13 abril 2026

Palavra do PCdoB

PCdoB alerta para desafios eleitorais e ofensiva imperialista
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A presidenta em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, abriu nesta sexta-feira (10) a 3ª reunião do Comitê Central do partido, realizada em formato híbrido, a partir de Brasília, com uma intervenção política que traçou um panorama da conjuntura internacional e nacional e apontou os desafios partidários para o ano eleitoral de 2026.

Cenário mundial: declínio da hegemonia dos EUA

Segundo o informe do Comitê Central apresentado pela dirigente do Partido, o mundo vive um momento de “graves acontecimentos, tensões e ameaças”, marcado pela aceleração da ruptura da ordem mundial anterior. Nádia destacou que os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, tornaram-se “o epicentro da crise que instabiliza e ameaça o mundo”.

O documento aponta que a estratégia imperialista tem se desdobrado em guerra comercial indiscriminada (“tarifaço”), sanções e bloqueios contra Rússia, Irã, Cuba e Coreia do Norte, e escalada militar direta. No caso do Brasil, o “tarifaço” foi agravado pela Lei Magnitsky, usada como pressão política contra decisões do STF.

A guerra contra o Irã, iniciada por EUA e Israel, é apresentada como parte da tentativa de dominar o Oriente Médio, controlar reservas de petróleo e gás e afastar a influência da China e da Rússia. Contudo, a resistência iraniana impôs um cessar-fogo sem a reabertura do Estreito de Ormuz e sem rendição, desmoralizando a bravata de Trump de derrubar o regime em 24 horas.

Crise energética e desgaste do imperialismo

O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota por onde passam 20% do petróleo mundial, espraiou a crise energética para o planeta. Com o barril de petróleo saltando de US$ 60 para mais de US$ 100, se o Brent atingir US$ 140 por mais de 90 dias, “o risco de recessão global torna-se o cenário base para 2026”.

Internamente nos EUA, Trump enfrenta pressão fiscal, escândalos como o caso Epstein, inflação e insatisfação social, com grandes manifestações como o “No Kings”. Na Europa, crescem as contradições, com a Espanha qualificando a guerra como “desastre absoluto” e fechando espaço aéreo para operações contra o Irã.

Oriente Médio e América Latina sob ataque

O informe condena o genocídio em Gaza perpetrado por Israel, sob comando de Netanyahu, e os ataques ao Líbano e à Cisjordânia, que já deslocaram 1 milhão de pessoas. Denuncia ainda a aprovação de lei no parlamento israelense que prevê pena de morte por enforcamento exclusivamente para árabes e palestinos.

Na América Latina, a ofensiva de Trump busca coesionar presidentes de extrema-direita para formar o “Escudo das Américas”, visando dominar recursos energéticos, minerais estratégicos e mercados, além de afastar a articulação regional com os BRICS. Cuba segue sob bloqueio energético, e a Venezuela, sob tutela econômica e política.

Eleições no Brasil: soberania ou subjugação

No plano nacional, Nádia Campeão afirmou que a questão central é a reeleição do presidente Lula, que significará “uma afirmação da soberania do Brasil, ou a subjugação do país à alternativa de extrema-direita comprometida com nova investida ultraneoliberal e entreguista”.

A candidatura principal da oposição será a de Flávio Bolsonaro (PL), que reúne a base bolsonarista e apoio explícito do imperialismo estadunidense. O informe alerta que nenhuma das candidaturas oposicionistas representa o “centro moderado”, o que coloca um dilema para parte das elites.

Pesquisas recentes indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, com erosão de 10 a 15 pontos na vantagem lulista em três meses. O informe atribui esse movimento à recuperação da iniciativa política pela extrema direita após episódios como a chacina do Complexo do Alemão, a CPI do INSS e o caso do Banco Master.

Economia: indicadores positivos, mas desafios sociais

O informe reconhece indicadores favoráveis: inflação de 4,5%, queda do desemprego, aumento da renda real e da massa salarial, expansão do emprego formal e programas habitacionais. Contudo, alerta que a taxa Selic em patamar elevado neutraliza esforços de reindustrialização, mantendo o PIB estagnado em torno de 3%.

