14 julho 2026

Palavra de poeta

Lápide

Ariano Suassuna   

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alanceado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão — Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao sol do Mundo!

[Iustração: Gilvan Sanico]

Fotografia: 'A vida num clic' https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_37.html 

Anotações

Enfim, o silêncio 

Luciano Siqueira      

 

Li em algum lugar (já não lembro onde) que um escritor dinamarquês, relutante em publicar seu último trabalho, teria dito: "Minha maior aspiração agora é o silêncio."

Encerrara a sua produção literária? Preferia ser julgado pelos trabalhos anteriores já publicados ou simplesmente aderira a meditação interior como forma de encarar o mundo? 

Ou gostaria de ser ignorado daí em diante? 

Eu devia ter anotado pelo menos o seu nome para consulta posterior a alguns dos seus escritos. 

Não o fiz. 

Percebo que, involuntariamente, aderi ao seu apelo e só tenho a anotar agora o meu silêncio.

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Leia também: "Subir no vaso para quê?" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra_0806947145.html 

Postei nas redes

Sintomática a dificuldade do senador Flávio Bolsonaro encontrar alternativa de candidatura à vice-presidência da República, segundo se supõe preferencialmente uma mulher. Significa embarcar num barco provavelmente furado. 

Lambanças do presidenciável filho do presidiário https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/enio-lins-opina_0952586543.html



Pirataria em Ormuz

Trump tenta impor pedágio em Ormuz e transforma rota em negócio dos EUA
Anúncio de taxa de 20% sobre cargas que cruzam o estreito aprofunda escalada contra o Irã e é denunciado como pirataria por desafiar normas internacionais
Lucas Toth/Vermelho  

A guerra imperialista contra o Irã ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (14), quando Donald Trump anunciou que pretende cobrar uma taxa de 20% sobre todas as cargas transportadas pelo Estreito de Ormuz. 

A medida acompanha a retomada do bloqueio naval contra o Irã e a tentativa de Washington de se autoproclamar “guardião” de uma das mais importantes rotas marítimas do planeta, por onde passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo.

A proposta foi recebida com indignação por governos, especialistas e organismos internacionais. 

Trump afirmou que os Estados Unidos passarão a ser conhecidos como “o guardião do Estreito de Ormuz” e que, por uma questão de “justiça”, deverão ser “reembolsados” pelos custos de garantir a segurança da navegação. 

Segundo o presidente norte-americano, a cobrança de 20% sobre todas as cargas transportadas serviria para custear as operações militares e de patrulhamento realizadas na região.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a iniciativa como pirataria. A Organização Marítima Internacional (IMO) reiterou que não existe base legal para a cobrança de taxas pela simples passagem em estreitos utilizados pela navegação internacional. 

Até mesmo Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, havia declarado semanas atrás que nenhum país tem o direito de impor pedágios em hidrovias internacionais. A Casa Branca agora contradiz sua própria posição para tentar transformar presença militar em fonte de arrecadação.

O chanceler iraniano Abbas Araghchi afirmou que Trump está correto ao dizer que quem garante a segurança da navegação deveria ser compensado, mas lembrou que essa função sempre foi exercida pelo próprio Irã. 

“Vinte por cento é, obviamente, muito. Seremos justos”, declarou. Teerã também denunciou a medida como uma tentativa de extorsão econômica e reafirmou que não reconhecerá qualquer autoridade norte-americana sobre o estreito.

O anúncio ocorre em meio à continuidade da guerra desencadeada pela escalada dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã. 

Nesta terça-feira (14), forças norte-americanas voltaram a bombardear Bandar Abbas, Kish, Qeshm e Abu Musa. Em resposta, o Irã manteve ataques contra instalações militares dos EUA no Kuwait, Bahrein e Jordânia. A tensão já afeta a navegação comercial e impulsiona uma nova alta dos preços internacionais do petróleo.

