14 setembro 2026

Minha opinião

Militantes digitais
Luciano Siqueira  

Alguns anos atrás, a expressão mais comum o apelo às manifestações de apoio às nossas candidaturas se concentrava nas lideranças sindicais, estudantis, comunitárias e assim por diante era "as ruas". 

Hoje, a primeira referência é "nossos militantes digitais".

Sinal dos tempos, como se costuma dizer. 

Definitivamente, as manifestações de rua — que ainda persistem, felizmente — são superadas pela comunicação através da tela do celular. 

Na campanha que se aproxima do auge, a despeito de serem eleições gerais — Presidência da República, governos estaduais, Senado, Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas — predomina pela voz de milhares de candidatos e candidatas o discurso fracionado, a mensagem digital focada em detalhes, em prejuízo da tomada de consciência por parte da grande maioria dos eleitores de que são os rumos do país que estão fundamentalmente em questão. 

Não que o discurso em praça pública necessariamente seja abrangente na voz da maioria dos candidatos. Mas sempre foi uma oportunidade de se explicitar com mais clareza a dimensão da luta e as plataformas de governo, no que se refere às candidaturas majoritárias. O calor da luta experimentado coletivamente sempre emocionou e despertou consciências.

Mas, se o tempo presente coloca a primeiro plano a comunicação digital, o jeito é realizá-la do modo mais eficiente possível. Especialmente em relação ao conteúdo do discurso. 

Sim, é possível numa fala simples e direta combinar a justa reivindicação por mais empregos e melhores salários com a luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento cuja dimensão ultrapassa os limites das eleições atuais. 

Por aí a elevação da consciência política e do discernimento de milhares e milhões de lideranças em todos os níveis, capacitadas a abordar as pessoas combinando os fatos e reclamos específicos e localizados com a luta pelo poder político central.

Que cada um de nós seja capaz de expressar conteúdos nessa linha de abordagem de modo a esclarecer e a convencer nossos seguidores. Mesmo sem recursos técnicos sofisticados e com mais comunicação direta e sincera.

A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html 

Postei nas redes

Bom que candidatos ao Senado pela direita estejam se engalfiando. Melhoram as condições para a vitória de Humberto Costa e Marília Arraes. 

Na peleja em Pernambuco, o fator subjetivo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_0348287597.html  

Live com Lula

Lula e a campanha nas ruas e nas redes

Luciano Siqueira   

Ontem, na boquinha da noite, pelo YouTube https://www.youtube.com/watch?v=xDamLSaf5BQ em live dirigida à militância da campanha em geral, Lula teceu alguns comentários em tom de orientação.

Diz o presidente que a vitória depende do alinhamento em torno de duas vertentes: defesa de uma agenda soberana, de desenvolvimento e garantia de direitos e unidade de ação nas ruas e nas redes.

Isto num cenário em que a desinformação tem sido a marca das campanhas de todos os oponentes, com ênfase na “desconstrução” das ações do atual governo.

Mais: importa destacar, na pauta de campanha, a PEC da Segurança Pública (com maior articulação entre a União, estados e municípios) e o combate ao crime organizado em toda a cadeia financeira; fim da jornada 6x1; investimentos em educação, geração de empregos e direitos trabalhistas.

Tudo tendo como fio condutor a defesa da soberania nacional, condição essencial para um projeto nacional de desenvolvimento efetivamente democrático, progressista e soberano.

A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html

Arte é vida

 

Josef Herman

13 setembro 2026

Editorial do 'Vermelho'

Flávio Bolsonaro é o único candidato a presidente investigado por corrupção
A abertura dos autos revela o candidato da extrema direita enroscado numa engrenagem de corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos graves
Editorial do 'Vermelho'  
      

A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, de mandar quebrar o sigilo de todo o caso Banco Master, dois dias depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva exigir que as investigações fossem abertas integralmente, “seja quem for, doa a quem doer”, tira o caso das sombras nas quais o também ministro André Mendonça o havia deixado. O que aparecia em pedaços começa a ser colocado sob a luz pública. E, quando a luz chega, a versão do candidato à Presidência da extrema direita, Flávio Bolsonaro, de que tudo não passaria de perseguição política começa a se desfazer diante de uma sucessão de fatos documentados.

