03 novembro 2026

Camila Santiago opina

Das arquibancadas também nasce a resistência e a luta antifascista
Camila Santiago*/Brasil de Fato    

Embora seja comum ouvir que futebol e política não se misturam, não é nenhuma novidade a resistência de torcedores, atletas ou até mesmo de clubes contra projetos antidemocráticos, tendo como exemplo mais conhecido a Democracia Corinthiana ou episódios mais recentes de protestos após a Copa do Mundo de 2014 contra o chamado “futebol moderno”, que encareceu os ingressos, elitizou estádios e reformulou as formas de torcer.

Mesmo havendo registros de organizações políticas em torno do futebol desde a sua chegada ao Brasil, foi nos últimos 8 anos que as torcidas antifascistas ganharam mais força nas arquibancadas brasileiras, justamente em reação ao bolsonarismo. O líder de extrema direita usou o futebol para aumentar sua popularidade, vestindo camisas de diversos clubes brasileiros.

De 2018 para cá, as torcidas protagonizaram episódios importantes no cenário político brasileiro, entre os quais eu destaco três momentos que simbolizam a participação de torcedores para além das arquibancadas. O primeiro destaque é a forte participação das torcidas antifascistas nas manifestações contrárias a Jair Bolsonaro durante o movimento “Ele Não”, enxergando desde o princípio os riscos à democracia representados naquele projeto.

O segundo episódio aconteceu durante a pandemia da Covid-19: foram as torcidas organizadas que ocuparam as ruas pela primeira vez, entre maio e junho de 2020, para impedir manifestações de apoiadores do então presidente da República, que carregavam faixas pedindo golpe militar. As imagens da forte repressão policial contra os torcedores na avenida Paulista repercutiram o mundo todo.

Em Pernambuco, torcidas antifascistas se uniram contra a falta de medidas sanitárias de enfrentamento à pandemia do governo Bolsonaro e em defesa da democracia, um princípio inegociável para a existência de torcidas organizadas. Além de denunciar o racismo e cobrar justiça no caso do menino Miguel.

Por último, destaco um episódio que não foi diretamente protagonizado por torcidas antifascistas, mas pelas organizadas tradicionais. Em 2022, após a vitória do presidente Lula, apoiadores de Bolsonaro promoveram atos pedindo golpe militar, não aceitando o resultado das eleições e realizando bloqueios de várias rodovias no país. O que os golpistas não contavam era com diversas caravanas de torcidas que aconteceriam naquelas datas. A paixão pelo clube de futebol era capaz de enfrentar qualquer adversidade e dispersou as manifestações golpistas de Bolsonaro. O movimento ficou conhecido como “Tropa do Fura Bloqueio”.

Trago esses exemplos para mostrar como política, futebol e torcida estiveram fortemente entrelaçadas nos últimos anos, se posicionando como um contraponto ao avanço da extrema direita no nosso país.

O futebol tem uma capacidade incomparável de reunir multidões, unificar sentimentos, e construir identidades coletivas. As arquibancadas reúnem uma diversidade de pessoas, com origens, posicionamentos e ideologias diferentes, mas que conseguem dentro daquele ambiente construir uma pauta mobilizadora única: o seu clube do coração.

No entanto, o futebol é também um território de disputa constante, inicialmente entre as elites e os operários; também entre o governo ditatorial que o utilizava como propaganda e a luta de jogadores, torcedores e clubes que o enxergavam como ferramenta de resistência; a disputa entre os clubes do eixo Sul e Sudeste do país, com maior capital econômico, e os clubes do Norte e Nordeste, que enfrentam uma disputa desigual.

No período pré-Copa de 2014, o Brasil viu uma disputa entre os que defendiam a realização do evento no Brasil e os que pautavam a priorização de outras pautas; depois teve início a disputa entre os que defendem a migração dos clubes para “arenas modernas” e os que defendem a permanência em seus estádios tradicionais; mais recentemente, a disputa entre quem defende o modelo de clube-empresa ou sociedade anônima (SAF) e quem acredita nos clubes como pertencentes aos seus torcedores, tendo eles poder de decisão na gestão.

