26 setembro 2026

Informações distorcidas

A mídia flerta com o desastre
Cobertura das eleições joga no lixo compromisso com os valores democráticos
Rodrigo Vianna/Liberta      

O primeiro sinal veio naquela tarde em que a GloboNews, no programa conduzido por Andréia Sadi, exibiu o PowerPoint terrivelmente bolsonarista que tentou colar em Lula o escândalo do banco Master. Como até as palmeiras do Jardim Botânico já sabiam, Daniel Vorcaro virou banqueiro graças à proteção de Jair Bolsonaro, Campos Neto e de sua gangue mercadista. E não por causa de Lula, que o transformou em presidiário.

Os ingênuos viram no episódio do PowerPoint apenas a ação desastrada de um editor que – mais realista que o rei – decidiu vincular a estrela do PT a Vorcaro, pensando que assim garantiria promoções internas. Acabou demitido, porque a Globo espera alguma sutileza dos que se dispõe a trabalhar em favor dos interesses da família Marinho.

Ali, em março de 2026, já se desenhava qual seria o papel da mídia hereditária diante de mais uma ameaça à democracia no país. A Globo pediu desculpas pelo PowerPoint criminoso, mas não pediu desculpas – e nem pedirá – por “normalizar” Flávio Bolsonaro, deixando de expor suas ligações com a milícia e sua disposição para transformar o Brasil numa colônia submetida a Trump.

A maior irresponsabilidade da chamada “imprensa profissional”, ao longo da atual campanha, foi tratar Flávio como um candidato normal. O silêncio das redações não foi inocente: pavimentou o caminho para o filhote de Jair avançar, vendendo a imagem impossível de um “bolsonarista moderado”.

Passaram-se os meses e, em maio, coube ao Intercept Brasil mostrar que Flávio (e não Lula) era o irmãozão de Vorcaro. O áudio em que o “01” pedia dinheiro ao banqueiro bandido vazou graças ao trabalho do jornalista Paulo Motoryn, que hoje integra a equipe do ICL Notícias.

Durante dois meses, a aliança tácita entre Flávio Bolsonaro, Faria Lima e mídia hereditária desmoronou, não sendo mais capaz de oferecer proteção ao candidato das milícias. Para completar, coube à madrasta Michelle lembrar que ele é autoritário e maltrata as mulheres – seguindo a linhagem paterna.

Junho e julho foram os piores meses da campanha para Flávio: Lula chegou a abrir dez pontos de vantagem nas pesquisas de primeiro turno. Foram os únicos meses em que a sociedade conseguiu enxergar quem é o candidato do PL, sem o véu protetor da imprensa amiga.

O galope desgovernado do dark horse ameaçava conduzir o bolsonarismo ao precipício eleitoral. Mas, então, o dispositivo midiático voltou a operar, municiado por André Mendonça e pelos lavajatistas incrustrados em seu gabinete no STF.

A mídia hereditária, comandada pela Globo, tentou empatar o jogo da corrupção, criando uma falsa equivalência entre dark horse e as ligações do filho de Lula com uma lobista de terceiro escalão. Foram semanas de bombardeio, em que Fábio Luís frequentou o Jornal Nacional, as manchetes do UOL, do G1 e de sites menores a serviço da extrema direita. Durante esse período, Flávio voltou à redoma protegida.

Coube a repórteres fora da chamada “grande imprensa” manter a luz acesa, para mostrar quem é o candidato do Partido Liberal: filhote de Jair, sim; mas filho também das rachadinhas, que permitiram à família comprar 51 imóveis em dinheiro vivo, como já havia demonstrado a repórter Juliana dal Piva. Filho dos esquemas de Willer Tomaz, o advogado que caça negócios suspeitos em safáris na África do Sul ao lado do “01”.

A tática da família Marinho (como já ocorrera em 2006, 2010 e 2014) era bombardear o candidato do PT para impedir uma vitória em primeiro turno. O dito mercado exigia um Lula mais fraco, que fosse obrigado a negociar compromissos com a banca num segundo turno.

