Vamos à batalha, com Lula para rechaçar onda destrutiva do fascismo
É possível ganhar o segundo turno, ampliando apoios, confrontando defesa dos direitos do povo com privilégios dos super-ricos, democracia com fascismo, entreguismo com soberania
Editorial do 'Vermelho'
O resultado do segundo turno das eleições presidenciais, com a definição das candidaturas de Luiz Inácio Lula da Silva em confronto com o candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, terá grandes consequências para o futuro do país, com forte repercussão na América Latina e Caribe.
A onda que marcou uma série de eleições latino-americanas – no período mais recente na Bolívia, no Chile, na Colômbia e no Peru – chegou ao Brasil e não pode ser compreendida apenas como fenômeno eleitoral. Sua natureza é política, ideológica e internacional. Vinculada ao governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, ela foi abraçada por parcelas expressivas das classes dominantes e impulsionada pela mídia monopolista.
Essa corrente neofascista construiu uma máquina de influência para converter ressentimentos sociais, inseguranças econômicas e preconceitos em força parlamentar, governos estaduais e presença institucional. O resultado foi uma alteração da correlação de forças no Congresso Nacional, particularmente no Senado, e a consolidação de governadores do campo da extrema-direita, ampliando o raio de ação do neofascismo.
O primeiro turno deixou um contingente expressivo de votos que podem ser buscados: foram 33 milhões de abstenções, 6 milhões de votos nulos e brancos, além dos 3,5 milhões obtidos por Cury, 2,6 milhões por Renan e outros 2,6 milhões por Caiado. Somados, esses contingentes ultrapassam 47 milhões de eleitores, formando um universo eleitoral decisivo para o segundo turno e tornando a capacidade de diálogo, mobilização e conquista desses setores um importante terreno de disputa.
A candidatura de Lula mostrou força e resiliência, numa campanha com intensidade, sobretudo na reta final, com a participação de amplos setores progressistas e democráticos, quando entrou em cena a pauta do povo, catalisador da mobilização popular. Chegar ao segundo turno com diferença de apenas dois pontos, diante de uma máquina política, econômica e midiática de grande magnitude, impulsionada e respaldada por uma potência estrangeira, pelo governo Trump, dos Estados Unidos, revela a existência de uma base social, política, econômica e cultural significativa para a candidatura do presidente Lula.
Essa constatação permite compreender a dimensão do presidente, uma liderança popular de grande prestígio e um estadista com respeitabilidade mundial. Seu oponente vive cercado de escândalos, um desqualificado com acusações de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e outros delitos que conferem à sua ficha criminal uma extensa lista de malfeitos, além de seu conluio com o trumpismo para entregar o país, suas riquezas e o trabalho do povo aos interesses imperialistas, uma inequívoca plataforma política de traição à pátria. A eleição de Flávio Bolsonaro abriria campo para um regime de tendência ditatorial, marcado pela razia contra os direitos do povo para preservar e ampliar os privilégios dos super-ricos.
Ganha importância, portanto, a ampliação do apoio à candidatura do presidente Lula, dialogando com o centro e a centro-direita, indo além das forças que a apoiaram no primeiro turno. A campanha precisa transformar a força acumulada no primeiro turno em movimento vivo nas ruas, ampliando a mobilização, incorporando personalidades democráticas e representantes de diferentes correntes políticas comprometidas com a democracia, a soberania nacional e os direitos sociais para ampliar o campo de interação com o povo e expor o que representam as duas candidaturas.
Além da ampliação política e social, é preciso reforçar e ampliar, enquanto conteúdo, a pauta do povo e do país, dando mais nitidez ao futuro das condições de vida das pessoas, orçamento das famílias e a valorização do trabalho, comparando a tragédia social que provocaria um governo de Flávio Bolsonaro em contraste com um futuro de prosperidade, melhores empregos e salários e redução da jornada de trabalho, com o qual o presidente Lula está comprometido.
A pauta do povo realça a pauta do país. Com Lula, o país terá mais democracia; com Bolsonaro, o filho, o Brasil estará sob ameaça permanente de retorno ao passado de autoritarismo e ditadura. Com Lula, a soberania nacional será reforçada; o Brasil ganhará um novo impulso rumo ao desenvolvimento soberano, enquanto o governo de Flávio Bolsonaro seria totalmente subserviente ao imperialismo estadunidense, com as riquezas nacionais entregues de mão beijada ao governo de Trump.
A mobilização cívica, democrática, patriótica e popular é a força capaz de enfrentar e derrotar essa onda fascista, que se espalha como lava corrosiva, e garantir a reeleição do presidente Lula. Além da mobilização do povo, a campanha precisa ampliar o diálogo com diferentes setores da sociedade — entidades sindicais, movimentos sociais, organizações populares, personalidades, intelectuais, artistas, empresários, profissionais liberais, lideranças comunitárias e forças políticas democráticas — criando uma larga aliança capaz de dialogar com a realidade do povo.
Os comunistas, fortalecidos com o aumento significativo da bancada do PCdoB na Câmara dos Deputados, são chamados, a exemplo do primeiro turno, a estar na linha de frente da jornada dessa etapa decisiva, contribuindo com a ampliação da composição da aliança, com a plataforma da campanha de Lula e com a intensa mobilização do povo nas ruas e redes.
Lula: "Uma nova campanha vai começar" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/segundo-turno.html