São inúmeros os exemplos de disputas existentes no mundo do futebol, um território de constante ebulição e manifestações políticas, sejam elas relacionadas diretamente ao futebol ou a uma pauta social que impacta o dia a dia de quem está nas arquibancadas. Não à toa, num período de crise política nacional, em que há um avanço de discursos da extrema direita com cunho fascista, discursos contra minorias e ameaças à democracia, surge nas arquibancadas um movimento de resistência ao que ameaça a liberdade e a existência da pluralidade das pessoas.

Além das torcidas antifascistas, núcleos de torcedoras, coletivos LGBT+ e coletivos antirracistas cresceram no país na última década. A construção de um estádio de futebol como um local de fato democrático, seguro e sem preconceito virou uma questão de sobrevivência. É preciso estar organizados para cobrar os dirigentes, jogadores e opinar sobre seu clube se caso não haja liberdade e respeito à diversidade que compõe as arquibancadas.

Não é possível a existência de uma torcida que faça parte do clube como membro ativo, não só um mero espectador, se estivermos sob um governo autoritário. É neste contexto que chegamos às eleições de 2026. No dia 4 de outubro, o resultado do 1º turno das eleições presidenciais contrariava a maioria das pesquisas eleitorais. Flávio Bolsonaro terminou na frente, com 47% dos votos e uma diferença de mais de 2 milhões sobre o presidente Lula.

Mas o resultado não desencorajou os que acreditavam no projeto democrático representado por Lula. Logo após o resultado anunciado, a União Nacional dos Estudantes (UNE) e outras representações estudantis convocaram assembleias de organização para a campanha de 2º turno, desencadeando uma série de grandes mobilizações pelo Brasil que demarcava a mudança de qualidade da campanha do 2º turno em relação ao primeiro.

Torcidas antifascistas, núcleos femininos, movimentos populares e torcedores comuns se juntaram para organizar o movimento chamado “Arquibancadas com Lula”, um grupo formado por pessoas torcedoras da arquibancada de futebol, com foco na mobilização digital e nas ruas. Formou-se um coletivo com mais de 30 torcidas de todo o país dispostas a planejar ações de campanha pela democracia, representada por Lula, contra o filho do ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado.

Em Pernambuco, torcidas de Náutico, Sport e Santa Cruz estiveram envolvidas em ações importantes. Além de se somarem aos grandes atos de rua, também produziram material próprio de campanha para panfletagens nos arredores dos estádios, driblando as dificuldades de aquisição de material e buscando na raça a virada inédita nas eleições brasileiras.

Na porta do estádio, numa noite de jogo, um coletivo de torcedores alvirrubros e a Frente Marighella realizaram o “Timbus com Lula”, em que torcedores levaram suas camisas para serem estampadas gratuitamente com ilustração feita pelo designer e ilustrador David Shamá, torcedor do Náutico. Com grande procura de torcedores dispostos a engajar na campanha, um segundo encontro foi realizado, desta vez com o Movimento Coralinas e a Frente Popular Rubro-Negra, torcidas do Santa Cruz e Sport. Na última semana de campanha foram realizadas duas edições, em Olinda e no Recife.

A ação só foi possível a partir da organização coletiva das torcidas e torcedores envolvidos. Estimamos que mais de 2.500 pessoas participaram das três edições dos “camisetaços” de torcedores em apoio a Lula. Adesivos também foram entregues durante todas as ações das torcidas, reforçando a multiplicação da campanha na Região Metropolitana do Recife.

