13 junho 2026

Dica de leitura

IA & crise energética 

Te Li, professor assistente na Faculdade de Economia e Gestão da Universidade Aberta de Yunnan, China, em artigo publicado no Boletim Aepet, sugere uma análise crítica da Inteligência Artificial (IA) sob a ótica da termodinâmica, argumentando que a tecnologia não é imaterial, mas dependente de um consumo massivo de energia e recursos naturais.

Daí a expansão da IA ​​acelerar as crises energética e ecológica, em franca contradição entre a lógica do capital, que impõe um crescimento infinito em um planeta de reconhecidos limites. Algoritmos não possuem autonomia técnica para resolver impasses globais, funcionam sob a imposição do capital.

O destino da sociedade não será determinado pela eficiência do código, mas por decisões políticas sobre quem controla a energia, diz o autor. Sem uma mudança estrutural no modo de produção, a IA apenas aprofunda a entropia social e climática. A política deve ter o comando sobre da técnica. Confira https://aepet.org.br/artigo/a-termodinamica-do-capital-inteligencia-artificial-crise-energetica-e-crise-ecologica/

[LS] 

Sylvio: mesmo time

Os indicativos econômicos e sociais demonstram claramente que o Brasil está no rumo certo, com a diminuição do desemprego,  da miséria e melhoria de vida de sua população. Daí a importância da continuidade no poder dos responsáveis por isso, sem vez para perigosas aventuras. Resumindo, em jargão futebolístico: "em time que está ganhando não se mexe".

Sylvio Belém   

A polarização e a radicalização do debate público é a essência do modelo de negócio das redes sociais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/01/o-brasil-e-as-big-techs.html?m=1

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Pedro Caldas

Crônica de uma vitória a conquistar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_30.html


Minha opinião

Sauna? Estou fora
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65  

O velho amigo Epaminondas já me criticou mais de uma vez pelo o que ele considera incoerência minha rejeitar conselhos e hipotéticas “descobertas” científicas destinadas a melhorar a vida do cidadão no cotidiano e ao mesmo tempo escrever ironicamente sobre elas. 

Faz sentido. 

Entretanto, como leio os jornais e sites noticiosos diariamente, natural que a minha atenção seja despertada, ainda que por alguns segundos, para manchetes e lides redigidos precisamente para atrair o leitor. 

Pois a minha "incoerência" se repete ao perceber o destaque do Estadão para a prática milenar da sauna: "Descubra como as saunas, usadas há séculos, podem contribuir para o relaxamento, sono e saúde cardiovascular; entenda ainda as contraindicações".

Não li o texto completo porque não tinha tempo nem interesse. 

Mas minutos depois, dirigindo o carro até a loja de utilidades onde fui em busca da resistência de um dos chuveiros daqui de casa, que se queimou, não resisti a especular sobre o banho morno, predileto aqui em casa, e as tais saunas.

Imaginei me vendo coberto apenas com uma toalha em ambiente tomado por um vapor, se não muito quente, pelo menos morno. 

Por quanto tempo? Qual a temperatura ideal? Como conciliar a preferência de mais de um frequentador (tão comum em cenas vistas em filmes)?

Já as contraindicações mencionadas na matéria, mesmo ignorando-as, consola-me imaginar uma hipotética convergência entre o meu preconceito e uma oportuna proibição, quem sabe do meu cardiologista. 

Resistências pessoais eu carrego ao longo dessas quase completas sete décadas de vida.

Outra: frequentar academia para exercícios aeróbicos e de musculação. Simplesmente não me vejo nelas e compenso o preconceito com o prazer da caminhada. 

Afinal, caminhar também é um exercício aeróbico, ou não? Meus médicos dizem que sim. 

O fato é que chego ao final da vida, ou mais ou menos próximo, sem jamais ter entrado numa sauna. 

Se eu merecesse um troféu por essa "proeza", seria por cautela e ou preconceito? Pegaria melhor a primeira alternativa. Ou não?

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Por enquanto, a Copa não emociona https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_0897435088.html 

Postei nas redes

Lamento do 'Estadão': "Enquanto a direita briga e o centro cala, Lula pauta o País com sua versão dos fatos". Acrescento: para o bem do Brasil! 

