15 julho 2026

Minha opinião

Toda sugestão vale a pena 
Luciano Siqueira  

Na fila "preferencial" da farmácia, me aborda:

— Tenho uma sugestão para a campanha de Lula.

— Ótimo! 

— Quer dizer, não sei se cabe...

— Toda ideia é válida...

Dispara:

— Acho que o senhor não se lembra de mim, sou aposentado da Prefeitura do Recife e todo fim de ano recebia sua visita de agradecimento pelo nosso trabalho...

— Ah, sim...

— ...e toda a minha equipe gostava, se sentia valorizada. E também porque a gente via que podia conversar à vontade com o vice-prefeito.

— Meu dever... 

— Agora tenho uma sugestão para a campanha de Lula.

— Sim...

— O presidente deve dizer na TV que o que melhora a situação das pessoas é o emprego com carteira assinada. Tem gente que não pensa assim. Meu vizinho, motorista do Uber, vive arrotando a vantagem de não ter patrão! Tá errado, não tem garantia nenhuma, o senhor concorda?

E seguiu falando sobre emprego e trabalho e ainda sugeriu umas tantas ideias sobre a campanha de governador e dos nossos candidatos a deputado federal e estadual.

Algumas cabem e já estão na pauta, outras nem tanto; mas importa a atitude proativa do meu interlocutor ocasional. O desejo de contribuir com suas ideias. 

Dei-lhe o número do meu celular e sugeri uma conversa mais à vontade — tomando um cafezinho — entre nós e mais alguns amigos que ele possa juntar. 

Ouvir as pessoas sobre qualquer assunto e a qualquer tempo é um dever militante. Aprendi com alguns líderes políticos de grande dimensão, com os quais tive a oportunidade de conviver: João Amazonas, Miguel Arraes, Renato Rabelo...

A sabedoria milenar chinesa sugere que "quem não escuta não tem direito à palavra".

Tenho conversado bastante com pessoas que me abordam pelo WhatsApp. Sempre fiz isso, inclusive quando estive vice-prefeito do Recife por 16 anos. Também quando deputado estadual e em toda a minha trajetória militante. 

Melhor ainda quando a conversa no WhatsApp se desdobra no encontro "presencial", breves reuniões entre amigos em torno de um cafezinho. 

"Tudo vale a pena se a alma se a alma não pequena", nos ensina Fernando Pessoa em seu poema "Mar português".

Sigamos juntos.

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Lula lidera 1º e 2º turnos e Flávio Bolsonaro tem maior rejeição https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/lula-avanca.html 

Arte é vida

Tereza Costa Rêgo

Enio Lins opina

Nenhuma chance (ainda) para a Paz no Oriente Médio
Enio Lins   

RECOMEÇOU A GUERRA que nunca foi interrompida entre EUA/Israel e Irã. A suposta trégua, assinada pomposamente no Palácio de Versalhes, em Paris, no dia 17 de junho, nunca passou de um ato circense. Desde que foi anunciada, só serviu para comparações, mais das vezes sarcásticas, entre o acordo fajuto rubricado por Trump em 2026, e o tratado histórico que encerrou a I Grande Guerra Mundial em 1919, assinada no mesmo cenário que representa o que foi a pompa majestática, absolutista, de Luís XIV de França.

NÃO DUROU UM MÊS 
a pantomima. Sempre foi uma farsa estadunidense, e o Irã assinou porque lhe foi útil o embuste, seja porque aliviou, por um lapso de tempo, a pressão militar direta ianque (de poder de fogo imensamente maior), seja porque isso lhe rendeu pontos ao apresentar ao mundo sua disposição em firmar compromisso de paz com inimigos figadais. Afinal, quem se arrisca a se opor aos interesses israelenses e americanos, inapelavelmente recebe os carimbos de “radical” e “terrorista”. Mas Israel, a parte mais belicosa das forças em conflito, como sempre, abjurou qualquer oportunidade de interromper a guerra infinda que move contra as populações nativas de todo Oriente Médio.

