06 novembro 2026

Aldo Arantes opina

Sistema eleitoral distrital misto é retrocesso democrático
A alternativa mais democrática, que resolve os problemas levantados sobre o sistema eleitoral proporcional de lista aberta, é o sistema proporcional de lista pré-ordenada
Aldo Arantes/Vermelho   

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, tem declarado que pretende aprovar o sistema eleitoral distrital misto ainda este ano. Essa iniciativa expressa o objetivo do Centrão de acabar com os chamados “puxadores de votos”, que levaram o PL a eleger uma expressiva bancada em detrimento de outros partidos.

O “puxador de votos”, ao obter uma votação muito grande, permite que um candidato com votação pouco expressiva se eleja em detrimento de candidatos de outro partido ou federação que, mesmo tendo mais votos, não se elegem. Isso ocorre porque o puxador de votos, ao contribuir para que o partido alcance várias vezes o quociente eleitoral, assegura a eleição de candidatos que obtiveram votações pequenas. Enquanto isso, outro partido ou federação que, por exemplo, alcançou apenas um quociente eleitoral elege somente um parlamentar. Os demais candidatos, mesmo com votações expressivas, não se elegem. Para solucionar esse problema, o Centrão propõe a adoção do sistema eleitoral distrital misto.

De fato, o sistema eleitoral proporcional de lista aberta causa distorções. Estas decorrem da própria lista aberta, que não só permite que os puxadores de votos contribuam para a eleição de candidatos com pequenas votações, mas também, pela falta de identidade político-ideológica das listas partidárias, possibilita que uma pessoa vote em um candidato de esquerda e contribua para eleger um de direita, ou vice-versa. Isso ocorre porque são eleitos os candidatos que obtêm as maiores votações dentro da lista partidária.

Assim, é necessário aperfeiçoar o sistema proporcional, mas sem abandonar o aspecto positivo do atual sistema eleitoral: a proporcionalidade.

O sistema proporcional foi uma conquista da luta dos trabalhadores. Em 1885, na Conferência Internacional sobre a Representação Proporcional, realizada na Bélgica, foi adotada uma resolução que declarava “que o sistema eleitoral por maioria absoluta, sistema distrital, viola a liberdade do eleitor […] e pode dar uma maioria de cadeiras para uma minoria do eleitorado” e que “a representação proporcional é o único meio de assegurar […] poder para uma real maioria do país”.

Diferentemente do sistema majoritário distrital, o sistema proporcional assegura que os partidos elejam parlamentares proporcionalmente ao número de votos obtidos no processo eleitoral.

O sistema eleitoral distrital misto combina o sistema distrital com o proporcional. Metade dos parlamentares é eleita pelo sistema distrital e a outra metade, pelo proporcional. Nesse modelo, cada eleitor tem direito a dois votos para a escolha de deputados. O primeiro voto é dado a um candidato que disputa a representação de determinado distrito eleitoral. O segundo, o voto proporcional, é atribuído a uma lista partidária, utilizada para definir outra parcela das cadeiras legislativas.

Todavia, o sistema eleitoral distrital misto apresenta várias consequências negativas.

O voto distrital afasta o debate dos grandes temas nacionais, rebaixando o nível político da disputa eleitoral. Ao eleger metade dos parlamentares pelo voto distrital, o debate passa a ocorrer em torno de questões locais, e não de um projeto de nação. O parlamentar termina se transformando em uma espécie de vereador federal, rebaixando o nível dos debates.

A votação no distrito estabelece a lógica de que o “vencedor leva tudo”. Ou seja, a força majoritária conquista a cadeira em disputa, excluindo as demais forças políticas. Esse formato dificulta a eleição de candidaturas de trabalhadores, minorias sociais, mulheres e grupos politicamente desfavorecidos que não possuam concentração geográfica suficiente para vencer em um distrito específico. Assim, fragiliza a representação das minorias.

