29 setembro 2026

Editorial do 'Vermelho'

A pauta do Brasil e do povo na voz de Lula dá o tom da reta de chegada
Dias decisivos do primeiro turno exigem forte militância nas ruas e redes para consagrar Lula nas urnas e derrotar a grave ameaça que paira sobre o país
Editorial do 'Vermelho' 

A campanha presidencial chega à reta final do primeiro turno marcada pelo confronto de polos nitidamente antagônicos. De um lado está Luiz Inácio Lula da Silva, com sua trajetória de defesa da democracia, da soberania da pátria, do desenvolvimento nacional e da reindustrialização do país, da valorização do trabalho, da distribuição de renda e redução das desigualdades, dos direitos sociais e humanos, da inclusão social, da segurança pública, da educação, da ciência e tecnologia, da segurança alimentar e da proteção ambiental.

Ao acabar com as bets, reajustar o Bolsa Família, pela pauta do povo, Lula retomou o protagonismo da disputa e, nesta hora decisiva, sua campanha ganha energia, entusiasmo e reúne multidões.

No outro lado está Flávio Bolsonaro, que, ao se colocar a favor das bets, depois de ter sabotado a aprovação do fim da escala 6×1, revelou com absoluta luz que é contra o povo. De ponta a ponta dessa campanha, com execrável ostentação, Flávio se apresenta como serviçal do governo de Donald Trump, com uma agenda de traição à pátria: tramou e respaldou os tarifaços e seu programa, em essência, consiste em promover a total entrega das riquezas do Brasil ao imperialismo estadunidense, a começar pelas terras raras e minerais críticos.

O candidato da extrema-direita também tem vínculos comprovados com o movimento liderado por seu pai, Jair Bolsonaro, condenado e preso por organização criminosa armada e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Se eleito, a democracia brasileira voltaria a ser mutilada. Evidências, fatos, vários episódios demonstram o vínculo de Flávio com bandos criminosos, as milícias.

É também o único candidato presidencial formalmente sob investigação da Polícia Federal por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas relacionadas ao suposto financiamento da cinebiografia Dark Horse sobre o seu pai. No centro desse caso está a sua relação íntima com o ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O candidato mente reiteradamente: negou fatos, mudou versões e continua sustentando afirmações contestadas pelos elementos já amplamente conhecidos.

Flávio Bolsonaro, mergulhado na corrupção, se limita a essa agenda entreguista e de traição nacional, enquanto Lula comprova a sua estatura de líder com prestígio de dimensões internacionais, como ficou demonstrado com sua performance na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em 22 de setembro, num pronunciamento que articulou democracia, soberania, multilateralismo, combate à fome, desenvolvimento, mudanças climáticas, inteligência artificial e combate às políticas de guerras.

É nesse campo, mais diretamente ligado às condições de vida da população, que a campanha de Lula, nesta reta final do primeiro turno, concentrou suas ações. Entre as medidas de maior alcance está a recomposição do Bolsa Família, o reajuste de 15,04%. Outro movimento de grande repercussão foi a proibição das bets, que enfrenta o endividamento e defende a renda familiar e a saúde da população. As pesquisas demonstram que Lula atendeu a verdadeiro clamor popular, dando um basta aos cassinos virtuais.

O Brasil livre das bets foi uma espécie de tremor de terra na dinâmica da disputa. Parcelas da população até então alheias ao processo eleitoral despertaram-se. E o presidente Lula passou a centralizar sua mensagem no futuro do país, dando ênfase a uma nova geração de direitos a ser garantida ao povo com a riqueza oriunda de um ciclo robusto de desenvolvimento, caso o eleitorado venha honrá-lo com um quarto mandato.

Entre os compromissos estão a continuidade da luta pelo fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial; o compromisso de zerar os impostos sobre todos os itens da cesta básica, além da adoção de um sistema de devolução de parte dos impostos para os consumidores; o governo também já instituiu o Desenrola Brasil 3.0, nova modalidade de renegociação de dívidas; a criação da Rede Brasil contra o Câncer, a ampliação do Farmácia Popular com exames e teleconsultas gratuitos, a expansão do programa Agora Tem Especialistas e da Rede de Hospitais Inteligentes.

Na educação, estão previstas a universalização do Pé-de-Meia, a implantação do ensino integral em todas as escolas públicas, a ampliação da formação em inteligência artificial, robótica e programação e a retomada do Ciência sem Fronteiras com foco em tecnologia e inteligência artificial. Também estão entre os compromissos assegurar paz e segurança ao povo, combater implacavelmente as facções criminosas e fortalecer o Pacto Contra o Feminicídio.

