19 janeiro 2026

Minha opinião

Mais do que briga familiar 
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65 

PL e PP, com o PSD à espreita, se assanham na busca de uma solução eleitoral viável para enfrentar o presidente Lula nas urnas.

Não está fácil: o ex-presidente Jair, de dentro da prisão, empurrou o filho senador Flávio; o PL formalmente aceita, mas não joga todas as fichas nele; o PP preferia Tarcísio de Freitas, mas agora tem dúvidas diante da indecisão crônica do governador paulista. E o PSD, cujo objetivo principal, publicamente anunciado, é aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado, acompanha tudo sem se comprometer. 

No clã Bolsonaro as coisas não estão bem acertadas, conforme o noticiário da grande mídia. O filho senador é do PL, assim como a esposa do ex-presidente, Michelle, que parece mais inclinada a outra solução.

É o que vem à tona.

No fundo, não se trata simplesmente de briga familiar. A verdade é que mais do que desavenças em torno de nomes, a direita e o centro-direita carecem de propostas. Não são partidos programáticos propriamente, são legendas que abrigam parlamentares,  governadores e pretendentes a novos cargos sem eira nem beira, movidos fundamentalmente por interesses utilitaristas pessoais e de pequenos grupos. No máximo dão oportunista sustentação política ao ideário da tríade da elite dominante – o capital financeiro, o agro exportador e monopólios do grande varejo.

Até quando? Não se sabe ao certo porque falta um líder que ponha ordem na disputa. 

Indiretamente, o impasse favorece a frente ampla que governa sob a liderança de Lula, que converge em torno do programa possível e ainda se faz apta a agregar mais forças e assim consolidar a vantagem eleitoral. 

Correndo por fora, como se costuma dizer, a hipótese de uma delação premiada de Daniel Vorcaro, pivô da debacle do Banco Master, pode tirar o sono de gente graúda aninhada em legendas direitistas.

[Ilustração baseada em caricaturas de Mário Adolfo, Aroeira, Kléber Sales e Ton RS]

Leia também: O mundo cabe numa Organização de Base https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/05/minha-opiniao_18.html 

Oscilações na taxa de câmbio no mundo

O que o Fed entende sobre o domínio do dólar?
Variações na taxa de juro de curto prazo dos EUA, motivadas por fatores domésticos, levam a movimentos nos fluxos de capitais que podem provocar oscilações bruscas nas taxas de câmbio em todo mundo
Marcelo Fernandes/Portal Grabois www.grabois.org.br    

Na nota “The International Role of the U.S. Dollar – 2025 Editioni publicada pelo Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, e assinada por Carol Bertaut, Bastian von Beschwitz e Stephanie Curcuru é realizada uma breve radiografia sobre o domínio do dólar nas relações econômicas internacionais.

Essa nota publicada em julho de 2025 é na realidade uma atualização de outra, publicada em outubro de 2021. A nota se divide em duas partes. A primeira tenta mostrar que, apesar dos questionamentos, a posição dominante do dólar no sistema monetário internacional (SMI) continua firme. E na segunda, são avaliados os desafios que o dólar enfrenta para manter seu domínio. Como seus autores ocupam cargos importantes no Fed, podemos interpretar que esta é a visão da instituição.

A nota começa mostrando a posição do dólar nas reservas internacionais dos bancos centrais. Atualmente, tal participação está em torno de 58%, patamar semelhante no momento das sanções americanas contra a Rússia após a invasão da Ucrânia em fevereiro de 2022. Logo, os temores de que a weaponization do dólar – uso de ferramentas ou estratégias financeiras com a intenção de prejudicar intencionalmente uma entidade, um mercado, ou um país –  causassem uma realocação significativa de reservas em outras moedas não se verificou.

Por sua vez, as reservas em ouro mais do que dobraram: eram um pouco menor que 10% e atualmente estão em 23%. Como os próprios autores lembram, isso reflete principalmente a valorização acima de 200% do preço do metal nesse período. Com a exceção da China, Rússia e Turquia, o aumento do ouro não está associado a redução das reservas em dólar . A maior parte das reservas oficiais em dólares está na forma de títulos do Tesouro dos Estados Unidos.ii

No primeiro trimestre de 2025, investidores estrangeiros públicos e privados detinham US$ 9 trilhões desses títulos, equivalentes a 32% do total em circulação. A participação de investidores estrangeiros na dívida pública americana seria comparável a da Zona do Euro, como do Reino Unido e do Japão.