"Em maus lençóis" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01637939089.html 

China x EUA

A dura realidade do comércio civilizador
A disputa entre Estados Unidos e China em torno das sanções econômicas revela transformações profundas na ordem internacional. Ao desafiar medidas impostas por Washington contra refinarias chinesas ligadas ao petróleo iraniano, Pequim sinaliza não apenas uma resistência inédita ao poder norte-americano, mas também sua disposição de sustentar uma arquitetura econômica menos dependente do dólar
Benoît Bréville*/Le Monde Diplomatique  

Depois de acusar cinco refinarias chinesas de se abastecerem de petróleo iraniano, o Tesouro norte-americano as acrescentou, em 24 de abril passado, à sua interminável lista de empresas sancionadas. Uma rotina, aparentemente. Há décadas, Washington se arroga o poder de determinar quem pode comercializar com o resto do mundo, e todos se curvam a seus ditames por medo de serem excluídos de um sistema financeiro internacional atrelado ao dólar.

No entanto, as coisas não aconteceram como previsto. A China, que até então se contentava com protestos verbais e formas discretas de drible, anunciou que não se submeteria a essas sanções e que levaria aos seus tribunais qualquer empresa chinesa que lhes obedecesse. A decisão é justificada pela necessidade de “preservar a soberania, a segurança e os interesses de desenvolvimento do país”. Em outras palavras: impedir que as sanções norte-americanas desorganizem fluxos energéticos que se tornaram essenciais para a economia regional.

As refinarias visadas abastecem vários países com gasolina e querosene, e sua inclusão na lista de proscritos fragilizaria o conjunto das cadeias de suprimento de um continente que funciona como um vasto sistema de produção integrada: hidrocarbonetos do Golfo, componentes chineses ou coreanos, montagem no Vietnã ou em Bangladesh… Nesse conjunto interdependente, uma ruptura duradoura dos fluxos energéticos – já fragilizados pelas tensões em torno do Estreito de Ormuz – poderia rapidamente desorganizar todo o aparelho produtivo.

Diante desse risco, Pequim endurece o tom, ainda mais porque agora dispõe de instrumentos que lhe permitem atenuar o efeito das sanções financeiras norte-americanas: sistema de pagamentos transfronteiriços e liquidação crescente do comércio de petróleo em yuan, acordos entre bancos centrais ou ainda projetos de moedas digitais interoperáveis. Assim, o cálculo chinês se alterou: uma queda de braço com os Estados Unidos passou a ser menos custosa do que uma perturbação prolongada dos fluxos comerciais.
 

O episódio dá mais um golpe em um sistema de sanções cada vez mais usado e cada vez menos eficaz. Ele poderia abrir caminho para estratégias mais sistemáticas de driblar as sanções, facilitadas pelo surgimento de alternativas apoiadas pela China. “A época em que Washington ditava sozinho com quem o mundo podia comercializar e via suas decisões se imporem chegou ao fim”, comemora, talvez com alguma pressa, um analista crítico dos Estados Unidos (The Morning Star, 16 maio 2026). Resta saber que ordem econômica a China pretende, por sua vez, consolidar.

Sua reação à lei de aceleração industrial apresentada no início de março por Bruxelas oferece um vislumbre disso. Promovido pela Comissão Europeia como um antídoto à desindustrialização, esse plano visa condicionar os apoios públicos a exigências de conteúdo local e de transferência de tecnologia, sobretudo no setor de baterias, de veículos elétricos e de painéis solares. Pequim denunciou imediatamente uma guinada “protecionista”, contrária às regras da Organização Mundial do Comércio. “Se a União Europeia adotar essa legislação e prejudicar os interesses das empresas chinesas, a China não terá outra escolha senão tomar medidas de retaliação”, advertiu o governo. Esses instrumentos, porém, são da mesma natureza daqueles que o país mobilizou por muito tempo para estruturar sua própria ascensão industrial e que os Estados Unidos vêm colocando em prática com zelo crescente há cerca de dez anos.

Ao contestar a hegemonia norte-americana, Pequim defende a continuidade de uma ordem livre-cambista cujos contornos Washington por muito tempo definiu. Ela retoma sua lógica: no comércio mundial, as regras importam menos do que a força de quem as impõe.

*Benoît Bréville é diretor do Le Monde Diplomatique

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EUA: Os bilionários pedem mais guerra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/multimilionarios-senhores-da-guerra.html