O foco das grandes legendas e os desafios de João*
Luciano
Siqueira
O principal candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, penou para compor sua chapa (e alargar o tempo da propaganda eleitoral na TV e no rádio) e, rejeitado, terminou escolhendo um senador do sua cozinha para vice.
Fraqueza? Certamente.
Pelo menos por enquanto não exibe competência e força eleitoral para derrotar Lula. Índices relativamente altos que ainda ostenta em pesquisas tendem a encolher no transcorrer da campanha.
Há outra razão nada sub-reptícia: PP, PSD, Republicanos e Podemos — onde Flávio Bolsonaro pescou e frustrou-se — adotam uma espécie de neutralidade marota, que permite a seus candidatos ao parlamento liberdade plena para alianças locais que lhes favoreçam eleitoralmente. Inclusive a participação em composições comprometidas com a reeleição de Lula, como em Pernambuco, onde o Republicanos indicou o candidato a vice-governador.
Tudo porque o chamado "presidencialismo de coalizão" perdeu força, dando ao parlamento federal poder jamais alcançado na história da República, através do sistema de emendas ao Orçamento em dimensão exagerada e questionável, produto do governo Bolsonaro.
Em 2025, nada menos que R$ 31,5 bilhões do Orçamento foram executados através de emendas (individuais, de bancada e de comissão).
Mais: quanto maior a bancada na Câmara dos Deputados, mas volumosa a cota dos fundos partidário e eleitoral.
Ainda na mesma cena eleitoral, cá na província, desenha-se disputa pelo governo do Estado das mais renhidas. Por enquanto, segundo as pesquisas disponíveis, a governadora Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição, leva ligeira vantagem sobre o candidato da Frente Popular, João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife.
Mas há um fator que pode desequilibrar a peleja em favor de João: o vínculo explícito com Lula, que aqui deve suplantar por larga margem Flávio Bolsonaro e demais adversários.
Raquel faz no seu palanque uma composição de centro-direita, com a presença de notórios e estridentes bolsonaristas, não quer apoiar o candidato do PL e se obriga a uma suspeitosa neutralidade em relação ao pleito presidencial.
Porém, como se sabe, nem sempre a maioria do eleitorado vincula automaticamente as disputas pela presidência da República e pelo governo estadual.
João Campos tem não apenas que proclamar a sinergia com Lula, imas vincular suas propostas para Pernambuco com a plataforma que dá conteúdo à luta pela reeleição do presidente da República. Ou seja, um passo adiante na politização do seu discurso, excessivamente pautado pelas chamadas "entregas administrativas".
*Texto da minha coluna semanal no portal Vermelho
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