“O custo proibitivo do crédito levou a que 80% das famílias estejam endividadas, sendo que 30% estão inadimplentes”, aponta o documento. O endividamento das famílias em relação à renda anual chega a 49,69%, com juros rotativos de cartão de 436% ao ano.

Eixos da campanha de Lula

O informe assentou três bases para a campanha lulista:

1.   Ataque sistemático à candidatura de Flávio Bolsonaro, classificando-a como “traição nacional” e ameaça à democracia, por seu histórico golpista e subordinação de interesses nacionais aos EUA em temas como petróleo, Amazônia, terras raras e sistema financeiro.

2.   Atuação firme do governo nos problemas do povo, com medidas efetivas para proteger a economia popular, controlar preços da cesta básica e combustíveis, e reduzir o endividamento familiar. Destacam-se as lutas pelo fim da escala 6×1 e combate ao feminicídio.

3.   Apresentação de perspectivas novas para um novo mandato, com programa de mudanças que enfrente problemas críticos como segurança pública, saúde, juros altos, aperto fiscal e taxação dos super-ricos.

Papel do PCdoB e reformas estruturais

O informe orienta que o PCdoB deve ser “o defensor desta política, integrar a coordenação da campanha com visão de amplitude”, contribuindo com propostas que transcendam o programa de governo.

Deve apresentar às forças progressistas “o alcance de um novo projeto nacional soberano” que permita ao Brasil desenvolver indústria de ponta, defesa nacional, ciência e tecnologia, proteger minerais estratégicos e aprofundar a democracia.

Para isso, o partido constituirá um grupo para elaborar proposta com base no documento de Reformas Estruturais e aportes acumulados pelos núcleos da FMG. As demais tarefas serão apresentadas via Projeto Eleitoral e agenda de lutas.

Agenda do Comitê Central

A reunião, que segue até domingo (12), inclui ainda: apresentação do Projeto Eleitoral do PCdoB; informe sobre atualização do Programa Socialista; aprovação de resolução sobre Fundo Especial de Financiamento de Campanha; e eleição para recomposição da Comissão Executiva e Comissão Política.

Neste sábado, os trabalhos foram abertos com homenagem aos camaradas Renato Rabelo e Márcio Cabreira, falecidos há pouco mais de um mês. Ao final dos debates, o Partido divulgará orientações para a batalha eleitoral e as lutas populares de 2026.

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O outro lado do que acontece https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Palavra de poeta

A solidão e a espera
Celso Mesquita   

Nunca mais ver
Teu rosto
O sentimento da crisálida
Teu corpo.
Nunca mais
Abrir e cheirar
O novo livro.
Eu que te via guerrilha
Santa
Eu que arrancava papoulas
Com mãos úmidas
Na noite posta
Em teu silêncio,
Em meu rancor
O que restou da delicadeza.

[Ilustração: Deborah Bays]

Até onde a vista alcança https://lucianosiqueira.blogspot.com/  

Postei nas redes

Técnicos estrangeiros contribuem para o aperfeiçoamento do futebol brasileiro se forem capazes de levar em conta características próprias dos nossos atletas. Sem isso na certa fracassam. 

A postura coletiva dos campeões https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/selecao-quem-vai-copa.html 

12 abril 2026

Arte é vida

 

Vasiliy Ryabchenco   

Cotidianos sinais de vida https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Postei nas redes

Extrema direita derrotada na Hungria: Orbán reconhece derrota, após 16 anos no poder; Magyar deve ser o novo premier. Bom sinal. 

As voltas que o mundo dá https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Editorial do 'Vermelho'

Vitória do Irã sobre a guerra neocolonialista de Trump tem alcance mundial
Guerra neocolonial e imperialista traduz decadência da principal potência capitalista, que usa a força para tentar reverter o seu declínio
Editorial do 'Vermelho' 
  

As negociações que se iniciam no Paquistão, com o cessar-fogo no Irã, são aguardadas com grande expectativa. A trégua na agressão dos Estados Unidos e de Israel representa uma vitória relevante do Irã, que impacta positivamente a jornada dos povos pela paz e pela soberania nacional. Foram cerca de quarenta dias de ataques por uma poderosa máquina de guerra, provocando destruições e grande quantidade de mortes, numa guerra de rapinagem, tipicamente imperialista e neocolonial, com o objetivo de se apossar da terceira maior reserva de petróleo. O Irã respondeu de forma contundente e equilibrada, por estar com a razão perante os povos e o direito internacional.

