20 maio 2026

Palavra de poeta

Horário do fim
Mia Couto     

morre-se nada
quando chega a vez
 
é só um solavanco
na estrada por onde já não vamos
 
morre-se tudo
quando não é o justo momento
 
e não é nunca
esse momento
 
[Ilustração: Maurício Arraes]
 
Leia também "As chaves", poema de Marcelo Mario de Melo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-de-poeta_43.html 

Urariano Mota opina

Lula, o extraordinário escritor oral
Discursos e lembranças do presidente revelam uma narrativa marcada pela experiência popular, emoção e identificação com o povo brasileiro.
Urariano Mota/Vermelho
    

Percorro os sites de notícias nas últimas 24 horas para a pesquisa do nome Lula. Com raras discordâncias, eles mostram:

Correio BrazilienseLula volta a defender distribuidora estatal: ‘Vontade política’

O Globo – Com crise de credibilidade de Flávio mapeada, pré-campanha de Lula vai explorar contradições do senador na relação com Vorcaro

VejaA reação de Lula ao áudio de Flávio Bolsonaro para Vorcaro | VEJA

Mas aqui e ali não vemos o essencial do Presidente Lula. Tento explicar. Ainda ontem, li estas linhas de Tolstói:

“Outros, a imensa maioria, dão à luz onde e como é possível, sem ajuda alguma, envolvem a criança em trapos, e alegram-se quando acabam morrendo. Se Deus existe, então isso não pode e não deve acontecer. Se Deus não existe, então, com o ponto de vista humano mais simples, essa organização da vida, na qual a maioria das pessoas deve se arruinar para que um pequeno número de pessoas utilize em excesso, o que só complica e corrompe essa minoria – uma organização de vida assim é um absurdo porque não é vantajosa para todos”

Escrito belo! Mas para mim, de outra maneira, Lula também expressa palavras de um verdadeiro escritor, de um escritor de verdade, na verdade que ele escreve na fala. Um gênero de escritor raro, que somente vi uma vez no Recife, na pessoa do grande amigo Antônio Luís, O Gordo. Um escritor oral pela genial verdade.  

Observem o que ele fala e escreve na sua posse como Presidente da República em janeiro de 2003:

“Uma pena que minha mãe morreu. Ela sempre quis que eu tivesse um diploma e nunca imaginou que o primeiro seria o de Presidente da República”.

Aqui, ao lembrar uma campanha eleitoral:

“Comecei fazendo a primeira caravana percorrendo o trajeto que a minha mãe percorreu com oito filhos, saindo de Caetés até a cidade de Santos, em São Paulo. Parando em cada cidade, conversando com as pessoas. Depois eu percorri 91 mil km de carro, de trem, de ônibus, de barco. Para conhecer a cara, o jeito, o contar da piada, da graça, o cantar do povo pernambucano, o sofrimento do povo brasileiro. E isso me deu uma dimensão do Brasil que eu queria governar”.

E mais adiante:

“Eu sei o que é o sofrimento, eu quando vejo uma pessoa na rua, eu sei o que essa pessoa está passando. Quando eu vejo uma mulher com criança na calçada pedindo esmola, eu sei o que ela está passando. Então, é essa causa que me move na política”.

Prova maior não há que este vídeo da verdade: Lula chora ao lembrar de fome na juventude: ‘Imaginava eu mordendo aquele sanduíche’

Dizer mais o quê? O resto é silêncio. 

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Leia também: Para além do “economicismo governamental” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/minha-opiniao_5.html

Postei nas redes

Chefe da comunicação da pré-campanha de Flávio Bolsonaro é demitido em plena crise das relações entre o senador e o banqueiro presidiário. Não devia ser o contrário? 

Extrema direita patina na lama https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_01219044875.html 

Humor de resistência

 

Quinho

Sinuca de bico? https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Enio Lins opina

Vacina em defesa da vida, da saúde, da ética, da democracia
Enio Lins

 

NENHUM MOMENTO HISTÓRICO deve ser esquecido. Regra geral. Evidentemente, não se pode guardar todos os acontecimentos da história na cabeça como se fosse a tradicional – e utilíssima – decoreba do Teorema de Pitágoras. Assim, em função dos riscos de repetição de tragédias, é-se necessário chamar a atenção para determinados fatos.

DURANTE A INAUGURAÇÃO 
de uma escultura representando a primeira vacinação contra o Coronavírus feita em Alagoas, as recordações dos atribulados tempos da pandemia vieram à tona. Compartilho-as, embora todo mundo esteja careca de saber. Mas é indispensável relembrar, pois aquele agente patológico genocida, que matou além da conta entre cinco e seis anos atrás, continua vivo e se bulindo, contaminante tal qual no auge pandêmico nos idos jamais esquecidos de 2020 e 2021.

ESSE PATÓGENO 
segue ameaçando o Brasil. Chama-se bolsonarovírus. Durante toda pandemia foi o grande aliado do coronavírus, sabotando as orientações sobre cuidados preventivos, atacando ferozmente a vacinação e medidas essenciais como o isolamento social. Até o uso das máscaras sanitárias foi boicotado pelo mito “com histórico de atleta”. E neste ano de 2026, é momento de jair elevando o tom da autodefesa da vida e da ética, pois é no clima eleitoral que o bolsonarovírus alcança seu maior poder infectante, e a Democracia volta a ser novamente colocada em perigo.

