18 outubro 2026

Bom sinal

Lula ultrapassa Flávio Bolsonaro em índice de popularidade digital após crescimento da campanha no 2º turno. 

Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/em-defesa-da-democracia.html 

DNA espúrio

Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro
Nascido no dia do atentado que tentou parar a redemocratização, candidato do PL tem longo histórico de defesa do golpe e da ditadura militar
Bernardo Mello Franco/O Globo    


Em 30 de abril de 1981, um capitão e um sargento do Exército cruzaram o Rio em missão secreta. Transportavam duas bombas para causar terror e pânico num show que reunia milhares de jovens em comemoração ao Dia do Trabalhador. O plano era culpar a esquerda e sabotar o processo de redemocratização do país.

Em 30 de abril de 1981, um tenente que amava a ditadura, mas era tido pelos superiores como “excessivamente ambicioso”, assistiu em Resende ao nascimento do primeiro filho. Tempos depois, ele entraria na política como porta-voz dos porões.

Ninguém escolhe o dia em que vem ao mundo, e Flávio Bolsonaro não tem culpa de ter nascido no dia do atentado do Riocentro. No entanto, todos são responsáveis pelas escolhas feitas na idade adulta. Entre a democracia e a ditadura, Flávio sempre marcou a segunda opção.

No livro “Mito ou verdade”, o senador expõe seu ideário sem disfarces. No texto, ele exalta o golpe de 1964 e o regime autoritário que perseguiu, prendeu e matou opositores políticos. “Ao invés (sic) de marginalizados, deveriam ser ser tratados como heróis nacionais”, escreve, sobre os agentes da repressão.

A exemplo do pai, Flávio glorifica o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que levava crianças para assistirem à tortura dos pais. Descreve o militar como “homem correto, íntegro, que cumpriu seu papel de defender a pátria” e teria sido “massacrado pela mídia”.

O filho de Jair acusa a Comissão da Verdade, criada para apurar crimes da ditadura, de “tentar reescrever a História à luz da visão dos terroristas”. Ele ataca a memória de vítimas do regime e chega a sugerir que o ex-deputado Rubens Paiva, assassinado no DOI-Codi, teria sido morto por grupos de esquerda.

O livro foi lançado em 2017, quando Flávio ensaiava concorrer ao Senado. Estava no fim do quarto mandato na Assembleia Legislativa do Rio, onde se notabilizou por subir à tribuna todos os anos para festejar o 31 de março, data cultuada pela extrema direita como aniversário da ditadura.

“Fica aqui o meu repúdio a essa massificação que é feita com relação ao regime militar, esquecendo-se do grande avanço econômico, social e político que tivemos”, discursou, em 2004. “Para mim, é motivo de muito orgulho e agradecimento aos militares”, reforçou, em 2009.

“A esquerda, hoje no poder, insiste em falar que houve um golpe”, prosseguiu, em 2010. No ano seguinte, ele celebrou a “data especial” e disse que era preciso combater “a mentira de que houve um golpe militar”. “Todos já conhecem o posicionamento da família Bolsonaro”, acrescentou. Quem haveria de discordar?

Desde que entrou na política, o patriarca do clã milita na defesa do autoritarismo. Especializou-se em exaltar a violência de Estado, atuar pela impunidade de torturadores, ofender viúvas e órfãos de desaparecidos. Quando o Ministério Público Federal reabriu o caso Riocentro, em 2014, ele fez questão de acompanhar o depoimento de um militar investigado. Diante dos procuradores, atacou a Comissão da Verdade e disse sonhar com uma reedição da Operação Condor, aliança clandestina entre ditaduras do Cone Sul.

A democracia deveria ser tema central na primeira eleição após o 8 de Janeiro e a inédita condenação de generais golpistas. Os marqueteiros treinaram o candidato do PL para evitar menções à ditadura, mas não podem apagar tudo o que ele já disse e escreveu sobre o tema. Por destino e por escolha, Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro. 

