram chamados de "vivandeiras dos quartéis", assim caracterizados pela insistência com que à intervenção militar para reparar seu fracasso nas urnas. 

A tradução dessa atitude na atualidade está nos esforços do tucanato que, tão logo proclamados os resultados do último pleito presidencial, já batiam às portas dos tribunais na tentativa de anulá-lo, assim, tentarem dar a volta por cima pós-derrota eleitoral.

O senador afastado e processado por corrupção Aécio Neves, então candidato derrotado e presidente do PSDB, é o signatário do pedido de cassação da chapa Dilma-Temer, alegando uso indevido do poder econômico na campanha.

Agora que Temer vai ao fundo do poço e se discute a fórmula mais rápida e menos conflitante de sua queda, justamente próceres do PSDB lideram articulações ao centro e à direita em favor da escolha, em eleição indireta, no Congresso Nacional, de um novo presidente comprometido com a agenda regressiva em curso.

Em outras palavras, o programa neoliberal do candidato tucano Aécio Neves, derrotado nas urnas, pode se viabilizar plenamente num arremedo de eleições a cargo de um colégio eleitoral cuja credibilidade se aproxima de zero! Um deplorável atalho ao poder.

O caminho está traçado: o TSE cassa a chapa Dilma-Temer, o presidente da Câmara assume o posto e, pelas normas vigentes, convoca o pleito indireto num prazo de trinta dias. 

E eis que a nação estará constrangida a ser presidida por um Tasso Jereissati da vida, que num pleito direto jamais teria chances.

Isto se as próprias contradições entre os golpistas, que não são poucas e se acirram a cada instante, e a pressão da sociedade, que tende a aumentar rapidamente, não levarem à aprovação da PEC 227, que viabiliza eleições diretas já. 

Não se mudam leis objetivas (fenômenos recorrentes, como queiram) facilmente, porém o curso da História pode se alterar num dado momento, mediante a conjugação de muitos fatores e a emergência de uma força capaz de sobrepor na cena política.

À trama tucana há que se opor um amplo movimento pela democracia que, ao lado de conquistar eleições diretas na sucessão do moribundo governo Temer, apresente à nação uma plataforma de proposições destinadas a tirar o país da crise e instaurar um novo ciclo transformador. 

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Humor de resistência

Simanca vê o despero de Temer diante da pressão popular

"Descoberta"

Dizer agora que a Operação Lava Jato "não está imune a críticas" parece piada de mau gosto. Antes estava imune? 

Desespero

Temer, entre desesperado e patético, implora à sua esgarçada base que defenda o governo. Gesto típico de quem chegou ao fundo do poço. 

Decadência

O ministro da Defesa e o presidente da Câmara dos Deputados, anêmicos em autoridade, praticam o jogo de empurra um atribuindo ao outro a responsabilidade por induzir o fraco e decadente presidente Temer a recorrer ao uso das Forças Armadas para coibir as manifestações contrárias às reformas trabalhista e previdenciária. 

Tiro no pé

Temer erra a todo instante, revelando-se irremediavelmente sem qualificação para o cargo. O decreto pondo as Forças Armadas nas ruas para reprimir o povo, além de questionado por renomados juristas - que qualificam a medida como inconstitucional -, provoca reação negativa no comando das próprias Forças Armadas. É a crise institucional se arrasta na areia movediça. 

Distorção

Distúrbios provocados por black blocs infiltrados entre manifestantes de ontem, em Brasília, são destaque no noticiário de hoje. 

Jogo combinado: a intenção é desqualificar o movimento contras as reformas trabalhista e previdenciária.

CNBB contra Temer

Em uma contundente manifestação, o secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, diz que não há a mínima condição ética para que Michel Temer continue no cargo, após as revelações da JBS. Leia mais http://migre.me/wGlns

Autoritário e ilegal

Dallari: Decreto de Temer é um absurdo jurídico e inconstitucional
"Li o decreto e estou convencido de que é um absurdo e inconstitucional", afirmou o professor emérito da USP, o jurista Dalmo Dallari, ao comentar o decreto publicado por Michel Temer, nesta quarta-feira (24), que prevê uso das Forças Armadas no Distrito Federal por uma semana.
Por Dayane Santos, no Vermelho

"Primeiro, porque ele [Temer] faz a invocação de dois incisos da Constituição que não dão fundamento para determinar o uso das Forças Armadas como polícia", explica Dallari, que é um dos mais renomados constitucionalistas brasileiros.

