24 abril 2026

Terras raras sob risco

Terras raras: o Brasil entre a exploração soberana e o entreguismo bolsonarista
Cobiça dos EUA e vassalagem da extrema direita brasileira ligam sinal de alerta para que o Brasil acelere mecanismos legais de proteção e soberania sobre o uso de minérios
Pricila Lobregatte/Vermelho       

O debate sobre a exploração das terras raras no Brasil ganhou novos contornos nesta semana com a notícia da venda da única mineradora brasileira exclusiva do ramo, a Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões em dinheiro e ações, para uma empresa que tem participação do governo dos EUA, a USA Rare Earth.

O negócio levantou preocupação sobre a possibilidade de recursos naturais estratégicos acabarem sendo explorados por terceiros em detrimento dos interesses nacionais, podendo ainda trazer riscos ao uso soberano das terras raras pelo Brasil, numa nova modalidade de colonização levada a cabo pela extrema direita “patriótica”.

A venda foi revelada pelo jornalista Jamil Chade, do ICL Notícias, na segunda-feira (20). Segundo ele, a Serra Verde firmou um acordo de 15 anos para fornecer “100% de sua produção durante a fase inicial da mina para uma Sociedade de Propósito Específico capitalizada pelo governo dos EUA e por fontes privadas”.

Ainda segundo Chade, em janeiro, a empresa estadunidense “recebeu uma injeção de US$ 1,6 bilhão do governo Trump, que passou a controlar 10% da companhia”.

A negociação entre as duas empresas ocorreu pouco depois de o então governador bolsonarista de Goiás e hoje pré-candidato à presidência, Ronaldo Caiado (PSD), assinar memorando de entendimento prevendo a cooperação técnica para a exploração de terras raras e minerais críticos no estado, passando por cima de atribuições que cabem à União, conforme estabelecido pela Constituição.

Saiba mais: Brasil é quem cuida das suas terras raras, diz Lula

“O que o Caiado assinou é uma agressão ao Brasil”, critica Ricardo Galvão, professor aposentado da USP e ex-deputado federal, um dos nomes mais respeitados da ciência brasileira.

Galvão explica que mesmo sendo apenas um memorando de entendimento, o governador não poderia tê-lo feito porque conforme a Constituição, somente o presidente da República pode assinar este e outros tipos de acordos com governos do exterior nessa área. “Isso porque os minerais são propriedade da União, não dos estados”, acrescenta o professor.
 

Outro ponto preocupante levantado por Galvão é que, com esse memorando, os Estados Unidos podem “ter acesso ao levantamento geológico do estado de Goiás, aos dados sobre depósitos de terras raras, além do domínio soberano das informações durante cinco anos. Isso também agride frontalmente a Constituição Brasileira”.

Além disso tudo, Galvão assinala que o memorando “abre caminho para a exportação do mineral quase bruto, com a vinda de apenas algumas tecnologias americanas que são elementares, inferiores ao conhecimento que já temos no Brasil”.

Regulação em construção

O professor Ricardo Galvão também chama atenção para o fato de que essa “parceria” foi estabelecida num momento de fragilidade legal, em que a regulação sobre as terras raras ainda está em construção no País.

Um dos projetos de lei com tramitação mais avançada no Congresso Nacional é o 2780/24, que institui política para fomentar a pesquisa, lavra e transformação de minerais críticos e estratégicos de maneira sustentável.

Saiba mais: Aporte em terras raras no Brasil chega a R$ 13,2 bi na fase pré-operacional

A análise da proposta pela Câmara estava prevista para acontecer nesta quarta-feira (22), mas foi adiada a pedido do governo, que solicitou mais tempo para apresentar seu posicionamento sobre o texto. A nova previsão é de que seja votado no começo de maio.

Ao mesmo tempo, o Ministério de Minas e Energia anunciou, no começo do ano, o início de estudo que irá subsidiar a elaboração da Estratégia Nacional de Terras Raras (ENTR). A iniciativa busca apoiar a formulação de diretrizes, metas e instrumentos que orientem o desenvolvimento organizado da cadeia de terras raras no Brasil, em alinhamento com as políticas industrial, ambiental, de inovação e de transição energética.

