29 junho 2026

Postei nas redes


Pesquisa LBTG/Nexus: Lula lidera no primeiro turno e vence em todos os cenários de segundo turno. Bom sinal, mas ainda temos muita luta pela frente. 

Copa do Mundo: símbolos emergem

Vozinha, “Lumumba” e outros heróis involuntários da Copa de Trump
Mundial-2026 vê emergirem figuras que explicam as tensões do mundo contemporâneo com muito mais precisão do que os eventuais campeões.
André Cintra/Vermelho  
 

A Copa do Mundo de 2026 caiu nas graças do povo à revelia das decisões da Fifa e da administração de Donald Trump. Encerrada a primeira fase no último sábado (27), o gigantismo inflado de um Mundial com 48 seleções e três países-sede não conseguiu sufocar o futebol. O que se viu em campo foi a fartura de partidas intensas, classificações dramáticas e uma média de quase três gols por jogo, patamar que o torneio não alcançava desde a mítica edição de 1958.

Enquanto Messi, Mbappé e Vinicius Junior cumprem o script e empurram suas seleções rumo ao título, o charme do torneio se consolida nas margens. A expansão do calendário para 72 partidas na fase inicial permitiu o acolhimento de seleções que carregam a identidade do Sul Global, gerando uma solidariedade continental nas arquibancadas.

Mas o Mundial-2026 já entrou para a história como um megaevento marcado pela exclusão. A Copa refletiu a promiscuidade entre os interesses da Fifa, presidida por Gianni Infantino, e a política migratória do governo Donald Trump. Em nenhum Mundial recente houve tantos relatos de barreiras impostas a atletas, membros de delegações, profissionais de imprensa e torcedores.

O pequeno arquipélago contra os gigantes

É nessa atmosfera que emergem os heróis involuntários, figuras que explicam as tensões do mundo contemporâneo com muito mais precisão do que os eventuais campeões. É o caso de Josimar José Évora Dias, o Vozinha, goleiro de Cabo Verde que alcançou a celebridade numa idade em que a maioria dos jogadores já se aposentou. Aos 40 anos e sem contrato fixo, o atleta iniciou a Copa carregando o orgulho de um arquipélago de apenas 530 mil habitantes.

Vozinha rodou por Angola, Chipre, Moldávia e Eslováquia, construindo a carreira no anonimato das ligas periféricas, longe do centro do futebol global. Sua certidão de nascimento o identifica como Josimar, nome herdado do lateral brasileiro que fez história no Mundial de 1986. O pai queria Valdano, em homenagem ao argentino do Real Madrid, mas o registro civil de Cabo Verde não aceitou. O apelido Vozinha, que se converteu em nome público, nasceu na infância e o acompanhou por toda a vida.

Sem nenhuma participação em Copas, Cabo Verde chegou à disputa como quem entra de penetra numa festa de milionários. Mas, logo no primeiro jogo, recuou para sobreviver, suportou a pressão da favorita Espanha e arrancou um surpreendente empate. A primeira zebra dessa edição foi comemorada como uma vitória nas ruas cabo-verdianas.

Após brilhar com defesas espetaculares, Vozinha virou um fenômeno de massas e angariou mais de 17 milhões de novos seguidores nas redes sociais. A consagração esportiva, contudo, revelou o drama humanitário dos bastidores. Quando o goleiro chorou na entrevista pós-jogo e contou que a mãe, Ana Cândida, estava proibida de entrar nos EUA devido às severas restrições impostas pela Casa Branca, o mundo prestou atenção.

A comoção pública e a mobilização política forçaram o Departamento de Estado a abrir uma exceção diplomática, permitindo que a mãe do atleta finalmente testemunhasse, da arquibancada, a classificação inédita de Cabo Verde. A imagem da família unida pelo futebol foi um dos momentos mais bonitos do torneio – e a exceção iluminou a regra.