De acordo com o jurista, o decreto publicado menciona o artigo 84º da Constituição e os incisos IV e XIII, que prevê que compete exclusivamente ao Presidente da República publicar decretos e "exercer o comando supremo das Forças Armadas, nomear os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, promover seus oficiais-generais e nomeá-los para os cargos que lhes são privativos", respectivamente.

"Nenhum desses incisos tem haver com o uso das Forças Armadas como polícia, ou seja, não há fundamento constitucional. A fundamentação que consta no decreto é absolutamente falsa", denuncia Dallari.

Segundo o jurista, pelo conteúdo do decreto, "há uma deturbação evidente dos objetivos das Forças Armadas, pois existe forças policiais - nacionais e locais - que estão preparadas para cuidar e manter a ordem interna e são essas instituições que se deve recorrer". "As Forças Armadas têm objetivos específicos estabelecidos pela Constituição e não substituem a polícia", reforça.

"Outro absurdo que não tem justificativa é o fato de estabelecer um período de 24 a 31 de maio. É absolutamente arbitrário", destaca em tom de indignação. "Realmente, o decreto é um absurdo jurídico e deve ser declarado inconstitucional", completa.

Ele conclui: "Para a democracia é negativo, mas o decreto em si não tem força para eliminar a Constituição. E essa é a nossa garantia fundamental. Mas, por outro lado, ele torna duradoura uma situação confusa. Não está sendo tomada nenhuma atitude para que se estabeleça uma ordem pacífica e democrática".
 
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24 maio 2017

DNA

O anúncio da decisão de Temer pòr o Exército contra o povo nas ruas teve solenidade, palavras e gestos que lembram a Ditadura Militar.  ‬

Medo de Lula

Líderes do PSDB e do DEM promovem intensa articulação para assegurar que a sucessão de Temer se dê pela via indireta, e não por eleições diretas, com explícito receio de que Lula possa vir a ser eleito. Por isso manobram para atrasar a tramitação da PEC das eleições diretas. 

LGBTs na mídia

As noções de representação e representatividade são complexas e caras aos movimentos e minorias sociais. No regime da visibilidade em que vivemos, “ser visto” é também uma forma de pressionar instâncias governamentais por mais direitos e políticas de igualdade, a fim de garantir a dignidade humana de grupos sociais cotidianamente vilipendiados. Daí um dos papéis fundamentais da mídia na contemporaneidade: é o espaço da visibilidade por excelência. Leia mais http://migre.me/wG4B4

Pressão em Brasília

As centrais sindicais dão mais um passo nesta quarta-feira (24) no movimento de resistência contra as reformas da Previdência e trabalhista. As entidades dos trabalhadores ocupam Brasília com o apoio das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo para realizar a 9ª Marcha da Classe Trabalhadora. A concentração será ao lado do Estádio mané Garrincha e às 11h a manifestação se dirige ao Congresso Nacional. O objetivo agora é impedir o atropelo nas votações. Leia mais http://migre.me/wG4wl

A casa cai

Inútil pantomima
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10

Ministros e líderes governistas na Câmara e no Senado repetem, orquestradamente, que "tudo transcorre normalmente". Temer está tranquilo e a sua base parlamentar coesa, dizem.

Mas os fatos, em profusão, mostram o contrário.

Ou seja, envoltos em tremendo mar de lama e sob terríveis ameaças, mentem na vã tentativa de enganar a sociedade e, talvez, a si mesmos.

Enquanto isso, nas coxias, a turma que realmente manda nos partidos governistas e ministros ungidos pelo Mercado, conscientes de que o governo não se sustentará, debatem a fórmula menos dolorosa da queda de Temer e buscam um nome que possa aglutinar, em eleições indiretas, a maioria necessária para fazer o novo presidente.