São questões essenciais para o debate, que contrastam com tergiversações para tumultuar a campanha, como a ofensiva do ministro André Mendonça contra o STF para atingir a legalidade democrática do país e o episódio recente envolvendo uma publicação do humorista Antonio Tabet sobre Nossa Senhora Aparecida, afrontando princípios constitucionais como a liberdade de expressão, a liberdade religiosa e o direito de professar uma fé ou de não se manifestar por nenhuma religião.

Ao se colocar no epicentro desse episódio, Flávio deu um tiro no pé, atacou a Igreja Católica e provoca grave desgaste em sua campanha, na boca da urna, trazendo à tona a política de ódio, de manipulação da fé e a intolerância religiosa do bolsonarismo.

A pauta dos direitos do povo, da democracia e da soberania do Brasil, na voz de Lula, vem soprar fortes e bons ventos, despertando ânimo e esperança no eleitorado e elevando a mobilização da militância democrática, popular e patriótica.

Nessa reta final, de uma disputa acirradíssima, é fundamental mais presença nas ruas e nas redes, em todos os cantos do país, virando e ganhando votos, hasteando bandeiras, fazendo vibrar o prenúncio da vitória, convocando o eleitorado às urnas, reduzindo a abstenção ao mínimo, com destaque para o reforço da mobilização para a agenda da campanha de Lula, que prevê comícios e caminhadas em Belém, Fortaleza, Salvador, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo.

A eleição de Lula, se confirmada, exigirá uma sólida base parlamentar, política e social. Por isso, é fundamental uma bancada de esquerda forte no Congresso Nacional, na qual o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tem papel fundamental e precisa ampliar sua representação, ao lado da eleição de deputados, senadores, governadores e representantes nas assembleias legislativas comprometidos com os interesses do país e os direitos do povo.

Leia também: Ao acabar com as bets, Lula atende clamor popular https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_0212001759.html

Sylvio: omelete

Depois de denunciar "tentativa de homicídio" como decorrência  da chuva de ovos com que foi presenteado em comício, Flávio Bolsonaro recebe o apelido de "candidato omelete".    

Ilustração: Crisvector

O jogo do mercado com as apostas nas eleições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mercado-eleicoes.html 

Atolado na lama

Site revela escândalo envolvendo Flávio Bolsonaro, orgias, presentes caros e lobby
Reportagem do PlatôBR mostra relação de presidenciável com garotas de programa e situações nada republicanas durante o governo de seu pai, Jair Bolsonaro    
Priscila Lobregatte/Vermelho 

O senador e candidato a presidente, Flávio Bolsonaro (PL), tem muita sujeira sobre e sob seu tapete. E uma delas, certamente escondida com muito cuidado, acaba de vir à tona. Conforme revelado pelo site PlatôBR, o Zero 1 está envolto em situações nada republicanas e de moralidade bastante questionável para um homem público que tenta se vender como alguém ligado ao trinômio “Deus, Pátria e Família”.

A reportagem, assinada por Rodrigo Rangel, traz elementos — como texto, áudios, documentos e fotos — jogados no ventilador por seu amigo ex-sócio na chocolateria Alexandre Ferreira Dias Santini, após prejuízo tomado na empreitada. Depois de anos de amizade, veio a briga em torno da empresa, mas hoje, Dias Santini está de novo colado a Flávio.

O que veio à tona, no entanto, é bombástico. De orgias com garotas de programa a presentes caros dados a Flávio e lobbies junto ao governo de Jair Bolsonaro (PL), passando por situação envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal indicado pelo então presidente, Kássio Nunes Marques.

Com relação às festinhas com as garotas de programa, reveladas por Dias Santini à esposa de Flávio, Fernanda Bolsonaro, a matéria mostra que era o próprio sócio do senador “quem organizava vários desses convescotes, inclusive à custa do dinheiro que circulava com certa facilidade entre eles desde os tempos da sociedade na loja de chocolates – um dinheiro que, como mostraram as investigações do Ministério Público do Rio, depois arquivadas por decisão do Poder Judiciário, vinha das rachadinhas e de outras transações nebulosas”.

De acordo com a matéria, a revelação criou uma crise no casal em meio à campanha pela reeleição de Bolsonaro, o que teria gerado preocupações de que o escândalo viesse à tona naquele momento.

Também neste caso, aparece o nome do advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz — sim, aquele investigado nas fraudes no INSS e que era dono, junto com Daniel Vorcaro, do jatinho que foi usado pelo senador, além de ter sido companheiro de viagem de Flávio no safári na África do Sul. Tomaz representou Flávio na briga com Dias Santini.

O site publicou, ainda, um print de uma mensagem de Flávio ao ex-sócio dizendo: “Não sei o que vc está ganhando querendo destruir meu casamento e minha família, mas saiba que Deus te usou pra me fazer um pai, um marido e uma pessoa melhor. Me arrependi, de verdade, de muitas escolhas erradas que fiz na vida e não vou errar nunca mais com a minha família. Peço que se afaste definitivamente da Fernanda, não ligue mais, não procure mais, arrume outra dentista (…)”.