Entreguismo em marcha

Mas, o entreguismo não para por aí. Outra demonstração recente de que a extrema direita se preocupa mais com os interesses estrangeiros dos que os brasileiros veio de outro pré-candidato à presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Em evento da CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora) realizada no final de março em Dallas, ele afirmou que o Brasil é “a solução para os Estados Unidos quebrar a dependência da China por minerais críticos, especialmente terras raras”.

Saiba mais: Submisso, Flávio Bolsonaro oferece terras raras à ultradireita nos EUA

Casos como esses repercutiram no meio político e fizeram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçar a posição do governo sobre a exploração de minérios. “Nós não vamos repetir com os minerais críticos e com as terras-raras o que aconteceu com o minério de ferro, com a bauxita. O processo de transformação se dará dentro do Brasil”, disse, em visita que fez há poucos dias à Espanha, onde assinou um memorando de entendimento sobre minerais críticos.

O presidente também afirmou: “Nós iremos construir parceria com quem quiser construir, quem quiser nos ajudar, nos transferir tecnologia, mas ninguém, ninguém, no nosso Brasil, será dono da nossa riqueza mineral. Ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral”.

Para Nádia Campeão, presidenta do PCdoB, “o povo brasileiro precisa estar atento a quem defende o Brasil, preserva nossa soberania, e quem quer entregar nossas riquezas e submeter nosso país aos interesses do Estados Unidos e seu presidente agressor”.

Em reação direta à negociação, deputados do PSol protocolaram uma representação na Procuradoria-Geral da União. A ação questiona a legalidade da aquisição da mineradora brasileira pela empresa estadunidense e pede a anulação imediata de todos os atos relacionados à negociação, incluindo acordos, pagamentos e contratos, sob o argumento de violação de princípios constitucionais.

Além disso, a representação pede que a conduta de Caiado seja analisada para que se verifique se houve extrapolação de competências constitucionais.

Terras raras e geopolítica

O uso desse das terras raras na indústria não é novo, mas passou a ser um assunto de maior projeção em meio ao atual cenário político global. A situação de perda de hegemonia por parte dos EUA e a ascensão cada vez mais rápida e consistente da China no xadrez geopolítico, bem como a personalidade autoritária, instável e tresloucada do presidente Donald Trump, elevaram as tensões mundiais e intensificaram a disputa dos EUA por protagonismo no campo político e maiores lucros na seara econômica.

E a exploração das terras raras é estratégica para os negócios estadunidenses. Esse conjunto de 17 elementos químicos fazem parte dos chamados minerais críticos (que abarcam, ainda, lítio, cobalto e níquel).

O subgrupo das terras raras têm elementos essenciais para aplicações em alta tecnologia — como em ímãs superpotentes usados em carros elétricos, turbinas eólicas e eletrônicos (como smartphones e telas). Também são cruciais na indústria de defesa, refino de petróleo, geração de energia renovável, entre outros usos, tendo papel central na descarbonização da economia.

Os EUA têm forte presença nas indústrias de alta tecnologia, assim como a China. Porém, é o país asiático que detém cerca de 50% das reservas mundiais conhecidas de terras raras, além de dominar entre 70% e 90% da produção e capacidade de processamento global, o que o coloca em posição proeminente, deixando os EUA numa situação nada confortável.

É aí que entre o Brasil. “O país já foi referência na produção de terras raras, na década de 1980, com a empresa Nuclemon, hoje Indústrias Nucelares do Brasil (INB). A falta de investimentos em desenvolvimento tecnológico e a expansão da produção da China a preços muito baixos, com domínio de toda a cadeia de valor, mudou a realidade da indústria nacional”, explicam Silvia Cristina Alves França, diretora do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e Ysrael Marrero Vera, pesquisador do órgão, em artigo conjunto.