A operação da PF de busca e apreensão relacionada à produtora e às pessoas envolvidas com o suposto financiamento do filme Dark Horse, autorizada pelo ministro do STF Flávio Dino, envolvendo recursos públicos e emendas parlamentares, tocou somente na ponta do iceberg. Mas já é evidente o contraste com a atitude de Mendonça, que meteu o pé no freio das investigações, chegando ao ponto de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada, além de determinar a interrupção da produção de relatórios de inteligência. Medida arbitrária que favoreceu as facções criminosos e bandidos de toda espécie, como o ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Dino reagiu justamente apontando o risco de paralisação de investigações em curso e determinou a reintegração dos dois dirigentes da PF.

Fachin acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontando que a divulgação feita por Mendonça não abrangia grande parte dos procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero. A determinação agora é para que sejam encaminhados todos os procedimentos contidos ou relacionados, mantendo-se sob sigilo apenas as diligências cuja divulgação possa efetivamente comprometer sua realização.

Este episódio do levantamento total dos sigilos expôs, uma vez mais, a parcialidade de Mendonça, o papel espúrio de escudo de proteção de Flávio Bolsonaro. Depois que o ministro Dino liberou para divulgação os inquéritos do Dark Horse, Mendonça, acuado, se viu obrigado a fazer o mesmo em relação ao caso do Banco Master. Mas, providencialmente, em socorro ao Bolsonaro candidato, manteve trancada, exatamente, a parte que investiga as relações de dinheiro sujo entre Flávio e Vorcaro. Cedeu e abriu, finalmente, depois de sofrer nova carga de pressão por parte de seus pares e também da opinião pública.

Se destaca, do que foi revelado, que, por solicitação da PF, com aval da PGR, o ministro Mendonça não teve como se esquivar e emitiu despacho autorizando a instauração de procedimento investigatório contra Flávio Bolsonaro por fortes indícios de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros delitos relacionados ao suposto financiamento do filme Dark Horse, em operações que envolvem pelo menos R$ 134 milhões em negociações com Vorcaro.

Os documentos da PF revelam, como destacou o portal ICL Notícias, uma conexão até então desconhecida: o mesmo grupo que atuava na estratégia digital de Vorcaro para defender o Banco Master e atacar o Banco Central também monitorava as redes sociais de Flávio Bolsonaro. A sobreposição das duas atividades levanta novas questões sobre as relações entre o entorno político do candidato e a estrutura de comunicação mobilizada pelo ex-banqueiro.

É importante lembrar que Flávio Bolsonaro mudou sua versão sobre a relação com Vorcaro. A produtora do filme chegou a negar publicamente ter recebido dinheiro do ex-banqueiro, enquanto as investigações posteriormente identificaram as transferências. O escândalo ganhou dimensão ainda maior com as informações sobre transferências para uma estrutura financeira nos Estados Unidos associada a Eduardo Bolsonaro — irmão de Flávio, seu assessor de campanha e um de seus principais articuladores políticos —, o Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos.

Segundo a PF, o fundo recebeu US$ 12,3 milhões em 2025, em remessas feitas pela Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao operador Antônio Carlos Freixo Júnior, a pedido de Vorcaro. O Havengate é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo Bolsonaro. O irmão de Flavio, Eduardo, aparece como suspeito de direcionamento dos recursos para financiar crimes de lesa-pátria, como as atividades que contribuíram para o tarifaço de Trump contra o Brasil, operação que passou a integrar o foco das investigações.

A crise político-institucional, tendo como epicentro o STF, prossegue. Ela foi detonada por uma investida da extrema direita para prejudicar a campanha de reeleição do presidente Lula e favorecer o candidato de Donald Trump e da extrema direita.

No próximo dia 15, está marcada uma sessão plenária do STF, da qual resultarão desdobramentos da crise. Mendonça perdeu, devido à inquestionável parcialidade, as condições para seguir à frente das relatorias dos casos Master e INSS e precisa ser afastado delas. Na noite deste sábado,12, o presidente Fachin adotou medidas nesta direção. Sobre Mendonça, além da parcialidade, pairam outros graves delitos, tais como interferência nas investigações, o acúmulo dos papéis de juiz e investigador, e ainda há uma reunião privada que ele teve com Vorcaro, mantida oculta pelo ministro.