Lobby e “presentes”

A reportagem também traz elementos que mostram as relações entre Flávio, lobistas e figuras interessadas em fazer jogadas que lhes rendessem vantagens durante o governo de Jair Bolsonaro. Uma casa em Brasília era, inclusive, usada para encontros desse seleto grupo — e Flávio foi visto por lá com regularidade.

“As amizades eram de épocas distintas, mas os ‘parceiros’ de Flávio, com acesso facilitado a figuras de relevo do governo de Jair Bolsonaro, conviviam, participavam dos mesmos encontros, se ajudavam. Na pandemia de Covid-19, eles estreitaram contato, por exemplo, com os empresários que conseguiram fechar com o Ministério da Saúde um contrato bilionário, mais tarde cancelado por causa das evidências de irregularidades, para a compra da vacina indiana Covaxin”, diz o texto.

Dentre os amigos de Flávio estava o advogado Alan Belaciano (que já teve problemas com a Justiça por se apresentar como juiz). Ele foi responsável por “dar de presente” ao senador equipamentos de academia que somavam quase R$ 90 mil — para serem colocados na mansão de R$ 6 milhões comprada por Flávio em Brasília —, além de uma tevê de 75 polegadas. Mas, um de seus regalos mais caros foi um relógio Rolex, cuja nota fiscal indica o valor de R$ 305 mil.

Outro dado trazido é que Alexandre Dias Santini também era próximo de Fabrício Queiroz e do advogado Frederico Wassef. Diálogos entre Dias Santini e Wassef mostram, inclusive, as jogadas feitas pelo advogado para salvar a pele de Flávio no caos das rachadinhas e a ingratidão ele ele atribuía ao clã Bolsonaro. Além disso, conforme mostra a reportagem, “o ex- sócio (Dias Santini) era a ponte para o operador das rachadinhas (Queiroz) pedir dinheiro a Flávio”.

Quanto ao ministro Kássio Nunes Marques, a reportagem aponta que, em meio aos desentendimentos entre o ex-sócio e Flávio, numa mensagem em tom de ameaça enviada por Dias Santini a Flávio, o ex-sócio diz “ter a informação de que ele havia tratado diretamente com Kassio sobre interesses de um cliente que tinha um processo no gabinete do ministro. O caso seria tocado por Alan Belaciano – aquele amigo de Flávio que havia montado o bunker no Lago Sul, o mesmo que comprou o Rolex”.

Dias Santini escreveu: “Vou te passar apenas uma única informação que considero importante para vc. Vc falou diretamente com o Kassio Nunes e intermediou um cliente em um processo para tratarem disso. Vc é maluco ou inconsequente! Brasília não tem muros e seu amiguinho está sendo observado…”.

Não há mais detalhes sobre essa questão. O que se sabe, no entanto, é que Dias Santini e Flávio reataram sua relação — tão bem que o ex-sócio já se sente confortável para fazer campanha para o senador.

A mídia flerta com o desastre https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/informacoes-distorcidas.html

Humor de resistência

Aroeira

Flávio Bolsonaro quer entregar terras raras aos Estados Unidos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/entreguismo-sem-limites.html 

Arte é vida

 

Anthony Sims Jr

Fogo de monturo financeiro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/dica-de-leitura_01813434061.html 

Minha opinião

Debate da Globo não faz sentido 
Luciano Siqueira    

Apenas uma opinião de militante, simplesmente. Não tenho acesso direto ao comando nacional da campanha de Lula, nem é o próprio presidente, para tratar deste assunto. 

Minha opinião é que Lula não deva comparecer ao debate da TV Globo. 

Trata-se de um programa, digamos assim, rigorosamente planejado de modo não permitir a explicitação consistente das opiniões. 

Ao contrário, as regras restritivas possibilitam apenas o bate boca entre os participantes e, como vimos na campanha passada, agora novamente todos os demais candidatos comparecerão dispostos a atacar o presidente e não a expor suas propostas programáticas. 

Na eleição passada foi assim. Até um falso sacerdote teve a palavra para fazer provocações de toda espécie. 

A possível ausência de Lula agora contrariará os interesses da própria Rede Globo e dará azo a que Flávio Bolsonaro e demais candidatos da extrema direita se esgoelem na crítica ao presidente. 

Sem nenhuma importância ou qualquer influência sobre o curso da disputa nesta reta final.

Se houver um segundo turno - bom seria liquidar fatura já agora -, aí sim: um contra um e a mínima possibilidade de confrontar as ideias. 

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Fotografia

 

Priscilla Buhr

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html