02 janeiro 2026

Palavra de poeta

A TEMPO
Giselle Vianna  

bruma
que apaga um adeus no horizonte
 
frente fria
que traz chuva e boas ondas
 
segredo
que levanta os lábios
derrubados pelo tempo
 
clarão
de sol encoberto
pelo refletor das nuvens:
 
algo
relampeja
no inverno de teus olhos
 
[Ilustração: Edward Hopper]
 
Leia também: "Lembrança alada", poema de Mia Couto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/palavra-de-poeta_71.html 

Sylvio: boa notícia

O ano começa com isenção de imposto de renda para quem ganha até 5.000 reais por mês. Mais uma ação do governo Lula, buscando uma melhor distribuição de renda com consequente melhoria de vida para a classe média. Ao  mesmo tempo, o desemprego tem a menor taxa na série histórica. Tudo isso para desespero da extrema direita, que nada fez em benefício do povo e, através de fakes e mentiras, tenta enganar o País. 

Sylvio Belém

O massacre do BNDES e o caso Malu Gaspar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/imprensa-marron.html 

Postei nas redes

Semana de muita luta – com disposição redobrada, foco nas ideias, confiança no povo e mente leve alimentada pela convicção e pela poesia.

As palavras e suas artimanhas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/11/minha-opiniao_61.html 

Minha opinião

A variável tempo nas decisões políticas
Luciano Siqueira* 
instagram.com/lucianosiqueira65 

Há tempo para tudo, mas é preciso agir no tempo certo. Essa obviedade, comprovada ao longo da História, nem sempre é levada na devida conta nas pelejas cotidianas. Daí se cometer equívocos que terminam modificando o cenário político, complicando-o.

Ora, se na primeira revolução socialista da História – a conquista do poder pelos bolcheviques na Rússia – a escolha do momento certo para a tomada do Palácio do Inverno implicou acirrada polêmica, vencida pela genialidade de Lenin, nada mais lícito imaginar que nas batalhas locais, conforme as travamos neste ano que se inicia em todo o País, mirando a presidência da República, cadeiras no Senado, Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas e governos estaduais, igual discernimento se impõe.

Estamos a cerca de pouco mais de cinco meses para a realização das convenções partidárias. Muito tempo? Sim e não, depende da situação concreta. Quando as coisas caminham sob céu de brigadeiro, não há razão para açodamento. Mas quando há risco de tempestade, não é tanto tempo assim.

Além da disputado presidencial, há lugares onde numa determinada conjugação de forças um partido se sobressai como hegemônico. Os demais respeitam essa condição e aguardam a apresentação de propostas destinadas ao imprescindível consenso em torno de plataforma programática e composição de chapas majoritária e proporcionais. Mas não por tempo indeterminado, pois aí já não seria razoável.

Cada partido tem o seu próprio modo de ser e de agir, conforme o artigo 8 da Constituição. Quando envolto em discrepâncias e disputas internas, lança mão do instrumental que lhe conferem os Estatutos. Aos demais cabe assimilar essa contingência. Isto não quer dizer, entretanto, submissão às conveniências do aliado. Todos têm interesses próprios – naturais, legítimos – e se guiam por um roteiro próprio, dimensionado no tempo e no espaço.

Em síntese, quanto mais ampla se deseja a coligação partidária, mais necessário se faz evitar constrangimentos de última hora. Sob pena de dissenções irrevogáveis que podem afetar, adiante, as possibilidades de vitória.

Entre o início das conversações e a conformação dos acordos a serem referendados pelas convenções, no meio do ano, há todo um debate acerca de projeto de governo e dos arranjos sobre a disputa proporcional que exigem clareza, bom senso, paciência e espírito público.

Vale, inclusive, para os estados onde as alianças locais não assumem a mesma conformação da convergência de forças em plano nacional.

Paciência e trabalho duro: desde que se queimarem os fogos do réveillon até a boca da urna.

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PCdoB: um projeto em movimento pelo Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/walter-sorrentino-opina.html

Humor de resistência

 

Arueira

Direito de férias, 100 anos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/direito-ferias-100-anos.html

Terras raras em disputa

Onde se encontram os minerais de terras raras do mundo?
A China sozinha detém quase metade do total mundial, seguida pelas consideráveis ​​reservas do Brasil.
Aepet  

Os elementos de terras raras (ETR) são a espinha dorsal da tecnologia moderna, desde motores de veículos elétricos e turbinas eólicas até smartphones e sistemas de navegação de precisão.

Este mapa, criado por Bruno Venditti do Visual Capitalist, mostra onde estão localizadas as reservas conhecidas de terras raras no mundo em 2025, destacando a concentração dessas reservas em um pequeno número de países. 


Os dados para esta visualização provêm do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).

A distribuição é extremamente desigual. A China sozinha detém quase metade do total global, seguida pelos consideráveis depósitos do Brasil. Em contrapartida, muitas economias avançadas possuem reservas limitadas.

Uma Base de Reservas Altamente Concentrada

A China lidera com 44 milhões de toneladas métricas, cerca de 48% do total mundial de 91,9 milhões de toneladas métricas. O Brasil ocupa um segundo lugar isolado com 21 milhões de toneladas (23%), refletindo grandes depósitos de argila iônica e rocha dura que ainda estão em fase inicial de desenvolvimento. 

