30 junho 2026

Editorial do 'Vermelho'

PCdoB propõe nova arrancada para o desenvolvimento
Propostas do PCdoB à campanha de Lula apontam que é hora de projetar o futuro de desenvolvimento soberano, democracia forte, valorização do trabalho e vida digna ao povo
Editorial/Vermelho   

Um conjunto de propostas intitulado Contribuição ao programa de campanha Lula presidente 2026 – rumos soberanos para uma nova arrancada do desenvolvimento resume o pensamento do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) para um eventual próximo governo progressista, prática que remonta às eleições de 1989 quando a esquerda se uniu na Frente Brasil Popular (PT, PSB e PCdoB), na primeira eleição presidencial depois da ditadura militar. Desde então, em todas as campanhas de Lula os comunistas apresentaram as suas propostas.

O documento atual indica que o êxito do atual governo é uma base sólida para o Brasil avançar. Diagnostica que o propósito de reconstrução nacional foi exitoso, tarefa proposta diante do cenário de terra arrasada deixado pelos governos da direita e extrema-direita, liderados por Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O país estava “profundamente fragilizado por uma fase regressiva”, afirma. “Nesse período, o Estado nacional sofreu um desmonte sem precedentes”, diz o texto, citando os exemplos da emenda do teto de gastos, a “autonomia” do Banco Central, a reforma trabalhista, o enfraquecimento do BNDES e da Petrobras, e a tentativa golpista de 8 de janeiro de 2023. Destaca também que o modelo de crescimento econômico atual é insuficiente e aproxima de seus limites. “Os incrementos econômicos e sociais seguem condicionados pelo regime macroeconômico vigente”, afirma. Frisa também que o regime fiscal garroteia o Estado e sufoca investimentos e políticas públicas.

De fato, o crescimento médio anual do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2002 e 2026 gira em torno de 2,1% a 2,2%, taxas consideradas muito aquém das necessidades e potencialidades do país. Um dos obstáculos que trava o enorme potencial de desenvolvimento do país é a elevada taxa básica de juros, a Selic, uma bola de chumbo atada ao tornozelo da produção imposta pela “ortodoxia” neoliberal do Banco Central “independente”, que gera exclusão social e baixa taxa de investimentos, medida pela Formação Bruta de Capital Fixo em relação ao PIB, desde 2014 estagnada entre 15% e 17%, depois de uma fase de alta, impulsionada pela expansão do crédito e grandes obras de infraestrutura. Daí que o documento aponta um conjunto de diretrizes para elevar a taxa de investimentos para dinamizar o crescimento.

O Brasil precisa de uma taxa de crescimento contínua, sustentável, condizente com o seu potencial, para prosseguir com a redução da pobreza. “O princípio orientador consiste em articular os objetivos de produtividade e competitividade com a melhoria efetiva das condições de vida da população”, afirma o documento. Inclusive com a ampliação de conquistas para os trabalhadores, como a atualização da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para abarcar amplas modalidades de trabalho.

O PCdoB propõe que, para abrir esse ciclo, é preciso superar obstáculos e vulnerabilidades, sobretudo o regime macroeconômico, formado pelo tripé que estabelece a arbitrária meta de inflação, atualmente em 3% ao ano, usada como pretexto para a imposição de juros elevados pelo Banco Central; câmbio flutuante, que gera incerteza para o comércio exterior e pressão inflacionária em caso de desvalorização da moeda nacional por ataques especulativos; e superávit primário, uma brutal transferência de recursos públicos destinados a gastos financeiros. O documento sublinha que a política de juros altos resulta em transferir “cerca de um trilhão de reais ao ano em recursos públicos para uma parcela reduzida da sociedade e para especuladores estrangeiros, ampliando a concentração de renda e poder.”

O rol de medidas proposto pelo documento para adequar o regime de política monetária para que a taxa básica de juros seja reduzida substancialmente inclui a ampliação do intervalo e prazo de cumprimento das metas de inflação e exclusão dos componentes mais voláteis do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O fomento ao pleno emprego e a volta da soberania do voto popular sobre a condução do Banco Central, que deve ser reintegrado à estrutura do Estado nacional, também precisam ser prioritários, afirma.

