19 maio 2026

Editorial do 'Vermelho'

Mobilização a favor do fim da escala 6×1 e da redução da jornada é decisiva
Movimentos sociais e sindical, personalidades e partidos democráticos devem tomar a frente dessa luta dos trabalhadores
Editorial do 'Vermelho'   

A agenda de lutas das organizações Frente Brasil Popular (FBP), Frente Povo Sem Medo (FPSM) e Vida Além do Trabalho (VAT) pelo fim da escala 6×1 e por redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, constitui um passo decisivo para a defesa desses direitos fundamentais dos trabalhadores. Cumpre ampliá-la, com a participação efetiva de outros movimentos, como o sindical, e de personalidades e partidos democráticos – sobretudo os comunistas e a esquerda em geral, intrinsecamente ligados aos trabalhadores –, além do debate teórico para a produção de ideias que dão respaldo a essa justa e necessária reivindicação.

Essa mobilização tem potencial para ser caixa de ressonância dos anseios do povo e dos trabalhadores para pressionar o Congresso Nacional a aprovar a proposta. A redução da jornada, nos termos propostos, beneficia de maneira especial as mulheres, historicamente penalizadas por jornadas extras no âmbito doméstico e familiar. Outro aspecto importante é o tempo de deslocamento de todos os trabalhadores, que dependem de transporte público pessimamente servido, também não levado em conta nas argumentações patronais.

Uma declaração pública unificada das organizações deve apontar a importância da disputa no Congresso Nacional, onde forças da direita e da extrema direita, porta-vozes da pressão patronal, tentam protelar ou desfigurar o Projeto de Lei (PL) do governo. Uma manifestação nesse sentido é o movimento de deputados ligados ao pré-candidato Flávio Bolsonaro que assinaram textos de defesa de compensações ao patronato e medidas como a redução de 50% da contribuição ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Há também propostas da oposição que defendem prazo de transição para implementação das novas regras, que poderia variar entre 10 e 15 anos.

O governo avalia designar para a relatoria a deputada Daiana Santos (PCdoB-RS). Ela é autora de um PL que altera a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) para limitar a jornada a 40 horas semanais e garantir pelo menos dois dias de repouso remunerado. O PL do governo condessa esse e outros, como o do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), propõe reduzir a jornada semanal gradualmente das atuais 44 para 36 horas. Condensa também a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), que prevê uma escala de quatro dias de trabalho por semana, com limite de 36 horas no período.

Esse debate frequenta o Congresso Nacional há tempos. Em 2006, o deputado Daniel Almeida (PCdoB-BA) apresentou um PL que altera a CLT para diminuir o teto de 44 para 40 horas por semana. O senador Paulo Paim (PT-RS) é autor de uma PEC que prevê a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas.

A reivindicação se relaciona à forma de exploração da força de trabalho, que, pelas relações trabalhistas capitalistas, não distribui adequadamente os ganhos de produtividade. O movimento sindical tem, em sua história, a redução do tempo de trabalho como uma de suas principais bandeiras, inclusive dando origem ao Dia Internacional do Trabalho, em 1º de maio, instituído pela Segunda Internacional Socialista, em 1889, em memória de uma manifestação de operários na cidade de Chicago, nos Estados Unidos, violentamente reprimida.

Outro marco foi a execução dos “mártires de Chicago”, os militantes anarquistas August Spies, Albert Parsons, Adolph Fischer e George Engel, condenados à morte e executados em 11 de novembro de 1887 por liderarem uma greve reivindicando a redução da jornada. Essa luta prosseguiu, sobretudo com a evolução industrial e a organização trabalho taylorista-fordista, que atingiu um pico nas primeiras décadas do século 20.

No Brasil, essa reivindicação chegou nos primeiros anos do capitalismo, no final do século 19, pelo movimento anarquista, que também marcou as primeiras décadas do século 20. A entrada dos comunistas em cena, com a fundação do Partido Comunista do Brasil em 1922, trouxe uma nova concepção sobre as relações de trabalho. A criação da CLT, em 1943, pelo então presidente Getúlio Vargas, determinou a jornada de até oito horas diárias e 48 horas semanais. Na Constituição de 1988, a jornada semanal foi reduzida para 44 horas semanais.