Os autores elaboraram um índice que mede o uso do dólar a partir da combinação de alguns fatores.iii Com isso concluem que o dólar é amplamente dominante no comércio internacional, assim como na participação dos créditos e passivos bancários internacionais em moeda estrangeira, e na emissão de dívida externa, isto é, dívida emitida por empresas em uma moeda diferente do seu país de origem.

Segundo este índice, em uma escala de 100, desde 2010, a posição do dólar se manteve em uma faixa estreita entre 65 e 70, à frente do euro com um índice em torno de 24, o que também mostra bastante estabilidade. O renmimbi apresenta um índice de alta, porém ainda bem abaixo: de 3%. Enfim, o índice mostra que o uso do dólar nas últimas duas décadas permanece dominante e relativamente estável.

Como o dólar é a moeda-chave do sistema, em tempos de crise o financiamento em dólares é especialmente requisitado. A nota lembra que, para garantir a liquidez durante a crise financeira de 2008-2009, o Fed introduziu linhas de swap temporárias com diversos bancos centrais estrangeiros, algumas das quais foram tornadas permanentes em 2013.

Em março de 2020, em razão dos riscos causados pela pandemia da Covid-19, o Fed criou o Foreign and International Monetary Authorities (FIMA), um instrumento que permite aos bancos centrais e autoridades monetárias estrangeiras acessarem liquidez em dólares em condições de emergência. Em 2021, o FIMA se tornou permanente.

As linhas de swap e o FIMA seriam iniciativas que reforçariam a posição dominante do dólar no SMI.

Por fim, os autores examinam os possíveis desafios para o dólar e consideram que não parece haver riscos imediatos; o risco maior estaria no longo prazo e: “(…) alguns desenvolvimentos recentes têm o potencial de impulsionar o uso internacional de outras moedas”. E quais seriam estes desenvolvimentos? A nota cita quatro, a saber:

1 que as sanções impostas à Rússia teriam reduzido a atratividade do dólar como reserva. Sobre isso, eles reiteram que os dados sobre as reservas internacionais disponibilizados pelo FMI mostram que isso não se confirmou até agora;

2 um possível avanço da integração econômica europeia seria outra fonte de desafios, considerando que a União Europeia é uma economia enorme com mercados financeiros desenvolvidos, com livre comércio e instituições robustas e estáveis. Um possível crescimento do mercado de títulos em euro poderia desafiar o status do dólar. Apesar dos pontos positivos a favor do euro, os autores avaliam que a incerteza política derivada da diversidade de países da zona do euro continuaria sendo um fator que impediria sua ampliação como moeda de reserva;

2 o crescimento rápido e contínuo da China. Aqui a nota aponta que o renmimbi seria pouco atraente aos investidores internacionais, apesar dos esforços das autoridades chinesas em internacionalizar o renmimbi. Isto porque a conta de capitais chinesa é relativamente fechada e porque a confiança nas instituições chinesas seria relativamente baixa e; 4) a mudança de cenário nos pagamentos internacionais. A nota cita o rápido crescimento das moedas digitais, o que poderia reduzir a dependência do dólar. Por outro lado, os autores entendem que o possível progresso tecnológico também poderia consolidar o papel dominante do dólar, já que cerca de 99% da capitalização do mercado das stablecoinsiiii estaria atrelada ao dólar. Assim, o aumento do uso de stablecoins faria com que mais economias emergentes se tornassem efetivamente dolarizadas.

Os autores terminam afirmando que “na ausência de perturbações em grande escala e duradouras que prejudiquem o valor do dólar americano como reserva de valor ou meio de troca e, simultaneamente, reforcem a atratividade das alternativas ao dólar, este deverá continuar a ser a moeda internacional dominante no mundo num futuro previsível.”

