20 outubro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Uma semana que vale uma década
Campanha de Lula chega à reta final em forte ascensão. Dias decisivos de uma disputa acirradíssima exigem mobilização ainda mais vigorosa para garantir a virada
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br     

A campanha presidencial entra na última semana com dois debates decisivos na televisão. Depois do confronto entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, realizado pela Band em 18 de outubro, os candidatos voltam a se enfrentar na TV Globo, na sexta-feira, 23, após o Jornal Nacional. Na Band, Lula confrontou as acusações de corrupção lançadas pela extrema direita e desafiou os dois candidatos a abrirem os sigilos bancários e telefônicos, inclusive os de seus familiares, para que as acusações sejam examinadas.

Flávio, óbvio, fugiu da raia porque se viu em um beco sem saída. Ele teria de explicar a sua longa lista de investigações e processos de corrupção, justamente quando, pela segunda vez, passa a ser investigado no âmbito do Supremo Tribunal Superior (STF) sobre relações financeiras e acesso a uma conta bancária vinculada a uma empresa offshore, Alcazar Holdings, e pagamentos de viagens em jatos executivos por uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro relacionada a fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A semana começa também com uma demonstração expressiva de mobilização em torno da candidatura de Lula, com grandes manifestações em dezenas de cidades, em todas as regiões do país. É uma onda que não para de crescer e se espraia pelo Brasil, a exemplo de Brasília, que reuniu uma multidão na Esplanada dos Ministérios no domingo, dia 18. No Rio de Janeiro, o Ato Musical pela Democracia ocupou a orla de Copacabana. Outras cidades, como Salvador, Recife, Belo Horizonte, Goiânia, Curitiba e Porto Alegre, realizaram grandes concentrações. Em São Paulo, atos descentralizados mobilizaram apoiadores em diferentes localidades.

Também merece destaque a manifestação de setores da sociedade civil, do centro e da centro-direita, que se posicionam em defesa da democracia e contra a candidatura da extrema direita. Nesse movimento, ganha relevância o manifesto articulado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, que reuniu intelectuais, economistas, acadêmicos e ex-integrantes de governos, entre eles Rubens Ricupero, Miguel Reale Júnior e Aloysio Nunes Ferreira. O documento defende a democracia, a estabilidade institucional e a justiça social e alerta para os riscos representados por Flávio Bolsonaro. Esse movimento de frente ampla também começa a se realizar nos estados.

Outro fator relevante está no desempenho da campanha de Lula na comunicação digital. O presidente ultrapassou Flávio Bolsonaro no Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado pela consultoria Quaest. Entre 4 e 15 de outubro, a pontuação de Lula subiu de 70,7 para 82,6, enquanto a do candidato da extrema direita recuou de 80 para 76,4 pontos. Milhões de ativistas e eleitores/as de Lula engajaram-se no front da guerra digital.

Entre os fatores que impulsionam a expansão da presença digital de Lula está a mobilização e o protagonismo da juventude, que ganhou as ruas e ampliou sua atuação nas redes sociais. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque registrou, entre 5 e 8 de outubro, cerca de 383 mil publicações e 8,2 milhões de interações digitais relacionadas às manifestações estudantis. A mobilização tem à frente União Nacional dos Estudantes (UNE) e sua rede de entidades em todo país e envolve organizações como a União da Juventude Socialista (UJS) e a Juventude Pátria Livre (JPL).

Esses dados são promissores para a reta final da campanha eleitoral. A tendência é que deem um necessário novo impulso que resulte mobilizações ainda mais vigorosas, em um crescendo capaz de levar verdadeiras multidões às ruas no país inteiro, numa grande manifestação patriótica, popular e cívica. A gravidade da situação motivou democratas e patriotas a participar de mobilizações que já são um marco na história do país, defendendo seu futuro e lutando para impedir que a soberania nacional e a democracia sejam usurpadas por forças entreguistas, subordinadas a interesses estrangeiros, verdadeiros traidores da pátria.

