18 agosto 2026

Boa notícia

Brasil amplia exportações e projeta superávit recorde, apesar de Trump
Revisão mostra força das exportações brasileiras, sobretudo de petróleo e soja, apesar do tarifaço de Trump e da retração das vendas aos Estados Unidos
Cezar Xavier/Vermelho 
 

A balança comercial brasileira pode terminar 2026 com um resultado ainda mais expressivo do que se imaginava. A Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) revisou para US$ 94 bilhões sua projeção de superávit comercial para o ano — alta de 38% ante os US$ 68,166 bilhões apurados em 2025, impulsionada principalmente pelo crescimento das exportações de petróleo e soja.

O número chama atenção porque surge em um cenário internacional adverso, marcado pelo recrudescimento da política protecionista de Donald Trump e pela imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. A revisão sugere que, embora o tarifaço produza perdas importantes em determinados setores e mercados, não conseguiu até agora impedir a expansão global das vendas externas brasileiras.

O documento lista uma série de fatores que impactam diretamente o comércio exterior brasileiro, com destaque para o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Outros vetores de impacto são o conflito entre Ucrânia e Rússia, o confronto entre Estados Unidos e Irã, os bloqueios do Estreito de Ormuz, o dinamismo comercial da China e possíveis reflexos climáticos de El Niño são outros agravantes.

O dado ganha ainda mais relevância quando comparado ao desempenho efetivamente registrado. No primeiro semestre, as exportações brasileiras cresceram 11,5%, enquanto as importações avançaram 5,1%, produzindo superávit de US$ 42,36 bilhões, 40,3% acima do registrado no mesmo período de 2025.

Petróleo assume papel central

O petróleo aparece como um dos principais motores dessa melhora.

A indústria extrativa apresentou crescimento de 58,4% nas exportações em junho, impulsionada pela forte expansão das vendas de petróleo bruto. No mês, as exportações brasileiras alcançaram US$ 36,28 bilhões, recorde para qualquer mês da série histórica.

O desempenho do petróleo não é apenas conjuntural. O Brasil consolidou-se como exportador líquido do produto e mantém superávit no comércio de petróleo e derivados desde 2018. No primeiro semestre de 2026, o saldo comercial do setor passou de US$ 15,3 bilhões para US$ 22 bilhões em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo a FGV.

A expansão da produção brasileira, combinada ao comportamento dos preços internacionais, amplia a capacidade do petróleo de compensar eventuais perdas em outros segmentos.

Soja e agro ajudam a diversificar

A outra estrela é a soja.

Segundo as projeções divulgadas com a revisão da AEB, a soja pode superar US$ 50 bilhões em exportações pela primeira vez, beneficiada pela perspectiva de uma safra e de volumes embarcados elevados.

O agronegócio funciona, nesse cenário, como uma espécie de amortecedor externo. Mesmo quando um mercado específico fecha parcialmente suas portas, a produção brasileira encontra compradores em outras regiões.

Os dados oficiais ilustram esse movimento. Até a quarta semana de julho, as exportações brasileiras acumulavam US$ 212,36 bilhões, alta de 11,2% em relação ao mesmo período de 2025. As vendas de soja haviam crescido 24,6%, enquanto as de petróleo bruto avançavam 31,4%.

O tarifaço machuca, mas não paralisa

Isso não significa que as tarifas de Trump sejam inofensivas.

Os Estados Unidos continuam sendo um mercado importante para o Brasil, mas as exportações brasileiras para o país caíram 12,2% entre janeiro e julho, para US$ 21 bilhões, segundo levantamento da Amcham. Entre os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, a retração chegou a 31,5%.

A diferença está na capacidade brasileira de deslocar suas vendas.

Enquanto as exportações para os Estados Unidos recuaram, as exportações totais do Brasil para o mundo cresceram 10,5% no período analisado pela Amcham. A Ásia ampliou sua participação nas exportações brasileiras, passando de 42,7% para 46,3% entre os primeiros semestres de 2025 e 2026; a China, isoladamente, avançou de 28,9% para 31,6%.

É justamente aí que aparece uma das consequências estratégicas do tarifaço: ao tentar pressionar o Brasil, Washington também estimula empresas brasileiras a diversificar mercados e reduzir sua dependência relativa do consumidor norte-americano.