Em se tratando de uma nota publicada pelo Fed, a conclusão não é de se estranhar, obviamente. No entanto, trata-se essencialmente de uma análise estritamente econômica, quase que meramente estatística. Aqui, no fundo, o dólar é encarado como mais uma moeda que compete no mercado internacional com outras moedas; e se o dólar é o mais demandado, é por razões ligadas ao tamanho e importância da economia dos Estados Unidos.

Assim, fica difícil explicar por que durante a crise financeira de 2008, surgida justamente em Wall-Street, o mundo correu para o dólar, e não o contrário. Tal crise demonstrou a fragilidade de certas instituições norte-americanas, tanto privadas como públicas, e como tão pouco é confiável o sistema financeiro dos Estados Unidos, itens que os autores consideram explicativos para que o renmimbi, moeda oficial da República Popular da China, não avance em sua internacionalização.

Os autores poderiam dizer que a posição singular do dólar, transformou o Fed no banco central do mundo, determinando a taxa de juros de curto prazo, à qual todos os bancos centrais precisam estar atentos. Não é a dívida pública americana que garante a posição do dólar. Ao contrário, é o dólar que permite que os títulos da dívida pública americana sejam os preferidos dos investidores.

Variações na taxa de juro de curto prazo dos Estados Unidos, motivadas por fatores domésticos, levam a movimentos nos fluxos de capitais que podem provocar oscilações bruscas nas taxas de câmbio em todo mundo e, por sua vez, nos preços relativos das mercadorias do comércio mundial, na inflação ou deflação mundial e nas taxas de juros sobre as dívidas internacionais.

Logo, nenhuma autoridade monetária no mundo pode ignorar as decisões do Fed e os movimentos das diversas moedas em relação ao dólar. Essa relação é tão absurdamente assimétrica que não pode ser explicada somente por fatores econômicos ou, o que ainda mais questionável, com dados das variações nas reservas internacionais isoladamente. Análises sobre a dominação do dólar precisam acrescentar questões de outra ordem, como, por exemplo, o poder geopolítico dos Estados Unidos, sua presença militar em todos os continentes, assim como o entendimento de como se formou o atual SMI baseado no padrão dólar-flexível.

Marcelo Fernandes é doutor em Economia pela Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ). Professor Associado IV do Departamento de Economia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), onde também atua no Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Inovação em Agropecuária (PPGCTIA). É professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional (PEPI) da UFRJ. Atualmente, está cedido ao Instituto Pereira Passos, na Coordenadoria de Projetos Especiais, e realiza estágio pós-doutoral na UFRJ com pesquisa sobre a internacionalização do renminbi. É membro do Grupo de Pesquisa Desenvolvimento Nacional e Socialismo (GP1) da Fundação Maurício Grabois.

Notas

i  BERTAUT, Carol; BESCHWITZ, Bastian von e CURCURU, Stephanie. “The International Role of the U.S. Dollar – 2025 Edition”. July 18, 2025. Disponível em:< https://www.federalreserve.gov/econres/notes/feds-notes/the-international-role-of-the-u-s-dollar-2025-edition-20250718.html >. Acesso em 23 de dezembro de 2025.

ii Com 8.133,46 toneladas de ouro, os Estados Unidos são disparados os maiores detentores de reservas em ouro. A China possui 2.303,51 toneladas de ouro, sendo a participação nas reservas internacionais de 7,68, segundo dados para o 3º trimestre do World Gold Council (WGC).

iii O índice é calculado como a média ponderada de cinco medidas de uso de moedas em que há séries temporais disponíveis: reservas cambiais oficiais, volume de transações cambiais, instrumentos de dívida em moeda estrangeira em circulação, depósitos transfronteiriços e empréstimos transfronteiriços.

iiii Stablecoins são um tipo de criptomoeda cujo valor é indexado a outra moeda, como o dólar.

Leia também: Caminho para uma nova moeda internacional de reserva https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/novo-padrao-monetario-no-mundo.html 

Fotografia

 

Tuca Siqueira

Leia Êxitos concretos da Lei Rouanet https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/frutos-da-lei-rouanet.html 

Resistência cultural

A gloriosa vingança contra os assassinos da cultura
A arte brasileira sobreviveu às trevas que porta-vozes da extrema direita desejam retomar
Xico Sá/Liberta  

O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro. O título do faroeste nacional dirigido pelo baiano Glauber Rocha – de Vitória da Conquista para o mundo, com sua ópera em cordel – encaixa direitinho no episódio de blasfêmia do pastor Silas Malafaia contra Wagner Moura.

