27 agosto 2026

Palavra de poeta

Consideração do poema
Carlos Drummond de Andrade       

Não rimarei a palavra sono
com a incorrespondente palavra outono.
Rimarei com a palavra carne
ou qualquer outra, que todas me convém.
As palavras não nascem amarradas,
elas saltam, se beijam, se dissolvem,
no céu livre por vezes um desenho,
são puras, largas, autênticas, indevassáveis.
 
Uma pedra no meio do caminho
ou apenas um rastro, não importa.
Estes poetas são meus. De todo o orgulho,
de toda a precisão se incorporaram
ao fatal meu lado esquerdo. Furto a Vinicius
sua mais límpida elegia. Bebo em Murilo.
Que Neruda me dê sua gravata
chamejante. Me perco em Apollinaire. Adeus, Maiakovski.
São todos meus irmãos, não são jornais
nem deslizar de lancha entre camélias:
é toda a minha vida que joguei.
 
Estes poemas são meus. É minha terra
e é ainda mais do que ela. É qualquer homem
ao meio-dia em qualquer praça. É a lanterna
em qualquer estalagem, se ainda as há.
— Há mortos? há mercados? há doenças?
É tudo meu. Ser explosivo, sem fronteiras,
por que falsa mesquinhez me rasgaria?
Que se depositem os beijos na face branca, nas principiantes rugas.
O beijo ainda é um sinal, perdido embora,
da ausência de comércio,
boiando em tempos sujos.
 
Poeta do finito e da matéria,
cantor sem piedade, sim, sem frágeis lágrimas,
boca tão seca, mas ardor tão casto.
Dar tudo pela presença dos longínquos,
sentir que há ecos, poucos, mas cristal,
não rocha apenas, peixes circulando
sob o navio que leva esta mensagem,
e aves de bico longo conferindo
sua derrota, e dois ou três faróis,
últimos! esperança do mar negro.
Essa viagem é mortal, e começá-la.
Saber que há tudo. E mover-se em meio
a milhões e milhões de formas raras,
secretas, duras. Eis aí meu canto.
 
Ele é tão baixo que sequer o escuta
ouvido rente ao chão. Mas é tão alto
que as pedras o absorvem. Está na mesa
aberta em livros, cartas e remédios.
Na parede infiltrou-se. O bonde, a rua,
o uniforme de colégio se transformam,
são ondas de carinho te envolvendo.
 
Como fugir ao mínimo objeto
ou recusar-se ao grande? Os temas passam,
eu sei que passarão, mas tu resistes,
e cresces como fogo, como casa,
como orvalho entre dedos,
na grama, que repousam.
 
Já agora te sigo a toda parte,
e te desejo e te perco, estou completo,
me destino, me faço tão sublime,
tão natural e cheio de segredos,
tão firme, tão fiel... Tal uma lâmina,
o povo, meu poema, te atravessa.

 
[Ilustração: Paula Modersohn Becker]
 
Leia também A morte e a morte do amigo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra.html 

Postei nas redes

Repórteres  da TV Globo Trali e Renata Vasconcelos tentaram fazer da entrevista com Lula um ato de inquisição. Nada sobre as ameaças à soberania nacional, por exemplo, mas o presidente respondeu com altivez e clareza a todas as provocações. Um passo adiante na luta pela reeleição. 

A política no posto de comando https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0656605756.html 

Minha opinião

Será o preferido assim mesmo?
Luciano Siqueira 

Rejeitado como poucos na história recente do Brasil, o candidato Flávio Bolsonaro (PL) teria finalmente o apoio do complexo midiático dominante?

Parece que não. Ou ainda não.

Os principais jornais do país, todos integrados a gigantes midiáticos, seguem criticando duramente o dito filho Zero Um do ex-presidente encarcerado, condenado por golpismo.

Articulistas assumidamente sintonizados com “a opinião do patrão” frequentemente batem duro no candidato.

Também não enaltecem nenhum outro. A extrema direita não produziu uma alternativa palatável ao olhar do que se convencionou chamar a Faria Lima.

Ou pelo menos uma opção competitiva.

Enquanto isso, o escolhido pelo PL segue transpirando submissão aos EUA, ao presidente Donald Trump em especial; achincalhe às  nossas instituições democráticas; e um a precariedade absurda quando instado a opinar sobre o país e a externar a sua plataforma de governo.

É o que parece, pelo menos por enquanto.

