12 agosto 2026

Fragmentos

A carreata e o livro
Luciano Siqueira  

Tantas coisas fazemos na vida de um jeito em que as palavras ganham vida própria e as ideias, mesmo afastando-se um pouco da realidade, funcionam como fator de emulação em função do objetivo que se deseja atingir. A carreata de hoje, em Olinda, boa, certamente será considerada por todos ótima - porque precisamos que se assim seja, nessa reta final da campanha eleitoral. Mas poderia ter sido melhor, se o roteiro houvesse contemplado áreas onde as pessoas estão nas ruas...

Na apresentação do livreto “Trabalhador! Ocupa o teu posto!”, que reúne escritos de Cristiano Cordeiro, creio que acentuei demasiadamente as preocupações teóricas do autor e o significado da sua atitude militante na busca de um marxismo brasileiro. É a tentativa de vincar, em favor dos nossos objetivos maiores, a continuidade (que é real) do movimento que Cristiano ajudou a fundar em 1922 e que se corporificou no Partido. (Uma anotação minha de 6/9/98).

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Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html

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Beatriz Díez Lopez

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Cláudio Carraly opina

A Terceira Via Como Escada
E como esta se tornou linha auxiliar da extrema-direita
Cláudio Carraly*    

Há um incômodo silencioso que percorre os eventos da centro-direita brasileira quando um nome da extrema-direita surge nas conversas de bastidor. Não é repulsa, é apenas um leve constrangimento. No dia a dia, esse doce constrangimento se dissolve em abraços, palcos compartilhados e uma sintonia de alvos que torna irrelevante qualquer diferença programática alegada. A terceira via, esse projeto político que em tese se apresentaria como alternativa tanto à esquerda quanto à direita irascível, tornou-se na prática linha auxiliar da extrema-direita.

O fenômeno não é brasileiro, mas aqui adquiriu contornos bem particulares. Na Europa, a dinâmica se deu principalmente por absorção programática; aqui, a terceira via optou por uma estratégia de fragmentação aparente: muitas candidaturas, os mesmos palcos, um único adversário real. O que está em curso não é uma disputa entre projetos de país. É uma divisão tática de trabalho político cujo efeito principal é deslocar, gradual e inexoravelmente, os limites do aceitável.

Esta análise examina os mecanismos pelos quais a terceira via opera como dispositivo de normalização da extrema-direita. Não se trata de negar a existência de liberais democratas sinceros. Trata-se de observar que seu comportamento político concreto, independentemente das intenções declaradas, produz efeitos objetivos de legitimação do radicalismo autoritário.

O Caso Brasileiro: A Fragmentação Como Método

Desde 2018, a terceira via brasileira encontrou sua vocação: ser tudo aquilo que a extrema-direita não pode dizer em público. Enquanto o radicalismo vocaliza o que há de mais brutal no inconsciente das massas, a terceira via traduz esses impulsos para a linguagem dos editoriais, dos congressos empresariais, dos debates televisionados. Um mesmo conteúdo, a deslegitimação do adversário, a rejeição a qualquer projeto redistributivo, a hostilidade ao Estado como arena de disputa democrática, transita entre o grito e a análise técnica sem que a substância se altere.

No noticiário brasileiro, "terceira via" virou rótulo frouxo, aplicado a qualquer candidatura de partido de centrão, da mais tímida à mais próxima do bolsonarismo declarado. Esta análise usa o termo em sentido mais estrito. Não como etiqueta de imprensa, mas como categoria funcional: o papel que uma candidatura efetivamente desempenha na normalização do radicalismo, independentemente do nome que carrega. Uma candidatura pode ostentar o rótulo sem cumprir função alguma de escada; outra pode recusá-lo e cumpri-la à risca. O que importa, para os fins deste texto, não é o rótulo. É a função.