Hoje, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o País tem a segunda maior reserva do mundo, o que representa 25% do total global e 21 mt (milhões de toneladas) de óxidos de terras raras. Mas, em 2025, a produção nacional foi de apenas 2 kt (quilotoneladas) de concentrado de óxidos de terras raras, o que nos coloca na na oitava posição global, segundo dados trazidos por Silvia e Marrero Vera.

Essa desproporção indica o alto potencial do país na área, ou seja, para além de todas as riquezas naturais já amplamente conhecidas do território nacional, o Brasil ainda tem recursos estratégicos intactos que, se explorados de maneira sustentável e conforme os interesses nacionais, podem alavancar seu desenvolvimento e sua projeção mundial.

Não repetir o passado

Estabelecer as regras sobre como deve se dar a exploração das terras raras (e de outros recursos naturais) é fundamental neste momento, para evitar, inclusive, que se repitam episódios como o da areia monazítica no final dos anos 1940, lembrado pelo professor Ricardo Galvão.

Essa areia é rica em tório, urânio e terras raras, elementos valiosos para a indústria nuclear, militar e tecnológica — ou seja, no contexto da Segunda Guerra, passou a ser bastante cobiçado pelos EUA. “Naqueles anos, o Brasil exportou a areia monozítica sem processamento, levada como lastro de navio para os EUA. É uma história degradante para o país”, conta Galvão.

O pior, lembra, é que naquele momento o Brasil tinha uma empresa que processava as terras raras a partir de areia monazítica — a Orquima, que operou até meados dos anos 1950.

Ao analisar a postura adotada pelos entreguistas dos dias de hoje à luz das experiências passadas, Galvão conclui: “Exportar minério bruto é repetir um erro do passado que foi terrível para o Brasil. E parece que é isso que esse pessoal da extrema direita quer”.

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Matéria-prima aqui, inovação lá fora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/dependencia-tecnologica.html

Humor de resistência

Fraga

Redes sociais & eleições

A ameaça de jogo sujo nas eleições de 2026
Fraudes nas redes só podem ser enfrentadas com regulação séria e transparente da Inteligência Artificial
Mayara Stelle/Liberta    

As eleições sempre foram um reflexo do seu tempo e, em 2026, esse tempo é marcado pela ascensão vertiginosa da Inteligência Artificial. A menos de seis meses do primeiro turno do pleito de 4 de outubro, o Brasil se prepara para enfrentar disputas políticas que ocorrerão num ambiente em que vozes podem ser clonadas, rostos fabricados e narrativas inteiras geradas em escala industrial com poucos comandos. O que está em jogo, aqui, não é apenas quem vence nas urnas, mas sob quais condições de realidade essa escolha é feita.

O Tribunal Superior Eleitoral avançou, significativamente, ao aprovar resoluções que regulam o uso de IA nas campanhas. As novas regras – que proíbem deepfakes, exigem rotulagem explícita de conteúdo sintético e vedam que modelos de IA sugiram ou indiquem candidatos ao eleitor – são um passo necessário em direção à proteção da integridade do processo democrático.

No entanto, pessoas e organizações que atuam pela regulação das plataformas e mídias digitais têm o dever de soar o alarme: o jogo sujo nas redes não apenas persistirá como poderá se tornar mais sofisticado, e a atual arquitetura de responsabilização ainda é frágil diante da velocidade das mudanças tecnológicas e da opacidade de funcionamento dos algoritmos.

Tempestade perfeita

A preocupação não é retórica. Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.Br) revelam um cenário preocupante: 41% dos usuários relatam contato diário com deepfakes e apenas 17% dos brasileiros têm alto desempenho na identificação de conteúdo falso ou verdadeiro. Mais grave: um terço da população sequer considera que vale a pena verificar a veracidade das informações que recebe. Essa combinação de uma tecnologia generativa cada vez mais acessível e um eleitorado desarmado criticamente é a tempestade perfeita para a desinformação em escala industrial.

Se as últimas eleições foram assoladas pelas notícias falsas, o problema cresce substancialmente agora com os perfis de pessoas falsas, personagens criados inteiramente pelas IAs, com apelo pensado estrategicamente para cativar públicos específicos e gerar credibilidade para mensagens deturpadas e sem lastro em informações embasadas ou dados confiáveis.