Tíbio e incompetente https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0953060760.html  

Em defesa da democracia

Manifesto pró-Lula une centro e direita contra ameaças bolsonaristas

Grupo de intelectuais, economistas e ex-ministros vê em Flávio Bolsonaro risco de retrocessos institucionais, sociais e na política externa
Cezar Xavier/Vermelho       

Um grupo de intelectuais, economistas, acadêmicos, ex-ministros e personalidades de diferentes trajetórias políticas, inclusive de centro-direita, declarou neste sábado (17) apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O manifesto, intitulado “Pela democracia, pela estabilidade, pelo desenvolvimento com justiça social e ambiental e pelo Brasil”, aponta na candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) riscos de retrocessos institucionais e sociais.

A declaração foi apresentada durante o “Encontro pela democracia, pela estabilidade, pela justiça socioambiental e pelo Brasil”, realizado no Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados e Tecnologia da Informação de São Paulo, na região de Santa Cecília. Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ex-ministros Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente) e Simone Tebet (Planejamento).

Entre os quinze signatários estão quatro ex-ministros dos governos de Fernando Henrique Cardoso, adversário histórico de Lula, além de nomes como o ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr., que participou do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, e o ex-ministro da Fazenda Rubens Ricupero. O manifesto ainda é assinado por Aloysio Nunes Ferreira, Beatriz Bracher, Beatriz Cardoso, Carlos Nobre, Claudia Costin, Eduardo Giannetti, Fabio Feldman, Floriano Pesaro, José Carlos Carvalho, José Carlos Dias, Izabella Teixeira, Rosiska Darcy de Oliveira e Oscar Vilhena.

A democracia acima das diferenças partidárias

O manifesto sustenta que a eleição deste segundo turno ultrapassa as divergências partidárias e ideológicas. Para os signatários, a reeleição de Lula oferece melhores condições para preservar o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas e os canais de diálogo na sociedade e no cenário internacional.

“Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade”, afirma o documento.

Em contraposição, o grupo identifica no projeto representado por Flávio Bolsonaro “ameaças a esses princípios”, além de intenções de desarticular conquistas sociais consolidadas e riscos à interlocução internacional multilateral construída pelo Brasil.

A crítica é especialmente significativa por partir de um grupo que reúne nomes que não se identificam com a esquerda e que mantêm diferenças com o governo Lula.

“Não é um apoio irrestrito a Lula”

Os signatários fazem questão de registrar que o apoio eleitoral não significa adesão integral ao governo. O manifesto afirma que muitos dos participantes mantêm críticas ao presidente e preservarão a independência para continuar expressando suas divergências.

“É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha”, afirma o texto. “Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.”

O argumento desloca a disputa eleitoral para além da polarização entre esquerda e direita e apresenta a reeleição de Lula como uma escolha em defesa das instituições democráticas e de um projeto nacional de desenvolvimento.

Desenvolvimento, emprego e soberania

O documento também estabelece uma agenda econômica e social. O grupo defende crescimento econômico, geração de empregos, recuperação da capacidade industrial, inovação, agricultura de baixo carbono, educação, ciência e tecnologia.

A preservação ambiental aparece associada à própria soberania nacional. Florestas, recursos hídricos, biodiversidade e minerais estratégicos são apresentados como riquezas que devem contribuir para o desenvolvimento brasileiro, mas com uso responsável e compromisso com as futuras gerações.

Na área institucional, os signatários defendem respeito à diversidade e aos direitos fundamentais. Também rejeitam a transformação de adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa e organizações da sociedade civil em “inimigos”.

“Uma medida civilizatória”

Antes do encontro, Alckmin afirmou que os participantes estavam mobilizados em defesa da democracia, da Constituição e de um projeto de desenvolvimento capaz de combinar crescimento e distribuição de renda.

“Não queremos o Brasil indo para a recessão, para o desemprego, para o fechamento de empresas. Queremos economia crescendo, distribuindo renda”, afirmou.

Depois da reunião, o vice-presidente resumiu sua avaliação sobre a escolha eleitoral: “A reeleição do presidente Lula é uma medida civilizatória”.

Marina Silva também destacou o caráter mais amplo da mobilização. “Há uma profusão de movimentos pró-Lula acontecendo nesse país para virar voto. É um grupo de pessoas que são do campo democrático, mas não são necessariamente dos partidos de esquerda e que estão aqui”, afirmou.

Paralelamente, um grupo de evangélicos realizava outra reunião em defesa da reeleição de Lula, ampliando o movimento de setores da sociedade que buscam ultrapassar as fronteiras tradicionais do campo político na disputa do segundo turno.