O que torna o caso brasileiro especialmente revelador é a desenvoltura com que essa chamada terceira via administra suas contradições. Quando questionada sobre a companhia que mantém, a resposta é sempre coreografada: minimizar o aliado incômodo como exagero retórico, relativizar a ameaça citando exemplos descontextualizados da esquerda, ou justificar a aliança como pragmatismo político, ou a abjeta defesa do chamado “mal menor”. A objeção mais sofisticada que essa coreografia produz merece ser enfrentada de frente, não descartada de passagem. Dizem seus arautos que é preciso opor à esquerda um projeto de poder capaz de vencer eleições, e que pureza ideológica não vence pleitos. O argumento seria respeitável se a história não tivesse já respondido a ele. Cada vez que a moderação apostou nessa coalizão ampla para vencer com o que se tem, ela não venceu a extrema-direita; foi vencida por ela. Realismo que sistematicamente perde não é realismo, é uma simples rendição com sotaque técnico.

A estratégia da fragmentação opera em frentes simultâneas e ganha nitidez quando se olha para nomes concretos da corrida presidencial de 2026 em vez de categorias abstratas. Romeu Zema ocupa o nicho do liberalismo econômico, construído sobre dois mandatos em Minas Gerais e um discurso anticorrupção dirigido quase inteiramente contra o PT. O mesmo Zema, porém, já anunciou que concederia indulto a Jair Bolsonaro e aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, já defendeu o impeachment de ministros do STF e evita, com cuidado calculado, qualquer crítica a Flávio Bolsonaro, seu concorrente à direita. Ronaldo Caiado ocupa o nicho do conservadorismo de gestão, o discurso do agronegócio pragmático e de uma segurança pública forte, com a ambiguidade necessária para não afastar o eleitor urbano nem o rural já radicalizado e logicamente sem críticas relevantes ao candidato do PL. Augusto Cury testa o rótulo mais explícito de terceira via, a promessa de despolarização. Ela foi lançada com a presença simbólica do governador Tarcísio de Freitas. Ele mesmo é lançado com a presença simbólica do governador Tarcísio de Freitas, ele mesmo um nome que cresceu na onda do bolsonarismo, do agronegócio e do empresariado liberal, sem jamais precisar escolher um campo. Renan Santos, fundador do Movimento Brasil Livre e um dos arquitetos do impeachment de Dilma Rousseff, testa a narrativa mais agressiva, aquela que embaralha de vez as fronteiras entre terceira via e radicalismo. Nenhum desses nomes precisa vencer a eleição para cumprir a função da escada. Sua utilidade está em ocupar espaço, normalizar vocabulário, fazer a manutenção do ambiente discursivo até que a extrema-direita retome o protagonismo e, lógico, atingir um único alvo: a candidatura do PT.

O efeito acumulado deste arranjo é um deslocamento imperceptível, mas constante. A cada nova etapa, o discurso da terceira via se parece mais com o da extrema-direita do ciclo anterior, enquanto a extrema-direita avança para territórios antes impensáveis e mais abjetos. O “centro” não se mantém; ele persegue a extrema-direita, ajudando-a a escalar e expandir seus próprios limites.

O Padrão Global: da Moderação à Absorção

O fenômeno não é invenção tropical. Na França, os Republicanos passaram anos convencidos de que poderiam conter Marine Le Pen mantendo-a à distância enquanto incorporavam seus temas: imigração como ameaça civilizacional, identidade nacional como trincheira, o Estado de direito como obstáculo. O resultado não foi a contenção do radicalismo, mas sua legitimação. Quando um ex-presidente de centro-direita repete os mesmos diagnósticos da extrema-direita, apenas com vocabulário mais polido, ele valida as premissas dela. A presença de Le Pen no segundo turno em 2017 e em 2022 era, depois disso, previsível.

Na Alemanha, o tabu do pós-guerra, jamais cooperar com a extrema-direita, vem sendo corroído não por confronto direto, mas por contaminação gradual. A CDU incorporou, em alguns estados, o vocabulário da AFD sobre imigração e segurança, acreditando que poderia recuperar eleitores oferecendo uma versão "responsável" do mesmo produto. O eleitor, confrontado com a cópia e o original, tende a preferir o original. A AfD cresceu. A CDU se fragmentou e diminuiu.