Para agravar o quadro, um levantamento do Data Privacy Brasil mostrou que conteúdos sintéticos políticos circularam sem rótulo de IA em 73% dos posts, o que comprova que as plataformas não estão cumprindo espontaneamente as regras do TSE. A autorregulação, mais uma vez, falha na largada.

Diante desse cenário, o Sleeping Giants Brasil acredita que o enfrentamento ao uso manipulador da IA nas eleições exige medidas estruturais que vão além das resoluções eleitorais. Precisamos de um marco regulatório robusto para a Inteligência Artificial no país, e é por isso que acompanhamos de perto a tramitação do PL 2338/2023, que institui o marco legal da IA no Brasil. Nossa atuação se concentra em três pontos considerados centrais para evitar que a tecnologia seja usada como arma de manipulação em massa.

Transparência e responsabilização

Defendemos a inclusão expressa da recomendação algorítmica de conteúdo na lista de serviços de IA de alto risco, prevista no artigo 14 do PL 2338. Os sistemas de recomendação são o motor da viralização. São eles que decidem o que vai chegar à tela do eleitor, o que será impulsionado e, portanto, o que terá potencial de influenciar seu voto. Esses sistemas precisam estar sujeitos a graus ampliados de transparência e responsabilização, permitindo que a sociedade e as autoridades compreendam e auditem seus critérios de funcionamento.

Em segundo lugar, afirmamos que a lista de serviços de IA de alto risco não pode ser taxativa, mas exemplificativa. A tecnologia avança em ritmo muito mais acelerado do que o processo legislativo e, se a lei estabelecer uma lista fechada, estará fadada à obsolescência em poucos anos, criando brechas perigosas para novas formas de manipulação ainda não imaginadas. A lista deve ser permanentemente aberta, cabendo à autoridade reguladora, no caso a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), desenvolver protocolos ágeis para incorporação de novos serviços à medida que os riscos forem identificados, sem depender de uma nova lei a cada inovação.

Por fim, somos contrários a qualquer disposição que pretenda concentrar, exclusivamente, no Congresso Nacional a competência para tratar de moderação e recomendação de conteúdo. Isso significaria engessar a resposta estatal diante de crises eleitorais em tempo real. O Poder Executivo tem competência regulamentar residual e o Poder Judiciário, como já demonstra o próprio TSE com suas resoluções, sempre poderá e deverá atuar para coibir abusos e proteger a integridade do pleito. A democracia não pode ficar refém de vazios legislativos.

As eleições de 2026 serão um teste de estresse para a democracia brasileira. As plataformas já demonstraram, de saída, que não têm compromisso com o cumprimento voluntário das regras. O TSE deu passos importantes, mas não pode atuar sozinho. Precisamos de uma lei de IA que seja à prova do futuro, que inclua os sistemas de recomendação como risco sistêmico, que tenha lista exemplificativa e que preserve a competência dos demais poderes para agir. O jogo sujo nas redes não vai acabar por decreto, mas pode ser enfrentado com regulação séria, transparente e tecnicamente qualificada.

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Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html 

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Na montagem das chapas majoritárias ainda não completas pelo Brasil afora pesa muito a quantidade de prefeitos e o tempo de televisão partidário que cada pretendente ao Senado ostenta. Faz parte do jogo. 

Não pode ser rápido feito um raio https://lucianosiqueira.blogspot.com/

Enio Lins opina

Donald Trump, o topetudo poodle de Bibi Netanyahu
Enio Lins     

TRUMP está numa enrascada. Tropeçou feio na agressão ao Irã e coleciona monumentais prejuízos militares, políticos e econômicos. O autocrata americano foi na onda do genocida israelense e mergulhou de cabeça numa guerra desnecessária e temerária para suas ambições pessoais e para os interesses estadunidenses.