Em toda essa trajetória, os trabalhadores enfrentaram a reação patronal, com um vasto histórico de violência. Atualmente, com o PL do governo, os argumentos patronais são os mesmos, alegando aumento de custos do trabalho e redução da produtividade, ladainha para justificar ataques devastadores à legislação trabalhista e social e à estrutura sindical, especialmente após o golpe de 2026.

A precarização das relações de trabalho dá ao patronato instrumentos para não criar vínculos empregatícios, promovendo alta rotatividade de trabalhadores, além de redução drástica de salários e benefícios. Essa exploração se intensificou com o projeto neoliberal, que institucionalizou o Estado pelo poder do rentismo do capital financeiro.

A proposta de fim da escala 6×1 e redução da jornada de trabalho, sem redução salarial, conta com amplo apoio popular, conforme mostram as pesquisas. E ocorre num momento em que o governo Lula toma mais inciativas para beneficiar o povo – principalmente os trabalhadores –, como o novo programa Desenrola, focado na renegociação de dívidas de famílias, estudantes e pequenas empresas com descontos expressivos; o programa Move Aplicativos, uma linha de crédito especial de R$ 30 bilhões voltada para motoristas de aplicativo e taxistas financiarem o veículo próprio; e o programa Brasil Contra o Crime Organizado. São iniciativas que criam um ambiente propício para a mobilização popular, conforme prevê a agenda das organizações sociais.

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A escala 6×1 e o espírito do capitalismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/alienacao-jornadas-extensas.html

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No Brasil, considerando as séries A e B, em média um treinador permanece 5 meses no clube. Instabilidade que reflete prolongada crise técnica e de gestão. 

Jacaré e porco espinho não combinam https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Minha opinião

O diferencial chinês
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65      

Em cenário mundial marcado por conflitos e incertezas, importa o extraordinário desempenho da economia chinesa.

Em editorial recente, Global Times, destaca o contraste entre o cenário global marcado por taxas de crescimento baixas e pelo aumento do protecionismo comercial (vide postura pretensamente impositiva dos Estados Unidos) e por conflitos bélicos e o desempenho da China.

Tendo como referência índices de janeiro a abril, constata-se que os fundamentos do longo prazo da economia chinesa continuam intactos e inalterados.

A produção industrial geral de empresas de grande porte cresceu 5,6% no período.

Setores mais avançados superaram de longe a média nacional: a produção de equipamentos cresceu 8,7% e a produção de alta tecnologia avançou expressivos 12,6%%.

Há uma elevação qualitativa da vantagem competitiva da China: o país não depende mais apenas do baixo custo de mão de obra ou da escala massiva, mas sim de uma forte sofisticação tecnológica e de uma posição mais robusta e de maior valor agregado nas cadeias globais de abastecimento.

No que diz respeito ao comércio de bens, há uma expansão de 14,9% no quadrimestre (com exportações subindo 11,3% e saltando 20%). Com um detalhe relevante: a composição das exportações chinesas mudou significativamente em favor de produtos industriais complexos e eletromecânicos. Consuma-se a transição definitiva das vantagens tradicionais de custo para “competitividades abrangentes” de base tecnológica.

Diferentemente do mundo capitalista ocidental, essa estabilidade macroeconômica se reflete diretamente na vida da população através do controle da inflação e do mercado de trabalho estável.

Essas referências reforçam a percepção de que a estabilidade da economia chinesa se apoia permanentemente no desenvolvimento qualitativamente superior.

Tais constatações devem ser compreendidas à luz do projeto estratégico de transição ao socialismo.

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Como a China contornou o tarifaço https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/china-x-estados-unidos.html

Humor de resistência

 

Spacca

Nem sempre é o que parece https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Enio Lins opina

Mula Ladrona, uma pornochanchada do crime organizado
Enio Lins        

“FICO INCRÍVEL”, como dizem que diria um saudoso político alagoano, com a surpresa expressada por veículos de mídia, e colunistas da política, quando surge mais um escândalo envolvendo a familícia do Jair e seus achegados. Ora, quem não sabe que o presidiário Bolson4ro é um delinquente contumaz? É pública sua ligação com o banditismo, sendo notórios seus laços íntimos – assumidos de forma acintosa desde sempre – com criminosos como Ronnie Lessa (preso, condenado a 78 anos e 9 meses em regime fechado) e Adriano Nóbrega (CPF cancelado), dentre outros.