O caso americano é o mais didático por sua brutalidade. O Partido Republicano tentou usar Trump como veículo em 2016 e terminou completamente remodelado por ele. Paul Ryan e Mitch McConnell imaginaram que poderiam domesticar o radicalismo oferecendo-lhe institucionalidade em troca de votos. Em menos de uma década, foram devorados. Quem resistiu, como Romney, Cheney e Kinzinger, acabou expulso. À direita dos EUA, descobriu tarde demais que não estava usando a fera; era a escada dela.

A lição destes casos é brutal em sua simplicidade: a moderação que se propõe a conter o radicalismo, incorporando suas pautas, não o enfraquece. Ela constrói a estrada pela qual o extremismo de direita avança. Cada concessão discursiva, cada aliança pragmática, cada silêncio cúmplice diante do inaceitável não são gestos táticos. São degraus da escada.

A Mecânica da Escada

O processo pelo qual essa terceira via se torna linha auxiliar da extrema-direita segue uma sequência que, uma vez identificada, torna-se impossível de ignorar.

Começa pelo compartilhamento de ambientes. A direita tradicional aparece nos mesmos eventos, divide os mesmos palcos, frequenta os mesmos circuitos de financiamento que a extrema-direita. A simples presença conjunta envia um sinal: as diferenças são de grau, não de natureza. Não é preciso declarar aliança; basta estar junto. No Brasil, anos de aparições conjuntas em fóruns empresariais, manifestações e eventos conservadores construíram, por mera exposição repetida, a percepção de um campo político contínuo, e em pouco tempo deixou de ser apenas uma percepção para virar um fato.

Uma vez normalizados, os temas da extrema-direita passam a definir os termos do debate. A terceira via, que entrou no jogo acreditando que definiria a pauta, descobre-se reagindo a ela. Já não propõe; responde. Já não lidera; segue. O centro de gravidade do debate deslocou-se, e quem acreditava empurrar a extrema-direita para o centro descobre que foi puxado para a margem. No fim, resta apenas a irrelevância ou a canibalização. A terceira via enfrenta um dilema final: ou se torna irrelevante, superada pela "autenticidade" do radical que diz sem filtros o que ela apenas insinua, ou se funde completamente a ele, abandonando qualquer pretensão de diferença. Em ambos os casos, a escada cumpriu sua função. E agora já pode ser recolhida.

Então por que essa terceira via insiste em ser escada? Três fatores, nenhum deles acidental, explicam a recorrência deste padrão.

Há, antes de tudo, a convergência de interesses materiais. Terceira via e extrema-direita defendem, no essencial, a mesma estrutura de propriedade, a mesma hierarquia social, a mesma recusa à redistribuição. Suas diferenças são estéticas e retóricas. Quando confrontadas com uma ameaça real a esses fundamentos, como um governo de esquerda com projeto redistributivo, a estética torna-se detalhe descartável.

Há também o que se poderia chamar de síndrome do domesticador: a convicção, recorrente e sempre frustrada, de que a moderação pode domesticar o radicalismo, oferecendo-lhe respeitabilidade em troca de contenção. A história está pontuada de figuras que acreditaram nisso, de Hindenburg a Paul Ryan, e terminaram engolidas. A extrema-direita não busca respeitabilidade como fim; busca-a como meio. Uma vez obtida, avança.

E há, por fim, o fator mais profundo e menos confessável: o medo do popular. Para amplos setores dessa “terceira via”, a possibilidade de governos de esquerda com base popular, mesmo moderados e democráticos, é uma ameaça existencial que justifica qualquer aliança. Melhor o radicalismo autoritário que controla a multidão do que o socialismo que a organiza. Esta equação, raramente explicitada, é o verdadeiro programa político da terceira via contemporânea.