Depois do triunfo do filme brasileiro O Agente Secreto no Globo de Ouro, no domingo passado, o agitador político da extrema direita xingou o artista de cretino. O líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo desafinou, no seu falsete característico, em defesa de Jair Bolsonaro, definido pelo ator como um ex-presidente fascista.

Malafaia puxou o coro dos descontentes com a premiação de O Agente Secreto nos EUA. O exército bolsonarista seguiu, nas redes sociais, nos rastros do ódio do pregador. Vivemos Dias de Ira – agora, citando outro filmaço das antigas, o “western spaghetti” com Lee Van Cleef e Giuliano Gemma.

Leitor da Bíblia, o pastor sabe que a ira, nesse caso, repousa no íntimo dos tolos, como registra o livro do Eclesiastes. A desesperada pregação, porém, revela o inconformismo dos fascistas tropicais – religiosos ou não-praticantes – com a evidência de que não assassinaram a cultura brasileira como premeditaram.

A cultura, aqui tratamos no sentido das produções artísticas, foi alvejada no período de 2018 a 2022, mas seguiu viva (e se bolindo), mesmo sob ataque permanente dos clubes de tiro.

Safra vingadora

O cinema, por causa do cartaz internacional do momento, é o alvo principal dos representantes da extrema direita. O ódio, porém, alcança a literatura (nas censuras e proibições a livros como O Avesso da Pele, de Jéferson Tenório), a música, o teatro e as artes plásticas. Nada escapa.

De forma mais organizada, esse tipo de ataque começou ainda na pré-campanha eleitoral de Jair Bolsonaro, em 2017, quando o MBL, ala juvenil extremista, atacou a exposição Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira, no Santander Cultural, em Porto Alegre. As autoridades gaúchas referendaram o vandalismo praticado pelo movimento de jovens fascistas contra obras relevantes de Adriana Varejão, Cândido Portinari, Lygia Clark e Leonilson, entre outros.

No governo bolsonarista, a assombração ganhou ares de nazismo. Na época, o secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, copiou, em pronunciamento, trechos de um discurso do ministro da Propaganda de Adolf Hitler, Joseph Goebbels.

Por ter sobrevivido a toda essa má sorte, a arte brasileira do diretor pernambucano Kleber Mendonça Filho pratica sua dourada vingança com O Agente Secreto, em nome dos sufocados do período de trevas, que Malafaia & Cia. desejam retomar.

Os prêmios para o ator baiano Wagner Moura e o de melhor filme estrangeiro no Globo de Ouro são apenas os troféus mais reluzentes de uma safra vingadora, que larga com o fenômeno Ainda Estou Aqui e conta, agora, com mais dois cineastas recifenses de sucesso: Gabriel Mascaro e Marianna Brennand.

Mascaro dirigiu O Último Azul (com Rodrigo Santoro) e ganhou o Urso de Prata, o grande prêmio do Festival de Berlim, em 2025. Marianna foi premiada em Cannes, Veneza e concorre ao Goya da Espanha, em fevereiro.

O pastor Silas Malafaia, porta-voz da extrema direita, ainda terá muitos motivos para seus espetaculares falsetes do ódio e do ressentimento. Que venha o Oscar.

Colonialismo digital: a nova fronteira da dependência latino-americana https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/o-desafio-da-autonomia-tecnologica.html

Enio Lins opina

Enfim, o mito migra para mais próximo de seu devido lugar
Enio Lins   

ATENDENDO AO MIMIMI incessante do presidiário Zero-zero, e de seus familiares e idólatras, sobre as instalações da cela que o abrigava na sede da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes achou melhor jair transferindo o condenado para a Papudinha. Mais uma decisão correta em essência – embora moderada e condescendente, considerando a alta periculosidade do apenado.