Segundo o noticiário, a alternativa preferida até o momento é a cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, acrescida de um acordo para que Temer não recorra ao STF, nem seja preso.

Num cenário de incerteza e de tamanha imponderabilidade, essa trama encontra muitas dificuldades.

Envolve a anuência de muitos atores – do próprio Temer à grande mídia que o sustentava e não mais o sustenta -, esta em última instância manipulada pelo verdadeiro comando por trás das cortinas, o chamado Mercado (ou seja, o sistema financeiro, que aqui e mundo afora detém as rédeas).

Temer reluta em renunciar para que seu gesto não seja compreendido como uma “confissão de culpa” e ainda por cima perca o fórum privilegiado e se arrisque a uma desmoralizante prisão.

Deputados e senadores, liderados pelo PSDB, fazem o seu jogo sabendo que a credibilidade do parlamento se encontra perto de zero.

Entrementes, a crise econômica (e suas múltiplas consequências) segue adiante, como que “alheia” ao bate cabeças dos atores políticos.

As reformas trabalhista e previdenciária, convertidas a um só tempo em face mais evidente da agenda regressiva do governo Temer e principal fator de seu humilhante desempenho nas últimas pesquisas, continuam na prioridade da maioria parlamentar governista.

Alguém menos avisado, olhando à distância, bem que poderia caracterizar o cenário como de suicídio político coletivo.

De outra parte, as articulações Frente Povo Sem Medo e Frente Brasil Popular, as centrais sindicais (sobretudo a CUT e a CTB) e demais segmentos dos movimentos sociais, concentram a partir de hoje, em Brasília, a pressão contra as reformas antipopulares e pela aprovação da PEC 227, que viabiliza as eleições diretas agora.

Portanto, nada de normal, tudo em ebulição e de imprevisibilidade plena.

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23 maio 2017

Soberania popular

Recuperar a democracia através do voto
Luciano Siqueira, no Blog da Folha

Dados de pesquisas revelam que mais de 80% dos brasileiros desejam a realização de eleições diretas para a presidência da República, a partir da queda de Temer. 

No variado espectro de forças políticas, a adesão à ideia envolve inclusive setores conservadores e até situados à direita. 

Há, portanto, um ambiente maduro para a intensificação da luta pelas diretas-já, que há de se desenvolver de múltiplas e multifacetadas formas.

Há lugar e trincheiras para todos.

Mesmo ações aparentemente dispersas ou isoladas convergem para um mesmo leito - o da pressão sobre a Câmara e o Senado para que se aprove uma PEC que viabilize as diretas agora.

As eleições diretas para presidente por si mesmas não solucionam a crise do país. Mas restabelecem a soberania popular, através do voto, neste instante de esgarçamento das instituições que compõem a República. 

Abrem perspectivas.

A disputa através do voto implica riscos. Porém riscos muito menores do que a escolha de um novo mandatário através do atual Congresso, cuja credibilidade se encontra perto de zero.

Nesse restrito colégio eleitoral, pode prosperar uma alternativa tipo Henrique Meirelles, homem de absoluta confiança do Mercado Financeiro, comprometido até a medula com a agenda regressiva ora encetada por Temer. 

Em pleito direto, todas as candidaturas que se apresentem terão que expor propostas para o impasse atual, inclusive acerca das reformas trabalhista e previdenciária.

Proposições destinadas a tirar o país da crise terão que ser submetidas ao debate e ao voto.
E coloca-se a possibilidade de uma candidatura patrocinada por amplo arcos de forças do campo democrático e popular, com prometida com a retomada do crescimento econômico em bases inclusivas, a preservação da soberania nacional e a democracia.

Seja qual for o resultado, o exercício democrático através do voto gerará fatores de renovação da vida nacional.

Mas é evidente que o consórcio golpista, mesmo às voltas com dissensões e fraturas, consciente da queda de Temer, opera em favor da alternativa das eleições indiretas.

O propósito dessas forças é encontrar uma candidatura capaz de dar sequência ao golpe e à agenda antinacional e antipovo.