[Ilustração: Amarildo]

Qual é a da Faria Lima? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_068512590.html 

Fragmentos

Na verdade, a felicidade é uma construção permanente, diária, por toda a vida e, ao mesmo tempo, se traduz em instantes. Podemos até dizer que a sucessão desses instantes, em sequência, alternados com momentos de desprazer, dão sentido à vida. No trabalho, na luta política, na vida pessoal. Por isso, distinguir o que é bom e o que ruim, dentre acontecimentos de certo modo inevitáveis, no dia a dia, se constitui em arte. A arte de viver bem. As coisas que lhe desagradam são infinitamente secundárias diante das coisas que lhe fazem feliz. 

(Anotação minha em 19.2.14)  

Leia também: Tédio? Falta-me tempo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0262906581.html 

Sylvio: mais emprego

Desemprego cai e número de pessoas ocupadas bate recorde histórico como resultado do acerto da política econômica do governo. Em seu julgamento, a população deve seguir o dito popular segundo o qual em time que está ganhando não  se mexe. 

Sylvio Belém  

Mulheres ocupam 57,4% dos empregos formais no 3º governo Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/boa-noticia_0729037115.html

Você pode contribuir. É muito fácil

Nas ruas, por que não?
Luciano Siqueira  

Na padaria, aqui perto de casa; e no estacionamento de um supermercado, a mesma abordagem em tom de certa estranheza: “Eu te vi na rua distribuindo panfletos”.

Nenhuma novidade.

Sou militante há mais de cinquenta anos e jamais perdi essa condição, inclusive quando deputado por duas vezes, uma vez vereador e quatro vezes vice-prefeito do Recife. Em todas as campanhas estive nas ruas. Quando fui candidato ou não, como agora.

Logo cedo no cruzamento de ruas e avenidas movimentadas do Recife, junto com mais alguns companheiros e companheiras.

A receptividade é ampla.  

- Você tem a coragem de encarar os eleitores olhos nos olhos!, ouvi muitas vezes.

Colaboro voluntariamente, na medida do possível, com todos os candidatos e candidatas do PCdoB. A divisão de tarefas, contudo, faz-me militante ativo das candidaturas de Cida Pedrosa 65113 e Renildo Calheiros 6513.

Isto em articulação com Lula presidente, João Campos governador, Humberto Costa e Marília Arraes senadores.

O voluntariado é a marca de nossa campanha, mas tem um custo operacional que nos pressiona: a necessidade de ampliar as atividades gastando com  panfletos, combustível, etc.

Daí o apelo sempre renovado à contribuição de cada um, com o quanto que puder – de 5 reais em diante - na “vaquinha”.

Basta usar o Pix 68.258.332/0001-04

Tudo respaldado na legislação eleitoral.

Sigamos juntos. A vitória é possível.

Leia também: Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html 

Boa notícia

Lula celebra avanço do fim da escala 6×1: mais tempo para os trabalhadores
Presidente afirma que redução da jornada será uma conquista histórica dos trabalhadores; PEC deve ter relatório apresentado nesta quinta (27) e avançar na CCJ na próxima semana
Barbara Luz/Vermelho 
    

O presidente Lula (PT) comemora a perspectiva de avanço no Senado da proposta que acaba com a escala de trabalho 6×1. A medida entrou na lista de prioridades acertadas entre o governo e os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para o período de esforço concentrado do Congresso.

“Uma grande conquista para os trabalhadores brasileiros está avançando: o fim da escala 6×1, que já foi aprovado na Câmara e agora avança no Senado”, escreveu Lula no X. Para o presidente, a mudança representa mais qualidade de vida para quem trabalha.

“O fim da escala 6×1 será uma conquista histórica dos trabalhadores. É mais tempo para descansar, cuidar da família e viver. Seguiremos incansáveis na defesa de quem trabalha e constrói, todos os dias, o Brasil”, acrescentou. 

Relatório deve ser apresentado nesta quinta

O avanço da proposta foi acertado durante encontro de Lula com Alcolumbre e Motta no Palácio da Alvorada nesta quarta. Na ocasião, os três anunciaram pautas consideradas prioritárias para a próxima rodada de votações do Congresso. Além do fim da escala 6×1, também está prevista a tramitação da PEC da Segurança.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) será o relator da PEC e deve apresentar seu parecer nesta quinta-feira (27). A previsão é que o texto seja lido na próxima quarta-feira (2) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O Congresso realizará esforço concentrado entre 31 de agosto e 4 de setembro.

A oposição apresentou 12 emendas para modificar a proposta. Caso o Senado altere o texto aprovado pelos deputados, a PEC terá de retornar à Câmara. Aziz, no entanto, sinalizou que pretende rejeitar as mudanças e preservar a versão aprovada pelos deputados em maio.

O governo também espera contar com o presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), para acelerar a tramitação. A expectativa é que eventuais pedidos de vista tenham prazo reduzido, evitando o adiamento da votação.

Discurso para vencer e para perder https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0656605756.html