No domingo do 2º turno tivemos um resultado histórico, uma virada com um crescimento de mais de 10 milhões de votos, resultado de mobilizações como as realizadas pelas torcidas pernambucanas, pelos estudantes, trabalhadores e todas as pessoas que trouxeram para si a responsabilidade sobre o futuro da democracia brasileira.

Das assembleias estudantis aos vizinhos que se juntaram e imprimiram panfletos, providenciaram seus adesivos e saíram de porta em porta para virar voto; das grandes manifestações nas metrópoles brasileiras aos atos nos interiores e periferias; das torcidas organizadas até as associações comunitárias, sindicatos e os mais diversos movimentos sociais, todos carregam essa vitória nos braços. Foi a mobilização popular que tornou possível um resultado tão significativo.

Que fique a lição para os próximos anos: o povo tem um poder surpreendente de organização, disciplina e capacidade de elaborar estratégias. Mas eleições não podem ser um fenômeno pontual de grandes mobilizações. Precisamos que as ruas, as redes e as arquibancadas se mantenham organizadas em defesa dos direitos humanos, da classe trabalhadora e da nossa democracia. Pois só a luta coletiva é capaz de transformar a realidade e construir uma alternativa em que o medo não seja o fator de mobilização, mas a crença num Brasil mais justo, olhando para o futuro.

*Professora, gestora pública, feminista e torcedora do Náutico.

Leia também: O Brasil numa encruzilhada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/o-brasil-numa-encruzilhada.html

Sylvio: sem eira nem beira

Após a acachapante derrota nas urnas, por quatro milhões de votos de diferença, o senador Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos e se autoproclamou "presidente" do Brasil. Depois, diante da repercussão altamente negativa, apagou o post substituindo por "líder" do Brasil. Parece que o retumbante fracasso eleitoral o deixou sem senso de ridículo e precisando urgentemente de acompanhamento psiquiátrico.

Sylvio Belém   

Economistas rejeitam “terceiro turno do mercado” após vitória de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/11/soberania-popula-x-mercado.html 

Dica de leitura

A luta continua   

O artigo "O povo premiou a coragem: um casamento de gerações pela democracia", de Fernanda Macedo, no Le Monde Diplomatique Brasil https://diplomatique.org.br/o-povo-premiou-a-coragem-um-casamento-de-geracoes-pela-democracia/ em 30 de outubro de 2026, faz uma boa reflexão sobre a vitória eleitoral democrática e o momento vivenciado pelo Brasil.

Diferentes faixas etárias — de jovens a gerações mais velhas — se uniram nas urnas frente à ameaça autoritária bolsonarista para defender a manutenção da democracia.

A vitória de Lula traduz uma recusa explícita de um país regido pela violência política e pela transformação do adversário em inimigo.

No entanto, o resultado das urnas não é o fim dos problemas, a sociedade brasileira permanece dividida e marcada por profundas desigualdades socioeconômicas.

Impõe-se a persistência no rigor crítico e o compromisso de manter o povo politicamente vivo, cobrando do governo escuta e eficiência.  

(LS) 

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Humor de resistência

Izanio

A fuga das galinhas amarelas e o carcarejar do golpe https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/enio-lins-opina.html 

Palavra do presidente

Programas sociais de pé   

Dando sequência à prática de se dirigir ao público diretamente nas redes digitais através de falas curtas, em vídeo, que adotou no segundo turno da eleição, Lula reagiu contestou veementemente a fake news difundidas pela extrema direita de que cortaria programas sociais no próximo governo.

Nenhum programa social será extinto, disse.  Ao contrário, todos os compromissos assumidos durante uma campanha eleitoral serão rigorosamente cumpridos.