Essa discrepância se manifestou com nitidez no debate da Band. Lula, um estadista de reputação internacional, enfrentou um desqualificado, mentiroso, agressivo, inapto para o debate democrático. “Foi um comportamento de moleque. Desrespeitoso, agressivo, desqualificado, fazendo acusações completamente sem dados”, disse a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ). Quando questões essenciais para o país e para o povo foram escrutinadas, Flávio Bolsonaro voltou a se mostrar por inteiro. Lula expôs, mais uma vez, o vínculo estreito do candidato da extrema direita com o crime organizado e sua prática contumaz de disseminar ódio e cultuar a violência.

A exposição chegou ao caso concreto da menina Ana Clara Gomes Machado, de cinco anos, morta por um disparo de fuzil em fevereiro de 2021, em Niterói (RJ). Um policial acusado de efetuar o disparo foi defendido por Flávio Bolsonaro, que assinou um recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que encaminhou o acusado a julgamento popular. No debate, Lula cobrou de Flávio Bolsonaro uma explicação sobre sua posição diante de um caso que envolve a morte de uma criança. Ele, mais uma vez, tergiversou e não respondeu.

Indagado por Lula sobre a contratação, em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), de familiares de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apontado pelo Ministério Público como ligado ao Escritório do Crime, Flávio Bolsonaro mais uma vez se omitiu.

O mesmo ocorreu no tema dos direitos trabalhistas. Lula indagou Flávio Bolsonaro sobre o fim da escala 6×1 e lembrou seu histórico de apoio à “flexibilização” das relações de trabalho. O candidato voltou a tergiversar, sem se dar à honestidade de dizer que, em um eventual governo sob sua liderança, pretende liquidar a conquista da PEC que acaba com a escala 6×1 e reduz a jornada de trabalho, substituindo-a por um modelo que lança os trabalhadores à sanha da exploração assalariada, com a proposta de pagamento proporcional às horas trabalhadas, acabando, na prática, com garantias salariais, férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

Na saúde pública, Lula perguntou se a promessa surreal de levar ao Sistema Único de Saúde (SUS) o padrão de atendimento do Hospital Israelita Albert Einstein significaria privatizar o sistema. Mais uma vez, Flávio Bolsonaro se esquivou. Na prática, a proposta em estudo na campanha prevê desvincular as verbas destinadas à saúde, medida que pode comprometer o financiamento de consultas, exames, cirurgias, distribuição de medicamentos e programas de prevenção e assistência. A mesma receita está sendo estudada para a educação, com riscos para o financiamento das escolas públicas, a valorização dos profissionais e a manutenção e expansão dos programas educacionais.

Lula também questionou Flávio Bolsonaro sobre a adesão do Brasil ao Escudo das Américas, projeto intervencionista dos Estados Unidos na América Latina, apresentado sob o pretexto de combater o crime organizado. O candidato ignorou solenemente as implicações dessa aliança e sua subserviência ao governo de Donald Trump. Ele chegou a oferecer sua equipe de transição, em caso de eleição, a Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano. Flávio Bolsonaro também prometeu entregar aos Estados Unidos as terras raras brasileiras.

Esta é a semana de decidir os rumos do Brasil. Aproveitar cada hora desses dias preciosos. A palavra de ordem é executar com total intensidade as missões direcionadas a pedir e virar votos, com atenção especial aos que seguem indecisos ou que tendem a se abster. Fazer vibrar e brilhar com mais força as ideias da campanha de Lula nas redes e seguir tirando a máscara de Flávio Bolsonaro. Com mais volume e mais espírito de luta, continuar construindo a vitória nas ruas, enchendo praças e avenidas, de gente e de alegria. Conversar com os/as eleitores/as, pessoa a pessoa, por meios diversos.

Os brasileiros e brasileiras se veem diante da responsabilidade histórica de salvar o Brasil do flagelo bolsonarista e assegurar, com a reeleição do presidente Lula, um futuro de desenvolvimento soberano e democrático para o país e prosperidade para o povo. Cada democrata, cada patriota, cada trabalhador, estudante, mulher, jovem, cidadão, cidadã comprometidos com o futuro do país tem um papel a cumprir.

