Trump minimizou o impacto da derrota, parabenizou a oposição de forma irônica e se queixou de candidatos do seu partido que não foram capazes de conquistar os votos necessários como se suas diatribes diplomáticas e as consequências da guerra contra o Irã e o tarifaço inconsequente não tivessem nada a ver. Ridículo.
Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
04 novembro 2026
Cara de pau
Humor de resistência
Trump na lona
Mais do que o previsto
Luciano Siqueira
Nas eleições de meio de mandato nos EUA, o Partido Democrata conquistou uma vitória expressiva ao assumir o controle total do Congresso norte-americano, garantindo a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado.
Muito mais
do que o previsto nas pesquisas e nas conjecturas dos analistas da grande
mídia. Dois dias antes, por exemplo, Jorge Pontual, correspondente nos Estados
Unidos há três décadas, dizia na Globo News não ter certeza de que Donald Trump
sairia enfraquecido dessas eleições.
O fato é
que o Partido Democrata passa ao controle total do Congresso, com a maioria nas duas casas legislativas.
Óbvio que
o resultado significa dura derrota política para Donald Trump, impondo limites
severos à aprovação de sua agenda legislativa nos próximos dois anos.
A
conquista da maioria dá aos oposicionistas a liderança das comissões
parlamentares, além de poder de veto e aprovação sobre nomeações federais,
judiciais e militares no Senado.
Repercussões incontornáveis sobre a
tresloucada política externa norte-americana e maior efervescência interna,
onde Donald Trump se vê cada vez mais isolado.
A meio caminho do fim https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/trump-decadente.html
03 novembro 2026
Palavra de poeta
Contranarciso
Paulo
Leminski
em mim
eu vejo
o outro
e outro
enfim dezenas
trens passando
vagões cheios de gente centenas
o outro
que há em mim é você
você
e você
assim como
eu estou em você
eu estou nele
em nós
e só quando
estamos em nós
estamos em paz
mesmo que estejamos a sós
[Ilustração: Pablo Picasso]
Leia também: "Até mesmo", um poema de Anne Morrow Lindbergh https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_10.html
IA sem controle?
Insegurança
digital
Luciano Siqueira
Nada
entendo de cibersegurança, acompanho o
noticiário para ter uma ideia do que acontece.
Pelo que se lê, ouve e vê na TV e meios digitais, em
outro que terminou ontem muitas ameaças se concretizaram e abalaram o mundo por
uma onda
de desarranjos cibernéticos viabilizados e otimizados por IA generativa e de
fronteira.
A
IA parece ser a grande vilã. O poderoso banco norte-americano JPMorgan
diz que sim.
Na mesma linha,
a corretora
de criptomoedas Binance sentiu o golpe no gogó envolvendo bilhões de dólares.
O Brasil - dizem os especialistas - padece
de uma perigosa vulnerabilidade. O nó está na
infraestrutura e nos sistemas governamentais carentes de defesa digital.
Pior é que os cibe ataques já não são incidentes
isolados de cibersegurança convencional. Trata-se de uma ameaça estrutural à segurança das
nações e à estabilidade dos sistemas financeiros.
O tema tem destaque no programa do
governo Lula 4, que prevê o reforço da capacidade de defesa nacional para
proteger as bases de dados públicas e as infraestruturas críticas do Estado.
Prioriza o desenvolvimento de
tecnologias genuinamente nacionais para reduzir a dependência de soluções e
softwares estrangeiros.
Também o combate a crimes digitais e golpes online; regulação e responsabilização
de plataformas através de um arcabouço normativo rígido para a economia
de dados; ações focadas em capacitar os cidadãos — com atenção especial aos
idosos — para o uso crítico, consciente e seguro da internet, mitigando a
vulnerabilidade a golpes de engenharia social.
Para tanto, cabe papel destacado ao Comitê
Nacional de Cibersegurança (CNCiber) e à atualização da Estratégia Nacional de Cibersegurança (E-Ciber).
