04 julho 2026

Minha palavra

Anotações 
Luciano Siqueira    

Faz muito tempo que não anoto minhas ideias em papel. Afastei-me do manuscrito e do datilografado paulatinamente, substituindo-os pelo digitado. 

Depois, as anotações pronunciadas de viva voz e "escritas" no bloco de notas do celular. Não por preguiça, o raciocínio flui mais rápido. 

Já não posso dizer "anotei numa folha de papel". Digo: "uma ideia digitada". 

O raciocínio se torna mais rápido? Não. O raciocínio é depois. 

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Leia também: "Duplo sentido" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-palavra_070600094.html 

Palavra de poeta

Canção Peregrina
Graça Graúna    

I
Eu canto a dor
desde o exílio
tecendo um colar
muitas histórias
e diferentes etnias

II
Em cada parto
e canção de partida,
à Mãe Terra peço refúgio
ao Irmão Sol, mais energia
e à Irmã Lua peço licença poética
para esquentar tambores
e tecer um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.

III
As pedras do meu colar
são história e memória
são fluxos de espírito
de montanhas e riachos
de lagos e cordilheiras
de irmãos e irmãs
nos desertos da cidade
ou no seio da floresta.

IV
São as contas do meu colar
e as cores dos meus guias:
amarela
vermelha
branco
negro
de Norte a Sul
de Leste a Oeste
de Ameríndia
ou de LatinoAmérica
povos excluídos.

V
Eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.
Se não me reconhecem, paciência.
Haveremos de continuar gritando
a angústia acumulada
há mais de 500 anos.

VI
E se nos largarem ao vento?
Eu não temerei,
não temeremos,
pois antes do exílio
nosso irmão Vento
conduz nossas asas
ao círculo sagrado
onde o amálgama do saber
de velhos e crianças
faz eco nos sonhos
dos excluídos.

VII
Eu tenho um colar
de muitas histórias
e diferentes etnias.

​​​​​​​[Ilustração: Candido Portinari]

Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html 

Postei nas redes

Em editorial, a Folha de S. Paulo diz que no país blocos à esquerda e à direita são minoritários, com prevalência de posições em um centro expandido. E lamenta a ausência de uma "terceira via" entre as candidaturas à presidência da República. Chora as mágoas da elite financeira dominante. 

Cada campanha é uma campanha https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao.html 

Sylvio: subserviência

Segundo se informa, em carta enviada aos Estados Unudos o senador Flávio Bolsonaro sugere que as tarifas aplicadas contra o Brasil tenham sua vigência adiada para depois das eleições. Mais uma traição contra os interesses nacionais, o que já  é  uma marca de sua família.

Sylvio Belém   

Lula reafirma soberania nacional https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/soberania-nacional.html

Palavra de Luciana

FormP&D 2026 e Lei do Bem: Inovação, Soberania e Desenvolvimento para o Brasil
Novo sistema do MCTI simplifica investimentos em P&D, amplia a transparência e reforça a inovação, a competitividade e a soberania tecnológica do Brasil.
Luciana Santos/Vermelho   
 

O Brasil vive um momento decisivo de retomada e de afirmação do seu papel no cenário global. Somos uma potência científica, com universidades pujantes, institutos de pesquisa de excelência e profissionais altamente qualificados. O grande desafio que assumimos no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) é transformar essa expressiva produção de conhecimento em riqueza real: em inovação, competitividade, reindustrialização nacional, empregos de qualidade e crescimento econômico.

É exatamente nesse cenário que a Lei do Bem se consolida como importante política pública de estímulo à inovação no setor empresarial. Ao incentivar o investimento privado em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), fortalecemos a capacidade tecnológica da nossa indústria, ampliamos a competitividade do país e avançamos na construção de uma economia dinâmica, sustentável e firmada na base do conhecimento.

Dando mais um passo firme nessa caminhada, o MCTI lançou o FormP&D 2026. Esta nova versão do sistema para as empresas declararem seus investimentos em P&D foi pensada e desenvolvida para simplificar a vida das empresas, aprimorar a integração de dados e, acima de tudo, robustecer os mecanismos de governança, transparência e acompanhamento dos investimentos.

As mudanças implementadas refletem o nosso compromisso permanente com a eficiência da gestão pública. Entre as principais novidades, destacam-se a criação de identificadores únicos para projetos, que garantem maior clareza no acompanhamento de cada iniciativa; a integração com bases governamentais e a importação automática de dados, resultando em menos burocracia e mais agilidade no preenchimento; e a ampliação dos canais de suporte, consolidando um Estado mais acessível e parceiro de quem quer inovar.

