08 junho 2026

Postei nas redes

Eduardo Bolsonaro sugere que o Brasil troque o Pix pelo Zelle, sistema precário usado nos Estados Unidos. Já o irmão Flávio, pré-candidato pela extrema direita, diz que é favorável ao Pix. Não emendam coisa com coisa e batem cabeça o tempo todo. 

Pix sob ameaça https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01486855022.html 

Minha opinião

Cida: luta, consciência e afeto
Construindo coletivamente as propostas para o futuro mandato de deputada estadual
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65   

Sábado último o tema foi a Saúde. Antes já ocorreram algumas reuniões online sobre a temática da Cultura nas suas diversas linguagens. Outros temas terão também suas plenárias específicas

É a construção da plataforma de luta da pré-candidata a deputada estadual Cida Pedrosa. 

Tal como aconteceu há dois anos na exitosa campanha pela reeleição da vereadora.

Ideias e proposições construídas coletivamente, a muitas mãos, que têm sido efetivamente cumpridas. 

Daí o êxito do mandato que a poeta guerreira vem exercendo — destaque na cena política e parlamentar de Pernambuco e dentre todas as capitais do país. 

Cida jamais esgota a abordagem de determinado tema ou reivindicação popular apenas circunscrevendo-o aos limites locais e imediatos; correlaciona-os com as bandeiras de luta nacionais. 

A plataforma de reconstrução nacional que serve de referência ao governo do presidente Lula — formulada com a participação de partidos políticos e segmentos sociais organizados — Cida a defende vinculando-a às demandas do povo do Recife.

Conquistas expressivas têm sido alcançadas por parcelas da população, mediadas pelo mandato da vereadora — por exemplo, a elevação da condição de ZEIS das áreas de ocupação Vilas Boas e Nova Conquista, tornadas assim irremovíveis pela especulação imobiliária — como expressão local da luta nacional pela reforma urbana. 

É a relação entre a parte e o todo, entre o projeto local e a luta nacional — condição indispensável ao êxito de cada batalha e à elevação do nível de consciência e de organização do nosso povo.

Desse modo, a vereadora Cida nos representa plenamente e se credencia à nova missão que o PCdoB lhe propõe: o mandato de deputada estadual.

Um duro desafio? Sim, certamente. Porém alcançável através de um grande movimento coletivo onde cabe a contribuição de cada um e de cada uma: a conquista do voto da consciência e do afeto.

Qual a sua opinião? Topa participar? 

Acontece https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

07 junho 2026

No mato sem cachorro

Delação na era da tecnologia digital?
Vorcaro já redigiu sua primeira proposta: longa, difusa e ociosa. A segunda não necessita ser breve, mas certamente deve ser clara e breve
João Cear de Castro Rocha/Liberta   

 

Os lençóis já se foram

Bento Santiago fornece o mote inicial. Numa noite, decidiu ir ao teatro:

Representava-se justamente Otelo, que eu não vira nem lera nunca; sabia apenas o assunto, e estimei a coincidência. Vi as grandes raivas do mouro, por causa de um lenço, — um simples lenço! — e aqui dou matéria à meditação dos psicólogos deste e de outros continentes, pois não me pude furtar à observação de que um lenço bastou a acender os ciúmes de Otelo e compor a mais sublime tragédia deste mundo. Os lenços perderam-se, hoje são precisos os próprios lençóis; alguma vez nem lençóis há, e valem só as camisas.

Antecipação inesperada da civilização do selfie, crítica pioneira da voluntária exposição da intimidade que define o universo das redes sociais? Nos tempos de Dom Casmurro, o romance foi publicado em 1900, os lenços já eram coisa do passado pelo excesso de recato e, sumidos os lençóis, restaram apenas as camisas. Em 2026, a insistência nas camisas seria anacrônica, impertinente até. Afinal, em tempos de onipresença do aparelho celular no dia a dia planetário, a palavra pudor desaparece pouco a pouco dos dicionários.

Não é tudo.

