27 outubro 2026

A força das ruas e das redes

Mulheres, jovens e idosos movem a força popular que reelegeu Lula
Rafaela Elisário e Flávia Calé destacam a mobilização nas ruas e nas redes e defendem avanços sociais, mais direitos para as mulheres e oportunidades para a juventude
Natália Padalko/Vermelho       

“Devo essa vitória à juventude rebelde que se levantou em defesa da democracia. Eu devo essa vitória às mulheres que se rebelaram contra o feminicídio.” Ao agradecer aos dois grupos na comemoração da reeleição, Lula reconheceu a força de quem foi às ruas, mobilizou eleitores e entrou na disputa para impedir a volta da extrema direita à Presidência. Também saudou os idosos que foram votar e destacou o papel dos jovens que convenceram familiares a comparecer às urnas.

A vitória de 25 de outubro foi motivo de alívio e comemoração para quem passou semanas empenhado na campanha. Para Rafaela Elisário, presidenta nacional da União da Juventude Socialista (UJS), e Flávia Calé, secretária nacional da Mulher do PCdoB, o resultado demonstrou que a mobilização pode alterar os rumos do país. As duas destacam o protagonismo de seus segmentos e a expectativa de que essa participação ganhe espaço nas decisões do próximo governo.

Rafaela Elisário: a juventude entrou em campo para mudar a história

A reação ao resultado do primeiro turno começou rapidamente. Rafaela Elisário conta que a juventude não esperou uma orientação demorada para entender o tamanho da disputa e organizar a resposta. Foram três semanas de mobilização cotidiana, com estudantes e militantes nas ruas e nas redes sociais, em busca de votos para Lula.

“Quando a juventude se organiza com uma pauta coesa, com unidade de ação, a gente pode mudar o curso mesmo da história”, afirma.

A presidenta da UJS vê nessa experiência uma demonstração da capacidade de intervenção política dos jovens. A mobilização não se limitou a defender uma candidatura: envolveu a disputa pelo futuro do país, pela democracia e por condições de vida mais dignas para a população.

Rafaela considera que a vitória abre a possibilidade de avançar na construção de um Brasil soberano, comprometido com os valores democráticos e distante do autoritarismo que ela associa ao projeto bolsonarista. Para isso, porém, o país precisa enfrentar problemas que afetam diretamente a juventude, como a precarização do trabalho e a falta de empregos de qualidade.

A dirigente defende um modelo de desenvolvimento capaz de ampliar oportunidades e romper com a lógica neoliberal, que, em sua avaliação, continua a limitar as condições de vida dos trabalhadores. O próximo mandato, afirma, precisa ir além das conquistas já alcançadas.

“Esse quarto governo vai precisar ser um governo que, junto com o povo, consiga implementar transformações mais estruturantes”, diz.

A expectativa é que a participação que marcou a campanha continue a influenciar as decisões políticas. Para Rafaela, a juventude demonstrou que pode interferir nos rumos do país e quer seguir atuante na construção de um projeto nacional que ofereça perspectivas concretas para as novas gerações.

Flávia Calé: mulheres querem políticas públicas que ampliem sua autonomia

Flávia Calé descreve o alívio de quem atravessou uma campanha tensa e viu a mobilização popular garantir a vitória de Lula. “A sensação principal é de alívio, de leveza, de ufa. Podemos dormir em paz hoje, nesses próximos dias, até recomeçar a batalha que a gente vai ter pela frente”, afirma a secretária nacional da Mulher do PCdoB. Ao classificar a campanha como “heroica” e “incrível”, ela destaca o empenho de mulheres que se envolveram na disputa para defender a democracia e impedir retrocessos.

Para Flávia, a participação feminina está ligada à defesa de direitos que afetam diretamente a vida das famílias. Escola pública e em tempo integral, Sistema Único de Saúde (SUS), Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Pé-de-Meia ajudam a dividir responsabilidades de cuidado que ainda recaem desproporcionalmente sobre as mulheres, além de ampliar suas oportunidades de estudo e trabalho.

“É justamente o segmento que compreende a importância de um Estado que investe nos serviços públicos, que partilha o trabalho reprodutivo das mulheres brasileiras”, afirma. E resume: “As mulheres brasileiras querem mais Estado, querem mais políticas públicas, querem mais investimento em políticas que impactam suas vidas”.

