Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
06 setembro 2026
Arte é vida
Quadrinhos contra a opressão, pelos lápis de uma mulher notável https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/enio-lins-opina_01982092765.html
Editorial do 'Vermelho'
Derrotar os traidores da pátria e defender a soberania nacional com Lula
O Brasil está sob ameaça. A Independência sob ataque. O 7 de setembro convoca o povo e todos verdadeiros patriotas para derrotar o conluio Trump-Flávio Bolsonaro
Editorial do 'Vermelho'
O 7 de Setembro é um dos principais símbolos da luta pela soberania nacional brasileira. Em 1822, a questão central era romper com a subordinação do Brasil a Portugal; hoje, a data remete à defesa da soberania nacional diante da ofensiva dos Estados Unidos, sob o governo de Donald Trump, apoiada pelo clã Bolsonaro, especialmente o candidato a presidente da República da extrema direita, Flávio Bolsonaro, que se comporta como autêntico traidor da pátria.
Ele representa o polo antagônico à candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e suas bandeiras bem definidas, como a continuidade da reconstrução do país, a defesa da democracia, da soberania nacional e dos direitos do povo. O presidente demonstrou, com atitudes concretas, firme defesa da pátria, recusando ingerências externas, respondendo às pressões de Trump com firmeza e diálogo.
No âmbito interno, Lula também tem atuado com firmeza para defender o país, a exemplo do acordo com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para destravar a pauta de interesse do governo, que incluiu o Marco dos Minerais Críticos, as terras raras, ponto estratégico para a soberania nacional. Trabalha para unir desde o empresariado aos trabalhadores à defesa das empresas nacionais e dos postos de trabalho atingidos pelo tarifaço do governo Trump.
O 16º Congresso do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), realizado em outubro de 2025, definiu esse antagonismo como “encruzilhada histórica”, que põe o país diante de uma disputa presidencial decisiva. Trata-se de uma “batalha de dimensão tático-estratégica”, que tem como tarefa central conquistar uma nova vitória de Lula, fortalecendo uma larga frente impulsionada pela unidade das forças progressistas e criando condições políticas para mudanças e reformas estruturais que descortinem um novo projeto nacional de desenvolvimento.
A conclusão decorre sobretudo da pressão trumpista, que põe em xeque a soberania nacional e a democracia, com Flávio Bolsonaro atuando como quinta-coluna, no âmbito da ofensiva imperialista na América Latina e no Caribe. A visita do candidato da extrema direita a Washington, quando pediu que as tarifas contra produtos brasileiros fossem apenas adiadas para depois das eleições, sob o argumento de que elas fortaleceriam Lula, evidencia o que ele de fato representa. Seu irmão Eduardo, uma espécie de embaixador do entreguismo em Washington, pediu aos brasileiros que agradecessem a Trump pelo tarifaço.
Flávio Bolsonaro chegou ao extremo da subserviência ao dizer que, se for eleito, sua equipe de transição estará à disposição do governo dos Estados Unidos para negociar acordos, proposta registrada oficialmente em carta do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, que agradeceu a “generosa oferta”. A postura de capacho deixa evidenciado que Flávio Bolsonaro, se ele chegar ao Palácio do Planalto, abrirá todos os caminhos para o intervencionismo estadunidense.
Sintomaticamente, ele esteve na Casa Branca em 26 de maio de 2026, em reunião com Trump, meses depois de as forças militares dos Estados Unidos terem atacado a Venezuela e sequestrado o presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro, sob o pretexto de combate ao narcotráfico. Meses depois, a verdadeira causa ficou explícita com o anúncio de um acordo que assegura aos Estados Unidos o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de reservas venezuelanas, com concessões de 100 anos para 17 campos petrolíferos.
No Brasil, as rodadas de tarifaços de Trump foram anunciadas abertamente como instrumento de pressão sobre o governo Lula, as instituições democráticas do país, a economia e a soberania nacional. E foram escancaradamente impulsionadas pelos Bolsonaro, assim como a classificação de “facções criminosas” como organizações terroristas, uma manobra incontestavelmente intervencionista, uma ingerência em assuntos internos brasileiros.