O Ecossistema Digital Como Acelerador

A transformação do ambiente comunicacional nas últimas duas décadas criou condições para que este processo se acelerasse dramaticamente. As plataformas digitais operam com algoritmos que recompensam o engajamento emocional sobre a precisão factual, arquitetura sob medida para o discurso radical. A extrema-direita, com seu talento para controvérsia e simplificação, domina este ambiente com naturalidade.

O que merece exame mais detido é o papel específico que a terceira via desempenha neste ecossistema. Não se trata apenas de desvantagem competitiva. Trata-se de uma divisão de trabalho na qual a moderação funciona como ponte entre o submundo digital e o debate público respeitável.

Observe-se o ciclo de vida de uma narrativa típica. Ela nasce em grupos fechados de mensageria, onde circula sem qualquer filtro. Dali migra para canais de extrema-direita em plataformas abertas, ganhando vocabulário político. O passo seguinte é o crucial: algum veículo ou influenciador da terceira via a recolhe, retira-lhe as arestas mais grotescas e a publica sob o formato de "análise preocupada" ou "debate necessário". Foi o que ocorreu com a tese do "ativismo judicial" como ameaça à democracia, gestada em grupos bolsonaristas durante os inquéritos do STF, que migrou para editoriais de veículos liberais até se tornar posição respeitável em seminários de direito constitucional. A mesma trajetória pode ser traçada nas narrativas sobre fraude eleitoral: o que em 2018 era delírio de grupos radicalizados, em 2022 já frequentava colunas de análise política sob o guarda-chuva do "aperfeiçoamento do sistema eleitoral".

As investigações sobre milícias digitais no Brasil, conduzidas pela Polícia Federal e examinadas pelo Supremo Tribunal Federal ao longo dos últimos anos, expuseram algo que deveria constranger a terceira via. A separação nítida entre "direita moderada" e "direita radical", que o debate público insiste em preservar, não resiste ao exame de quem financia o quê. Círculos empresariais que patrocinam candidaturas de centro-direita reaparecem, com frequência incômoda, entre os apoiadores de estruturas de desinformação bolsonaristas. Não há dois projetos com fronteiras claras. Há um ecossistema de poder com divisão de tarefas.

O resultado desta arquitetura é uma contaminação assimétrica. A extrema-direita fornece o conteúdo bruto; a terceira via fornece o selo de respeitabilidade. Ambas ganham: a primeira, acesso a públicos que jamais consumiriam seu conteúdo diretamente; a segunda, relevância algorítmica e conexão com bases mobilizadas. Quem perde é a possibilidade de um debate público assentado em premissas compartilhadas de realidade.

O Que a Terceira Via Torna Possível

As consequências desta dinâmica vão muito além do xadrez eleitoral de curto prazo.

Primeiro, o estreitamento do debate público. Quando a terceira via e a extrema-direita competem entre si para ver quem ocupa o território mais à direita, temas que afetam a vida concreta da maioria, salários, moradia, transporte, saúde, desaparecem da agenda. O debate político torna-se uma sucessão de pânicos morais e controvérsias identitárias que mobilizam afetos, mas não oferecem soluções.

Depois, a erosão institucional. A retórica antiinstitucional, quando repetida por figuras "respeitáveis" em versão moderada, prepara o terreno para ataques mais frontais. Questionar a confiabilidade das urnas em linguagem técnica é a versão palatável do que a extrema-direita fará em linguagem de motim. Uma vez rompido o consenso de que instituições são o terreno comum do jogo democrático, a escalada é questão de tempo.

E, ao final da cadeia, a normalização da violência política. Há uma linha que conecta a retórica de “combate ao inimigo”, mesmo proferida em ambientes elegantes, à violência política que eventualmente irrompe nas ruas. A terceira via acredita que pode acender o fósforo retórico sem se responsabilizar pelo incêndio. A crença é conveniente. A realidade é implacável.