Se a medida sair do papel, o alvo não será apenas o Irã. China, Índia, Japão, países europeus e os próprios exportadores árabes dependem de Ormuz para transportar energia e mercadorias. 

Ao reivindicar o direito de taxar uma das principais artérias do comércio mundial, Washington amplia seu confronto com Teerã e abre uma disputa com grande parte da comunidade internacional. 

O que Trump apresenta como “segurança” é visto por seus críticos como uma tentativa de converter poder militar em instrumento de cobrança sobre o restante do mundo.

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"250 anos do império decadente dos EUA" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/eua-decadencia.html

Humor de resistência

 

Aroeira

Pesquisa mostra Lula à frente em todos os cenários para 2026 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/bons-sinais.html 

IA em questão

Mais de 300 especialistas e ganhadores do Nobel alertam para impactos da IA
Em manifesto, eles apontam riscos como o deslocamento de emprego em larga escala e pedem ação imediata de governos, empresas e lideranças da tecnologia
Priscila Lobregatte/Vermelho 


 

Manifesto assinado por ao menos 380 especialistas internacionais, incluindo 16 ganhadores do Prêmio Nobel, chama atenção para os impactos da inteligência artificial nos próximos anos e pede ação rápida de governos, empresas e formuladores de políticas e lideranças da área de tecnologia para enfrentá-los.

A iniciativa é dos economistas Erik Brynjolfsson, Ajay Agrawal, Anton Korinek e Tom Cunningham, da Stanford Digital Economy Lab, da Universidade de Stanford, nos EUA.

Com um texto enxuto, composto por três itens, o manifesto — intitulado “Temos de Agir Agora: uma Declaração sobre a Transformação da Economia da IA”— alerta que essa tecnologia “pode se tornar radicalmente mais poderosa nos próximos dez anos”.

Saiba mais: Eleições 2026: o que muda com IA, cotas e transporte eleitoral

Diz, ainda, que tal processo “poderia impulsionar uma transformação sem precedentes de nossa economia, maior do que a Revolução Industrial, mas se desdobrando em um período de tempo muito mais curto. Poderia trazer riscos, incluindo deslocamento de emprego em larga escala, bem como oportunidades como grandes ganhos nos padrões de vida”.

Por fim, salienta que “economistas, formuladores de políticas e líderes de tecnologia devem agir agora para entender a economia transformadora da IA e construir os incentivos, salvaguardas e instituições necessárias para orientar a IA em uma direção que complemente os seres humanos e beneficie a sociedade”.

Na avaliação de Erik Brynjolfsson, Jerry Yang e Akiko Yamazaki, professores Stanford, “as capacidades da IA estão avançando muito mais rápido do que a nossa compreensão sobre as suas implicações econômicas. Nessa lacuna, residem as maiores oportunidades da nossa época. Devemos agir agora para guiar a IA para complementar os seres humanos — em vez de simplesmente imitá-los – e para gerar prosperidade para muitos, não apenas para os poucos”.

“Estamos dirigindo no nevoeiro, e é extraordinariamente difícil antecipar o que vai acontecer. Este é o momento certo para um esforço coordenado que traga clareza a uma situação confusa”, disse Tom Cunningham, que também é pesquisador do Model Evaluation & Threat Research (METR), instituto de pesquisa sem fins lucrativos, que estuda sistemas avançados de IA.

O ganhador do Nobel de Economia Michael Spence, professor emérito da Universidade de Nova York, apontou que “a escala, o escopo e a velocidade dos avanços na IA, combinados com um alto nível de incerteza sobre a magnitude e o momento dos impactos em muitas partes da economia”, exigem uma abordagem conjunta “para direcionar a IA de maneira benéfica”.

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Celso Pinto de Melo: Como plataformas digitais transformam política em comportamento de enxame https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/celso-pinto-de-melo-opina_0232354324.html

Arte é vida

 

Tarsila do Amaral

O pensamento crítico na era dos algoritmos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/bolha-algoritmica.html