06 outubro 2026

Minha opinião

Sem surpresa
Luciano Siqueira    

Circula nas mídias, a partir de reportagem do jornal britânico The Guardian, a informação de que há financiamento e o apoio político-institucional dos Estados Unidos a movimentos contrários à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF).

Cerca de US$ 1 milhão (aproximadamente R$ 5,2 milhões) via Departamento de Estado e o Fundo de Direitos Humanos e Democracia.

Com foco em iniciativas inovadoras sob a finalidade de "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil" , apoiando financeiramente organizações da sociedade civil e entidades conservadoras empenhadas em contestar decisões e investigações conduzidas pelo STF.

Na prática, ingerência externa nas instituições brasileiras e violação da soberania nacional.

A denúncia não surpreende e sugere que outras iniciativas semelhantes estejam em curso. Desafio ás forças que se batem em defesa da soberania nacional. Tema irrecusável da campanha neste segundo turno do pleito presidencial.

[Ilustração produzida por IA]

Lula: "Uma nova campanha vai começar" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/segundo-turno.html  

Fotografia


Sebastião Salgado

O jogo do mercado com as apostas nas eleições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mercado-eleicoes.html 

05 outubro 2026

Palavra de poeta

Mãos dadas
Carlos Drummond de Andrade     

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, do tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Lula: "Uma nova campanha vai começar" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/segundo-turno.html 

Editorial do 'Vermelho'

Vamos à batalha, com Lula para rechaçar onda destrutiva do fascismo
É possível ganhar o segundo turno, ampliando apoios, confrontando defesa dos direitos do povo com privilégios dos super-ricos, democracia com fascismo, entreguismo com soberania
Editorial do 'Vermelho'    

O resultado do segundo turno das eleições presidenciais, com a definição das candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva em confronto com o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, terá grandes consequências para o futuro do país, com forte repercussão na América Latina e Caribe.

A onda que marcou uma série de eleições latino-americanas – no período mais recente na Bolívia, no Chile, na Colômbia e no Peru – chegou ao Brasil e não pode ser compreendida apenas como fenômeno eleitoral. Sua natureza é política, ideológica e internacional. Vinculada ao governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, ela foi abraçada por parcelas expressivas das classes dominantes e impulsionada pela mídia monopolista.

Essa corrente neofascista construiu uma máquina de influência para converter ressentimentos sociais, inseguranças econômicas e preconceitos em força parlamentar, governos estaduais e presença institucional. O resultado foi uma alteração da correlação de forças no Congresso Nacional, particularmente no Senado, e a consolidação de governadores do campo da extrema-direita, ampliando o raio de ação do neofascismo.

O primeiro turno deixou um contingente expressivo de votos que podem ser buscados: foram 33 milhões de abstenções, 6 milhões de votos nulos e brancos, além dos 3,5 milhões obtidos por Cury, 2,6 milhões por Renan e outros 2,6 milhões por Caiado. Somados, esses contingentes ultrapassam 47 milhões de eleitores, formando um universo eleitoral decisivo para o segundo turno e tornando a capacidade de diálogo, mobilização e conquista desses setores um importante terreno de disputa.

A candidatura de Lula mostrou força e resiliência, numa campanha com intensidade, sobretudo na reta final, com a participação de amplos setores progressistas e democráticos, quando entrou em cena a pauta do povo, catalisador da mobilização popular. Chegar ao segundo turno com diferença de apenas dois pontos, diante de uma máquina política, econômica e midiática de grande magnitude, impulsionada e respaldada por uma potência estrangeira, pelo governo Trump, dos Estados Unidos, revela a existência de uma base social, política, econômica e cultural significativa para a candidatura do presidente Lula.

Essa constatação permite compreender a dimensão do presidente, uma liderança popular de grande prestígio e um estadista com respeitabilidade mundial. Seu oponente vive cercado de escândalos, um desqualificado com acusações de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos que conferem à sua ficha criminal uma extensa lista de malfeitos, além de seu conluio com o trumpismo para entregar o país, suas riquezas e o trabalho do povo aos interesses imperialistas, uma inequívoca plataforma política de traição à pátria. A eleição de Flávio Bolsonaro abriria campo para um regime de tendência ditatorial, marcado pela razia contra os direitos do povo para preservar e ampliar os privilégios dos super-ricos.