Outro ponto de destaque é a segurança pública, “que acomete, sobretudo, as classes populares”. “O rumo é fortalecer a Política Nacional de Segurança Pública assentada na constitucionalização e gestão eficaz de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com revisão e regulamentação dos deveres e competências dos entes federativos e dotação orçamentária para um Ministério próprio da área.”

Segundo o documento, o debate sobre reformas estruturais democráticas do Estado nacional é uma exigência que deve avançar no âmbito do governo e da sociedade. “Realizada a reconstrução institucional democrática e a recuperado do desmonte de políticas públicas econômicas e sociais, o próximo governo cria terreno para reunir forças e desencadear uma nova fase de crescimento econômico para levar a nação a um novo patamar civilizatório”, afirma.

O documento do PCdoB indica três vértices: um plano nacional de desenvolvimento que estabeleça, entre outras medidas, metas de crescimento econômico, mecanismos de financiamento e aperfeiçoamentos regulatórios; uma política sistêmica de reconfiguração produtiva e tecnológica; e a reindustrialização do país com a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), “o principal fator de transformação produtiva nas economias contemporâneas”, além de ser indispensável à soberania nacional.

Esses pressupostos, de acordo com texto, têm como núcleo “o papel estratégico do Estado nacional como agente de investimento, indução, planejamento e coordenação do desenvolvimento econômico, articulado com o aprofundamento democrático e a valorização do trabalho como motores do progresso”.

Ressalta também “o contexto geopolítico de transição para uma ordem internacional multipolar”. “Nesse cenário, os interesses estratégicos do Brasil tornam-se objeto de disputas crescentes, em razão de sua relevância regional, de seu protagonismo nos BRICS + e de sua inserção ativa nas articulações do Sul Global.”

Alerta que, em “resposta ao seu declínio relativo, o imperialismo estadunidense amplia sua pressão sobre a América Latina e outras regiões, buscando preservar sua posição dominante.” Ofensiva que ficou evidente na ingerência incisiva nas eleições presidenciais da Colômbia e também em outros países, como no Peru. E que já está um curso nas eleições do Brasil e tende a escalar

Todavia, o PCdoB interpreta que foram abertas oportunidades “pela emergência de novas coalizões no Sul Global, capazes de ampliar as alternativas de inserção internacional do Brasil e contribuir para a superação de sua situação semiperiférica nas cadeias globais de valor.”

Dessa leitura, indica-se que “o Brasil precisa consolidar um projeto soberano que lhe permita alcançar o status de pleno desenvolvimento, afirmar seus interesses nacionais, reduzir vulnerabilidades, retomar o fortalecimento da integração regional sul-americana. Enfim, fortalecer sua autonomia estratégica e o forte papel dissuasório necessário às Forças Armadas.”

Cláusula fundamental do plano nacional de desenvolvimento é elevar a qualidade vida do povo, nas dimensões material, cultural e espiritual, e acelerar a redução da desigualdade social. Esse objetivo se relaciona dialeticamente com o desenvolvimento. “Sem um novo e superior ciclo de crescimento econômico persistente não se projeta essa renovação de expectativas nem a ampliação dos direitos conquistados.”

“Soberania nacional e democracia robusta” formam um alicerce “para manter e ampliar as conquistas sociais do povo brasileiro, melhorar a vida das pessoas e conferir um horizonte de futuro mais próspero e definido”

Ao final do texto, o PCdoB destaca que o “momento histórico é de abrir um novo ciclo histórico de desenvolvimento nacional”. “Nosso Programa para um novo governo precisa conter essa possibilidade, construir uma vontade nacional e social nessa direção. Com um novo governo Lula, essa possibilidade está posta.”

Daí que o Partido, desde o seu 16º Congresso, realizado no final do ano passado, destaca a dimensão tático-estratégica da reeleição do presidente, uma vitória decisiva ao presente e futuro imediato do país, com forte impacto na América Latina e Caribe.

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O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html 

Postei nas redes

Vencemos o Japão e passamos adiante. Ótimo! Mas a seleção ainda está longe de se igualar às da França, Argentina, Espanha e Inglaterra. 

