Espanha, campeã do mundo
A equipe ficou com a bola, dominou toda a partida
Tostão/Folha de S. Paulo
A Espanha, com sua bela e eficiente maneira de jogar, ficou com a bola, dominou toda a partida, finalizou vinte vezes, criou cinco claras chances de gols e mereceu o título, com um gol marcado por Fernan Torres.
A Argentina não teve uma única finalização no tempo normal de jogo e apenas no final da prorrogação finalizou e criou uma oportunidade de marcar. Se a Espanha tivesse mais talento no ataque, poderia ter feito mais gols.
Lamine Yamal, o único lutador excepcional, teve uma atuação discreta.
A derrota ainda não terminou.
Ancelotti, por ser um treinador vitorioso, de prestígio mundial e europeu, como a maioria dos brasileiros queria, foi uma grande decepção. Ele não deixou de ser um excelente técnico. Embora tenha cometido alguns erros e a eliminação do Brasil tenha sido mais cedo do que nos Mundiais anteriores, o fato é mais uma demonstração da importância relativa dos treinadores.
Eles erraram e acertaram, pois o futebol está longe de ser uma ciência exata. Há muitos outros fatores envolvidos.
Muitas vezes, um grande momento, uma seleção, se forma de repente. Os jogadores completaram o campo com mais características do que os treinamentos. A primeira vez que joguei ao lado de Dirceu Lopes e Evaldo no Cruzeiro dos anos 60, parecia que jogávamos juntos há mil anos.
Evidentemente, o melhor é que um treinador de seleção tenha um bom ritmo para formar uma equipe com suas variações na escalação e na maneira de jogar.
Os tempos que atuam na Argentina são inferiores aos que tocam no Brasil. As duas seleções são formadas quase somente por atletas que atuam no exterior. Fora Messi, existe, mais ou menos, um equilíbrio técnico individual entre as duas escolhas. Porém, o jogo coletivo dos argentinos é muito melhor, menos na final contra a Espanha.
A Argentina preenche mais o meio-campo, troca mais passes e tem mais controle da bola e do jogo. Scaloni, que jogou na Espanha, bebeu na fonte dos espanhóis. Já no Brasil, há décadas, priorizou as estocadas, os lançamentos individuais, as bolas longas para as velocidades e hábeis pontas e atacantes. Faltam craques no meio-campo.
Muitas coisas precisam mudar no futebol brasileiro, fora e dentro de campo, principalmente, na formação de jogadores.
Não há mais lugar para dividir o meio-campo entre os volantes que marcam e os meias que atacam, os goleiros entre os que jogam bem com a mão e os que jogam bem com os pés, entre os zagueiros que defendem bem e os que têm bons passes, os laterais que marcam e os que avançam e entre os centroavantes fixos e os que se deslocam por todo o ataque, bisonhamente chamados de falsos 9. Os bons atletas, durante o mesmo jogo, obrigatoriamente ter mais de uma função em campo.
Os grandes problemas do país se estendem ao futebol. Nas últimas décadas, em vários governos, o Brasil tem sido incompetente para resolver ou atenuar bastante os graves problemas sociais, educacionais, de corrupção e de criminalidade. O mesmo acontece no futebol. amal, o único especialista excepcional teve uma atuação discreta.
Apesar das apostas, de Trump e da ganância da FIFA, a Copa do Mundo, no campo, foi espetacular, uma demonstração da evolução do futebol, com partidas lindas e emocionantes, um número recorde de gols e jogos com muita intensidade. Os participantes demonstraram grande capacidade de atacar e defender com muitos jogadores, de alternar a marcação mais recuada com a pressão para recuperar a bola, de acelerar e de pausar, no momento certo.
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