11 junho 2026

Editorial do 'Vermelho'

Ataque de porta-vozes do capitalismo mostra prestígio do socialismo
Os povos, em especial a juventude, voltam a ter o socialismo como alternativa ao capitalismo em crise
Editorial do 'Vermelho'   

A afirmação de um editorial da revista britânica The Economist de que existe “uma nova safra de socialistas”, com o título Como combater o socialismo da Geração Z e o subtítulo A doutrina do “eu primeiro” é uma ameaça à prosperidade, publicado em 4 de junho de 2026 e reproduzido pelo jornal O Estado de S. Paulo, suscita reflexões. Geração Z refere-se ao grupo demográfico de pessoas nascidas aproximadamente entre 1997 e 2012.

A publicação, lançada em Londres em 1843, é conhecida por sua linha editorial dita liberal e, consequentemente, defensora do imperialismo. No período recente, notabilizou-se pela atuação propagandística do projeto neoliberal. O “socialismo da Geração Z”, de acordo com o texto, “quer reformular a economia com controle de preços, pesados ​​impostos sobre a riqueza e uma onda de nacionalizações”. Seria “uma nova safra de socialistas”.

O Editorial assume que “muitas das queixas que motivam os socialistas da Geração Z têm origem em problemas reais”, citando a inflação muito alta, o aluguel nas grandes cidades frequentemente inacessível e a inteligência artificial, que “pode desestabilizar o mercado de trabalho”. Seria “insensato” ignorar “essas preocupações”, mas “o socialismo da Geração Z está errado sobre como resolver os problemas do capitalismo”.

O Editorial afirma que esse “socialismo” deve ser combatido, “pois representa uma profunda ameaça à prosperidade”, sem definir o conceito com precisão, indicando uma miscelânia de elementos que passam longe da ideia científica de socialismo. “Os socialistas da Geração Z não são exatamente iguais em nenhum país”, diz o texto, repisando preconceitos históricos sobre conceitos como “tomada dos meios de produção” e “hostilidade à iniciativa privada”.

O essencial é o ataque ao socialismo, amplamente visto como ideal para um mundo de justiça social, apesar da sistemática campanha de difamação ideológicas sobre as experiências revolucionárias. Uma pesquisa sobre a percepção e o valor do socialismo no século 21, realizada pela Ipsos Global Advisor (uma das maiores empresas de pesquisa do mundo), divulgada em 2018, revelou que 50% das pessoas concordam que os ideais socialistas são de grande valor para o progresso das sociedades.

O Financial Times, igualmente ligado ao mundo financeiro, fundado em Londres em 1888, também publicou recentemente que a Geração Z estadunidense se aproxima do socialismo, impulsionada pela percepção de falha do capitalismo neoliberal em garantir estabilidade financeira, somada a experiências vividas com crises econômicas estruturais. O jornal compilou dados que apontam que quase dois terços dos jovens dos Estados Unidos com menos de 30 anos veem o socialismo com bons olhos, enquanto mais de um terço possui visões favoráveis ao “comunismo”.

A juventude percebe corretamente o socialismo como alternativa à barbárie capitalista. A resposta desses porta-vozes do imperialismo é uma reação a consciência crescente entre os jovens, uma realidade promissora diante das guerras, dos genocídios e da destruição do planeta pelas mudanças climáticas.

As correntes progressistas, de esquerda, socialistas, têm a missão enorme de proporcionar mais e mais elementos para que a juventude compreenda que o socialismo tem elementos fundamentais para essa luta. Basta ver a China, que concretiza uma sociedade socialista moderna, com perspectiva para os jovens proporcionada pelo acelerado desenvolvimento científico e tecnológico, assegurando trabalho de qualidade.

No Brasil, essa perspectiva explica a vitalidade de um movimento como a União da Juventude Socialista (UJS), que completa 42 anos de existência em 22 de setembro de 2026 e realiza seu 23º Congresso Nacional entre os dias 02 e 05 de julho, na cidade do Rio de Janeiro, com o lema O futuro é agora: por um Brasil de esperança e socialista.

