24 outubro 2026

Minha opinião

Para além do debate da Globo
Luciano Siqueira       

Observadores de diversas tendências, inclusive do sistema Globo de comunicação, consideram que Lula venceu o debate de ontem. 

Dão inclusive notas para os contendores, considerando os diversos momentos do embate. 

Que assim seja, mas é terrível que um presidente da República com a trajetória pessoal e política de Lula ter que se submeter a um confronto com adversário tão desqualificado. 

Tal como no debate da Band, o candidato da extrema direita pouco entrou no mérito das questões em discussão; prefere produzir frases de efeito diante da câmera, para uso posterior nas redes digitais, em adulteração do que terá sido o debate. 

Debate, no caso, é mais força de expressão. 

Enquanto o presidente Lula se esforçou para justificar feitos e mesmo insuficiências do seu governo, numa espécie de prestação de contas ao telespectador, o oponente provocou o tempo todo. 

Tudo em nível tão rebaixado, que chegou ao absurdo de se referir de modo irônico e depreciativo ao fato de que Lula não tem o dedo mínimo de uma das mãos!

Como o próprio Presidente relembrou e a nação inteira sabe, ele perdeu o dedo na linha de produção quando operário metalúrgico. 

Hoje, rigorosamente até meia-noite, a campanha pela reeleição do presidente deve elevar mais ainda o nível das manifestações populares, nas capitais e cidades polos e mesmo em municípios menores, como tem acontecido.

Concomitantemente, nas redes digitais intensifica-se a difusão de depoimentos em favor de Lula de personalidades conhecidas e de gente simples do povo dos mais diversos segmentos da sociedade. 

Para muito além do debate de ontem, a força do povo nas redes e nas ruas há se traduzir nas urnas.

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

23 outubro 2026

Palavra de poeta

Ser certo é ser torto
Adalberto Monteiro       

No cerrado ser certo
É ser torto.
Aleijado é ser ereto.
É uma questão de gosto.
Em vez da reta, do traçado masculino,
Ele tem as curvas
Do corpo feminino.

O cerrado não inveja as garbosas florestas.
Por que árvores altas se em vez de girafas
Ele tem tamanduás, antas e pebas?

No Japão,
Para explicar o que é o cerrado,
Basta dizer na palestra:
— É uma floresta… de bonzais.

Para se ver longe
Não é preciso ser alto
Já se nasceu no Planalto.

O cerrado bebe água e fogo.
Suas raízes sugam as pedras.
O cerrado é forte nada teme,
Exceto o câncer das motos-serra.

O cerrado é a casa das águas,
É onde os rios escolheram para nascer.
Ele está sendo morto.
E se ele morre, as águas falecem,
E a vida perece.

No cume do Planalto
As estrelas são uvas
Colhidas com as mãos.

— Pegue um balde, suba a Chapada
E ordenhe a Via-Láctea.

[Ilustração: Bosco Rolemberg]

Leia também: "Os Estatutos do Homem", poema de Thiago de Melo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta_01969725833.html 

Quando dezembro vier

ONU julgará vínculos de Flávio Bolsonaro com milícias. Documentos obtidos pelo ICL Notícias revelam conteúdo da denúncia que será examinada pela ONU, em dezembro em Genebra; caso envolve morte de Ana Clara, de 5 anos de idade.

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html


Minha opinião

Duvidosa precisão milimétrica 
Luciano Siqueira      

Tudo bem, pesquisas eleitorais são úteis — sobretudo quando realizadas por institutos especializados de comprovada credibilidade. 

Amostragens bem avaliadas revelam tendências. 

Mas não podem ser consideradas de precisão milimétrica, como certos analistas o fazem, sendo eles apenas observadores da cena política ou mesmo pesquisadores. 

Em outubro de 2024, confiado nas pesquisas, Aécio Neves convocou lideranças aliadas de todo o Brasil para acompanharem  com ele a apuração. 

Estava convicto da vitória.

Perdeu. 

Ou seja, entre a data da última pesquisa e a boca da urna fatores diversos levaram água para o moinho da presidenta Dilma Rousseff, reeleita na ocasião. 

Cá com meus modestíssimos botões, tenho a impressão de que nas pesquisas de agora, na reta final da peleja, as manifestações populares que pipocam em todo o país, nas capitais e pelo interior afora, não estão sendo devidamente captadas. 

É esperar o domingo para ver.

As ruas, as redes e o almoço do domingo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02010278885.html 

No ring

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), concedeu nesta sexta-feira (23) uma liminar que impede o presidente da Corte, Kassio Nunes Marques, de determinar administrativamente uma nova suspensão do canal de WhatsApp “Exército do Lula”.   

Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/em-defesa-da-democracia.html  

Dica de leitura

A mídia e Lula    

O experiente jornalista, crítico do monopólio midiático neoliberal, faz considerações válidas e oportunas acerca da relação mídia x Lula em artigo publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/coluna-economica/xadrez-da-grande-maratona-entre-a-midia-e-lula-por-luis-nassif/

Ele considera que a maxidesvalorização do real, em 1999, esgotou o modelo econômico neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, gerando aumento da miséria e criando espaço para uma política alternativa sólida, consolidada na liderança de Lula.

Na mesma época, os grandes jornais e revistas viveram seu período de maior rentabilidade financeira e influência política, controlando o mercado publicitário tradicional. Mas com a consolidação das grandes plataformas digitais (Google, Meta, Amazon) e do e-commerce, o bolo publicitário migrou para as Big Techs e para influenciadores digitais.

Diante da fragilização financeira, a mídia corporativa desenvolveu uma postura de aberta oposição política para tentar manter sua influência.

Hoje, segundo Nassif, a grande imprensa tradicional "respira por aparelhos" porque perdeu a capacidade de entender seu público-alvo.

Em contraposição, a trajetória de Lula, que superou a prisão e os desgastes promovidos pelas articulações entre setores da mídia, do judiciário e do meio político, tornou-se símbolo global de resistência e reversão do autoritarismo no mundo, acompanhado com atenção por outros países.

(LS)

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Fotografia

 

Luciano Siqueira

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