O voto distrital golpeia o voto de opinião. Em um país tão vasto como o Brasil, onde existem grandes diferenças sociais, ideológicas, políticas e religiosas, o sistema político precisa contemplar toda essa diversidade.

Por outro lado, a divisão dos estados em distritos abre espaço para manobras de redefinição dos limites eleitorais com o objetivo de favorecer determinados partidos.

Outra consequência é que, no modelo em que apenas metade das cadeiras é preenchida pelo voto proporcional, o quociente eleitoral dessa parcela aumenta. Isso dificulta a eleição de candidatos populares. Além disso, o voto distrital termina por influenciar o voto proporcional, ao organizar a campanha no distrito.

A alternativa mais democrática, que resolve os problemas levantados sobre o sistema eleitoral proporcional de lista aberta, é o sistema eleitoral proporcional de lista pré-ordenada.

O sistema proporcional de lista pré-ordenada, ou lista fechada, estabelece que o eleitor vote diretamente na legenda programática do partido e em uma lista partidária cuja ordem dos candidatos é definida previamente em convenções partidárias.

Esse modelo assegura a elevação do nível dos debates ao colocar em discussão os programas partidários, com propostas para enfrentar os problemas do país. O modelo desloca o eixo da disputa política do indivíduo para o programa de governo. Em vez do personalismo e de campanhas centradas na imagem, na influência das mídias e no poder financeiro dos candidatos, estimula-se o debate de propostas e a fidelidade partidária.

A lista pré-ordenada possibilita a aplicação de regras de alternância de gênero e diversidade, intercalando homens e mulheres na composição da lista, bem como candidatos negros e indígenas, assegurando a ocupação de cadeiras parlamentares por grupos historicamente sub-representados.

Com a centralização da campanha no programa da legenda, reduz-se a competição destrutiva entre candidatos do próprio partido. Isso barateia o custo das campanhas.

Garante-se, assim, que a composição do Parlamento reflita as preferências ideológicas e políticas da sociedade.

Cabe lembrar que o sistema proporcional foi adotado no Brasil após a Revolução de 1930, como um importante avanço democrático, tendo sido incorporado à Constituição de 1934 e mantido, com alterações, até os dias atuais. A ditadura militar, por iniciativa do general João Figueiredo, tentou implantar o sistema eleitoral distrital misto, mas não conseguiu. Em vários momentos, surgiram no Congresso tentativas de aprovar o sistema distrital misto, mais favorável aos interesses das classes dominantes.

Fica evidente que a adoção do sistema eleitoral distrital misto significa um retrocesso que deve ser combatido, de forma enérgica, pelos democratas e progressistas.

Pela importância da questão, o debate sobre a reforma política deve alcançar todo o país. A sociedade brasileira precisa conhecer as alternativas para opinar sobre qual sistema eleitoral permite maior aprofundamento das conquistas democráticas e sociais.

O modelo eleitoral que permite o aprofundamento dessas conquistas é o sistema eleitoral proporcional de lista pré-ordenada, que conta com o apoio das forças democráticas e progressistas do país.

Vencemos. E agora? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/minha-opiniao.html   

Sylvio: machismo

O machismo predomina fortemente  no contexto religioso. No Oriente,  lembramos de Alá, Maomé,  Confúcio, Buda entre outros. Nenhuma mulher. No Ocidente, o cristianismo prega que Deus mandou um seu filho ao mundo, não  uma filha. Jesus foi seguido por 12 apóstolos. Não havia nenhuma apóstola. Na Santa Ceia nao houve presença de mulher. Os evangelhos foram escritos por homens. A Igreja  Católica é dirigida por homens chamados Papas, Cardeais, Arcebispos e Bispos, cabendo às mulheres apenas papéis subalternos. Entre os evangélicos, o poder cabe aos pastores. Diante disso, como se explica a predominância machista, apesar do princípio de igualdade pregado nas igrejas e templos? 

