01 outubro 2026

Postei nas redes

O que acontece na "sala de lanches" dos ministros do STF - você quer saber? Não me interessa. Mas é assunto de reportagem do Estadão praticamente às vésperas de uma eleição em que se disputam os rumos do país. Quanto diversionismo!

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html 

Dica de leitura

Tudo a ver com a reforma urbana
Luciano Siqueira    

O interessante artigo de Angélica Benatti Alvim, Bianca Moro de Carvalho e Marina Erendida Contreras-Saldaña "Periferias: laboratórios do Comum na América Latina", no site Outras Palavras https://outraspalavras.net/outras-cidades/periferias-laboratorios-do-comum-na-america-latina/, a meu ver - escapando às concepções das autoras - reforça a ideia da Reforma Urbana.

A abordagem é ampla e ultrapassa as fronteiras do Brasil. Assinala como as periferias urbanas do continente latino-americano (São Paulo, Buenos Aires, Medellín e Cidade do México) deixaram de ser vistas apenas sob a ótica da carência, da violência ou do abandono estatal, passando a ser compreendidas como espaços centrais de inovação política, social e cultural.

Trabalha com a ideia do "Comum" (o comum / lo común) não apenas como bens públicos estatais ou recursos privados, mas como práticas coletivas de autogestão, solidariedade e criação de vida comunitária.

As periferias se apresentam como os principais territórios onde essas práticas são gestadas por necessidade e reinventadas por potência criativa.

As autoras questionam o olhar convencional, que enxerga as margens urbanas apenas pela falta de saneamento, de segurança, de infraestrutura, etc.

Em contraposição, existiria um dinamismo próprio na capacidade de redes comunitárias produzirem soluções próprias para moradia, cultura, alimentação e cuidado coletivo.

Também mencionam os movimentos culturais periféricos (coletivos de hip-hop, saraus, cozinhas comunitárias, hortas urbanas e mídias independentes) como tecnologias sociais emergentes.

Talvez exagerem, a meu ver, ao proclamarem que tais experiências devem ser vistas como laboratórios onde novas formas de sociabilidade e resistência ao modelo neoliberal de cidade são testadas cotidianamente.

Ou seja, pratiquem uma concepção espontaneista da transformação social que, na prática, pode redundar numa espécie de acomodamento às desigualdades.

O contraponto é a necessidade de transformações estruturais – a Reforma Urbana, em especial, conforme concepções que evoluíram no Brasil nas últimas décadas, pondo a questão como parte de um novo projeto de desenvolvimento no qual as bases estruturais dos males que afligem o povo possam ser enfrentadas de modo consequente.

Presente e futuro na luta cotidiana: a reforma urbana, por exemplo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/01/meu-artigo-no-portal-da-fundacao.html 

Postei nas redes

Empate entre João Campos e Raquel Lyra em 42% na pesquina Quaest confirma tendências a estagnação e declínio da governadora e ascensão do candidato da Frente Popular. 

Opinião que se confirma https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html 

Humor de resistência

 

Quinho

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html 

Minha opinião

Renildo, tanto quanto*
Luciano Siqueira  

Parece um paradoxo, mas não é. Às vésperas das eleições, pedir votos para deputados e senadores com a mesma ênfase com que pedimos para a reeleição do presidente Lula. 

Ora, “o Poder Executivo é que decide os rumos do país”, sempre se disse.

Mas nunca fui exatamente assim, salvo no período do Estado Novo e durante a ditadura militar instaurada a partir de 1964. 

Com a redemocratização, se estabeleceu relativo equilíbrio entre os chamados Três Poderes da República — o Executivo, o Congresso Nacional (Câmara e Senado) e o Judiciário, ao estilo preconizado por Montesquieu em sua obra clássica “O Espírito das Leis” (1748). 

E se convencionou o termo presidencialismo de coalizão para sinalizar o equilíbrio entre a Presidência da República e o parlamento.

Mas, como se sabe, gradativamente os poderes atribuídos ao Legislativo foram se acentuando a ponto de, durante o governo Bolsonaro, se adotar o atual sistema das emendas parlamentares marcado pela expansão do orçamento impositivo e pela criação de modalidades como as emendas de relator (antigo "Orçamento Secreto") e as "emendas Pix" — que transformaram radicalmente a dinâmica entre o Executivo e o Legislativo. 

