26 julho 2026

Palavra de poeta

Sonho
Arnaldo Antunes   

sonho
que estou tentando
tanto
fazer uma coisa
mas outras coisas
me atrapalham
— desvios, falhas, enganos,
obstáculos
espetaculares, perigos
de morte, lapsos
de memória, acidentes,
catástrofes, pormenores
irrelevantes, pessoas
que desaparecem
ou se transformam
em outras ou
surgem repentinamente
como se já estivessem ali
há muito tempo,
ou se perderam
e esperam
que alguém (eu,
é claro)
as leve
de volta
ao caminho —
e me afasto da meta
que persigo
flecha
cada vez mais longe
do arco
e do alvo
quando então
do alto
do teto
caio
no colchão
do quarto
em que desperto
Sísifo
dissidente
do círculo
eternamente
incompleto.

[Ilustração: Marcos Guinoza]

Leia também "Chuva e sol", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_0567998667.html 

Postei nas redes

Folha de S. Paulo, em editorial, nivela Lula a Flávio Bolsonaro quanto a suposta ausência de propostas para o país e ignora a plataforma de governo do presidente, em fase de atualização para o provável quarto mandato. Tergiversação ridícula! 

Governo Lula defende o Brasil contra o tarifaço Trump-Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/editorial-do-vermelho_025789528.html 

Arte é vida

 

Maurício Arraes

"Anotações" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-palavra_02027913016.html 

Sylvio: bizarro

O folclórico, bizarro e despreparado presidente da Argentina Javier Milei, no Brasil participando de ato político em favor de Flávio Bolsonaro, proferiu impropérios e insultos ao presidente Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de  Moraes. Em defesa de nossas instituições, que os mesmos representam, tal procedimento, digno de um autêntico moleque, deve ser repelido veementemente e adotadas as medidas judiciais e políticas cabíveis.

Sylvio Belém  

Tendências favoráveis https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0865763975.html 

História viva

Qual discurso?
Luciano Siqueira    

Na fila do caixa do restaurante:

- Prazer em vê-lo, Doutor Luciano.

- Prazer meu. 

(Não o reconheço: cidadão alvo-vermelho, obeso, cabelos brancos, mais ou menos da minha idade.)

- Vai sair pra quê nesta eleição?

- Não sou candidato.

- Se fosse, votaria novamente no senhor...

- Grato pela confiança. 

- Nunca esqueço aquele seu discurso na Praça do Diário de Pernambuco, na campanha de Marcos Freire.

(Daquela campanha, em 1982, quando me elegi deputado estadual pela primeira vez, recordo apenas das falas de Ulysses Guimarães e do próprio Marcos. Que discurso terei feito!?)

- O senhor disse que a ditadura "crescia feito rabo de cavalo, pra baixo"...

(Na verdade, lembro bem, quem disse isso foi Ulysses, arrancando aplausos da multidão).

- Boa memória a sua...

- Pois é. Conto esses casos para filhos e netos, essa gente nova que mal conhece a História pelos livros, vive vidrada na tela do celular.

Faz bem.

(Chegou a minha vez de pagar a conta, nosso diálogo interrompido).

- Hoje em dia os candidatos quase não falam nas ruas, é tudo pelas redes sociais!, arrematou.

- Tem razão, concordei já me despedindo.

(Leonel - apresentou-se ao se despedir - é um dentre milhares que guardam na memória fragmentos dos tempos idos, nem sempre com a precisão que imaginam. Importa que se mantenha do lado certo no áspero e confuso tempo em que vivemos). 

Se comentar, identifique-se. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/participe.html

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Humor de resistência

Aroeira


 

DNA golpista

Flávio prova que Ustra e Banco Master são faces da mesma moeda
Discurso de Flávio Bolsonaro reforça seu alinhamento com a estratégia golpista do pai. Atuação do senador desafia a divisão entre bolsonarismo radical e centrão
Celso Rocha de Barros/Folha de S. Paulo   

 

Para quem gosta de dividir a direita entre fisiológicos do centrão e radicais bolsonaristas, Flávio Bolsonaro é um problema: é tão golpista quanto o pai e tão, digamos, enrolado quanto os Ciros Nogueiras deste mundo.

Em nome da responsabilidade jurídica, devo dizer que ainda não está provado que Flávio Bolsonaro é ladrão.

Tudo o que sabemos é que Flávio empregava parentes de um miliciano que participavam de um esquema de rachadinha, pagou por uma mansão com empréstimo camarada do Banco de Brasília (o mesmo do caso Master), pediu 130 milhões para o dono do Banco Master para fazer um filme que ninguém até agora explicou como pode custar tudo isso, certificou-se de que o dinheiro circularia pelos Estados Unidos, onde seu irmão Eduardo conspira contra o Brasil, e, descobrimos esta semana, emitiu notas fiscais por serviços prestados ao ecossistema Master.

Também sabemos que os aliados de Flávio no Rio de Janeiro deram bilhões de reais de aposentados para o Banco Master, e que os aliados de Flávio no Distrito Federal queimaram bilhões do Banco de Brasília (o mesmo que ajudou Flávio a comprar a mansão) para salvar o Master, o que pode ou não ter relação com a generosidade de Daniel Vorcaro enquanto patrono da sétima arte.

O que está provado para além de qualquer dúvida é que Flávio Bolsonaro é golpista como o pai. Sua participação, semana passada, em um evento organizado pelo site Brazilian Report, certamente seria admitida nos tribunais como teste de DNA positivo.

Para comemorar os quatro anos desde que Jair Bolsonaro se dirigiu a uma plateia de embaixadores para mentir que as urnas eletrônicas brasileiras eram fraudadas, Flávio Bolsonaro se dirigiu a uma plateia de embaixadores para mentir que as urnas eletrônicas brasileiras são fraudadas.

Como Jair quatro anos atrás, Flávio não se limitou a enunciar imprecisões; disse, maliciosamente, coisas que sabia que eram falsas, sempre com o intuito de enfraquecer a confiança dos brasileiros em sua democracia.

Esse foi um dos principais achados do inquérito do golpe: os bolsonaristas sabiam que as urnas eletrônicas eram seguras.

No celular de Mauro Cid foi encontrado um diálogo com outro oficial golpista em que o assessor de Bolsonaro dizia exatamente isso: não havia nada de errado com as urnas.

A investigação da Polícia Federal também provou que a auditoria promovida pelo PL de Bolsonaro não encontrou nada de errado com as urnas, o que não impediu Valdemar da Costa Neto de dizer o contrário para o público brasileiro durante a tentativa de golpe. Valdemar, é óbvio, deveria estar preso por isso.

Quando o Brasil elegeu Jair Bolsonaro presidente da república em 2018, tinha poucas dúvidas sobre sua natureza autoritária. Mas associava, erroneamente, o radicalismo a um certo purismo moral, como se o radical sempre aplicasse a si mesmo o rigor que pretende impor aos seus adversários.

Flávio Bolsonaro é, sob esse aspecto, um exemplo pedagógico.

Prova que o ódio dos radicais à democracia não se deve à existência de eventuais roubalheiras, mas sim ao risco, presente mesmo nos piores regimes democráticos, de ter que passar a chave do cofre para o adversário quando se perde eleição.

[Ilustração: Amarildo]

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Desmorona o castelo de crimes erguido pelo bolsonarismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/editorial-do-vermelho_0412311635.html