Como Seria Uma Terceira Via Verdadeira?

Reconhecer o padrão é o primeiro passo. Mas é preciso ir além e perguntar que condições permitiriam à terceira via existir como força democrática autônoma, e não como linha auxiliar do radicalismo.

O requisito mínimo são cordões sanitários efetivos. A experiência belga e francesa demonstra que o compromisso de jamais formar coalizões com a extrema-direita, mantido com consistência ao longo de décadas, impede a normalização. Não se trata de sectarismo, mas de estabelecer que há linhas que, uma vez cruzadas, excluem o transgressor do jogo democrático. A terceira via, que não estabelece esta linha, está, na prática, negociando os termos de sua própria irrelevância.

O segundo requisito é a autonomia programática real. Uma terceira via que se define primariamente pelo que combate, e não pelo que propõe, já é linha auxiliar. É preciso construir agenda própria, que vá além da gestão competente do status quo e ofereça respostas às ansiedades que alimentam o radicalismo, insegurança econômica, desamparo social, crise de pertencimento, sem recorrer a bodes expiatórios.

O terceiro é a honestidade sobre os próprios aliados. A terceira via precisa decidir se está disposta a perder eleitores e financiadores que flertam com o autoritarismo. Enquanto a defesa da democracia estiver condicionada à conveniência eleitoral, ela não é defesa. É marketing. Defender a democracia custa caro; é da natureza dela que seus defensores paguem esse preço.

A terceira via brasileira, e, de modo mais amplo, a centro-direita liberal que se apresenta como alternativa civilizada, enfrenta uma escolha que definirá seu lugar na história. Pode persistir no papel de escada, oferecendo respeitabilidade a um projeto que despreza as regras do jogo democrático, ou pode romper com a cumplicidade tácita e construir-se como força autônoma.

A aposta atual, usar a extrema-direita como instrumento para derrotar a esquerda e depois contê-la, fracassou em todos os lugares onde foi tentada, inclusive aqui no Brasil. A extrema-direita não é instrumento de ninguém; ela que instrumentaliza. É um projeto de poder que usa seus aliados táticos com o mesmo desprezo que reserva a seus inimigos declarados. Cada degrau da escada acredita-se estratégico. Ao final, todos servem à mesma ascensão.

A história não pede juramentos. Pede que, na hora exata em que a fera pedir carona, alguém tenha a coragem de fechar a porta. Portanto, votar nessa chamada terceira via é a mesmíssima coisa que votar na extrema-direita, e quem o faz sabe exatamente o que está fazendo e, sem dúvidas, todos sabem com quem estarão no segundo turno das eleições.

Ilustração: George Saru

*Cláudio Carraly, advogado, ex-secretário executivo de Direitos Humanos de Pernambuco.

Celso Pinto de Melo: "Quando a vida ganhou um terceiro domínio" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/celso-pinto-de-melo-evolucao-da-ciencia.html 

11 agosto 2026

Palavra de poeta

Rondó da liberdade

Carlos Marighella    

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre…
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

[Ilustração: David Alfaro Siqueiros]

Leia também "A estrela da manhã", poema de Manuel Bandeira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-de-poeta_28.html 

Minha opinião

Fadado ao fracasso
Luciano Siqueira   

Em toda e qualquer luta a boa escolha do alvo a atingir para derrotar o adversário é indispensável. Pré-condição para o êxito. Quando se atira a esmo, o barulho é grande e a eficácia é mínima. 

Isso acontece nas grandes batalhas eleitorais, como agora pela presidência da República.

Um dos contendores, o senador carioca dito filho 01 do ex-presidente encarcerado, Flávio Bolsonaro (PL), carece de precisão quanto à percepção do seu verdadeiro adversário. 

Se é óbvio que se trata do presidente Lula, para o candidato da extrema direita não é. Daí ataques diários ao STF e ao ministro Alexandre de Moraes em particular. Atira a esmo e em termos rebaixados.

