31 agosto 2026

Urariano Mota opina

O Presidente Lula no “paredão” da Globo
Os inquisidores trazem a sentença pronta, mas não ouvem as explicações do sentenciado. Isto é, eles só as contestam quando o sentenciado contesta as perguntas.
Urariano Mota/Vermelho  
 

Na quinta-feira 27 de agosto, durante a tentativa de execução do Presidente Lula na TV Globo, a primeira coisa a notar é a desproporção entre o Presidente e seus inquisidores.

De um lado da mesa, estava o maior presidente da história do Brasil, um dos principais líderes da humanidade nestes dias, respeitado em todos os quadrantes do mundo como um novo Pelé, que desta vez é um gênio pelas realizações e  luta contra a fome. Do outro lado da mesa, dois entrevistadores, na falta de melhor palavra para essa digna função no jornalismo. Dois, apenas funcionários da emissora de televisão, jamais conhecidos por qualquer feito jornalístico, os jornalistas não estariam ali se não fosse a força do veículo, que os leva para todos os lugares como pessoas importantes. Famosos do momento, que cumprem obedientes as ordens do patrão.

Imagino como seria uma entrevista feita por eles com Ho Chi Minh. 

– Presidente, que mágica foi essa de transformar um professor de História em general?

– O senhor se refere a Giap?

– Claro, a quem mais eu podia me referir?

– É que existem outros professores na luta. Mas com referência a Giap, saiba que ele é um dos mais valorosos generais de toda a história.

– É uma opinião sua, presidente. Mas eu quero insistir nisto: os poderes extraordinários na sua mão, que nomeia um general sem concurso.

Ho Chi Minh fica a sorrir. E responde:

– O senhor gosta de poesia?

– Estamos falando de história.

– Então saiba que o povo vietnamita escreveu a maior história possível.

– Mas segundo investigações da Policia Federal….

E por aí seguiria a entrevista, que deveria receber o nome de Entrevista Desproporcional Ao Absurdo.     

A segunda coisa a notar é que os inquisidores trazem a sentença pronta, mas não ouvem as explicações do sentenciado. Isto é, eles só as contestam quando o sentenciado contesta as perguntas. Então falam para reafirmar o perguntado  antes. Fica bem claro que os “entrevistadores” não sabem nem conhecem sobre o que falam. E o script não admite mudanças. Seria ótimo se eles pudessem melhorar o roteiro. Mas como? Ora, se o “entrevistado” de repente dissesse:

–  Eu tenho que ir ao banheiro. Agora. Estou passando mal.

Entrevistador:

– Por favor, voltando à entrevista…

Mas voltando ao real da  noite de 27 de agosto, 40% do tempo da entrevista foi sobre as acusações contra o filho do Presidente. Isso quer dizer, o circo estava montado para pintar Lula como o cara mais corrupto da história do Brasil. Foi uma pauta bolsonarista, com certeza. Que depois se completou com acusações de que Lula teria mentido, quando declarou não conhecer a lobista Roberta Luchsinger. Então as notícias divulgaram fotos dela no Instagram com Lula. Uma delas vai aqui, como “prova” da mentira de Lula. Notem que o boné do Movimento Sem Terra está novinho em folha, comprado para a ocasião.  

Ah, a grande mídia do capital finge não saber que são muitas as fotos de Lula com pessoas que ele, quem sabe?, talvez conheça. Pelas fotos, quase todo o Brasil seria amigo íntimo do presidente. Pois não existem imagens de Lula com milhões de pessoas? Escolhem-se as que interessam. Para destruir o maior presidente do Brasil, não interessa uma pesquisa universal. O que importa é a “prova”. E que se dane a verdade.

Mas voltando à entrevista, fica a pergunta: que entrevista?

A política no posto de comando https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0656605756.html 

Arte é vida

 

Gilberto Salvador

Anel pra quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01116408591.html 

Postei nas redes

Mídia neoliberal agora reconhece juros altos por tempo prolongado como fator de crise e recuperação judicial de grandes empresas do varejo. Quanta hipocrisia!

