30 outubro 2026

Palavra de poeta

todos os versos que quero escrever
Micheliny Verunschk        


todos os versos que quero escrever
já foram escritos por alguém
por poetas russas polonesas portuguesas canadenses

não sei
todo exílio cabe em uma paisagem insólita

tudo o que quero dizer já foi dito
mas o bedel impõe o seu próprio ritmo
escreva cinquenta vezes na lousa

é proibido atrapalhar a aula
é proibido atrapalhar a aula
é proibido atrapalhar a aula

mas tudo o que quero gritar
está contido no engasgo

a terra se penetra de terra
raízes penhascos pedras
a terra se penetra de terra
e vento e água e espécies nunca vistas a olho nu

é assim que palavra fronteira
passa a não fazer mais sentido algum

mas isso
tenho certeza
alguém já disse.

[Ilustração: Andrew Atroshenko]

"Imediatismo tático consequente" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01019364034.html   

PCdoB + PT

PCdoB e PT condenam ingerência dos EUA em fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil
Partidos de esquerda repudiam fuga orquestrada pela Casa Branca e Milei e orientam vigilância e presença na posse
Davi Dmolir/Vermelho       

A esquerda classifica como ingerência a articulação entre Casa Branca e governo argentino que permitiu a fuga e o abrigo de Flávio Bolsonaro no EUA durante investigações por lavagem de dinheiro pelo STF. O episódio que expõe o desacato à Justiça brasileira reabre o debate sobre soberania.

A Executiva Nacional do PCdoB repudiou a atitude do senador de fugir do país durante o andamento de investigações e buscar abrigo sob um governo estrangeiro. O partido reafirmou que a soberania nacional não se 2submete a operações de exílio garantidas por potências externas e orientou a militância para a vigilância política.

A Executiva Nacional do PT divulgou resolução na quinta-feira (29) em que caracteriza o fato como ingerência estrangeira contra a democracia brasileira.

O documento destaca que o país não aceitará a interferência de interesses externos em seus processos institucionais.

A orientação do partido prioriza a organização de caravanas de diretórios, sindicatos e movimentos sociais para a presença na posse presidencial em 5 de janeiro de 2027.

Operação Imperialista em solo sulamericano

A extração de Flávio Bolsonaro do Brasil foi uma operação de Estado conduzida pela Casa Branca com o apoio logístico do governo de Javier Milei.

O episódio envolveu o uso deliberado de desinformação para despistar as autoridades e a imprensa brasileira.

Donald Trump autorizou a entrada do senador nos Estados Unidos via parole, que é, ironicamente, uma permissão de ingresso por motivos humanitários, mas, no caso, concedida a um brasileiro suspeito de lavagem de dinheiro, entre outros crimes, que buscou abrigo em solo norte-americano para escapar da Justiça.

O assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, providenciou o jato particular, conforme confirmação ao portal Metrópoles.

A manobra seguiu o padrão de intervenção norte-americana na América Latina: mobilização da infraestrutura presidencial, cooperação de governos alinhados e disseminação de informações falsas.

Na segunda-feira (26), após determinação do Supremo Tribunal Federal para a entrega de passaportes, a saída de Brasília ocorreu em comboio. Enquanto a imprensa acompanhava os deslocamentos locais, aliados nos Estados Unidos difundiram a versão de que o senador já estaria na Flórida. No entanto, o parlamentar permanecia em uma propriedade rural na região de Foz do Iguaçu.

Na noite de terça-feira (27), a travessia para a Argentina ocorreu pela Ponte Tancredo Neves com uso de passaporte italiano, sem registro no controle de fronteira brasileiro. Em Puerto Iguazú, o assessor de Milei, Santiago Caputo, acompanhou o desembarque e a escolta realizada pela Polícia de Segurança Aeroportuária argentina.

O voo da empresa Baires Fly decolou na madrugada de quarta-feira (28) no jato Gulfstream G400 (LV-JQW), com escala técnica em Guayaquil, Equador, antes de seguir para o Aeroporto Executivo de Opa-Locka, em Miami.A liberação de entrada nos Estados Unidos ocorreu por decisão direta da Casa Branca sob o regime de parole, com indicação de aceleração no trâmite de concessão de visto permanente.

