27 setembro 2026

Minha opinião

Ameaça persistente

Luciano Siqueira     


Apesar da postura firme do presidente Lula e da condescendência da classe dominante e da grande mídia neoliberal, pronunciamentos recentes do presidente norte-americano Donald Trump sugerem o propósito de influenciar decisivamente as eleições no Brasil.

Na Assembleia Geral da ONU, Trump admitiu que o foco central no Hemisfério Ocidental envolve os interesses econômicos e estratégicos dos EUA. Disse , celebrando acordos na região com frases como "ao vencedor, os despojos" que usará o poder militar das próprias Forças Armadas para garantir o que se classifica como “interesses pertinentes dos EUA” na região.

Daí a preferencia por correntes políticas que subordinem a política externa brasileira aos interesses da Casa Branca. O bolsonarismo, sobretudo.

Uma das muitas razões para que se considere a vitória de Lula como absolutamente necessária à preservação da soberania nacional.

[Ilustração: Bertrand Daullé]

A disputa pelo Senado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0646797896.html 

Fotografia

 

Sebastião Salgado 

Lula anuncia o fim das bets https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mp-das-bets.html 

Mercado & eleições

O jogo do mercado com as apostas nas eleições
Movimentos não demonstram que Flávio vencerá. Revelam apenas que determinados agentes decidiram operar como se essa vitória fosse provável
Luís Nassif/Jornal GGN      

A informação de que o “mercado” atribui 60% de probabilidade a uma vitória de Flávio Bolsonaro precisa ser lida pela lógica do próprio mercado — e não como uma previsão neutra sobre o resultado das urnas.

O mercado financeiro trabalha com posições. Quem acredita na alta compra; quem aposta na queda vende. Mais do que antecipar o futuro, tenta construir expectativas capazes de mover preços no presente.

É aí que entram os bois-guias: grandes instituições com recursos, influência e capacidade de pautar o rebanho. Elas começam a montar posições em determinados ativos. A valorização inicial atrai novos compradores, confirma a narrativa e forma a onda de alta. Quando o movimento se aproxima do limite, os que entraram primeiro começam a vender e embolsam o lucro. A curva perde força, os preços caem e o efeito manada se inverte. Quem chegou por último fica com o prejuízo.

Esse mecanismo ajuda a explicar a explosão do câmbio no fim de 2024. O carry trade — captação de recursos baratos em uma economia central para aplicação em títulos de uma economia periférica — havia perdido atratividade no Brasil diante de alternativas como o México. Como o rendimento da operação depende também da trajetória cambial, bastou que três instituições de peso anunciassem a retirada de dólares do país para disparar a boiada. A pressão sobre o real aumentou e o Banco Central respondeu com uma elevação drástica da Selic, interrompendo o movimento e impondo um custo elevado ao conjunto da economia.

Agora, a mesma lógica alcança a disputa eleitoral.

Uma aposta na vitória de Flávio Bolsonaro pode levar os operadores a montar, no presente, posições coerentes com o cenário que desejam vender:

  • alta dos contratos futuros do Ibovespa;
  • queda do dólar futuro;
  • possível recuo do ouro futuro, tradicional ativo de proteção.

Isso porque, um governo Flávio Bolsonaro abriria espaço para a volta do dinheiro do crime organizado ao mercado.

Esses movimentos não demonstram que Flávio vencerá. Revelam apenas que determinados agentes decidiram operar como se essa vitória fosse provável — e têm interesse em convencer outros investidores a acompanhá-los.

A diferença é decisiva. Uma estimativa eleitoral deveria resultar de pesquisas, tendências demográficas, alianças políticas e comportamento do eleitorado. Uma cotação de mercado resulta de apostas financeiras, liquidez, narrativas e posições assumidas. Confundir uma coisa com a outra transforma o interesse dos operadores em uma suposta sabedoria coletiva.

E a convicção pode mudar rapidamente. Se na semana seguinte surgir um fato político capaz de inverter as expectativas, os mesmos agentes que ajudaram a formar a onda poderão abandonar as posições anteriores antes do restante do mercado. A manada muda de direção; os bois-guias preservam os ganhos.