Quem vai controlar terras raras e minerais críticos do Brasil? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/terras-raras-estrategicas.html
Como disse?
"O poder que a direita conquistou no Congresso é uma oportunidade e um teste: terá de questionar Lula sem reproduzir os vícios que denuncia nem desperdiçar a chance de promover reformas", lê-se no Estadão. — Que reformas, cara-palida?
Em Manifesto, economistas rejeitam “terceiro turno do mercado” após vitória de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/soberania-popula-x-mercado.html
Editorial do 'Vermelho'
Elogio a quem tem audácia
Movimento estudantil que deflagrou virada do segundo turno volta às ruas
disposto a influenciar os rumos do Lula4
Editorial do "Vermelho" www.vermelho.org.br
A volta
dos estudantes às ruas em 1º de novembro representou a continuidade de um
movimento decisivo para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A
jornada Brasil com S: das ruas às urnas, puxada pela União Nacional dos
Estudantes (UNE) e pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES),
envolveu entidades estudantis de diferentes partes do país.
O nome é
um contraponto ao brasão com a inscrição Estados Unidos do Brazil,
presente na carta divulgada em 28 de outubro pelo candidato da extrema direita
derrotado, Flávio Bolsonaro, foragido nos Estados Unidos, na qual contestou o
resultado eleitoral e se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito”. O
Brasil com S tornou-se, assim, uma afirmação de identidade nacional.
A
mobilização teve como eixos a celebração da vitória de Lula, a defesa da
democracia e do resultado eleitoral, a afirmação da soberania nacional e da
vontade popular, além da denúncia da violência contra os povos indígenas, do
rechaço à interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral e da defesa da
educação pública, das universidades federais, da assistência estudantil e da
reforma agrária.
O
movimento reafirma o papel decisivo dos estudantes que deflagraram a grande
mobilização responsável pela virada que levou à vitória de Lula no segundo
turno. Foi a comprovação de que não se tratou de um processo espontâneo. A
articulação surgiu em Niterói, no Rio de Janeiro, no Centro Acadêmico Evaristo
da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito da Universidade Federal Fluminense
(UFF), e ganhou impulso com a campanha Estudantes com Lula, lançada pela
UNE em 6 de outubro, um dia após o primeiro turno.
Era a
largada. “Eu tenho certeza de que foi a juventude de Niterói que começou esse
movimento”, disse Hugo Silva, ex-presidente da UBES e estudante da Faculdade de
Direito da UFF, em entrevista ao Portal Vermelho. “Então a gente, no
curso de Direito, mobilizou uma assembleia no dia 5, por meio da chamada do
CAEV”, afirmou, revelando o que pode ser chamado de marco zero daquela
mobilização.
A
iniciativa expressava um plano nacional de organização que estabeleceu
assembleias nas universidades, distribuição de materiais, atividades em
terminais de transporte, ações nos bairros e manifestações até a véspera do
segundo turno. A UNE deu capilaridade à articulação, incorporando à disputa
eleitoral a estrutura de representação estudantil nas instituições de ensino.
A
presidente da UNE, Bianca Borges, anunciou uma etapa de mobilização permanente
e convocou os estudantes a impulsionar uma ampla participação popular. Para dar
consequência à decisão, chamou diretórios centrais, centros e diretórios
acadêmicos, entidades estaduais e uniões municipais a organizar assembleias e
plenárias. Cada encontro deveria produzir encaminhamentos, distribuir tarefas e
estabelecer um calendário de atividades. Ao anunciar essa nova etapa, Bianca
Borges declarou: “A partir de agora é estado permanente de mobilização. Os
estudantes serão decisivos para reeleger Lula. Não sairemos das ruas.”