Como o povo brasileiro transformou o futebol em símbolo nacional https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/nosso-futebol-ja-foi-o-melhor.html 

Uma crônica de Abraham Sicsu

Turista também sofre
Abraham Sicsu    

Deslumbramento. O encontro com a natureza alucina, o verde das matas, as flores nativas, a fauna diversa, tudo belo, tudo para nos fazer entender que somos parte de um universo plural, multifacetado e harmonioso. Apenas parte que tem que respeitar o todo. Não sejamos auto centrados.

Os peixes, robalos, tainhas e serras, os camarões abertos na brasa, a paçoca de carne de sol, o vatapá sem dendê, o baião de dois, o degustar de pratos nativos com sabor mais que especial.

Dunas brancas em profusão, altíssimas ou baixas, areia fina que se move ao sabor do vento; lagunas, milhares, umas com águas límpidas e claras, outras verdes ou mesmo amarronzadas; rios e mares, paisagens indescritíveis. Os Lençóis Maranhenses se fazem presentes.

Contudo, sempre há um porém, turismo sempre traz fatos que podem incomodar. Nada que tire o mágico da viagem, o ecoturismo mais marcante que já fiz, narro apenas como divertimento, fatos exóticos registrados nesta viagem.

Duas horas de avião, quatro de carro. Uma viagem um pouco cansativa. A empolgação com o que viria faz passar celeremente. Saída de São Luís. Uns vinte quilômetros desastrosos. Com crateras “lunares” inimagináveis. Somente um piloto com grande experiência consegue enfrentá-las. Incompreensível que a saída da capital do Estado, com o fluxo maior e mais importante do turismo maranhense, esteja em situação tão deplorável.

Chegamos ao anoitecer. A fome bate. Indicam um restaurante na beira do rio, vista maravilhosa, comida boa. O problema, um teclado e um pretenso cantor. Desafinado, com falta de ritmo. Para disfarçar sua falta de aptidão, o som altíssimo e os berros estridentes. E ainda se cobra couvert dito artístico.

Uma pousada muito simpática. Bem cuidada, com artesanato local e vista bela. Os anfitriões educados e carinhosos. Nove da noite. Perto tem um arraial da prefeitura. Começam os espetáculos. Parece que o som está sendo gerado dentro dos quartos. Mesmo eu que sou um pouco surdo, escuto com nitidez. Vai até as três horas da manhã.

Um motorista-guia nos leva ao passeio. No primeiro dia. Simpático, mas com gosto um pouco estranho. Adora sertanejo brega. Durante todo o caminho, mais de duas horas, ida e volta, coloca essas “pérolas” musicais. Fico incomodado, mas, como ninguém reclama, quem sou eu para me rebelar.

O guia tem muitas certezas. Passamos numa “fazenda eólica”. Cerca de 180 aero geradores. Enorme. Afirma com convicção que a energia gerada, nem entra no Maranhão, vai toda para o exterior. Tento explicar que é colocada na rede elétrica. Verdade, o transformar de bauxita em alumínio consome muita energia que é exportada no produto final. Mas, ele insiste, não, ela é exportada assim que gerada. Só não sei como?

Os jornais publicaram. Atins é a sétima praia mais bela do mundo. Ansiosos, esperamos chegar lá. Uma praia enorme, sem vegetação, um mar nada diferente. Acho que disputou com São Paulo, Praia Grande ou Cidade Ocean, deve ter ganho na foto de chegada, por uma cabeça.

Voltando de um passeio resolvemos tomar banho em uma laguna. Deixamos as coisas no carro e vamos. Ao voltar, cadê o carro. Procuramos e nada de encontrar. Dez minutos de muita angústia. Até que outro motorista nos avisa que um carro tinha atolado, logo à frente, e o nosso motorista, numa atitude de solidariedade, tinha ido lá para ajudar na remoção. Muito justo, pena não nos ter avisado.

Um passeio lindíssimo é o do Rio Preguiça. As paisagens são inesquecíveis. Faz-se uma parada em Vassouras, para um banho de laguna e ver os macaquinhos da floresta. É a região deles. Pense numa muvuca. Uma multidão maior que a torcida do flamengo em dia de decisão de título. Mas, esse não é o único problema. Os bichinhos se aproximam vorazmente.