Sylvio Belém 

05 novembro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Neofascismo sofre duro revés nos Estados Unidos
A derrota do trumpismo teve o povo como protagonista e deriva de mais um fracasso do imperialismo estadunidense de tentar reverter o declínio, dessa vez pelo extremismo de direita
Editorial do 'Vermelho'       

Os eleitores estadunidenses impuseram, em 3 de novembro de 2026, uma derrota de grandes proporções ao governo de Donald Trump e ao seu Partido Republicano nas eleições de meio de mandato, retirando-lhe o controle da Câmara dos Representantes e do Senado e transferindo aos democratas a maioria nas duas casas do Congresso, em uma reconfiguração política que atingiu inclusive redutos historicamente ligados ao campo republicano. A mobilização vitoriosa da oposição reuniu jovens, trabalhadores, ampla maioria do eleitorado latino, republicanos que romperam com Trump e eleitores sem filiação ou identificação partidária.

Em dois anos, fugiu dos pés de Trump uma maioria social e política que fora capturada com a pregação ilusionista, típica do fascismo, de uma América grande outra vez e da restauração do “sonho americano” de prosperidade reduzido a pesadelo pela perda de dinamismo de sua economia sob a corrosão do rentismo e do parasitismo.

Trump, agora, se esquiva da derrota. Todavia, em cerca de vinte comícios fez um apelo para que o eleitorado votasse como se o nome dele estivesse grafado nas cédulas. Por entender de que era, exatamente, disso que se tratava, grande parte do povo rechaçou as candidaturas do Partido Republicano.

O desgaste do trumpismo ficou nítido nos índices de sua desaprovação. Levantamento do instituto estadunidense Pew Research Center, realizado entre 28 de setembro e 4 de outubro de 2026, revelou que 68% dos adultos desaprovavam a gestão de Trump. Sua conduta neofascista também é amplamente rejeitada. Levantamento do Public Religion Research Institute, em parceria com a Brookings Institution, revelou que 58% dos estadunidenses consideravam o presidente um ditador potencialmente perigoso, cujo poder deve ser limitado para impedir a destruição da democracia.

A pesquisa identificou que 61% manifestavam opinião desfavorável ao seu MAGA (Make America Great Again) – Fazer a América Grande Novamente –, um movimento de extrema-direita. Uma pesquisa da Universidade Yale também identificou ampla oposição à prática de Trump de afrontar decisões judiciais, perseguir adversários políticos por meio do Departamento de Justiça e contornar prerrogativas do Congresso.

A ofensiva contra as universidades também é amplamente rejeitada. Pesquisas nacionais registraram oposição majoritária aos cortes de financiamento científico, à interferência governamental na autonomia acadêmica e à utilização de recursos federais como instrumento de pressão política. Em levantamento divulgado em outubro de 2025, 64% dos estadunidenses rejeitaram cortes nas verbas de pesquisa científica, enquanto 70% defenderam que decisões sobre admissões, contratação de professores e currículos permanecessem sob responsabilidade das próprias instituições.

O trumpismo perdeu terreno em seu alicerce institucional e territorial. A derrota republicana não se limitou ao Capitólio. A onda eleitoral alcançou os governos estaduais, com a conquista democrata de pelo menos cinco governos antes controlados pelos republicanos, inclusive em redutos tradicionais da direita, como o Texas. Os democratas também avançaram nas assembleias legislativas estaduais, romperam maiorias republicanas e conquistaram governos estaduais completos em importantes unidades da Federação.

O resultado refletiu a convergência de fatores econômicos, sociais e geopolíticos, como o custo de vida pressionado pela inflação, os efeitos dos tarifaços sobre os preços e o consumo e a política de guerras. Trump voltou à Casa Branca em 2025, com maioria republicana nas duas casas do Congresso, prometendo restaurar a supremacia estadunidense, reverter a decadência do império e conter a ascensão da China. Dizia que faria a “América” grande novamente por meio da reindustrialização, do protecionismo, dos tarifaços e do fechamento das fronteiras aos imigrantes. Essa conduta só fez aumentar as contradições de uma economia financeirizada, socialmente desigual e altamente belicosa.