Em outubro de 2025, Flávio Bolsonaro teve a desfaçatez de escrever que sentia “inveja” ao se referir a ataques dos Estados Unidos contra supostas embarcações do narcotráfico na costa da América do Sul, em “águas internacionais”. Ele convidou o secretário de Defesa estadunidense, Pete Hegseth, a “passar alguns meses” no Rio de Janeiro para combater “organizações terroristas”, pois tinha ouvido dizer que havia barcos na Baía de Guanabara “inundando o Brasil com drogas”.
O Itamaraty chegou a alertar para o risco de que essa tipificação fosse usada como justificativa para ações extraterritoriais e até para o emprego de força militar dos Estados Unidos em território brasileiro. A atitude do governo Trump também busca alimentar a narrativa de que o governo brasileiro é relapso no combate ao crime organizado, um reforço ao candidato da extrema direita.
Em carta a Lula, Trump afirmou que o tarifaço estava relacionado, entre outras coisas, ao tratamento dado pelo Brasil a Jair Bolsonaro e às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da tentativa de golpe de Estado. Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo afirmaram que haviam articulado as tarifas. O irmão do candidato da extrema direita também chegou a pôr o Pix na mesa de negociação com os Estados Unidos. Agora, Flávio Bolsonaro, hipocritamente, tenta apresentar-se como defensor do Pix.
O bolsonarismo também defendeu a atuação das big techs sem controle, com o objetivo de dominar as redes sociais com seus discursos de ódio e de manipulação, ao atuar no Congresso sabotando iniciativas de regulamentação, a exemplo do Projeto de Lei relatado pelo deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).
A ingerência estadunidense no processo eleitoral brasileiro para favorecer Flávio Bolsonaro foi constatada até pelo jornal britânico The Guardian, em reportagem publicada em 1º de setembro. De acordo com a publicação, evocando a intervenção dos Estados Unidos para promover o golpe militar de 1964, há um paralelo histórico ao relembrar o papel da CIA e do Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Esses fatos revelam a natureza do bolsonarismo e expõem o seu falso “patriotismo”, um simulacro estampado pelas bandeiras dos Estados Unidos e de Israel em suas manifestações públicas. O bolsonarismo chega ao 7 de setembro com um grau razoável de desmascaramento, na prática uma proclamação de que o Brasil sob o seu comando seria um mero joguete de Trump na “estratégia de segurança” da Casa Branca para tentar preservar a hegemonia dos Estados Unidos no chamado “mundo ocidental”, em meio ao declínio de seu poder.
O objetivo de Trump é ampliar o controle sobre riquezas estratégicas da América Latina e do Caribe, ofensiva que se articula com a escalada de conflitos e guerras, a exemplo do que ocorre com a Otan na Ucrânia contra a Rússia e o morticínio israelense em Gaza, na Palestina.
O Brasil, detentor de imensas riquezas naturais, mercado e recursos estratégicos, ocupa posição central nessa disputa. Consequentemente, a defesa da soberania nacional é de grande relevância. Trata-se da defesa do país, do povo e do seu futuro.
Os fatos, como era previsto, estão demonstrando o quanto essas eleições serão duras. A presente crise do STF, calculadamente detonada para explodir num momento crucial da disputa para favorecer Flávio Bolsonaro, demonstra o quanto a pressão é gigantesca. As maquinações do imperialismo e de seus serviçais da extrema-direita se realizam de forma combinada e sinérgica.
É preciso intensificar a mobilização pela reeleição de Lula e ampliar a unidade das forças patrióticas, democráticas e populares para levar às ruas, com intensidade, a defesa da soberania nacional, da democracia, do desenvolvimento e dos direitos do povo. Demonstrar que a reeleição do presidente abrirá caminho para a realização das reformas estruturais previstas em seu Programa, criando as condições para um novo ciclo de desenvolvimento, justiça social e soberania da pátria.