Lumumba na Copa

O segundo símbolo desta Copa não precisou tocar na bola para fazer história. Michel Kuka Mboladinga, o “Lumumba Vea”, da República Democrática do Congo, apareceu ao planeta como uma estátua viva nos estádios da América do Norte. Vestido com terno nas cores do país, ele é um cosplayer de Patrice Lumumba, líder da independência congolesa e ex-primeiro-ministro. Lumumba foi executado em 1961, com ajuda da CIA, e seu corpo sumiu – o que, para Mboladinga, é um passivo que ainda rege a espoliação do Congo.

Pode parecer exótico ir a um estádio vestido como o principal líder político de seu país e permanecer como uma estátua viva, quase indiferente ao jogo, enquanto a torcida não para de se manifestar. Mas, desde a Copa Africana de Nações de 2025, Mboladinga recorre ao personagem para apoiar sua seleção e protestar durante as partidas. Agora, ele viajou ao Mundial a convite da própria delegação congolesa.

Enquanto a multidão gritava e consumia o espetáculo, ele lembrava que há sangue sob a história do futebol global. O impacto da performance cresce ainda mais porque o megaevento acontece nos próprios EUA, país que passou décadas interferindo politicamente na África e se envolveu no complô para eliminar Lumumba.

Sem cartazes nem discursos, sua presença foi um poderoso ato de memória e soberania, que remeteu à resistência anticolonial na África e à independência congolesa traída. No jogo entre Congo e Colômbia, Mboladinga cutucou a comunidade internacional, pondo simultaneamente dois dedos da mão direita na têmpora e a mão esquerda sobre a boca. Com o gesto, ele acusou o silêncio sobre as guerras e a espoliação no Congo.

Ao Wall Street Journal, Mboladinga explicou que sua imobilidade é uma forma de dar resistência emocional à equipe. “Assim como Lumumba sacrificou a própria vida pelo nosso país, minha imobilidade é um pequeno preço a pagar pela profunda preocupação que tenho com esta equipe”, afirmou.

Enquanto Vozinha teve sua história recompensada, a de Mboladinga acabou marcada por uma barreira. Os EUA negaram seu visto de entrada para o jogo decisivo do Congo contra o Uzbequistão, sob alegações sanitárias (o surto de ebola no país africano) que a Fifa preferiu ignorar. Se o torcedor mais famoso dessa Copa imobiliza o corpo para denunciar o silêncio, a Fifa imobiliza a própria voz diante do visto negado.

O Congo superou a ausência de seu mais célebre torcedor e se classificou pela primeira vez à segunda fase de uma Copa. Dentro ou fora do estádio, Mboladinga virou celebridade. Na África, foi tratado como herdeiro simbólico de Lumumba. Nas redes sociais, milhões de pessoas compartilharam sua mensagem de resistência.

A geopolítica em campo

A lista de heróis improváveis desta Copa é maior. Vale citar o árbitro Omar Abdulkadir Artan, primeiro representante da Somália numa Copa e eleito melhor juiz africano de 2025. Quando ele foi impedido de entrar nos EUA mesmo com visto válido, a Fifa, resignada, limitou-se a declarar que “não se envolve nos processos de imigração dos países-sede”.

O caso de Artan não foi isolado. Ao longo da Copa, relatos de restrições e constrangimentos envolvendo países hostilizados por Trump se multiplicaram, enquanto Infantino e os dirigentes da Fifa preferiam tratar cada episódio como mera questão burocrática.

A postura invariavelmente omissa da entidade enterra definitivamente o mito de sua independência. O histórico já incluía convivência com regimes autoritários, da Itália fascista em 1934 à ditadura argentina em 1978. Ainda assim, a Fifa preservava a imagem de instituição capaz de circular acima das fronteiras tradicionais da geopolítica.

Com 211 associações afiliadas, a Fifa se orgulhava de reunir mais membros do que a ONU (Organização das Nações Unidas). Dentro dessa engrenagem, até países periféricos, como o Brasil, conseguiam eventualmente exercer influência concreta. Tudo isso parece ter ficado para trás. A proximidade institucional e financeira com Washington expôs um grau de alinhamento inédito ao poder da nação anfitriã.

