Flávio Bolsonaro contra os trabalhadores
Luciano Siqueira
Pouco se fala sobre o programa de
governo do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro (PL). O advogado
trabalhista e sindical Ronaldo
Tamberlini Pagotto lança luz sobre o tema em bom artigo https://outraspalavras.net/trabalhoeprecariado/oque-flavio-bolsonaro-propoe-aos-trabalhadores/
publicado no site Outras Palavras.
O autor destrincha as diretrizes da
candidatura de Flávio Bolsonaro
, denunciando que suas propostas representam séria ameaça aos direitos dos
trabalhadores, à Previdência, ao funcionalismo público e às organizações
sindicais.
Há um claro
estímulo à "pejotização" e ao
trabalho por aplicativos, reduzindo o emprego formal, com registro via
CLT, a uma faixa minoritária.
Concomitantemente, ameaça as instituições de proteção trabalhista,
sugerindo o enfraquecimento (ou extinção) da Justiça do Trabalho e do Ministério
Público do Trabalho (MPT) negando ao trabalhador instâncias de mediação
e defesa contra abusos patrões e formas degradantes de trabalho.
Sob a égide de “política
fiscal”, defende uma política de cortes profundos de gastos públicos, atingindo
diretamente o funcionalismo público por meio do enxugamento da máquina pública,
da redução de ministérios, das privatizações e da falta de garantias quanto à
estabilidade das carreiras; comprometendo seriamente a prestação de serviços
essenciais à população (como saúde e educação).
Propõe o congelamento do ganho
real das aposentadorias e pensões do INSS, corroendo silenciosamente o poder de
compra dos aposentados ao longo do tempo.
Mais: sugere
transformar a aposentadoria pública em apenas uma renda básica complementar,
empurrando a população de maior renda para fundos de previdência privada.
Em conexão com
tamanha redução de direitos, o combate às
organizações sindicais, consideradas “obstáculos aos representantes legítimos da categoria
trabalhadora”.
Nessa mesma linha, propõe a eliminação da participação de
entidades de classe na gestão colegiada de órgãos como o INSS, atualizando-a
por uma gestão exclusivamente corporativa/patronal.
O programa de Flávio Bolsonaro,
portanto, tenta uma reestruturação da economia e da sociedade sob a lógica da
desregulamentação radical em todas as esferas.
Pagotto conclui que esse modelo
aprofunda a desigualdade, precariza as condições de subsistência da classe
trabalhadora e coloca o país em uma posição de subalternidade primária-exportadora.
Leia também: O jornalismo econômico troca o debate plural pelo consenso do mercado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/midia-pro-mercado.html





