29 setembro 2026

Palavra de poeta

fresta
Cida Pedrosa      

a fechadura me sorri 
 
quem segura esta dor 
por trás da porta? 
 
anjos que andam? 
gente que voa? 
olhos de cristal?
 
a chave apenas 
fecha o olho 
a imagem não: 
a esta é dada a vastidão
 
[Ilustração: Amedeo Modigliani]
 
Leia também: "Faz anos navego o incerto", poema de Caio Fernando Abreu https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-de-poeta_7.html 

Em sintonia com o povo

Lula acertou: fim das bets, reajuste no Bolsa Família e canetas no SUS têm amplo apoio popular
Maioria da população aprova iniciativas do presidente Lula: 62% acham certa a proibição das apostas online
Priscila Lobregatte/Vermelho      

A maioria dos brasileiros apoia três medidas recentes tomadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 62% são favoráveis ao fim das bets; 59%, ao reajuste do Bolsa Família e 58% à disponibilidade de canetas emagrecedoras no SUS para tratar a obesidade. Os resultados foram levantados em pesquisa Quaest, divulgada nesta segunda-feira (28).

No caso das bets, foi perguntado se o entrevistado sabia sobre o fim das apostas online, anunciado por Lula na sexta-feira (25). Conforme o levantamento, 40% responderam que já sabiam e aprovavam e 22% disseram não saber, mas acharam uma boa ideia, totalizando 62% de aprovação à medida. Os que não aprovam somaram 32% e outros 6% disseram não saber ou não quiseram responder (NS/NR).

Quanto à atualização no valor do Bolsa Família, anunciada no dia 17, os 59% favoráveis dividiam-se em 45% que sabiam e 14% que não sabiam, mas que ouvindo na entrevista, aprovavam. Outros 39% desaprovaram e 2% não souberam ou não quiseram responder.

Sobre a distribuição gratuita de canetas emagrecedoras no SUS para pessoas em tratamento contra a obesidade, anunciadas no mesmo dia, 38% tinham conhecimento e julgavam positivamente a medida, enquanto 20% também viam dessa forma, mesmo tendo sabido somente na entrevista, somando 58%. Na ponta oposta, 38% desaprovavam e 4%, NS/NR.

Recortes

A pesquisa também traz recortes sobre o perfil dos entrevistados — a seguir, reproduzimos os índices obtidos em alguns deles.

Todas essas medidas são aprovadas majoritariamente pelas mulheres: 64% delas aprovam a proibição às bets e 62% têm a mesma posição sobre as canetas, índice igual ao das que concordam com o reajuste do Bolsa Família. No caso dos homens, os percentuais de aprovação são de respectivamente 61%, 53% e 56%.

A visão positiva a essas medidas também é mais presente na faixa etária mais jovem. A proibição das bets teve 69% de avaliação positiva entre as pessoas com 16 a 34 anos; nessa mesma faixa, o percentual de favoráveis à distribuição das canetas é de 64% e de 66% quanto ao reajuste do Bolsa Família.

Quando o recorte é por renda familiar, as medidas contra as apostas são aprovadas principalmente na faixa de dois a cinco salários mínimos (63%). No caso das canetas (60%) e do Bolsa Família (74%), os mais favoráveis estão principalmente entre quem tem renda familiar mais baixa, de até dois salários mínimos.

Em relação ao recorte religioso, os católicos se mostraram os mais favoráveis às três medidas: 62% no caso do fim das bets; 57% para as canetas no SUS e 60% quanto ao reajuste do Bolsa Família. Os evangélicos tiveram os percentuais positivos de 59%, 53% e 53% para cada uma das iniciativas.

A pesquisa foi feita entre os dias 24 e 27 de setembro com 2.004 entrevistados. A margem de erro estimada é de dois pontos e o nível de confiança é de 95%.

Medidas

A proibição das bets foi anunciada na última sexta-feira (25) pelo presidente Lula. Liberadas por Michel Temer (MDB) sem critérios e tendo ficado sem nenhuma regulação por todo o período de Jair Bolsonaro (PL), as apostas online só foram regulamentadas no atual governo. No entanto, o impacto que causaram na saúde pública e na economia desde a sua chegada levou à proibição.