Ganha importância, portanto, a ampliação do apoio à candidatura do presidente Lula, dialogando com o centro e a centro-direita, indo além das forças que a apoiaram no primeiro turno. A campanha precisa transformar a força acumulada no primeiro turno em movimento vivo nas ruas, ampliando a mobilização, incorporando personalidades democráticas e representantes de diferentes correntes políticas comprometidas com a democracia, a soberania nacional e os direitos sociais para ampliar o campo de interação com o povo e expor o que representam as duas candidaturas.

Além da ampliação política e social, é preciso reforçar e ampliar, enquanto conteúdo, a pauta do povo e do país, dando mais nitidez ao futuro das condições de vida das pessoas, orçamento das famílias e a valorização do trabalho, comparando a tragédia social que provocaria um governo de Flávio Bolsonaro em contraste com um futuro de prosperidade, melhores empregos e salários e redução da jornada de trabalho, com o qual o presidente Lula está comprometido.

A pauta do povo realça a pauta do país. Com Lula, o país terá mais democracia; com Bolsonaro, o filho, o Brasil estará sob ameaça permanente de retorno ao passado de autoritarismo e ditadura. Com Lula, a soberania nacional será reforçada; o Brasil ganhará um novo impulso rumo ao desenvolvimento soberano, enquanto o governo de Flávio Bolsonaro seria totalmente subserviente ao imperialismo estadunidense, com as riquezas nacionais entregues de mão beijada ao governo de Trump.

A mobilização cívica, democrática, patriótica e popular é a força capaz de enfrentar e derrotar essa onda fascista, que se espalha como lava corrosiva, e garantir a reeleição do presidente Lula. Além da mobilização do povo, a campanha precisa ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade — entidades sindicais, movimentos sociais, organizações populares, personalidades, intelectuais, artistas, empresários, profissionais liberais, lideranças comunitárias e forças políticas democráticas — criando uma larga aliança capaz de dialogar com a realidade do povo.

Os comunistas, fortalecidos com o aumento significativo da bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, são chamados, a exemplo do primeiro turno, a estar na linha de frente da jornada dessa etapa decisiva, contribuindo com a ampliação da composição da aliança, com a plataforma da campanha de Lula e com a intensa mobilização do povo nas ruas e redes.

Lula: "Uma nova campanha vai começar" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/segundo-turno.html

Segundo turno

“Uma nova campanha vai começar e vamos comparar os projetos”, diz Lula sobre o segundo turno
Presidente teve 45,12% dos votos válidos, ante 47,06% do senador e inicia nova campanha com um apelo aos 28 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas
Lucas Toth/Vermelho    

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai disputar o segundo turno da eleição presidencial contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 99,85% das urnas apuradas neste domingo (4), Lula tinha 45,12% dos votos válidos, enquanto o candidato da extrema direita aparecia com 47,06%

Flávio recebeu 56.072.190 votos, e Lula, 53.762.471. A diferença entre os dois foi de 2.309.719 votos. Como nenhum candidato alcançou mais da metade dos votos válidos, a decisão ficou para 25 de outubro.

Em seu primeiro pronunciamento após a divulgação do resultado, Lula agradeceu aos brasileiros que compareceram às urnas.

Em declaração na noite deste domingo, Lula afirmou que o segundo turno permitirá uma comparação direta entre os dois projetos apresentados ao país.

“O segundo turno é a hora da prova dos nove. É a hora de a gente mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer. A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha. Uma campanha em que, apenas entre dois candidatos, a gente vai poder mostrar a diferença entre as propostas que existem para o Brasil”, declarou.

Ao falar sobre Flávio, o presidente disse que o adversário representa “apenas incerteza” e citou as suspeitas que cercam a família Bolsonaro. 

