08 julho 2026

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Pesquisa mostra Lula à frente em todos os cenários para 2026 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/bons-sinais.html 

Editorial do Vermelho

O traidor da pátria, mais uma vez, foi aos EUA atacar o Brasil
Ao endossar acusações dos EUA contra Brasil, o candidato Flávio Bolsonaro confirma que o entreguismo é a essência do seu programa de governo
Editorial do Vermelho      

O discurso do pré-candidato da extrema direita à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, no segundo dia da audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) na terça-feira (7) sobre o novo tarifaço previsto para ser oficializado em 15 de julho, é mais uma demonstração de que o eixo de sua campanha não está no Brasil. Seu núcleo atua em Whashington, comandado pelo irmão Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo, ambos foragidos da Justiça brasileira.

No discurso de quatro minutos e 50 segundos, ele seguiu a premissa do entreguismo e da subserviência à Casa Branca como principal ponto de seu programa de governo. Ao contrário de mais 300 empresas que enviaram manifestações ao USTR contra o tarifaço, e de dezenas lideranças da indústria e de outros ramos da economia nacional que se pronunciaram nas audiências em defesa dos interesses do Brasil, Flávio Bolsonaro endossou acusações infundadas dos Estados Unidos, meros pretextos para justificar as sobretaxas às exportações brasileiras. Até mesmo grandes empresas estadunidenses se posicionaram contra, argumentando efeitos negativos à cadeia de suprimentos e aos consumidores. Dos 34 brasileiros inscritos na audiência, o bolsonarista foi o único que não condenou as tarifas.

Em essência, ele apoiou o anúncio do USTR sobre a conclusão da “investigação” que analisou o Pix – que havia sido questionado por representantes do Tesouro dos Estados Unidos no primeiro dia da audiência –, o desmatamento, as big techs e a corrupção para sugerir o novo tarifaço ao afirmar que as decisões que teriam motivado a ameaça partiram de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo Lula.

Flávio Bolsonaro chamou de “censura” a regulamentação das big techs, que avançou com o STF definindo regras para a responsabilização das plataformas, e decretos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de um Projeto de Lei que regula economicamente as grandes empresas de tecnologia que tramita na Câmara dos Deputados. Entre outras finalidades, são decisões em defesa das crianças e adolescentes vítimas da pedofilia e outros crimes, e das mulheres alvejadas pela misoginia. Flávio Bolsonaro defende o Brasil como uma terra sem leis na qual as big techs dos Estados Unidos lucrariam bilhões com a veiculação de conteúdos criminosos, além de promovem ataques à soberania nacional.

O bolsonarista chancelou outra justificativa falsa para os Estados Unidos impor o tarifaço. Se referindo ao governo Lula, disse que “a corrupção é um dos maiores desafios enfrentados pelo povo brasileiro”. “Não há discordância quanto a isso”, afirmou. Vejamos: amigo íntimo do banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, a quem chama de meu ‘irmãozão”, foi agraciado com milhões de reais. Isso está documentado num áudio no qual ele implora essa montanha de dinheiro a Vorcaro. Flávio Bolsonaro esbanja hipocrisia.

Hipocrisia também no trecho no qual defendeu o Pix. Ora, Eduardo Bolsonaro, que o acompanhava na audiência, um dos principais coordenadores da campanha do irmão, em vídeo divulgado propôs abertamente colocar o Pix na mesa de negociatas com os Estados Unidos. Flávio Bolsonaro já havia defendido a proibição de integração do Pix com sistemas de pagamentos “não ocidentais”, argumentando que a medida ajudaria a diminuir as ameaças dos Estados Unidos.

O governo do presidente Lula, por intermédio de uma nota da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, com exatidão afirmou que o candidato da extrema-direita legitimou as acusações estadunidenses contra o Brasil. Sustentou que, enquanto Flávio Bolsonaro depunha contra as empresas e os trabalhadores brasileiros na audiência, autoridades do governo, juntamente com a diplomacia brasileira, trabalhavam, como já fazem desde julho de 2025, para reverter o tarifaço.

A nota assevera, corretamente: “Divergir do governo é legítimo. Convocar uma potência estrangeira a pressionar o próprio país é traição à pátria. Há uma diferença essencial entre fazer oposição ao governo e fazer oposição ao país e ao povo brasileiro.”

A posição do governo Trump foi expressa pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, ao afirmar que a consolidação da mudança no regime econômico é uma resposta ao diagnóstico de que, por décadas, os Estados Unidos foram “enganados”, anunciando que a “segurança econômica” de seu país é parte integrante da “segurança nacional”. “Os Estados Unidos acolhem seus parceiros e somos mais fortes por causa deles. Mas nossa parceria agora traz consigo expectativas. E, em alguns casos, obrigações não negociáveis”, afirmou.

