01 outubro 2026

Minha opinião

Renildo, tanto quanto*
Luciano Siqueira  

Parece um paradoxo, mas não é. Às vésperas das eleições, pedir votos para deputados e senadores com a mesma ênfase com que pedimos para a reeleição do presidente Lula. 

Ora, “o Poder Executivo é que decide os rumos do país”, sempre se disse.

Mas nunca fui exatamente assim, salvo no período do Estado Novo e durante a ditadura militar instaurada a partir de 1964. 

Com a redemocratização, se estabeleceu relativo equilíbrio entre os chamados Três Poderes da República — o Executivo, o Congresso Nacional (Câmara e Senado) e o Judiciário, ao estilo preconizado por Montesquieu em sua obra clássica “O Espírito das Leis” (1748). 

E se convencionou o termo presidencialismo de coalizão para sinalizar o equilíbrio entre a Presidência da República e o parlamento.

Mas, como se sabe, gradativamente os poderes atribuídos ao Legislativo foram se acentuando a ponto de, durante o governo Bolsonaro, se adotar o atual sistema das emendas parlamentares marcado pela expansão do orçamento impositivo e pela criação de modalidades como as emendas de relator (antigo "Orçamento Secreto") e as "emendas Pix" — que transformaram radicalmente a dinâmica entre o Executivo e o Legislativo. 

Isto posto, em razão da correlação de forças políticas vigentes, o mais provável é que o próximo mandato do presidente Lula aconteça, mais uma vez, sob o constrangimento de maioria oposicionista na Câmara dos Deputados e no Senado.

Dai a absoluta necessidade de se eleger parlamentares que não apenas representem interesses específicos de parcelas do povo, mas que sejam suficientemente capazes de contribuir na construção de consensos possíveis, tanto na Câmara como no Senado, para fazer fluir a agenda do governo. 

Por exemplo, no caso específico de Pernambuco, a reeleição de Renildo Calheiros (PCdoB) mostra-se indispensável, como o próprio presidente Lula nos diz. 

De posicionamento firme e ao mesmo tempo hábil, Renildo acumula ao longo de vários mandatos larga folha de serviços prestados aos governos Lula.

Assim, pelo Brasil afora, eleger deputados e senadores, nesse sentido, é tão importante quanto a própria reeleição do presidente.

*Texto da minha coluna no portal 'Vermelho'

Em debate insosso, a vantagem de João https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01657025946.html 

30 setembro 2026

Palavra de poeta

ALMA MATER

Virginia Leal   


meu olhar sobre amor ao mar,

um denso e quente olhar
e(s)ntranhamente fecundo,
vem da mulher metamórfica,
amada e cantada pelo poeta
das cosmicidades órficas!

 

[Ilustração: José Luís Poveda]

Leia também: "Rainha dos degradados", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_22.html 

Uma crônica de Urariano Mota

O presidente Lula no Recife 
Entre soberania, memória e afeto pelo Recife, a passagem de Lula pela capital pernambucana evoca a defesa da democracia, da pátria e da liberdade.
Urariano Mota/Vermelho     

Diante da luminosa presença do nosso presidente nesta sexta-feira (25) no Recife, tenho que antecipar a minha coluna, pois não conseguirei estar na rua e em casa escrevendo ao mesmo tempo. Há quem escreva direto no celular, mas escrever com tamanha habilidade e talento jamais conseguirei. 

Então eu tento estar presente por antecipação, se é que é possível semelhante feitiçaria. Então eu busco uma saída, que pode estar a partir do histórico discurso de Lula na abertura da sessão da ONU no dia 22 desta semana. E relacionarei com o sentido de pátria dos brasileiros adiante. Do seu discurso histórico, que foi capa de jornais em todo o mundo, menos na mídia do capital do Brasil, destaco: 

“O Brasil não cabe no quintal de ninguém.

Nossas riquezas naturais pertencem ao povo brasileiro — e é em benefício dele que serão exploradas.

O acesso a nossos minerais terá como contrapartida obrigatória a geração de valor em nosso território, a transferência de tecnologia e o suprimento de setores estratégicos nacionais.

No dia quatro de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino.

Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo.

Vão decidir entre democracia e negacionismo.

Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão.

