29 agosto 2026

Postei nas redes

Como a maior roda-gigante da América Latina viajou de barco da China para parque no Brasil? Deve ter sido desmontada em muitas peças, claro. Não me interessa. Estou concentrado da batalha eleitoral que pesa sobre o futuro imediato do Brasil. 

A política no posto de comando https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0656605756.html

28 agosto 2026

Palavra de poeta

O povo ao poder
Castro Alves     

Quando nas praças s’eleva
Do Povo a sublime voz…
Um raio ilumina a treva
O Cristo assombra o algoz…
Que o gigante da calçada
De pé sobre a barrica
Desgrenhado, enorme, nu
Em Roma é catão ou Mário,
É Jesus sobre o Calvário,
É Garibaldi ou Kosshut.
A praça! A praça é do povo
Como o céu é do condor
É o antro onde a liberdade
Cria águias em seu calor!
Senhor!… pois quereis a praça?
Desgraçada a populaça
Só tem a rua seu…
Ninguém vos rouba os castelos
Tendes palácios tão belos…
Deixai a terra ao Anteu.
Na tortura, na fogueira…
Nas tocas da inquisição
Chiava o ferro na carne
Porém gritava a aflição.
Pois bem…nest’hora poluta
Nós bebemos a cicuta
Sufocados no estertor;
Deixai-nos soltar um grito
Que topando no infinito
Talvez desperte o Senhor.
A palavra! Vós roubais-la

Aos lábios da multidão
Dizeis, senhores, à lava
Que não rompa do vulcão.
Mas qu’infâmia! Ai, velha Roma,
Ai cidade de Vendoma,
Ai mundos de cem heróis,
Dizei, cidades de pedra,
Onde a liberdade medra
Do porvir aos arrebóis.
Dizei, quando a voz dos Gracos
Tapou a destra da lei?
Onde a toga tribunícia
Foi calcada aos pés do rei?
Fala, soberba Inglaterra,
Do sul ao teu pobre irmão;
Dos teus tribunos que é feito?
Tu guarda-os no largo peito
Não no lodo da prisão.
No entanto em sombras tremendas
Descansa extinta a nação
Fria e treda como o morto.
E vós, que sentis-lhes os pulso
Apenas tremer convulso
Nas extremas contorções…
Não deixais que o filho louco
Grite “oh! Mãe, descansa um pouco
Sobre os nossos corações”.
Mas embalde… Que o direito
Não é pasto de punhal.
Nem a patas de cavalos
Se faz um crime legal…
Ah! Não há muitos setembros,
Da plebe doem os membros
No chicote do poder,
E o momento é malfadado
Quando o povo ensangüentado
Diz: já não posso sofrer.
Pois bem! Nós que caminhamos
Do futuro para a luz,
Nós que o Calvário escalamos
Levando nos ombros a cruz,
Que do presente no escuro
Só temos fé no futuro,
Como alvorada do bem,
Como Laocoonte esmagado
Morreremos coroado
Erguendo os olhos além.
Irmão da terra da América,
Filhos do solo da cruz,
Erguei as frontes altivas,
Bebei torrentes de luz…
Ai! Soberba populaça,

Dos nossos velhos Catões,
Lançai um protesto, ó povo,
Protesto que o mundo novo
Manda aos tronos e às nações.

[Ilustração: David Alfaro Siqueiros]

A política no posto de comando https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0656605756.html 

Humor de resistência

Maringoni

"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html  

Postei nas redes

Flávio Bolsonaro na Globo, hoje, entre a incompetência e a tergiversação: nada responde e quando ensaia uma ofensiva escorrega na lama. 

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Minha opinião

Para além do nosso quintal
Luciano Siqueira      

O amigo, a quem dou carona, escuta no som do carro notícia sobre desastres climáticos e sentencia:

- Os pobres é que sofrem.

- Não apenas os pobres, retruquei.

- Por que não?

Vi-me dissertando sobre o assunto:

Caso da Europa, por exemplo. O calor extremo tem feito estragos quase incalculáveis e não consta que naquela região vivam apenas pobres. Ao contrário, uma população bem aquinhoada se comparada ao que outrora chamávamos “terceiro mundo” ostenta tremenda disparidade.

Mais: a “calamidade” europeia ocorre sobretudo no desempenho da economia, não necessariamente atingindo as pessoas individualmente. O PIB da União Europeia agora estimado se compara à estagnação. Quanto mais se prolonga o ciclo de temperatura elevada, maior o prejuízo econômico.

Acrescente-se que a queda da produção agrícola tem tudo a ver com a temperatura ambiente inclemente e convive com a sobrecarga acentuada das redes elétricas pela extraordinária operação de equipamentos de refrigeração ambiente; e a retração expressiva da produção industrial.

Nesse cenário, o Velho Mundo, tão atrativo para turistas dos cinco continentes, também amarga a retração acentuada de visitantes.

Em outras palavras, até os privilégios de classe e as benesses próprias de países capitalistas desenvolvidos são duramente afetados por essa espécie de “insurreição climática”.

