01 novembro 2026

Meu diálogo digital

Nas redes, mas nem tanto
Luciano Siqueira     

Na fila do caixa aqui na padaria ao lado, uma jovem diz que acessa o meu blog praticamente todos os dias. 

Também me vê no Instagram. 

Trabalha com comunicação digital.

— Tenho a impressão de que o senhor está nas redes, como muita gente conhecida, mas sem disputar nada. 

— É verdade, o que eu deveria disputar? 

— Número de seguidores, por exemplo.

— Você está certa, isso me importa muito pouco. 

Explico: uso o Instagram e o WhatsApp quase que exclusivamente para conversar com as pessoas. Ouvi-las, sobretudo. 

Em toda a minha trajetória militante sempre prestei atenção às opiniões e aos atos de toda a gente com quem me relaciono — figuras públicas ou pessoas comuns.

Sempre de modo direto, olhos nos olhos.

Demorei a aderir aos meios digitais. Um pouco por preconceito, confesso; e também por me considerar incompetente, desajeitado.  

Fui entrando devagarinho. 

Tudo de maneira amadora, sem técnica apurada nem equipe de edição. 

Mesmo quando por algum tempo mantive um canal no YouTube https://www.youtube.com/@LucianoSiqueira65 .

O interrompi desde o momento em que percebi que o companheiro que me ajudava voluntariamente, editando minhas falas, o fazia no sacrifício. Às vezes até de madrugada. 

O blog https://lucianosiqueira.blogspot.com/ eu mantenho há 22 anos. É o meu carro chefe, como se dizia no século passado. 

Dialogo com as pessoas pelo WhatsApp e uso o Instagram instagram.com/lucianosiqueira65, o TikTok, Threads e o velho Facebook essencialmente para divulgar links para o Blog. 

Quantos são os meus seguidores no Instagram? Só olhando, pois nunca verifico. 

Apenas algo me frustra: a dificuldade de dialogar em tempo real com um monte de gente se comunica comigo pelo WhatsApp. Não dou conta. Estou sempre atrasado, mas felizmente, conto com a compreensão de toda a gente amiga.

O blog, sim. Confiro com relativa frequência o número de acessos diários, que não são tantos assim - comparando com os profissionais e com aqueles que sofregamente utilizam todo tipo de artifício para atrair leitores -, porém atinge uma média boa. Durante a recente campanha no segundo turno, entre 50 e 55.000 acessos diários.  

Aqui e acolá, um pico surpreendente, chegando até 138.975 acessos!

Por que?

Sinceramente, não sei.

Imagino que tenha a ver com fatos de grande interesse público momentâneo, como a fuga do candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Ou algo de semelhante importância.

E assim seguirei. 

Sequer tenho recursos para contratar gente tecnicamente capaz e se tivesse aplicaria em algo mais importante. 

Em outras palavras, não sou nem pretendo ser influencer.

Sigo nas ruas, na mesa do café e no bate-papo em nossas casas a militância de toda a vida; e, nas redes, dou minha modesta contribuição para esclarecer os fatos e alimentar a luta no âmbito das ideias.  

O mundo gira. Saiba mais https://lucianosiqueira.blogspot.com/    

De mal a pior

A se confirmar a derrota de Trump nos EUA, nas eleições parlamentares da próxima terça-feira, Flávio Bolsonaro estará mais frágil ainda em seu autoexílio em Miami.

A fuga do amarelão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/pusilanime-por-que-nao.html     

Leitura imprescindível

Referência teórica no tempo presente
Luciano Siqueira      

Não se trata de manual de instruções ou algo semelhante. Nem a fórmula mágica para elucidar os problemas táticos imediatos. Mas é uma leitura indispensável, sempre – especialmente em situações conjunturais complexas.

"Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" (publicado em 1920), de Vladimir Lênin, funciona como um “manual” de tática e estratégia política para o movimento transformador em suas variadas dimensões.

Isto despido de qualquer aplicação mecânica. 

A realidade está em constante movimento e as contradições de classe se apresentam de inúmeras formas no tempo histórico e segundo as particularidades de cada país.

Lênin parte da experiência revolucionária russa vitoriosa em 1917, que impôs, na prática, ilimitada habilidade tática em função da estratégia da conquista do poder.

Mutatis mutandi, como se diz, uma referência indispensável a quem aborde a situação conjuntural do país no âmbito do governo Lula 4.

Obviamente, não se trata de uma situação de ruptura revolucionária, mas exige a combinação consequente da amplitude das alianças com a mobilização do povo.

Toquei no assunto nos limites do texto curto da minha coluna semanal no portal ‘Vermelho’, reproduzida aqui no blog  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html

*

 ‘Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, Vladimir Lênin pode ser encontrado nas livrarias ou adquirido pela internet.

