05 agosto 2026

Boa notícia

Lula já cumpriu mais de 80% das promessas feitas em 2022
Levantamento aponta que, dos 36 compromissos principais, 26 foram executados integralmente e quatro parcialmente
Priscila Lobregatte/Vermelho  

A cinco meses de seu término, o terceiro governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já concluiu, total ou parcialmente, a grande maioria das promessas de campanha feitas em 2022, com um índice superior a 80%.

Nada mal para um mandato que teve de reerguer o País após seis anos de destruição causada por Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (PL) e dos efeitos da pandemia, além de enfrentar um Congresso majoritariamente hostil e tentativas de sabotagem da extrema direita nacional e estadunidense.

O levantamento que mostra a relação entre o prometido e o cumprido não veio da campanha ou de algum site ligado à esquerda, mas do G1, das organizações Globo.

O site analisou 36 das principais propostas apresentadas por Lula em 2022 e concluiu que 26 delas foram cumpridas integralmente; quatro, parcialmente e apenas seis não foram cumpridas até o momento.

No entanto, ao se debruçar sobre o que, segundo o site, ficou pendente neste mandato, observa-se que algumas questões não dependem apenas do governo e que o critério escolhido para demarcar o que foi realizado nem sempre leva em conta o que foi feito de maneira mais ampla.

Promessas cumpridas

No caso daquilo que foi totalmente executado, são apontados avanços importantes em áreas essenciais. Na educação, figuram o aumento de verba da merenda escolar (que estava congelada desde 2017) e do acesso ao ensino superior. Importante salientar que durante o mandato de Bolsonaro, houve forte contenção das verbas destinadas às instituições federais de ensino, além do desprezo pelas universidades públicas e pelo conhecimento científico nelas produzido.

Na área da saúde, destacam-se a ampliação do Farmácia Popular e a retomada do programa Mais Médicos — o primeiro, havia sido severamente atingido por cortes bilionários no governo Bolsonaro, enquanto o segundo foi praticamente extinto após o então presidente, por razões ideológicas, dificultar a atuação de médicos estrangeiros, sobretudo cubanos.

Outra promessa importante, realizada na área da segurança pública, foi a revogação dos decretos e normas de Bolsonaro que liberaram, sem controle e com critérios bastante frouxos, a aquisição de armas de fogo pela população e a retomada do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), voltado ao investimento na formação e profissionalização de policiais e no apoio à segurança pública.

Na área econômica, um dos compromissos era acabar com o teto de gastos — que engessava investimentos mesmo em áreas essenciais — e criar novas regras, tidas como mais flexíveis, para o arcabouço fiscal. Ao mesmo tempo, foi aprovada a reforma tributária, que há décadas era discutida no país.

Ainda constam das promessas cumpridas no campo econômico o fim da paridade de preços entre os valores do petróleo no mercado internacional e os da Petrobras — política estabelecida por Temer e continuada por Bolsonaro e que encarecia o combustível —, bem como a retomada da política de valorização do salário mínimo, congelada desde Temer.

Lula também propôs e executou políticas de renegociação de dívidas, com os dois Desenrola, além de zerar o Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais e reduzir para quem recebe a partir desse valor até R$ 7.350.

Quanto ao meio ambiente, o então candidato se comprometeu e criou a Cúpula da Amazônia e, ao mesmo tempo, implantou políticas para reduzir os desmatamentos, entre outras relativas à área, que havia sido abandonada por Bolsonaro e sua política de “passar a boiada”.

Leia também: Brasil consolida saída do Mapa da Fome com menor índice histórico

O presidente ainda criou ou recriou ministérios fundamentais — é o caso do dos Povos Originários e da Cultura, áreas que não receberam nenhuma atenção de Bolsonaro.

No caso dos indígenas, é importante lembrar que foi sob o governo Bolsonaro que a etnia Yanomami sofreu uma das maiores crises humanitárias já vividas por essas populações no Brasil e que garimpeiros e desmatadores ficaram livres para ocupar e explorar terras desses povos.

Com relação ao Bolsa Família, vale destacar que Lula prometeu e cumpriu com a manutenção, a reorganização e a ampliação do programa que, sob Bolsonaro, foi usado como mera ferramenta eleitoral, inclusive com a entrega do benefício para gente que não precisava.

Lula ainda se comprometeu e tirou o Brasil, pela segunda vez, do Mapa da Fome da ONU; manteve e ampliou as cotas raciais e retomou, com novas faixas, o Minha Casa, Minha Vida, outro programa que ficou à míngua na gestão anterior.