O advento da distopia da República Tecnológica, representada à perfeição por empresas como Cambridge Analytica e Palantir, metamorfoseou o desejo de privacidade numa virtual impossibilidade. Cidadãos e cidadãs foram convertidos em perfis de usuário, cujos dados são manipulados como uma mercadoria especial, que promete acesso à motivação mais recôndita de cada um de nós. Em sua operação pós-freudiana, o algoritmo pouco se interesse pela anamnese psicanalítica de traumas prévios, só o que conta são as futuras compras.

A escolha de líderes políticos se vende como um produto qualquer; por exemplo, um detergente.)

Delação?

O escândalo maiúsculo do Banco Master e seu títere, Daniel Vorcaro, colocou em xeque o estatuto da delação premiada. É verdade que seu papel foi desmoralizado pelas manipulações vulgares do juiz Sergio Moro em seu conluio criminoso com o procurador Deltan Dallagnol. Mas entre 2014 e 2016, auge de seu emprego, a telefonia celular no Brasil não possuía a difusão atual. Em consequência, os processos dependiam muito das delações; na verdade, dificilmente caminhariam sem elas.

Hoje, tudo mudou. Com o testa de ferro Daniel Vorcaro, o bode expiatório de plantão, 8 celulares foram apreendidos, criando uma situação nova: para que fechar com celeridade um acordo de delação? Basta quebrar a senha dos aparelhos e um universo paralelo se oferece à Polícia Federal.

(Títere? Testa de ferro? Sim: ou você acredita que Daniel Vorcaro era o mestre da operação, seu mentor intelectual?)

O conteúdo apreendido dos 8 aparelhos equivale a maior delação jamais feita no Brasil! Vorcaro não somente terá de devolver uma fortuna estimada na casa das dezenas de bilhões, talvez algumas centenas, como também terá de entregar segredos ainda mais escabrosos do que as tenebrosas transações que já vieram à luz. Circunstância inédita e muito provavelmente o bode expiatório ainda não se deu conta. Sua delação pode ter o mesmo destino do Banco Master, isto é, a liquidação.

O cenário promete ser apocalíptico. Para fechar um acordo e obter benefícios, Daniel Vorcaro não tem opção: precisará oferecer uma delação premiada com detalhes dos podres poderes que sequer somos capazes de imaginar.

Após a ida ao teatro, Bento Santiago caminhou sem rumo pela cidade, ceou e voltou para casa. Inquieto, recorda:

Escrevi dois textos. O primeiro queimei-o por ser longo e difuso. O segundo continha só o necessário, claro e breve.

Vorcaro já redigiu sua primeira proposta: longa, difusa e ociosa. A segunda não necessita ser breve, mas certamente deve ser clara e breve.

Ou sua estadia na Papuda será longa e obscura.

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Elias Jabbour: Como o dinheiro do Banco Master financiou o bolsonarismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/relacoes-inconfessaveis.html 

Arte é vida

 

Fernando Botero

Saúde: uma força de trabalho superexplorada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/trabalhadores-em-saude.html 

Uma crônica de Urariano Mota

Crônica para o guerreiro José Amaro Correia 
— Desistir? Nunca! Às vezes me dá uma preguiça. Mas dá e passa.
Urariano Mota/Vermelho  

Divulguei esta crônica na Rádio Jornal do Recife, programa Movimento de Marcelo Araújo, em 4 de junho:  

em um trecho do Dicionário Amoroso do Recife, escrevi: 

“José Amaro Correia, Zé Amaro, ou Mário, como o chamamos, era e continua a ser um socialista, militante político, preso em 1973 no DOI-CODI no Recife…

Quando eu lhe perguntei se depois de tanta luta, se alguma vez ele não pensou em desistir, quando ele estava cego, e que eu sabia estar com problemas circulatórios, pressão alta, e que piorava todas as vezes em que se emocionava, ele me respondeu:

— Desistir? Nunca! Às vezes me dá uma preguiça. Mas dá e passa.

Então ele me conduziu, tateante, devagar, até o portão. Às vezes virava a cabeça de lado para ver o meu vulto, quem sabe, algum traço. Talvez não visse mais nem sequer a minha sombra. E não dizia. Mas entendo. Eu devia ser mais real que o seu sonho, que um dia ele escreveu num poema: 

‘Vivo semeando o sonho
Do fim da pobreza
De todas as crianças terem o direito
De brincar e sorrir
Vivo a semear o sonho
Do nascer igual
Perante a natureza dos homens’”.