(LS)

Leia: Ajuste fiscal ou estelionato eleitoral? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/pressoes-do-mercado.html 

02 novembro 2026

Soberania popular x mercado

Economistas rejeitam “terceiro turno do mercado” após vitória de Lula
Manifesto “As urnas decidiram” denuncia pressão por austeridade após reeleição de Lula e defende nova regra fiscal, redução dos juros e justiça tributária.
Barbara Luz/Vermelho    

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último domingo (25) não pode ser anulada pelas pressões do mercado financeiro. Esse é o recado do manifesto “As urnas decidiram — Não ao terceiro turno do mercado, em apoio a uma nova regra fiscal”, assinado por economistas, pesquisadores e profissionais ligados a universidades, sindicatos e instituições de pesquisa. O documento denuncia a tentativa de impor ao governo reeleito uma agenda de austeridade semelhante àquela rejeitada pela maioria dos brasileiros nas urnas.

Para os signatários, setores da Faria Lima tentam transformar a política econômica em uma espécie de terceiro turno eleitoral, pressionando por cortes nos gastos sociais, aperto fiscal e manutenção dos juros elevados. O manifesto também critica concessões do Ministério da Fazenda às exigências do mercado e sustenta que o principal problema fiscal brasileiro não é a dívida pública, mas o custo dos juros, que consome recursos que poderiam financiar investimentos, serviços públicos e políticas de desenvolvimento.

O documento apresenta quatro reivindicações centrais: redução dos juros, revisão da meta de inflação, aprovação de uma nova regra fiscal e ampliação da justiça tributária. Entre os signatários estão nomes importantes do campo progressista, como Elias Jabbour, deputado federal eleito pelo PCdoB-RJ, o ex-ministro da Educação Renato Janine Ribeiro, os economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Marcelo Manzano, além do pesquisador Iago Montalvão. Para os autores, respeitar a soberania popular significa garantir que a política econômica do próximo mandato esteja comprometida com o crescimento, os direitos sociais e os interesses da classe trabalhadora. Para assinar o manifesto, clique aqui.

Leia abaixo o manifesto “As urnas decidiram”

Manifesto por uma nova regra fiscal, juros menores e a revisão da meta de inflação

Em 25 de outubro, a maioria do eleitorado reelegeu Lula e recusou o programa de Flávio Bolsonaro, que prometia cortar R$ 190 bilhões do gasto público. No dia seguinte, o mercado financeiro teve de desfazer, com perdas, a aposta na vitória de Flávio. Não soube ler as pesquisas nem suas margens de erro. O Ibovespa caiu 13,9%, o dólar subiu 8,2%, e os juros futuros passaram a apostar numa alta da Selic. Flávio fugiu para os Estados Unidos. Trump disse, sem provas, que a eleição parecia fraudulenta. Os derrotados queriam anular o resultado nos tribunais. A Faria Lima quer anulá-lo no orçamento. Rejeitamos esse terceiro turno.

Rejeitamos também as concessões do ministro da Fazenda, Dario Durigan. Em 23 de outubro, ele dizia que não dava para “vender para o mercado que no primeiro ano vai resolver esse problema”. Depois da queda da Bolsa, prometeu “buscar o centro da meta de maneira formal”. Isso significa acabar com a banda de tolerância, o que exige até R$ 36,6 bilhões a mais de aperto em 2027, e ampliar o contingenciamento. O programa derrotado volta pela porta da Fazenda.

Já vimos esse filme. Em 2024 e 2025, a Fazenda apertou o orçamento enquanto o Banco Central elevava a Selic de 10,5% para 15%. A avaliação positiva do governo caiu de 36% para 24%. A reeleição só foi garantida quando, durante a campanha eleitoral, o governo reajustou o Bolsa Família, refinanciou dívidas e propôs transferências para pequenos empresários, passe livre nos finais de semana e outras concessões que o austericídio do Ministério da Fazenda impedira até então.

Em 2015, a adesão ao programa do adversário aprofundou a recessão e abriu caminho ao golpe. Diante de um Congresso mais hostil, com 121 deputados do PL e 49 senadores de direita a partir de fevereiro, repetir a receita pode enfraquecer o apoio obtido nas ruas para a reeleição de Lula e tornar seu governo vulnerável a um novo golpe parlamentar.