Leia o manifesto na íntegra:

“Neste segundo turno, o Brasil está diante de uma escolha que ultrapassa diferenças partidárias e preferências ideológicas. Está em jogo a capacidade do país de preservar a estabilidade institucional, o equilíbrio entre os Poderes, as liberdades democráticas; de enfrentar a crise climática, cuidar de nossos biomas, dos povos indígenas, das comunidades tradicionais e de toda a população sacrificada pela acentuada desigualdade social. Está em risco um caminho capaz de levar ao desenvolvimento econômico com justiça social, soberania e paz.

Nós, que temos distintas origens, trajetórias e visões sobre muitos dos desafios nacionais, entendemos que, sobretudo nos momentos de maior polarização, a democracia é o nosso norte comum, e ela exige responsabilidade, respeito às instituições e compromisso inequívoco com a Constituição.

Consideramos que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva oferece ao país melhores condições para assegurar esse equilíbrio institucional, preservar direitos e liberdades, manter canais de diálogo entre diferentes setores da sociedade e com espaço geopolítico global, e evitar retrocessos institucionais, preservando conquistas sociais, trabalhistas, educacionais, na saúde pública e na proteção ambiental. Ao mesmo tempo vemos, no projeto representado por Flávio Bolsonaro, ameaças a esses princípios, intenções de desarticular patamares de conquistas sociais já consolidados e riscos à interlocução internacional multilateral consagrada pelo Brasil.

O Brasil precisa crescer, gerar empregos, estimular a inovação, recuperar sua capacidade industrial, estimular a agricultura de baixo carbono, avançar na educação, criar oportunidades para seus cidadãos e corrigir erros, onde isso se fizer necessário. Esse desenvolvimento deve estar associado à estabilidade econômica, à ciência, à tecnologia e à responsabilidade ambiental, com a preservação de nossas riquezas naturais. Florestas, água, biodiversidade e minerais estratégicos são parte da soberania brasileira e devem contribuir para o desenvolvimento do país, com uso responsável desses recursos e compromisso com as futuras gerações.

Também consideramos indispensável que o próximo governo respeite a diversidade da sociedade brasileira, proteja direitos fundamentais, sem transformar adversários políticos, instituições públicas, universidades, imprensa ou organizações da sociedade civil em inimigos.

Muitos de nós temos diferenças com o presidente Lula e críticas a seu governo, e preservaremos nossa independência para expressá-las. É justamente por valorizarmos o pluralismo que fazemos esta escolha. Antes de apoio a um nome, esta manifestação é de apoio ao Brasil, ao nosso espaço nacional e aos seus valores fundamentais comuns.”

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html 

Contra a democracia

Flávio Bolsonaro é o filho do Riocentro. Nascido no dia do atentado que tentou parar a redemocratização, candidato do PL tem longo histórico de defesa do golpe e da ditadura militar – escreve Bernardo Mello Franco n’O Globo.  

Sua mensagem em vídeo importa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01459560701.html 

Arte é vida

Henrique Pichardo

Ganhos do povo sob bombardeio midiático https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01555616586.html 

Palavra de poeta

VÉU DE PIRILAMPO
Virginia Leal      

E eu coloquei meus óculos escuros
contra a mediocridade dos neons
contra a agressão das almas monstruosas
e a crueldade oculta nas manhãs
— na penumbra amnésica anteparo
o cotidiano fogo dos dragões.

E eu ajustei meus óculos escuros
mas vi gente comendo carne humana
crianças assaltando à mão armada
cheirando cola ou sendo trucidadas
enquanto os vaidosos declamavam
a sua dor tão dicionarizada.

[Iustração: Miguel Ángel Blinchón Bujes]

"Soletrando no escuro a tua voz", poema de Jaci Bezerra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_010771146.html  

Esperança nas ruas

Os corpos de uma democracia 
Brasileiros tomam as ruas e mostram que a luta pela dignidade é um movimento de massa
Jamil Chade/Liberta      

Nos últimos dias, viralizou uma cena da elite carioca que, do balcão do decadente Copacabana Palace, mandava beijos e fazia gestos, provocando a multidão que saía em defesa da democracia. Com os dedos, aquelas pessoas faziam os números da candidatura de Flávio Bolsonaro. Com a alma, zombavam de trabalhadores e de seus sonhos.