No dia 17 de setembro, Lula anunciou que o SUS passaria a ofertar as canetas emagrecedoras como forma de a população menos favorecida ter acesso a um tratamento mais eficaz e rápido contra a obesidade, problema que vem se tornando cada vez mais comum e que acarreta uma série de outros distúrbios na saúde, como diabetes e pressão alta.

No mesmo dia, o presidente comunicou que o valor do Bolsa Família seria corrigido em 15,04% a fim de repor as perdas inflacionárias, conforme estabelecido em lei. Assim, o piso saiu de R$ 600 para R$ 691 e o valor médio foi de R$ 675 para R$ 777.

A disputa pelo Senado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0646797896.html 

Filme de Tuca Siqueira lançado na França

Coração de Lona entra na disputa do Festival Biarritz
Coração de Lona entra na disputa do Festival Biarritz nesta segunda-feira (28), com filme brasileiro dirigido por Tuca Siqueira e produzido em Pernambuco
 Carlos Enrik/ABC do ABC     

O filme brasileiro Coração de Lona, dirigido e roteirizado pela cineasta pernambucana Tuca Siqueira, participa da competição do Festival Biarritz Amérique Latine, dedicado ao cinema latino-americano. A sessão do longa está marcada para esta segunda-feira (28), durante a 35ª edição do evento, realizada na cidade francesa entre 26 de setembro e 2 de outubro.

A produção acompanha Inês, uma dançarina que vive com a família em um circo decadente que percorre pequenas cidades do interior. Depois de perder um bebê, ela precisa continuar trabalhando para sustentar a trupe enquanto enfrenta questões relacionadas ao passado e aos próprios sonhos.

Coração de Lona chega ao festival francês

Produzido pela Garimpo Filmes, produtora pernambucana formada por mulheres, o longa recebeu apoio do programa de internacionalização Brasil no Mundo, do Projeto Paradiso, após sua seleção para o Festival Biarritz Amérique Latine.

O apoio garantiu a presença da diretora Tuca Siqueira e da produtora executiva Rayssa Costa no festival.

“A ideia de tornar inegociável o direito ao sonho nos acompanhou durante toda a realização do ‘Coração de Lona’. Esse é o sentimento que queremos imprimir na tela e fora dela”, afirmou Tuca Siqueira.

História acompanha família em circo decadente

Na trama, Inês é interpretada por Ane Oliva e vive com o marido, o palhaço Biu, papel de Geyson Luiz, e o filho Fael, interpretado por Luan Rian do Nascimento Silva.

O circo também conta com a presença da artista Diva, interpretada por Priscilla Mesquita de Almeida. A personagem é uma mulher com deficiência e, segundo a produção, sua trajetória é apresentada sem uma abordagem capacitista.

O roteiro foi desenvolvido a partir do Edital Núcleos Criativos, entre 2016 e 2017, com tutoria do cineasta Ruy Guerra. O projeto também passou pelo grupo de desenvolvimento Marieta e pelo Lab 3emeio, em 2024, quando recebeu nova consultoria de roteiro de Iana Cossoy Paro.

Produção foi realizada no Agreste de Pernambuco

Com orçamento de pouco menos de R$ 1,5 milhão, o filme foi gravado entre outubro e novembro de 2024 na região de Garanhuns, no Agreste pernambucano.

A produção foi financiada pelo edital de Arranjos Regionais e, segundo os realizadores, gerou renda para a comunidade circense envolvida no projeto.

O processo também foi utilizado como formação audiovisual para pessoas que ainda não tinham contato com a produção de um longa-metragem.

“Mulheres decidindo sua própria jornada é o que eu gostaria de ver na vida cotidiana e, se essa ainda é uma realidade distante para muitas sociedades, o cinema torna-se uma possibilidade de projetar essa narrativa”, declarou a diretora.

A cineasta explica que escolheu o ambiente circense para abordar questões relacionadas à sobrevivência e aos desejos da protagonista, embora a produção não seja definida como um filme sobre circo.

Sinopse

Inês vive com a família em um circo decadente. Depois de perder um bebê, ela descobre que o passado não pode simplesmente ser abandonado, mas precisa ser atravessado.

