26 maio 2026

Minha opinião

Com as costas nuas
Luciano Siqueira  
instagram.com/lucianosiqueira65 
 
 

Não foi uma escolha consensual, mas indicação do pai ex-presidente encarcerado. Daí ter sido acolhido com reservas, explícitas ou implícitas, por parte de segmentos da extrema direita e do centrão.

O bom desempenho nas pesquisas – apenas um retrato do momento -, todos dizem, se dá em razão do recall do sobrenome

Agora, mesmo articulistas da mídia dominante simpáticos à pré-candidatura em favor do mercado financeiro, repisam de muitas formas o incômodo que são as relações financeiras e pessoais com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

É a situação do senador Flávio Bolsonaro (PL), por enquanto pré-candidato à presidência da República.

O discurso anticorrupção sai pelo ralo. As justificativas frágeis e claudicantes revelam fragilidade moral e política.  

Daí a movimentação de outros pré-candidatos do mesmo campo político – Caiado e Zema, sobretudo – em busca de espaço.

Uma guerra particular na extrema direita. Tomara que dure e ultrapasse as convenções partidárias eleitorais.

O lado de cá, perfilado em apoio a Lula, ganha pontos.

[Ilustração: imagem em IA]

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Leia também: O mundo cabe numa Organização de Base https://lucianosiqueira.blogspot.com/2023/05/minha-opiniao_18.html 

Indicadores econômicos

PIB, emprego e agro impulsionam economia brasileira, diz IBGE
Informativo “Indicadores Econômicos do Brasil – 2025” aponta quinto ano consecutivo de crescimento do PIB, com avanço do emprego e recordes no agro
Murilo da Silva/Vermelho  

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou, na sexta-feira (22), o informativo “Indicadores Econômicos do Brasil – 2025″, com os principais resultados econômicos do país no último ano.

Como destaca o informativo, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 2,3% em 2025, sustentado principalmente pela agropecuária, enquanto a inflação desacelerou para 4,26% e a taxa de desemprego caiu para 5,6%, o menor nível da série histórica iniciada em 2012.

O cenário refletiu avanços no emprego, na agropecuária e nos serviços, inflação mais controlada e desaceleração em parte do comércio.

PIB

Quanto ao PIB, o informativo ressalta o crescimento por cinco anos seguidos. Em 2025, o crescimento econômico foi de 2,3%, abaixo dos 3,4% registrados em 2024.

A agropecuária foi o principal vetor de desenvolvimento, responsável por cerca de 1/3 do crescimento de 2025, com safras recordes de milho e soja. A indústria, comércio, serviços e construção avançaram menos, com taxas abaixo de 3%.

Segundo o documento, o agro foi impulsionado pelo clima favorável e pela expansão da área plantada. A pecuária alcançou máximas históricas nos abates de bovinos, suínos e frangos, além de recordes na aquisição de leite e na produção de ovos.

Ainda que de forma mais modesta, o comércio varejista avançou 1,6%, completando nove anos de expansão, e o setor de serviços cresceu 2,9%, acumulando cinco anos consecutivos de alta.

Por outro lado, a indústria brasileira cresceu apenas 0,6% em 2025, puxada pelas indústrias extrativas, enquanto a indústria de transformação foi afetada pelos juros elevados.

Menor desocupação e maior rendimento

A taxa de desocupação ficou em 5,6%, em 2025, e atingiu o menor nível da série histórica, enquanto o contingente de desocupados caiu 14,5%.

“A população ocupada foi estimada em 103,0 milhões de pessoas em 2025. Frente a 2012, quando a população ocupada era de 89,2 milhões de pessoas, houve aumento de 15,4%. Já a população desocupada totalizou 6,2 milhões de pessoas em 2025. Comparando-se com 2024, houve redução de 14,5% no contingente de desocupados. Em 2025, a taxa de desocupação, que representa o percentual de desocupados sobre a força de trabalho, foi estimada em 5,6%, e atingiu o menor nível da série histórica, 1,0 p.p. menor que em 2024 (6,6%)”, revela o informativo.

O rendimento médio real também voltou a crescer nos últimos anos. Depois de quatro anos de quedas consecutivas desde 2019, o rendimento médio real voltou a crescer a partir de 2023 e chegou ao ponto mais alto da série histórica ao marcar R$ 3 694.

Isso representou crescimento real de 5,8%, em relação a 2024, e de 18,6%, em relação a 2012.

A massa salarial também atingiu recorde no ano anterior, ao ficar em R$ 375,4 bilhões, uma elevação real de 7,7% em relação a 2024. “O crescimento da massa de rendimento foi impulsionado pelos aumentos da população ocupada e, majoritariamente, do rendimento médio”, indicam os dados.

Inflação em queda

A inflação desacelerou em 2025. Segundo o IBGE, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado no ano ficou 0,57 pontos percentuais (p.p.) abaixo do resultado do ano anterior.

Os grupos de maior impacto foram habitação; saúde e cuidados pessoais; alimentação e bebidas; e transportes.

Os custos da construção civil subiram 5,63% em 2025, com alta de 7,63% na mão de obra e de 4,2% nos materiais, enquanto os preços ao produtor industrial recuaram 4,51%, na segunda maior queda da série histórica iniciada em 2014.

