10 julho 2026

Palavra do PCdoB

PCdoB defende novo ciclo de desenvolvimento soberano em programa de Lula
Walter Sorrentino detalha a contribuição ao plano de Lula. Documento aponta CT&I, reindustrialização e planejamento como eixos para um novo ciclo histórico
Cezar Xavier/Portal Vermelho 

A poucos meses das eleições que definirão os rumos do país para o próximo mandato, o debate sobre o programa de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ganha contornos estratégicos. Na mais recente edição do programa Entrelinhas Vermelhas, do Portal Vermelho, Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois, detalhou a contribuição do PCdoB para o plano participativo da coligação. Sob o título “Rumos Soberanos para uma Nova Arrancada do Desenvolvimento”, o documento coloca a soberania nacional não apenas como uma bandeira, mas como a condição sine qua non para a democracia e a justiça social.

Para Sorrentino, o mundo vive uma desordem multipolar e uma nova fase de agressividade imperialista, o que exige do Brasil um projeto nacional maduro. “Não há como atender aos anseios do povo sem um forte desenvolvimento, e ele depende do papel do Estado Nacional”, afirmou, destacando que a soberania é o “sobrenome da nossa causa” neste momento histórico. 

Os três vértices da transformação produtiva

Para organizar o pensamento estratégico e evitar a dispersão de políticas públicas, a contribuição do PCdoB estrutura-se em três vértices fundamentais. O primeiro é a elaboração de um Plano Nacional de Desenvolvimento com metas claras, modelos de financiamento e missões definidas, capaz de galvanizar todo o governo e criar um controle social sobre sua execução.

O segundo vértice é a reindustrialização em novas bases tecnológicas. Sorrentino alerta que o Brasil não pode tentar recuperar o tempo perdido apenas repetindo o passado; é preciso “queimar etapas” na dimensão tecnológica, aprofundando a Nova Indústria Brasil (NIB) com financiamento à altura.

O coração desse processo, e terceiro vértice, é a Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I). Para o dirigente, a CT&I é a principal força produtiva da contemporaneidade. O desafio brasileiro é transformar ciência em inovação e garantir acordos internacionais soberanos — especialmente no âmbito dos Brics e com a China — que assegurem a transferência de tecnologia e a proteção dos dados nacionais.

Meio ambiente como ativo e a vida do povo

A reportagem também abordou a interseção entre desenvolvimento e questão ambiental. Rompendo com a visão reducionista de que a preservação é um ônus, Sorrentino defende uma “perspectiva ecológica”, em que o meio ambiente é um ativo político, econômico e social. A transição energética e o combate às mudanças climáticas estão no centro do projeto, transformando a Amazônia e a matriz energética limpa do Brasil em fronteiras de inovação e bem-estar.

Tudo isso, contudo, está subordinado a uma “cláusula fundamental”: a construção de uma vida melhor para o povo trabalhador. Para o presidente da Fundação Grabois, isso exige enfrentamento direto ao regime macroeconômico vigente. Ele criticou a política de juros, que drena quase 9% do PIB para o sistema financeiro, engessando o orçamento e impedindo investimentos em áreas vitais, como a segurança pública.

Segurança, feminicídio e ameaças externas

A segurança pública foi apontada como uma das principais demandas da população e um tema de soberania. Sorrentino defendeu a criação de um Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), com ministério próprio e integração entre União, estados e municípios.

O dirigente fez um alerta grave sobre as ameaças externas. Ele repudiou a postura do governo de Donald Trump e de setores imperialistas que buscam classificar o crime organizado no Brasil como “terrorismo”. Segundo Sorrentino, essa manobra é um expediente unilateral para justificar a extraterritorialidade de leis americanas e abrir portas para intervenções estrangeiras na soberania nacional, criando um “cinturão reacionário” na América do Sul. O enfrentamento ao crime, reforçou, deve ser feito de forma soberana, sem aumentar a violência contra as periferias.

A luta contra o feminicídio e a violência de gênero também foi destacada como um indicador civilizatório inegociável, reafirmando o papel histórico da bancada feminina do PCdoB e do partido na defesa dos direitos das mulheres e da saúde pública.

A disputa política e o novo ciclo

Ao traçar o horizonte para o próximo mandato, Sorrentino foi enfático ao defender a elevação da consciência política. Ele criticou o atual Congresso Nacional, transformado em uma “oligarquia política” com orçamento próprio via emendas, e defendeu que as reformas estruturais — como a reforma política e a revisão da autonomia do Banco Central — devem ser levadas à população, inclusive via plebiscitos.

“O último governo Lula tem que ser o inaugurador de um novo ciclo que dure 20, 30, 40 anos”, concluiu Sorrentino. Para ele, a vitória nas urnas em outubro dependerá da capacidade da esquerda em vocalizar as insatisfações populares, enfrentar o neoliberalismo e apresentar um projeto de nação que resgate o Brasil de sua condição semiperiférica, colocando-o no rumo do pleno desenvolvimento soberano.

