02 outubro 2026

Minha opinião

E se der primeiro turno?
Luciano Siqueira   

Não se trata de questionar as pesquisas eleitorais realizadas pelos institutos de maior credibilidade, mas cabe relembrar, sempre, que cada resultado é uma espécie de retrato do momento. Importa identificar tendências.

Mudanças na intenção de voto podem ocorrer nos últimos dias sob a influência de fatores como a migração de eleitores indecisos, por exemplo.  

Além disso, diferentes institutos lidam com as margens de erro e não negam o comportamento do eleitorado de última hora.

Durante toda a campanha, Lula tem se mantido na dianteira, ainda que por diferenças que oscilam.

Agora mesmo, o próprio presidente (e a campanha como um todo) faz um grande apelo a que eleitores de 70 anos e mais, legalmente dispensados da obrigação do voto, compareçam à urnas. Numa disputa tão acirrada, podem fazer a diferença.

Lula reúne multidão no Rio e pede “dedicação revolucionária” para vencer https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/rio-lula-nos-bracos-do-povo.html 

Dica de leitura

Como nas eleições passadas
Luciano Siqueira   

Mais do que plausível a suspeita levantada pelo jornalista Luís Nassif, em artigo publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/politica/as-manobras-para-afastar-o-eleitor-de-lula-das-urnas-por-l-nassif/ de que estaria em curso uma estratégia de guerra híbrida com o objetivo de desestimular a participação nas urnas.

O primeiro passo é incutir em parcela expressiva da população uma sensação de medo e insegurança. Três narrativas centrais estariam sendo veiculadas simultaneamente: suposta interferência direta dos Estados Unidos nas eleições brasileiras riscos iminentes de violência política durante e após a votação;  fechamento preventivo de embaixadas e consulados (como os EUA e a Austrália) sob a justificativa de preocupações com a segurança.

Nassif faz um paralelo histórico com operações de comunicação estratégica e empresas de dados (como o SCL Group e a Cambridge Analytica ), que praticaram artifícios que induziram a abstenção em grupos de eleitores específicos nas eleições passadas, envolvendo sobretudo o eleitorado tendente a votar em Lula.

No mato sem cachorro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02027768607.html   

Palavra de poeta

Louvor do revolucionário
Bertolt Brecht       

Quando a opressão aumenta
Muitos se desencorajam
Mas a coragem dele cresce.
Ele organiza a luta
Pelo tostão do salário, pela água do chá
E pelo poder no Estado.
Pergunta à propriedade:
Donde vens tu?
Pergunta às opiniões:
A quem aproveitais?
Onde quer que todos calem
Ali falará ele
E onde reina a opressão e se fala do Destino
Ele nomeará os nomes.
Onde se senta à mesa
Senta-se a insatisfação à mesa
A comida estraga-se
E reconhece-se que o quarto é acanhado.
Pra onde quer que o expulsem, para lá
Vai a revolta, e donde é escorraçado
Fica ainda lá o desassossego.


[Ilustração: David Alfaro Siqueiros]


Leia também "Sou meu hóspede", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta.html 

Postei nas redes

A maioria dos 120 milhões de eleitores aptos a votar neste domingo ainda não escolheu os seus candidatos a deputado estadual e federal, revelam pesquisas. Colaboro pedindo votos para Renildo federal 6513 e Cida estadual, 65113.

Renildo, tanto quanto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao.html 

Editorial do 'Vermelho'

Às urnas com Lula, pela vitória do Brasil
Estão em disputa os direitos, a democracia e a soberania nacional contra a entrega do país aos interesses estadunidenses e a ameaça às conquistas do povo
Editorial do 'Vermelho'    

O Brasil nunca precisou tanto, na história recente, da consciência democrática e dos sentimentos patrióticos de seus cidadãos e cidadãs. Esses valores são indispensáveis para a defesa da soberania nacional, das instituições democráticas e de um projeto de país comprometido com a justiça social e com o interesse público, impedindo que Flávio Bolsonaro, o candidato da extrema direita, seja eleito, o que significaria voltar a um passado nefasto, de destruição da economia nacional e das tragédias sociais do governo de seu pai, Jair Bolsonaro.

Por outro lado, reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é desbravar um futuro de desenvolvimento robusto, com sustentabilidade, alicerçado no fortalecimento da soberania nacional e da democracia, direcionado para garantir prosperidade ao povo e elevada qualidade de vida.

Acumulam-se fatos que comprovam que o país se encontra sob ameaça de uma potência estrangeira, os Estados Unidos, em uma escalada de pressões e ações que afrontam a soberania nacional e ameaçam os interesses do Brasil, condição que exige do povo brasileiro firmeza, unidade e determinação na defesa da independência e da autodeterminação do país. O presidente estadunidense, Donald Trump, e seu secretário de Estado e conselheiro de Segurança Nacional, Marco Rubio, atuam abertamente em favor de Flávio Bolsonaro.