Leia também: “Subiu o sarrafo da luta política” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html  

Humor de resistência

 

Aroeira

Nota sobre a fuga e a carta de Flávio Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-do-pcdob_01902869678.html


Respaldo mundial

Vitória de Lula é reconhecida por 107 países e isola discurso bolsonarista
Levantamento do TSE registra manifestações de 107 países e 11 organismos internacionais, reforçando a legitimidade das urnas e a força da democracia brasileira.
Barbara Luz/Vermelho   

A vitória de Lula (PT) nas urnas também ecoou pelo mundo, impondo mais uma derrota à narrativa golpista do bolsonarismo. Até a quinta-feira (29), 107 países e 11 organismos multilaterais já haviam reconhecido oficialmente o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25).

Os dados do Painel de Acompanhamento de Manifestações Internacionais sobre os Resultados Eleitorais, desenvolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), evidenciam a ampla repercussão internacional da reeleição de Lula e reforçam a legitimidade da decisão soberana do povo brasileiro, que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu a continuidade do projeto democrático no país.

Entre os países que saudaram o resultado estão China, Rússia, Alemanha, França, Espanha, Canadá, Austrália, Portugal e Reino Unido. As manifestações partiram de governos com diferentes orientações políticas, demonstrando que o reconhecimento da decisão das urnas ultrapassa fronteiras ideológicas e interesses geopolíticos.

Reconhecimento internacional amplia isolamento da extrema direita

A repercussão também alcançou importantes organismos multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia, a Organização das Nações Unidas (ONU), a União Africana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Também integram o levantamento instituições como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A dimensão das manifestações representa um revés para o bolsonarismo, que construiu parte de sua narrativa política com ataques às instituições e questionamentos à confiabilidade das urnas eletrônicas. Enquanto setores da extrema direita tentam manter viva a narrativa de desconfiança, a comunidade internacional reconhece o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

Para a juíza Renata Gil, diretora de Assuntos Internacionais do TSE, a repercussão demonstra a credibilidade do sistema brasileiro. “O reconhecimento de mais de cem países e de quase uma dezena de instituições demonstra a credibilidade internacional em nosso sistema eleitoral e fortalece o trabalho que o TSE realiza de consolidação da democracia.”

A magistrada também destacou a participação popular como expressão da confiança dos brasileiros na Justiça Eleitoral.

Mais de 64 milhões de votos garantiram a vitória de Lula

O reconhecimento internacional se soma à força do resultado das urnas. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro. A diferença superior a 4,4 milhões de votos garantiu ao petista mais um mandato à frente do país.

A definição matemática da vitória ocorreu às 21h09 do domingo (25), demonstrando a agilidade da apuração brasileira. Mais de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas, com abstenção de 19,2%, inferior à registrada no primeiro turno.

O resultado reafirma a soberania popular e fortalece o Brasil no cenário internacional. Ao derrotar a extrema direita, o eleitorado também escolheu a continuidade de um projeto político comprometido com a democracia, a reconstrução nacional e o diálogo entre os povos.

A mensagem das urnas, agora repercutida em mais de cem países, é clara: Lula venceu, a democracia resistiu e a vontade do povo brasileiro deve ser respeitada.

A fuga das galinhas amarelas e o carcarejar do golpe https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/enio-lins-opina.html 

Palavra de poeta

Poema
Manoel de Barros    

A poesia está guardada nas palavras — é tudo que eu sei.
Meu fado é o de não saber quase tudo.
Sobre o nada eu tenho profundidades.
Não tenho conexões com a realidade.
Poderoso para mim não é aquele que descobre ouro.
Para mim poderoso é aquele que descobre as
insignificâncias (do mundo e as nossas).
Por essa pequena sentença me elogiaram de imbecil.
Fiquei emocionado e chorei.
Sou fraco para elogios.

[Ilustração: Istvánné Horváth]

Leia também "Tea For Two", poema de Julia de Carvalho Hansen https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta_0450305861.html 

31 outubro 2026

Para além das ruas

A vitória nas urnas, o futuro nas nossas mãos
Estudantes que ajudaram a eleger Lula querem ser protagonistas de um governo que escute os movimentos populares
Bianca Borges*/Liberta     

Bastou sair o resultado do primeiro turno para que as universidades entrassem em movimento. Ainda em 4 de outubro, a União Nacional dos Estudantes convocou assembleias por todo o país. No dia seguinte, a Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense (UFF) protagonizou a primeira das mobilizações. Auditórios lotaram, estudantes que nunca haviam participado do movimento estudantil se organizaram e, em poucos dias, as manifestações atravessaram os portões dos campi para ocupar as ruas, das capitais ao interior. Nascia o Tsunami da Esperança.

O movimento estudantil brasileiro sempre soube transformar a inquietação de uma geração em força nacional. Foi assim na campanha O Petróleo é Nosso, na resistência à ditadura, nas Diretas Já e com os caras-pintadas. Desta vez, quando muitos julgavam impossível a virada eleitoral, escolhemos não assistir à história de braços cruzados. A vitória de Lula demonstrou que a política não se resume ao cálculo das pesquisas: ela também se faz na coragem de organizar o povo e disputar o futuro.