Trump, em seu primeiro mandato, havia adotado as tarifas para enfrentar os concorrentes dos Estados Unidos – especialmente a China – e agora, em seu segundo mandato, expandiu enormemente a lista de alvos. Outra vertente imperialista dessa política é a hegemonia global do sistema financeiro estadunidense, que deve ser amplamente utilizada como instrumento de estratégia geopolítica, tendo como meta conter, além da China, potências médias, como as do BRICS. A América Latina e o Caribe são os alvos também de ingerências política e militar, como se viu, recentemente, nas eleições da Colômbia e do Peru.

Flávio Bolsonaro, numa atitude evidente de traição nacional, se alinha com essa política imperialista de definição da geopolítica pela diplomacia das ameaças econômicas e militares. Os Bolsonaro se empenharam com júbilo junto ao governo Trump para que o Brasil fosse penalizado pelas sobretaxas. Por isso, seu desempenho da referida audiência foi uma encenação ridícula, como os fatos comprovam.

O gran finale desta encenação mesclou cinismo, subserviência e entreguismo desbragados: “Respeitosamente, peço a este país: não imponha tarifas ao Brasil. Preserve o sucesso desta parceria, cancele-a e vamos negociar”, implorou. “Vocês têm a chance de ter um presidente não antiamericano como o atual.”  Leia-se: vocês têm a chance de ter um presidente vassalo.

O povo brasileiro teve, diante de seus olhos, mais um episódio que comprova o perigo representado pelo candidato da extrema direita. Cumpre às forças democráticas, populares e patrióticas desmascará-lo sistematicamente como vendilhão da pátria e denunciá-lo como representante de uma base de apoio ao imperialismo, formada por setores das classes dominantes, por conseguinte de monopólios econômicos e financeiros pró-imperialistas, apontando a reeleição de Lula como caminho para livrar o país dessas ameaças neocoloniais e imperialistas.

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"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

Postei nas redes

Uma hipótese plausível: a madrasta sente a derrota do enteado e antecipa a disputa pelo espólio bolsonarista.

Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html 

Bons sinais

Pesquisa mostra Lula à frente em todos os cenários para 2026
Levantamento Meio/Ideia aponta vantagem do presidente sobre Flávio e Michelle Bolsonaro no 1º e 2º turnos e registra aprovação de 46,5% ao governo.
Barbara Lu/Vermelho   
 

O presidente Lula (PT) lidera todos os cenários eleitorais testados pela pesquisa Meio/Ideia para a disputa presidencial de 2026, com vantagem de 8 pontos percentuais no primeiro turno e de 5 pontos no segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Na simulação de primeiro turno com Flávio Bolsonaro como candidato do PL, Lula soma 40,4% das intenções de voto, contra 32% do senador. No segundo turno, a vantagem do presidente se mantém: 45% a 40%. Brancos, nulos e votos em nenhum candidato somam 10,5% nesse cenário, enquanto 4,5% dos entrevistados não souberam responder.

A pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (8), também testou um cenário alternativo, com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro como representante da extrema-direita no lugar do enteado Flávio. Nessa simulação, Lula também lidera com folga: 40,4% a 29,4% no primeiro turno e 45% a 36% no segundo. Michelle e Flávio protagonizam hoje uma disputa aberta pela representação do bolsonarismo, o que o instituto decidiu medir separadamente.

Os demais pré-candidatos aparecem distantes dos dois primeiros colocados em qualquer cenário. Ronaldo Caiado (PSD) oscila entre 4% e 7%, Romeu Zema (Novo) entre 2,5% e 4,4%, e nomes como Aécio Neves (PSDB), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) não ultrapassam a casa dos 3,5%. Em cenários de segundo turno contra outros adversários, Lula mantém os 45% e amplia a distância: 37,6% sobre Caiado, 37% sobre Zema, 33% sobre Renan Santos e 23% sobre Joaquim Barbosa (DC).

Na pesquisa espontânea, sem estímulo de nomes aos entrevistados, Lula é citado por 32,8%, contra 20,3% de Flávio Bolsonaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), inelegível e em prisão domiciliar, aparece com apenas 1,3% das menções.

Sobre a avaliação do atual governo, 41% dos entrevistados classificam a gestão como ruim ou péssima, enquanto 32,5% avaliam como ótima ou boa e 24,5% consideram regular. A aprovação pessoal de Lula é de 46,5%, contra desaprovação de 48,5%.

A pesquisa Meio/Ideia foi realizada pelo instituto Ideia. Na ocasião, foram ouvidas 1.500 pessoas entre os dias 3 e 6 de julho, em entrevistas telefônicas realizadas em todo o país. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026. (Com agências)

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Sylvio: futebol muda

Vendo a Copa do Mundo, notamos que o futebol evoluiu muito em vários países. O Egito é um exemplo, mostrando que não  há  mais inocência,  a não  ser a que o Brasil mostrou contra a Noruega.

