06 agosto 2026

Minha opinião

O foco das grandes legendas e os desafios de João*
Luciano Siqueira    

O principal candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, penou para compor sua chapa (e alargar o tempo da propaganda eleitoral na TV e no rádio) e, rejeitado, terminou escolhendo um senador do sua cozinha para vice.

Fraqueza? Certamente.

Pelo menos por enquanto não exibe competência e força eleitoral para derrotar Lula. Índices relativamente altos que ainda ostenta em pesquisas tendem a encolher no transcorrer da campanha.

Há outra razão nada sub-reptícia: PP, PSD, Republicanos e Podemos — onde Flávio Bolsonaro pescou e frustrou-se — adotam uma espécie de neutralidade marota, que permite a seus candidatos ao parlamento liberdade plena para alianças locais que lhes favoreçam eleitoralmente. Inclusive a participação em composições comprometidas com a reeleição de Lula, como em Pernambuco, onde o Republicanos indicou o candidato a vice-governador. 

Tudo porque o chamado "presidencialismo de coalizão" perdeu força, dando ao parlamento federal poder jamais alcançado na história da República, através do sistema de emendas ao Orçamento em dimensão exagerada e questionável, produto do governo Bolsonaro. 

Em 2025, nada menos que R$ 31,5 bilhões do Orçamento foram executados através de emendas (individuais, de bancada e de comissão).

Mais: quanto maior a bancada na Câmara dos Deputados, mas volumosa a cota dos fundos partidário e eleitoral.

Ainda na mesma cena eleitoral, cá na província, desenha-se disputa pelo governo do Estado das mais renhidas. Por enquanto, segundo as pesquisas disponíveis, a governadora Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição, leva ligeira vantagem sobre o candidato da Frente Popular, João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife.

Mas há um fator que pode desequilibrar a peleja em favor de João: o vínculo explícito com Lula, que aqui deve suplantar por larga margem Flávio Bolsonaro e demais adversários.

Raquel faz no seu palanque uma composição de centro-direita, com a presença de notórios e estridentes bolsonaristas, não quer apoiar o candidato do PL e se obriga a uma suspeitosa neutralidade em relação ao pleito presidencial.

Porém, como se sabe, nem sempre a maioria do eleitorado vincula automaticamente as disputas pela presidência da República e pelo governo estadual.

João Campos tem não apenas que proclamar a sinergia com Lula, imas vincular suas propostas para Pernambuco com a plataforma que dá conteúdo à luta pela reeleição do presidente da República. Ou seja, um passo adiante na politização do seu discurso, excessivamente pautado pelas chamadas "entregas administrativas".

*Texto da minha coluna semanal no portal Vermelho

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Leia também: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html 

Postei nas redes

Manchete da Folha de S. Paulo: "Banco Central preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas". Que analistas? Todos agentes do sistema financeiro! 

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Futebol brasileiro em baixa

Campeonatos no Brasil vivem banalização da mediocridade
Ela tem a ver com os fracassos da seleção nacional e com as ações administrativas do nosso futebol. Carlo Ancelotti anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo estão fora; deveria haver outros
Tostão/Folha de S. Paulo     

 

Os últimos jogos da Copa do Brasil e do Brasileirão foram, na média, muito ruins, alguns em péssimos gramados, como o do Corinthians contra o Athletico Paranaense. Além disso, nas partidas, como é frequente no futebol brasileiro, houve muitos tumultos, reclamações, discussões, pressão sobre os árbitros e auxiliares, simulações. Nenhum árbitro do mundo é capaz de controlar tanta bagunça. Muitos gostam, dizem que é o futebol raiz, mais emocionante.

A banalização da mediocridade nos campeonatos nacionais tem a ver com os fracassos da seleção brasileira. Faz parte também do que acontece, há décadas, no país, com variados governos, que não conseguem diminuir a violência, a criminalidade, a corrupção, o enorme número de residências sem saneamento básico e tantas outras misérias que assolam o país. As ações no futebol e nos governos costumam ser paliativas, populistas, sem mudanças nas estruturas.