JAIR B, DITO MITO, é o bandido mais perigoso do País. Nenhum outro delinquente, esteja preso ou foragido da justiça, dentre as principais lideranças de facção, tem dezenas de milhões de votos cativos, quase metade do eleitorado brasileiro (!). Isso é uma tragédia nacional sem precedentes. Para manter refém esse impressionante sequestro, dentre outras malandragens, o vagabundo ex-capitão teatraliza um personagem diferente que lhe seja mais favorável a cada momento. Numa hora é destemperado, agressivo, fala grosso – noutro minuto aparece fragilizado, choroso, soluçante, falando fininho. Num dia, ataca os Direitos Humanos, no outro dia é defensor intransigente do humanismo. E invariavelmente, tenta golpes de estado, rouba joias, amealha mais de 100 imóveis num passe de mágica, financia (a peso de ouro) um filho nos Estad os Unidos para trair o Brasil. Etc. etc.

TRANSFERIR ESSE CRIMINOSO para a Papudinha é coisa certa, mas moderada; a Papuda sem diminutivos é o local ideal para um facínora com tantos aumentativos como Jair B. Mas o malfeitor passou pela cadeira presidencial, e isso lhe confere condições legais que o regime democrático não pode ignorar. Daí essa condescendência do STF é consideração à Constituição, e não conciliação com o crime organizado representado pelo citado condenado. Se o regime brasileiro fosse outro, seria o caso de aplicar ao mitológico quadrilheiro tudo o que ele próprio defendeu, durante toda sua vida, como o tratamento mais adequado a ser dado aos presidiários. Afinal, ele e seus áulicos sempre clamaram – e até estamparam em camisetas – “Ustra vive!”. Mas não. Nunca mais.

USTRA ESTÁ MORTO, mas a alma sebosa do torturador mais covarde e canalha da história do país ronda corações e mentes, encarnado em gentalha como o presidiário Jair, seus filhos, e incontáveis defensores do fascismo. Meter esse fantasma – junto com seu cavalo – na Papuda, ou na Papudinha, é descarrego. É puro exorcismo. Não podemos esquecer que, quando presidente, o dito mito ousou promover postumamente a “marechal” o ultra sádico Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932/2015), militar que cometeu as maiores atrocidades nos porões da ditadura, com tamanha abominação que os então comandantes da finada ditadura tomaram todo cuidado para não promover a general. Hoje, ao choramingar sobre um longínquo barulho de um aparelho de ar-condicionado, classificando isso como “tortura”, o mito presidiário merecer ia ser encaminhado aos métodos do “Doutor Tibiriçá”, tão amado e idolatrado por ele, para sentir o sentido da palavra adorada. Mas não. Tortura nunca mais.

NUNCA MAIS PERDÃO A GOLPISTAS: esta é questão vital para a sobrevivência da Democracia. Doutor Tibiriçá, Delegado Fleury, e outros tantos perpetradores de crimes contra a humanidade, entre 1964 e 1985, foram criminosamente protegidos pela anistia de 1979. E seus admiradores trabalham incansavelmente para que essa condição de impunidade seja perene, buscando autoproteção. Querem que o criminoso Jair seja perdoado, liberado da pena à qual fez jus, para que todos possam voltar a tentar os mesmos crimes sem risco de condenação. Entram em pânico quando a prisão do mito se revela como realidade. Soluçam horrores, choram, descabelam-se, inventam dosimetrias e novas anistias. Almejam a inimputabilidade. Mas a Papudinha é uma palmadinha de realidade: lugar de criminoso é na cadeia, talkey?

As duas cabeças do monstro que assombra o Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/bastioes-da-direita.html

Postei nas redes

Fórum Econômico Mundial constata o óbvio: conflitos geoeconômicos acirram instabilidade global. É preciso sublinhar que os Estados Unidos sob o comando de Donald Trump são o principal pivô da desordem. 

Saiba mais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/eua-e-ordem-mundial-fissurada.html?m=1 

18 janeiro 2026

Palavra de poeta

Timidez
Cecília Meireles   

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...

- mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...

- palavra que não direi.

Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,

- que amargamente inventei.

E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...

- e um dia me acabarei.

[Ilustração: Amedeo Modigliani]

Leia também "Os teus pés", poema de Pablo Neruda https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/palavra-de-poeta_13.html