Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
06 maio 2026
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Minha opinião
Divergências e desencontros na extrema direita
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Na grande mídia neoliberal, manifestações de desassossego por conta do fogo de monturo no qual está envolto o até agora pré-candidato preferencial da direita, Flávio Bolsonaro.
A
promissora pontuação nas pesquisas mais recentes não combina com a incapacidade
do senador em liderar, de fato, grupos e correntes postados no seu campo
político.
Evidentes
são as tensões em seu grupo familiar, assim como ainda persistentes as
pretensões de Caiado, Zema e outros menos cotados.
Mais:
sequer um ensaio superficial de suas ideias a respeito do país e que rumo dar à
economia, por exemplo.
Grupos
situados no centro político que ora negam solidariedade ao presidente Lula,
tampouco se manifestam favoráveis ao filho do ex-presidente presidiário.
Até
as denominações evangélicas mais reacionárias parecem manter um pé atrás.
De quebra,
os tais “analistas” da mídia dominante não escondem sua condição de viúvas da
natimorta candidatura da “terceira via”.
A
variável tempo pesa.
E
na ponta oposta, em meio a pressões de toda ordem – sobretudo parlamentares e
midiáticas – Lula exibe disposição para reafirmar suas posições essenciais por
palavras e gestos (o encontro com Donald Trump é simbólico) e ampliar mais
ainda o arco de correntes e grupos reunidos na frente ampla democrática.
É
jogo para gente grande onde o amadorismo e a improvisação não têm vez.
[Ilustração imagem em IA]
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"Lula 3 não é um governo neoliberal", por Armando Boito Jr. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/estado-governo-sob-presidencia-de-lula.html
Argentina: caos social
Carne de burro à mesa: o retrato social da Argentina
Crise fecha empresas, agrava a
pobreza e provoca até mudança de hábitos alimentares
Amanda Cotrim/Liberta
A Argentina vive um drama social que nenhum tango poderia prever. O poder de compra segue pressionado, o desemprego atingiu 7,5% no fim de 2025 – alta de 1,1% em relação ao ano anterior – e a inflação anual chegou a 32,6% em março passado, uma das mais altas do mundo, segundo o INDEC (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos).
O
mal-estar se reflete nas ruas, mas, ao longo dos 28 meses de gestão de Javier
Milei, os protestos sociais, que eclodiram nos primeiros meses de governo,
passaram a ser contidos por meio da repressão – sobretudo, entre os
aposentados, hoje na linha de frente da resistência. No cotidiano, os sinais da
crise se acumulam: até a carne de burro passou a aparecer como alternativa ao
tradicional churrasco, enquanto milhares de empresas fecham as portas,
empurrando trabalhadores para a informalidade.
“O
cenário é desastroso”, diz o portenho Leandro Jesus, de 40 anos, na porta de um
açougue em Buenos Aires. Ele se surpreendeu ao saber que, em Trelew, na
província de Chubut, a 1.300 quilômetros da capital, carne de
burro foi vendida a R$ 35 o quilo – quase três vezes mais
barata do que a carne bovina, cada vez mais escassa num país que ampliou
exportações, encarecendo o consumo interno. “Achei que fosse mentira quando
li”, diz, enquanto pede a carne de porco – a mais barata do mercado – ao
atendente. “Tudo tem limite”, acrescenta.
Crise
muda hábitos alimentares
A
polêmica, que mobilizou autoridades, analistas e a associação em defesa dos
animais, expôs uma realidade indigesta: a crise está alterando os hábitos
alimentares. Num país conhecido pela qualidade da carne bovina, o churrasco
virou luxo. O preço da carne bovina subiu 64% no último ano, segundo informe da
Fundação Agropecuária para o Desenvolvimento da Argentina. O aumento foi
impulsionado, segundo especialistas ouvidos pela reportagem, pelo aumento das
exportações, que reduz a oferta interna, encarecendo o produto.
“Quem
pode fazer churrasco hoje em dia?”, questiona Leandro. Em 2026, o consumo de
carne bovina caiu 10%, atingindo o menor nível em duas décadas, de acordo com a
Câmara da Indústria e Comércio de Carnes da Argentina.
Nos
açougues e mercados da capital argentina, os cortes da carne bovina variam
entre R$ 65 e R$ 135 reais o quilo. O frango custa aproximadamente R$ 55; o
porco, R$ 30; a merluza, cerca de R$ 55. A reportagem não encontrou carne de
burro à venda em Buenos Aires.
Apesar
de não ser proibida, a carne de equinos pode ser produzida e comercializada,
desde que cumpra exigências sanitárias; e a comercialização depende, em muitos
casos, de permissões locais, como ocorreu em Chubut.
Jubilados
rebelados
Num
ponto de ônibus da estação Constitución – uma espécie de CPTM paulistano –, um
homem que aparenta ter 50 anos concedia entrevista ao canal Argentina 12. Sem
rodeios, mostrou-se exausto: “É o pior governo da história da Argentina. Está
nos matando em vida – aposentados, pessoas com deficiência, todos. Fomos
campeões do mundo e seis milhões de argentinos saíram às ruas para comemorar.