Os agressores objetivavam também assumir o controle total do Oriente Médio, apossando-se do Estreito de Ormuz, vital para a economia mundial, destruindo o Irã como principal polo de resistência na região, apropriando-se do país para transformá-lo em mero apêndice dos interesses geopolíticos e econômicos estadunidenses. A intenção, abertamente proclamada, era criar barreiras numa região estratégica, entroncamento dos continentes europeu, africano e asiático, nas proximidades da Rússia e da China.

Os Estados Unidos também foram derrotados no Conselho de Segurança da ONU, com o veto de uma resolução ilegal pela China e a Rússia. “As ações do Conselho de Segurança devem visar a redução das tensões e não fornecer cobertura legal para ações militares não autorizadas, conceder licença para o uso da força ou alimentar o conflito”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning no jornal Global Times. China e Rússia sempre defenderam uma solução negociada para as acusações contra o Irã e rechaçaram a política de guerra dos Estados Unidos.

É preciso lembrar que Donald Trump e Benjamin Netanyahu promoveram o ataque de maneira covarde e traiçoeira, quando as negociações sobre a questão nuclear iraniana em Genebra, Suíça, estavam para serem concluídas. Em seu primeiro mandato, Trump havia abandonado um acordo de 2015 e no atual mandato adotou a campanha de “pressão máxima”.

O Irã, há muito tempo ameaçado, se preparou para enfrentar essa agressão. Desde a revolução de 1979 que derrubou a monarquia do xá Reza Pahlevi, francamente pró-Estados Unidos, o país se organizou para defender a sua integridade, a sua civilização milenar, a sua soberania e as suas riquezas. No ataque recente, ocorreu um choque entre o neocolonialismo, a prática de saque e rapinagem, e um povo unido, aglutinado em torno do governo.

A multidão que participou do funeral do aiatolá Ali Khamenei, assassinado pelos ataques em 28 de fevereiro, foi uma demonstração dessa unidade, repetida com as correntes humanas ao redor de infraestruturas estratégicas, como usinas de energia e pontes, em diversas cidades.

A declaração de Trump de que “uma civilização inteira” morreria “para nunca mais ser ressuscitada”, ultimato com explicita ameaça de genocídio, revela o grau de brutalidade da agressão. É uma proclamação de que os Estados Unidos poderiam repetir, numa escala superior, a carnificina contra os palestinos na Faixa de Gaza, liderada pelo regime israelense de Netanyahu, ostensivamente apoiada por Trump.

O cruento ataque de Israel ao Líbano – que declarou um dia de luto nacional pelas mortes de mais de duzentas pessoas –, atingindo mais de cem alvos, em plena vigência do cessar fogo, acendeu o alerta sobre a continuidade do propósito anunciado pelos agressores de mudar o “regime” iraniano.

O Irã denunciou o ataque como violação do cessar-fogo. A Guarda Revolucionária iraniana disse que daria uma resposta caso os ataques não fossem imediatamente interrompidos, obrigando Netanyahu a prometer que que participaria de negociações com o governo libanês.

Líderes europeus exigiram que o Líbano fosse incluído no acordo. O Reino Unido, a França e a União Europeia condenaram os ataques de Israel, afirmando que ameaçavam a trégua, tendência que vem desde o início da guerra, gerando conflitos que chegaram a atitudes de Trump de humilhação à Otan. No âmbito interno ele também se isola, com grandes manifestações populares contra a sua política de guerra.

O primeiro-ministro do Paquistão, Nawaf Salam, havia dito que o acordo se aplicava a “todos os lados, incluindo o Líbano e outros locais”. Ele denunciou, em comunicado, que a agressão ocorreu num momento em que as autoridades libanesas procuravam negociar uma solução. Ao atingir zonas civis, Israel agiu em “total desrespeito pelos princípios do direito internacional e do direito humanitário internacional – princípios que, de qualquer modo, nunca respeitou”, afirmou. De fato, o regime israelense, agora sob o comando de Netanyahu, só sobrevive com guerras.