Explica também a predileção histórica do socialismo pela população, como revelou uma pesquisa do Ibope a pedido da Confederação Nacional da Indústria (CNI), feita em 2001, mostrando que 55% das pessoas ouvidas aceitavam a ideia de que o Brasil precisa de uma “revolução socialista”, associada à ideia de “justiça social”.

Em 2004, uma pesquisa realizada pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) indicou que a maioria dos brasileiros prefere o socialismo ao capitalismo (54% contra 33%). Uma pesquisa Quaest, publicada em agosto de 2025, revela que 49% dos brasileiros veem a China de forma positiva, enquanto a percepção negativa sobre os Estados Unidos chega a 48%, numa curva ascendente.

A The Economist reafirma a tese proclamada após a derrota da primeira experiência socialista, liderada pela União Soviética, como vitória histórica do capitalismo, tendência que convoca o campo da esquerda marxista e revolucionária à intensificação do trabalho sobre a luta ideias, com produção teórica e luta política, na defesa do socialismo como processo de superação da barbárie imperialista, que tende a ser cada vez mais extremista diante de sua crise estrutural.

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10 junho 2026

Palavra de poeta

Aqui eu te amo

Pablo Neruda   

Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Aqui eu te amo e em vão te oculta o horizonte.
Estou a amar-te ainda entre estas frias coisas.
As vezes vão meus beijos nesses barcos solenes,
que correm pelo mar rumo aonde não chegam.

Já me creio esquecido como estas velha âncoras.
São mais tristes os portos ao atracar da tarde.
Cansa-se minha vida inutilmente faminta..
Eu amo o que não tenho. E tu estás tão distante.

Meu tédio mede forças com os lentos crepúsculos.
Mas a noite enche e começa a cantar-me.
A lua faz girar sua arruela de sonho.

Olham-me com teus olhos as estrelas maiores.
E como eu te amo, os pinheiros no vento,
querem cantar o teu nome, com suas folhas de cobre.

[Ilustração: Jean François Millet]

O tempo nosso de cada instante https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_62.html 

Postei nas redes

Na grande mídia neoliberal, patéticos lamentos porque Ronaldo Caiado e Romeu Zema demonstram timidez em defender suas próprias ideias (quais?) para o país e, assim, não confrontem a decadente pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. 

A conta do crime https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_0545037487.html 

Com que time?

A bola vai rolar
Qual será a escalação e a estratégia que Ancelotti vai usar na estreia? Fragilidade defensiva pelos lados pode ser um grande problema
Tostão/Folha de S. Paulo 

Quem vai ganhar o Mundial? Tudo é incerto. "Tudo parece fácil e concatenado quando ganhamos; tudo parece disperso e difícil quando perdemos. No entanto, é por tão pouco que se ganha ou se perde. O apito final estabiliza violentamente aquilo que, no transcorrer do jogo, parece um rio catastrófico de mil possibilidades, a nos arrastar com ele", escreveu o filósofo e artista plástico Nuno Ramos.

Qual será a escalação e a estratégia que Ancelotti vai usar na estreia? No jogo contra o Egito, além da eficiente marcação por pressão, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha, amparados por Casemiro, trocaram belíssimos passes e deram ótimas enfiadas de bolas para os atacantes Vinicius Junior e Igor Thiago. O centroavante enrolou-se com a bola e perdeu duas claras chances de gols. Vini também finalizou mal.

Durante a partida, ao ver o quarteto formado por Casemiro, Bruno, Paquetá e Raphinha, lembrei-me de outro excepcional quarteto, o da Copa de 1982, com Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates. Não havia também pontas abertos, pois Eder pela esquerda e Paulo Izidoro pela direita se deslocavam muito para o centro.

Por outro lado, ainda mais depois da contusão de Wesley, o Brasil, contra o Egito, não teve alguém pela direita para defender e atacar nem um jogador pela esquerda que voltasse para marcar, pois Vini e Raphinha atuaram próximos e no ataque. A fragilidade defensiva pelos lados pode ser um grande problema na estreia. Marrocos é muito forte pelas pontas.