Embora não existam evidências públicas de ação clandestina direta da CIA na extração física, relatos como o do ex-agente John Kiriakou já apontavam para manobras de ingerência por meio da difusão de matérias favoráveis na imprensa.

Relatórios confidenciais da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também alertavam para o risco de intervenção norte-americana. No entanto, o envolvimento documentado da Casa Branca, do governo Milei e de agentes diplomáticos explicita o padrão de atuação imperialista.

Nota sobre a fuga e a carta de Flávio Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-do-pcdob_01902869678.html 

Altivez diplomática

Itamaraty evita se rebaixar em confronto com Milei e Trump no episódio da fuga de Flávio Bolsonaro. Nossa diplomacia altiva e propositiva está muito além do esperneio de governos de extrema direita. 

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Dica de leitura

Para onde podemos ir?    

No artigo "Novo tempo", publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/opiniao/novo-tempo-por-celso-p-de-melo/ Celso Pinto de Melo considera a dimensão do movimento que levou à reeleição do presidente Lula e faz uma reflexão sobre os desafios da soberania nacional.

A energia social que ressurgiu com força não pode se dissipar, deve deixar de ser apenas uma força de resistência e passar a ser uma força de construção .

O autor defende a criação de projetos concretos para o desenvolvimento do país, tais como armazenar e aproveitar as energias solar e eólica; fortalecer o SUS e aproximá-lo de toda a população; agregar valor aos recursos naturais (transformar minerais em materiais) e levar ciência a todas as escolas e utilizar inteligência artificial para resolver problemas genuinamente brasileiros.

A soberania no século XXI não se resume ao isolamento ou à defesa de fronteiras – argumenta -, mas sim à capacidade autônoma do país de conhecer, escolher e realizar suas próprias soluções tecnológicas e científicas sem depender do exterior.

Daí a necessidade de conectar o "Brasil que sabe fazer" (comunidade científica, técnica e experiência) com o "Brasil que quer fazer" (a juventude e a sociedade mobilizada).

Trata-se, portanto, de um projeto coletivo que precisa ser construído através da articulação entre ciência, engajamento popular e políticas públicas de longo prazo.

(LS)

"Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html 

Humor de resistência

Aroeira

Muro de lamentações

Na grande mídia neoliberal, lamentos ressentidos porque o candidato derrotado Flávio Bolsonaro, ao fugir para os Estados Unidos, abriu espaço para alianças do centro-direita com Lula e deixou o PL no mato sem cachorro. 

O “gosto amargo” da necessária amplitude https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html 

Minha opinião

A Folha diante do espelho
Luciano Siqueira  

O complexo midiático neoliberal dominante tentou até quando pôde insuflar uma alternativa de direita ou centro-direita para tentar derrotar Lula nas urnas.

Era a tão desejada “terceira via”.

Não conseguiu.

Estabelecido o confronto Lula x Flávio Bolsonaro (os demais candidatos da direita minguando em intenções de voto), a opção foi apostar no filho do ex-presidente encarcerado.

Hoje, a Folha de S. Paulo, em editorial - "Golpismo nunca mais" - , chora suas pitangas. O tom é de lamento. Ou, melhor dizendo, de desavergonhada frustração.

Faz dura crítica às posturas antidemocráticas do clã Bolsonaro, qualificando como "patética" e "delirante" a carta divulgada pelo candidato derrotado após o pleito, em que se autoproclama líder e presidente legítimo e volta à cantilena da fraude nas urnas.

Tal pai tal filho: Flávio repete a conduta delituosa do pai, Jair, marcada pelo desmando, pela contestação violenta e pela tentativa constante de deslegitimar as instituições democráticas.

Quem te viu, quem te vê!

Às vésperas do segundo turno, a Folha destaca em manchetes a provável vitória do candidato que agora repudia, enaltecendo números das pesquisas Datafolha e Quest, sem qualquer comentário sobre as ameaças à nação e ao regime democrático.

De quebra, apoiado em articulistas de direita ou centro-direita até a medula, espinafrava o presidente Lula e sua suposta negligência em relação aos reclamos do sistema financeiro.

Luta que segue.

Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html