É nesse cenário de ingerência que surge a informação publicada pelo jornal inglês The Guardian, segundo a qual os Estados Unidos, por meio de seu Departamento de Estado, destinaram US$ 1 milhão para uma iniciativa voltada a atacar o Supremo Tribunal Federal (STF), numa operação de pressão sobre uma instituição central da democracia brasileira. Para criar tensão no país, às vésperas de 4 de outubro, suspenderam os atendimentos presenciais na embaixada e nos consulados. Esses episódios expõem, em sua dimensão concreta, a interferência de uma potência estrangeira no processo eleitoral.

Isso se soma aos tarifaços, aos acordos de comércio e investimento com países latino-americanos, aos compromissos sobre energia, minerais críticos, tecnologia e cadeias de suprimentos, às articulações de inteligência e cooperação militar, ao Escudo das Américas, além da crescente presença das big techs na infraestrutura tecnológica e informacional da região. Esse conjunto de movimentos delineia uma dimensão cuja extensão somente o tempo permitirá revelar em sua totalidade.

É justamente nessa trama de interesses que se torna ainda mais perigoso o conluio entre Trump e Flávio Bolsonaro. Ele, na Presidência, seria a vassalagem total à Casa Branca, a renúncia à soberania nacional e a consequente entrega das riquezas brasileiras ao imperialismo estadunidense, enquanto Lula, estadista de reconhecida projeção internacional, angariou respeito ao defender a soberania dos povos, promover a cooperação entre as nações, opor-se às guerras e fazer da defesa da paz uma marca de sua atuação internacional.

Não apenas a soberania nacional está sob ataque. A democracia, novamente, está na linha de tiro da extrema direita. Flávio Bolsonaro já garganteou várias vezes que, se eleito, subiria a rampa do Palácio do Planalto ladeado pela cúpula da organização criminosa que tentou um golpe de Estado, tendo à frente o chefe do bando, Jair Bolsonaro, seu pai.

Para tal, se necessário, usará a força contra o STF, como proclamou em alto e bom som. Portanto, quem vota, apoia ou concilia com Flávio Bolsonaro deve estar ciente de que estará elegendo um golpista que, certamente, irá mutilar a democracia e tentará impor ao país um regime autoritário-ditatorial.

A mídia monopolista acrescenta a esse quadro um componente de grande alcance ao revestir a cobertura eleitoral com uma névoa de desinformação e manipulação de suposições, interditando o debate sobre temas que constituem o mérito dos programas de governo dos candidatos. A intenção é dar aparência de uma igualdade que não há entre Lula e Flávio Bolsonaro, diluindo imensas diferenças históricas e políticas e apresentando como simplesmente equivalentes projetos e trajetórias.

O cancelamento do debate da Rede Globo é um exemplo dessa manipulação. O presidente Lula havia comunicado, com antecedência, que não participaria, pois não seria debate, mas um ataque cerrado dos candidatos da direita contra ele. Flávio Bolsonaro estufou o peito, afirmando que estaria presente, uma vez que estava armado um circo para beneficiá-lo.

Contudo, quando o STF determinou que o candidato Renan Santos teria o direito de participar, Flávio, com medo, fugiu e cancelou a ida. A Globo, para proteger Flávio, cancelou o debate e, desde então, ataca o STF e abriu uma nova carga contra Lula.

A Globo tergiversa e passa a atacar as instâncias superiores do Judiciário brasileiro numa ação sincronizada com as investidas de Trump para desacreditar e desestabilizar as instituições da República. O objetivo é criar as condições para a extrema direita e o imperialismo rejeitarem o resultado das urnas, caso Flávio Bolsonaro seja derrotado.

Essa posição da mídia monopolista reflete a tomada de posição de setores dominantes — o capital financeiro, os grandes grupos econômicos e barões do agronegócio — empenhados em entronizar um Flávio Bolsonaro que, à semelhança do pai, governe para preservar privilégios, ampliar ganhos extraordinários e proteger interesses de uma minoria, transferindo para a maioria da população o custo social de uma política econômica fundada na concentração de renda e na retirada de direitos.

As classes dominantes, sobretudo os setores subordinados ao imperialismo, manifestam aversão e ódio de classe contra Lula e sua posição no centro da vida política nacional, diante da chegada à Presidência da República de uma liderança egressa do movimento operário, capaz de converter demandas históricas em conquistas sociais decorrentes da distribuição da riqueza, além de situar a soberania nacional no centro da agenda política do país.

Como disse Renato Rabelo, ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Lula é um patrimônio brasileiro, uma das grandes lideranças populares do país, com grande prestígio internacional. É justamente essa dimensão que, segundo Renato, explica a ofensiva contra sua liderança. “Atingir Lula é atingir um projeto, atingir a esquerda”, disse. “Por isso que Lula para nós é o maior símbolo da democracia e das conquistas alcançadas neste país”, resumiu.

A campanha de Lula chega ao primeiro turno marcada pela mobilização e pela ampla participação do povo. O presidente levou ao debate efetivo questões diretamente ligadas à vida cotidiana da população, entre elas o reajuste do Bolsa Família e a proibição das bets (medida aprovada por 78% da população, segundo o Datafolha), incorporando temas relacionados à renda, à proteção social e à pauta do povo, tornando a campanha forte e competitiva, marcada pela mobilização popular, enquanto enfrentava a interdição do debate por uma operação da extrema direita que fez explodir a crise no STF.

