16 abril 2026

Minha opinião

De “arma” na mão*
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Luciano Siqueira

Partido político é antes de tudo corrente de pensamento. Ou deve ser. Diferente de simples legendas, por mais poderosas materialmente que sejam, credenciadas pela Justiça Eleitoral a disputar eleições. 

O Partido Comunista do Brasil se mantém há 104 anos em atividade ininterrupta como expressão ideológica e política da classe dos proletários e se faz intérprete dos interesses fundamentais da Nação.

Atualiza sua orientação tática através de conclaves nacionais, como o seu recente 16º. Congresso. A Resolução Política daí decorrente se faz “arma” poderosa nas mãos da militância e de ativistas mais próximos.

O título "Reeleger Lula, defender o Brasil e derrotar os traidores da pátria" sintetiza a orientação para as batalhas de agora. As eleições gerais vindouras em destaque.

Apoio decidido ao governo do presidente Lula, tido como essencial à defesa da democracia, dos interesses fundamentais dos trabalhadores e do povo e da soberania nacional.

No âmbito da frente ampla democrática que dá sustentação ao governo, a um só tempo esforço no sentido de alargá-la mais ainda (a extrema direita derrotada em 2022 segue articulada, ativa e ameaçadora) e afirmação das proposições mais avançadas.

Ou seja: no extenso arco-íris partidário e social, os comunistas preservam seu matiz vermelho vivo e reafirmam proposições mais avançadas. Destacadamente o combate ao neoliberalismo, expressão dos interesses do capital financeiro dominante.

Orientação válida e atual, portanto. Reavivada por considerações acerca do momento mais imediato através do pronunciamento da recente reunião plenária do Comitê Central do Partido, no último domingo, 13.

A avaliação de que vivemos um momento grave, no qual “o país é alvo central de uma ofensiva imperialista do governo Donald Trump, dos Estados Unidos.” E o risco de intervenção externa sobre o processo eleitoral.

A eleição do presidente Lula é indispensável para livrar o país do neofascismo e da fratura da soberania nacional.

Superar a política de juros altos e canalizar o orçamento federal para os investimentos públicos pelo desenvolvimento em bases soberanas, redução das desigualdades sociais e regionais e valorização do trabalho.

Ou seja, a combinação entre propósitos nacionais com a realidade local. Na campanha, a força das ideias e da unidade militante para superar limitações materiais.

As ideias chaves do Partido como “arma” e a habilidade no trato com o povo em busca do voto da consciência e do afeto.  

*Texto da minha coluna desta quinta-feira no portal 'Vermelho'

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Leia também: Frente ampla: necessária, complexa e contraditória https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_81.html

Arte é vida

 

Fernando Botero

Bela e sonora, porém maltratada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/minha-opiniao_25.html 

Enio Lins opina

O incrível poder das facções do crime organizado no Brasil
Enio Lins  

UMA DAS MAIORES PROVOCAÇÕES políticas na história recente do Brasil foi o relatório final proposto pelo relator (cujo nome não merece citação) da CPI que deveria investigar o crime organizado. Numa impressionante pirueta, um obscuro senador tentou – com sucesso parcial – projetar seu nome aos píncaros do tragicômico folclore político brasileiro. Ganhou seus dez ou 15 minutos de fama, e esborrachou-se no centro do picadeiro.

CONSEGUIU, O VIL SENADOR, transformar a CPI do Crime Organizado numa CPI a Favor do Crime Organizado, pelo menos no relatório final. Pegando carona no escândalo do Banco Master, a criatura varreu para baixo do seu tapete todas as autoridades corresponsáveis pelo golpe dado pela banca do Vorcaro. Foram anistiados preventivamente o então presidente do Banco Central, Campos Neto, e todos os envolvidos de importância, como o governador do DF, Ibaneis Rocha, o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, demais políticos do PL, e diretores do BC. O alvo do relator foi quem possa incomodar o sono do ex-capitão, o hoje presidiário Jair Messias.

TENTOU INDICIAR, O TAL RELATÓRIO
, os ministros do STF Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, e o Procurador Geral da República, Paulo Gonet. Exatamente nomes que provocam soluços ao ex-capitão e em sua linha de comando. Algumas dessas autoridades poderiam ser recomendadas, pelo relator, para o aprofundamento de futuras investigações sobre o caso Master. Seria um exagero, mas – vá lá. Poerém, pedir o indiciamento dessas pessoas enquanto oculta os personagens notoriamente responsáveis pela falcatrua Master, é um gesto de cinismo e descaramento como poucos cometidos dantes na história deste país. Um crime. Organizado.

REJEITADO PELA 
pela própria CPI, a provocativa proposta de relatório foi remetida aos arquivos numa operação de resgate ético do Senado, que mais uma vez, envolveu contrapressões e articulações extras que seriam desnecessárias num parlamento que se desse ao respeito. “O relatório apresentado revela verdadeira cortina de fumaça, ao deixar de enfrentar o grave problema a que se propôs e ao dedicar-se a engrossar a espuma midiática contra o Supremo Tribunal Federal, na expectativa de produzir dividendos eleitorais para certos atores políticos”, declarou com muita acuidade o ministro Gilmar Mendes sobre o incidente. Mas é pior ainda a realidade. O relator não só buscou os holofotes midiáticos, mas – antes de tudo – procurou jogar a penumbra mais espessa sobre o tema real da CPI, protegendo as facções criminosas de forma ampla, geral e irrestrita. Esse foi o maior crime organizado pelo relator.