Coração de Lona apresenta uma narrativa sobre o encerramento de ciclos e a busca de uma mulher que considera inegociável o direito de sonhar.

O longa tem direção, roteiro e argumento de Tuca Siqueira, produção de Rayssa Costa, Tuca Siqueira e Camila Valença e produção executiva de Guga Massud e Rayssa Costa. A distribuição é realizada por Lira Filmes e Pixys Produções Artísticas.

O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Editorial do 'Vermelho'

A pauta do Brasil e do povo na voz de Lula dá o tom da reta de chegada
Dias decisivos do primeiro turno exigem forte militância nas ruas e redes para consagrar Lula nas urnas e derrotar a grave ameaça que paira sobre o país
Editorial do 'Vermelho' 

A campanha presidencial chega à reta final do primeiro turno marcada pelo confronto de polos nitidamente antagônicos. De um lado está Luiz Inácio Lula da Silva, com sua trajetória de defesa da democracia, da soberania da pátria, do desenvolvimento nacional e da reindustrialização do país, da valorização do trabalho, da distribuição de renda e redução das desigualdades, dos direitos sociais e humanos, da inclusão social, da segurança pública, da educação, da ciência e tecnologia, da segurança alimentar e da proteção ambiental.

Ao acabar com as bets, reajustar o Bolsa Família, pela pauta do povo, Lula retomou o protagonismo da disputa e, nesta hora decisiva, sua campanha ganha energia, entusiasmo e reúne multidões.

No outro lado está Flávio Bolsonaro, que, ao se colocar a favor das bets, depois de ter sabotado a aprovação do fim da escala 6×1, revelou com absoluta luz que é contra o povo. De ponta a ponta dessa campanha, com execrável ostentação, Flávio se apresenta como serviçal do governo de Donald Trump, com uma agenda de traição à pátria: tramou e respaldou os tarifaços e seu programa, em essência, consiste em promover a total entrega das riquezas do Brasil ao imperialismo estadunidense, a começar pelas terras raras e minerais críticos.

O candidato da extrema-direita também tem vínculos comprovados com o movimento liderado por seu pai, Jair Bolsonaro, condenado e preso por organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Se eleito, a democracia brasileira voltaria a ser mutilada. Evidências, fatos, vários episódios demonstram o vínculo de Flávio com bandos criminosos, as milícias.

É também o único candidato presidencial formalmente sob investigação da Polícia Federal por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao suposto financiamento da cinebiografia Dark Horse sobre o seu pai. No centro desse caso está a sua relação íntima com o ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O candidato mente reiteradamente: negou fatos, mudou versões e continua sustentando afirmações contestadas pelos elementos já amplamente conhecidos.

Flávio Bolsonaro, mergulhado na corrupção, se limita a essa agenda entreguista e de traição nacional, enquanto Lula comprova a sua estatura de líder com prestígio de dimensões internacionais, como ficou demonstrado com sua performance na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 22 de setembro, num pronunciamento que articulou democracia, soberania, multilateralismo, combate à fome, desenvolvimento, mudanças climáticas, inteligência artificial e combate às políticas de guerras.

É nesse campo, mais diretamente ligado às condições de vida da população, que a campanha de Lula, nesta reta final do primeiro turno, concentrou suas ações. Entre as medidas de maior alcance está a recomposição do Bolsa Família, o reajuste de 15,04%. Outro movimento de grande repercussão foi a proibição das bets, que enfrenta o endividamento e defende a renda familiar e a saúde da população. As pesquisas demonstram que Lula atendeu a verdadeiro clamor popular, dando um basta aos cassinos virtuais.

O Brasil livre das bets foi uma espécie de tremor de terra na dinâmica da disputa. Parcelas da população até então alheias ao processo eleitoral despertaram-se. E o presidente Lula passou a centralizar sua mensagem no futuro do país, dando ênfase a uma nova geração de direitos a ser garantida ao povo com a riqueza oriunda de um ciclo robusto de desenvolvimento, caso o eleitorado venha honrá-lo com um quarto mandato.