“Do outro lado, nós temos apenas incerteza, com a biografia de um passado tenebroso. Não existe nada que possa vislumbrar um horizonte promissor para a sociedade brasileira”, afirmou.

Lula disse que pretende concentrar a campanha na defesa dos programas de inclusão social e dos investimentos em educação, saúde, ciência e indústria. Entre as propostas citadas estão a ampliação das escolas de tempo integral, a universalização do Pé-de-Meia, o fortalecimento do SUS e da Farmácia Popular e os recursos destinados à Nova Indústria Brasil.

“A gente vai mostrar o que foi feito e o que a sociedade espera que seja feito. E ninguém, mais do que nós, pode oferecer à sociedade brasileira um futuro”, disse.

O presidente também reafirmou que não aceitará um ajuste fiscal que retire direitos ou recursos da população mais pobre. 

“Não haverá política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres deste país. Não haverá. Isso eu tenho como premissa”, declarou.

Lula se dirigiu ainda aos cerca de 28 milhões de eleitores que não compareceram às urnas. Segundo ele, a participação no segundo turno será decisiva para definir os rumos do país.

“Nós vamos fazer um apelo para que as pessoas saibam que, neste momento histórico do Brasil, o voto é necessário para a gente definir o futuro deste país”, afirmou.

“Termina a primeira fase do Campeonato Brasileiro. E a segunda fase é para Lula e Alckmin ganharem as eleições e continuarem governando este país. O jogo vai começar”, completou.

Leia também "O Brasil não cabe no quintal de ninguém?", artigo de Paulo Nogueira Batista Jr. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/soberania-nacional.html 

Palavra de poeta

Poética
Manuel Bandeira     

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. Diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o
cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de excepção
Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis

Estou farto do lirismo namorador
Político
Raquítico
Sifilítico
De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora
de si mesmo
De resto não é lirismo
Será contabilidade tabela de co-senos secretário
do amante exemplar com cem modelos de cartas
e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc.

Quero antes o lirismo dos loucos
O lirismo dos bêbados
O lirismo difícil e pungente dos bêbedos
O lirismo dos clowns de Shakespeare

– Não quero mais saber do lirismo que não é libertação.

[Ilustração: Marcos Guinoza]

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

04 outubro 2026

Minha opinião

Partido midiático
Luciano Siqueira  

Faz tempo estou convicto — e tenho afirmado aqui — que o mais poderoso partido político em ação no Brasil é o complexo midiático neoliberal dominante. 

Canais de TV, redes de rádio, jornais impressos e digitais, canais no YouTube e streaming e micro blogs constituem influentes instrumento da luta de ideias, atingindo os mais diversos segmentos da sociedade com a incrível precisão técnica. 

Partidos políticos são antes de tudo corrente de opinião. A mídia neoliberal exerce esse papel — em íntima associação com a elite dominante, especialmente o capital financeiro, o grande agro exportador, monopólios do varejo e indústria. 

Durante todo o terceiro governo Lula, esse partido midiático exerceu oposição cerrada, inflexível. 

Agora, na campanha eleitoral, fustigou o presidente e o governo de múltiplas maneiras, a ponto de caracterizar toda e qualquer iniciativa em benefício da maioria da população como "eleitoreira".

A extrema direita, que comparece à disputa com cinco candidatos ativos, obviamente tirou proveito disso. 

Nos últimos dias e hoje, fica a impressão de que os senhores da mídia se dão conta do desastre que poderia ser a vitória eleitoral do filho do ex-presidente encarcerado. Numa espécie de objetividade tardia, através de editoriais e escritos e falas dos seus analistas mais destacados, transmitem o incômodo diante de tamanha ameaça. 

Fica até a impressão de que a intenção era mesmo levar as eleições ao segundo turno e daí em diante buscar algum tipo de compromisso do Presidente da República e da ampla frente democrática e popular que o apoia, particularmente no que se refere à política macroeconômica. 

Tudo leva a crer que o embate não se resolve hoje, teremos uma segunda rodada. 

Veremos como se comportará o partido midiático.

Leia também: Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html