O agradecimento de Lula às mulheres durante a comemoração da vitória traz uma expectativa para o próximo mandato. Flávia defende que esse reconhecimento se traduza em medidas para combater a pobreza feminina e a violência de gênero.

O feminicídio está entre as prioridades. Para a dirigente, esses crimes exigem uma resposta coordenada do poder público, com prevenção e proteção às vítimas.

“O feminicídio como um problema de segurança pública, um problema de Estado que tem que ser enfrentado”, defende.

Flávia também aponta a ampliação de creches e de serviços de cuidado como parte dessa agenda. Enquanto as responsabilidades domésticas e a criação dos filhos continuarem concentradas nas mulheres, elas terão menos tempo e oportunidades para estudar, trabalhar e participar da vida política. Dividir esse trabalho é, portanto, uma condição para ampliar a autonomia feminina.

A mobilização que levou Lula à vitória precisa continuar

O envolvimento de mulheres e jovens na campanha também reforçou, segundo Flávia, a importância de combinar organização nas ruas e disputa nas redes sociais. A dirigente avalia que a extrema direita construiu, ao longo de quase uma década, uma estrutura digital que mantém parte da população em bolhas de informação. O campo progressista ainda precisa avançar para compreender melhor o funcionamento das plataformas e ampliar o diálogo com esses eleitores.

A experiência da campanha deixou aprendizados sobre comunicação, organização e participação popular. Lula reconheceu essa força ao agradecer aos militantes e afirmar que o “exército” da campanha não deveria se dispersar. Também prometeu mudar a forma de governar e ampliar a participação da população nas decisões.

Para Flávia, manter a mobilização será importante para fazer avançar pautas que dependem de pressão social, como o fim da escala de trabalho 6×1.

“O Parlamento ainda é permeável à pressão popular, e a gente precisa se valer disso”, afirma.

A continuidade da participação política aparece, assim, como um ponto de encontro entre as duas dirigentes. Rafaela quer que a energia da juventude se converta em desenvolvimento, emprego e soberania. Flávia espera que o reconhecimento das mulheres se traduza em políticas públicas, autonomia e proteção contra a violência.

O resultado eleitoral trouxe a comemoração de uma vitória que ambas consideram fruto da mobilização coletiva. Agora, a expectativa é que mulheres e jovens tenham presença efetiva no governo e que suas demandas encontrem respostas nas políticas do próximo mandato. A campanha mostrou a capacidade desses setores de influenciar os rumos do país; o desafio será manter essa força na construção do Brasil que reivindicam.

Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html 

"Mercado" pressiona

"Mercado" financeiro perdeu as eleições e imediatamente segue nas pressões sobre o governo com o apoio do poderoso complexo midiático neoliberal. Sem nenhuma consideração para com as necessidades fundamentais do povo. 

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Sylvio: Parabéns, Lula!

Hoje é o aniversário do grande estadista e líder mundial Luiz Inácio Lula da Silva. Completa 81 anos lutando em favor dos mais pobres e por mais justiça social. Saúde, Lula, o Brasil e o mundo lhe agradecem. 

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Dica de leitura

Tecnologia digital & soberania nacional   

Celso P. de Melo (pesquisador do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências) aborda de modo consistente a questão da segurança da informação diplomática e estatal, em artigo no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/artigos/quem-carrega-a-nossa-mala-diplomatica-por-celso-p-de-melo/  

Historicamente, assinala, uma "mala diplomática" garantia segurança e controle absoluto sobre os segredos e documentos de um país, pois sabia exatamente onde ela estava e quem a protegia. No entanto, com a transformação tecnológica, os segredos estatais deixaram de viajar apenas em envelopes lacrados e passaram a transitar por computadores, nuvens, cabos, satélites e redes digitais que muitas vezes dependem de infraestruturas e jurisdições estrangeiras.

Celso adverte que o controle sobre os caminhos por onde passam os dados, os locais onde são armazenados e os sistemas que os processam tornaram-se uma verdadeira infraestrutura de poder. Organizações e nações ficam vulneráveis ​​e a mercê de plataformas estrangeiras.  