TRUMP DEU UM PASSO
 pra dentro do “tratado de paz” como coreografia de ampliação de espaços na mídia e como ação destinada a reduzir as pressões internas nas proximidades das eleições de meio-mandato, em 3 de novembro. Washington não fez um “pas de deux” com Telavive, o que poderia ter dado, de fato, alguma chance à paz, ou pequena trégua real. Mas, apenas 20 dias depois de assinar pomposamente o cenográfico “Memorando de Islamabad” em Versalhes, deu um passo pra fora, anunciando dramaticamente que “a trégua acabou!” e, como sempre, ameaçando acabar com o país persa rapidamente, pois “mil mísseis estão prontos” para serem lançados em um ataque em larga escala contra alvos estratégicos e de infraestrutura iraniana. E, ao denunciar o Irã como responsável por prejudicar a economia mundial ao fechar o Estreito de Ormuz, Trump anuncia que “tomará conta do Estreito de Ormuz” e que passará a cobrar taxas pelo tráfego naquela área (prejudicando a economia mundial).

ISRAEL, PRINCIPAL PROVOCADOR 
e mantenedor da guerra no Oriente Médio, não foi signatário do tal “Memorando de Islamabad” e nem participou das negociações articuladas pelo Paquistão. O Estado israelense, cujo governo segue nas mãos de Bibi Netanyahu e seus terroristas, jamais interrompeu as ações de agressão contra as populações originárias da Palestina e vizinhanças. Manteve sua ofensiva militar no Sul do Líbano, assim como avançou na ocupação crescente e ilegal das terras da Cisjordânia, assim como seguiu exterminando a população do Gueto de Gaza. Em verdade, repito: nunca houve trégua, apenas uma tentativa de Donald Trump em respirar um pouco em meio aos insucessos de seu segundo mandato, num movimento que interessou a Teerã, pois possibilitou aos iranianos uma pequena folga junto aos Estados Unidos. Entretanto, os israelenses nunca fizeram intervalo na matança.

JAMAIS HAVERÁ PAZ 
no Oriente Médio enquanto Israel mantiver sua velhíssima política de terror e ocupação ilegal dos territórios que jura ter recebido como presente de seu deus nacional – divindade que segue autorizando o holocausto das populações nativas tal como teria sido executado na mítica passagem da derrubada das muralhas de Jericó, num massacre “abençoado”, tal qual expressado no Livro de Josué. Evidentemente que o poder israelense só existe pela cumplicidade de potências como os Estados Unidos (e, no passado recente, a União Soviética foi fundamental no processo de criação e armamento do Estado de Israel). Nessa intrincada teia de violências e morte, a Paz (com maiúscula) não tem – ainda – a menor chance.

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A guerra e a paz, vistas de Teerã https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/ponto-de-vista-do-ira.html 

China x EUA

Avanço de 16,9% no novo mapa do comércio chinês desafia barreiras dos EUA
Pequim eleva trocas para recorde de 25 trilhões de yuans no primeiro semestre de 2026, contornando o protecionismo ocidental com novas alianças no Sul Global
Cezar Xavier/Vermelho     

O comércio exterior da China demonstrou fôlego vigoroso no primeiro semestre de 2026, alcançando pela primeira vez a marca histórica de 25,47 trilhões de yuans (cerca de US$ 3,75 trilhões). O crescimento de 16,9% em termos anuais reflete não apenas a resiliência da segunda maior economia do mundo, mas também uma profunda reorganização geopolítica de suas rotas comerciais diante das pressões protecionistas do Ocidente, em especial dos EUA.

No coração desse avanço está um crescimento expressivo de 22,1% nas importações chinesas, sinalizando o fortalecimento da demanda industrial doméstica por componentes e matérias-primas, enquanto as exportações avançaram 13,4% no mesmo período.