Sylvio Belém   

"Negócio acima da bola" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/dica-de-leitura_01388541228.html 

Seleção brasileira: insuficiências

O futebol é complexo, mais ainda no Brasil
Ancelotti decidiu jogar no contra-ataque, como se a Noruega fosse a França. Independentemente de onde começa a marcação, é fundamental pressionar para recuperar a bola
Tostão/Folha de S. Paulo  
 

A Argentina perdia por 2 x 0. Não se afobou, continuou trocando passes no meio-campo e, no final, comandado por Messi, virou o jogo e ganhou do Egito por 3 x 2. Messi fez um gol e deu passe para outro. Enzo marcou o da vitória. Quando terminou a partida, Messi chorou copiosamente, como um garoto que estreava no Mundial.

A decisão da Fifa, durante a Copa do Mundo, de mudar a regra, acabar com a suspensão automática no jogo seguinte após uma expulsão, foi absurda. Beneficiou os EUA, que escalaram seu melhor jogador contra a Bélgica. Trump pediu e o presidente da Fifa aceitou. A Bélgica protestou antes do jogo, ficou mais aguerrida e goleou os EUA por 4 x 1.

Após a eliminação do Brasil, escrevi uma coluna com o título: "A crônica de um fracasso inesperado".

Retiro a palavra inesperado. Não foi surpresa. O Brasil, mesmo contra seleções que não são candidatas ao título, como Noruega, Japão, Marrocos e outras, estará, com frequência, próximo da vitória e da derrota.

O Brasil foi derrotado por inúmeros fatores. Pelos detalhes, como no pênalti e em outros gols perdidos, pela qualidade individual e coletiva da Noruega, pela estratégia de Ancelotti de marcar mais atrás e contra-atacar, como se o Brasil enfrentasse a França, e pelas alterações equivocadas no segundo tempo, quando deslocou Endrick para a direita. Ele perdeu uma grande chance pelo centro, mas, provavelmente, teria outra clara oportunidade se continuasse na posição.

Ancelotti, na sua carreira de treinador, nunca se entusiasmou com a marcação por pressão no campo do adversário. Preferiu sempre iniciá-la no meio-campo ou na própria intermediária, para contra-atacar, ainda mais com atacantes hábeis e velozes como Vinicius Junior. Porém, independentemente de onde começa a marcação, é fundamental pressionar para recuperar a bola, o que não ocorreu contra a Noruega. O Brasil assistiu a Odegaard e Berg tomarem conta do jogo. O Brasil teve um terço de posse de bola na partida.

Se o Brasil tivesse feito o gol de pênalti e aproveitado outra clara chance no primeiro tempo, poderia golear e todos exaltariam a estratégia de Ancelotti. O futebol não tem "se", mas o "se" ajuda a entender o futebol.

O Brasil perdeu também por muitos outros fatores conhecidos e desconhecidos. No futebol moderno, não há mais motivo para dividir o meio-campo entre os volantes que marcam e o meia que avança (camisas 5, 8 e 10). Falta à seleção um craque no meio-campo, pois o Brasil só se preocupa em formar pontas e atacantes. A imprensa colabora ao exaltar somente os artilheiros.

No confronto entre os maiores meio-campistas do futebol mundial, que gostam de ficar com a bola, a Espanha, merecidamente, ganhou de Portugal por 1 x 0. Rodri é o elo, o pêndulo, o condutor do time espanhol, pois inicia as jogadas, de um lado e de outro, com precisos passes.

Outro motivo da sequência de eliminações do Brasil nos Mundiais é o crescimento do futebol em todo o mundo, devido à globalização, ao grande desenvolvimento científico e tecnológico e à evolução da qualidade individual e das estratégias de jogo.

Além disso, segundo as pesquisas, os profissionais de outros países, em quase todas as atividades, possuem, na média, produtividades superiores às do Brasil. O mesmo deve ocorrer no futebol.

Nas últimas décadas, o Brasil tem sido um fracasso, pela incapacidade de resolver ou mesmo diminuir bastante os graves problemas sociais, de criminalidade, de corrupção e de educação. O fracasso continua no futebol.

[Ilustração: Robert Tavener]

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"O futebol é um sopro", https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/dramatica-copa-do-mundo.html

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Outra arenga feia na extrema direita: Flávio Bolsonaro insinua que Daniella Marques pode ser sua vice e provoca reação dos que temem o envolvimento da economista com o banco Digimais, do pastor Edir Macedo, alvo de investigação pela Polícia Federal. Barco furado é assim.

Conflito sem limites https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_02106193163.html