Resguardados pela distância, pela certeza da impunidade e pela falta de sensibilidade, reafirmavam que daquele palácio ninguém as tiraria. Mandavam beijos e adeus aos que jamais conseguirão ter acesso à corte. Um retrato perfeito de um Brasil aristocrata e colonial.

Mas as ruas parecem não ter se intimidado. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e em tantos outros pontos do país, milhões de brasileiros entenderam que não se trata apenas de mais uma eleição. Estamos diante de uma decisão que vai definir quem somos. Um voto que vai traçar o destino da República.

De forma espontânea ou em dezenas de comitês organizados pelo país, uma parcela do país decidiu ocupar o espaço e o debate público com seus corpos. Corpos jovens. O resultado foi o maior movimento progressista desde a campanha das Diretas Já, nos anos 80.

Em Origens do Totalitarismo, Hannah Arendt explicou:

“Os movimentos totalitários são organizações de massa compostas por indivíduos atomizados e isolados. Em comparação com todos os outros partidos e movimentos, sua característica externa mais marcante é a exigência de lealdade total, irrestrita, incondicional e inalterável por parte de cada membro. Essa exigência é feita pelos líderes dos movimentos totalitários mesmo antes de assumirem o poder. Ela geralmente precede a organização total do país sob seu domínio efetivo e decorre da pretensão de suas ideologias de que sua organização venha a abranger, oportunamente, toda a humanidade.”

Em 2026, o Brasil está mostrando que a defesa da democracia também pode ser um movimento de massa. Mas, ao contrário do totalitarismo, o que vemos não são indivíduos atomizados.

Na defesa da democracia brasileira, aquilombar-se parece ser o caminho escolhido. Ou, como diria Conceição Evaristo, “é tempo de formar novos quilombos, em qualquer lugar que estejamos”.

As ruas sabem que, diante de nós, em poucos dias, estará mais uma vez uma encruzilhada. Nas urnas estará uma pergunta tão simples quanto poderosa: quem somos? Somos o negacionismo, o ódio, a mentira, a misoginia? Normalizaremos a censura e a repressão contra qualquer dissidência?

A questão não é o que o poder sem limites pode fazer. A pergunta é: o que nós estamos preparados para fazer diante desse poder? E as ruas do Brasil estão dando a resposta, inclusive para que Lula possa governar, caso saia vitorioso.

Confio nos ecos das palavras de Manuel Alegre, que nos ensina que, mesmo na noite mais triste, “em tempo de servidão, há sempre alguém que resiste, há sempre alguém que diz não.”

Nas ruas, ecoam o não ao fascismo. Dos corpos de milhares de brasileiros, brotam o sonoro não à barbárie, à opressão contra qualquer um que atente contra esse poema-sinfônico chamado Brasil.

As ruas estão dizendo que a democracia não se faz em silêncio. Tampouco envergonhada.  Ela se faz com a coragem que o jagunço Riobaldo, de Guimarães Rosa, nos convocou a ter.

Arte e festa

Mas as ruas também são arte e festa. O samba da Lapa, no último fim de semana, foi mais um capítulo da confirmação da tese do professor Luiz Antonio Simas, que insiste que nossas celebrações não são distrações contra uma realidade dura, contra os desmandos e a opressão. A festa não é o ópio. É parte da resposta e da resistência.

As ruas sabem que, sim, chegou a hora da encruzilhada. Do encontro. Da força dos corpos e da energia das mãos dadas que, depois de alguns segundos, passam a coordenar a batida do coração daqueles entrelaçados em seus destinos.

Ocupemos as praças, os locais de votação, as festas, os bailes, as ruas, as assembleias, as igrejas, os coretos. O coração pulsa.

O chão no Brasil treme. Seja pelo forró que brota da terra, pelo grito de gol na arquibancada, pelos protestos ou pela violência. Mas ele sempre treme. Um país que chacoalha com o imaginário do planeta.

E o mundo uma vez mais nos observa. Diante dos ventos gelados do autoritarismo, podemos ser mais uma vez a resposta e a esperança.

Nas urnas, estará a nossa capacidade de frear a extrema direita e o autoritarismo. Completar a descolonização de uma sociedade e ousar inventar um Brasil democrático estão em nossas mãos. E as ruas estão nos mostrando que somos muitos. Nós nos levantamos.

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html