O Brasil continuará sendo um país soberano.

Ninguém…!!! Ninguém nos afastará desse caminho”. 

Dele vou ao patriota de todos os tempos, o inesquecível Frei Caneca: 

“É possível que brasileiros, que homens reputados por patriotas, e que se mostravam tão interessados pelo bem do seu país, sejam agora os primeiros verdugos de seus compatriotas, os opressores de sua mesma nação, os tiranos de sua pátria?” 

A seguir, no Typhis Pernambucano, Frei Caneca escreveu: 

“Quando a nau da pátria se acha combatida por ventos embravecidos; quando, pelo furor das ondas, ela ora se sobe às nuvens, ora se submerge nos abismos; quando levada pelo furor dos euripos, feita o ludibrio dos mares, ela ameaça naufrágio e morte, todo cidadão é marinheiro; um dever sustentar o timão, outro pôr a cara ao astrolábio, ferrar o pano outro, outro alijar ao mar os fardos que a sobrecarregam e afundam, cada um prestar a diligência ao seu alcance, e sacrificar-se pelos cidadãos em perigo.

Firme neste princípio, eu levanto a voz do fundo da minha pequenez e te falo oh Pernambuco, pátria da liberdade, asilo da honra e alcance da virtude! (…) tu me deste o berço, tu ateaste no meu coração a chama celeste da liberdade, contigo ou descerei aos abismos da perdição e desonra, ou a par da tua glória voarei à eternidade”. 

Até os versos imortais: 

“Entre Marília e a pátria
Coloquei meu coração:
A pátria roubou-me todo;
Marília que chore em vão.

Quem passa a vida que eu passo,
Não deve a morte temer;
Com a morte não se assusta
Quem está sempre a morrer….”

Então ligo a presença de Lula no Recife neste 25 de setembro ao romance “A mais longa duração da juventude”, quando o personagem Vargas fala:

“Como é bonita a minha cidade. Só agora percebo. Me perdoa, Recife, por ter sido tão brutal. Tu és para mim o mundo, o lugar da fraternidade que ainda não temos. Mas um dia vamos ter, e tu serás a companheira e camarada da revolução. Eu te amo a ti, somente a ti, acima de todas as coisas. Eu te amo como o meu último afeto. Estás acima do que mais amo, a minha pátria”.

Por isso, por tanto e por tudo estaremos caminhando na multidão com o nosso maior presidente. E mais a doce lembrança de chuva e tanajura da infância no bairro de Água Fria.

Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html

Minha opinião

A boa notícia é a redução do desemprego
Luciano Siqueira     

Vi agora a notícia no Jornal Nacional, que noticia os dados e faz de contas de que o governo nada tem a ver com isso...

O fato é que o país criou 165,8 mil empregos formais em agosto, acumulando  1,14 milhão de novos postos de trabalho, notadamente nos setores de serviços , comércio e indústria, que mantiveram trajetória de expansão e contratações.

Sinal de revigoramento da atividade econômica, o aumento do consumo das famílias e o impacto direto dos investimentos públicos e dos programas de desenvolvimento do atual governo.

Simples assim.
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Solução para os juros altos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/dica-de-leitura_0110212980.html 

Arte é vida

 

Candido Portinari

O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html 

Dica de leitura

Celso Pinto de Melo: que engenheiros estamos formando?
Luciano Siqueira     

No artigo "Estamos formando engenheiros para um mundo que já não existe?”, publicado no Jornal GGN, Celso Pinto de Melo, reflete comenta a defasagem entre o modelo de ensino da Engenharia e as rápidas transformações tecnológicas, produtivas e sociais do século XXI.

Enquanto os fundamentos das ciências exatas mudam lentamente, as tecnologias e critérios do mundo real evoluem em ritmo acelerado. Por isso, a Universidade corre o risco de formação de profissionais com um "mapa mental" ou uma visão industrial ultrapassada.

Tomando como referência o estatístico Hans Rosling — que demonstrou como as pessoas analisam problemas modernos com visões de mundo obsoletas —, o autor observa que alunos que entram hoje na faculdade exercem a profissão até 2060 ou 2070.

Ou seja, tecnologias como gêmeos digitais, inteligência artificial e manutenção preditiva redefinem o que é possível na engenharia.