Trump também fez novas ameaças, anunciando que suas forças permanecerão “no local até que o verdadeiro acordo alcançado seja totalmente cumprido”. O aumento do número de navios de guerra e tropas dos Estados Unidos permanecerá, afirmou. “Se, por qualquer razão, não for cumprido, o que é altamente improvável, então o shootin Starts (algo como chuva de bombas) será maior, melhor e mais forte do que qualquer um já viu antes”, ameaçou.

São manifestações que revelam a essência do trumpismo, sua monstruosa ideologia fascista e convicções genocidas. Sua ameaça de exterminar “uma civilização inteira” não se cumpriu porque foi impedida pelas circunstâncias. À frente de uma potência decadente, ele usa uma escalada verbal intimidatória, que pode, sim, transformar-se em ações concretas.

Não é a primeira vez que imperialismo estadunidense é derrotado por um povo e seu governo dispostos e defender a sua nação. O exemplo mais emblemático é o do Vietnã, que venceu uma guerra assimétrica, permeada por crimes bárbaros do imperialismo. No Irã, além da união do povo em torno do governo, os agressores não conseguiram neutralizar a capacidade de defesa e ataque do país, que respondeu atingindo bases militares estadunidenses na região e pontos estratégicos em Israel.

O mundo democrático tem se manifestado enfaticamente contra as guerras de Trump e Netanyahu. Com o ataque ao Irã, o governo dos Estados Unidos se desmoralizou ainda perante o mundo, sobretudo pelo forte abalo na economia, com aumento dos preços dos combustíveis, dos fertilizantes e de outros produtos derivados de petróleo. Cumpre agora prosseguir com os protestos em todo o mundo, exigindo paz, respeito à soberania dos povos e cumprimento do direito internacional.

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O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/

Uma crônica de Ruy Castro

A mãe de Sua Senhoria
Graças à TV e à leitura labial, sabe-se agora o que os jogadores dizem ao brigar em campo. Muitos são mais velhos do que os juízes e não hesitam em mandá-los fazer certas coisas    
Ruy Castro/Folha de S. Paulo   
 



Foi-se o tempo no futebol em que os arranca-rabos entre os jogadores eram abafados pelos espasmos das torcidas ou inaudíveis pela distância do gramado.

Hoje, com a TV e a leitura labial, o que eles vociferam uns para os outros já não fica inédito. Graças ao dublador Gustavo Machado, pudemos acompanhar, por exemplo, a destreza de Neymar no castelhano ao se dirigir ao uruguaio Hernández no recente (2/4) Santos X Remo. Ao levar uma entrada do gringo, Neymar, descontrolado, pespegou-lhe uma penca de "Hijos de puta!" seguidos de "Cagón!" e "Pelotudo!". O último epíteto causou espécie —o que seria "pelotudo"? Fui ao dicionário: "idiota, imbecil, babaca". Enriqueci meu vocabulário.

Jogadores sempre bateram boca, mas, no passado, continham-se ao falar com o juiz. Os árbitros eram senhores de certa idade e apitavam enquanto o fole aguentasse. O mais famoso era o mais velho, mais forte e mais temido: Mario Vianna, ex-soldado da torturadora Polícia Especial de Getulio no Estado Novo (1937-45). Atuou até os 55 anos, em 1957, capaz de atirar no fosso quem o desacatasse. Depois tornou-se o primeiro comentarista de arbitragem do rádio.

Hoje há juízes de 30 anos, mais jovens do que muita gente em campo. Pelas dublagens de Gustavo, vemos que os jogadores se dirigem a eles pelo nome (e não por "Seu juiz") e, ao discordar de uma decisão, despejam: "Porra, Fulano, tá maluco??? Não viu que foi o filho da puta que me acertou??? Tá de sacanagem??? Tu é muito ruim!!! Vai te fudê!!!!!". O juiz ignora o conselho e não vai se fudê, mas nem sempre aplica ao desbocado o competente cartão.

Sua Senhoria precisa ser firme sem se ofender. Um momento memorável se deu no Botafogo X Flamengo de 14/3, em que, expulso, o iracundo zagueiro alvinegro Barboza encarou nariz com nariz o juiz Anderson Daronco enquanto lhe descompunha a senhora sua mãe. Qualquer um tremeria com a fúria de Barboza, mas Daronco, maior que ele, encarou-o de volta, sem mover uma narina e sem dizer uma palavra.

E Barboza foi tomar banho.

Para além das faces visíveis https://lucianosiqueira.blogspot.com