21 maio 2026

Palavra de poeta

lágrimas azuis
Cida Pedrosa     

quis esquecer a mulher que sou
que enfeitiça a noite
e cala o dia
quando teus olhos azuis
marejados de mar
feriram a punhal minha tarde.
 
quis esconder de ti
minha mochila de sonhos
onde guardo a velha saia
bordada de girândolas
quando teus olhos azuis
cheios de orvalho
vieram como lâmina
a fustigar-me a calma.
 
quis me guardar de ti
beber tua dor
sangrar em mim
ensandecer de amor
quando teus olhos azuis
azuis e nus
foram faca ferina
a encharcar-me a alma.

 
[Ilustração: Egon Schiele]

Leia também: "Mãos dadas", poema de Carlos Drummond de Andrade  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/palavra-de-poeta_11.html 

Postei nas redes

Flávio Bolsonaro não assinou 3 das 5 CPIs sobre o Master que poderia apoiar. Agora diz que é a favor sabendo que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foge de CPIs como o diabo foge da cruz. Pura encenação.

Pimenta nos olhos dos outros é refresco https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Enio Lins opina

Dark Horse: além de queda, coice – mas o perigo ainda galopa
Enio Lins      

MANCHETES DA MÍDIA IMPRESSA, na manhã de ontem, escritas no final do dia anterior – n’O Globo, Estadão, Folha, Estado de Minas, Zero Hora – destacaram o desatino de Flavito, o candidato do papai presidiário, ao desmentir a si próprio e assumir que visitou Vorcaro, o banqueiro-bandido, para reuniões reservadas depois do dono do Master ter sido preso.

MANCHETES NA MÍDIA ELETRÔNICA 
na manhã de ontem, atualizadas pela madrugada, vaticinavam que a candidatura de Flavito estava por um fio. O Globo dizia que o PL teria “dado 15 dias” para avaliar uma opção ao Irmão Metralha Zero-um; e o Estadão noticiava que candidatos bolsonaristas como Zema e Caiado usavam “estratégias distintas para explorar” as ligações íntimas do filho do Jair com o banqueiro do Jair.

ESSAS REPORTAGENS 
dão conta do torpedo explodido na campanha do Irmão Metralha Zero-Um. A divulgação de conversas entre Flavito e o banqueiro Vorcaro impactou negativamente a performance do filho do presidiário Jair, segundo pesquisa da Atlas/Bloomberg, numa queda de 6 pontos em relação à enquete anterior. Perder meia dúzia de pontos de uma hora para outra é, de fato, um baque da gota, podendo ser fatal para candidaturas frágeis, ocas, como a do primogênito do mito.

LEVANTAMENTO ANTERIOR
 da Atlas/Bloomberg, realizado em abril, antes do papo com Vorcaro vir a público, apresentava o Irmão Metralha Zero-Um empatado com o Presidente Lula. Num eventual segundo turno, o filho de Bolson4ro teria 41,8% do eleitorado contra 48,9% do Presidente Lula. Outro dado que abalou os apoiadores da familícia é o aumento da reprovação de Flavito, que alcançou 52% e se destaca como a maior entre os presidenciáveis. Corre-corre grande no muquifo dos bolson4ros.

NA CAVERNA DOS ALI-BOBÓ,
 bolsonaristas anti-Flavito estão em êxtase com a trincadura na casca do Zero-Um. Querem a vaga do mito júnior. Dona Micheque é só sorrisos e, entrevistada ao vivo num evento do PL em Brasília, não defendeu o enteado e respondeu na lata: “Tem de perguntar a ele”. Reportagem d’O Globo, em 13 de maio, logo depois da divulgação do colóquio, lista pancadas de bolsonarianos destacados: Romeu Zema (ex-governador de Minas Gerais) declarou “ouvir você [Flávio] cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem”; Ronaldo Caiado (ex-governador de Goiás) bradou que “Flávio deve responder aos questionamentos sobre o financiamento do filme e as relações com o dono do Master”; e um novo partido bolsonarista, chamado “Missão”, jogou mais pesado, declarando que “[Flávio] não tem condição moral de permanecer no Senado ou de ser candidato a Presidente do Brasil”. Fogo no cabaré!

