08 outubro 2026

Minha opinião

As ruas, as redes e o almoço do domingo*
Luciano Siqueira     

1.
Vencer é possível, desde que se articulem de modo eficiente sagacidade tática e mobilização social. 
 
O comando nacional da campanha, pela voz do próprio Lula, considera erros e insuficiências do primeiro turno e os corrige para a nova fase da luta. 
 
O discurso do presidente tem sido correto, especialmente desde o momento em que bem articulou a defesa da soberania nacional com as políticas de governo e seus benefícios sociais. 
 
Superou o discurso meramente economicista — o das chamadas "entregas" — e o politizou com clareza acessível ao povo. 
 
2.
Mas não foi o suficiente. Muitos fatores de ordem política e social imediatos possibilitaram que o candidato da extrema-direita conquistasse mais votos.
 
Difícil examinar a questão sob todos os aspectos ainda no curso da batalha, mas é razoável supor que levamos desvantagem na frente digital. 
 
É possível reverter a correlação de forças nessa frente de luta? Completamente, não; mas podemos melhorar muito — sobretudo fazendo convergir as centenas de milhares de iniciativas militantes e espontâneas para um mesmo conteúdo e nas formas mais adequadas. 
 
Mas não cabe a ilusão de que as Big Techs, que controlam as redes e as manipulam via algoritmos, deixem a coisa correr solta. Por todos os meios agem para possibilitar a vantagem do adversário. 
 
3.
As manifestações de massas — a exemplo das que ocorrem nos ambientes das Universidades — podem e devem crescer muito. 
 
Alimentam as redes digitais e por elas são impulsionadas. 
 
Ou seja, a luta nas redes e nas ruas! 
 
Mais: fazer com que a luta pelo voto chegue ao
almoço do domingo — esse momento em que familiares e amigos mais próximos se encontram.

Um quase-ritual de convivência e afetividade, quando se conversa sobre tudo e sempre há uma liderança natural: o pai ou a mãe, avô ou a avó, um jovem mais letrado e assim por diante.
 
Aí também flui a campanha, de modo natural e espontâneo, envolvendo milhões de eleitores. Quem sabe uma trincheira onde se possa motivar os que se abstiveram e ganhar os indecisos.

*Texto da minha coluna semanal no portal 'Vermelho"

Leia também: Segundo turno é uma nova campanha https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/segundo-turno.html 

Postei nas redes

Flávio Bolsonaro promete cortar R$ 190 bilhões nos gastos públicos e tira do plano de governo o Farmácia Popular. 27 milhões de brasileiros podem ficar sem remédios. 

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

Fotografia

 

Luciano Siqueira

Segundo turno é uma nova campanha https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/segundo-turno.html 

Humor de resistência

 

Nando Motta

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

Em todas as frentes

“Eu acredito é na força do povo”, diz Lula após reunião com influenciadores
Nessa nova fase da campanha rumo ao segundo turno, presidente reúne parlamentares jovens recém-eleitos e veteranos para unificar estratégia de virada e vitória
Priscila Lobregatte/Vermelho     

Como parte da estratégia para virar o jogo no segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu, nesta quarta-feira (7), com um grupo de jovens influenciadores de esquerda que venceram as eleições para a Câmara Federal no último domingo (4) e deputados já experientes com grande presença nas redes.

“Eu acredito é na força do povo! Encontramos hoje nossos parlamentares eleitos pelo Brasil. E que alegria ver uma bancada tão diversa, com a cara do nosso povo”, disse Lula após o encontro.

“Tem mulher, tem homem, tem juventude, tem gente de todo canto desse país, com histórias e caminhos diferentes, mas com uma luta em comum: eleger o Brasil que sonha grande, que abre portas e que garanta mais direitos para cada uma e cada um. É por isso que a gente luta. É por isso que a gente acredita. E é por isso que a democracia vale tanto! O Brasil vai avançar!”, completou. 



O objetivo é montar uma força-tarefa unificada para intensificar a presença e a adesão a Lula via redes através também de lideranças que se destacam no diálogo por meio das plataformas.

Entre os presentes estavam candidatos eleitos ou reeleitos para a Câmara dos Deputados, como Giovana Mondardo (PCdoB-SC) Guilherme Cortez (PSOL-SP), Ana Elisa (PT-MG) e Ana Júlia Ribeiro (PT-PR) e Anielle Franco (PT-RJ), que cumprirão seu primeiro mandato, além de outros mais experientes, como Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Maria do Rosário (PT-RS), Zeca Dirceu (PT-PR), Rogério Correia (PT-MG), Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) e Natália Bonavides (PT-RN), entre outros.

Uma das mudanças na estratégia já foi notada: Lula aumentou a frequência de selfies mais espontâneos, o que tende a engajar mais as pessoas e facilitar a chegada e disseminação das mensagens.