Duas coisas da campanha de agora https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0613695841.html 

Palavra de poeta

Língua ferina
Andréia Carvalho Gavita       

os leões rugem
e me mergulho
na órbita daquele aviso

não entrarás
rugidos partem meu escafandro
e me sufoco
no sumo daquela euforia

e me debato
nos átomos de carbono

não acidificarás

e me respiro
entrando

sou um leão alado
no dorso
pelo cio de archotes
lança chama,
a cabeleira neutra

imersa no voo que me ruge
escrevo
uma vírgula
insurreta

pendente da boca do felino

[Iustração: Sofia Sant'Ana]

Leia também "Sou meu hóspede", poema de Mario Benedetti https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-de-poeta.html 

19 outubro 2026

Bom sinal

Pesquisa BTG/Nexus: empate e alta de Lula sinalizam virada na reta final. Presidente chega a 49,7% dos votos válidos e emparelha disputa com Flávio Bolsonaro a seis dias do segundo turno, impulsionado pelas mulheres, jovens e pela classe trabalhadora. (Portal ‘Vermelho’)

Às ruas, às redes, à virada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/o-fio-da-meada.html 

Relações suspeitas

O que apareceria no extrato de Flávio se ele aceitasse o desafio de Lula?
Da suspeita de cargo fantasma às rachadinhas, imóveis e negócios com Vorcaro, o histórico de Flávio voltou ao debate após Lula propor abrir seus sigilos bancário e telefônico
Lucas Toth/Vermelho    

Flávio Bolsonaro foi ao debate da Band com pose de fiscal da corrupção. Durante boa parte do programa, o candidato da extrema direita passou ao largo das perguntas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre os tantos casos que rondam o 01 do clã.

Lula, no entanto, dobrou a aposta. O presidente disse que aceitaria abrir seus sigilos bancário e telefônico caso Flávio Bolsonaro fizesse o mesmo. “Em vez de ficar falando que é honesto, prove que você é honesto”, cobrou o presidente.

“Eu sou presidente, por doze anos, eu tenho um apartamento de cento e noventa metros quadrados de um milhão e meio [reais]. Esse cidadão [Flávio], que ganha o mesmo salário que eu, comprou uma casa de dez milhões e pagou à vista uma parte dela com dinheiro do BRB, que está metido no caso do banco do Vorcaro”, relembrou Lula.

O candidato do Partido Liberal (PL) não aceitou o desafio. Nas redes sociais, os internautas também passaram a cobrar que Flávio abra os sigilos e mostre ao eleitor o que há por trás da pose de guardião da moralidade. 

E material para alimentar essa cobrança não falta: ao longo de décadas de vida pública do senador, a imprensa reuniu reportagens e documentos sobre negócios, patrimônio e relações políticas que fazem a imaginação do brasileiro correr.

A lista começa muito antes das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde Flávio foi acusado de participar de um esquema de desvio de salários de assessores. Antes de chegar à Alerj, Flávio já havia ocupado um cargo público que levantou sérias suspeitas.

Em dezembro de 2000, aos 19 anos, o 01 foi nomeado assistente técnico na liderança do PPB na Câmara dos Deputados, em Brasília — o partido pelo qual Jair Bolsonaro, seu pai, ocupava uma cadeira —, com jornada de 40 horas semanais. 

Na mesma época, no entanto, ele cursava Direito presencialmente e fazia estágio voluntário na Defensoria Pública, ambos no Rio; antes dele, o posto na Câmara havia sido ocupado por Ana Cristina Siqueira Valle, então mulher de Jair. 

Como o cargo exigia expediente em Brasília, a rotina de Flávio — que cursava Direito e fazia estágio no Rio, a mais de mil quilômetros dali — levanta suspeitas até hoje de que o filho de Jair Bolsonaro fosse funcionário fantasma. 

Flávio deixou o cargo na Câmara em 2002 e, no ano seguinte, assumiu o primeiro mandato na Alerj. 

Foi no gabinete estadual que o Ministério Público do Rio identificou o esquema das rachadinhas: segundo a acusação, assessores devolviam parte dos salários, e Fabrício Queiroz recolhia e movimentava o dinheiro. A investigação seguiu esse caminho até os negócios imobiliários do senador. 

Os promotores apontaram R$638,4 mil em depósitos em dinheiro vivo na conta de um corretor ligados à compra de dois apartamentos e questionaram o lucro de 292% declarado por Flávio na revenda, muito acima dos 11% de valorização da região. A suspeita é de lavagem de dinheiro com o recolhimento dos salários dos servidores.

Em 2021, o STJ anulou quebras de sigilo usadas na investigação; no ano seguinte, a Justiça do Rio arquivou a denúncia. Mas a história dos imóveis não saiu do noticiário. 