MAS, JUSTIÇA SEJA FEITA, 
não existe novidade nenhuma na ligação íntima de Flávio Boson4ro com criminosos, como citado nesse espaço em mais de uma oportunidade. Zero-Um é o filho do mito com mais evidências de falcatruas, desde as rachadinhas milionárias em seus gabinetes, até sua participação na aquisição de 101 imóveis registrados em nome da familícia, passando pela inexplicável lucratividade de sua lojinha de chocolates. Flavito é do ramo. Sua habilidade é tamanha que mereceu reportagens recentes por ter quitado, em apenas três anos, entre 2021 e 2024, um financiamento de 30 anos contratado junto ao BRB para comprar sua mansão em Brasília, no valor de R$ 5,97 milhões. O cara é competente pra carvalho: antecipar 27 anos de prestações sem ganhar na loteria, nem receber herança milionária, é coisa para o livro de recordes do Vorcaro.

MAS, AO CAIR APENAS SEIS PONTOS
 depois de ser totalmente desmoralizado, mantendo 41,8% as intenções de voto num hipotético segundo turno presidencial, Flavito, o mito substituto, comprova um país infectado, vulnerável a bandidos da estirpe de Jair et caterva. É um desastre nacional que as pesquisas ainda não estudaram adequadamente.

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Extrema direita patina na lama https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_01219044875.html 

Humor de resistência

 

Cláudio

Jabuti não sobe em árvore https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Seleção brasileira

As certezas e as incertezas da seleção
Só os que não sabem nada têm certeza de tudo. São os craques que decidem e embelezam o Mundial
Tostão/Folha de S. Paulo   

anúncio dos 26 jogadores brasileiros que irão ao Mundial foi um espetáculo exagerado, comercial, desproporcional. Parecia a comemoração do título. As outras grandes seleções apenas informaram os convocados pela internet.

A única surpresa foi a ausência de João Pedro. Neymar ocupou o seu lugar, mas se esperava que João Pedro fosse o primeiro na lista dos centroavantes. Ancelotti afirmou que Neymar poderá ser titular, reserva, jogar poucos minutos ou todo o tempo das partidas. Vai depender do momento, dos treinamentos e dos jogos.

Ancelotti diz que Neymar será um atacante pelo centro. Não irá precisar voltar para marcar nem iniciar as jogadas no próprio campo, como faz Matheus Cunha. Neymar fará uma dupla com outro atacante ou será o jogador mais adiantado.

Ainda tenho dúvidas se os fatores positivos da presença de Neymar são maiores que os negativos. Tudo é incerto. Só os que não sabem nada têm certeza de tudo.

A seleção brasileira, por ter excelentes pontas e atacantes, hábeis, rápidos e dribladores, e não ter o hábito de ter craques no meio-campo para trocar passes e ter o domínio da bola e do jogo, deveria, ao enfrentar as grandes seleções, marcar de forma um pouco mais recuada para contra-atacar e aproveitar os espaços deixados nas costas dos defensores que avançam na marcação.

Gostei das convocações do goleiro Weverton e dos jovens Endrick e Rayan. Os dois atacantes já estão prontos para sere destaques nesta Copa.

Penso que Marlon, volante do Palmeiras, que não está nem na lista dos 55, deveria ter sido convocado e testado. Ele é alto, forte, se posiciona muito bem, marca bem e tem um ótimo passe, rápido e para a frente. O experiente Fabinho, convocado para reserva de Casemiro, joga na Arábia e quase ninguém vê. Como Casemiro, costuma levar muitos cartões, é importante ter um ótimo jogador para substituí-lo.

Na Copa do Mundo, veremos grandes craques, como Vini Jr. Raphinha, do Brasil, Vitinha, Cristiano Ronaldo e Bruno Fernades, de PortugalLamine Yamal, Pedri e Rodri, da EspanhaMbappé, Olise e Dembélé, da França, Rice e Kane, da InglaterraMessi e Alvarez, da Argentina, e muitos outros.