O fracasso é retumbante. A promessa de recuperar empregos industriais, trazer de volta as fábricas transferidas para o exterior e elevar os salários dos trabalhadores com a reindustrialização do país fez água. Os tarifaços não reverteram a perda de competitividade industrial, pressionaram os preços e agravaram a insegurança econômica.

A inflação e o custo de vida elevado permaneceram, enquanto a deportação em massa de imigrantes provocou indignação local e mundial pela brutalidade das operações conduzidas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), além de aprofundar as dificuldades de setores produtivos que dependem desses trabalhadores. A ofensiva contra a China tampouco conteve a sua influência econômica, tecnológica e diplomática, nem impediu a ampliação de suas parcerias internacionais, inclusive na Europa.

O resultado das eleições expressa nitidamente a composição social predominante do eleitorado que rejeitou o trumpismo. De acordo com o jornal The Washington Post, mais de 60% dos latinos votaram nos democratas, enquanto, entre os eleitores negros, a votação oscilou entre 83% e 90%. As mulheres deram aos democratas 56% dos votos, contra 41% aos republicanos. Entre os jovens de 18 a 29 anos, a vantagem foi ainda mais acentuada, com votação democrata entre 66% e 70%, diante de 25% a 31% para os republicanos.

É importante considerar que o pujante movimento que se contrapôs ao trumpismo não se organizou somente pelas estruturas do Partido Democrata. Foi construído, em grande medida, por uma rede descentralizada de sindicatos, organizações comunitárias, movimentos de juventude, entidades de defesa dos direitos civis e associações progressistas, que estabeleceram formas próprias de mobilização, comunicação e organização eleitoral. Foi uma vitória com forte marca da tomada de posição do povo e da sociedade civil.

A resistência também se manifestou nas grandes mobilizações populares contra as políticas do governo, articulando reivindicações distintas em torno da defesa dos direitos civis, da proteção aos imigrantes, da igualdade racial e dos direitos das mulheres. O assassinato de George Floyd, em maio de 2020, constituiu um ponto de inflexão nessa dinâmica. A brutalidade policial desencadeou uma das maiores ondas de mobilização popular da história recente dos Estados Unidos.

É relevante que, no coração de um império em decadência, o maior inimigo da paz e dos povos, se manifeste essa tomada de posição do povo em defesa da paz, contra o genocídio do povo palestino, contra a política de guerra, de repulsa à verdadeira caçada aos imigrantes, contra o fascismo pela democracia, por direitos e melhor qualidade de vida e de combate aos ganhos fabulosos dos bilionários. Se o fascismo perde base social passa faltar-lhe oxigênio e tende a declinar.

O resultado das eleições estadunidenses reflete uma superpotência encurralada que não encontra caminho para reverter o declínio em contraface à ascensão assertiva da República Popular da China, independentemente do inquilino da Casa Branca. Mas é um forte sinal positivo para o mundo, posto que representa um revés para a ascensão do neofascismo.

Para o Brasil, tem o significado de fortalecimento da posição do país na geopolítica. Como observou o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, há uma relação entre a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais e a derrota do trumpismo. Esse reforço amplia a margem do presidente Lula para interlocução com autoridades mundiais, inclusive explorando as contradições que se agravam no status quo dos Estados Unidos.

Mas é preciso fazer a ressalva de que a presente derrota não equivale a um atestado de óbito de Trump. Ele tende a reagir. Ele respondeu à perda do Congresso com a imagem de um boné vermelho estampado com a palavra Veto, uma ameaça de uso do seu poder presidencial para barrar projetos aprovados pelos democratas. Disse que tem ciência de que a guerra contra o Irã lhe impôs a derrota, mas que não se arrepende de nada e faria tudo outra vez.