A sabatina de Lula no JN se transformou no símbolo de um jornalismo vassalo e emporcalhado: com o país sob cerco dos Estados Unidos, os dois apresentadores globais gastaram mais da metade da entrevista com perguntas sobre o filho do presidente. Sim, uma ou duas perguntas sobre o tema talvez fossem necessárias, mas a desproporção foi absoluta: o tarifaço, as ameaças de Trump e a interferência externa na eleição foram ignorados pela Globo.

Viúvas da Lava Jato

Em meados de setembro, circularam informações – trazidas por esta Revista Liberta, na coluna Reserva Exclusiva – de que amigos da família Marinho na direita liberal estavam preocupados: a Globo havia exagerado na dose, na tentativa de enfraquecer Lula, e deixou aberto o caminho para que o filho de Jair avançasse nas pesquisas.

Para completar, as viúvas da Lava Jato na imprensa foram alimentadas pela ação calculada de André Mendonça, que jogou Alexandre de Moraes aos tubarões. Agiu como um pixuleco eleitoral do bolsonarismo, com apoio ostensivo nas redações.

Sim, Moraes deve explicações à sociedade pelas relações com Vorcaro. Mas só ele? Mais uma vez, coube a jornalistas da chamada imprensa alternativa mostrar que Mendonça, terrivelmente evangélico e golpista, estava também terrivelmente envolvido com esquemas do banqueiro bandido.

É verdade que o bolsonarismo teria força, por si só, nas redes sociais. Também é fato que Lula 3 não conseguiu criar a mesma sensação de bonança econômica verificada entre 2003 e 2012. Esses fatores e mais o cerco trumpista já tornariam o caminho difícil para Lula em 2026.

Mas a falta de compromisso de boa parte dos meios de comunicação com a defesa da democracia e da independência nacional faz com que cheguemos à reta final da eleição sob ameaça de um desastre. Durante seis meses, a prioridade dos grupos tradicionais de imprensa – que ainda cumprem o papel de pautar o debate junto a setores não polarizados – foi enfraquecer Lula e pavimentar o caminho para um candidato que nasceu das milícias e do golpismo dos quartéis.

Coube ao Estadão – jornal carcomido, e que no passado falava em nome da elite paulista – dar nome aos bois, nesta penúltima semana antes do primeiro turno. O diário publicou editorial alertando para o risco de eleger Flávio, candidato coberto pela “sombra dos milicianos”.

O alerta, talvez, esteja chegando tarde.

Se o Brasil for capaz de evitar o desastre, isso terá acontecido apesar de o “jornalismo profissional” ter jogado no lixo o compromisso com valores democráticos.

Dois mil e vinte e seis marca o momento em que jornalismo de verdade se fez fora das redações tradicionais: no ICL, no Intercept Brasil, na Piauí, na Fórum, na Carta Capital e em dezenas de sites e pequenos produtores de conteúdo que não desistiram de mostrar ao país o risco de se entregar a maior nação latino-americana nas mãos de um filho da milícia, da corrupção e da vassalagem ao Império.

A palavra contundente de Lula no Recife https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html

Dica de leitura

Solução para os juros altos
Luciano Siqueira    

Leitura oportuna, particularmente para quem se debruça sobre os gargalos de nossa economia na perspectiva de um quarto governo Lula.

O artigo "André Lara Resende: uma proposta para eliminar os juros absurdos" , publicado no Portal da Fundação Maurício Grabois https://grabois.org.br/2026/09/25/andre-lara-resende-uma-proposta-para-eliminar-os-juros-absurdos/ , lança luz sobre a política monetária brasileira e a dinâmica fiscal do país.

O ex-diretor do Banco Central argumenta que o verdadeiro desequilíbrio fiscal do Brasil não decorre dos gastos com serviços, funcionalismo ou políticas sociais (déficit primário), mas sim do serviço da dívida pública imposto pelas elevadas taxas de juros.

Os juros elevados elevam dramaticamente o custo médio da dívida brasileira, corroendo os recursos públicos (gerando déficits nominais expressivos) e transferindo renda para o setor financeiro e detentores de títulos.

O artigo questiona o dogma de que manter a taxa básica de juros (Selic) em níveis acelerados é a única forma de controlar a inflação ou garantir a renovação fiscal.