O Brasil não tem crise de dívida. Tem crise do custo da dívida. Nos doze meses até agosto, os juros custaram R$ 1,18 trilhão, 8,9% do PIB, mais de catorze vezes o déficit primário de R$ 82 bilhões. A inflação de doze meses, de 4,58% em setembro, passou do teto por causa da energia e dos alimentos, choques que a Selic não corrige.

Propomos:

1. Nenhuma alta da Selic em 4 de novembro e juro menor para quem toma crédito. A volatilidade se enfrenta com intervenção cambial e liquidez, como fizeram o Banco Central e o Tesouro no dia 26. Como em 2012, o Banco do Brasil e a Caixa devem baratear o crédito e levar os bancos privados a acompanhá-los. A queda dos juros precisa chegar às famílias, que comprometem 29% da renda com o serviço de dívidas, e às empresas, sobretudo pequenas e médias. Em agosto, a inadimplência atingiu o recorde de 9,3 milhões de empresas, quase todas micro e pequenas.

2. Revisão da meta de inflação. A meta de 3% é escolha do governo, que tem dois dos três votos no Conselho Monetário Nacional (CMN). Um novo decreto deve suprimir a carência de 36 meses criada em 2024 para mudar a meta. Propomos retomar o centro de 4,5%, vigente de 2005 a 2018, alongar o horizonte de convergência e dar peso efetivo ao pleno emprego, que a lei já inclui entre os objetivos do Banco Central.

3. Uma nova regra fiscal até 22 de dezembro. A exemplo da PEC da Transição, que virou a Emenda Constitucional 126 em dezembro de 2022, deve ser votada por este Congresso. Por lei complementar, que exige maioria absoluta, ela precisa tirar do limite de gastos e da meta de resultado primário o investimento público e os aportes nas estatais e no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e tirar do limite os gastos em saúde e educação e o programa Bolsa Família. Foi por essas bandeiras que 64,3 milhões de brasileiros e brasileiras votaram pela reeleição de Lula: não para realizar o Tesouraço de Flávio. O limite atrelado a 70% da receita é incompatível com pisos de saúde e educação que crescem com a receita. As regras fiscais atuais também inibem os desafios do próximo mandato, como a reindustrialização com transição ecológica, que depende de investimento público, de aportes nas estatais e do crédito do BNDES. O que precisar de proteção pode ir para a Constituição, como se fez com os precatórios em 2025. Uma emenda só cai com três quintos das duas Casas.

4. Justiça tributária em vez de cortes sociais. A sustentabilidade da dívida depende mais do crescimento e dos juros do que do corte de gastos. A meta fiscal que o mercado cobra pode ser alcançada defendendo os interesses da maioria, pela justiça tributária, ou os da minoria, pelo corte de gastos sociais. Um governo eleito por um levante popular contra a ameaça bolsonarista não pode escolher a via defendida pelos mais ricos entre os bolsonaristas. A tributação mínima das altas rendas, aprovada em 2025, só será cobrada na declaração de 2027, e lucros acumulados até 2025 ainda podem ser distribuídos sem imposto até 2028. Aprovada por lei até 31 de dezembro, uma nova tributação do topo vale já em janeiro. Ela deve alcançar dividendos, juros sobre capital próprio e aplicações isentas. É preciso também rever isenções, regimes especiais e incentivos, que somam R$ 612,8 bilhões em gastos tributários, a começar pelos que favorecem as rendas altas ou não têm contrapartida econômica ou social demonstrável, e acabar com os supersalários.

A justiça tributária e uma taxa de juros mais baixa são fundamentais para uma trajetória fiscal mais benigna e para um país mais justo e solidário. As urnas decidiram. O mercado não pode fazer o terceiro turno.