Portanto, quando se diz que “o mercado” atribui 60% de chance a um candidato, a pergunta correta não é apenas se a previsão está certa. É também: quem está apostando, em quais ativos, com que volume e quem lucra se os demais acreditarem nessa narrativa?

O mercado não apenas interpreta a política. Também tenta influenciá-la — e ganhar dinheiro com os movimentos que ajuda a produzir.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html 

Postei nas redes

A campanha chegando ao fim e jamais o candidato Flávio Bolsonaro fez pronunciamento escrito sobre seus compromissos com a Nação e a Democracia. Por que a grande mídia neoliberal não cobra?  

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html 

Futebol brasileiro apenas burocrático

Nada se cria, tudo se repete
Mesmo após troca no comando, seleção mantém problemas de compactação, pressão e criação. Mudança passa por melhorar jogadores e aproximar o time do futebol de intensidade e pressão
Tostão/Folha de S. Paulo     

Neste reinício da seleção após o fracasso no Mundial, pensei que veria algo novo, uma ideia diferente. Tudo continua na mesma. Nada se cria, tudo se repete.

Além das carências individuais no meio-campo, o problema não é jogar com apenas dois no meio e quatro no ataque. É a falta de compactação, com enormes distâncias entre a defesa, o meio-campo e o ataque. Isso dificulta bastante a pressão para recuperar a bola, a troca de passes e a criação de jogadas ofensivas, além de facilitar demais para os adversários, mesmo com pouca qualidade, como a Austrália, trocarem passes de uma intermediária a outra.

Assim como a corrupção no Brasil, as seguidas eliminações da seleção brasileira nos Mundiais para seleções médias (Bélgica, Croácia e Noruega) e outras atuações e resultados ruins contra seleções pequenas, como a Austrália, estão cada dia mais normalizadas. Receio que, em um futuro cada dia mais próximo, a glória e a magia do futebol brasileiro sejam apenas uma foto no celular, sem lamentações.

O desejo move o mundo.

Enfim, os treinadores de mais prestígio no futebol mundial estão dirigindo grandes seleções. Depois que Ancelotti se tornou treinador da seleção brasileira, o alemão Klopp assumiu a seleção alemã, Zidane, a francesa, Jorge Jesus, a portuguesa, Mancini, a italiana. Já Guardiola continua no seu descanso. O milionário salário que Ancelotti recebe da CBF deve ter sido a chama que mudou os parâmetros financeiros das federações dos outros países e que despertou o interesse dos treinadores mais famosos, pois havia um consenso de que os principais técnicos ganhavam nos clubes muito mais do que recebiam nas seleções.

Por outro lado, a Espanha, campeã e que joga o melhor futebol do mundo, é dirigida por um treinador espanhol vindo da base, que nunca tinha comandado uma equipe principal, o discreto Luís De La Fuente.

Xavi, um dos grandes jogadores da história do futebol e que está no início de carreira de treinador, comanda a seleção da Holanda. É uma contratação técnica e afetiva. Xavi era um dos craques do Barcelona, dirigido por Guardiola, que revolucionou o futebol mundial, influenciado pelo holandês Cruyff, eterno jogador, treinador e pensador.

Para melhorar o futebol brasileiro e a seleção, é preciso ter ótimos gramados, um bom calendário, jogos menos tumultuados e clubes bem administrados, que não gastem mais do que podem e que paguem o que devem.

Além de evoluir na formação de jogadores, é necessário unir a compactação, a pressão para recuperar rapidamente a bola, a intensidade, com a capacidade de alternar, no mesmo jogo, o domínio da bola, a troca curta de passes com a transição rápida da defesa para o ataque.

Precisamos formar goleiros que joguem bem com as mãos e com os pés, zagueiros que defendam bem e que tenham bons passes, laterais que marquem e apoiem bem, pontas que driblem para fora e para dentro e que cruzem e finalizem bem, centroavantes que participem do jogo coletivo e que sejam bons finalizadores e meio-campistas que atuem de uma intermediária a outra, que marquem, construam e avancem.

Além de tudo isso, é essencial ter uma consciência coletiva do jogo, sem abandonar a capacidade criativa e a ambição individual. É o desejo que move o mundo.