Ao contrário, juros extraordinariamente altos tornam a dívida pública insustentável, criando uma verdadeira ameaça à estabilidade fiscal — pois alimentam a desconfiança sobre a capacidade de pagamento do Estado no longo prazo.

Demais, a taxa Selic superelevada inibe o investimento produtivo, encarece o crédito para empresas e famílias, atua contra o crescimento do PIB e aprofunda as desigualdades sociais.

Para superar essa armadilha e destravar o desenvolvimento econômico, Lara Resende defende outra agenda: transição guiada para alinhar a taxa básica de juros a patamares neutros/razoáveis, cortando o custo da dívida; superar a fixação exclusiva em metas de déficit primário zero ou em arrocho fiscal pontual, adotando uma visão sistêmica sobre o arcabouço fiscal; . intervenções cambiais pontuais pelo Banco Central para conter pressões inflacionárias decorrentes de desvalorizações do real, sem depender unicamente do aumento da Selic para segurar o câmbio.

Ou seja, a redução dos juros é a saída para o desequilíbrio fiscal . Baixando o custo do endividamento, o Estado ganha sustentabilidade nas contas públicas e abre espaço para investimentos em infraestrutura e serviços públicos fundamentais.

Leia também: A reprimarização do Brasil e a possível virada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/brasil-desafios-do-desenvolvimento.html 

Fotografia

 

Pedro Nunes

"A rosa que inspira e a solidão que dói" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/minha-opiniao_18.html 

Sylvio: força do povo

O Recife viu, participou e aplaudiu no centro da cidade um Galo da Madrugada fora de época. Assim foi como pareceu o desfile de Lula, com uma multidão incalculável ao seu redor, numa verdadeira consagração.  

Sylvio Belém  

A força das ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/lula-no-recife-e-em-maceio.html


MP das bets

Lula anuncia fim das bets e define prazo para saque de saldos
Medida provisória bloqueia novos depósitos, determina retirada voluntária até 5 de outubro e prevê devolução posterior dos valores; sites e aplicativos serão bloqueados no dia 6
Cezar Xavier/Vermelho     

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta sexta-feira (25), em São Paulo, uma medida provisória (MP) que determina o fim das plataformas de apostas on-line, as chamadas bets, no Brasil. A partir da publicação da medida, ficam proibidos novos depósitos nas plataformas.

O governo estabeleceu 5 de outubro, às 23h59, como prazo para que os apostadores retirem voluntariamente os saldos que ainda estiverem nas contas. A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos deverão sair do ar.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a decisão foi tomada diante dos impactos sobre a renda das famílias, o endividamento e a saúde pública.

“A partir de hoje não se pode mais colocar dinheiro nos sites de apostas do país”, disse Durigan durante o evento que anunciou a medida.

Lula: “o cassino está na cozinha, está na sala”

Em seu discurso, Lula relatou conversas que manteve com pessoas endividadas pelas apostas. Entre os casos mencionados, citou um jovem que devia R$ 10 mil, embora recebesse R$ 4 mil por mês; um pequeno empresário que acumulou uma dívida de R$ 2,2 milhões; e uma mulher de 27 anos que, segundo o presidente, acumulou R$ 630 mil em dívidas.

“Eu tomei a decisão por uma medida dura e drástica necessária”, afirmou. Lula comparou a situação ao avanço de uma doença grave e disse que a solução, em sua avaliação, exigia a retirada das bets do mercado.

O presidente também destacou relatos de pessoas que enfrentaram sofrimento psicológico e tentativas de suicídio associados às dívidas. “Não é brincadeira. É uma coisa muito séria”, disse.

Para Lula, o problema ganhou uma dimensão inédita porque as apostas passaram a estar permanentemente disponíveis nos celulares. “Esse país trouxe o cassino para dentro de casa. O cassino tá na cozinha, tá na sala”, afirmou, ao defender a necessidade de controle sobre a atividade.

  • “Não dá para induzir o pobre a acreditar que vai ficar rico”

Outro eixo do discurso presidencial foi a crítica à publicidade das bets. Lula citou como exemplo uma propaganda em que uma mulher não consegue pagar uma compra no supermercado, aposta e, depois de ganhar, volta para quitar a conta.