O drible na guerra comercial de Trump

O desempenho comercial chinês ocorre em meio a um cenário de extrema instabilidade tarifária. Após o agressivo tarifaço promovido pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos, que chegou a impor taxas de até 145% sobre produtos chineses em 2025, o comércio bilateral entre as duas superpotências registrou uma tímida, mas simbólica, recuperação.

Após uma queda vertiginosa de 18,7% no primeiro trimestre de 2026, as trocas comerciais com os EUA ensaiaram uma reação, crescendo 13,7% no segundo trimestre. Analistas e autoridades aduaneiras chinesas atribuem essa virada à visita oficial de Trump à China em maio de 2026. O encontro de cúpula restabeleceu expectativas estáveis e injetou previsibilidade nas relações bilaterais, embora o volume acumulado de 2 trilhões de yuans no semestre ainda não compense totalmente as perdas históricas geradas pela disputa aduaneira.

O Sul Global e a Iniciativa Cinturão e Rota como portos seguros

Frente ao fechamento parcial do mercado norte-americano, a China acelerou estrategicamente sua inserção nos mercados do Sul Global. Os países da Iniciativa Cinturão e Rota consolidaram-se como os principais parceiros comerciais do gigante asiático, respondendo por mais da metade (50,9%) de todo o comércio exterior do país, totalizando 12,97 trilhões de yuans no semestre — uma expansão de 14,8%.

As trocas com os vizinhos asiáticos (alta de 20,6%) e com a África (alta de 19,6%) lideraram o crescimento acima da média global. O continente africano, em especial, foi impulsionado pela política de tarifa zero adotada por Pequim a partir de 1º de maio de 2026 para todos os produtos vindos de 53 países da região. A medida fez as importações de itens como abacate e maçã africanos dispararem, enquanto a China forneceu massivamente à África painéis solares, autopeças e equipamentos de transmissão de energia.

Impactos vantajosos e riscos para América Latina

Na América Latina, o crescimento foi de 16,2%, turbinado inclusive pela exportação de artigos esportivos em pleno período de Copa do Mundo. A América Latina atua como um dos principais pilares de fornecimento de commodities agrícolas (soja, milho, carnes) e minerais (ferro, cobre, lítio). O Brasil destaca-se como o maior exportador de soja e minério de ferro para o mercado chinês.

O expressivo aumento de 22,6% nas importações chinesas de minérios metálicos no semestre impacta diretamente exportadores latino-americanos (como o Brasil no ferro, e Chile e Peru no cobre), que fornecem a matéria-prima essencial para a expansão industrial da China.

Com o recorde histórico de exportação de 1 milhão de veículos em um único mês pela China, o mercado latino-americano — com destaque para o Brasil — tornou-se destino prioritário para as montadoras chinesas de veículos elétricos e híbridos. Diante de barreiras na Europa e EUA, a China redirecionou esses estoques para o hemisfério sul.

As exportações chinesas de alta tecnologia (que cresceram 39% globalmente) e componentes ligados à infraestrutura de Inteligência Artificial e telecomunicações (alta de 56,6%) abastecem a modernização digital da América Latina, barateando o acesso a servidores, semicondutores e bens de capital.

Essa relação comercial estreita gera impactos profundos e ambivalentes para o Brasil e seus vizinhos: O apetite chinês por matérias-primas garante saldos comerciais extremamente positivos para países exportadores como o Brasil, gerando estabilidade cambial e atração de investimentos. Para viabilizar seu comércio, empresas chinesas têm investido massivamente na infraestrutura local sul-americana, como linhas de transmissão de energia, portos, ferrovias e fábricas de painéis solares e automóveis elétricos (como as plantas da BYD e GWM no Brasil).

No entanto, o comércio assimétrico (exportação de produtos primários de baixo valor agregado e importação de manufaturados de alta tecnologia) pressiona a indústria local latino-americana, que encontra dificuldades para competir com os custos de escala da produção chinesa. A economia latino-americana torna-se altamente vulnerável a oscilações no crescimento interno da China ou a eventuais desacelerações na demanda global por bens de consumo. Assim como a União Europeia adotou taxas contra o aço e o e-commerce chinês, governos latino-americanos (incluindo o Brasil) enfrentam pressões de setores industriais locais para elevar tarifas de importação sobre produtos siderúrgicos, químicos e veículos elétricos vindos da China, tentando equilibrar o mercado doméstico.