Naquele mesmo ano, Flávio comprou uma mansão no Lago Sul em Brasília por quase R$6 milhões, dos quais R$3,1 milhões foram financiados pelo BRB em 360 prestações. O banco não informou as condições do contrato, alegando sigilo bancário — justamente o tipo de informação que o desafio de Lula poderia ajudar a esclarecer.

Rachadinha, imóveis, Banco Master, hospitais federais e relações com personagens de outros escândalos: esse foi o repertório que Flávio deixou fora do debate. A lista a seguir reúne os principais episódios que fazem a pose de guardião da moralidade desabar. 

Os casos e suspeitas que cercam Flávio

Rachadinha na Alerj: o Ministério Público do Rio apontou Flávio como figura central num esquema em que assessores devolveriam parte dos salários. Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete, foi apontado como operador. Decisões judiciais anularam provas obtidas com quebras de sigilo, e Flávio não foi condenado.

Imóveis e dinheiro vivo: na mesma investigação, o MP suspeitou que Flávio e a mulher usaram dinheiro em espécie para ocultar valores em negócios imobiliários. Um relatório apontou R$638,4 mil em depósitos em dinheiro ligados à compra de dois apartamentos e questionou o lucro declarado na revenda. 

A compra de uma mansão de quase R$6 milhões em Brasília também chamou atenção, em 2021, porque o senador era investigado por suspeitas envolvendo imóveis.

Banco Master e o filme Dark Horse: Flávio mentiu sobre sua relação com Daniel Vorcaro: primeiro disse que não conhecia o ex-banqueiro; depois, quando questionado sobre o financiamento do filme, chamou a informação de “mentira”.

Mensagens divulgadas mais tarde mostraram o senador negociando US$ 24 milhões — cerca de R$ 134 milhões — e chamando Vorcaro de “irmão”. Ao menos US$ 12,3 milhões, mais de R$ 65 milhões, foram transferidos ao fundo que administrava os recursos do filme. 

Só depois da divulgação das conversas Flávio admitiu a negociação, que passou a chamar de patrocínio privado. A Polícia Federal investiga suspeitas ligadas à origem e ao caminho do dinheiro.

Careca do INSS: reportagem do ICL mostrou que uma empresa de capacetes ligada a Flávio funcionava no mesmo endereço e usava a mesma contabilidade de empresas associadas a Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, preso no caso dos descontos ilegais em aposentadorias. A coincidência levanta suspeitas de de ligação entre o Careca do INSS e o 01.

Hospitais federais no Rio: Durante o governo do pai, Flávio interferiu nas indicações e decisões dos seis hospitais federais do Rio, embora não ocupasse cargo na área da Saúde. 

Em 2019, contestou a nomeação de Paulo Cotrim para o Hospital de Bonsucesso; menos de um mês depois, Cotrim foi exonerado. Na pandemia, leitos ficaram fechados por falta de profissionais e, no fim de 2020, 3,5 mil contratos foram encerrados. 

Auditorias do TCU e da CGU identificaram editais com sobrepreço de R$69 milhões em insumos e R$18,1 milhões em medicamentos. 

No debate, Lula cobrou: “Eu queria fazer a pergunta, se ele tem noção da destruição que ele fez nos seis hospitais federais do Rio de Janeiro, que nós agora estamos recuperando”.

Willer Tomaz e a rede de relações de Flávio: A Polícia Federal investiga se Flávio atuou com o advogado Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. O inquérito no STF surgiu de uma apuração sobre lavagem e evasão de divisas por meio de bets. Ao analisar os e-mails de Tomaz, a PF encontrou registros que apontam Flávio como “usuário master” de uma conta da empresa Alcazar Holdings, administrada pelo advogado, até maio de 2025.

A investigação também identificou ao menos cinco viagens internacionais feitas juntos em 2025; documentos indicam que Tomaz bancou viagens do senador e de familiares. 

Em uma delas, Flávio viajou num jato operado por uma empresa que tinha Daniel Vorcaro como sócio e Tomaz como cotista de uso. Flávio chamava o advogado de “meu amigo Willer Tomaz” e também atua ao lado dele em processos judiciais.

