Arriscada
aposta economicista*
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Fala-se em inquietações no âmbito do governo Lula — externadas
pelo próprio presidente — quanto à discrepância entre o volume de ações
destinadas a suprir necessidades e reivindicações imediatas do povo e o
insuficiente desempenho do futuro candidato à reeleição nas pesquisas
eleitorais.
A julgar pelo que se houve e se lê, a questão está mal posta.
Outro dia escrevi sobre isso no Portal Grabois https://grabois.org.br/2025/07/24/guerra-tarifas-oportunidade-esquerda-alem-economicismo-governo/,
apontando a necessidade de se dar um passo além do "economicismo
governamental". Tanto na narrativa do próprio Lula, como das correntes
políticas que integram a frente ampla governista.
Verificou-se certo progresso nessa
matéria justamente com o advento do tarifaço desferido por Donald Trump,
que colocou em primeiro plano (momentaneamente) a defesa da soberania nacional
— elemento essencial e indissociável de qualquer programa progressista no
Brasil.
Na ocasião e durante algum tempo, o próprio
presidente Lula liderou um discurso ofensivo e esclarecedor nessa matéria,
indispensável à elevação do nível de consciência do povo e, por conseguinte, da
possibilidade do cidadão comum discernir o joio e o trigo na percepção da
dimensão e do êxito de políticas públicas sociais compensatórias.
A narrativa meramente repetitiva acerca de programas
como Bolsa Família, Pé de Meia, Minha casa, Minha vida" e outros já não
sensibiliza tanto como nos dois primeiros governos Lula e no primeiro governo
Dilma.
Então, o imbróglio da comunicação não se resume à
tecnologia publicitária nem aos esforços de superar quantitativamente
insuficiências nas redes sociais e demais mídias digitais.
A corrente comunista tem um papel irrecusável nisso,
tanto pela fala dos seus militantes presentes nas instituições governamentais,
como nos movimentos sociais, na academia e na veiculação de notícias e opiniões
nas diversas mídias.
A seu tempo, quando Lenin criticava duramente (em "O
que fazer", por exemplo) o economicismo predominante no movimento sindical
na velha Rússia se referia também à atuação dos organismos partidários e da
militância comunista e de esquerda.
Ouso acrescentar o meu testemunho de quando ainda
adolescente, mas dando os primeiros passos na militância no início dos anos
sessenta, acompanhava a luta por reformas de base e a rejeição à dominação
imperialista norte-americana que marcaram o governo João Goulart. O debate
esclarecia, politizava.
Em outras palavras, o desafio está posto tanto ao
governo, como aos partidos que o apoiam e a cada um de nós: a explicitação de
quem são os verdadeiros adversários da nação e do povo e da indissociável
relação entre as ações governamentais com a luta por um autêntico e atualizado
projeto nacional de desenvolvimento, para além plataforma atual.
*Texto da minha semanal no portal 'Vermelho'
O mundo gira. Saiba mais https://lucianosiqueira.blogspot.com/