Daí a absoluta necessidade de elevar o tom da luta pelas eleições diretas – nas redes, nos salões e nas ruas.

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Humor de resistência

Nani vê o calvário de Aécio Neves.

Neurose midiatizada

A corrida de celebridades como Luciano Huck para apagar fotos nas redes sociais com o, agora, radioativo senador Aécio Neves, é a face mais visível de um novo fenômeno: o surgimento uma classe média midiatizada: jornalistas, artistas, celebridades esportivas entre outros da fauna midiática que, por respirarem e viverem em uma bolha que os isola das ameaças do deserto do real, começam a criar relações promíscuas e comprometedoras com personagens empresarias e políticos que habitam no entorno do poder. Como sintoma “tautista” (tautologia + autismo) desses ambientes midiatizados, confundem câmeras, teleprompter e claque de aplausos em auditório com a própria realidade, chegando alguns a acreditar que de fato ocupam “espaço de poder”. Casadas com políticos e empresários além de manter amizades com centros de poder corporativos e governamentais fazem muitos jornalistas acreditar que também pertencem à classe dominante, criando um tipo de jornalismo e entretenimento marcado por relações promíscuas e conflitos de interesses – escreve Wilson Ferreira no Jornal GGN. Leia mais http://migre.me/wFGJN

Estado & Mercado

Poder econômico se apossou do Estado e barrou avanços civilizatórios. Os escândalos são fruto da natureza viciada da relação do Estado com o mercado. É necessária uma reforma política que democratize o voto e coíba o poder do dinheiro sobre Legislativo, Executivo e Judiciário – escreve Marcio Pochmann. Leia mais http://migre.me/wFGBz

Quem manda

O ministro da Fazenda Henrique Meirelles, homem do Mercado, trata de demonstrar ao Sistema Financeiro que “o governo não acabou” – noticiam os jornais de hoje.


Meirelles oferece garantias de que a agenda regressiva seguirá. “Eu sou o governo”, é a mensagem.

Trama

Roteiro tucano: Temer renuncia com o compromisso de não ser preso; um nome de consenso à direita se elege presidente da República em pleito indireto por deputados e senadores; segue célere a agenda regressiva de conquistas e direitos, em favor do Mercado Financeiro.

Seria a continuidade do golpe aprimorada. A via por onde o PSDB, enfim, chegaria à presidência da República sem o voto dos brasileiros. 

Vale a pena saber

As condições do caos
Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo

Toda a dramaticidade da situação sintetiza-se em uma pequena frase: não há saída boa. A pior seria a permanência de Michel Temer ainda mais apalermado. Mas nenhuma das outras possíveis evitaria a continuidade das condições caóticas que sufocam o país.

Com alguma sorte, no máximo se chegaria sem tumulto maior às eleições daqui a perto de ano e meio. Isso, se não for gasto tempo demais, enquanto o país deteriora, com a disputa das correntes políticas (não só as partidárias) para definir o que se seguirá ao atual estado crítico.

É preciso considerar ainda que as denúncias, sejam as já iniciadas, sejam novas, podem agravar a situação interna das instituições, com decorrências de efeito extenso. Está visto, para ninguém mais negar, que os motores da corrupção política e administrativa não são só as empreiteiras.

E não falta quem, para receber os generosos prêmios dados aos delatores, mostre mais aos brasileiros como é de verdade o seu país. Nem faltam candidatos a ver-se, de repente, passando de louvados a execrados. Como a estrela do bom-mocismo, Aécio Neves.

Agora senador afastado pelo Supremo, e com Eduardo Cunha preso, Aécio fica mais exposto a que afinal se esclareçam em definitivo as trapaças de contratos em Furnas, cuja lista de beneficiários lhe dá lugar de destaque. Associados nessa lista, os dois retiveram por muito tempo as investigações devidas e suas consequências.

Com esse inquérito em andamento, Aécio se torna um dos senadores mais apreciados por procuradores e juízes: seis inquéritos – um por suborno e fraude na construção da Cidade Administrativa em seu governo mineiro, outro por suborno na construção de usinas hidrelétricas, três por caixa dois, e o de Furnas. Aguarda-se o sétimo.

