31 maio 2026

Palavra de poeta

AMOR É UM FOGO...

Luís Vaz de Camões    

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

[Ilustração: Emil Nolde]

Assumo o preconceito! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/minha-opiniao_5.html 

Sylvio: quem matou JK?

Mais um assassinato cometido pela ditadura militar, que tantos males nos causou, é  esclarecido. Foram os seus algozes que mataram o presidente Juscelino Kubitschek. 

Sylvio Belém 

As voltas que o mundo dá https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Bom sinal

No Estadão, explicitação do racha na extrema direita: "Designação de PCC e CV como terroristas beneficia o crime organizado, Trump e os Bolsonaro." 

"Definitivamente, um plebeu provinciano" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/minha-opiniao_12.html 

Humor de resistência

Galvão Bertazzi

Caminhos tortuosos da vida https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Ideias para o próximo governo Lula

Lula apresenta balanço do governo e programa para 2027-2030
Com 180 páginas, “Plano Participativo pelo Brasil e pelos Brasileiros” resgata legado do terceiro governo Lula e anuncia primeiras diretrizes para um novo mandato
André Cintra/Vermelho 

O programa que poderá nortear um eventual quarto governo Lula começou a sair do papel. Lançado na sexta-feira (29), em São Paulo, o “Plano Participativo pelo Brasil e pelos Brasileiros” combina um documento-base de 180 páginas e uma plataforma digital de escuta. A ideia é formular, com participação popular, as diretrizes da campanha à reeleição do presidente para o período de 2027 a 2030.

A iniciativa prevê a coleta de propostas de movimentos sociais, especialistas, entidades, sindicatos, universidades e organizações da sociedade civil. Coordenado pelo ex-presidente da Petrobras Sergio Gabrielli, o processo receberá contribuições até 30 de junho. Relatórios consolidados deverão ser apresentados em 15 de julho, servindo de base para a elaboração do programa definitivo da chapa Lula-Geraldo Alckmin.

O documento foi concebido como um manifesto político da coalizão que sustenta o governo Lula. Antes de apresentar diretrizes e centenas de metas, o texto dedica dezenas de páginas a uma radiografia do que classifica como “herança maldita de destruição” dos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.

Uma disputa entre dois Brasis

A premissa central é que a eleição de 2026 oporá dois projetos históricos de País: de um lado, a continuidade da reconstrução do Estado social, da industrialização e da soberania nacional; de outro, o retorno do ciclo liberal-conservador associado ao bolsonarismo e ao período iniciado após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, em 2016.

Partindo dessa interpretação, o texto se organiza em três movimentos: o diagnóstico do período 2016-2022, o balanço do governo Lula 3 e as diretrizes para um novo ciclo político.

Da “herança de destruição” à reconstrução

Segundo o documento, o País viveu anos de desmonte institucional, perda de direitos sociais, enfraquecimento da participação popular e redução da capacidade de planejamento estatal. Como exemplos, cita o retorno do Brasil ao Mapa da Fome, cortes de até 96% no orçamento do Suas, queda da cobertura vacinal infantil e aumento do desmatamento na Amazônia. O governo Bolsonaro também é acusado de promover negacionismo durante a pandemia e campanhas de desinformação por meio da comunicação oficial.

Em contraposição, o texto apresenta o governo Lula como um período de recuperação econômica e institucional. Entre os resultados destacados estão a saída de mais de 26 milhões de pessoas da fome, a geração de mais de 5 milhões de empregos formais, a redução da desigualdade, a valorização do salário mínimo, a contratação de 2 milhões de moradias pelo Minha Casa Minha Vida e a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado. Também são citados avanços em políticas para mulheres, igualdade racial e participação social.

A aposta em um novo ciclo de desenvolvimento

O balanço econômico ocupa espaço central. O governo reivindica a aprovação da reforma tributária, a substituição do teto de gastos pelo novo arcabouço fiscal, a expansão dos investimentos do Novo PAC e a retomada da política industrial por meio da Nova Indústria Brasil (NIB).