Leia também: A subversão da ordem no futebol https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/futebol-evolucao-tatica.html

Humor de resistência

 

Gilmar

Flávio Bolsonaro quer entregar terras raras aos Estados Unidos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/entreguismo-sem-limites.html 

Lula & empresários

Lula cobra ação de empresários em projeto de país
Em jantar com empresários, presidente destaca que crescimento, política industrial, responsabilidade e soberania devem integrar mesmo projeto
Tatiane Correia/Jornal GGN   

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou que o Brasil precisa definir que país pretende construir e cobrou do setor empresarial participação nesse projeto. O pronunciamento foi feito nesta sexta-feira (25/09), durante jantar com empresários realizado em São Paulo.

Em discurso, Lula associou desenvolvimento econômico à inclusão social, responsabilidade fiscal, política industrial, soberania nacional e fortalecimento da democracia.

Ao falar para empresários e profissionais liberais, o presidente apresentou um balanço de governos anteriores e de seu atual mandato, além de defender a necessidade de investimentos em indústria, infraestrutura, educação e tecnologia.

Lula afirmou que a estabilidade fiscal deve ser tratada como uma obrigação de qualquer governo e não como um mérito. Segundo ele, o equilíbrio das contas públicas é necessário para evitar que os custos dos desequilíbrios recaiam sobre a população mais pobre.

O presidente também defendeu que a responsabilidade fiscal seja acompanhada de responsabilidade social. Em sua avaliação, políticas de redução de gastos que atinjam a Previdência ou programas de inclusão social podem ampliar a pobreza.

“Eu não me conformo com salário mínimo de R$ 2.000 ou R$ 3.000”, afirmou, ao defender o aumento da renda dos trabalhadores. Para Lula, a elevação dos salários também amplia o mercado consumidor e, consequentemente, pode estimular a produção empresarial.

Ao tratar de seu histórico político, o presidente citou Getúlio Vargas e seus próprios governos como momentos de ampliação de políticas de inclusão social no país. Também afirmou que o Brasil precisa combinar crescimento econômico com redução da pobreza.

Indústria, tecnologia e soberania

Outro eixo do discurso foi a defesa de uma política industrial voltada à agregação de valor no Brasil. Lula afirmou que a exploração de minerais críticos e terras raras deve estar associada à transformação e industrialização desses recursos no país, em vez de limitar o Brasil à exportação de matérias-primas.

O presidente disse que não é contrário à participação de empresas estrangeiras, mas defendeu que os investimentos externos estejam vinculados à transferência de conhecimento e ao desenvolvimento tecnológico brasileiro.

“A gente não pode permitir que a energia que é produzida pro consumo da sociedade seja utilizada para data center”, afirmou, ao tratar da expansão dos centros de processamento de dados. Ao mesmo tempo, defendeu que o país desenvolva sua própria infraestrutura de dados e inteligência artificial.

Lula também relacionou esse projeto ao investimento em educação e à formação de jovens para o setor digital. Citou como exemplo um estudante brasileiro que, segundo ele, venceu uma competição internacional de engenharia digital realizada na China.

O presidente afirmou que o país precisa de empresários dispostos a investir em setores considerados estratégicos para o desenvolvimento nacional e mencionou áreas como indústria, siderurgia, construção, setor automotivo, indústria naval e tecnologia.

Eleição, democracia e reforma política

Ao final do discurso, o presidente transformou a definição do projeto econômico em uma questão eleitoral, destacando que não se tratava apenas da escolha entre candidatos, mas de decidir entre diferentes projetos para o país.

Lula defendeu estabilidade política e jurídica como condições para o desenvolvimento e criticou o que chamou de perda da capacidade de argumentação no debate público, em referência ao ambiente político e às redes sociais.

Lula também voltou a defender uma reforma política e afirmou que o Congresso Nacional não deveria concentrar parcela tão grande do orçamento da União. Segundo ele, a sociedade precisa discutir mudanças no sistema político e na escolha dos integrantes da Suprema Corte.

Ao abordar a política externa, o presidente defendeu que o Brasil mantenha autonomia diante das grandes potências e citou a disputa internacional por minerais críticos e terras raras. “Enquanto eu for presidente, o dono disso aqui chama-se povo brasileiro”, afirmou.

A íntegra do discurso pode ser vista aqui https://www.youtube.com/watch?v=u4OMLF6n4CM

Desempatar é urgente! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02008909635.html