Querem comida e realmente atacam. Uma senhora obesa com uma bolsa e seu celular em punho se aproxima. Dois símios sobem em suas costas. Para salvar a bolsa quase cai e o celular deve ter ficado imprestável

Dois turistas japoneses, meio abestalhados, resolvem abrir um pacote de biscoito perto dos animais. Atacados, deixam cair no chão. O engraçado foi ver o líder dos macacos recolhendo o alimento para alimentação futura. São precavidos.

Por do sol na Lagoa Bonita. Maravilhoso. Quando se aproxima a hora, uma multidão vai se acomodando na duna mais alta para ver o espetáculo da natureza. Nosso guia nos orienta.

Todos estamos molhado do banho nas águas cristalinas das lagunas próximas. Acontece que um casal de idosos espanhóis, resolve não se sentar e se posiciona bem em frente à nós. Acho que não queriam melar seus flácidos bumbuns, nada atraentes. Os que me acompanham, para não arrumar confusão, mudam de lugar. Não aquentei e protestei. O homem saiu. A mulher ficou com cara de sonsa.

Como já disse nada disso tirou o brilho de uma região encantadora, mágica, do constatar a diversidade e harmonia da natureza. Se puderem, não percam. Pequenos fatos que permitem contar histórias pitorescas.  Vale a pena enfrentar qualquer descompasso. As imagens que ficarão na mente serão outras.

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Leia também: "Palavras muito mais do que palavras" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/pensar-e-dizer.html 

Sylvio: voto feminino

Ao afirmar que "mulher vota mal", o neto do ditador João Figueiredo e representante da extrema direita Paulo Figueiredo desnuda seu pensamento tosco e sua mentalidade tacanha. Quem vota mal é quem vota em candidato da extrema direita, sempre contra os interesses nacionais. 

Sylvio Belém  

Melhora socioeconômica reduz população nas classes D e E https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/boa-noticia.html 

Minha opinião

Nem uma coisa, nem outra 
Luciano Siqueira 

Você está enriquecendo ou apenas vendendo seu tempo — pergunta colunista do caderno de economia da Folha de S. Paulo.

Há uma diferença importante entre ganhar bem, ou melhorar a renda, e construir riqueza — segue argumentando. 

O alvo do dito cujo são executivos e detentores de cargos altamente especializados de grandes empresas. A sugestão de que invistam o que ganham para formar patrimônio. 

A leitura apenas me diverte. Eu mesmo nunca quis enriquecer, nem jamais prostituí meu tempo. 

Condições materiais básicas de subsistência me bastam. 

E ao tempo — como ensina Caetano Veloso — peço o prazer legítimo e o movimento preciso.

Imagino o desgaste desses executivos consumidos pela concorrência — entre empresas do mesmo ramo e entre eles mesmos na busca de ascensão. Para quê?

Igualmente a angústia dos que dizem não terem tempo para nada porque altamente remunerados em sua jornada de trabalho consumida pela competição e por angústias várias. 

Daí o privilégio de ser pobre e dedicar o principal do meu tempo à militância no PCdoB movida por ideais libertários. 

Dinheiro? Basta o essencial para um cotidiano sem privações e, se possível, com algum conforto. 

Tempo? O desafio é seguir uma agenda racional e eficiente cuja essência está em combinar os deveres da militância com a vida familiar. 

Simples assim. 

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Leia também: Há vida a milhões de anos luz? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/09/vida-milhoes-de-anos-luz.html 

Humor de resistência

 

Avila

Como a China contornou o tarifaço https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/china-x-estados-unidos.html 

Palavra de poeta

FINALMENTE
Paulo Sérgio Rosseto    

Dá-me um gole da tua dor
Para que a tornemos discreta
E se possível mais amena
Como se um menor torpor
Daquilo que a alimenta
A ambos significasse

É assim que o amor se completa

Estúpido é quem acredita
Que solidão plena letra por letra 
Serve apenas a insanos
E se cura aos pedaços

Como se não bastasse
Vivemos daquilo que sentimos
E de tal forma nos complementamos
Que mesmo que um de nós
Vá ali fora morrer
Depois finalmente conversamos

[Ilustração: Alexej von Jawlensky]

Planos a longo prazo, sim https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_4.html