12 julho 2026

Minha opinião

Teoria e prática a todo instante 
Luciano Siqueira 

Revolucionário, o PCdoB tem a sua essência no pensamento científico que ele serve de crivo para compreender os fatos cotidianos no bairro, na escola, na sessão de fábrica, no cruzamento de duas ruas movimentadas na cidade, no estado aqui pertence a cidade, no país, no mundo complexo e conturbado no qual o nosso país está inserido. 

Nada é possível compreender sem a relação entre o particular e o geral, entre a parte e o todo. 

Mas ocorre uma teimosia militante em fazer de contas que considera o geral e na verdade se concentra no particular. Imediatismo e compreensão míope ou distorcida do verdadeiro sentido dos fatos. 

Ao velho militante de mãos aleijadas por décadas de persistência em compreender para transformar a partir da sua frente específica de luta, cabe uma tarefa inarredável: convencer os mais jovens que de o Partido em sua essência é uma corrente revolucionária de opinião, que se alimenta permanentemente da relação entre a teoria e a prática, entre a concepção de mundo e a compreensão dos fatos.

Fora disso, pelo espírito refratário dos que não o compreendem ainda, o PCdoB quase que se reduz a uma legenda dentre as mais de 30 existentes no país. 

[Ilustração: Siron Franco]

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Leia também: O mundo cabe numa Organização de Base https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/05/minha-opiniao_18.html 

Celso Pinto de Melo: Evolução da ciência

Quando a vida ganhou um terceiro domínio
Carl Woese, as arqueias e a descoberta que redesenhou a árvore da vida
Celso Pinto de Melo*/substack.com

“A biologia do século XXI será construída sobre a compreensão da evolução microbiana.” - Carl R. Woese [1]    

Quando os micróbios mudaram a história da vida

No artigo anterior, vimos como o DNA revelou uma surpresa que permaneceu invisível por mais de dois mil anos: os fungos são mais próximos dos animais do que das plantas. Mas aquela descoberta era apenas o começo. Enquanto os biólogos revisavam o lugar dos fungos na árvore da vida, outro pesquisador estava prestes a mostrar que uma parte inteira da vida havia permanecido oculta à ciência. Seu nome era Carl Woese.

O problema dos organismos pouco visíveis

Até o século XVII, a maior parte desse mundo simplesmente escapava à observação humana. Em 1665, Robert Hooke descreveu pela primeira vez as “células” ao examinar cortiça com um microscópio. Poucos anos depois, Antonie van Leeuwenhoek aperfeiçoou esses instrumentos e tornou-se o primeiro a observar bactérias, protozoários e outros microrganismos vivos. Pela primeira vez, a ciência descobria que existia um vasto universo invisível aos nossos olhos. Mas ver esses organismos ainda estava longe de compreender quem eles eram.

Até a primeira metade do século XX, a classificação biológica parecia relativamente estável. Em 1969, o ecólogo norte-americano Robert Whittaker propôs o sistema dos cinco reinos, que se tornaria dominante no ensino da biologia durante as décadas seguintes. Nesse modelo, os seres vivos eram distribuídos entre Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia [2].

Os organismos mais simples – todos aqueles sem núcleo celular – eram agrupados no reino Monera. Bactérias com formas, metabolismos e modos de vida muito distintos eram consideradas membros de uma única grande linhagem evolutiva.

A hipótese parecia razoável. Afinal, vistas ao microscópio, essas células eram extremamente parecidas.

Mas a aparência estava prestes a enganar os biólogos mais uma vez.

Quando o RNA começou a contar uma história diferente

Na década de 1970, Carl Woese, da Universidade de Illinois, procurava uma forma de reconstruir a história profunda da vida.

Em vez de comparar características anatômicas ou fisiológicas, ele decidiu comparar moléculas presentes em todos os organismos vivos.

Sua escolha recaiu sobre o RNA ribossômico, uma molécula essencial para a produção de proteínas e cuja sequência muda lentamente ao longo do tempo.

A ideia era simples e poderosa: se organismos compartilhassem um ancestral comum recente, suas sequências de RNA seriam semelhantes. Quanto mais antigas fossem as separações evolutivas, maiores seriam as diferenças acumuladas.

Foi uma decisão que mudaria profundamente a biologia.

A Fig. 1 mostra a estratégia utilizada por Carl Woese para reconstruir os parentescos evolutivos entre organismos aparentemente semelhantes. 


Figura 1 – Como Carl Woese leu a história da evolução. Ao comparar sequências de RNA ribossômico presentes em todos os seres vivos, Woese criou uma nova forma de investigar a história evolutiva da Terra. Pela primeira vez, era possível reconstruir parentescos utilizando diretamente informações moleculares.

A importância dessa abordagem não estava apenas na tecnologia utilizada, mas na mudança de perspectiva que ela representava. Em vez de observar a aparência dos organismos, Woese passou a ler os registros evolutivos preservados em suas moléculas. Era uma espécie de arqueologia genética da vida.