Há uma incerteza sobre qual rito regerá a sessão. A pauta também está sob disputa. O ministro Gilmar Mendes encaminhou oficio ao presidente Fachin para que fossem reunidos e examinados, conjuntamente, a solicitação de abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes e o pedido com mesmo teor referente a Mendonça. Solicitação plausível. Fachin decidiu examinar separadamente. Na sessão do dia 15, o caso de Moraes, e o de Mendonça para o dia 23. Decisão controversa, que só aumenta o contencioso.

Parte da grande mídia pressiona por um desfecho unilateral: a cabeça de Moraes e ponto. Ao mesmo tempo, é indulgente com Mendonça e, na prática, pretende mantê-lo nas relatorias para que ele siga prejudicando a campanha de Lula.

É preciso que seja sanado, em definitivo, o dano provocado pelo ministro Mendonça. As prerrogativas da Presidência da República devem ser asseguradas, e o diretor-geral da Polícia e o diretor de Inteligência devem ser mantidos em suas funções.

As forças democráticas e progressistas, ao mesmo tempo em que atuam para que o STF supere a crise que enfrenta, precisam partir para a contraofensiva e a campanha à reeleição do presidente Lula retomar a iniciativa política, com a consciência de que a disputa entrou numa nova etapa, que demanda mudanças consoantes às exigências que emergiram.

Uma campanha que seja de confronto, de desmascaramento de Flávio Bolsonaro e propositiva, dando nitidez ao futuro de desenvolvimento soberano, ampliação da democracia e de elevação da qualidade de vida do povo, com valorização do trabalho e nova geração de direitos, caso o eleitorado brasileiro honre o presidente Lula com um quarto mandato.

A retomada da inciativa, além da ampliação da aliança e do reforço do engajamento da frente democrática e popular, exige alcançar um novo patamar da mobilização da larga base social de apoio de Lula. As mobilizações devem se estender por todo país.  Toda força, nas ruas e redes, redes e ruas!

A crise desencadeada começa a produzir efeitos contrários aos concebidos pela extrema direita e pelo imperialismo. Ela acendeu um sinal vermelho no campo partidário da nação e dos trabalhadores; ela começa a sacudir os ombros dos verdadeiros patriotas e democratas. Todos juntos para redobrar o empenho e os esforços para fortalecer a campanha da chapa Lula-Alckmin. No geral, os comícios de Lula têm reunido multidões. Praças imensas têm sido, completamente, lotadas, pulsando forte esperança e disposição de luta, a exemplo dos que se realizaram em Porto Alegre e Curitiba. E as últimas pesquisas atestam, apesar do bombardeio, a resiliência do presidente.

E já se vê uma face do efeito bumerangue. Uma pergunta está colocada para os eleitores e eleitoras: Flávio Bolsonaro, único candidato a presidente, investigado pela Polícia Federal, com autorização do STF, por crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, pode governar o Brasil? Quem vive do seu suor e de seu trabalho quer, no Palácio do Planalto, um candidato que sabota o fim da escala 6×1? Quem ama o Brasil deseja eleger um serviçal de Trump, que, se eleito, vai entregar as riquezas do país aos Estados Unidos? Quem valoriza a democracia dará seu voto a um candidato que, a exemplo do pai, planeja impor um regime autoritário-ditatorial?

Gol contra de André Mendonça https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01494046490.html 

Palavra de poeta

BOLETIM DE OCORRÊNCIA 
Anita Dubeux    

Amanhã os jornais não noticiarão
a explosão de saudade que vitimou 
um coração, em plena sessão de 
cinema no subúrbio da Província.
 
Desmoronou a edificação do 
esquecimento penosamente erigida 
na tristeza da ausência — efêmero 
sedimento de lágrimas e sonho, forjado 
na vigília intangível da melancolia.


[Ilustração: Alcides Santos]

Leia também "Contranarciso", poema de Paulo Leminsi https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-poeta_10.html 

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Pesquisas Quaest e Datafolha mais indicam empate técnico entre Raquel Lira e João Campos, com ligeira vantagem para a governadora. Com um detalhe: Raquel permanece onde estava e João cresce. Na reta final, tudo passa a ser decisivo. 

"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html