Uma semana que vale uma década
Campanha de Lula
chega à reta final em forte ascensão. Dias decisivos de uma disputa
acirradíssima exigem mobilização ainda mais vigorosa para garantir a virada
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br
A campanha presidencial entra na última semana com dois debates decisivos na
televisão. Depois do confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio
Bolsonaro, realizado pela Band em 18 de outubro, os candidatos voltam a
se enfrentar na TV Globo, na sexta-feira, 23, após o Jornal Nacional.
Na Band, Lula confrontou as acusações de corrupção lançadas pela extrema
direita e desafiou os dois candidatos a abrirem os sigilos bancários e
telefônicos, inclusive os de seus familiares, para que as acusações sejam
examinadas.
Flávio, óbvio, fugiu da raia porque se viu em um beco sem saída. Ele
teria de explicar a sua longa lista de investigações e processos de corrupção,
justamente quando, pela segunda vez, passa a ser investigado no âmbito do
Supremo Tribunal Superior (STF) sobre relações financeiras e acesso a uma conta
bancária vinculada a uma empresa offshore, Alcazar Holdings, e
pagamentos de viagens em jatos executivos por uma empresa ligada ao advogado
Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a
fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS).
A semana começa também com uma demonstração expressiva de mobilização em
torno da candidatura de Lula, com grandes manifestações em dezenas de cidades,
em todas as regiões do país. É uma onda que não para de crescer e se espraia
pelo Brasil, a exemplo de Brasília, que reuniu uma multidão na Esplanada dos
Ministérios no domingo, dia 18. No Rio de Janeiro, o Ato Musical pela
Democracia ocupou a orla de Copacabana. Outras cidades, como Salvador,
Recife, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, realizaram grandes
concentrações. Em São Paulo, atos descentralizados mobilizaram apoiadores em
diferentes localidades.
Também merece destaque a manifestação de setores da sociedade civil, do
centro e da centro-direita, que se posicionam em defesa da democracia e contra
a candidatura da extrema direita. Nesse movimento, ganha relevância o manifesto
articulado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que reuniu intelectuais,
economistas, acadêmicos e ex-integrantes de governos, entre eles Rubens
Ricupero, Miguel Reale Júnior e Aloysio Nunes Ferreira. O documento defende a
democracia, a estabilidade institucional e a justiça social e alerta para os
riscos representados por Flávio Bolsonaro. Esse movimento de frente ampla
também começa a se realizar nos estados.
Outro fator relevante está no desempenho da campanha de Lula na
comunicação digital. O presidente ultrapassou Flávio Bolsonaro no Índice de
Popularidade Digital (IPD), calculado pela consultoria Quaest. Entre 4 e
15 de outubro, a pontuação de Lula subiu de 70,7 para 82,6, enquanto a do
candidato da extrema direita recuou de 80 para 76,4 pontos. Milhões de
ativistas e eleitores/as de Lula engajaram-se no front da guerra
digital.
Entre os fatores que impulsionam a expansão da presença digital de Lula
está a mobilização e o protagonismo da juventude, que ganhou as ruas e ampliou
sua atuação nas redes sociais. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque
registrou, entre 5 e 8 de outubro, cerca de 383 mil publicações e 8,2 milhões
de interações digitais relacionadas às manifestações estudantis. A mobilização
tem à frente União Nacional dos Estudantes (UNE) e sua rede de entidades em
todo país e envolve organizações como a União da Juventude Socialista (UJS) e a
Juventude Pátria Livre (JPL).
Esses dados são promissores para a reta final da campanha eleitoral. A
tendência é que deem um necessário novo impulso que resulte mobilizações ainda
mais vigorosas, em um crescendo capaz de levar verdadeiras multidões às ruas no
país inteiro, numa grande manifestação patriótica, popular e cívica. A
gravidade da situação motivou democratas e patriotas a participar de
mobilizações que já são um marco na história do país, defendendo seu futuro e
lutando para impedir que a soberania nacional e a democracia sejam usurpadas
por forças entreguistas, subordinadas a interesses estrangeiros, verdadeiros
traidores da pátria.
Essa discrepância se manifestou com nitidez no debate da Band.
