01 novembro 2026

Palavra de poeta

Catar feijão

João Cabral de Melo Neto     


1

Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: Ele era assim…
Mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

2

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em vôo se arremeda,
​​​​​​​

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve.


[Ilustração: Wellington Virgolino]

Leia também: "Para te ver é longa toda espera" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_42.html

Arte é vida

Vilhelm Bjerke-Petersen  

Mostre que está vivo! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01043745284.html  

Meu diálogo digital

Nas redes, mas nem tanto
Luciano Siqueira     

Na fila do caixa aqui na padaria ao lado, uma jovem diz que acessa o meu blog praticamente todos os dias. 

Também me vê no Instagram. 

Trabalha com comunicação digital.

— Tenho a impressão de que o senhor está nas redes, como muita gente conhecida, mas sem disputar nada. 

— É verdade, o que eu deveria disputar? 

— Número de seguidores, por exemplo.

— Você está certa, isso me importa muito pouco. 

Explico: uso o Instagram e o WhatsApp quase que exclusivamente para conversar com as pessoas. Ouvi-las, sobretudo. 

Em toda a minha trajetória militante sempre prestei atenção às opiniões e aos atos de toda a gente com quem me relaciono — figuras públicas ou pessoas comuns.

Sempre de modo direto, olhos nos olhos.

Demorei a aderir aos meios digitais. Um pouco por preconceito, confesso; e também por me considerar incompetente, desajeitado.  

Fui entrando devagarinho. 

Tudo de maneira amadora, sem técnica apurada nem equipe de edição. 

Mesmo quando por algum tempo mantive um canal no YouTube https://www.youtube.com/@LucianoSiqueira65 .

O interrompi desde o momento em que percebi que o companheiro que me ajudava voluntariamente, editando minhas falas, o fazia no sacrifício. Às vezes até de madrugada. 

O blog https://lucianosiqueira.blogspot.com/ eu mantenho há 22 anos. É o meu carro chefe, como se dizia no século passado. 

Dialogo com as pessoas pelo WhatsApp e uso o Instagram instagram.com/lucianosiqueira65, o TikTok, Threads e o velho Facebook essencialmente para divulgar links para o Blog. 

Quantos são os meus seguidores no Instagram? Só olhando, pois nunca verifico. 

Apenas algo me frustra: a dificuldade de dialogar em tempo real com um monte de gente se comunica comigo pelo WhatsApp. Não dou conta. Estou sempre atrasado, mas felizmente, conto com a compreensão de toda a gente amiga.

O blog, sim. Confiro com relativa frequência o número de acessos diários, que não são tantos assim - comparando com os profissionais e com aqueles que sofregamente utilizam todo tipo de artifício para atrair leitores -, porém atinge uma média boa. Durante a recente campanha no segundo turno, entre 50 e 55.000 acessos diários.  

Aqui e acolá, um pico surpreendente, chegando até 138.975 acessos!

Por que?

Sinceramente, não sei.

Imagino que tenha a ver com fatos de grande interesse público momentâneo, como a fuga do candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Ou algo de semelhante importância.

E assim seguirei. 

Sequer tenho recursos para contratar gente tecnicamente capaz e se tivesse aplicaria em algo mais importante. 

Em outras palavras, não sou nem pretendo ser influencer.

Sigo nas ruas, na mesa do café e no bate-papo em nossas casas a militância de toda a vida; e, nas redes, dou minha modesta contribuição para esclarecer os fatos e alimentar a luta no âmbito das ideias.  

O mundo gira. Saiba mais https://lucianosiqueira.blogspot.com/    

De mal a pior

A se confirmar a derrota de Trump nos EUA, nas eleições parlamentares da próxima terça-feira, Flávio Bolsonaro estará mais frágil ainda em seu autoexílio em Miami.

A fuga do amarelão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/pusilanime-por-que-nao.html     

Leitura imprescindível

Referência teórica no tempo presente
Luciano Siqueira      

Não se trata de manual de instruções ou algo semelhante. Nem a fórmula mágica para elucidar os problemas táticos imediatos. Mas é uma leitura indispensável, sempre – especialmente em situações conjunturais complexas.

"Esquerdismo, Doença Infantil do Comunismo" (publicado em 1920), de Vladimir Lênin, funciona como um “manual” de tática e estratégia política para o movimento transformador em suas variadas dimensões.

Isto despido de qualquer aplicação mecânica. 