A descoberta das arqueias

Ao analisar microrganismos encontrados em fontes termais, lagos hipersalinos e outros ambientes extremos, Woese percebeu algo inesperado.

Alguns desses organismos não eram bactérias comuns.

Suas sequências de RNA eram tão diferentes das bactérias conhecidas que indicavam uma separação evolutiva extremamente antiga [3].

Inicialmente recebidos com ceticismo, os resultados acumulavam evidências cada vez mais robustas. Aos poucos tornou-se claro que aqueles microrganismos pertenciam a uma linhagem independente da vida.

Era a primeira evidência de que existia uma terceira grande linhagem da vida: as arqueias [3].

A descoberta provocou uma das maiores reformulações da classificação biológica [4].

A Fig. 2 resume a reorganização da vida proposta por Woese e colaboradores a partir dos estudos de RNA ribossômico. 

Figura 2 – Os três domínios da vida. A análise molecular revelou que a vida se organiza em três grandes domínios evolutivos: Bacteria, Archaea e Eukarya. As arqueias não são bactérias exóticas, mas uma linhagem própria, tão distinta quanto os eucariotos.

A nova classificação mostrou que organismos aparentemente semelhantes podem possuir histórias evolutivas profundamente diferentes. Ela também revelou que a maior parte da diversidade biológica do planeta é microscópica e permaneceu invisível durante grande parte da história da ciência.

Um novo mapa para a vida

Em 1990, Woese, Otto Kandler e Mark Wheelis propuseram formalmente a divisão da vida em três domínios: Bacteria, Archaea e Eukarya [4].

Os eucariotos incluem animais, plantas, fungos e inúmeros organismos unicelulares dotados de núcleo celular.

As bactérias e arqueias, embora microscópicas, representam a imensa maioria da diversidade metabólica e genética da Terra.

A partir daquele momento, a tradicional árvore da vida precisou ser redesenhada.

Mas havia outra surpresa escondida na própria origem dos eucariotos.

As arqueias estão mais próximas de nós do que imaginávamos

À medida que os estudos genômicos avançaram, os cientistas descobriram algo ainda mais intrigante.

Muitos genes responsáveis pelos mecanismos fundamentais das células eucarióticas apresentam maior semelhança com genes arqueanos do que com genes bacterianos [5, 6].

Em outras palavras, alguns dos componentes mais básicos das células humanas possuem raízes evolutivas associadas às arqueias.

A fronteira entre os três domínios mostrava-se mais permeável e complexa do que sugeriam os primeiros esquemas classificatórios.

A Fig. 3 mostra a diversidade oculta dos microrganismos e sua distribuição nos diferentes ambientes do planeta.    


 Figura 3 – A diversidade invisível da vida. Embora sejam organismos microscópicos, bactérias e arqueias dominam a diversidade genética e metabólica da biosfera. Elas habitam praticamente todos os ambientes da Terra, incluindo oceanos, solos, fontes hidrotermais, desertos, geleiras e o interior de outros organismos, como, por exemplo, o intestino humano.

A figura ajuda a perceber uma mudança de perspectiva fundamental. O mundo macroscópico – plantas, animais e fungos – representa apenas uma pequena fração da diversidade produzida pela evolução ao longo de quase quatro bilhões de anos [7].

A próxima revolução

A descoberta das arqueias transformou nossa compreensão sobre quem são os principais protagonistas da história da vida.

Mas ela também levantou uma pergunta ainda mais profunda.

Como surgiram os eucariotos – as células complexas que deram origem aos animais, plantas e fungos?

A resposta levaria os cientistas a uma ideia ainda mais surpreendente: a de que algumas das estruturas mais importantes de nossas células descendem de antigas bactérias que passaram a viver dentro de outras células.

Era a teoria da endossimbiose.

E ela transformaria a árvore da vida em algo muito mais parecido com uma rede.

Continua no próximo artigo: Quando a árvore virou uma rede.

Bibliografia

1. Woese, C.R., Interpreting the universal phylogenetic tree. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 2000. 97(15): p. 8392–8396.

2. Whittaker, R.H., New concepts of kingdoms of organisms. Science, 1969. 163(3863): p. 150–160.

3. Woese, C.R. e G.E. Fox, Phylogenetic structure of the prokaryotic domain: the primary kingdoms. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 1977. 74(11): p. 5088–5090.

4. Woese, C.R., O. Kandler, e M.L. Wheelis, Towards a natural system of organisms: proposal for the domains Archaea, Bacteria and Eucarya. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 1990. 87(12): p. 4576–4579.

5. Woese, C.R., The universal ancestor. Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 1998. 95(12): p. 6854–6859.

6. Doolittle, W.F., Phylogenetic classification and the universal tree. Science, 1999. 284(5423): p. 2124–2129.

7. A evolução é fato. 1 ed, ed. C.F.M. Menck. 2024, Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Ciências.

* Professor Titular Aposentado da UFPE, Pesquisador 1A do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências.