Lula, um estadista de reputação internacional, enfrentou um desqualificado,
mentiroso, agressivo, inapto para o debate democrático. “Foi um comportamento
de moleque. Desrespeitoso, agressivo, desqualificado, fazendo acusações
completamente sem dados”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Quando
questões essenciais para o país e para o povo foram escrutinadas, Flávio
Bolsonaro voltou a se mostrar por inteiro. Lula expôs, mais uma vez, o vínculo
estreito do candidato da extrema direita com o crime organizado e sua prática
contumaz de disseminar ódio e cultuar a violência.
A exposição chegou ao caso concreto da menina Ana Clara Gomes Machado,
de cinco anos, morta por um disparo de fuzil em fevereiro de 2021, em Niterói
(RJ). Um policial acusado de efetuar o disparo foi defendido por Flávio
Bolsonaro, que assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para
tentar reverter a decisão que encaminhou o acusado a julgamento popular. No
debate, Lula cobrou de Flávio Bolsonaro uma explicação sobre sua posição diante
de um caso que envolve a morte de uma criança. Ele, mais uma vez, tergiversou e
não respondeu.
Indagado por Lula sobre a contratação, em seu antigo gabinete na
Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), de familiares de Adriano da Nóbrega,
ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apontado pelo
Ministério Público como ligado ao Escritório do Crime, Flávio Bolsonaro
mais uma vez se omitiu.
O mesmo ocorreu no tema dos direitos trabalhistas. Lula indagou Flávio
Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 e lembrou seu histórico de apoio à
“flexibilização” das relações de trabalho. O candidato voltou a tergiversar,
sem se dar à honestidade de dizer que, em um eventual governo sob sua
liderança, pretende liquidar a conquista da PEC que acaba com a escala 6×1 e
reduz a jornada de trabalho, substituindo-a por um modelo que lança os
trabalhadores à sanha da exploração assalariada, com a proposta de pagamento
proporcional às horas trabalhadas, acabando, na prática, com garantias salariais,
férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Na saúde pública, Lula perguntou se a promessa surreal de levar ao
Sistema Único de Saúde (SUS) o padrão de atendimento do Hospital Israelita
Albert Einstein significaria privatizar o sistema. Mais uma vez, Flávio
Bolsonaro se esquivou. Na prática, a proposta em estudo na campanha prevê
desvincular as verbas destinadas à saúde, medida que pode comprometer o
financiamento de consultas, exames, cirurgias, distribuição de medicamentos e
programas de prevenção e assistência. A mesma receita está sendo estudada para
a educação, com riscos para o financiamento das escolas públicas, a valorização
dos profissionais e a manutenção e expansão dos programas educacionais.
Lula também questionou Flávio Bolsonaro sobre a adesão do Brasil ao Escudo
das Américas, projeto intervencionista dos Estados Unidos na América
Latina, apresentado sob o pretexto de combater o crime organizado. O candidato
ignorou solenemente as implicações dessa aliança e sua subserviência ao governo
de Donald Trump. Ele chegou a oferecer sua equipe de transição, em caso de
eleição, a Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano. Flávio Bolsonaro
também prometeu entregar aos Estados Unidos as terras raras brasileiras.
Esta é a semana de decidir os rumos do Brasil. Aproveitar cada hora
desses dias preciosos. A palavra de ordem é executar com total intensidade as
missões direcionadas a pedir e virar votos, com atenção especial aos que seguem
indecisos ou que tendem a se abster. Fazer vibrar e brilhar com mais força as
ideias da campanha de Lula nas redes e seguir tirando a máscara de Flávio
Bolsonaro. Com mais volume e mais espírito de luta, continuar construindo a
vitória nas ruas, enchendo praças e avenidas, de gente e de alegria. Conversar
com os/as eleitores/as, pessoa a pessoa, por meios diversos.
Os brasileiros e brasileiras se veem diante da responsabilidade
histórica de salvar o Brasil do flagelo bolsonarista e assegurar, com a
reeleição do presidente Lula, um futuro de desenvolvimento soberano e
democrático para o país e prosperidade para o povo. Cada democrata, cada
patriota, cada trabalhador, estudante, mulher, jovem, cidadão, cidadã
comprometidos com o futuro do país tem um papel a cumprir.