Segundo o documento, a estratégia de desenvolvimento combina crescimento, justiça social e reindustrialização verde, com foco em transição energética, inteligência artificial, semicondutores, biocombustíveis, hidrogênio verde e infraestrutura sustentável.

A ideia de soberania nacional atravessa todo o texto. O plano defende reduzir vulnerabilidades estratégicas em áreas como energia, tecnologia, defesa e comunicação digital, além de ampliar a capacidade industrial brasileira. Entre as propostas está a criação de uma política para terras raras e minerais críticos, condicionando sua exploração à agregação de valor e à industrialização no País.

Um projeto para os anos 2030

O documento também procura atualizar o repertório histórico do campo progressista para os desafios da próxima década. Inteligência artificial, automação, plataformas digitais, transição climática e novas formas de trabalho aparecem como temas recorrentes. A proposta é combinar inclusão social com modernização tecnológica e aumento de produtividade.

As diretrizes estão organizadas em grandes eixos, como fortalecimento da democracia participativa, ampliação dos serviços públicos, combate às desigualdades, reforma urbana, neoindustrialização, transição energética, proteção ao trabalho e protagonismo internacional do Brasil.

Entre as propostas concretas estão a implantação gradual da jornada semanal de 40 horas, o fortalecimento da negociação coletiva, a ampliação da tributação sobre altas rendas e patrimônios, a expansão do Minha Casa Minha Vida, o aprofundamento da reforma tributária progressiva e uma política industrial voltada para inteligência artificial, semicondutores e transição energética.

O plano também prevê a retomada de mecanismos de participação social enfraquecidos após 2016, como conselhos, conferências e fóruns públicos. Outra meta é a criação de um espaço específico para jovens discutirem propostas para o Brasil de 2036.

Num cenário marcado pela persistência da extrema direita nas redes, no Congresso e em parcelas importantes do eleitorado, o campo progressista se mexe. “Esse é um documento preliminar, sujeito a alterações. Nossa missão é derrotar o sistema que há séculos reproduz injustiça, desigualdade e corrupção”, afirma o texto de apresentação.

Ao abrir a elaboração do programa à participação popular, a coalizão pró-Lula tenta transformar a campanha de 2026 em algo maior do que uma disputa eleitoral. O documento sugere que a próxima eleição será apresentada como um referendo sobre o ciclo iniciado em 2023: se deve ser aprofundado, corrigido ou interrompido. Entre o balanço dos últimos quatro anos e a promessa de um novo ciclo de desenvolvimento, é nesse terreno que a campanha presidencial começa a ser desenhada.

Se comentar, identifique-se https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/participe.html

Extrema direita patina na lama https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_01219044875.html

Postei nas redes

A grande escritora Clarice Lispetor era obcecada em saber o que vinha antes do pensamento. Isso acontece no futebol. Os grandes craques anteveem o lance e executam as jogadas antes de pensar. É um saber inconsciente, presente nas profundezas da alma. (Tostão/Folha de S.Paulo) 

Quase tudo é inovação tecnológica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/01/minha-opiniao_45.html 

30 maio 2026

Streaming brasileiro

Tela Brasil é ferramenta de soberania cultural, diz Lula
Plataforma começa a operar neste sábado com mais de 500 obras do audiovisual brasileiro, disponibilizadas gratuitamente para todo o público
Priscila Lobregatte/Vermelho       

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou, neste sábado (30), o Tela Brasil, streaming público e gratuito que vai disponibilizar filmes e obras audiovisuais nacionais. A plataforma “vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil”, disse o presidente. Para ele, trata-se de uma ferramenta de soberania cultural.