São os craques que decidem e embelezam o Mundial, desde que atuem em equipes organizadas.

Muitos grandes craques não foram campeões do mundo, como alguns da seleção brasileira de 1982 (Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e outros). Muito mais importante que o título, que as ações e que os discursos teatrais e midiáticos é o comportamento técnico, individual e coletivo durante a carreira.

Di Stéfano não foi campeão do mundo. Muitos argentinos acham que ele foi superior a Messi e Maradona. Meu pai dizia que Pelé era o melhor do mundo, mas que Di Stéfano era o único que brilhava de uma área à outra. Por causa das palavras do meu pai, tentei jogar no Cruzeiro de uma área à outra. Quando passava do meio-campo, estava exausto. Desisti de ser um Di Stéfano e contentei-me em ser o Tostão.

Durante a Copa do Mundo de 1994, eu estava na lanchonete do centro da imprensa quando um senhor mais velho pediu licença para se sentar ao meu lado. Ele disse que me conhecia da Copa de 70 e se apresentou: eu sou o Di Stéfano. Levei um susto, quase caí da cadeira. Batemos um bom papo sobre futebol. Lamentei depois não ter pedido um autógrafo para meu pai.

[Ilustração: Aldemir Martins]

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Mais vale um pássaro na mão do que dois voando https://lucianosiqueira.blogspot.com/

Minha opinião

O pomo da discórdia 
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65   

Óbvio que o senador Flávio Bolsonaro (PL) sofre um tremendo tombo e muitas escoriações em sua pretensa pré-candidatura à presidência da República.

Quanto mais nega ou tenta enganar a propósito de suas relações promíscuas com o banqueiro presidiário Daniel Vorcaro, mais se enfraquece, amarga dissensões em sua base social e política — sistema financeiro, agro, grandes denominações evangélicas, extrema direita e centro conservador. 

Natural que do lado de cá da ponta — o campo popular e progressista articulado em torno do presidente Lula — se explore o desastre do chamado filho 01 do ex-presidente encarcerado Bolsonaro.

Mas não está aí o leito principal do embate. É preciso avançar na afirmação das próprias proposições, sobretudo brandindo temas que a um só tempo nos distingue na extrema direita e contribui para a elevação do nível de consciência política do povo. 

A afirmação da ética e o combate à corrupção — a experiência tem comprovado — têm a sua importância, mas não está aí o pomo da discórdia. 
Tampouco a exaltação dos feitos do governo no que tange a políticas sociais compensatórias: Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida, Pé de Meia, etc. — que geram gratidão, mas não necessariamente consciência política. 

É preciso relacioná-las com proposições de natureza estratégica — reformas estruturais, afirmação da soberania nacional — assim como a denúncia dos maiores inimigos da nação e do povo: a elite financeira, o agro exportador, os monopólios varejistas, o complexo midiático neoliberal dominante. 

É possível num ambiente de correlação de forças muito difícil? Sim, tanto quanto necessário e indispensável. 

Em outras palavras, o "economicismo" governamental não basta; é preciso demarcar campos e incutir consciência política e clareza de objetivos. 

Isto a partir mesmo do discurso do presidente Lula e da contribuição própria do PCdoB e segmentos de esquerda mais avançados — seja na chamada campanha eleitoral corpo a corpo, no contato direto com os trabalhadores e o povo; seja no bom uso da comunicação digital. 

E é perfeitamente possível combinar o exercício da unidade da frente ampla com a afirmação da marca própria de cada corrente política. Feito o óleo e a água: juntos, porém distinguíveis a olho nu.

*Texto da minha coiluna semanal no portal ‘Vermelho’

[Imagem produzida em IA]

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O lugar do PCdoB na cena política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/partido-renovado-e-influente.html 

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"Nacionalizar" o debate na disputa pelo governo estadual precisa ir muito além da explicitação de quem apoia quem para presidente. Implica em posicionamento sobre os destinos do país. Com todas as letras, sem subterfúgio.

Quem apenas espera às vezes cansa https://lucianosiqueira.blogspot.com/