Carlo Ancelotti voltou ao Brasil e reconheceu que errou ao escalar Neymar durante o segundo tempo contra a Noruega. Ele, com toda a sua experiência e o seu conhecimento técnico, iludiu-se, como milhares de brasileiros, imaginando que Neymar, nos momentos difíceis, acharia uma solução mágica.

Faltou a Ancelotti reconhecer a ineficiência da estratégia de recuar para contra-atacar contra a Noruega, ainda mais acompanhada pela passividade de assistir aos noruegueses trocar passes e ficar com a bola, mesmo no campo do Brasil. Marcar mais atrás para contra-atacar é uma estratégia que poderia dar certo, desde que houvesse pressão intensa para recuperar a bola.

Na história do futebol, muitas equipes que não possuem bons laterais, mas que têm excelentes pontas, como a seleção brasileira, adotam com sucesso a formação tática com três zagueiros e dois pontas como alas. Guardiola já fez muito isso. O time fica mais ofensivo, ainda mais se marca mais à frente. O Palmeiras atual tem jogado com três zagueiros e dois alas, o ponta-direita Allan e o lateral esquerdo Piquerez bastante avançado, para aproveitar a velocidade e os excelentes cruzamentos.

O futebol brasileiro precisa melhorar dentro e fora de campo, em todas as atividades, especialmente na formação de jogadores. É necessário também mudar alguns conceitos. Rodri, que inicia as jogadas no próprio campo com precisos passes, além de ser ótimo na marcação, foi eleito o melhor jogador do Mundial. A escolha é discutível, mas ele foi merecidamente o melhor jogador da melhor seleção do mundo, sem fazer um gol e sem dar o último passe para o gol. No Brasil só valorizam quem faz gols ou dá o passe final para o gol.

Ancelotti anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo (o do Flamengo) estarão fora da próxima convocação. Deveria haver outros. É o início da renovação. Certamente, vários que estavam presentes no Mundial serão substituídos nos próximos anos.

A Uefa, formada por 55 países europeus, salvou o futebol, ao anunciar que não disputaria competições promovidas pela Fifa, como as Copas do Mundo masculina e feminina, se a entidade, como anunciara o presidente Infantino, vendesse o futebol para empresários. Outras federações apoiaram a Uefa, menos a sul-americana Conmebol, que não se manifestou.

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Lições da Espanha, campeã do mundo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/copa-do-mundo-espanha-no-podio.html 

Palavra de poeta

Rosa
Mariane Bigio     
O teu perfume, Rosa
é pérfido ao se inalar
faz minha nuca toda se eriçar
e lembro bem tua seiva nodosa

o carmesim do teu lábio em pétala
espinhos rígidos do excitar
quando o toque faz desabrochar
um botão de candidez perpétua

na terra-alma é que tu me fincas
e me revelas beija-flor no cio
de bico fino e voar bravio

o teu suor, orvalho, chuva, estio
néctar doce que me alimenta
pingo a pingo, unge, acalenta


[Ilustração: Joan Miró]

Leia também "Corações em série", poema de Micheliny Verunschk https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_0360602965.html 

05 agosto 2026

Minha opinião

Neutralidade insossa
Luciano Siqueira    

Impossível evitar que o acirrado conflito entre Lula e Flávio Bolsonaro – principal vertente da disputado presidencial – se reflita nos estados. Candidatura ao governo estadual são naturalmente arrastadas para um ou outro lado no transcorrer na disputa.

Em Pernambuco, como sempre. Aqui jamais se travou batalhas locais desconectadas da cena nacional. Nem mesmo na República Velha.

Daí a fragilidade da opção tática da governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição: sob o fogo cruzado da disputa nacional nenhuma neutralidade vinga.

Essa marca negativa prejudica inclusive os postulantes ao Senado na chapa da governadora.

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"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

Leia: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html 


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Pesquisa Genial/Quaest: Lula supera Flávio Bolsonaro por 39% a 30% no 1º turno e por 44% a 39% no 2º turno. Apenas uma tendência, porém um bom sinal. 

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html