Muito mais do que uma simples atualização tecnológica, o FormP&D 2026 eleva a capacidade do Estado brasileiro de monitorar a evolução dos investimentos privados e, a partir daí, formular políticas públicas ainda mais assertivas e eficazes.

Os resultados mais recentes comprovam que estamos no caminho certo. Em 2023, o volume total investido alcançou R$ 41,9 bilhões, dos quais R$ 32,1 bilhões corresponderam a recursos próprios das empresas. Em 2024, os investimentos alcançaram a marca histórica de R$ 51,6 bilhões, sendo R$ 39,6 bilhões provenientes de aportes empresariais, um crescimento expressivo de 23% em relação ao ano anterior. O número de empresas beneficiárias saltou para 4.252, movimentando um total de 14.877 projetos de inovação. Esses são os maiores patamares já registrados desde a criação da lei.

Para efeito de comparação, entre 2019 e 2022 o aumento acumulado foi de R$ 20,3 bilhões, distribuído ao longo de três anos. Isso significa que, em apenas dois anos, o país alcançou cerca de 78% de todo o crescimento registrado no triênio anterior, evidenciando uma aceleração significativa dos investimentos privados em inovação. 

Em 2024, para cada R$ 1 de renúncia fiscal, foram mobilizados R$ 4,30 em investimentos totais em PD&I, dos quais R$ 3,30 correspondem a recursos efetivamente aportados pelas empresas. É um desempenho impressionante.

Nesse contexto, a Lei do Bem evidencia como a concessão de incentivos fiscais pode produzir efeitos econômicos maiores que os da renúncia tributária. Ao reduzir os riscos e os custos associados às atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação, o Estado estimula a iniciativa privada a direcionar mais recursos para projetos tecnológicos, ampliando investimentos que geram ganhos de produtividade, competitividade e valor agregado. Trata-se, portanto, de uma relação virtuosa em que cada real incentivado tem potencial para mobilizar múltiplos reais em investimentos privados, fortalecendo a indústria nacional, gerando empregos qualificados e ampliando a capacidade de crescimento sustentável do país.

Não há inovação sem pessoas. Por isso, celebramos com muito orgulho os índices de formação a partir das nossas ações. Em 2024, mais de 52 mil profissionais, entre pesquisadores, engenheiros, técnicos, mestres e doutores, atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento nas empresas apoiadas pela Lei do Bem.

Esse contingente de mentes brilhantes trabalha diariamente na criação de novos produtos, processos e soluções que movem o Brasil para o futuro. É a prova viva de que incentivar a inovação significa gerar empregos de alta qualificação e valorizar a inteligência brasileira dentro do nosso próprio território.

Desde o primeiro dia, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu o compromisso inabalável de recolocar a ciência e a tecnologia no centro da estratégia de desenvolvimento do país. Isso é acreditar no Brasil, nos brasileiros e no nosso futuro. Estamos reconstruindo as capacidades do Estado, fortalecendo as nossas instituições e criando pontes sólidas entre a academia e o setor produtivo. Estamos desenhando uma agenda onde o crescimento econômico caminha de mãos dadas com a inclusão social, a sustentabilidade ambiental e a nossa soberania tecnológica.

O lançamento do FormP&D 2026 faz parte desse esforço coletivo. Ao modernizar nossos instrumentos e desburocratizar os processos, pavimentamos o caminho para um Brasil mais forte, competitivo e preparado para os desafios do nosso tempo.

A inovação é o caminho mais seguro para transformar conhecimento em oportunidades, gerando bem-estar, dignidade e um futuro melhor para todas as brasileiras e todos os brasileiros.

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Leia também: O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html

Dramática Copa do Mundo

O futebol é um sopro, muda a todo instante
Jogos da Copa estão emocionantes, com muitos gols acontecendo no final. Ancelotti tem várias opções para substituir Lucas Paquetá no jogo deste domingo
Tostão/Folha de S. Paulo   

O técnico Carlo Ancelotti tem várias opções para substituir Lucas Paquetá no jogo deste domingo (5) contra a Noruega.

Uma delas é manter o tripé no meio-campo com a entrada de Danilo Santos ou Éderson, junto com Casemiro e Bruno Guimarães. Outra, utilizada no segundo tempo da partida contra o Japão, é escalar Endrick como centroavante e recuar Matheus Cunha para armar e marcar pela esquerda.