Programa de governo? Deve ter registrado em cartório uma peça com esse nome, como exige a lei eleitoral. Mas do conteúdo pouco se sabe e o próprio candidato o mantém sob uma espécie de preguiçoso sigilo. 

Na verdade, falta conteúdo para além do ódio e da fúria neofascista.

O registro vale como dado de realidade. Às forças do campo popular e democrático reunidas em torno do presidente Lula melhor que seja assim. 

Mais ainda quando parece que a peroração odiosa do candidato do PL se acentua a cada pesquisa divulgada, confirmando tendências pró Lula e o enfraquecendo. 

É como se todas as fichas do candidato sejam jogadas numa desejada (por ele) intervenção norte-americana sobre o processo eleitoral brasileiro. Nada mais.

Entreguismo exacerbado, complexo de vira-latas elevado à enésima potência! 

Do lado de cá, na luta pela reeleição do presidente Lula, melhor deixar o bolsonarista vociferando sozinho e sustentar discurso propositivo, acentuando as conquistas alcançadas e indicando proposições essenciais constantes da plataforma para o provável próximo governo. A defesa da soberania nacional sobretudo.

Responder ao ódio e a provocações na mesma medida levaria a nada. 

Abordar problemas e soluções no sentido de manter a nação num trilho progressista, vale muito. Sobretudo se formos capazes de explicitar ao eleitorado quais os verdadeiros obstáculos aos propósitos do atual governo Lula e provavelmente do próximo. 

Cotidianamente, a elite financeira o grande agronegócio exportador e os monopólios do varejo valem-se do aparato midiático dominante para desinformar e confundir, em oposição sistemática ao governo Lula e às suas ideias mais avançadas. 

Responder de modo eficaz e competente impõe-se como condição para a vitória. Desafio que impõe combinação equilibrada e eficiente da batalha de ideias pelos meios digitais e também nos salões e na base da sociedade, tendo como intuito esclarecer e mobilizar a maioria do eleitorado.

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Com Lula rumo a um Brasil soberano e desenvolvido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

Entreguismo e bolsonarismo são sinônimos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/enio-lins-opina_01988265509.html 

Dica de leitura

Trump, qual a saída?
Luciano Siqueira 

Diariamente, pela sua própria rede social e com repercussão da mídia em geral, Donald Trump coleciona declarações contraditórias acerca da guerra que move contra Irã. Oscila entre ameaças apocalípticas e apelo a um acordo de paz.

Contribui para compreender a postura pendular do governante norte-americano a entrevista concedida por Alastair Crooke a Chris Hedges, publicada no site Outras Palavras  https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/eua-ira-o-agressor-enrascado/ 

Anoto a ineficácia das ações militares e o esgotamento de recursos especificamente mobilizados pelos Estados Unidos para a agressão ao Irã. Em que pese o grande volume de mísseis e armamentos empregados nos ataques ao Irã, o impacto estratégico tem sido limitado. O arsenal de mísseis e a postura defensiva do Irã não foram significativamente alterados.

Na verdade, a descentralização defensiva promovida pelo Irã ao longo de décadas contrasta com a vulnerabilidade geopolítica e a concentração de infraestruturas estratégicas em Israel e nos países do Golfo.

Também se frustra a intenção norte-americana de desestabilizar o regime iraniano. O que se vê é o fortalecimento do sentimento nacionalista e o desejo de retaliação e vingança, produzindo a coesão interna.

Concomitantemente, mostram-se ineficazes e frágeis simplificações acerca de grupos como as forças do Hashad al-Shaabi no Iraque e os Houthis no Iêmen, fortalecidos em suas agendas próprias e identidades nacionalistas locais.

Demais, os Estados Unidos são instados a sopesar o risco de agravamento do conflito, que pode tornar a situação regional imprevisível e sem solução rápida ou simples.

Iustração Fraga

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Trump com poucas cartas na mão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fragilidades-de-trump-contra-ira.html