Não foi sem motivo, portanto, que esse senador e presidente do PSDB (retirado de um cargo e licenciado do outro), conforme suas palavras agora públicas, disse ser necessário acabar com tais investigações e estar "trabalhando nisso como um louco".

E pensar que esse era o presidente da República desejado e proposto ao país pelo "mercado", pelos conservadores de todos os tipos e por imprensa, TV e rádio. Derrotado e ressentido, foi o primeiro a conclamar pela represália que originou o desenrolar político hoje incandescente.

Para onde vai esse desastre em sua fase judicial, continuaremos sem saber. As gravações de Joesley Batista ainda aumentam muito a obscuridade, com pequena menção que a conveniência deu por despercebida pelo pasmo.

Como queixa por perseguições a sua maior empresa, ele conta a Temer ter visto o vídeo da delação de Sérgio Machado, o ex-diretor da Petrobras que gravou Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney. Esta é a cena: procuradores da Lava Jato dizem a Machado que fale sobre a JBS, Machado diz desconhecer fatos que incluam a empresa.

Os procuradores insistem em vão. Até que Machado aparece lendo um pequeno papel, decora o lido, e o recita como depoimento: é uma acusação à JBS. Não há menção a quem lhe passou o dizer exigido. Nem era necessária, para proporcionar a advogados mais um questionamento e a magistrados isentos um problema, sobre certos métodos e motivos da Lava Jato.

A JBS, parte da empresa-mãe J&F, é a maior exportadora mundial de carne bovina e de frango. Seu crescimento no mundo tem sido, em grande parte, decorrente de apoios financeiros e outros, legítimos ou não, dos governos brasileiros. E contraria poderosas multinacionais e governos estrangeiros empenhados na promoção internacional de seus exportadores. 

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Nas mãos do povo

PCdoB: "Diretas Já" é o caminho para a restauração da democracia
Vermelho

A Comissão Política Nacional do PCdoB divulgou nota, nesta segunda (22), na qual reitera a necessidade de encerrar o governo Michel Temer, realizar eleições diretas e barrar as reformas neoliberais. Nesse sentido, o partido defende uma grande mobilização popular e uma frente ampla, que agregue diferentes forças políticas, sociais e econômicas em torno da saída de Temer e de uma plataforma mínima.
 
Fora Temer, Diretas Já!
Desde o último dia 17, agravou-se seriamente a situação de crise e instabilidade a que o golpe de Estado empurrou o país. O usurpador da cadeira presidencial, Michel Temer, já ilegítimo, perdeu por completo as condições de governar. Impõe-se, para o bem do Brasil, que se coloque fim ao governo golpista seja pela renúncia, seja pelo impeachment, seja por uma decisão do Poder Judiciário, respaldada pela Constituição. 

Todavia, receoso de ser fulminado politicamente pelo próprio consórcio golpista que o entronizou, Temer reluta em deixar o cargo. Busca ganhar tempo, negociar, “vender” sua saída.

Temer já estava fragilizado, batendo recordes de impopularidade. Um governo de penosa sobrevida. A entrega do patrimônio nacional, a desnacionalização da economia brasileira e o violento corte de direitos dos trabalhadores proporcionavam-lhe um condicionante apoio das classes dominantes e de seu monopólio midiático.

A situação do governo, entretanto, se deteriorou. Temer está sendo investigado, por autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), por crimes de corrupção passiva, organização criminosa e obstrução da Justiça. Aécio Neves, que lavrou em nome dos tucanos um pacto de sangue com Temer e Cunha, na trama do impeachment fraudulento, foi afastado do mandato de senador e da presidência do PSDB e é alvo do mesmo inquérito de Temer.

Em razão desse novo quadro, o consórcio golpista que sustenta o governo ilegítimo se dividiu. Parte retirou o apoio e outra mantém um respaldo claudicante, como é o caso do PSDB. Legendas como PSB, PPS, Podemos (ex-PTN) já se afastaram do governo.