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Leia também: Era de passagem: uma especulação futurista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/abraham-sicsu-opina.html 

Humor de resistência

Quinho

"250 anos do império decadente dos EUA" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/eua-decadencia.html  

11 julho 2026

Palavra de poeta

Perspectiva

Helena Kolody     

Olha pela janela azul do meu olhar
Sereno e transparente, onde se esconde alma
A misteriosa esfinge eslava que é minh’alma.
Mergulha os olhos teus no mundo em perspectiva
Que se adivinha atrás de uma pupila esquiva.

Verás, por certo, desdobrar-se alma adentro.
Na paisagem agreste, a estepe soberana.

E para que não pise a estepe imaculada
O duro sapatão de algum mugique alvar,
Eu ando sempre alerta e trago bem guardada

A paisagem de neve oculta em meu olhar.

[Iustração: Andrew Atroshenko]

Leia também: "A parede e a flor", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01116453344.html 

Fotografia

 

Shavit Vos

Vozes da juventude

Documento das juventudes será “bússola para 2026”, diz Bruna Brelaz
Seminário reuniu em Brasília jovens de sete partidos do campo progressista para formular propostas de governo e construir uma plataforma voltada às eleições
Lucas Toth/Vermelho   

As juventudes de sete partidos do campo progressista deram nesta semana um passo na construção de uma plataforma comum para o debate político dos próximos anos. 

Reunidos em Brasília nos dias 7 e 8 de julho, durante o Seminário Nacional “O Brasil Pelas Juventudes”, dirigentes de PCdoB, PT, PSB, PDT, PSOL, Rede e PV iniciaram a elaboração de um documento que pretende influenciar a formulação de propostas para a juventude brasileira e dialogar com a disputa política de 2026.

Promovido pelo Fórum das Juventudes Progressistas, criado neste ano pelas organizações da juventude, o encontro reuniu dirigentes nacionais e estaduais, fundações partidárias e entidades parceiras. 

Vice-presidenta da União da Juventude Socialista (UJS) e diretora de Relações Internacionais da entidade, Bruna Brelaz afirmou ao Portal Vermelho que os debates buscam transformar reivindicações históricas da juventude em propostas concretas de políticas públicas.

“O trabalho dos grupos foi fundamental para transformar nossas demandas em políticas públicas estruturantes. Debatemos desde a necessidade de cidades sustentáveis até uma nova economia que garanta trabalho digno. O ponto central é que a juventude quer ser protagonista na construção de um projeto de país que supere a crise do capitalismo e ofereça horizontes reais para nossa geração”, declarou. 

Segundo Bruna, o documento produzido pelo fórum terá papel estratégico na organização das forças progressistas nos próximos meses.

“Este documento é a nossa bússola para 2026. Nosso próximo passo é levar essa plataforma para a base, nos territórios, garantindo que o programa de governo nasça e seja fortalecido pelas mãos de quem constrói o Brasil todos os dias, transformando o sonho em projeto concreto”, afirmou.

Na abertura do seminário, Bruna representou as juventudes do PCdoB e defendeu a necessidade de um novo ciclo de desenvolvimento soberano para o país. 

Em sua intervenção, ela destacou conquistas obtidas durante o governo Lula, como o programa Pé-de-Meia, a recomposição do orçamento das universidades, as políticas de permanência estudantil, a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e a aprovação do fim da escala 6×1 na Câmara dos Deputados.

A dirigente também avaliou que a construção de uma plataforma comum para a juventude é parte da disputa de projetos para o Brasil no próximo período.

“Queremos um programa que dialogue diretamente com as angústias e sonhos da juventude brasileira, criando uma alternativa real de futuro. É um compromisso para não permitir que a extrema direita sequestre a frustração da nossa geração, mostrando que a mudança real se faz com mobilização e um projeto nacional soberano”, disse.

Para ela, os avanços conquistados desde 2023 demonstram a importância da organização popular e apontam para desafios ainda maiores nos próximos anos.

“O governo Lula 3 nos provou que a luta muda o rumo das coisas. Conquistamos direitos vitais que estavam sob ataque, mas agora queremos ir além. Para um próximo ciclo, nossa ambição é um projeto de desenvolvimento soberano e justo, que garanta não apenas emprego, mas a dignidade de uma juventude que possa estudar, morar e viver com liberdade, sem medo da violência”, afirma.

O Fórum das Juventudes Progressistas pretende agora consolidar o documento produzido em Brasília e ampliar o debate nos estados e municípios. 

A expectativa das organizações é que as propostas construídas coletivamente sirvam de referência para a formulação de políticas públicas voltadas à juventude e para o debate sobre os rumos do país nos próximos anos.

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Pesquisa mostra Lula à frente em todos os cenários para 2026 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/bons-sinais.html  

Humor de resistência

 

Enio

"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html