Apartamento usado na campanha: uma representação eleitoral questionou o uso de um imóvel ligado a Willer Tomaz durante a campanha e apontou possível despesa ou doação não declarada. A denúncia ainda não comprova irregularidade.

Kopenhagen e Alexandre Santini: Flávio foi sócio de Santini numa franquia da Kopenhagen na Barra da Tijuca. A loja entrou na investigação das rachadinhas porque, segundo o Ministério Público, movimentava dinheiro em espécie e registrava um faturamento incompatível com as transações.

Mergulhado em lama fétida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/denuncia-grave.html 

Detalhe que importa

Lula venceu a do melhor do debate
“Até teu pai” foi o momento alto do enfrentamento na Band
Nesletter ‘Primeiro café’ 
       

Nem o mais otimista eleitor do Lula esperava que, diante de Flávio super treinado para a mentira, o octogenário vencesse a disputa pelo melhor corte do debate. Mas aconteceu, e logo no primeiro bloco. Quando Flávio, acuado e nervoso, questionou porque Lula recebeu voto de “75% dos presidiários”, o presidente respondeu que ele queria 100% dos votos, “até o teu pai”.

O corte de poucos segundos viralizou rapidamente nas redes sociais e está sendo visto por milhões de pessoas. Foi difundido inclusive pela imprensa do exterior. Este será, para a grande maioria da população brasileira, o resumo do primeiro debate entre os dois candidatos à presidência.

De resto, o debate foi excelente como entretenimento e vazio de conteúdo. O primeiro bloco se resumiu em Lula pressionando Flávio pelas muitas respostas que ele deve à população e o opositor fugindo e trazendo assuntos aleatórios para não responder. Flávio tem a seu favor apenas o fato de não ser Lula e insistiu no tradicional meme “e o Lula? E o PT?” em absolutamente todas as perguntas incômodas.

Destaco ainda que Lula conseguiu extrair do adversário a confissão do desastre que foi o governo do pai dele durante a pandemia. E ainda respondeu muito bem à proposta de Flávio de trazer um administrador do sistema privado para o SUS plantando a dúvida sobre se o candidato da extrema direita pretende privatizar a saúde pública.

Em geral, Flávio adotou uma postura arrogante no comportamento e no discurso, o que não passará batido pela opinião pública. Lula, por sua vez, cometeu alguns tropeços de fala, se apegou a assuntos pouco relevantes nesta altura, mas respondeu e perguntou de forma incisiva.

Quem viu o debate saiu com a certeza de que Flávio é mentiroso, despreparado e moleque e que Lula está nervoso com a possibilidade de derrota e que já dá sinais de cansaço.

Ilustração: charge de Gilmar

Gastando muito? Corra ao endocrinologista! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01136127338.html 

BBC: empatados

O candidato Flávio Bolsonaro aparece empatado com o presidente Lula nas intenções de voto para presidente no segundo turno, de acordo com o Agregador de Pesquisas da BBC News Brasil. Com um detalhe: Lula em ascensão.  

Debate na TV para quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0643838648.html 

Minha opinião

Debate na TV para quê?
Luciano Siqueira   

Colunistas de diversos matizes e diferentes órgãos de imprensa — mesmo alguns de viés direitoso — opinam que no debate da Band, ontem à noite, o candidato Flávio Bolsonaro, da extrema direita, recusou-se a responder a todas as perguntas que o presidente Lula ele fez e se esmerou em provocações de baixíssimo nível. 

Regras permissivas deram margem ao deplorável espetáculo. 

Para que servem mesmo esses debates?

Se a intenção fosse cotejar diferentes proposições entre os candidatos oponentes, as regras seriam certamente outras. 

Por que não o espaço para que jornalistas fizessem perguntas aos candidatos? 

O fato é que chegamos à reta final da campanha no segundo turno com Lula em ascensão, apoiado em manifestações públicas de centenas de milhares que ultrapassam milhões, pelo Brasil afora, incluindo cidades do interior.

Em contraposição, a campanha do candidato do PL apela a factoides e provocações absolutamente contrastantes com a postura de um pretendente ao mais alto cargo da República.

Para além da minha posição política e ideológica, cá com meus botões, sinceramente, acredito que já viramos a peleja e são reais as possibilidades de reeleição do Presidente Lula.

Agiganta-se a campanha de Lula nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0368111707.html