Na Copa da diáspora, da exclusão e das fronteiras vigiadas, a resistência se fez nas traves com Vozinha e no cimento das arquibancadas com Mboladinga. Diante de tentativas políticas de reduzir nações inteiras a meras estatísticas ou mão de obra, os heróis improváveis do Mundial-2026 demonstraram que o colonialismo nunca saiu completamente de campo. Mas o futebol ainda preserva a força de expor as fraturas do planeta.

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Como o capitalismo sequestrou a Copa e o sonho de uma criança https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/futebol-argentario.html 

Minha palavra

Anotações 
Luciano Siqueira 

Faz muito tempo que não anoto minhas ideias em papel. Afastei-me do manuscrito e do datilografado paulatinamente, substituindo-os pelo digitado. 

Depois, as anotações pronunciadas de viva voz e "escritas" no bloco de notas do celular. Não por preguiça, é que o raciocínio flui mais rápido. 

Já não posso dizer "anotei numa folha de papel". Digo: "uma ideia digitada". 

O raciocínio se torna mais rápido? Não. Apenas escrevo mais rápido, o raciocínio é depois. 

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"A pulga, a ciência e a paz mundial" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/a-pulga-quem-diria.html 

Fotografia

 

Sebastião Salgado

28 junho 2026

Palavra de poeta

TAREFA
Geir Campos    

Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano
 
[Ilustração: Wellington Virgolino]
 
Leia também: "Duplo sentido" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra_070600094.html 

Ronald Freitas opina

Eleições de 2026 exigem projeto nacional para enfrentar a extrema direita
Campanha de Lula deve ir além do balanço do governo e apresentar um Projeto Nacional de Desenvolvimento capaz de enfrentar a crise institucional, fortalecer a soberania e conter o avanço da extrema direita
Ronald Freitas/Porta Grabois 
  

Apontamentos sobre o significado das eleições presidenciais de outubro próximo

Estamos a menos de quatro meses das eleições gerais de outubro, nas quais serão escolhidos o futuro presidente do Brasil, os futuros membros do Congresso Nacional, os governadores dos estados federados e do Distrito Federal, bem como os membros das casas legislativas estaduais e do Distrito Federal. Ou seja, estará em jogo o fundamental da estrutura de poder do Estado brasileiro. É muita coisa em jogo.

Ocorre entretanto que, sob a pressão das demandas do dia a dia, a militância política progressista e de esquerda, às vezes, toma iniciativas e executa atividades sem ter em conta a magnitude da batalha que enfrentaremos durante esse processo eleitoral.

Embora estejamos, no Brasil, sob a direção de um governo de centro-esquerda – o terceiro mandato do presidente Lula –, não significa que participamos de uma disputa eleitoral na qual as forças progressistas estejam em posição de vantagem explícita de se saírem vitoriosas; diria mesmo que corremos o risco de que ocorra o contrário.

As condicionantes, internas e externas, nos colocam desafios que vão da interferência estrangeira, como evidenciam tanto as ingerências diretas do imperialismo norte-americano, por meio do governo Trump, quanto, no plano interno, com a existência de um ambiente de desagregação das estruturas do Estado Burguês Liberal que vige no Brasil atual.

Essa crise das instituições do Estado cria uma disputa entre os poderes formais da República – Executivo, Legislativo e Judiciário – e mesmo entre centros de poder de um segundo escalão, como Banco Central, Ministério Público, Polícia Federal, entre outros. E isso, diante da falta de um Projeto Nacional de Desenvolvimento, soberano e inclusivo, que seja a bússola a guiar a ação de todas as instâncias do poder nacional, e de um poder executivo com força e determinação para implementá-lo, cria um ambiente político propício ao esgarçamento das instituições de Estado, com destaque para o uso da corrupção como método de atuação política, e também um ambiente para que forças obscurantistas de direita e extrema-direita desenvolvam na sociedade intensa luta ideológica – cujo centro é a demonização da política como meio civilizado de resolução dos conflitos que emanam da sociedade –, pregando como solução, para essa situação de crise continuada que vivemos, a implementação de um sistema político, ancorado na existência de um poder messiânico, autoritário, livre da “política que aí está”, para com isso atingirem seus objetivos de conquistar o poder e implementar projetos de cunho antinacional e antipopular e de perfil fascistizante.