Nessas horas que antecedem as urnas, cumpre às forças democráticas, populares e patrióticas a tomada de posição pela intensificação da mobilização cívica, de todos que manifestam apreço ao país e à democracia, com o povo como força motriz, na busca de votos palmo a palmo. Em todo o país, é preciso conclamar o comparecimento maciço às urnas para garantir a vitória de Lula e barrar o retrocesso aos trágicos tempos do bolsonarismo.

Lula, para fazer o país avançar, precisará de amplo respaldo nas duas Casas do Congresso Nacional. Daí a importância de eleger uma forte bancada de senadores/as e deputados/as federais, bem como governadores e bancadas nas assembleias legislativas. Tempos desafiadores estão por vir. Em tais circunstâncias, é indispensável uma esquerda forte e, para tal, é importante eleger os/as candidatos/as do PCdoB.

A TV Globo a ver navios https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01197927674.html   

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html 

Rio: Lula nos braços do povo

Lula reúne multidão no Rio e pede “dedicação revolucionária” para vencer
Presidente disse que eleição opõe a “luta da seriedade contra quem faz orgia”, em referência a Flávio, e acusou a família Bolsonaro de negociar o Brasil com Trump
Murilo da Silva/Vermelho     

O presidente Lula arrastou uma multidão para as ruas do Rio de Janeiro (RJ) nesta sexta-feira (2). Em cima de um veículo, Lula (PT) esteve com os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD) em um percurso da Praça Pio X até a Candelária.

No seu discurso, assim como fez na entrevista ao podcast Flow, Lula falou da importância das pessoas com mais de 70 anos votarem no domingo (4) para garantir a democracia no país.

“A gente não pode permitir que a quadrilha do Banco Master volte a governar esse país. A gente não pode permitir que a quadrilha da Previdência Social volte a governar esse país. A gente não pode permitir que esse país eleja uma pessoa que, sendo senador da República, foi defender um policial que matou a menina de cinco anos de idade. Não podemos permitir que essa quadrilha da família Bolsonaro pense em voltar a governar esse país”, afirmou.

“O que está em jogo não é a vitória de um homem, é a vitória de uma ideia, é a vitória da democracia. Ou a gente consolida a democracia ou ela vai acabar, porque vocês sabem que a vitória deles [bolsonaristas] não permitirá boa coisa nesse país”, completou.

Em apelo para que a população eleja parlamentares do campo progressista, o presidente destacou a importância de impedir que a extrema direita eleja senadores para avançar com a pauta negacionista e contra as instituições. Nesse sentido, pediu apoio para Benedita e Pedro Paulo, assim como para Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do Rio de Janeiro.

“Não tem trégua, não tem descanso. Nós precisamos trabalhar em conjunto”, disse.

Sobre a ida ao Flow em detrimento do debate da Globo, que foi cancelado, brincou que a sua entrevista “teve mais audiência do que a novela” e arrematou: “uma demonstração de que se a gente tiver coragem, se a gente tiver determinação, a gente não é manipulado pelos meios de comunicação”.

Em tom mais sério contra Flávio, o presidente conclamou o público a ter coragem para vencer a disputa eleitoral, que opõe “a luta da seriedade de homens que têm biografia contra a luta daquele que faz orgia, daqueles que não medem qualquer comportamento de caráter”.

Momentos depois, destacou que a eleição determinará o futuro do Brasil e disse estar confiante de que vencerá Flávio, inclusive no Rio de Janeiro, que é o reduto bolsonarista.

Na sequência, Lula bradou palavras de ordem para o público: “Bets, nunca mais! Escala 6 por 1, nunca mais! Quadrilha da Previdência, nunca mais!”

Sobre a interferência dos Estados Unidos em assuntos do Brasil, o presidente salientou que a soberania é uma das suas prioridades, ao contrário do clã Bolsonaro, que tenta negociar o País com Donald Trump.

“Aqui nenhum gringo vai meter a mão nas coisas do Brasil. Já tem um bolsonarista lá [Eduardo] tentando vender o Brasil, que vá o resto da família, porque nós não vamos deixar ninguém explorar a nossa riqueza. Os nossos minerais críticos e as nossas terras raras são patrimônio do povo brasileiro. O nosso petróleo é patrimônio do povo brasileiro. A nossa indústria naval é uma conquista desse país, e nós vamos continuar investindo na educação, muita educação, para que as nossas meninas e os nossos meninos possam se formar, ter uma bela formação e ter emprego de qualidade. A gente não vai permitir que o atraso tome conta do país”.

Lula ainda lembrou que assinou, na quinta-feira (1º), uma lei que assegura o pagamento pelo INSS às mulheres vítimas de violência doméstica que precisarem se afastar do trabalho, quando houver determinação judicial.

Por fim, antes de encerrar a caminhada com milhares de pessoas, o presidente reforçou que serão as mulheres que darão a vitória a ele e pediu “dedicação revolucionária” aos presentes para que assuma pela quarta vez o mandato presidencial.

No mato sem cachorro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_02027768607.html