Cumprimento parcial

Segundo o levantamento, quatro promessas não teriam sido cumpridas totalmente. Uma delas seria a recuperação da aprendizagem no pós-pandemia. Tal compromisso, porém, foi encampado em 2024, com a criação do Pacto Nacional da Recomposição das Aprendizagens, mas sua implantação e resposta também dependem da adesão e da forma como estados e municípios aplicam suas diretrizes.

Outra promessa apontada como não realizada, mas que tem alto índice de aplicação, é a universalização da banda larga nas escolas — de acordo com o Ministério da Educação, cerca de 73% das escolas públicas já contam com essa melhoria; em 2023, o percentual era de 45%.

Também nessa linha está a análise sobre a universalização do acesso à luz e à água para pessoas vulneráveis e isoladas, dada como “não cumprida”. Porém, o próprio levantamento indica que, no caso da energia elétrica, o percentual da população com acesso chega a 99,8%…

Na frente da saúde, está pendente o fim das filas de espera por consultas, exames e cirurgias acumuladas no SUS devido à pandemia. Embora tenha havido uma série de ações neste sentido — como mutirões e ampliação de atendimento por meio do Agora tem Mais Especialistas e do Programa Nacional de Redução de Filas, o Ministério da Saúde admite que a espera não foi totalmente sanada.

Outra questão que consta como pendente é a reforma trabalhista focada, principalmente, em garantir direitos para autônomos e trabalhadores por aplicativos.

De fato, não foi implantada uma reforma deste tipo, mas o governo chamou mesas de negociação com representantes sindicais e patronais. Desse processo (e após muitas idas e vindas), saiu um projeto de lei complementar que tramita na Câmara e que busca regulamentar o trabalho por plataformas digitais no Brasil.

Por outro lado, o governo Lula encampou e articulou, junto ao Congresso, o fim da escala 6×1. Embora tenha passado na Câmara, o projeto de lei está parado no Senado por decisão política do presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Também é apontado como não cumprida a criação de um orçamento participativo, em oposição ao orçamento secreto. Implantado durante o governo Bolsonaro, esse mecanismo permitiu que o orçamento federal, que deve ser manejado pelo Executivo, fosse praticamente “sequestrado” pelo Congresso Nacional.

Acabar com ele, no entanto, não depende apenas do governo federal e tem sido uma batalha travada também no âmbito da Justiça, com determinações por parte do STF no sentido de estancar a sangria dos recursos, com alta resistência de setores da direita e fisiológicos do Congresso.

Ao mesmo tempo, o governo colocou em prática ferramenta para possibilitar maior participação popular (a plataforma Brasil Participativo) a fim de colher opiniões para o Plano Plurianual 2024-2027. Segundo o governo, mais de 1,4 milhão de pessoas opinaram sobre o uso dos recursos.

A não criação do Ministério da Segurança Pública consta como outra promessa não cumprida; porém, segundo o governo, a medida depende da aprovação da PEC da Segurança Pública, também parada no Senado.

Pendências não tão pendentes

O levantamento aponta como pendente, ainda, a criação e o reforço de ações de combate à violência contra as mulheres e para o atendimento das vítimas. Embora reconheça a retomada do Programa Mulher Viver sem Violência e a inauguração de 20 novos serviços especializados entre Casas da Mulher Brasileira e Centros de Referência, o site diz haver lacunas em estados e municípios.

Neste ponto, é importante salientar que, para além da responsabilidade dos demais entes, o governo Lula tem dedicado especial atenção ao tema, sobretudo a partir do aumento dos feminicídios.

Vale destacar como medidas o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio (proposto por Lula e que envolve ações do Executivo, Legislativo e Judiciário) e leis como a que determina o uso imediato de tornozeleira eletrônica por agressores de mulheres (bem como dispositivo de segurança para vítima que a alerte sobre uma eventual aproximação do agressor).

Também foi sancionada a lei que tipifica o crime de vicaricídio (assassinato de filhos ou parentes com o intuito de causar sofrimento à mulher) e foram criadas salas exclusivas em hospitais do SUS e unidades itinerantes para o atendimento humanizado às mulheres vítimas de violência, assim como ações integradas por meio do Operação Mulher Segura, voltada a prisão de agressores e à agilização de concessão de medidas protetivas.

Identifique-se ao comentar.

Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html  

Postei nas redes

Alta do preço do barril fez lucros de 8 petroleiras somarem US$ 90 bi no segundo trimestre em razão da guerra no Irã. Estima-se que 8 petroleiras (Aramco, BP, Shell, Equinor, TotalEnergies, Eni, Chevron e ExxonMobil) acumularam lucros de cerca de US$ 90 bilhões em apenas 3 meses. No capitalismo, em qualquer circunstância os monopólios se dão bem; o povo, não. 

Trump com poucas cartas na mão https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fragilidades-de-trump-contra-ira.html 

04 agosto 2026

Minha opinião

Interferência inaceitável
Luciano Siqueira   

No artigo O plano dos EUA para interferir nas eleições brasileiras - pressão econômica e alegações falsas sobre sistema eleitoral estão na pauta da Casa Branca”, do norte-americano James N. Green, publicado na revista Liberta, informações que devem ser levadas na devida conta.

Green é historiador e brasilianista (professor da Universidade Brown e especialista em história social e política do Brasil e nas relações bilaterais entre Brasil e Estados Unidos). Ele discorre sobre como setores políticos e econômicos internacionais — em especial a diplomacia e a política externa dos EUA — utilizam instrumentos institucionais, econômicos e informacionais para influenciar o cenário político e eleitoral brasileiro.

Vale tudo.

A adoção de restrições comerciais, retaliações tarifárias e barreiras ao capital estrangeiro servem como instrumento para desestabilizar governos ou favorecer candidaturas alinhadas a interesses geopolíticos específicos.

Qualquer que seja o perfil vigente da economia – no Brasil, sob controle e exibindo números muito positivos -, a propagação de incertezas e narrativas de risco econômico para gerar instabilidade interna em momentos de decisão eleitoral.

Neste item, o complexo midiático neoliberal dominante no Brasil se esmera em previsões pessimistas, na contramaré da realidade concreta.

Também o uso de discussões infundadas ou questionamentos sistemáticos sobre as urnas eletrônicas e o sistema eleitoral brasileiro como estratégia de deslegitimação democrática, como fez Jair Bolsonaro no pleito passado e agora repete o senador Flávio Bolsonaro. Nessa matéria, faz-se a articulação entre grupos políticos conservadores e de extrema-direita nos EUA e no Brasil para replicar discursos sobre fraude e fragilidade das instituições democráticas.

A rigor, nenhuma novidade. Entretanto, a reiterada denúncia importa e é oportuna.

Identifique-se ao comentar.

Com Lula rumo a um Brasil soberano e desenvolvido https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-do-pcdob.html 

Arte é vida

 

Lasar Segall

Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html  


Palavra de poeta

retorno

Cida Pedrosa

ontem o homem 

retornou à casa 

 

deixou a guitarra na sala 

o corpo no quarto 

a alma a vagar no corredor 

 

nos lençóis de linho 

diagramas contam histórias 

de amor e náufragos 

 

suas costas ardem em chamas 

os pés descansam as botas 

de viandante 

 

ainda sabe o caminho das romãs 

de como andar por pomares 

dentro da noite 

 

a barba por fazer 

pontilha a pele em ponto de cruz 

caminho sem fim 

casas de abelha 

 

as mãos 

traçam pontos de chulear 

antes do ponto final 

 

agulhas se partem 

pernas em macramê se trançam 

urros se mesclam 

o homem retorna à mulher 

envolto em um sonho de cambraia 

[Ilustração: Pablo Picasso]

Leia também: "Sonho domado", de Thiago de Mello https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_0945526495.html 

Minha opinião

“Só tem tu, vamos com tu mesmo”
Luciano Siqueira    

Parece um sonho frustrado de uma noite de verão: a grande mídia neoliberal brasileira tem tentado por todos os meios construir uma política alternativa dita de "terceira via", com o fim de viabilizar uma candidatura presidencial competitiva e confiável.

Sem sucesso.

Uma empreitada inviável por muitas razões, dentre as quais a dependência do espólio do ex-presidente penitenciário Jair Bolsonaro.

Mais: a ausência de uma proposta de governo que atenda às necessidades básicas da nação e aos anseios imediatos do povo.

Impossível compatibilizar a fidelidade extremada aos ditames do capital financeiro, do agronegócio exportador e dos monopólios varejistas com as aspirações explícitas ou implícitas, da maioria do eleitorado.

Identifique-se ao comentar.

Leia também: " A soberania nacional, por exemplo"  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html

Humor de resistência

 

Quinho

Quadrinhos contra a opressão, pelos lápis de uma mulher notável https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/enio-lins-opina_01982092765.html