Esse cenário acima descrito sumaria o contexto político em que se desenvolverão as eleições gerais de outubro de 2026, e nos remete ao desafio de disputá-las num cenário de correlação de forças adversas, que inibe certos círculos políticos de esquerda de participarem da campanha com proposições que extrapolem os limites impostos pelas conveniências políticas do momento. 

Desafios estratégicos da esquerda brasileira

Vivemos em um período – já longo – de resistência democrática. Desde o desmoronamento da ex-URSS, as forças de esquerda, no geral, e os comunistas, em particular, atuam em uma conjuntura política muito difícil que, habitualmente, tem levado a duas atitudes de como superar essa situação. Para um certo campo de esquerda e progressista, a derrota infligida às ideias e à prática revolucionárias, emanadas da revolução bolchevique de 1917, foi muito dura, na qual, além do desmonte do poder político da ex-URSS, ou seja, a imensa derrota que os campos socialista e comunista sofreram afetou também as próprias bases teóricas que davam sustentação a essa experiência. Diante dessa realidade, e mantendo-se fiéis aos princípios e postulados gerais do marxismo-leninismo – que deram base teórica e prática à revolução bolchevique –, recolhem-se a uma tentativa de reeditar os mesmos passos da revolução bolchevique, fazendo propostas “maximalistas”, distantes da nossa realidade atual.
Já um outro campo da esquerda – também mantendo-se, no geral, fiel aos postulados teóricos que nortearam a grande revolução de outubro de 1917 –, avalia que, diante da imensa derrota sofrida, a luta em defesa dos objetivos revolucionários emanados dos princípios gerais do marxismo e do leninismo, ou seja, a luta por uma sociedade pós-capitalista – para mim sinônimo de socialismo –, encontra-se em uma defensiva tão profunda que, então, passam a assumir a participação em frentes amplas democráticas e progressistas, que têm caráter tático de acumulação de forças, como um objetivo em si. E, dessa maneira, diluem suas ações políticas práticas e deixam de ter, na continuidade da luta – necessária e inescapável – pela construção de uma sociedade socialista, seu objetivo maior. Essa dicotomia aparece não só nas abordagens e lançamentos de candidaturas para as futuras eleições, aparecendo mesmo na busca de apresentar propostas para o programa de campanha de Lula Presidente 2026. 

Programa Lula 2026 como projeto de futuro

Por iniciativa da Fundação Perseu Abramo do PT, sob a coordenação de seu dirigente, Sergio Gabrielli e com apoio de fundações congêneres – como a Fundação Maurício Grabois, do PCdoB; a Fundação João Mangabeira, do PSB; a Fundação Herbert Daniel, do PV; a Fundação Leonel Brizola, do PDT; e a Fundação Rede Brasil Sustentável, da REDE, foi lançado o documento Plano Participativo pelo Brasil, pelos brasileiros, que se propõe a ser um instrumento, por meio do qual os vários setores da sociedade brasileira, particularmente o campo progressista e democrático, possam contribuir para a elaboração do Plano de Campanha de Lula 2026. Além dessa iniciativa, também setores dos movimentos sociais e mesmo partidos políticos da base de apoio do Governo Lula, como o PCdoB, discutem em suas instâncias deliberativas apresentar – ou já o fizeram – propostas ao programa de governo da campanha Lula 2026. 

Esse movimento político de participação ativa na campanha Lula 2026, seja dos partidos da base do atual governo, seja dos movimentos sociais e de setores da sociedade civil, é um indicador da disposição das forças progressistas e democráticas brasileiras de resistirem ao avanço da extrema-direita e do neofascismo em nosso país.

Porém, espero que o resultado desse movimento de participação e engajamento político seja traduzido em propostas que coloquem a construção de um Brasil soberano, desenvolvido, democrático e socialmente mais justo como o eixo em torno do qual as demais demandas da sociedade, de caráter setorial, sejam agregadas como partes necessárias e inescapáveis, para o êxito da conquista eleitoral, da candidatura Lula 2026 e da posterior implementação destas no futuro governo.