Três destaques sob turbilhão midiático https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0988080239.html
Sylvio: oportunismo
Ao atrasar a votação da PEC 6×1 no Congresso Nacional, a oposição mais uma vez trabalha contra os interesses dos trabalhadores brasileiros, numa manobra rasteira e covarde, visando obter benefícios políticos. Aprovação, já, da agenda da nação e dos trabalhadores https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/editorial-do-vermelho_0630240574.html
Postei nas redes
A cada nova pesquisa Quest ou Datafolha, a grande mídia neoliberal lamenta que Lula siga na dianteira na preferência dos eleitores, tendência que se consolida.
Três destaques sob turbilhão midiático https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0988080239.html
05 setembro 2026
Lula indispensável
Eleições de 2026 – o Brasil à beira do precipício outra vez
Votar em Lula, conquistar votos para ele, é questão de salvação nacional!
Paulo Nogueira Batista Jr./Vermelho
Este economista que vos escreve não escapa da polarização política generalizada que marca o Brasil dos últimos tempos. Do centro para direita, é provável que poucas pessoas me leiam com o coração aberto. Assim, devo supor queo leitor ou leitora que me lê agora é de esquerda ou centro-esquerda. Hoje quero conversar com vocês direta e confidencialmente sobre a emergência nacional que enfrentamos nas eleições de outubro. Portanto, se houver algum bolsonarista extraviado por esta página, peço a ele a gentileza de se retirar imediatamente.
E prossigo. Creio que podemos dividir a esquerda brasileira atual em três grandes blocos. Um primeiro é a esquerda lulista, totalmente fiel ao presidente da República. Não faz críticas a ele e rejeita liminarmente quem as faça, pela direita e mesmo pela esquerda. Tem ódio visceral ao “fogo amigo”, que considera inoportuno, quase uma traição.
O segundo bloco é à esquerda radical, geralmente marxista ou quase marxista. Revoltada com o Lula 3, declara enfaticamente que ficará neutra em 2026. Os mais extremados chamam o presidente de “pelego”, “neoliberal” e “traidor”.
O terceiro é a esquerda crítica, que também está desiludida com o Lula 3. Vinha fazendo críticas ao governo, e não renega essas críticas, mas vai votar pela reeleição do presidente.
Faço parte do terceiro. E queria me dirigir hoje sobretudo ao segundo bloco.
Amigos da esquerda radical, faço um apelo: não se deve perder de vista que a eleição de 2026 representa um risco existencial para o Brasil, particularmente por sua dimensão internacional. Não é a primeira vez que estamos à beira de um precipício, verdade. Estávamos assim em 2018 e, de novo, em 2022. Em 2018, Jair Bolsonaro foi eleito, o que levou a tremendo retrocesso no País em inúmeras áreas. Em 2022, Lula derrotou Bolsonaro por margem apertada, o que nos permitiu interromper a destruição e reiniciar a reconstrução do Brasil.
Temos, portanto, experiência com precipícios. Mas desta vez há um agravante: o Imperialismo dos Estados Unidos entrou em nova fase, de muita agressividade, em especial para com a América Latina, que é apresentada oficialmente como área de influência e até mesmo quintal estado-unidense. O que aconteceu com a Venezuela em 2026 é um alerta gigantesco para toda a região. O sequestro do presidente venezuelano e a posterior transformação do país vizinho em protetorado dos Estados Unidos é algo inédito na história da América do Sul nos tempos pós-coloniais. E abriu as portas para uma verdadeira pilhagem dos recursos petrolíferos da Venezuela.
Nesse ambiente, eleger um candidato entreguista é um risco enorme. Permitiria ao Império submeter o Brasil, maior país da América Latina, à sua influência e controle sem disparar um único tiro. Flávio Bolsonaro combina exatamente com os planos dos Estados Unidos. Trata-se de um candidato a vassalo, condição que ele revela sem nenhuma vergonha.