Entre os compromissos estão a continuidade da luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial; o compromisso de zerar os impostos sobre todos os itens da cesta básica, além da adoção de um sistema de devolução de parte dos impostos para os consumidores; o governo também já instituiu o Desenrola Brasil 3.0, nova modalidade de renegociação de dívidas; a criação da Rede Brasil contra o Câncer, a ampliação do Farmácia Popular com exames e teleconsultas gratuitos, a expansão do programa Agora Tem Especialistas e da Rede de Hospitais Inteligentes.

Na educação, estão previstas a universalização do Pé-de-Meia, a implantação do ensino integral em todas as escolas públicas, a ampliação da formação em inteligência artificial, robótica e programação e a retomada do Ciência sem Fronteiras com foco em tecnologia e inteligência artificial. Também estão entre os compromissos assegurar paz e segurança ao povo, combater implacavelmente as facções criminosas e fortalecer o Pacto Contra o Feminicídio.

São questões essenciais para o debate, que contrastam com tergiversações para tumultuar a campanha, como a ofensiva do ministro André Mendonça contra o STF para atingir a legalidade democrática do país e o episódio recente envolvendo uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida, afrontando princípios constitucionais como a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e o direito de professar uma fé ou de não se manifestar por nenhuma religião.

Ao se colocar no epicentro desse episódio, Flávio deu um tiro no pé, atacou a Igreja Católica e provoca grave desgaste em sua campanha, na boca da urna, trazendo à tona a política de ódio, de manipulação da fé e a intolerância religiosa do bolsonarismo.

A pauta dos direitos do povo, da democracia e da soberania do Brasil, na voz de Lula, vem soprar fortes e bons ventos, despertando ânimo e esperança no eleitorado e elevando a mobilização da militância democrática, popular e patriótica.

Nessa reta final, de uma disputa acirradíssima, é fundamental mais presença nas ruas e nas redes, em todos os cantos do país, virando e ganhando votos, hasteando bandeiras, fazendo vibrar o prenúncio da vitória, convocando o eleitorado às urnas, reduzindo a abstenção ao mínimo, com destaque para o reforço da mobilização para a agenda da campanha de Lula, que prevê comícios e caminhadas em Belém, Fortaleza, Salvador, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.

A eleição de Lula, se confirmada, exigirá uma sólida base parlamentar, política e social. Por isso, é fundamental uma bancada de esquerda forte no Congresso Nacional, na qual o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tem papel fundamental e precisa ampliar sua representação, ao lado da eleição de deputados, senadores, governadores e representantes nas assembleias legislativas comprometidos com os interesses do país e os direitos do povo.

Leia também: Ao acabar com as bets, Lula atende clamor popular https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_0212001759.html

Sylvio: omelete

Depois de denunciar "tentativa de homicídio" como decorrência  da chuva de ovos com que foi presenteado em comício, Flávio Bolsonaro recebe o apelido de "candidato omelete".    

Ilustração: Crisvector

O jogo do mercado com as apostas nas eleições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mercado-eleicoes.html 

Atolado na lama

Site revela escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, orgias, presentes caros e lobby
Reportagem do PlatôBR mostra relação de presidenciável com garotas de programa e situações nada republicanas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro    
Priscila Lobregatte/Vermelho 

O senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), tem muita sujeira sobre e sob seu tapete. E uma delas, certamente escondida com muito cuidado, acaba de vir à tona. Conforme revelado pelo site PlatôBR, o Zero 1 está envolto em situações nada republicanas e de moralidade bastante questionável para um homem público que tenta se vender como alguém ligado ao trinômio “Deus, Pátria e Família”.

A reportagem, assinada por Rodrigo Rangel, traz elementos — como texto, áudios, documentos e fotos — jogados no ventilador por seu amigo ex-sócio na chocolateria Alexandre Ferreira Dias Santini, após prejuízo tomado na empreitada. Depois de anos de amizade, veio a briga em torno da empresa, mas hoje, Dias Santini está de novo colado a Flávio.

O que veio à tona, no entanto, é bombástico. De orgias com garotas de programa a presentes caros dados a Flávio e lobbies junto ao governo de Jair Bolsonaro (PL), passando por situação envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal indicado pelo então presidente, Kássio Nunes Marques.