Para o presidente, esse tipo de mensagem cria uma expectativa de que as apostas possam funcionar como alternativa para resolver dificuldades financeiras.

“Não dá para induzir as pessoas humildes e mais necessitadas de que vai receber a sua vida jogando”, afirmou.

Como funcionará a devolução do dinheiro

O governo montou um cronograma para os apostadores que não conseguirem retirar seus recursos diretamente até o prazo final.

Confira as principais datas:

  • 25 de setembro a 5 de outubro: apostadores podem retirar voluntariamente os saldos, até 23h59 do dia 5;
  • 6 de outubro: sites e aplicativos serão bloqueados;
  • 7 e 8 de outubro: as empresas deverão consolidar os saldos individualizados por CPF e encaminhar as informações aos bancos;
  • 9 a 14 de outubro: os valores deverão ser devolvidos aos apostadores por meio do sistema bancário;
  • 14 de outubro: segundo o governo, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar a devolução nos casos em que houver impedimentos.

A orientação do governo é que quem possui dinheiro nas plataformas faça o resgate diretamente antes do bloqueio. Para os valores que permanecerem nas contas, o mecanismo anunciado prevê a identificação dos apostadores pelo CPF e o encaminhamento das informações às instituições financeiras.

O governo também informou que mecanismos de garantia e caução exigidos das empresas poderão ser utilizados para assegurar o cumprimento das obrigações.

Publicidade e patrocínios também serão encerrados

A MP também estabelece o fim da publicidade das apostas. Novos contratos de propaganda não poderão ser firmados após a publicação da medida.

Contratos já existentes terão prazo até 5 de outubro para serem encerrados. Depois dessa data, segundo o governo, não deverão permanecer no país anúncios nem patrocínios legais vinculados às bets.

A decisão atinge um mercado que, desde 2025, vinha funcionando sob autorização e fiscalização federal. Segundo o Ministério da Fazenda, desde 1º de janeiro daquele ano somente empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) poderiam operar nacionalmente.

Governo promete reforçar combate ao mercado ilegal

Com a proibição das plataformas autorizadas, o governo prevê o reforço das ações contra sites clandestinos.

A estratégia envolve Ministério da Fazenda, Ministério da Justiça, Receita Federal, Polícia Federal, Anatel e Advocacia-Geral da União. Entre as medidas anunciadas estão o bloqueio de sites e aplicativos irregulares e o rastreamento das movimentações financeiras relacionadas às apostas ilegais.

O governo pretende também interromper transferências via Pix e TED destinadas a operadores clandestinos e utilizar mecanismos de identificação de transações para bloquear o fluxo financeiro.

A ofensiva ocorre em um cenário no qual a fiscalização do mercado ilegal já vinha sendo ampliada. Em 24 de setembro, o Ministério da Justiça informou ter determinado a remoção de 1.367 páginas e perfis usados para divulgar plataformas irregulares de apostas — 1.274 páginas no Facebook e 93 perfis no Instagram.

Da regulamentação à proibição

A decisão representa uma mudança significativa na política federal para o setor.

As apostas de quota fixa foram legalizadas no âmbito esportivo pela Lei 13.756/2018, durante o governo golpista de Michel Temer. Ficou sem qualquer regulamentação e sem pagar impostos durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2023, a Lei 14.790 ampliou o marco legal e incluiu os jogos on-line que regulamentou-os tributariamente.

Durante o governo Lula, o Ministério da Fazenda criou, em 2024, a Secretaria de Prêmios e Apostas, responsável por regulamentar, autorizar e fiscalizar o mercado. O governo estabeleceu regras para publicidade, integridade, proteção dos apostadores e funcionamento das empresas.

A partir de 2025, apenas operadores autorizados passaram a poder atuar legalmente em âmbito nacional. O governo também criou mecanismos para impedir que beneficiários de programas sociais realizassem apostas, diante da percepção de que beneficiários do Bolsa Família estavam perdendo os recursos destinados em bets.

A decisão anunciada agora, portanto, substitui o modelo regulatório por uma política de proibição.

Saúde pública entra no centro da justificativa

Durante o anúncio, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresentou dados sobre os impactos sociais e sanitários associados ao jogo problemático.