Em 2017, numa quinta-feira à noite, ele faleceu aos 74 anos de idade. Estava com a saúde ao fim em tudo. Sem enxergar, com infecção nos pulmões, nos rins, no coração. Quando eu o visitei na UTI, embora ele estivesse sem consciência, pelo que diziam, eu lhe disse na esperança de que me ouvisse:

– Você é meu irmão. Você sabe: não te faltei antes na ditadura, não vou te faltar agora.

Pois bem, agora vem o segredo de uma revelação: na véspera do seu falecimento, na quarta-feira, quando o ônibus parou próximo ao hospital onde ele estava internado, subiu um grupo de três jovens que, antes de começarem a pedir uma ajuda, começaram a cantar um rap. Um rap da liberdade.

Eu fiquei comovido até as lágrimas, porque pensava: o meu amigo no fim e estes jovens cantando a liberdade. Era como a encarnação viva do meu próximo romance. Eu me dizia: os jovens cantam para ele. E me vieram associadas as palavras de John Donne:

“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todos são parte do continente, uma parte de um todo. Se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa ficará diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar de teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.

Então os jovens cantavam para o amigo José Amaro, o nosso Mário, eu os compreendia muito bem. Cantavam e tocavam pelos guerreiros. Então eu nunca tinha ouvido um rap tão emocionado. E pensei também na apresentação que o grande José Carlos Ruy escreveu para o romance “A mais longa duração da juventude”, no trecho:

“O tempo funde as duas pontas do relato, entre o passado e o presente… Sonho de abnegação, igualdade, de liberdade, de justiça para todos, de desapego perante os bens materiais e construção de um mundo novo, socialista”.

Aquele canto no ônibus, a sua associação ao amigo que padecia não era delírio. É fato. Os jovens cantavam um rap que se unia ao amigo, na mais longa duração da juventude. Então eu aplaudi com entusiasmo, como quem grita: presen,te! um guerreiro cai, outro se levanta. Esses jovens com violão, percussão e canto levam adiante a resistência. Eles são inconformados como a maior razão de viver.

Depois, com o falecimento de José Amaro Correia me bateu um breve abatimento. Mas nós não temos esse direito. Não podemos cair e esmorecer. É levantar a cabeça e continuar a caminhada. Se possível, até o lado ensolarado da rua. 

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Os muitos reencontros no Encontro do PCdoB https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/03/minha-opiniao_23.html

Postei nas redes

Funcionário da CIA cria programa de espionagem falso e é preso com 303 barras de ouro em casa. Oxente, então o cara burlou a própria espionagem interna que aparece em filmes como infalível!? 

EUA: Os bilionários pedem mais guerra https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/multimilionarios-senhores-da-guerra.html 

Palavra de poeta

LAÇOS
Marcelo Mário de Melo    

Laço de pegar o boi
laço de vestido novo
laço de enfeitar cabelo
laço de enganar o povo.
 
Laço de amor nascendo
laço que mais nada inova
laço que se está testando
laço que passou na prova.
 
Laço de trilha comum
laço de festa e de dança
laço de fel e desdita
laço nó cego na trança.
 
Laço de andar na linha
laço de sair da raia
laço de barba e bigode
laço de baton e saia.
 
Laço curto laço longo
laço certo laço errado
laço doce laço azedo
laço de agressão e agrado.
 
Laço abismo laço ponte
laço não e laço sim
laço de ódio e inveja
laço de Abel e Cain.
 
Laço leve de envolver
laço de castrar o gado
laço de gravata nova
e laço de enforcado.
 
Há muitos laços na vida
é preciso divisar:
um é laço de florir
outro é de desmatar.
 
Há laços fantasiados
que escondem seus intentos
brilho pluma e purpurina
no  cinza dos sofrimentos.
 
Laços a subtrair
laços a multiplicar
laços que a gente deseja
laços a se evitar.
 
Laços laçadas enlaces
todo tempo a laçarar.
Enlace e desenlace
é ciência a estudar.



[Ilustração: Gilvan Samico]

A sensibilidade e o prazer ao longo do tempo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/01/minha-opiniao_7.html