Daí, mais do que ensinar apenas ferramentas técnicas do momento, a Universidade precisa ensinar o estudante a aprender, já que nenhuma matriz curricular conseguirá cobrir todas as tecnologias das próximas quatro décadas.

Nesse sentido, o autor identifica três gargalos críticos na trajetória de formação: a desconexão entre a teoria abstrata (cálculo, física e química) e a prática da engenharia; a transição de problemas acadêmicos "bem formulados" para a bagunça do mundo real, onde os dados são incompletos, há restrições de custo e as soluções teóricas nem sempre funcionam na prática; e o "vale da morte", a transição entre o protótipo de laboratório e a produção em escala industrial, onde por tentativas se acumula o verdadeiro conhecimento tecnológico.

O Brasil não faz parte do zero e possui exemplos marcantes de liderança e inovação baseados na integração entre ciência e produção, tais como o setor aeronáutico (Embraer); a exploração de petróleo em águas profundas (Petrobras) e o agronegócio e a agricultura tropical.

Entretanto, o país convive com disparidades: produtores obsoletos e setores de fronteira tecnológica.

Postas essas questões, o Brasil não precisa escolher entre formar o engenheiro apenas para a "fábrica do futuro" ou para a "fábrica do presente". O desafio nacional é formar profissionais capazes de fazer a transição, conectando a universidade, o setor produtivo e os centros tecnológicos para resolver problemas complexos e promover a inovação sustentável no país.

Para ler o artigo clique aqui https://jornalggn.com.br/artigos/estamos-formando-engenheiros-para-um-mundo-que-ja-nao-existe-por-celso-p-de-melo/

Leia também "Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html 

Uma crônica de Ruy Castro

Deus, cabo eleitoral com exclusividade
Por suas declarações em palanques, é como se Flávio Bolsonaro estivesse fazendo negócios com Deus. Um deles é o de que vai terceirizar seu mandato, entregando-o às mãos de Jesus; pode isso, Arnaldo?
Ruy Castro/Folha de S. Paulo  

Vivendo e aprendendo. Sempre ouvimos dizer que cargos políticos eram laicos e que Deus nunca se rebaixaria a se misturar com gente que pede votos a quem no fundo despreza. Mas, pelo visto, não é mais assim. Flávio Bolsonaro contratou Deus como cabo eleitoral e usa seu santo nome em comícios, passeatas e sabe-se mais por onde anda como candidato à Presidência. E, ao que parece, é um contrato de exclusividade. Só ele pode invocar Deus e, se quiser, até prometer-lhe um ministério. Eis alguns exemplos.

"Deus está me preparando há 24 anos para ser presidente do Brasil." É um de seus motes favoritos. Significa que foi Deus quem o ensinou a extorquir servidores, condecorar milicianos, mentir como quem respira e suplicar dinheiro a Daniel Vorcaro. "Acredito que Deus colocou uma ‘missão’ em minha vida." Deixa implícito que sua candidatura atende a um chamado de ordem espiritual e que Deus viu nele um novo Cristo, quem sabe até com uma midiática crucificação.

"Deus vai me honrar [com a vitória na eleição]." Pela frequência com que Flávio repete isso, parece que a vitória está incluída no pacote de seus negócios com Deus. Resta ver se um dia prestará contas sobre esses negócios, ao contrário das contas que continua devendo sobre o filme "Dark Horse". "Se Deus me honrar, vamos poder colocar mais ministros [no STF]." E, com isso, obrigará Deus a se misturar com um tribunal tão desmoralizado.

"Vou fazer uma oração antes de ler o termo de posse, entregando o Brasil nas mãos de Jesus." Epa! Significa que quem vai governar é Jesus? Pode isso, Arnaldo —o fulano ser eleito e terceirizar o mandato? E sabe-se lá se Jesus não tem mais o que fazer?

Afinal, sua jurisdição abrange toda a humanidade, o que inclui os Estados Unidos. O patrão Donald Trump se contentará com sublocar Deus em vez de tê-lo todo para si?

"Não debato com quem não acredita em Deus." Afinal, Flávio é candidato a presidente ou a pastor? Resta ver se ele, notório evangélico de última hora, aguentaria cinco minutos de debate com um pastor de verdade.

Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html