A realidade está em constante movimento e as contradições de classe se apresentam de inúmeras formas no tempo histórico e segundo as particularidades de cada país.

Lênin parte da experiência revolucionária russa vitoriosa em 1917, que impôs, na prática, ilimitada habilidade tática em função da estratégia da conquista do poder.

Mutatis mutandi, como se diz, uma referência indispensável a quem aborde a situação conjuntural do país no âmbito do governo Lula 4.

Obviamente, não se trata de uma situação de ruptura revolucionária, mas exige a combinação consequente da amplitude das alianças com a mobilização do povo.

Toquei no assunto nos limites do texto curto da minha coluna semanal no portal ‘Vermelho’, reproduzida aqui no blog  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html

*

 ‘Esquerdismo, doença infantil do comunismo”, Vladimir Lênin pode ser encontrado nas livrarias ou adquirido pela internet.

Leia também: “Subiu o sarrafo da luta política” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html  

Humor de resistência

 

Aroeira

Nota sobre a fuga e a carta de Flávio Bolsonaro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-do-pcdob_01902869678.html


Respaldo mundial

Vitória de Lula é reconhecida por 107 países e isola discurso bolsonarista
Levantamento do TSE registra manifestações de 107 países e 11 organismos internacionais, reforçando a legitimidade das urnas e a força da democracia brasileira.
Barbara Luz/Vermelho   

A vitória de Lula (PT) nas urnas também ecoou pelo mundo, impondo mais uma derrota à narrativa golpista do bolsonarismo. Até a quinta-feira (29), 107 países e 11 organismos multilaterais já haviam reconhecido oficialmente o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026, realizado no domingo (25).

Os dados do Painel de Acompanhamento de Manifestações Internacionais sobre os Resultados Eleitorais, desenvolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), evidenciam a ampla repercussão internacional da reeleição de Lula e reforçam a legitimidade da decisão soberana do povo brasileiro, que derrotou Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu a continuidade do projeto democrático no país.

Entre os países que saudaram o resultado estão China, Rússia, Alemanha, França, Espanha, Canadá, Austrália, Portugal e Reino Unido. As manifestações partiram de governos com diferentes orientações políticas, demonstrando que o reconhecimento da decisão das urnas ultrapassa fronteiras ideológicas e interesses geopolíticos.

Reconhecimento internacional amplia isolamento da extrema direita

A repercussão também alcançou importantes organismos multilaterais, como a Organização dos Estados Americanos (OEA), a União Europeia, a Organização das Nações Unidas (ONU), a União Africana e a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Também integram o levantamento instituições como a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização Mundial da Saúde (OMS).

A dimensão das manifestações representa um revés para o bolsonarismo, que construiu parte de sua narrativa política com ataques às instituições e questionamentos à confiabilidade das urnas eletrônicas. Enquanto setores da extrema direita tentam manter viva a narrativa de desconfiança, a comunidade internacional reconhece o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

Para a juíza Renata Gil, diretora de Assuntos Internacionais do TSE, a repercussão demonstra a credibilidade do sistema brasileiro. “O reconhecimento de mais de cem países e de quase uma dezena de instituições demonstra a credibilidade internacional em nosso sistema eleitoral e fortalece o trabalho que o TSE realiza de consolidação da democracia.”

A magistrada também destacou a participação popular como expressão da confiança dos brasileiros na Justiça Eleitoral.

Mais de 64 milhões de votos garantiram a vitória de Lula

O reconhecimento internacional se soma à força do resultado das urnas. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), contra 59.826.041 votos (48,21%) de Flávio Bolsonaro. A diferença superior a 4,4 milhões de votos garantiu ao petista mais um mandato à frente do país.

A definição matemática da vitória ocorreu às 21h09 do domingo (25), demonstrando a agilidade da apuração brasileira. Mais de 128 milhões de eleitores compareceram às urnas, com abstenção de 19,2%, inferior à registrada no primeiro turno.

O resultado reafirma a soberania popular e fortalece o Brasil no cenário internacional. Ao derrotar a extrema direita, o eleitorado também escolheu a continuidade de um projeto político comprometido com a democracia, a reconstrução nacional e o diálogo entre os povos.

A mensagem das urnas, agora repercutida em mais de cem países, é clara: Lula venceu, a democracia resistiu e a vontade do povo brasileiro deve ser respeitada.

A fuga das galinhas amarelas e o carcarejar do golpe https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/enio-lins-opina.html