E, agora que nos estão matando em vida, não sai ninguém?” – indagou.
Os
protestos existem, mas são reprimidos. Desde dezembro de 2023, foi instaurado o
protocolo “antipiquete”, que proíbe manifestações em vias públicas. Ainda
assim, há quase dois anos, aposentados se reúnem, semanalmente, diante do
Congresso para exigir pensões dignas.
Em
12 de março de 2025, homens e mulheres de cabelos brancos, com andadores e
bengalas, foram violentamente dispersados. As imagens de policiais batendo em
idosos com cassetete e gás de pimenta chocaram a imprensa internacional. Nesse
episódio, o fotógrafo Paulo Grillo foi gravemente
ferido ao ser atingido por uma bomba de gás lacrimogêneo
disparada pela polícia. O profissional, que ficou quase um ano em reabilitação,
ainda se recupera e processa o Estado.
Segundo
a Anistia Internacional Argentina, aposentados e mulheres estão entre os mais
afetados pelo modelo de ajuste de Milei, que alcançou superávit após cortes em
saúde, educação e subsídios, além de aumentos de cerca de 300% nos preços de
produtos e serviços no início do governo, segundo dados oficiais.
Atualmente,
a aposentadoria mínima gira em torno de 380 mil pesos (equivalente a cerca de
R$ 1,3 mil) e está 9,4% abaixo – descontada a inflação – do valor registrado em
novembro de 2023, no governo do peronista Alberto Fernández. A queda interanual
real foi de 5,3%, conforme levantamento do site Chequeado.
Empresas
fechadas
Entre
dezembro de 2023 e o início de 2026, cerca de 24 mil empresas (entre micros e
macros) fecharam na Argentina, apontaram dados da Superintendência de Riscos do
Trabalho (SRT) e consultorias privadas – média de 30 por dia.
Pequenas
empresas, indústria, setor têxtil e construção foram os setores mais atingidos,
com cerca de 290 mil empregos formais perdidos. Foi o caso da FATE – principal
produtora e exportadora de pneus –, com mais de 80 anos de história, que encerrou
as atividades em fevereiro, na província de Buenos Aires,
deixando quase mil trabalhadores sem emprego.
Entre
os servidores públicos, a perda do poder de compra chegou a 40% nos últimos
dois anos, informou a Associação dos Trabalhadores do Estado. Para o
trabalhador médio, a perda estimada por consultorias privadas atinge 13%. Dados
do INDEC indicam que quase 43% da população está no mercado informal.
A
informalidade tem se refletido num fenômeno classificado por especialistas como
“multitrabalho”. Crescem os relatos de argentinos com múltiplas ocupações.
Adrián Fernández, de 30 anos, trabalha como vendedor, social media e professor
de inglês. “Um salário não basta para chegar ao fim do mês”, afirma ele. O
fenômeno se expande e já alcança até cientistas argentinos, tema abordado pelo
jornal britânico The Guardian, em julho do ano passado.
Na
ocasião, a historiadora Georgina Gluzman, pesquisadora do Conselho Nacional de
Investigações Científicas e Técnicas, um dos maiores centros de pesquisa
científica do país, criticou o governo Milei nas redes sociais, apontando a
contradição entre o discurso de mérito e a precarização.
Inflação e desgaste político
A
inflação, principal bandeira de Milei, começa a gerar desgaste. Embora menor do
que o pico de 250% ao ano no governo de Alberto Fernández, o índice atual
reflete uma recessão marcada por cortes de gastos e compressão salarial, avalia
o economista Guido Zack, da consultoria Fundar. Em março, a inflação mensal foi
de 3,4%, acumulando 32,6% em 12 meses. Milei se irritou com a alta do índice,
pediu paciência e afirmou que se trata de um “ajuste de preços relativos”.
O
desgaste político, no entanto, cresce. Apesar de sinalizar candidatura à
reeleição em 2027, pesquisas de consultorias privadas divulgadas pela imprensa
argentina indicam que mais da metade da população avalia negativamente seu
governo. As pesquisas apontaram ainda que a polarização segue alta no país.
Nenhuma força política chega ao patamar de 30% de intenções de voto para o
próximo ano, com empate técnico entre libertários e peronistas.
O
presidente argentino, concomitantemente, preparou um projeto de reforma
eleitoral, que ainda precisa ser apreciado pelo Congresso. Fato é que o ano que
vem será decisivo para o país responder se vai reforçar os votos no modelo da
motosserra ou se pedirá por mudanças.
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Milei: hipóteses sobre uma derrota catastrófica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/sinais-de-mudanca-na-argentina.html
Humor de resistência
A China e a inteligência artificial https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/ia-no-cotidiano-da-china.html
Postei nas redes
Mesmo que a guerra Estados Unidos-Israel x Iran terminasse hoje, a normalidade demoraria meses a ser restabelecida no fornecimento de combustíveis e fertilizantes. O estrago está feito mundo afora.