Mulheres ocupam 57,4% dos empregos formais no 3º governo Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/boa-noticia_0729037115.html 

Terras raras

Do urânio ao nióbio, as lições para o Brasil das terras raras
Apesar dos expressivos recursos, país carece de ecossistema que articule universidades, governo e agentes financeiros. Desafio é construir um marco que estimule a produção mineral e induza a internalização de capacidades tecnológicas
Anderson Gomes, Celso Pinto de Melo, Cid Bartolomeu de Araújo, Sergio Machado Rezende/Folha de S. Paulo  

Após a Segunda Guerra Mundial, o Brasil voltou-se ao uso pacífico da energia nuclear, impulsionado por cientistas como Cesar Lattes, Mário Schenberg e José Leite Lopes, além do almirante Álvaro Alberto, atentos ao valor estratégico da areia monazítica do litoral do Espírito Santo e da Bahia. Em 1946, o governo Dutra criou a Comissão de Energia Atômica, embrião da atual Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear), para estudar e controlar os "minerais atômicos".

Logo surgiram dificuldades. EUA e Reino Unido pressionaram o Brasil pelo acesso à monazita, largamente exportada sem contrapartida tecnológica —parte dela levada como "lastro" de navios cargueiros, sem autorização. A experiência contribuiu para a criação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), em 1951, e consolidou a percepção de que independência científica e tecnológica é condição de soberania. Nos anos seguintes, o país criou o Instituto de Energia Atômica e construiu o reator IEA-R1.

Nos anos 1970, o programa nuclear ganhou nova escala. Angra 1 foi implantada com tecnologia Westinghouse e combustível importado. O Acordo Nuclear Brasil–Alemanha, de 1975, previa oito usinas e transferência de tecnologia, mas pressões externas, dificuldades econômicas e limitações da tecnologia negociada frustraram grande parte dos seus objetivos.

Em resposta à dependência estrangeira, a Marinha iniciou, em 1979, um programa para dominar o ciclo do combustível nuclear. Em Aramar (SP), sob a liderança de Othon Luiz Pinheiro da Silva, desenvolveu-se a tecnologia de ultracentrifugação de urânio. Hoje, a INB atua da mineração em Caetité (BA) ao enriquecimento em Resende (RJ), e a implantação da conversão em UF₆ permitirá concluir o domínio completo do ciclo do combustível nuclear.

Outro caso de sucesso está no nióbio, do qual o Brasil detém cerca de três quartos das reservas mundiais. Em Araxá (MG), a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) desenvolveu, ao longo de décadas e em colaboração com universidades, competências que vão da mineração e do beneficiamento à metalurgia, à engenharia de processos, ao P&D ("pesquisa e desenvolvimento") e ao desenvolvimento de aplicações. Essa acumulação de conhecimento permitiu ao país alcançar uma posição de liderança mundial não apenas na produção, mas também na tecnologia associada a esse mineral estratégico.

Urânio e nióbio mostram que o Brasil dispõe de capacidade científica, tecnológica e empresarial para extrair de seus recursos mais do que renda mineral. A questão reaparece agora nas terras raras —17 elementos essenciais a turbinas eólicas, motores elétricos, fibras ópticas, sistemas de defesa e equipamentos médicos. Apesar de seus expressivos recursos, o país ainda carece de um ecossistema que articule universidades, centros de pesquisa, governo, agentes financeiros e empresas, avançando da mineração e separação ao refino, à metalurgia e aos dispositivos de alta tecnologia.

Nesse contexto, o projeto de lei 2.780/2024, aprovado pela Câmara e atualmente no Senado, constitui avanço importante. Ao instituir uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, procura estimular a pesquisa, o beneficiamento, a transformação e a agregação de valor e prevê uma instância nacional de coordenação vinculada à Presidência da República. Porém, o PL precisa ser melhorado, pois como está não estabelece obrigações suficientes para forçar o processamento dos minerais antes de exportá-los.