A Índia (6,9 milhões de toneladas) e a Austrália (5,7 milhões de toneladas) completam o grupo dos principais produtores, enquanto a Rússia (3,8 milhões de toneladas) e o Vietnã (3,5 milhões de toneladas) também estão à frente dos Estados Unidos. Juntos, os seis principais países representam aproximadamente quatro quintos das reservas conhecidas.
Economias Avançadas: Pequenas Participações, Grande Demanda

Os Estados Unidos detêm apenas 1,9 milhão de toneladas métricas de terras raras (2%), o que evidencia sua dependência do comércio e do processamento intermediário para garantir o fornecimento. Nos últimos meses, o governo Trump buscou reduzir a dependência dos EUA em relação aos materiais chineses, financiando projetos de mineração nacionais, simplificando a emissão de licenças e estabelecendo parcerias com aliados para diversificar as cadeias de suprimentos.
Em outubro, o presidente Trump e o presidente Xi Jinping concordaram em reduzir as tarifas em troca da manutenção do fluxo de exportações de terras raras pela China.

Novos atores

O Canadá (0,83 milhão de toneladas) e a Groenlândia (1,5 milhão de toneladas), adjacente à UE, possuem bases significativas, porém menores.

A África e o Ártico apresentam fontes emergentes: a Tanzânia (0,89 milhão de toneladas) e a África do Sul (0,86 milhão de toneladas) juntam-se à Groenlândia como potenciais polos de crescimento, caso a infraestrutura e o processamento sejam ampliados.

Fonte(s) / Referência(s): Oilprice.com

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Leia também: Terras raras: por que evitar aproximação com os EUA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/reservas-estrategicas.html

Seleção brasileira: opções táticas

Ancelotti observa a Europa e busca o melhor desenho para a seleção
Com brasileiros em destaque na Inglaterra e na Espanha, técnico avalia alternativas. Até o momento, a formação do italiano tem atuado sem um típico centroavante
Tostão/Folha de S. Paulo  

Ancelotti, certamente, tem visto os inúmeros jogos que acontecem neste período na Europa, especialmente na Inglaterra, onde há muitos jogadores brasileiros e estrangeiros que deverão estar na Copa do Mundo.

Manchester City, depois de um período de renovação, volta a jogar bem, embora ainda longe de ser o time que encantou o mundo durante anos. Os meias ofensivos, recém-contratados, o holandês Reijnders e o francês Cherki, têm atuado muito bem.

Guardiola mantém a mesma estrutura tática e filosofia de muita troca de passes e domínio da bola e do jogo. A equipe joga com um meio-campista mais recuado, centralizado, o espanhol Nico González, que marca, inicia as jogadas ofensivas, e um centroavante clássico, Haaland, que tem feito um número absurdo de gols. Entre os dois há quatro meias ofensivos que se movimentam bastante, dois pelo centro e dois pelos lados. Outras vezes, o técnico usa um ou dois pontas rápidos e dribladores.

O City, antes de Haaland, fazia ainda mais gols, que eram divididos por vários jogadores. Isso não significa que é melhor não ter o Haaland. São momentos diferentes. Porém, em tese, prefiro um centroavante que se movimenta por todo o ataque, que dá passes e faz gols, mesmo que seja em menor número, ainda mais se for um Kane, um Benzema.

A seleção tem jogado sem um típico centroavante. Vinicius Junior é o atacante centralizado e mais avançado. Além de Vini, Ancelotti tem várias opções. João Pedro tem atuado bem e feito gols no Chelsea. Ele recua, troca passes e se movimenta por todo o ataque. Matheus Cunha, que tem sido titular na posição de meia pelo centro, tem características parecidas com João Pedro. Se Ancelotti precisar de um clássico centroavante, as opções são Pedro e Richarlison. Se quiser um centroavante mais rápido, poderá escalar Vitor Roque ou Kaio Jorge.

Pena que Endrick não tenha evoluído, sempre na reserva do Real MadridEle foi emprestado dias atrás ao Lyon, da França. Ele tem talento para se tornar o grande centroavante da seleção brasileira, pois une características de vários tipos de centroavantes.

Na partida entre Manchester United e Newcastle, estava presente o meio de campo da seleção brasileira formado por Casemiro, Bruno Guimarães e Matheus Cunha. A seleção tem atuado com Casemiro e Bruno mais recuados, quase em linha, e Matheus Cunha à frente dos três e próximo de Vinicius Junior.

Os três têm atuado bem na seleção, mas prefiro a formação com um meio-campista mais centralizado para marcar e iniciar as jogadas ofensivas, além de um meio-campista de cada lado, que marcam, constroem e atacam. Assim jogam muitos grandes times do futebol mundial, como o Manchester City, PSG, as seleções da Argentina, da Espanha e de Portugal.

Em uma de minhas caminhadas diárias, para fortalecer o corpo e a alma, um leitor me disse que tem certeza de que o Brasil será campeão mundial porque possui um técnico especial, experiente e porque, principalmente, não ganha o título há 24 anos, o mesmo período que ficou sem vencer entre 1970 e 1994. Disse a ele que, se o Brasil ganhar, será também porque possui muitos jogadores excepcionais. Ele retrucou: isso tem pouca importância, vai ganhar porque é o tempo certo, já está escrito.

Feliz 2026.

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Futebol: estratégia e arte https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/08/futebol-estrategia-e-arte.html