Uma opção seria retornar à estratégia dos jogos anteriores, com Matheus Cunha mais recuado e marcando pela esquerda, além de um ponta pela direita (Rayan ou Luiz Henrique). Sairia o centroavante Igor Thiago e Vini e Raphinha fariam a dupla de ataque. Nessa formação, Raphinha não foi bem contra o Panamá, muito centralizado e de costas para o gol. Uma alternativa será a formação de um trio no meio campo, com Casemiro pelo centro, Bruno Guimarães de um lado e Paquetá de outro.

Endrick entrou no segundo tempo contra o Egito e fez um gol decisivo.

Um leitor, ao lembrar o personagem Zé da Galera, criado por Jô Soares durante a Copa de 1982, que ligava para o técnico Telê Santana de um orelhão para reclamar, "Bota ponta, Telê!", me disse que queria fazer algo parecido, telefonar para o técnico e falar: Ancelotti, coloca o Endrick!

O Brasil é um dos candidatos ao título porque possui alguns jogadores que estão entre os melhores da posição do mundo e porque tem um técnico excelente e experiente. Não é por causa do penta nem por ser conhecido como um país que joga um futebol bonito.

Antes da estreia da seleção brasileira na Copa de 1970, Pelé e todos os jogadores, sem relação comercial, usavam, por ser a melhor, a mesma chuteira de uma marca de material esportivo. Aí surgiu um grande problema. Pelé fez um contrato com outra empresa, que tinha uma chuteira que não era tão confortável quanto a outra. O roupeiro da seleção encontrou uma ótima solução: tirou a marca que identificava a chuteira que Pelé costumava usar e colocou a marca da empresa com a qual ele tinha feito o contrato.

Todos gostaram. Pelé e todos nós jogamos com a chuteira que preferíamos, o Brasil foi campeão e as duas empresas ficaram satisfeitas.

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A postura coletiva dos campeões https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/selecao-quem-vai-copa.html 

Minha opinião

Por enquanto, a Copa não emociona
Luciano Siqueira   
instagram.com/lucianosiqueira65   

Os apaixonados pelo futebol, que torcem e se emocionam em qualquer circunstância, certamente dirão que ainda é cedo. Quando a Copa efetivamente começar, na próxima quinta-feira, o clima em relação ao evento mudará.

Será?

Não sou ignorante nem noviço na matéria. Guardo na memória a Copa do Mundo de 1954, transmitida pelas ondas do rádio em autofalante que meu pai instalou na esquina da Mercearia Natalense, cruzamento das ruas Alberto Silva e São João, na Lagoa Seca, Natal.

Depois, a Copa de 1958 e as tantas outras que se seguiram, cercada de um clima de expectativa generalizada - inclusive entre os que de futebol apenas sabem que a bola é esférica -, torcendo pelo time e dando palpite sobre a escalação.

Havia uma intimidade coletiva entre grande parte dos brasileiros e brasileiras a ponto de Nelson Rodrigues asseverar que a seleção canarinho seria, comprovadamente, “a Pátria de chuteiras”.

Era. Hoje nem tanto.

Começa pelo tamanho da competição - 48 seleções em três países – e por uma particularidade de nosso selecionado: a maioria dos torcedores, mesmo os mais atentos, conhece pouco ou nada de uma parcela dos atletas convocados. Boa parte do elenco faz sua carreira na Europa e até na Ásia, tendo saído daqui no iniciozinho da carreira.

O fato é que a cidade ainda não exibe o brilho verde-amarelo, para elem. das lojas especializadas e bancas de vendedores ambulantes.

Há exceções, como a padaria aqui da esquina, ornamentada de verde-amarelo mesclado com motivos juninos, mas de um mau gosto tamanho que in cômoda, não entusiasma.

Talvez até pouco consciente seja também certa repulsa disseminada mundo afora, inclusive em nosso país tropical, a figura de Donald Trump e a verdadeira guerra em que está empenhado o departamento de imigração, constrangendo muita gente que dessem barca nos Estados Unidos para participar do evento.

Tem mais: se na estreia contra o Marrocos o Brasil não for bem, será difícil superar, pelo menos por enquanto, esse estranho clima morno.

[Ilustração: Maria Lassnig]

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O corpo, a técnica e a alma no futebol https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/selecao-alternativas-taticas.html