A desagregação chega também à base empresarial e financeira do golpe. A recessão, agravada pelo golpe, tende a se prolongar. Além disso, se tornou menos provável que Temer possa entregar o objeto de desejo da plutocracia: as contrarreformas do trabalho e da Previdência.

Cresce, com rapidez, o número de personalidades do campo democrático e entidades da sociedade civil que tomam posição pela saída de Temer. O Conselho Pleno da OAB decidiu que a entidade irá protocolar na Câmara dos Deputados um pedido de impeachment de Temer.

Entidades como a CNBB, Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, entre outras, defendem a soberania do voto popular como saída à crise política.

Ante a efetiva possibilidade da saída do usurpador da cadeira presidencial está em curso a disputa política entre duas alternativas: as eleições indiretas e as eleições diretas, sendo que a diretas dependem da aprovação de uma Emenda Constitucional.

O PCdoB, desde a consumação do golpe, está empenhado pela realização de eleições diretas para presidente da República. Convicto de que a soberania do voto popular é o caminho para a restauração da democracia e, com base nela, encaminhar o país à normalidade institucional.

Agora, com o paroxismo a que chegou a crise, segue ainda mais empenhado pela vitória do caminho das Diretas Já.

Ante a tendência principal de que a queda de Temer é apenas uma questão de tempo, o consórcio golpista, mesmo rachado, se movimenta para impor a alternativa das eleições indiretas e construir arranjos em torno de nomes que possam assumir a Presidência da República, dando sequência ao golpe e à agenda antinacional e antipovo. Neste âmbito, o chamado Partido da Lava Jato, patrocinador do Estado de Exceção, dá prosseguimento às suas investidas em benefício de suas ambições, entre elas o controle, de algum modo, da própria chefia do Poder Executivo. Segue também determinado a excluir, a qualquer custo, o ex-presidente Lula da disputa presidencial. 

Neste quadro, para que o país se veja livre de Temer e de seu desastroso governo, para que a saída dele não resulte numa mera solução de reciclagem do golpe, será indispensável a conjugação de rápidas iniciativas das forças democráticas, patrióticas e populares. Dentre as quais, duas, para o PCdoB, se destacam.

Primeiro: empreender ampla mobilização do povo em assembleias, reuniões, e sobretudo com ondas crescentes de manifestações de rua, como as que já estão acontecendo, embandeiradas com as palavras de ordem “Fora, Temer” e “Diretas Já”. Nesse sentido é preciso fortalecer as agendas de mobilização das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, e das centrais sindicais, como a que está sendo convocada para Brasília no próximo dia 24. E, além da batalha das ruas, travar a luta de ideias nas redes sociais.

Segundo: agregar amplas forças políticas, sociais e econômicas – inclusive entre aquelas que apoiaram o impeachment e que, neste momento, rompem com Temer-- em torno de um consenso cujo ponto de partida é a saída de Temer e que passe por uma plataforma mínima. Programa que salvaguarde os interesses do Brasil, a retomada do crescimento econômico, os direitos do povo, a restauração do Estado Democrático de Direito e da democracia, e descarte as reformas ultraliberais. Destaca-se a importância de se atrair para essa jornada vastos setores das camadas médias. Obviamente, impõe-se também, de imediato, examinar quais lideranças, quais personalidades poderiam se colocar à frente dessa larga aliança e dessa agenda.

Em um ano o governo ilegítimo provocou um retrocesso de décadas no país. Se continuar provocará uma tragédia ainda maior.

A crise pode se precipitar, a qualquer momento, provocando uma espécie de vazio de poder. 
Assim, às forças vivas da Nação e dos trabalhadores, ao campo político e social da produção e do trabalho, da democracia, da soberania nacional, às lideranças, aos movimentos e partidos cabe, sem demora, aproveitar a presente oportunidade para o país se ver livre do governo golpista, como passo inicial para se reencontrar com a democracia e o desenvolvimento.

Fora Temer, Diretas Já!
Defesa dos direitos, contra as “reformas” do trabalho e da previdência
Contra o Estado de exceção, em defesa do Estado Democrático de Direito

São Paulo, 22 de maio de 2017
Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil - PCdoB
 
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