Argumenta que o Brasil cometeu, por vezes, o equívoco de confundir o mero uso eficiente de tecnologias disponíveis (digitalização) com a soberania digital.

Ser soberano exige ir além: significa ter a capacidade de decidir de quais tecnologias depender e manter autonomia nos pontos críticos onde a ausência de alternativas comprometeria a liberdade de decisão nacional.

Fazendo um paralelo histórico com figuras como Irineu Evangelista de Sousa (o Barão de Mauá) — que compreendeu a importância de dominar os fluxos de informações comerciais no século XIX —, Celso Pinto de Melo lembra que o Brasil não faz parte do zero, pois o Itamaraty e outras instituições já acumulam iniciativas na área. Contudo, o país ainda enfrenta desafios complexos em relação a datacenters, plataformas digitais e pressões geopolíticas globais.

A dependência tecnológica em si não anula a soberania, desde que não se transforme em vulnerabilidade por falta de escolha (assim como a mala diplomática clássica podia ter fechaduras ou navios estrangeiros, mas o conteúdo e o controle estratégico permanente sob tutela nacional).

Acrescenta que o novo ciclo político e administrativo que se avizinha (a partir de 2027) traz uma oportunidade singular para o Brasil transformar esforços e iniciativas dispersas em uma política coerente de soberania digital, garantindo que o país continue escolhendo seus próprios caminhos.

Vale dizer, preservar-se como nação soberana.

(LS)

"Quando o futuro deixa de ser promessa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/desenvolvimento-soberano.html 

Detalhe insignificante

TSE assegura que prorrogação do horário de votação não teve impacto na vitória de Lula. Apenas 0,03% dos votos foram registrados após 17h. 

Lula: "O Brasil está pronto para mais" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-lula.html  

Carlos Marinho opina

Olinda: um novo ciclo de esperança, compromisso e preservação
Carlos Marinho  

Encerradas as eleições, renova-se a esperança de que o Brasil ingresse em um novo ciclo de desenvolvimento econômico e social, marcado pelo fortalecimento da democracia, pela redução das desigualdades e pela melhoria das condições de vida do nosso povo.

Olinda, que mais uma vez expressou, nas urnas, seu apoio significativo ao presidente Lula, também precisa transformar essa esperança em conquistas concretas.

É hora de voltarmos nosso olhar para essa pequena, mas extraordinariamente importante parcela da história do Brasil: o Sítio Histórico de Olinda, patrimônio tombado pelo IPHAN e reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Mais do que celebrar seu valor histórico, artístico e cultural, precisamos assumir, coletivamente, a responsabilidade por sua preservação.

É necessário mobilizar esforços dos governos federal, estadual e municipal, das instituições de proteção ao patrimônio, da sociedade civil e, especialmente, dos moradores, para promover um amplo programa de recuperação, conservação, regularização e revitalização do nosso Sítio Histórico.

Seu casario, suas ruas, ladeiras, praças, monumentos, áreas verdes e redes de serviços públicos reclamam cuidados urgentes, planejamento permanente e investimentos compatíveis com sua importância histórica e cultural.

Não podemos permitir que um patrimônio de valor universal continue convivendo com a deterioração de sua estrutura física, a precariedade dos serviços essenciais e a ausência de políticas continuadas de preservação.

Preservar Olinda não é apenas conservar o passado. É garantir qualidade de vida aos seus moradores, fortalecer sua identidade cultural e assegurar às futuras gerações o direito de conhecer e vivenciar esse extraordinário legado.

Que o novo ciclo político que se inicia seja também uma oportunidade para renovarmos nosso compromisso com Olinda.

A expressiva votação aqui alcançada pelo presidente Lula reforça nossa esperança de que a cidade receba a atenção que merece, mas também nos convoca a cobrar, participar e contribuir.

Olinda precisa de mais do que reconhecimento e admiração. Precisa de compromisso, ação e resultados.

Afinal, defender Olinda é defender a memória, a cultura e a própria história do Brasil.

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Pragmatismo

MDB, Republicanos e PP-União buscam diálogo com Lula e deixam Flávio Bolsonaro isolado na contestação das eleições. 

Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html