Tensões com a Europa e a revolução da inteligência artificial

Enquanto o superávit comercial da China com os EUA passa por ajustes, a relação com a União Europeia (UE) segue sob intensa fricção geopolítica. Líderes europeus, como a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, têm manifestado forte oposição ao avanço chinês, classificando-o como um “novo choque da China” nos mercados globais. Em resposta, o bloco europeu adotou novas barreiras aduaneiras contra o aço chinês e as pequenas encomendas de e-commerce desde 1º de julho de 2026. Mesmo assim, o comércio com a UE cresceu 10,2% no período.

Paralelamente, a pauta de exportações chinesa passa por uma transição tecnológica acelerada. O superciclo global de investimentos em inteligência artificial (IA) redesenhou as trocas do país: as exportações de alta tecnologia cresceram impressionantes 39%, somando 3,26 trilhões de yuans, puxadas pela demanda global insaciável por chips, semicondutores avançados e componentes de computadores.

Outro marco foi o setor automotivo: a China exportou mais de 1 milhão de veículos em um único mês pela primeira vez na história, consolidando sua liderança na transição global para a eletromobilidade. Para o restante de 2026, as pressões inflacionárias globais e as barreiras protecionistas permanecem no radar, mas o governo chinês sustenta que a diversificação de mercados e a liderança em alta tecnologia blindarão o dinamismo do seu comércio exterior.

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"250 anos do império decadente dos EUA" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/eua-decadencia.html

Sylvio: palhaçada

Durante o processo de definição do tarifaço imposto por Trump ao Brasil, o senador Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo, condenado pela justiça e fugitivo nos Estados Unidos, não disseram uma só palavra contrária ao mesmo. Agora, temendo o efeito que pode causar nas eleições, Flávio pede o adiamento de sua vigência. Se pensasse no interesse nacional, ao invés de adiamento, pediria a extinção dessa absurda medida altamente prejudicial à nossa economia. Francamente, essa família pensa o que e o que quer para nosso país e nosso povo?

Sylvio Belém  

"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html

14 julho 2026

Palavra de poeta

Lápide

Ariano Suassuna   

Quando eu morrer, não soltem meu Cavalo
nas pedras do meu Pasto incendiado:
fustiguem-lhe seu Dorso alanceado,
com a Espora de ouro, até matá-lo.

Um dos meus filhos deve cavalgá-lo
numa Sela de couro esverdeado,
que arraste pelo Chão pedroso e pardo
chapas de Cobre, sinos e badalos.

Assim, com o Raio e o cobre percutido,
tropel de cascos, sangue do Castanho,
talvez se finja o som de Ouro fundido

que, em vão — Sangue insensato e vagabundo —
tentei forjar, no meu Cantar estranho,
à tez da minha Fera e ao sol do Mundo!

[Iustração: Gilvan Sanico]

Fotografia: 'A vida num clic' https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_37.html 

Anotações

Enfim, o silêncio 

Luciano Siqueira      

 

Li em algum lugar (já não lembro onde) que um escritor dinamarquês, relutante em publicar seu último trabalho, teria dito: "Minha maior aspiração agora é o silêncio."

Encerrara a sua produção literária? Preferia ser julgado pelos trabalhos anteriores já publicados ou simplesmente aderira a meditação interior como forma de encarar o mundo? 

Ou gostaria de ser ignorado daí em diante? 

Eu devia ter anotado pelo menos o seu nome para consulta posterior a alguns dos seus escritos. 

Não o fiz. 

Percebo que, involuntariamente, aderi ao seu apelo e só tenho a anotar agora o meu silêncio.

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Leia também: "Subir no vaso para quê?" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra_0806947145.html