Uma resposta pela diversificação

O fenômeno não elimina os problemas provocados pelas tarifas. Setores industriais mais dependentes do mercado americano, especialmente aqueles sujeitos às sobretaxas mais altas, enfrentam perda de competitividade. E a nova estrutura tarifária norte-americana elevou significativamente a desvantagem brasileira diante de concorrentes internacionais.

Mas o comércio exterior brasileiro possui uma característica que ganha valor em tempos de guerra comercial: a diversidade de destinos e de produtos.

China, União Europeia, Oriente Médio e outros mercados tornam-se ainda mais importantes. A estratégia deixa de ser apenas vender mais e passa a ser vender para mais parceiros.

Nesse sentido, o desempenho da balança comercial oferece um contraponto à narrativa de que o tarifaço inevitavelmente produziria uma crise externa brasileira. Até aqui, os números apontam para uma realidade mais complexa: há perdas concentradas, mas elas vêm sendo parcialmente compensadas pela expansão de outros mercados e pelo aumento dos volumes exportados.

Um superávit que também revela desafios

Há, contudo, uma ressalva importante. Superávit comercial não é sinônimo automático de desenvolvimento econômico.

O resultado externo é particularmente positivo quando decorre da expansão de produção, investimentos, emprego e maior agregação de valor. O desafio brasileiro é justamente transformar a força exportadora de commodities em uma plataforma para ampliar a participação de produtos industrializados e tecnológicos no comércio mundial.

Ainda assim, a projeção de US$ 94 bilhões da AEB representa um sinal de resiliência da economia brasileira diante de uma conjuntura internacional marcada pelo protecionismo.

O paradoxo do tarifaço de Trump começa a aparecer nos números: ao tentar fechar o mercado americano para o Brasil, a política comercial de Washington pode estar contribuindo, involuntariamente, para acelerar uma mudança que o país já vinha buscando — uma inserção internacional mais diversificada, menos dependente de um único mercado e apoiada por relações comerciais com diferentes polos da economia mundial.

No comércio exterior, às vezes, fechar uma porta apenas ensina o exportador a procurar outras. E o Brasil, neste momento, parece estar encontrando algumas delas.

Soberania nacional é o pilar do Programa de governo de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/editorial-do-vermelho_01066033204.html 

Arte é vida

 

Luciano Pinheiro 

Poderosa força de energia e esperança https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/editorial-do-vermelho_02024167950.html 

Postei nas redes

Pesquisa Reuters/Ipsos revela que Trump é rejeitado por 64% dos estadunidenses e aprovação do seu governo é a menor do mandato. 

Trump e a diplomacia anárquica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01291229765.html 

Editorial do 'Vermelho'

Da Vila Euclides, palco das lutas operárias, rumo ao Palácio do Planalto
Largada da campanha Lula presidente realça protagonismo dos trabalhadores, ontem, pelo fim da ditadura, hoje, por uma vitória que assegure soberania ao país e prosperidade ao povo
Editorial do 'Vermelho' 

Um público de quarenta mil pessoas, estimado pelos organizadores, encheu de luta e esperança, energia e alegria, o legendário estádio da Vila Euclides, em São Bernardo do Campo, São Paulo, no domingo (16). O passado, o presente e o futuro do país se entrecruzaram num mesmo ambiente. Cenário perfeito para a arrancada da campanha presidencial Lula presidente, Alckmin vice.

O legado dos/as trabalhadores/as à construção não só material, mas política, social e cultural do país, tantas vezes inviabilizado ou distorcido, ganhou foco e luz, no mesmo local em que o sindicalista metalúrgico liderou as grandes greves do ABC, que nos anos 1979 e 1980 fizeram tremer os alicerces da ditadura militar, contra a exploração capitalista e pela democracia.

Quarenta e sete anos depois, lá estava ele novamente, agora de cabelos brancos e a voz já um tanto gasta, mas com vigor o bastante e, sobretudo, com a credibilidade de sobra, para renovar os votos de compromisso pelos interesses da nação e pelos direitos do povo e dos trabalhadores, numa jornada que, se vitoriosa, o investirá da alta responsabilidade de presidir o Brasil pela quarta vez.