A cerimônia de lançamento aconteceu no Rio de Janeiro, na Cidade das Artes, e contou, ainda, com a presença de autoridades, entre as quais a ministra da Cultura, Margareth Menezes.
O Tela Brasil tem o objetivo de democratizar o acesso da população à cultura brasileira, a partir da ampliação do alcance da produção nacional, assim como fez o MEC Livros, que já conta com 25 mil livros oferecidos gratuitamente para leitura on line.

No evento, Lula ressaltou que a Tela Brasil visa a oferecer conteúdos que superam a qualidade de boa parte dos conteúdos estrangeiros comerciais comumente veiculados nas tevês abertas e a cabo, ajudando, inclusive, na formação cultural dos jovens brasileiros.

Ele chamou atenção para a alta “quantidade de enlatados de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa para a gente ver”, completando que esse tipo de conteúdo impede que “a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”.

Lula também salientou que “o mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”.

A ministra Margareth Menezes, por sua vez, argumentou que no campo audiovisual, “nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”.

Além disso, destacou que “o povo que se conhece, o povo que se vê, ele se fortalece, porque nossas histórias são lindas. Temos os povos originários, os povos africanos, os povos europeus, as pessoas que construíram esse país, as histórias que nunca foram contadas.”

Tela Brasil

O Tela Brasil já está disponível a partir deste sábado, inicialmente pelo site telabrasil.cultura.gov.br, com login realizado via cadastro no Gov.br. As versões para Android e IOS estarão disponíveis em até 30 dias após o lançamento oficial.

A plataforma estreia com 555 obras audiovisuais brasileiras: 267 curtas-metragens, 139 longas-metragens, 85 médias-metragens ou telefilmes e 64 obras seriadas, reunindo produções realizadas entre 1910 e 2025. Desse total, mais de 300 obras já contam com audiodescrição, legendagem descritiva e tradução em Libras.

Entre os conteúdos disponíveis estão 19 obras que representaram o Brasil na disputa pelo Oscar, além de produções voltadas à infância e à juventude, musicais, registros históricos e títulos reconhecidos em festivais nacionais e internacionais.

Segundo o governo, o acervo oferece ao público um amplo panorama da história, da pluralidade e da riqueza do audiovisual nacional.

Entre os destaques estão clássicos que marcaram a história do cinema brasileiro, como Deus e o Diabo na Terra do Sol, Terra em Transe, Barravento e O Pátio, de Glauber Rocha; A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; Cidade de Deus, de Fernando Meirelles e Kátia Lund; Carandiru, de Hector Babenco; Olga, de Jayme Monjardim; O Quatrilho, de Fábio Barreto; O Que É Isso, Companheiro?, de Bruno Barreto; e Cinema, Aspirinas e Urubus, de Marcelo Gomes.

A seleção reúne ainda documentários de referência, como Jango e Os Anos JK, de Silvio Tendler; produções de Lúcia Murat, como Quase Dois Irmãos e Doces Poderes; além de títulos reconhecidos internacionalmente, como O Menino e o Mundo, Lixo Extraordinário e Ilha das Flores, eleito pela Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine) o melhor curta-metragem brasileiro da história.

A ferramenta nasceu da parceria entre o MinC e a Universidade Federal de Alagoas, responsável pelo desenvolvimento técnico da plataforma por meio do Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais (NEES/UFAL).

Além da oferta gratuita de conteúdo audiovisual, a Tela Brasil foi concebida para operar sem publicidade, sem cobrança de assinatura e sem rastreamento comportamental para fins comerciais. O tratamento de dados segue as diretrizes da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), utilizando exclusivamente as informações necessárias para a prestação do serviço público.

Em breve, acordo entre o MinC e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) permitirá a integração gradual do acervo da TV Brasil à plataforma Tela Brasil. Ao todo, mais de 150 títulos da emissora pública serão disponibilizados, somando cerca de 3 mil horas de conteúdo audiovisual brasileiro.

Clique e acesse aqui o telabrasil.cultura.gov.br.

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O Agente Secreto tratou o Recife como se fosse Paris https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/o-filme-e-cidade.html