COMO ALGUÉM
 com algum tino pode imaginar a inexistência de cumplicidade entre Jair & filhos e Daniel Vorcaro? Ora, o banco Master surgiu para a fama e ganhou cachoeiras de dinheiro – inclusive abocanhando a parte do leão no assalto aos aposentados – durante o governo Bolsonaro! Foi na gestão de Campos Neto, bolsonarista-raiz indicado por Jair para a presidência do Banco Central “Independente” que todas as bandidagens do Master prosperaram sem riscos de quaisquer investigações. Bolsonaro/Vorcaro é uma rima rica, milionária, ao pé da letra. Jair & filhos & Daniel Vorcaro & Master são indissociáveis, são a própria tradução da financeirização mafiosa do bolsonarismo.

NÃO SE PODE ESTRANHAR
 a notícia de que milhões de dólares – não se esqueçam: afanados das aposentadorias brasileiras e de outras fraudes – foram desviados para contas ligadas ao filme Dark Horse (Mula Manca, em tradução livre). Essa produção subhollywoodiana se anuncia como contadora de potocas sobre o galopar do Jair Bolson4ro, mantendo a tradição cinematográfica de biografar bandidos famosos como Al Capone (22 filmes contam sua vida, desde 1959), Bugsy Siegel (Bugsy, 1991), Frank Lucas (O Gângster, 2007) e tantos outros. Várias dessas cinebiografias são verdadeiras obras de arte, como a trilogia “Poderoso Chefão”. Mas duas diferenças antagônicas saltam aos olhos nessa película patrocinada por beneméritos da estirpe de Daniel Vorcaro: 1) é uma produção radicalmente Trash, lixo do mais baixo nível artístico; 2) não é um filme, mas mais um crime cometido pela trupe do capitão de milícias.

“DARK HORSE”
 É A EGUINHA POCOTÓ 
do bolsonarismo. Tem transportado nos seus caçuás muitos milhões de dólares para os bolsos da familícia, segundo confirmado nos diálogos entre Flavito Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Mas seria a grana roubada dos aposentados pelo Master a única fonte imoral que alimenta a milionária produção sobre a vida do Jair? Ou existem outros investidores da mesma dimensão ética aportando dinheiro sujo no coprológico filme? Evidentemente que uma produção desqualificada como Dark Horse (Cavalo do Cão, em tradução livre) não vale um dólar furado, evidenciando que o tráfego desses milhões tem outros destinos além da teratológica obra.

CENA FUNDAMENTAL
 a ser mais bem visualizada nos bastidores do set de filmagem de Dark Horse (Mula-sem-cabeça, em tradução livre) é que os delitos do banco Master não se restringem ao escandaloso roubo do dinheiro dos aposentados. O banco de Vorcaro, sob o aval do Bando Central de Campos Neto, teria mantido negócios milionários, na ordem de R$ 11,5 bilhões, com fundos operados em parceria com o PCC e o Comando Vermelho – duas das mais poderosas organizações do crime organizado brasileiro. No caso, a operadora Reag DTVM, apontada como a responsável por essas movimentações, está sob investigação dos órgãos federais através da operação Carbono Oculto, conforme noticiado pelo g1 (e outros veículos de mídia) desde dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

UMA COISA É NECESSÁRIA
 ser reconhecida como coerente, pelo menos sonoramente: a empresa produtora do filme do Jair, Go Up, tem a pronúncia de GOUPE, vocalização que o bolsonarismo parece entender, e se regozijar, como a fiel tradução de “golpe” para inglês.

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Filme falseia a história para transformar Bolsonaro em mártir e vender conspirações https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/dark-horse.html 

Postei nas redes

"Quanto mais as pessoas conversam menos se entendem", escreve um filósofo de botequim. Quem disse, cara pálida!? O tsunami das redes sociais é que condiciona a troca de mensagens mínimas e superficiais, conversas são apenas residuais. Eis a questão.

Releio e anoto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/teoria-pratica.html

Sylvio: aético

A revelação das relações espúrias de Flávio Bolsonaro com o banqueiro Vorcaro parecem sepultar de forma definitiva a candidatura do senador à Presidência. Um Presidente da República não pode ter um comportamento que ofende a ética e a dignidade do mais alto cargo do País. 

Sylvio Belém   

Angu de caroço https://lucianosiqueira.blogspot.com/