Veja aqui a entrevista https://www.youtube.com/watch?v=Gz1EjJBDuh8 

Sylvio: tarifaço

Durante o processo de definição do tarifaço imposto por Trump ao Brasil, o senador Flávio Bolsonaro e seu irmão Eduardo, fugitivo nos Estados Unidos, não disseram uma só  palavra de desaprovação ao mesmo. Agora, temendo o efeito negativo que vai causar nas eleições, pede o adiamento de sua vigência. Se pensasse no interesse nacional, ao invés de adiamento pediria a extinção dessa medida altamente prejudicial à nossa economia. Francamente, essa família pensa o quê e o que quer para o Brasil e seu povo?

Sylvio Belém   

"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html

Palavra de poeta

A ONÇA DA ESPERANÇA
Marcelo Mário de Melo      

Entrando em corpo de onça
a Esperança no ataque
em vez de esperar o lance
pega a bola dá o saque
entoa o grito de alerta
toca corneta e atabaque.
 
Afia as garras e parte
removendo entulho e tralha
ferrugem mofo zinhavre
lacuna trava e falha
coloca véus e vestidos
arranca trapo e mortalha.
 
A Esperança agora
atiça o amanhecer
vai a campo e observa
o que faz esmorecer
os descaminhos nas mentes
e nos modos de fazer.
 
W o sonho avançar
é preciso trilha certa
semente sã e cuidado
janela ampla e aberta
o sol da veracidade
aceno e grito de alerta.
 
A Esperança é uma malha
feita em ampla tecelagem
uma colcha de retalhos
de persistência e  coragem
juntando peça por peça
em gesto ação e linguagem.
 
A onça da Esperança
depende assim desses fios
por isso ela observa
nascentes brotos pavios
o mar querendo saber
se correm certos os rios.
 
A força da Esperança
se constrói na pedra dura
no olho desamarrado
no combate à impostura
na peneira onde se lavam
o erro e a amargura.
 
Ela não é menininha
princesa em conto de fada
madame ou cortesã
inocente  namorada
mas mulher experiente
subterrânea e alada.
 
A Esperança exigente
quer ver o ponto no nó
alicerces e   estacas
a mistura a massa o pó
a ferramenta afiada
quem afia e a pedra-mó.


[Ilustração: Selina de Maeyer]
 
Leia também: "Onde pertencemos, um dueto", poema de Maya Angelou https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01875341739.html 

09 julho 2026

Minha opinião

Sorte ilusória
Luciano Siqueira    

Quanto se faz a fragilidade humana para obter lucro? No capitalismo, infinitamente.

Subproduto dessa doença congênita do sistema, a proliferação dos sites de apostas on-line (bets).  

O vício em apostas é um fenômeno complexo que envolve uma reconfiguração do sistema de recompensa do cérebro, assinalam os estudiosos do tema. Tudo a ver com a química cerebral e os mecanismos psicológicos envolvidos.

​A principal substância envolvida é a dopamina - um neurotransmissor associado ao prazer e à antecipação – que o cérebro libera na proporção da espera pelo resultado. É o viciante "frio na barriga".

​Mais dopamina é liberada quando o apostador ganha, independentemente do valor da aposta.

​Com o tempo (e o vício), o apostador se ocupa com estatísticas, escalações e táticas de tal modo que perde a capacidade de medir os riscos de perda, a ponto de ocorrerem adaptações físicas no cérebro do individuo, como a dessensibilização e o enfraquecimento do Córtex Pré-Frontal.

O transtorno do jogo compulsivo é reconhecido pela OMS como uma patologia, tendente a protagonizar verdadeira pandemia com todas as consequências nocivas à existência humana.

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"Sem mais silêncio", uma crônica de Ruy Castro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/uma-cronica-de-ruy-castro_22.html 

Postei nas redes

Pretender que o ultradireitista Renan Santos se converta no principal adversário de Lula na disputa pela presidência da República é coisa de "viúva da terceira via". O desejo em conflito com a realidade.

Conflito sem limites https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_02106193163.html

Sua opinião

 


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Sylvio: contraste

Na história do futebol brasileiro,  Pelé, Garrincha, Nilton e Djalma Santos, Gilmar, Belini, Vavá, Zagalo, Zico, Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho e vários outros jamais serão  esquecidos pelo que fizeram e conquistaram. Já Neymar, na verdade, tornou-se um personagem pequeno, frustrante e decepcionante, que logo será esquecido.

Sylvio Belém   

Como o capitalismo sequestrou a Copa e o sonho de uma criança https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/futebol-argentario.html