Relembro um episódio recente e verdadeiramente estarrecedor. Veio a público uma carta de Marco Rubio, o ministro das relações exteriores de Trump (aquele que parece ter sido escalado para ser uma espécie de vice-rei da América Latina), em que ele agradece a Flávio Bolsonaro – veja bem, leitor ou leitora – por ter oferecido em carta, caso eleito, a criação de um grupo de transição com o governo dos Estados Unidos! Não é boato. Cito a carta de Rubio diretamente: “We note your optimism regarding the upcoming October elections and your generous offer to place a transition team at our disposal should you be elected.” (Tomamos nota do seu otimismo em relação às próximas eleições de outubro e da sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito.)
É uma oferta inacreditável. Grupos de transição podem se constituir como ponte entre dois governos nacionais para facilitar a transição do governo que está saindo para o governo eleito. Não me consta que haja precedente para a oferta de Flávio Bolsonaro. Perto disso, Roberto Campos (o avô), o grande defensor do alinhamento aos Estados Unidos em outros tempos, faz figura de fervoroso patriota. Já podemos reimaginar Roberto Campos (que ficou conhecido em sua época com “Bob Fields”) hierático, perfilado sem pestanejar perante a bandeira e o hino nacionais.
Em contraste, Lula oferece um nacionalismo discreto, equilibrado. Verdade que esse nacionalismo é mais retórico do que prático. Mas o fato é que ele oferece alguma contestação, ainda que cautelosa, ao projeto imperial dos Estados Unidos. Justiça seja feita a Lula. Embora infestado de neoliberais e conservadores, o seu terceiro governo enfrentou bem algumas questões desafiadoras. Dou apenas um exemplo marcante: a postura do presidente brasileiro perante o genocídio praticado por Israel contra os palestinos. Lula poderia ter silenciado, mas botou a boca no trombone, provocando reações duras da parte de Israel e do lobby sionista. As suas repetidas críticas ao governo Netanyahu repercutiram mundialmente.
Já Flávio Bolsonaro, a exemplo do seu pai, é um sionista desbragado. Fez diversos gestos e pronunciamentos de adesão a Israel. Anunciou, orgulhoso, o primeiro nome do seu ministério: ninguém menos que Cláudio Lottenberg, o presidente da principal organização sionista no Brasil – a CONIB, Confederação Israelita do Brasil. Só esse apoio vergonhoso a Israel e ao sionismo, já seria suficiente para não votar nunca nessa figura deplorável – e para não facilitar a sua eventual eleição optando pelo voto nulo.
Preciso dizer algo mais? Em caso afirmativo, um derradeiro argumento, também acachapante. Quem é o principal eleitor de Flávio Bolsonaro? Ninguém menos que o pai, que vem a ser o pior presidente da história do Brasil – e olha que a concorrência é grande! Jair Bolsonaro destronou, sem cerimônia, Fernando Collor, aquele que ocupava até então a posição de pior presidente da história. O estrago realizado no governo Bolsonaro, o pesado legado que deixou para o seu sucessor, não deve ser esquecido. Se Jair Bolsonaro, recomenda o voto em alguém, é exatamente neste alguém que não se deve votar em nenhuma hipótese
I rest my case, como dizem os advogados anglo-americanos quando concluem a sua argumentação. Já não é necessário, acredito, acrescentar mais nada contra essa candidatura.
Para os correligionários do terceiro bloco, que chamei de esquerda crítica, digo apenas o seguinte: não faremos, eu sei, como fizemos na eleição de 2022, pelo menos não na mesma medida, o trabalho de formiguinha de conquistar alguns votos para Lula. Falta-nos a convicção decorrente da esperança que a volta de Lula então suscitava. Mesmo assim, meu apelo é: tentem ganhar nem que seja um voto, um único e mísero voto para ele. Assim, você trará pelo menos dois votos para nos afastar do precipício à beira do qual estamos.
Finalmente, um pedido aos lulistas do bloco 1: que a lealdade de vocês a Lula se traduza em luta corpo-a-corpo, renhida, junto aos indecisos para ganhar votos para a reeleição. Afinal, de que serve uma lealdade que não se traduz em esforços práticos?
Votar em Lula, conquistar votos para ele, é questão de salvação nacional!
Três destaques sob turbilhão midiático https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0988080239.html
Fotografia
O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html




