Os três mal-amados
Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
18 junho 2026
Palavra de poeta
O amor comeu meu nome, minha identidade,
O amor comeu minha certidão de idade,
O amor veio e comeu todos
O amor comeu metros e metros de
O amor comeu a medida de meus ternos, o
Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.
FIFA reacionária
Fifa persegue camisa do Haiti e ignora ações políticas dos EUA na Copa
Entidade máxima do futebol foca o rigor em seleções periféricas e silencia sobre o arbítrio de potências
Davi Dmolir Molinari/Vermelho
A decisão da Federação Internacional de Futebol (Fifa) de vetar o uniforme principal do Haiti para a Copa do Mundo de 2026 trouxe à tona o debate sobre a tutela desproporcional que a entidade exerce sobre as nações de menor peso geopolítico. Sob o argumento de manter a neutralidade nos gramados, a federação barrou a camisa que homenageava a Batalha de Vertières (1803) – marco da Revolução Haitiana contra o colonialismo francês -, mas expôs uma contradição: o próprio protocolo oficial da entidade obriga e ritualiza a execução dos hinos nacionais antes de cada partida.
Os hinos nacionais são, por definição, as expressões mais explícitas de ideologia e afirmação do poder de um Estado. Ao mesmo tempo em que a Fifa proíbe uma pequena federação caribenha de estampar um símbolo de libertação da primeira república negra independente do mundo, ela institucionaliza manifestações políticas de grande porte. Críticos apontam que a rigidez contra o Haiti contrasta com o silêncio da entidade diante de abusos promovidos pelos Estados Unidos, co-sede do torneio.
Rigores com o Sul Global e complacência com o império
Enquanto pune o resgate histórico de uma nação periférica, a Fifa silencia perante as restrições consulares e logísticas impostas pelo governo norte-americano. A seleção do Irã enfrentou severos entraves diplomáticos, incluindo a negativa de vistos de entrada para 11 membros da comissão técnica sob a justificativa de segurança nacional. O bloqueio forçou os iranianos a transferirem sua base de preparação para Tijuana, no México, além de se submeterem a longas esperas na fronteira. A ingerência também atingiu a arbitragem, com juiz impedido de ingressar no país por restrições de visto impostas pela administração de Donald Trump.
Mesmo diante de declarações do mandatário estadunidense questionando a presença da delegação iraniana e de claras violações ao livre trânsito que as regras exigem de um país anfitrião, a direção da Fifa, comandada por Gianni Infantino, evitou contestações. Infantino manteve agenda de proximidade com o presidente norte-americano, reforçando as críticas sobre o duplo padrão na governança do futebol mundial, onde os abusos de uma superpotência são tratados com omissão institucional.
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Mudança de padrão tático https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/selecao-brasileira-indefinida.html
Postei nas redes
Compreensiveis as alterações na escalação da seleção brasileira para o jogo com o Haiti. Mudanças sempre acontecem. Ruim é a indefinição sobre a estratégia de jogo; torna o time inoperante e inseguro.
O mundo cabe numa Organização de Base https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/05/minha-opiniao_18.html
Enio Lins opina
Quando o Poder
Judiciário se recusa a ser banana
Enio Lins
DUDU
BANANINHA, marginal milionário homiziado nos Estados Unidos,
foi condenado a uma pena de quatro anos e dois meses de prisão por tentar
sabotar o julgamento do derrotado golpe de Estado em 2023, e ficará inelegível
por 12 anos, sem poder ser votado até 2038. O meliante não foi julgado ainda
pelas ações de traição nacional feitas junto ao governo dos Estados Unidos, e
que provocaram tremendos prejuízos à economia brasileira com a imposição de
taxas pela administração Trump.