Com relação às festinhas com as garotas de programa, reveladas por Dias Santini à esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, a matéria mostra que era o próprio sócio do senador “quem organizava vários desses convescotes, inclusive à custa do dinheiro que circulava com certa facilidade entre eles desde os tempos da sociedade na loja de chocolates – um dinheiro que, como mostraram as investigações do Ministério Público do Rio, depois arquivadas por decisão do Poder Judiciário, vinha das rachadinhas e de outras transações nebulosas”.

De acordo com a matéria, a revelação criou uma crise no casal em meio à campanha pela reeleição de Bolsonaro, o que teria gerado preocupações de que o escândalo viesse à tona naquele momento.

Também neste caso, aparece o nome do advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz — sim, aquele investigado nas fraudes no INSS e que era dono, junto com Daniel Vorcaro, do jatinho que foi usado pelo senador, além de ter sido companheiro de viagem de Flávio no safári na África do Sul. Tomaz representou Flávio na briga com Dias Santini.

O site publicou, ainda, um print de uma mensagem de Flávio ao ex-sócio dizendo: “Não sei o que vc está ganhando querendo destruir meu casamento e minha família, mas saiba que Deus te usou pra me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor. Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família. Peço que se afaste definitivamente da Fernanda, não ligue mais, não procure mais, arrume outra dentista (…)”.

Lobby e “presentes”

A reportagem também traz elementos que mostram as relações entre Flávio, lobistas e figuras interessadas em fazer jogadas que lhes rendessem vantagens durante o governo de Jair Bolsonaro. Uma casa em Brasília era, inclusive, usada para encontros desse seleto grupo — e Flávio foi visto por lá com regularidade.

“As amizades eram de épocas distintas, mas os ‘parceiros’ de Flávio, com acesso facilitado a figuras de relevo do governo de Jair Bolsonaro, conviviam, participavam dos mesmos encontros, se ajudavam. Na pandemia de Covid-19, eles estreitaram contato, por exemplo, com os empresários que conseguiram fechar com o Ministério da Saúde um contrato bilionário, mais tarde cancelado por causa das evidências de irregularidades, para a compra da vacina indiana Covaxin”, diz o texto.

Dentre os amigos de Flávio estava o advogado Alan Belaciano (que já teve problemas com a Justiça por se apresentar como juiz). Ele foi responsável por “dar de presente” ao senador equipamentos de academia que somavam quase R$ 90 mil — para serem colocados na mansão de R$ 6 milhões comprada por Flávio em Brasília —, além de uma tevê de 75 polegadas. Mas, um de seus regalos mais caros foi um relógio Rolex, cuja nota fiscal indica o valor de R$ 305 mil.

Outro dado trazido é que Alexandre Dias Santini também era próximo de Fabrício Queiroz e do advogado Frederico Wassef. Diálogos entre Dias Santini e Wassef mostram, inclusive, as jogadas feitas pelo advogado para salvar a pele de Flávio no caos das rachadinhas e a ingratidão ele ele atribuía ao clã Bolsonaro. Além disso, conforme mostra a reportagem, “o ex- sócio (Dias Santini) era a ponte para o operador das rachadinhas (Queiroz) pedir dinheiro a Flávio”.

Quanto ao ministro Kássio Nunes Marques, a reportagem aponta que, em meio aos desentendimentos entre o ex-sócio e Flávio, numa mensagem em tom de ameaça enviada por Dias Santini a Flávio, o ex-sócio diz “ter a informação de que ele havia tratado diretamente com Kassio sobre interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete do ministro. O caso seria tocado por Alan Belaciano – aquele amigo de Flávio que havia montado o bunker no Lago Sul, o mesmo que comprou o Rolex”.

Dias Santini escreveu: “Vou te passar apenas uma única informação que considero importante para vc. Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso. Vc é maluco ou inconsequente! Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado…”.

Não há mais detalhes sobre essa questão. O que se sabe, no entanto, é que Dias Santini e Flávio reataram sua relação — tão bem que o ex-sócio já se sente confortável para fazer campanha para o senador.

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html

Humor de resistência

Aroeira

Flávio Bolsonaro quer entregar terras raras aos Estados Unidos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/entreguismo-sem-limites.html