Lula falou do passado de lutas do proletariado – repetindo que “ninguém mais ouse de duvidar da capacidade de lutas da classe trabalhadora” –, das realizações de seu governo de reconstrução nacional, que levantou o Brasil do chão diante da bagaceira resultante do governo de destruição da extrema direita, para mirar o futuro. “Este país está devendo a si mesmo se transformar em uma grande nação, e nós vamos fazer deste país uma grande nação. O povo brasileiro não vai aceitar que a mentira vença a verdade.”

Uma imensa bandeira do Brasil erguida pelos punhos de centenas de pessoas já indicava, pelas cores da pátria, a marca desse futuro e o caminho para que o país venha a se tornar forte, próspero e influente: diante das ameaças do imperialismo, a soberania nacional no topo dos compromissos, entrelaçada com a democracia, o desenvolvimento com base em tecnologia avançada e a riqueza produzida direcionada a reduzir as desigualdades, valorizar o trabalho e elevar a qualidade de vida do povo.

O vice-presidente Geraldo Alckmin, que sinaliza na chapa presidencial a frente democrática e popular formada para sustentar a campanha de reeleição do presidente Lula, destacou as fábricas que se ergueram em substituição às que fecharam as portas no governo Bolsonaro e os avanços da Nova Indústria Brasil, com base em tecnologia avançada, e evocou a defesa da terra brasileira, “pátria livre, pátria soberana”, para fechar seu pronunciamento.

O presidente Lula discorreu sobre parte dos principais conteúdos de seu programa de governo em relação ao futuro imediato do país. O compromisso magno com a soberania nacional foi abordado a partir da cobiçada riqueza do subsolo nacional em terras raras e minerais estratégicos. As reservas nacionais desses minerais serão exploradas sob a soberania e os interesses do país. Lula asseverou que é preciso dar um basta ao fato de o país, por exemplo, exportar terras raras em estágio bruto e depois importar produtos industrializados, como celulares, chips e baterias.

“Investir no futuro” é seguir priorizando, ainda com mais força, a educação, com maior acesso às universidades, às escolas profissionais, e garantir escolas de tempo integral por todo o país. É crível que isto é possível para quem expandiu as universidades e as unidades da Rede Federal de Educação Profissional durante os governos Lula e Dilma. “Em cem anos, desde o governo de Nilo Peçanha, foram criadas 143 escolas técnicas, nós já abrimos 600 institutos federais, a caminho de chegar a 800”, disse o presidente.

Garantir paz e segurança ao povo, sobretudo, aos brasileiros e brasileiras que vivem em regiões dominadas pelas facções criminosas é outro pacto que Lula faz com o eleitorado do país. O presidente defende diretriz de segurança pública que concentre a ação do Estado para enfrentar e combater os chefes e financiadores do crime organizado.

Dar qualidade superior ao que vem sendo feito, asfixiar o poder financeiro e econômico dos bandidos para desmantelar as organizações criminosas. “Nós vamos libertar o povo das vilas mais pobres, onde tem quadrilha que manda e inferniza a vida das pessoas. Vamos prender todo mundo que acha que é dono de uma favela ou de um bairro pobre”, disse. Caso seja aprovada a PEC da Segurança Pública, o presidente mais uma vez reafirmou que criará o Ministério da Segurança Pública.

A importância elevada da disputa ao governo de São Paulo e o peso desta batalha na eleição presidencial ficou patente no pronunciamento de Fernando Hadad e na referência tanto de Lula quanto de Alkmin em seu apoio. Lula pediu também apoio e voto ao conjunto das candidaturas de sua aliança. “A gente precisa ganhar as eleições e eleger maioria no Congresso Nacional para que a gente possa fazer tudo o que tem que fazer neste país”, afirmou.

Permeou o ato político como um todo a defesa dos direitos das mulheres, o combate ao feminicídio e a todo tipo de violência e preconceitos de que são vítimas. Também se enalteceu o desempenho das mulheres nas múltiplas dimensões da vida do país. Janja da Silva, primeira-dama, discursou sobre esse tema. Benedita da Silva, primeira mulher a governar o Rio de Janeiro, liderança negra, evangélica, fez vigoroso pronunciamento. Também falaram outras três candidatas ao Senado Federal: Marina Silva, Simone Tebet e Gleisi Hoffmann.