APESAR DE MODERADAS, essas penalidades são um alento para a Democracia, pois
sinalizam às milícias golpistas que tentativas de golpes de Estado deixaram de
ter a cumplicidade da Justiça. Ao longo de toda história brasileira, a
impunidade era uma garantia para qualquer poderoso que quisesse tentar destruir
o sistema democrático vigente. Sistema que nunca foi perfeito, mas os
reacionários sempre procuraram eliminar todas as chances de evolução e
consolidação do Estado Democrático de Direito. Com os julgamentos dos
criminosos que se expuseram à luz do dia em 8 de janeiro de 2023, está em curso
a mais importante mudança de atitude – constitucional – no Poder Judiciário
brasileiro desde seus primórdios. Assim, são de enorme importância as
penalidades impostas ao fugitivo Dudu.
ALIMENTADO A
PÃO-DE-LÓ numa mansão americana, o condenado desdenhou do processo
desde antes, inclusive não nomeando advogado de defesa, posição que teve de ser
ocupada por um defensor público pago com recursos públicos. Como publicou o
jornal carioca Extra, “com bens e contas bloqueados pela Justiça e no meio de
uma polêmica sobre um expressivo montante de dinheiro entregue a ele,
proveniente de contas atribuídas a Daniel Vorcaro para um suposto financiamento
do filme ‘Dark Horse’, sobre o pai, Jair, Eduardo Bolsonaro, não pode se
queixar da vida que leva nos Estados Unidos. O ex-deputado federal e escrivão
afastado da Polícia Federal vive numa mansão em Southlake, no Texas, numa vila
de imóveis bem parecidos, com aqueles jardins bem-cuidados e sem muro que se vê
nos filmes”.
VIVER COMO UM MARAJÁ sem dispor de fontes de recursos identificáveis é evidência
de financiamento escuso. Isso é óbvio. E se essa vida luxuosa, de inexplicável
fartura, for no exterior, aumentam as suspeitas de dinheiro movimentado pelo
crime organizado internacional, pois circular cotidianamente grandes somas sem
deixar rastro é coisa para profissionais. Mas não apenas Little Banana curte
existência de parasita rico em território americano, sem dar um dia de serviço
para ninguém, nem ser herdeiro de algum milionário. Três dos mais conhecidos
integrantes dessa lista de privilegiados fora-da-lei acolhidos pelos Estados
Unidos, são cúmplices de Dudu e figurinhas carimbadas: o deputado cassado
Alexandre Ramagem (mais recente “refugiado”), o blogueiro Allan dos Santos, e
um neto do último ditador brasileiro, chamado Paulo Figueiredo.
CONFRONTAR A
JUSTIÇA, entretanto, segue sendo um mantra dos golpistas.
Assim que foi anunciada a condenação de Dudu, o PL (Partido Liberal) divulgou –
segundo a jornalista Camila Bezerra, no site Jornal GGN – que pretende manter a
candidatura do apenado como suplente de senador por São Paulo: “Segundo
integrantes do partido, a intenção é sustentar a candidatura pelo maior tempo
possível, ainda que a tendência seja de que a Justiça Eleitoral a barre em
decorrência da condenação”. Essa turma não consegue aceitar que a
impunibilidade não mais lhes cobre os malfeitos, e se esmera em defender o
retorno da criminalidade sem ônus como se isso lhes fosse um direito
inalienável. É hora, portanto, do Ministério Público e do Poder Judiciário manterem
a firmeza do cumprimento da Lei, e dar sequência às investigações ainda em
curso, encaminhando exemplarmente os muitos processos pendentes. Eles merecem.
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Lula avança e candidato de Donald Trump recua https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/editorial-do-vermelho_01899426184.html
Sylvio: merecida condenação
Mais uma anotação na ficha criminal da família Bolsonaro, por conta da condenação do ex-deputado Eduardo pelo Supremo Tribunal Federal. Agora se impõe sua extradição para cumprimento da pena que lhe foi, justamente, imposta.
Charge: Nando Motta
Leia também: Enrolados e hipócritas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_0898482679.html