A UBES
incorporou os estudantes do ensino médio a esse esforço. Grêmios e entidades
estaduais foram chamados a organizar atividades nas escolas e comunidades. A
presidente da UBES, Roberta Pontes, também defendeu a presença dos
secundaristas nas ruas. Em entrevista ao Correio Braziliense, ressaltou
a importância de conversar diretamente com a população e relacionou a
mobilização daquela geração à memória dos estudantes que enfrentaram a
ditadura.
Também
merece destaque o papel da União da Juventude Socialista (UJS) nessa
mobilização. Em seu 23º Congresso Nacional, realizado em julho, no Rio de
Janeiro, a entidade lançou a campanha O futuro é agora, o futuro é com Lula.
Educação, trabalho, ciência, tecnologia e soberania integraram a plataforma de
debates do evento. Em artigo publicado no Portal da UJS, sua presidente,
Rafaela Elisiário, orientou a realização de assembleias nas universidades e
escolas e a formação de brigadas estudantis.
A
juventude estava chamada a colocar em curso as ações que poderiam ser decisivas
para virar o jogo, escreveu. “Devemos organizar imediatamente assembleias de
apoio ao Lula em todas as universidades e escolas, consolidar brigadas de
estudantes com uma agenda definida para circular os bairros onde Lula perdeu a
votação no primeiro turno e onde os índices de abstenção foram significativos,
ocupar as redes sociais com nossas lideranças e atividades de apoio ao Lula,
descentralizar as iniciativas com objetivo de alcançar a parcela que pode virar
essa eleição, assim como, ocupar as ruas com mobilizações capazes de incentivar
que mais pessoas se engajem na batalha em curso.”
A
dimensão dessa operação apareceu no balanço apresentado por Gabriela Silveira,
diretora de Movimento Universitário da UJS Brasil. Em artigo publicado no
portal da organização, ela informou que mais de 30 assembleias haviam sido
realizadas em menos de 72 horas. Diretórios centrais, centros acadêmicos,
grêmios e associações de pós-graduandos participaram das atividades, em
articulação com a UNE, a UBES e a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG).
A
Juventude Pátria Livre (JPL) também desenvolveu ações de mobilização
significativas. Em 7 de outubro, a organização lançou uma convocação nacional
para que estudantes e jovens ocupassem universidades, escolas, bairros e
centros urbanos. A tarefa era conversar com eleitores indecisos, alcançar quem
não havia comparecido ao primeiro turno e ampliar a participação na votação. A
JPL acrescentou à articulação sua rede de militantes e atividades de convocação
direta.
O
resultado revelou a velocidade com que a mobilização se instalou nas
instituições de ensino e a extensão do trabalho de convocação. Seu alcance se
ampliou com a incorporação dos movimentos sociais e sindicais, de artistas,
intelectuais e de amplos setores populares, numa das maiores mobilizações desde
a redemocratização. Também surgiu o Exército do Lula, canal de WhatsApp
criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). Lançado em abril, o canal
cresceu rapidamente e ultrapassou onze milhões de integrantes.
A
presidente da UNE, Bianca Borges, afirma que a mobilização foi uma lição muito
importante, “que nos manterá nas ruas”. “Para quem tem dúvida, a gente não está
disposto a voltar para casa”, afirma. “O que vimos é que as manifestações
fizeram algo que foi muito importante, que foi mudar a temperatura política do
país.”
De fato,
a mobilização popular precisa ser permanente para apoiar as medidas
programáticas do governo Lula, enfrentar a pressão do mercado financeiro, da
mídia hegemônica e do imperialismo por um “ajuste fiscal” que compromete os
investimentos em infraestrutura e as políticas públicas e sociais, além de
rechaçar as investidas golpistas da extrema direita e de setores da direita.
“Tudo aquilo que foi prometido na campanha, podem ter certeza de que vai
acontecer”, disse o presidente Lula em vídeo publicado no dia 1º. A iniciativa
também tende a se tornar permanente, como parte importante dessa mobilização.
O “gosto amargo” da necessária amplitude https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html