Em contraste, com o massivo, simbólico e combativo ato de lançamento da chapa Lula e Alckmin, o evento do candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, se realizou na orla da cidade do Rio de Janeiro, com menos de 9 mil pessoas, sem aliados e esvaziado de lideranças. O que em quantidade, isto sim, era bandeira dos Estados Unidos, estampando o caráter de traição à pátria da candidatura bolsonarista.

No estádio 1º de Maio da Vila Euclides vibrou com força a unidade das forças progressistas com apoio dos demais integrantes do campo patriótico e popular do país.

Os comunistas marcaram presença, com sua combativa militância, várias candidaturas, lideranças dos movimentos, além da presidente licenciada da legenda, Luciana Santos, ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação; e da presidente interina Nádia Campeão. Ambas se dirigiram ao público do ato.

Luciana disse que foi um “dia histórico”. “É aqui dessa base que Lula virou o maior líder popular da América Latina. E nós estamos aqui, onde sempre estivemos. O PCdoB caminha lado a lado com Luiz Inácio Lula da Silva desde 1989. E nós queremos, cada vez mais, construir essa frente ampla capaz de derrotar a extrema direita no nosso país. Os desafios são enormes, as ameaças são grandes. Ou daremos um salto ainda maior na reconstrução do Brasil, na agenda de desenvolvimento, na agenda da justiça social, na agenda democracia, na agenda da soberania nacional, para que a gente se emancipe e supere a nossa dependência, ou vamos retroceder anos-luz nesse país”, afirmou. “Temos de dizer, em alto e bom som: não somos quintal de ninguém. Queremos o Brasil cada vez mais e forte de desenvolvido. Não aceitaremos nenhum tipo de neocolonialismo”.

Por sua vez, Nádia Campeão disse que o PCdoB se soma às forças da esquerda, progressistas e democráticas, “porque temos muitas missões nessas eleições”. “Temos uma missão importantíssima, que o PCdoB chama muita atenção, que é defender a soberania do Brasil”, alertou. Em mensagem nas redes sociais, Nádia enfatizou que agora a campanha adentra à sua fase oficial e decisiva, “o que requer foco e intensidade, total engajamento e mobilização pela conquista do voto”. “Hoje começa a campanha. Agora é para valer. Dá para usar nome, número. Agora é pedir voto. Pedir voto para Lula, para os nossos candidatos e governador, governadora, senadores”. E conclamou empenho para pedir votos “às nossas candidatas, aos nossos candidatos, do PCdoB”.

Lula sintetizou bem o significado do lançamento de sua candidatura: “Ato histórico em defesa da soberania e da luta dos trabalhadores. O Estádio 1º de Maio lotado mostrou ao mundo que o Brasil tem dono: o povo brasileiro!”

Soberania nacional é o pilar do Programa de governo de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/editorial-do-vermelho_01066033204.html 

Fragmentos

A campanha eleitoral é uma batalha em múltiplas frentes e tarefas que se sucedem ininterruptamente e se entrelaçam. A direção tem que identificar a cada instante qual a tarefa central e agir com firmeza em função dela. Fora disso, o espontaneísmo toma conta. 

(Anotação minha de 20/9/98). 

Pequenas grandes contribuições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/pequenas-grandes-contribuicoes.html 

Palavra de poeta

DESAFIOS
Marcelo Mário de Melo     

Desafios pedem passagem
numa malha a se trançar
feita em fibras resistentes
num vigoroso tear
desafios de anteontem
em novo recomeçar.
 
Desafios renitentes
repetindo seus clamores
ante ouvidos insensíveis
de rotineiros atores
presos ao mesmo pincel
pintando com as mesmas cores.
 
Desafios em corpo vivo
computando resultados
alianças de latão
acordos enferrujados
nas moendas da mesmice
nos esquemas superados.
 
Desafios já antigos
em lamentos atuais
esperando que um dia
contrariando o jamais
surjam atores atentos
que não lhes descuidem mais.
 
Desafios postos na mesa
desafios em prontidão
desafios em estudo
desafios à solução
desafios  em ultimato
desafios clamando ação.
 
[Ilustração:  
Edvard Munch]
 
Leia também: "a parede e a flor", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01116453344.html 

Fragmentos

A paciência frequentemente é uma atitude revolucionária. 

(Anotação minha de 22.9.98)

Pequenas grandes contribuições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/pequenas-grandes-contribuicoes.html