Essa mobilização não termina nas urnas. Ela nos impõe a tarefa de transformar a energia da campanha em participação permanente. O quarto mandato de Lula terá diante de si um Congresso Nacional ainda mais conservador, uma extrema direita que não renunciou ao autoritarismo e enormes expectativas populares. Para defender a democracia e conquistar avanços, será preciso construir maiorias na sociedade, nas universidades, nos locais de trabalho e nas ruas. Um governo eleito pelo povo precisa ter o povo como sujeito das transformações que pretende realizar.

A juventude tem razões concretas para reconhecer o legado de Lula. Milhões de famílias viram o ensino superior deixar de ser um privilégio distante. Hoje, muitos estudantes são os primeiros de suas casas a chegar à universidade; outros são filhos de uma geração que também conquistou esse direito graças à expansão de vagas, às cotas, ao Prouni, ao Fies e à interiorização da rede federal. Mas reconhecer o que foi feito não significa aceitar que já fizemos o suficiente.

O primeiro compromisso do novo governo deve ser tornar a educação prioridade real do projeto nacional. A meta de investir 10% do PIB em educação pública, reafirmada no novo Plano Nacional de Educação, precisa sair do papel. Isso exige financiamento estável, valorização dos professores, infraestrutura, ciência, pesquisa e expansão com qualidade das universidades e dos institutos federais. Exige enfrentar a lógica que trata a educação como despesa a ser comprimida, em vez de investimento estratégico na capacidade de o Brasil decidir seu destino, assim como a lógica de mercantilização da educação a partir da ação de conglomerados com fins lucrativos e, muitas vezes, capital estrangeiro. A tecnologia e a Inteligência Artificial devem ampliar possibilidades pedagógicas, não servir de pretexto para precarizar o ensino.

Democratizar o acesso, entretanto, já não basta. É necessário garantir condições para permanecer e concluir os estudos. Alimentação, moradia, transporte, saúde mental e bolsas não podem ser soluções improvisadas. A Política Nacional de Assistência Estudantil precisa de recursos; um Pé-de-Meia Universitário e políticas de aluguel universitário podem mudar a vida de quem hoje precisa escolher entre estudar e pagar as contas. É indispensável proteger as cotas, enfrentar o endividamento estudantil e coibir taxas abusivas nas instituições privadas. Não há democratização verdadeira quando a porta da universidade se abre, mas as condições materiais empurram o estudante para fora, no que chamamos de exclusão adiada.

uventude trabalhadora

Essa agenda precisa olhar para a juventude trabalhadora. Para quem enfrenta jornadas exaustivas, longos deslocamentos e aulas noturnas, ter tempo para estudar não é detalhe: é condição para exercer um direito. Por isso, o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução salarial fazem parte da luta pela educação. O mesmo vale para a valorização dos estagiários, proposta pela UNE em projetos de lei que tramitam na Câmara e no Senado, com remuneração digna e proteção contra o uso do estágio como mão de obra barata. A tarifa zero no transporte e novas políticas de permanência devem integrar uma estratégia de inclusão que acompanhe o jovem fora da sala de aula.

A UNE também reivindica um horizonte mais ambicioso. Queremos universidades que formem profissionais, mas também produzam ciência, pensamento crítico, cultura e soluções para os problemas nacionais. A reindustrialização, a transição energética, a soberania tecnológica e o aproveitamento soberano dos minerais estratégicos precisam caminhar com o fortalecimento das instituições públicas de ensino e pesquisa. Um país que abdica de produzir conhecimento abdica de decidir sobre suas riquezas. Queremos educação comprometida com o desenvolvimento, a justiça social e a democracia, não subordinada exclusivamente às demandas imediatas do mercado.

Nada disso será possível apenas pela vontade do presidente. O resultado das eleições legislativas evidenciou a necessidade de disputar cada conquista com organização social, diálogo e pressão democrática. Os estudantes querem ter voz nas escolhas orçamentárias, na formulação das políticas educacionais e nas decisões estratégicas do país. Queremos participar não como plateia convocada nos momentos difíceis, mas como protagonistas de um governo que escute e construa com os movimentos populares.

O Tsunami da Esperança deixou uma lição: uma geração muitas vezes descrita como distante da política reencontrou, na ação coletiva, a capacidade de mudar os acontecimentos. O desafio é fazer dessa redescoberta uma força duradoura. A vitória nas urnas abriu uma possibilidade histórica; realizá-la dependerá do que formos capazes de conquistar juntos. Os estudantes que ajudaram a eleger Lula não querem apenas defender seu governo. Querem construir um Brasil em que estudar, trabalhar, viver com dignidade e participar das decisões nacionais sejam direitos de todos. A democracia que vencemos nas urnas precisa seguir viva nas ruas e produzir um futuro à altura da esperança que a tornou possível.

*Bianca Borges é presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE) 

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html