O desafio do Congresso Nacional é construir um marco que estimule a produção mineral e induza, progressivamente, a internalização de capacidades tecnológicas. Para as cadeias estratégicas, isso requer metas de agregação de valor e domínio nacional de processos, engenharia, equipamentos críticos, fornecedores e recursos humanos, associadas a financiamento, incentivos e compromissos verificáveis.

É igualmente necessário articular governo, empresas, universidades, institutos de pesquisa e agentes financeiros em torno de missões, metas e indicadores. O objetivo deve ser transformar a vantagem geológica brasileira não apenas em produção e renda mineral, mas também em conhecimento, capacidade industrial e domínio tecnológico duradouros.

Lula garante recursos para submarino nuclear https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/submarino-nuclear-em-destaque.html

Minha opinião

Na prática, a teoria importa
Luciano Siqueira    

Na prática, a teoria é outra? Ou prática consequente há que se apoiar na teoria?

A teoria científica desempenha um papel fundamental em todas as áreas do conhecimento, proporcionando referências conceituais para a compreensão do mundo. A exemplo do legado de Marx e Engels.

Nas ciências naturais, impulsiona descobertas e inovações, cada vez mais “em tempo real”, tal o avanço da pesquisa em todas as áreas.

Entretanto, quanta bobagem se diz com ares de cientificamente fundamentado!

O complexo midiático dominante defende a todo instante “teorias” econômicas cujo proposito é justificar o predomínio, sob múltiplas formas, do capital financeiro.

Muitas vezes manchetes sensacionalistas ou a busca por audiência podem levar a simplificações excessivas ou distorções de estudos científicos, comprometendo a precisão e a integridade das informações transmitidas. Pode contribuir para a disseminação de desinformação e a formação de opiniões inadequadas.

É fundamental cultivar o pensamento crítico ao consumir notícias, priorizando fontes confiáveis e avaliando cuidadosamente a validade científica por trás das afirmações apresentadas.

E a dúvida é sempre um bom ponto de referência.

Leia também "Tecnologia: não confunda a minha cabeça" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/uma-cronica-de-abraham-sicsu.html 

Postei nas redes

O balanço das manifestações pró e contra candidatos à Presidência da República nas redes digitais sobre a sabatina da TV Globo é contaminado pela imensa bateria de postagens contratadas.

Guerra híbrida midiática https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/dica-de-leitura_0865126294.html 

30 agosto 2026

Minha opinião

Tudo para entender ou confundir
Luciano Siqueira     

Estima-se que já foram gastos este ano R$ 109 milhões em pesquisas eleitorais com foco nacional e, a maioria delas, voltadas para a disputa majoritária nos Estados. 

As pesquisas são úteis, mas não o suficiente para justificarem o destaque quase que monárquico que alcançam na mídia dominante. 

Como se fosse a última palavra na percepção da vontade coletiva. 

O comportamento humano não se resume em questionários e estatísticas.

Requer vivência. 

Certamente era nisso que se apoiava Miguel Arraes quando ele próprio valorizava ao extremo a ausculta da população. 

Até repórteres ele incluía. 

Não foram poucos os que tentaram entrevistá-lo e depois se deram conta de que o governador é que os havia perguntado mais do que falara.

A supervalorização das pesquisas realizadas por várias institutos especializados de grande repercussão midiática, outros nem tanto, é compreensível quando feita pelo mercado — que em tudo toca à semelhança do rei Midas. 

Mas o militante, não. Há que tomar ciência dos números divulgados pelos institutos sem porém abrir mão da sua própria sondagem. Esta se faz no contato direto com as pessoas — compartilhando insatisfações, desejos, sonhos... que afinal haverão de se traduzir na urna como vontade política individual, uma entre milhões, base da vitória de uns e da derrota de muitos outros. 

Em outras palavras: prestemos atenção aos números das pesquisas, porém sem mais abrir mão do contato direto com as pessoas — na tela do celular e, sobretudo, olhos nos olhos, em toda parte.

Prazeroso diálogo na telinha https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0215026545.html