30 de outubro de 2026. Assinam:

Elias Jabbour (economista e deputado-federal)
Renato Janine Ribeiro (Ex-ministro da Educação)
Marcelo Manzano (IE/Unicamp e Cesit)
Iago Montalvão Oliveira Campos (IE/Unicamp e Ineep)
Luiz Gonzaga Belluzzo (professor emérito da Unicamp e fundador da Facamp)
Pedro Paulo Zahluth Bastos (Unicamp)
Maria de Lourdes Rollemberg Mollo (UnB e SEP)
Alfredo Saad Filho (Queen’s University Belfast)
Vanessa Petrelli Corrêa (UFU)
José Carlos Braga (IE/Unicamp)
Rosa Maria Marques (PUC-SP)
Paulo Kliass (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental)
Élida Graziane Pinto (FGV)
Antônio Prado (Corecon-SP)
Simone Deos (Unicamp)
Rubens Sawaya (PUC-SP)
Renata Lins (economista)
David Deccache (economista)
Juliane Furno (economista, UFF)
Júlio Miragaya (Cofecon)
Isabel Busato (UFRJ)
Breno Altman (editor de Opera Mundi)
Cristina Penido (economista)
Gilberto Maringoni (UFABC)
Larissa Naves de Deus Dornelas (UFPR)
Alex Palludeto (Unicamp)
Adriana Marcolino (diretora técnica do DIEESE)
Caio Vilella (UFF)
Ana Claudia Moreira Cardoso (socióloga e formadora sindical)
Kaio Pimentel (IE/Unicamp)
Ana Yara Paulino (socióloga)
Gabriel Porcile (Universidad de la República, Uruguai)
Beatriz Meirelles (mestre em Economia, IE/UFRJ)
André Aranha (economista, editor da Gazetinha)
Eliana Elias (Escola DIEESE de Ciências do Trabalho)
André Cardoso (DIEESE)
Patrícia Lino Costa (DIEESE)
Euzébio Jorge Silveira de Sousa (IE/UFRJ)
Renata Belzunces (Escola DIEESE de Ciências do Trabalho)
Fernando Adura Martins (DIEESE)
Solange Sanches do Prado (socióloga, ex-OIT Brasil e DIEESE)
Gustavo Livio (PUC-Rio)
Krista Lillemets (pós-doutoranda, TCINDD/Cebrap)
Jader Oliveira (Rede Josué de Castro)
Sandra Bortolon (DIEESE)
José Giacomo Baccarin (Unesp)
Milena Prado (economista do DIEESE)
José Jorge Gebara (Unesp)
Marcelo Menna Barreto (jornalista, Extra Classe)
Marcos Aurélio Souza (DIEESE e Escola DIEESE de Ciências do Trabalho)
Rodrigo Perri (publicitário)
Thiago Machado dos Santos (CNPEM)
Ilmar Ferreira (DIEESE)
Carlos Eduardo Oliveira Jr. (presidente do Sindicato dos Economistas no Estado de São Paulo)
Marcelo Depieri (economista, Ineep)

Para ver a lista completa dos signatários, acesse aqui.

O “gosto amargo” da necessária amplitude https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_01301628229.html 

Palavra de poeta

Testamento do Homem Cansado
Carlos Pena Filho      

Quando eu morrer, não faças disparates
nem fiques a pensar: Ele era assim…
Mas senta-te num banco de jardim,
calmamente comendo chocolates.

Aceita o que te deixo, o quase nada
destas palavras que te digo aqui:
Foi mais que longa a vida que eu vivi,
para ser em lembranças prolongada.

Porém, se um dia, só, na tarde em queda,
surgir uma lembrança desgarrada,
ave que nasce e em vôo se arremeda,
​​​​​​​

deixa-a pousar em teu silêncio, leve
como se apenas fosse imaginada,
como uma luz, mais que distante, breve.

[Ilustração: Wellington Virgolino]

Leia também: "Poema a Boca Fechada", de José Saramago https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_01508344103.html