RECORDANDO A PANDEMIA,
 vê-se facilmente a perniciosidade das sabotagens bolsonaristas: Enquanto a França teve praticamente o mesmo número de infectados que o Brasil (eles 39,0 milhões e nós 39,3 milhões), morreram 716.238 pessoas por Covid no Brasil e 155.589 na França. A Alemanha teve 34,3 milhões de infectados e 150.919 óbitos. Na Índia foram 44,7 milhões de infectados e 528.835 indianos mortos; nos Estados Unidos (governados por Trump) foram registradas 96,7 milhões de pessoas infectadas e 1.063.310 mortes. Entre esses cinco países com maior número de infectados e mortos, o Brasil figura como o quarto em infecções e o segundo em óbitos. O genocídio não se multiplicou mais porque foi tecida uma enorme faixa de resistência contra o negacionismo presidencial. E o início da vacinação em Alagoas, retratado pela escultura citada, é lembrança imortal de um gesto de coragem na luta pela vida, contra um governo federal bolsonarista que era expressão da covardia e do culto à ignorância.

AO OLHAR A ESCULTURA
 feita por Roninho Ribeiro, as recordações se estendem para as circunstâncias daquele 19 de janeiro de 2021, quando Marta Antônia de Lima, servidora do Hospital da Mulher, foi imunizada num ato público coordenado por Renan Filho e Alexandre Ayres, então, respectivamente, governador e secretário de saúde. Apenas dois dias antes, a primeira dose da vacina havia sido ministrada no Brasil, em São Paulo, numa parceria entre o governo paulista, o Instituto Butantã e a empresa chinesa 
Sinovac Biotech – deixando o então presidente da República (hoje presidiário) furioso, pois o mito era (é) ardoroso negacionista, e parecia disputar com Trump quem matava mais usando o Covid-19. Forçado a liberar vacinas para todo o país, Jair, o bandido presidente, radicalizou seus ataques à imunização, espalhando temor e terror com suas ameaças e destemperos. Conforme escrito aqui em artigo anterior, naqueles tempos, aplicar e receber a vacina contra o coronavírus era um ato de coragem, de rebeldia, de cidadania.

4 E 25 DE OUTUBRO
 serão dias para tomar novas doses da vacina antibolsonarovírus. Não é obrigatória, depende de sua consciência. O negacionismo está usando toda sua força para evitar uma nova imunização em massa, depois do revés que o patógeno sofreu em 2022. Neste ano de 2026 teremos outro momento histórico relevante. Vacine-se! Convença mais gente a se vacinar. O bolsonarovírus só transmite malefícios: mata, rouba, mente, trafica, corrompe e agora até produz filmes em parceria com o crime organizado. Imunize-se. A saúde da Democracia agradece.

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Humor de resistência

 

Fraga

Filme falseia a história para transformar Bolsonaro em mártir e vender conspirações https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/dark-horse.html 

Minha opinião

A resistência pelo diálogo
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65 

Desde a pré-adolescência tomei como conduta pétrea ouvir as pessoas. É o que a minha mãe recomendava como gesto de atenção, respeito e solidariedade.

Mais tarde, ainda muito jovem, mas em plena militância política, entendi que o gesto da ausculta além de preliminar na condição humana, politicamente se faz indispensável. “Quem não ouve, não tem direito à palavra”, afirmava o líder revolucionário chinês Mao Zedong.

Também no cotidiano profissional, médico, que durou pouco porque a luta do povo me puxou para outras esferas de ação, na enfermaria ou no ambulatório pratiquei a ausculta como ato humanitário e ao mesmo tempo pré-condição para o correto diagnóstico e o eficaz tratamento.

Hoje as pessoas se comunicam principalmente pelas chamadas redes sociais – inicialmente, dizem alguns e acredito pouco, instrumento do bom diálogo. Hoje com um detalhe: o Instagram e o TikTok ocupam o primeiro plano e, convenhamos, não são propriamente meios de conversas, mas sobretudo canais para mensagens curtas, basicamente em mão única.

Dizem que nesses dois aplicativos de mensagem o suprassumo da eficiência é a mensagem em vídeo e áudio de 20 segundos!

Daí a profusão de anúncios comerciais e, na esfera política, fake news obviamente destinadas a confundir.

A quem vê e escuta na telinha do celular resta a postura passiva, na maioria das vezes inadvertidamente receptiva. Diálogo que é bom, sai pelo ralo.

Predominam largamente mensagens impulsionadas pela força algorítmica, por meio de reels, no modelo criado pelo TikTok e seguido pelo Instagram.

Da minha parte, ficar de fora jamais! No mínimo porque necessito observar tudo o que nos envolve com espírito crítico e propósito revolucionário. Mais: uso esses canais de comunicação sempre acrescentando um link que conduz ao meu blog https://lucianosiqueira.blogspot.com/ , onde o amigo e a amiga de boa vontade (como você que me lê agora) encontram análises de fatos daqui e mundo afora, opinião, cinema, literatura, poesia, humor, artes plásticas e até futebol.

Pelo WhatsApp faço o mesmo: convido ao bom e prazeroso diálogo; ato de resistência mutuamente esclarecedor e prazeroso.

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Releio e anoto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/teoria-pratica.html