Governança da
IA uma nova "interseção" para a cooperação global
Global Times
Recentemente, em um auditório na sede da ONU em
Nova York, uma discussão sobre o desenvolvimento da inteligência artificial
(IA) foi além de algoritmos e modelos, focando-se na ideia de "um futuro
compartilhado". O encontro temático do Grupo de Amigos para a Cooperação
Internacional em Capacitação em IA, copresidido por representantes da China e
da Zâmbia, reuniu mais de 120 representantes de mais de 50 países e
organizações internacionais. Da capacidade computacional fundamental aos
avanços algorítmicos, e das aplicações de engenharia à computação espacial, a
tecnologia de IA está avançando rapidamente, ao mesmo tempo que cria um
significativo vácuo de governança. Garantir que o princípio da IA para o bem
e para todos seja efetivamente implementado tornou-se, portanto, uma tarefa
urgente para a comunidade internacional.
À medida que o mundo entra na era da IA, os
riscos de segurança não estão mais confinados à ficção científica. Por um lado,
existem oportunidades sem precedentes; por outro, surgem riscos imprevisíveis.
Modelos avançados de IA podem resolver problemas complexos e detectar
vulnerabilidades em uma velocidade e escala muito além da capacidade humana,
mas também reduzem o limiar para o uso malicioso. Seja em comunidades de código
aberto ou sistemas de código fechado, todos enfrentam o desafio assustador de
alcançar uma governança eficaz e prevenir a disseminação global de riscos. O
colunista do The New York Times, Thomas L. Friedman, certa vez ofereceu uma
analogia vívida: dois homens em uma caverna com um laptop, acesso aos modelos
de IA mais recentes e um terminal Starlink poderiam atacar a infraestrutura
crítica de qualquer sociedade. Isso não é alarmismo. Especialistas em segurança
cibernética alertaram que os modelos de IA de ponta reduziram o tempo
necessário para identificar vulnerabilidades do sistema de semanas ou até meses
para apenas minutos. Os atacantes precisam encontrar apenas uma
vulnerabilidade, enquanto os defensores devem protegê-las todas.
Quando a "governança não consegue acompanhar
o rápido desenvolvimento da IA" se torna um desafio compartilhado por
todos os países, a necessidade de construir uma estrutura global de governança
de IA baseada em ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios
compartilhados torna-se ainda mais urgente.
De deepfakes e ataques cibernéticos ao recente
uso de IA em aplicações militares em conflitos no Oriente Médio, o mau uso da
tecnologia soou o alarme para a humanidade. Nenhum país pode permanecer imune,
e as lacunas regulatórias em qualquer país podem se tornar fontes de risco
global. Todas as partes precisam urgentemente adotar uma perspectiva mais
ampla, fundamentada na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado
para a humanidade, dialogar sobre seus respectivos marcos regulatórios e
legislativos e padrões de governança, e buscar um amplo consenso, ao mesmo
tempo que fortalecem a coordenação de políticas em questões-chave, como a
segurança da IA e os fluxos de dados.
Em relação à governança global da IA, a postura
da China tem sido consistentemente proativa, responsável, aberta e coerente.
Guiada pela visão de um futuro compartilhado para a humanidade, a China
implementou ativamente a Iniciativa de Governança Global (GGI) e a Iniciativa
de Governança Global da IA, propostas pelo Presidente Xi Jinping, e manteve seu
compromisso de contribuir para o desenvolvimento global e fornecer bens
públicos. O país propôs e impulsionou sucessivamente iniciativas como o Plano
de Ação para o Fortalecimento das Capacidades em IA para o Bem e para Todos, o
Plano de Ação para a Governança Global da IA e a Iniciativa de Cooperação
Internacional em IA+, transformando essas visões em ações concretas. Em julho
de 2024, a 78ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas adotou por consenso
uma resolução proposta pela China sobre o Fortalecimento da Cooperação
Internacional no Fortalecimento das Capacidades em Inteligência Artificial, que
foi prontamente copatrocinada por mais de 140 países. Este é um exemplo típico
da contribuição da China com sua sabedoria e soluções para a governança global
da IA.
Na prática, a China já assumiu a liderança. Por
meio de um planejamento estratégico responsável, o governo chinês garante que
modelos de código aberto de grande porte, como o DeepSeek e o MiniMax M2.5, sejam
utilizados para impulsionar uma ampla gama de indústrias, aumentar o bem-estar
público e promover a cooperação internacional.
De universidades no Brasil a instituições
financeiras na África do Sul, da ajuda na construção de pontes de resgate após
um grande terremoto em Mianmar ao apoio à transição do setor pesqueiro do
Camboja para práticas menos intensivas, a IA chinesa, além de contribuir para o
seu próprio desenvolvimento de alta qualidade, também beneficiou o mundo por
meio da abertura tecnológica e da construção conjunta de ecossistemas.
Transformar a "IA para o bem" em
realidade é responsabilidade e obrigação de todos os países. Nenhuma nação, por
mais poderosa que seja, pode monopolizar esse vasto campo da IA, nem pode arcar
sozinha com os riscos globais associados à tecnologia. Desde o início deste
ano, vozes mais racionais têm surgido nos EUA, defendendo a cooperação
sino-americana em IA. Em 6 de maio, o Wall Street Journal citou fontes
afirmando que a China e os EUA estão considerando realizar um diálogo mais
amplo e formal sobre a governança da IA. Esta é uma boa notícia para o mundo.
De fato, os dois países têm mantido a coordenação na governança da IA por
meio de diálogos oficiais e informais nos últimos anos. No entanto, para
alcançar mais progressos, a chave está em os EUA trabalharem com a China,
abandonando suas restrições e medidas repressivas contra a China no campo da
IA, bem como suas tentativas negativas de construir blocos exclusivos
internacionalmente.
Claramente, o pensamento de soma zero e a
rivalidade geopolítica tornaram-se os maiores obstáculos à governança global da
IA. A IA não deve se tornar propriedade privada monopolizada por nenhum poder
individual, nem uma ferramenta para clubes fechados de países selecionados, e certamente
não uma espada sobre as costas da humanidade.
Construir um sistema de governança global da IA
que seja inclusivo, equitativo e sustentável é vital para o futuro e o
destino da humanidade. Todas as partes devem defender o multilateralismo genuíno
e unir esforços no âmbito da ONU para alcançar um desenvolvimento de alta
qualidade. A troca de experiências e o aprendizado mútuo são essenciais para
superar os dilemas de governança. Espera-se que todas as partes demonstrem
maior sinceridade em abertura e cooperação, para que a IA possa se tornar uma
ponte que conecta o mundo e beneficia a sociedade.
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