NETANYAHU, o genocida israelense, segue inabalável no avançar de suas ambições pessoais e dos interesses do sionismo mais extremado. Para essa facção terrorista, a ocupação total das terras alheias tidas como “o Grande Israel, do rio ao mar” é um objetivo inegociável; e, para tal, a expulsão das populações nativas tem sido implementada num processo de exclusão étnica no qual a eliminação física é parte da estratégia de não se ater ao determinado pela ONU em 1948, no – sabotado – Plano de Partilha da Palestina.

PARA O SIONISMO MEGALÔMANO,
 o conceito de guerra de agressão permanente é um dogma sagrado. Matar, sem tréguas, os povos vizinhos é apresentado como um programa “defensivo” cuja base seria “não permitir ameaças à existência de Israel”. Apontam como “ameaça” a capacidade de autodefesa da próxima vítima. Exigem que toda e qualquer vizinhança esteja desarmada e vulnerável para ser massacrada sem dar trabalho. Desde o final dos anos 1940 Israel tem destruído impunemente a capacidade defensiva de todas as nações em seu arredor. O Irã foi se resumindo ao último exemplo de resistência e, por essa ousadia, está condenado pelo sionismo à morte – ou à escravatura.

DEPOIS DE 47 ANOS
 de agressões diretas e ilegais ao Irã, desde a revolução de 1979, o sionismo conseguiu dominar totalmente a Casa Branca e trazer a cavalaria americana para uma aventura estapafúrdia num deserto ético. A mais poderosa potência militar do planeta está subserviente ao comando israelense. Bibi manda, Donald obedece. Trump acreditou que o Irã seria uma Venezuela, ou um Iraque, e que – uma vez eliminado o principal dirigente – o sistema ruiria, abandonado pelas poucas lideranças sobreviventes. Assassinaram, num ato de terrorismo, o aiatolá Khamenei, aos 86 anos de idade. Mataram um bocado de outros líderes importantes na política e nas forças armadas iranianas... e o regime dos aiatolás se fortaleceu como nunca. Apesar da inferioridade ululante em termos de armamento, Teerã não arregou, reagiu com a força de um Davi enfrentando dois Golias (não desculpem a comparação, é isso mesmo). Desacostumado em ser peitado, Trump levou uma pedrada iraniana e ficou desorientado, zonzo.

NÃO TEM O IRÃ, SOZINHO, 
como resistir indefinidamente aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. Até porque Israel e Estados Unidos podem cometer mais um crime contra a humanidade e detonar bombas nucleares em território iraniano. Israel possui, pelo menos, 90 ogivas nessa modalidade. O Irã, zero. Num momento de afobação, no dia 7 de abril, Trump deu um piti e declarou que eliminaria a civilização iraniana em uma noite, coisa que só pode ser tentada com o uso de armamento atômico. Mas como o Irã se acostumou a fazer as coisas no modo solitário e numa crença extremista na vida após a morte, o martírio em defesa da causa passou a ser um traço da civilização persa que nem o medo de novas Little Boy e Fat Man tem conseguido abalar.

UM POODLE LOURO
 foi em que se transformou o vociferante Donald, ao permitir que Netanyahu lhe colocasse na corrente. A ironia é que, sempre, quem punha a gargalheira nos outros era a Casa Branca. Há 24 anos, o primeiro-ministro britânico Tony Blair ficou conhecido mundialmente – por sua abjeta subserviência ao presidente americano durante a guerra contra o Iraque – como “o poodle de Bush” e até ganhou, de George Michael, música e videoclipe de sucesso, “Shoot the Dog”. Em 2026, Trump está na coleira, latindo e abanando o rabo para agradar Bibi, seu tutor: vergonha e desastre.

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Paulo Nogueira Batista Jr:  "Antissemitismo e Antissionismo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/distincao-necessaria.html 

Sylvio: contraste

Os bilhões gastos nessa absurda e irresponsável guerra de Trump atacando o Irã poderiam ajudar muito no combate à fome e à miséria no mundo.

Sylvio Belém  

Marcelo Barros: O imperador e o Papa  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/visoes-de-mundo-dispares.html

Humor de resistência

Miguel Paiva 

Para além das faces visíveis https://lucianosiqueira.blogspot.com/