Isto posto, em razão da correlação de forças políticas vigentes, o mais provável é que o próximo mandato do presidente Lula aconteça, mais uma vez, sob o constrangimento de maioria oposicionista na Câmara dos Deputados e no Senado.

Dai a absoluta necessidade de se eleger parlamentares que não apenas representem interesses específicos de parcelas do povo, mas que sejam suficientemente capazes de contribuir na construção de consensos possíveis, tanto na Câmara como no Senado, para fazer fluir a agenda do governo. 

Por exemplo, no caso específico de Pernambuco, a reeleição de Renildo Calheiros (PCdoB) mostra-se indispensável, como o próprio presidente Lula nos diz. 

De posicionamento firme e ao mesmo tempo hábil, Renildo acumula ao longo de vários mandatos larga folha de serviços prestados aos governos Lula.

Assim, pelo Brasil afora, eleger deputados e senadores, nesse sentido, é tão importante quanto a própria reeleição do presidente.

*Texto da minha coluna no portal 'Vermelho'

Em debate insosso, a vantagem de João https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01657025946.html 

30 setembro 2026

Palavra de poeta

ALMA MATER

Virginia Leal   


meu olhar sobre amor ao mar,

um denso e quente olhar
e(s)ntranhamente fecundo,
vem da mulher metamórfica,
amada e cantada pelo poeta
das cosmicidades órficas!

 

[Ilustração: José Luís Poveda]

Leia também: "Rainha dos degradados", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_22.html 

Uma crônica de Urariano Mota

O presidente Lula no Recife 
Entre soberania, memória e afeto pelo Recife, a passagem de Lula pela capital pernambucana evoca a defesa da democracia, da pátria e da liberdade.
Urariano Mota/Vermelho     

Diante da luminosa presença do nosso presidente nesta sexta-feira (25) no Recife, tenho que antecipar a minha coluna, pois não conseguirei estar na rua e em casa escrevendo ao mesmo tempo. Há quem escreva direto no celular, mas escrever com tamanha habilidade e talento jamais conseguirei. 

Então eu tento estar presente por antecipação, se é que é possível semelhante feitiçaria. Então eu busco uma saída, que pode estar a partir do histórico discurso de Lula na abertura da sessão da ONU no dia 22 desta semana. E relacionarei com o sentido de pátria dos brasileiros adiante. Do seu discurso histórico, que foi capa de jornais em todo o mundo, menos na mídia do capital do Brasil, destaco: 

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino.

Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo.

Vão decidir entre democracia e negacionismo.

Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho”. 

Dele vou ao patriota de todos os tempos, o inesquecível Frei Caneca: 

“É possível que brasileiros, que homens reputados por patriotas, e que se mostravam tão interessados pelo bem do seu país, sejam agora os primeiros verdugos de seus compatriotas, os opressores de sua mesma nação, os tiranos de sua pátria?” 

A seguir, no Typhis Pernambucano, Frei Caneca escreveu: 

“Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe às nuvens, ora se submerge nos abismos; quando levada pelo furor dos euripos, feita o ludibrio dos mares, ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro; um dever sustentar o timão, outro pôr a cara ao astrolábio, ferrar o pano outro, outro alijar ao mar os fardos que a sobrecarregam e afundam, cada um prestar a diligência ao seu alcance, e sacrificar-se pelos cidadãos em perigo.

Firme neste princípio, eu levanto a voz do fundo da minha pequenez e te falo oh Pernambuco, pátria da liberdade, asilo da honra e alcance da virtude! (…) tu me deste o berço, tu ateaste no meu coração a chama celeste da liberdade, contigo ou descerei aos abismos da perdição e desonra, ou a par da tua glória voarei à eternidade”. 

Até os versos imortais: 

“Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-me todo;
Marília que chore em vão.

Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer;
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer….”

Então ligo a presença de Lula no Recife neste 25 de setembro ao romance “A mais longa duração da juventude”, quando o personagem Vargas fala:

“Como é bonita a minha cidade. Só agora percebo. Me perdoa, Recife, por ter sido tão brutal. Tu és para mim o mundo, o lugar da fraternidade que ainda não temos. Mas um dia vamos ter, e tu serás a companheira e camarada da revolução. Eu te amo a ti, somente a ti, acima de todas as coisas. Eu te amo como o meu último afeto. Estás acima do que mais amo, a minha pátria”.

Por isso, por tanto e por tudo estaremos caminhando na multidão com o nosso maior presidente. E mais a doce lembrança de chuva e tanajura da infância no bairro de Água Fria.

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html