Uma terceira opção é Gabriel Martinelli, que pode fazer a função de Paquetá ou ser um ponta-esquerda que ataca e defende e ainda jogar mais centralizado, como atuou contra o Japão, quando entrou no lugar de Matheus Cunha.

Uma das qualidades de Ancelotti é não seguir os chavões, as formas pré-estabelecidas. Ele sabe o momento de decidir, mesmo se der errado, pois há inúmeros outros fatores importantes em um jogo.

A Noruega joga com quatro defensores, dois meio-campistas, um ótimo meia de ligação livre (Odegaard), dois pontas e um centroavante.

O grandalhão Sorloth, um centroavante improvisado pela direita, tem muitas dificuldades para atacar e defender, o que pode facilitar as jogadas de Vinicius Junior pela esquerda. Por outro lado, ele, como Halland, é muito forte nas jogadas aéreas. Não será surpresa se o técnico colocar o jovem Bob, rápido e driblador, para atuar pela direita e ajudar o lateral na marcação de Vini.

No imaginário dos brasileiros, a Noruega é um time de grandalhões, cinturas duras, sem habilidades e que só sabem jogar pelo alto. Não é mais assim.

A geração atual tem excelentes jogadores do meio para a frente.

Os noruegueses admiram o futebol brasileiro e eu invejo a Noruega, por ser um país com altíssimo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). O Brasil está na 84ª posição no ranking mundial. A Noruega possui índices baixíssimos de criminalidade e corrupção, níveis altíssimos de educação e presença de saneamento básico em todas as residências.

O Brasil e a Noruega devem jogar debaixo de um altíssimo calor, o que é pior para os noruegueses. A parada para hidratação é necessária, mas existe uma grande discussão se ela deveria estar sempre presente na Copa, pois muitos jogos ocorrem em estádios climatizados ou com tetos de proteção contra o calor.

Fifa diz que a pausa foi criada para proteger os jogadores e o futebol, mas é difícil acreditar vendo as imensas quantias arrecadadas pela entidade, vindas principalmente das bets. A jogatina ocasiona problemas para a saúde física, mental e financeira, com aumento do número de endividados.

Se o Brasil ganhar da Noruega, o que é o mais provável, vai enfrentar a Inglaterra ou o México. Os ingleses possuem melhores jogadores, mas o México, em casa, se agiganta. Se México e Brasil vencerem, o jogo será nos EUA.

A Argentina, em mais um jogo inesquecível do Mundial, onde estiveram próximos o desespero e o êxtase, ganhou de Cabo Verde na prorrogação e irá enfrentar o Egito, que eliminou a Austrália.

Messi, novamente, foi decisivo, com magistral gol e dois escanteios batidos com precisão nos outros dois gols. Cabo Verde encantou o mundo com sua simpatia e ótimas atuações, coletivas e individuais. Todos os que não são argentinos ou que não são apaixonados pela Argentina torceram pelo excelente goleiro Vozinha e pelo time africano.

Os jogos da Copa estão emocionantes, muito bem jogados, intensos, com aumento do número gols, muitos nos últimos minutos. Em instantes, tudo muda.

O futebol é um sopro.

[Ilustração: Rubens Gerchman]

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Como o povo brasileiro transformou o futebol em símbolo nacional https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/nosso-futebol-ja-foi-o-melhor.html

Minha opinião

Improviso e dispersão
Luciano Siqueira   

Já são seis décadas de militância e a emoção segue à flor da pele em relação a tudo o que se refere ao mais do que centenário Partido Comunista do Brasil. 

Então, numa reunião de quadros intermediários que deveria se pautar pela orientação partidária aplicada à tarefa coletiva ingente, apenas superficialidades fragmentadas são postas a debate, o velho combatente se frustra. 

Pois aí está o diferencial dentre todas as mais de 30 agremiações partidárias formalmente presentes na cena política brasileira — a capacidade e o desafio de pôr em ação a militância coletiva devidamente orientada, não apenas mobilizada por impulso. 

Mais frustrante ainda porque se abstrai a orientação tática precisa e atualizada; e recomendações específicas sobre a construção partidária no curso da luta eleitoral estabelecidas pelo centro único de direção nacional.

Frentes partidárias se assemelham ao arco-íris no qual o matiz que se pretende vanguarda jamais pode se diluir no conjunto; dele faz parte, mas se diferencia.

Na luta política essa diferenciação só é possível quando vincada pela orientação traçada.

Fora disso, o improviso e a dispersão ineficientes.

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