Nesse sentido, o programa de campanha Lula 2026, ao lado de avaliar o trágico legado deixado pelos governos Temer e Bolsonaro, e de explicitar para o conjunto da sociedade, e do eleitorado, os êxitos obtidos, e as entregas realizadas, no atual mandato do governo do presidente Lula, deve mostrar perspectivas de um novo rumo para a construção de um Brasil que esteja à altura dos desafios da atual conjuntura mundial e da superação de nossas deficiências internas – materializadas nas persistentes desigualdades sociais e regionais –, que criam na sociedade um estado de desilusão na atuação política, como o meio por excelência para dirimir os conflitos emanados das contradições nela existentes, e principalmente como um fator de despertar esperanças e sonhos de uma vida melhor por parte da absoluta maioria do povo brasileiro. 

Para atingir esses objetivos, é necessário que o programa de campanha Lula 2026, além de incorporar as diversificadas e multifacetadas reivindicações setoriais, tenha como eixo propostas voltadas para a consolidação de um Projeto Nacional de Desenvolvimento Soberano e Democrático, que, além de promover uma reforma política que organize o Estado Nacional a serviço de sua implementação, tenha, no planejamento de sua realização, um instrumento indispensável para ordenar a solução dos desafios que o país enfrenta:

i) implementar um plano de reindustrialização do país de acordo com o que há de mais avançado no campo das forças produtivas atuais, inteligência artificial, tecnologias digitais, domínio do ciclo completo da produção de equipamentos avançados para a indústria da saúde, da agricultura, da defesa nacional;

ii) incorporar os valores da proteção ambiental como um elemento constitutivo do processo de reindustrialização do país; 

iii) para tornar exequíveis essas propostas, torna-se necessário romper com fortes limitações existentes, como o arcabouço fiscal, a autonomia do Banco Central, a manutenção de uma abusiva e indecente taxa de juros, que impede o crescimento econômico do país e piora as condições de vida do povo, certo tipo de abertura ao capital estrangeiro para explorar nossas riquezas naturais, como as terras raras e outros minerais críticos, sem que sejam explicitados claramente os limites dessa atuação, e inclusive a criação de uma empresa estatal (Terrabras) que nos garanta o usufruto soberano desse patrimônio;

iv) a manutenção e o fortalecimento de estatais estratégicas como a Petrobras, bem como a reestatização de empresas, também de caráter estratégico, que foram irresponsavelmente privatizadas, como a Eletrobras etc., e como já registrado acima, de uma reforma política, que reorganize o Estado Nacional em função da execução desse projeto de desenvolvimento.

A campanha deverá também ser um momento privilegiado para debatermos com a sociedade a necessidade fundamental de implementar esse projeto de um Novo Brasil, que seja capaz de pôr em ação os seus imensos recursos humanos e materiais, hoje reprimidos pelo fato de ser hegemônico na sociedade, e mesmo em certos setores do governo, a dominância de um ideal político conservador e retrógrado, que se baseia nos preceitos neoliberais do Consenso de Washington, como arrojo fiscal, liberação cambial, abertura comercial indiscriminada, abertura ao capital estrangeiro para investimentos em qualquer área da economia nacional, privatização das empresas estatais e a implementação de uma reforma política que reduza o papel do Estado Nacional, como indutor do desenvolvimento do país em bases soberanas.

Se conseguirmos desenvolver uma campanha, nos termos acima superficialmente esboçados, estaremos não só no caminho de uma vitória eleitoral, como também no caminho de iniciarmos um novo ciclo no processo ainda inconcluso da construção de um Brasil soberano, democrático, desenvolvido e socialmente mais justo.

Ronald Freitas é membro do Comitê Central do PCdoB e coordenador do Grupo de Pesquisa Estado e Conflitos Institucionais no Brasil da Grabois.

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O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html 

Arte é vida

Rubens Gerchman 

Leia: "Duplo sentido" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra_070600094.html