Engrenagem
mistura propaganda política, dinheiro sujo e plataformas que lucram https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/mafia-digital-milionaria.html
Minha opinião
Briga de cachorro grande
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
A Inteligência Artificial é e será sempre pomo de discórdia entre empresas por distintos interesses.
Agora grandes
editoras de destaque no mercado mundial promovem ação coletiva contra a Meta e seu CEO, Mark Zuckerberg
Trata-se,
segundo as editoras, de uso de material pirata. Segundo a acusação, a Meta baixou
cópias não autorizadas de livros e artigos científicos de toda a internet para
alimentar e treinar seus modelos de inteligência artificial.
As editoras
alegam que livros gerados por IA já ocupam espaço na Amazon em
dimensão superior às obras de escritores de carne e osso.
Autores e o
mercado editorial sentem o baque.
A Meta
rejeita a acusação argumentando que suas IAs impulsionam
inovações avançadas.
Este é apenas um dos ringues que
tendem a se multiplicar em razão do uso ousado e indiscriminado das IA.
Tempos modernos, como se dizia
antigamente.
[Ilustração: Rodolfo Almeida]
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Uma espiral de declínio das redes sociais acelerada pela IA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/baixo-nivel-nas-redes.html
Futebol, ciência & arte
Futebol permite sonhar o sonho
impossível
Excesso
de jogos vai deixar vários jogadores fora da Copa por contusão. Os melhores
treinadores simplificam o jogo e tomam decisões corretas no momento certo
Tostão/Folha
de S. Paulo
O excesso de partidas e a enorme intensidade das equipes e dos atletas, que atuam nos limites físico e mental, são motivos importantes de tantas contusões e ausências nos muitos campeonatos espalhados pelos continentes. É preciso diminuir o número de jogos e a ganância pelo lucro. Esse exagero piora a qualidade do espetáculo. Não teremos na Copa do Mundo vários jogadores excepcionais por causa de contusões.
Clássico é clássico,
clássico não tem favorito. Antigos chavões continuam atuais. Cruzeiro, Flamengo e Palmeiras, apontados como favoritos nos clássicos regionais,
não venceram no final de semana. O Cruzeiro perdeu para o Atlético-MG e
Palmeiras e Flamengo empataram contra Santos e Vasco. Os seis primeiros colocados no Brasileirão não
ganharam na rodada. O equilíbrio parece ainda maior que nos anos anteriores.
Como é habitual, os técnicos do
Cruzeiro e Flamengo mudaram demais as equipes durante o segundo tempo e isso
contribuiu para os maus resultados. O Cruzeiro perdia, o técnico tirou os melhores
jogadores e isso dificultou a reação da equipe. O Flamengo vencia, o técnico
trocou vários atletas o que facilitou a reação do Vasco. Os treinadores, para
poupar, melhorar ou apenas por habito, costumam trocar jogadores sempre aos 15
minutos do segundo tempo. Muitas vezes, atrapalham a equipe.
O treinador do Atlético-MG,
Eduardo Dominguez, apelidado de Barba, é alto, magro e tem uma barba grisalha.
Está bastante parecido com o personagem Dom Quixote vivido pelo grande ator
Peter O'Toole, no magistral filme musical "Dom Quixote de La Mancha",
ao lado de Sophia Loren, como Dulcineia, dirigido por Arthur Hiller. A trilha
sonora inclui a famosa canção "o sonho impossível", de Lawrence
Rosenthal, que teve lindíssima versão gravada por Maria Bethânia.
Na minha juventude,
um dos meus livros preferidos era "Dom Quixote", com suas visões
delirantes e sonhos inimagináveis, uma obra épica da literatura, escrita pelo
espanhol Miguel de Cervantes em 1605. Sonhar o sonho impossível.
Teoria e prática
Quando atuava como médico,
estudei psicanálise por interesse intelectual e para entender melhor os
pacientes. Imaginava que seria muito difícil compreender as ideias de Freud, mas logo percebi que seus textos
eram claros, convincentes e simples e que até os mistérios da alma tinham
lógica. Freud colocou ordem no caos.
Quando joguei ao lado de Pelé, vi que ele, como Freud, tornava
simples o que era complexo. Com poucos movimentos corporais e ações, iluminava
tudo o que estava em sua frente e chegava ao gol. O mesmo acontece com os
grandes talentos de todas as áreas.
Esta quarta-feira (6) é dia de ver
um grande jogo, entre Bayern e PSG, pela Liga dos Campeões, em Munique, com a
presença de muitos craques, como o centroavante Kane, que, longe de ser um
Pelé, define as jogadas com precisão, com poucos movimentos e ações.
O mesmo ocorre com os
treinadores. Os melhores são os que, além do conhecimento técnico, tático e
científico, possuem a capacidade de simplificar e de tomar as decisões corretas
no momento certo, antes e durante as partidas. Unem a teoria à prática. A teoria
sem a prática é um vazio. A prática sem a teoria é uma grosseira simplificação.
[Ilustração: LS]
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