Segundo Padilha, o custo social relacionado aos danos provocados pelas apostas eletrônicas chega a R$ 38,8 bilhões por ano, incluindo custos associados a mortes por suicídio, perda de qualidade de vida e tratamento de depressão.

O governo também destacou a utilização do mecanismo de autoexclusão criado para permitir que usuários solicitem seu afastamento das plataformas. Dados apresentados pelos ministros indicam que mais de 1,3 milhão de pessoas já recorreram ao mecanismo.

A avaliação oficial é que o problema não se restringe ao comportamento individual dos apostadores e passou a exigir resposta das políticas públicas de saúde, assistência e proteção da renda.

Na mesma cerimônia, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, apresentou o Desenrola 3, nova modalidade destinada à reestruturação de dívidas de pessoas físicas.

O desenho anunciado prevê que o governo adquira carteiras de dívidas bancárias inadimplidas, permitindo descontos que, segundo Moretti, deverão ser de pelo menos 90%. A proposta pretende alcançar até R$ 150 bilhões em dívidas, com foco em débitos de cartão de crédito e crédito pessoal.

Medida ainda depende do Congresso

Embora a medida provisória tenha efeito imediato após sua publicação, sua vigência não é definitiva.

Pela Constituição, uma MP precisa ser apreciada pelo Congresso Nacional dentro do prazo constitucional. Deputados e senadores poderão aprovar o texto, modificá-lo ou rejeitá-lo. Se não houver deliberação dentro do prazo, a medida perde eficácia.

Além da MP, o governo anunciou o envio de um projeto de lei com regras penais mais rígidas para quem operar ou promover apostas ilegais.

A partir de agora, portanto, a proibição anunciada pelo Executivo entra em uma segunda etapa: a implementação das medidas de bloqueio e devolução dos saldos e, no Congresso, a discussão sobre a permanência ou alteração do novo marco para as apostas no país.

A discussão sobre as bets vinha ocupando espaço crescente no debate político e econômico. Levantamentos recentes registraram forte apoio popular a restrições ao setor, ao mesmo tempo em que empresas, clubes esportivos e representantes do mercado questionam os efeitos econômicos da proibição.

A disputa pelo Senado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0646797896.html 

Duas caras diante das bets

As mentiras de Flávio Bolsonaro sobre as apostas online
Miriam Leitão/O Globo    

Em uma eleição, costuma-se dizer, que a primeira vítima é a verdade. Então a construção de uma versão que não corresponde a fatos acontece. Mas no caso do senador Flávio Bolsonaro as mentiras são grandes demais e viram uma forma de engodo e manipulação. 

Sobre as apostas esportivas a verdade é que a permissão foi aprovada no governo de Michel Temer para serem regulamentadas no governo seguinte. Jair Bolsonaro não regulamentou de propósito, as empresas não queriam limitações, nem o pagamento de impostos. O lobby era este. Nessa terra sem lei, que foi o governo de Jair Bolsonaro, elas cresceram sem regulamentação.

O governo Lula decidiu regulamentar e cobrar impostos. Enfrentou um duro lobby no Congresso. A autorização para os cassinos tipo Jogo do Tigrinho, foi incluída na Câmara dos Deputados. O Senado tentou tirar, mas a Câmara restabeleceu. O governo Lula propôs 18% de impostos e o Congresso baixou para 12%. Esses são os fatos.

A questão é que, mesmo regulamentadas, o que se vê agora é que essas empresas estão provocando um problema econômico e social, o que tornou o tema crucial na campanha eleitoral. A expectativa é que o presidente Lula assine nesta sexta-feira uma Medida Provisória que passará a proibir a atividade no Brasil, mas isso não encerrará a questão. Isso porque a medida provisória vai tramitar no Congresso, precisa ser aprovada pelos parlamentares e, se isso não acontecer, perde a validade. Então, vamos ver, nos próximos meses, qual será o resultado final. As bets têm um lobby muito forte no Congresso, e já se sabe que essa não será uma batalha simples.

O que está claro é que as bets precisam de contenção.

[Imagem produida por IA]

Lula anuncia o fim das bets https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/mp-das-bets.html 

Humor de resistência

 

Gilmar

O berço dos Bolsonaros https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/ruy-castro-opina.html