Bora Lula!

Logo após a reunião, Lula gravou um desses vídeos com os influenciadores. “Bora trazer os meninos e meninas do Pé-de-Meia para votar! Bora falar com a juventude”, disse. Em duas horas, somente o vídeo publicado no Instagram havia sido visualizado por 2,8 milhões de pessoas e recebido mais de 853 mil curtidas e 120 mil comentários.

Jandira Feghali também se manifestou pelas redes: “Acabo de sair de uma reunião empolgante com o presidente Lula e parlamentares eleitos e atuais em Brasília. Vamos intensificar nossas ações nesta reta final e garantir a virada da democracia contra a bandidagem bolsonarista no segundo turno! Estamos nas redes e nas ruas do Brasil para alcançar os indecisos que não foram às urnas no primeiro turno. Vamos à luta!”.

Em seu perfil, Giovana, atualmente vereadora em Criciúma (SC) e uma das candidata a deputada federal mais bem votadas em seu estado, declarou: “A nova geração de políticos brasileiros está preparada para eleger Lula presidente! Agora é guerra! Nas redes e nas ruas!”.

Já Ana Elisa que, como diz sua bio, “é a primeira mulher preta eleita aos 21 anos deputada federal na história do Brasil”, declarou após a reunião: “a minha vida só foi melhor do que a da minha mãe, da minha avó, da minha bisa e de todos os meus ancestrais porque, quando eu nasci, Luiz Inácio Lula da Silva já era presidente da República. Talvez, para você, não mude nada se ele ganha ou perde. Mas quem tem uma família que nasceu às margens do Estado sabe o que ele trouxe para nós: a dignidade perdida desde a colonização”.

Guilherme Cortez, eleito deputado federal por São Paulo, também esteve na reunião e, pelas redes, declarou: “Tropa preparada para ganhar a eleição”.

Esclarecer é preciso https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/esclarecer-e-preciso.html  

07 outubro 2026

Palavra de poeta

SEGUNDO TURNO
Marcelo Mário de Melo    
 
Vamos alargar os passos
alongar os braços
ampliar apelos.
 
Tela a tela
rua a rua
porta a porta.
 
Em turnos 
diurnos e noturnos.
 
Vamos impedir
a nuvem cinza
e afirmar
a luz do sol
a luz da lua
a luz do L.

Imagem produzida por IA

O fascismo não nos intimida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/palavra-do-pcdob.html 

Dica de leitura

O crime nas altas rodas
Luciano Siqueira     

Frequentemente o noticiário nacional dá conta da imbricação do crime organizado com altas rodas do capital financeiro. O artigo Milícias, Faria Lima e governos: a zona cinza, de Marcelo Phintener, no site Outras Palavras https://outraspalavras.net/crise-brasileira/milicias-faria-lima-governos-a-zona-cinza/ faz boa abordagem do tema.

A "zona cinza" refere-se à diluição da fronteira entre a economia formal (representada simbolicamente pelo centro financeiro da Faria Lima) e as economias informais/ilegais (milícias e crime organizado).

O capital acumulado com atividades ilícitas (extorsão, controle de territórios, venda de serviços piratas, grilagem de terras) necessita ser “bancarizado”, reinvestido ou lavado em ativos legais (mercado imobiliário, fundos de investimento, empresas de transporte e combustíveis).

Daí organizações criminosas recorrerem aos complexos mecanismos do mercado de capitais - fundos imobiliários, fintechs pouco regulamentadas e estruturas societárias em camadas - que servem de fachada para a lavagem de ativos, sem que as instituições financeiras exerçam a devida fiscalização.

O mercado financeiro muitas vezes absorve esses fluxos de capital de forma pragmática, viabilizando a integração do dinheiro ilícito no circuito legal.

A análise dessa “zona cinza” aponta como agentes do Estado podem atuar por omissão, cooptação ou simbiose.

Por exemplo, a infraestrutura estatal (licenciamento urbano, concessões públicas, segurança pública) passa a conviver ou é gerida em consonância com interesses milicianos e de grupos econômicos.

Assim, a união do poder bélico e territorial (milícias) com o poder institucional (governos) e o poder financeiro (Faria Lima) cria uma nova forma de governança urbana, onde o cidadão comum perde direitos e a própria soberania do Estado se transforma em um modelo corporativo-miliciano.

Nada simples. É o crime praticado com altíssimo grau de sofisticação, envolvendo interesses poderosos e representado na esfera pública (Poderes Executivo e Legislativo ao nível dos três entes federativos) e empresarial.

Ilustração: imagem produzida por IA

Ao acabar com as bets, Lula atende clamor popular https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_0212001759.html