LEMBRAM-SE DA MOTIVAÇÃO 
da CPI do Crime Organizado? Ela foi criada em decorrência da crise de segurança pública no Rio de Janeiro, depois da megaoperação praticada pelo governo carioca, que assassinou 122 pessoas nos complexos do Alemão e da Penha. A CPI foi proposta para investigar as responsabilidades da polícia carioca na ultraviolência, seus elos com as facções, e sugerir saídas para essa tragédia nacional. Quando surgiu o escândalo Master, o bolsonarismo, através do dócil relator, redirecionou as investigações para longe de sua área de vulnerabilidade (a vinculação de parte das polícias com as milícias e demais facções do crime organizado em todo país) e lançou mão do esquema de Vorcaro (e Campos Neto?) como um compacto biombo de ocultação.

COMO RESULTADO
, as coisas ficaram totalmente bagunçadas, num tremendo prejuízo para a cidadania, a lei e a ordem. Foi desperdiçada uma grande oportunidade de se avançar no combate às facções. O relator obteve uma vitória pessoal parcial, ganhou precioso espaço midiático, apesar da derrota do relatado. O crime organizado, real, poderoso, obteve vitória total e absoluta: sumiu do relatório da CPI criada para o investigar.

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Soberania Digital é possível https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/brasil-na-era-digital.html

15 abril 2026

Palavra de poeta

Alfândega
Davi Kinski   

Tirei das dobras
De mim
Essa Balsa
Gris
Que na memória
Cria uma bolha
E estoura
A melancolia
E então
Negociei
Comigo mesmo
O que vinha
Ou ia
Tinha agora
Visto
Selo oficial
Delírio vasto
Com poesia

[Ilustração: Guido Sünnemann]

Escolhas e conflitos https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Postei nas redes

Suspeita de insanidade mental de Donald Trump não pode obscurecer o caráter essensualmente bélico do império norte-americano. 

Sem agulha no palheiro https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Uma crônica de Abraham Sicsu

Reverência ao Velho Camarada
Abraham B. Sicsu   

Já não responde mais. No seu canto, quase imobilizado. Enxerga menos, os óculos lhe cansam, ouve com dificuldade, o zumbido do aparelho auditivo o incomoda.

Os estímulos externos pouco o atraem, não deseja conhecer mais nada, não quer mais se preocupar com o cotidiano, desafios lhe são infernais.

O velho, que foi ativo e com prestígio, se entrega ao torpor da cadeira de balanço, ao ver passar as horas sem muito fazer, sem muito querer.

Um processo complexo, o recolhimento e a introspecção, a se entregar até que ela chegue. Sabem do que falo.

Assim reage o ancião, outrora influente e ativo, hoje se deixando a um nada poder.

Aqueles que o conheceram não podem crer. Eles têm na cabeça a imagem do combativo, do falante companheiro.

O recolhimento o marca. Isolado, irritadiço. Não aceita companhias., nem mesmo dos livros que eram sua vida.

Televisão sempre ligada, sem som porque não precisa, não escuta mesmo, imagens passando, na sua cabeça, não fazem sentido apenas distraem os olhos. Mas, é sua companhia, os minutos e horas se indo.

A sonolência, quase constante, maneira de ainda estar na vida, se ela ainda existe para ele?

Ruídos pouco incomodam, a perguntas jamais responde, ao tato é indiferente. Difícil de ser ajudado. Tem que ser respeitado em sua vontade de solidão, é o que pede, é o único que deseja.

Quase não tem autonomia para se movimentar e nem mesmo para ingerir alimentos. Uma ajuda e um resmungo, raríssimos são os apoios que aceita, jamais deseja sair de sua cadeira reclinável, o único local em que consegue se reconhecer na existência, a única opção para estar confortável.

O emocional nem sempre expressado. O físico debilitado. Líquidos são necessários, em doses pequenas, somente por canudos. Parece não reagir. Entes queridos falam, tentam animar, imutável sempre permanece, nada responde.

O ciclo vai se fechando. Fim de vida se aproximando. Dignidade, o último querer.

Não quer loas, nem salamaleques. Hipocrisia só lhe machuca. Se ainda consciente, abreviar a solidão, o último desejo. Nada o anima, nada o instiga, nada o faz procurar algum novo caminho. O novo sempre é um perigo.

Viveu tudo o que pode. Infância no sítio e na bola de futebol. Juventude, namoros adolescentes. Teve vida universitária. Política o interessava. Movimentos reivindicadores o motivavam.

Acreditou num mundo melhor. Justiça social foi o seu lema. Participou de lutas e embates acalorados. Sempre nos outros pensando, os ideais, a razão de procurar caminhos.

Dirigente da melhor espécie. Jamais se curvou diante do medo. Sofreu a opressão, a repressão e os descaminhos. Teve que abrir mão de muito, mas nunca dos princípios em que se sustenta. Isso jamais.

Na carreira foi exitoso. Reconhecido pelos seus pares. Abriu caminhos para os jovens, lutou pelo que acreditou e ainda acredita, se algo passa por sua mente.

A razão de vida não foi o material. Não desprezou bens e recursos que lhe recompensaram os esforços profissionais. Mas, tinha seu propósito. A luta pelo mais próximo do igualitário, o desejo de um mundo mais humano, a diminuição do sofrimento, seus princípios norteadores de vida.

Cansado vai se entregando. Velho amigo querido. Entendo sua opção. Entendo seu desejo de fim. Entendo, foi-se o tempo. Deixou o exemplo, que outros a sigam.

Não será lembrado na história, não será glorificado, apenas uns poucos sabemos o que realmente representou, apenas uns poucos, que logo se irão, esses têm a convicção de que gente que é gente têm você como espelho orientador.

“Este relato, embora não seja fotografia da vida real, tem muito de concreto vivido”

Autor da frase: eu mesmo.

[Ilustração: Filipe Pinhas]

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Leia também: Idosos em suas trincheiras https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/renovacao-conscienciosa.html          


Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Nada é por acaso https://lucianosiqueira.blogspot.com/