- Tem razão, acedeu o amigo. É que costumo prestar atenção quase que só ao desastre climático em regiões mais pobres.

- Pois é, vivemos uma espécie de democratização da tragédia, acrescentei.

É no que dá essa mania de enxergar para além do nosso quintal...

A crise global de alimentos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/crise-alimentar-global.html 

Arte é vida

 

John Philip Falter

"Destino esquisito" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0446993612.html 

Entrevista da Globo

Altivo, Lula enfrenta emboscada e se sai bem em sabatina da Globo
Ao término do interrogatório, ficou evidente o contraste entre a obsessão da grande mídia pela intriga e a determinação de um projeto popular focado na reconstrução do País
André Cintra/Vermelho   

Como sabemos, as tradicionais sabatinas da TV Globo com presidenciáveis, realizadas desde 2002 – preferencialmente no Jornal Nacional (JN) –, são uma farsa. Os apresentadores escalados para a entrevista trocam o jornalismo pela inquisição. O interesse público é posto de lado em nome da estratégia de constranger o entrevistado, numa espécie de jornalismo de emboscada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sabia dessa armadilha e se saiu bem, nesta quinta-feira (27), ao participar da sabatina com César Tralli e Renata Vasconcellos, apresentadores do JN. Lula não passou recibo. Tanto que, quando informaram que a sabatina sairia de escândalos (não comprovados) de corrupção para temas do governo, o presidente soltou uma ironia: “Parecia que eu estava no Ministério Público”.

Conforme esperado, Tralli começou a sabatina trazendo à tona acusações decorrentes de vazamentos ilegais contra Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente, e a empresária Roberta Luchsinger. A grande mídia os chama, respectivamente, de “Lulinha” e “lobista”, termos que nem Fábio nem Roberta usam. “Não tem acusações. São ilações, ilações e ilações, tiradas de telefonema”, lembrou Lula.

“Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, disse o presidente. “Ele não será protegido por ser meu filho. Portanto, ele sabe o que fazer: ele tem que provar a inocência dele – e eu tenho certeza de que ele vai ser inocente.” Mesmo depois da resposta de Lula, a Globo insistiu por mais de 15 minutos numa sequência de acusações e suspeitas que buscavam estabelecer uma associação direta entre supostos escândalos e o presidente.

Quando Tralli tentou emplacar a tese da “fila do INSS”, estimada pela Globo em 1,3 milhão de pessoas – sem apontar a fonte –, Lula rebateu: “A espera de 45 dias vai estar apenas em 250 mil pessoas, o que é o normal. Eu te convido, Tralli, para o ato em que a gente vai comemorar com os aposentados”.

No papel de porta-voz do mercado, a Globo também procurou acossar Lula sobre a dívida pública, na faixa de 82% do PIB. Lula engatou três argumentos contundentes contra a emissora: “Fui o único presidente do Brasil que fez superávit primário durante oito anos”; “vocês defenderam a vida inteira o Banco Central independente”; “se tem aqui neste país que tem responsabilidade fiscal, sou eu”.

O presidente recordou que o governo Jair Bolsonaro (PL) deixou um rombo de R$ 94 bilhões, combatido com a chamada “PEC da Transição”. Além disso, ante a cobrança de um ajuste fiscal, Lula retrucou: “Meu estabelecimento é fazer este país crescer”. Ele disse que já acabou duas vezes com a fome no Brasil e enfrentou um país “destruído” após a gestão Bolsonaro.

Lula afirmou que os Correios não se adaptaram às mudanças de paradigma. “Surgiu muita empresa de entrega, e os Correios ficaram na mesmice”, declarou. Mas ele descartou a venda da estatal: “Não considero vender, (mas) considero recuperar os Correios para prestar serviços de qualidade ao povo brasileiro.”

Quando a sabatina entrou numa questão mais relevante e tratou de educação, Lula deitou e rolou. Ele disse que foi o presidente que “mais pôs aluno em escola em tempo integral”, além de ter criado o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) e o Pé-de-Meia. Segundo Lula, dos 800 institutos federais no Brasil, 80% foram criados sob os governos dele e de Dilma Rousseff. A população com diploma universitário saltou de 5 milhões em 2002 para 25 milhões hoje.

Ao término do interrogatório, ficou evidente o contraste entre a obsessão da grande mídia pela intriga e a determinação de um projeto popular focado na reconstrução do País. Durante boa parte do tempo, Tralli e Renata tentaram empurrar o presidente para o banco dos réus, como se a entrevista fosse a extensão de um inquérito. Mas Lula não aceitou o papel que lhe reservaram e transformou o interrogatório em vitrine de seu legado.

Lula provou que não se intimida com o jornalismo de tribunal e que tem legado, números e autoridade moral para apresentar ao povo brasileiro. A tentativa de emparedar o presidente naufragou. O que se viu na tela da Globo foi um líder altivo, pronto para defender as conquistas do seu governo e seguir avançando na transformação social do Brasil, respondendo às provocações e às acusações. Lula tinha o que defender, o que comparar e, sobretudo, um projeto para apresentar.

A política no posto de comando https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0656605756.html