O próprio Partido Democrata, cuja política fracassada foi um dos fatores da eleição de Trump, em 2024, tem feito uma oposição tíbia e vacilante, resultado de sua essência programática imperialista tanto quanto a dos republicanos, embora tenha personalidades e alas que destoam e se conflitam com esse paradigma. As contradições internas e externas do império, que levam a um declínio cada vez mais acentuado, tendem a se agravar e o caminho da resistência é a mobilização do povo, como ficou demonstrado mais uma vez.

Nas redes, mas nem tanto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/meu-dialogo-digital.html  

Palavra de poeta

Sentimento do mundo
Carlos Drummond de Andrade        

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.
Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.
Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.
Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microscopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer
esse amanhecer
mais noite que a noite.

[Ilustração: José Cláudio]

Leia também "A estrela da manhã", poema de Manuel Bandeira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-de-poeta_28.html 

Fotografia

 

Beatriz Díez Lopez 

Elogio a quem tem audácia https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/editorial-do-vermelho.html 

Minha opinião

Vencemos. E agora?*
Luciano Siqueira        

A reeleição de Lula no segundo turno, sustentada por intensa mobilização social nas ruas e nas redes, se projeta para muito além da vitória eleitoral e impõe desafios de grande magnitude. 

Um é rechaçar trincheiras poderosas da oposição. 

A maioria parlamentar de direita e de extrema direita é uma delas. Não será simples negociar consensos pontuais e momentâneos, por maior habilidade que o presidente Lula tenha (e tem muita), assim como os nossos quadros parlamentares mais experientes e afeitos à tarefa.

Outra é o complexo midiático neoliberal - que se expressa como poderosa corrente de opinião essencialmente contrária aos interesses fundamentais da nação e do povo.

Fez esforço intenso e articulado em favor de uma candidatura presidencial de confiança, sob o rótulo de "terceira via" (preferencialmente o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, do Republicanos) e se frustrou.

Resistiu o quanto pôde à alternativa bolsonarista, porém aderiu a Flávio Bolsonaro como instrumento disponível na tentativa de derrotar Lula. 

Desde o dia seguinte ao pleito segue o cerco sobre o governo tendo como bandeira imediata o pretendido ajuste das contas públicas em dimensão que, na prática, inviabilizaria os propósitos fundamentais do governo.

Daí o segundo desafio: manter articuladas e ativas as forças sociais que ganharam as ruas e as redes e forjaram a maioria eleitoral. 

Também não é simples. 

A mobilização que ganhou expressão praticamente em todas as partes do país, incluindo cidades médias e pequenas do interior, contém no seu bojo expectativas populares que não poderão jamais ser frustradas. 

Compreender as aspirações da maioria da população nesse instante, identificar o que há de novo no comportamento da juventude mais ativa, dos trabalhadores e da intelectualidade é um desafio. 

Isto porque não funcionaria a repetição pura e simples de formas de abordagens que vigoraram até um passado relativamente recente.

Nem a supervalorização de experiências como a do “Exército de Lula” no WhatsApp.

Para muito além da manutenção do nível do emprego e até da ampliação dos programas sociais compensatórios - Bolsa Família, Pé de Meia, Luz para Todos, Minha Casa, Minha Vida, etc. – imprescindível é arrostar a necessidade de reformas estruturais, sem as quais, a médio e longo prazo, as expectativas do povo e de segmentos sociais progressistas se frustrarão.

Aí reside um dado de consciência política programática ainda à margem do debate. Introduzi-lo implica bem sucedido esforço teórico e político  que aborde em profundidade os entraves ao desenvolvimento nacional.

Nada simples, porém possível, desde que se ponha em movimento uma massa crítica verdadeiramente empenhada e influente.

*Minha coluna semanal no portal 'Vermelho'

O “gosto amargo” da necessária amplitude https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html 

Boa notícia

Lula realiza reunião com economistas e amplia a discussão sobre cenários alternativos tendo como referência o desenvolvimento nacional e os direitos do povo. 

Em Manifesto, economistas rejeitam “terceiro turno do mercado” após vitória de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/soberania-popula-x-mercado.html