Os resultados reunidos no informativo “Indicadores Econômicos do Brasil – 2025″ refletem os dados das pesquisas conjunturais do Instituto. Uma edição referente aos números de 2024 já havia sido lançada. Entre os inúmeros levantamentos considerados estão a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua; Pesquisa Industrial Mensal (PIM), Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, entre outros.

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A escala 6×1 e o espírito do capitalismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/alienacao-jornadas-extensas.html

Postei nas redes

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL), bolsonarista raiz, também envolvido até a goela com o banqueiro presidiário Daniel Vorcaro, é alvo de operação da Polícia Federal. Cruz credo! 

À noite nem todos os gatos são pardos https://lucianosiqueira.blogspot.com/

Humor de resistência

 

Ric

Filme falseia a história para transformar Bolsonaro em mártir e vender conspirações https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/dark-horse.html 

Sob o governo Bolsonaro

Endividamento das famílias explodiu sob o governo Bolsonaro, aponta Dieese
Estudo mostra que escolhas da gestão bolsonarista, agravadas pela pandemia, levaram a um salto recorde de famílias endividadas entre 2019 e 2022
André Cintra/Vermelho 
 

O Brasil saiu do governo Jair Bolsonaro (PL) mais desigual, mais vulnerável e dramaticamente mais endividado. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor da Confederação Nacional do Comércio (Peic-CNC), analisados pelo Dieese, mostram que a deterioração ocorreu sobretudo entre 2019 e 2022.

O estudo contraria a narrativa de recuperação econômica acelerada após a pandemia. Em vez de retomada, o País viveu a expansão de um modelo em que o crédito caro virou instrumento de sobrevivência.

Segundo a Peic-CNC, o percentual de famílias endividadas saltou de 58,9% em dezembro de 2018 para 78% em dezembro de 2022, um aumento recorde de 19,1 pontos percentuais em apenas quatro anos. Nenhum outro governo da série histórica produziu avanço tão intenso e rápido.

No terceiro ano do governo Lula, por exemplo, o crescimento do endividamento foi inferior a três pontos percentuais. A atual gestão lançou programas voltados diretamente à renegociação de dívidas, como o Desenrola Brasil, criado em 2023, e o Novo Desenrola, anunciado neste mês.

Quando a dívida virou política econômica

A explosão do endividamento durante o governo Bolsonaro foi resultado de uma “tempestade perfeita”, formada pela combinação de pandemia, perda de renda, inflação elevada, precarização do trabalho e expansão do crédito caro. Em 2020, a Covid-19 paralisou economias no mundo inteiro. Parte do choque econômico foi global e atingiu todos os países.

Mas, no caso brasileiro, a confluência entre inflação persistente, juros elevados e recuperação baseada em informalidade ampliou os efeitos sobre as famílias. Enquanto alguns países ampliaram proteção social e sustentação da renda, o Brasil entrou na crise já fragilizado por desemprego elevado, informalidade crescente e baixo dinamismo econômico.

Sob pressão do Congresso e dos movimentos sociais, Bolsonaro lançou o auxílio emergencial de R$ 600. A medida teve papel importante na redução temporária da pobreza. Só que bancos e financeiras, ávidos por lucros, aproveitaram o cenário de fragilidade social para ampliar rapidamente a oferta de consignado, cartão de crédito e empréstimos pessoais para uma população cuja renda seguia extremamente instável.

A expansão agressiva do crédito, somada à posterior redução da proteção social, ajudou a empurrar uma parcela crescente das famílias para ciclos permanentes de endividamento. Quando inflação e desemprego ainda pressionavam os mais pobres, o auxílio emergencial foi gradualmente reduzido – para R$ 300 e, depois, para R$ 200. Muitas famílias passaram a contratar uma dívida para pagar outra.

O crédito substituiu o salário

As regressões no mercado de trabalho – que pioraram após a reforma trabalhista, de 2017, e a reforma da Previdência, em 2019 – aprofundaram a instabilidade. Grande parte dos empregos criados era informal, precária ou de baixa remuneração. A condução econômica do período, em plena crise sanitária, contribuiu para consolidar uma recuperação baseada na “uberização” do trabalho.

A informalidade empurrou trabalhadores para uma rotina sem carteira assinada, sem estabilidade e com renda oscilando mês a mês. Sem acesso a linhas mais baratas de crédito, esse contingente passou a depender do rotativo do cartão e de financeiras com juros abusivos. Qualquer imprevisto, como uma doença ou um aluguel atrasado, podia se transformar em dívida impagável.

Ao mesmo tempo, o custo de vida disparava. A inflação de 2021 atingiu 10,06%, a maior desde 2015. O índice pressionou os itens mais consumidos pelas famílias de renda baixa, como alimentos, combustíveis, gás de cozinha e energia elétrica. Mesmo trabalhadores empregados passaram a não conseguir fechar as contas no fim do mês.

O crédito deixou de financiar consumo extraordinário e passou a bancar supermercado, aluguel, remédios e despesas básicas. Era a armadilha clássica do superendividamento: famílias pegavam empréstimos para pagar parcelas anteriores e, pouco depois, precisavam de novos empréstimos para cobrir juros acumulados.

A armadilha dos juros

O problema foi agravado pelo choque de juros iniciado em 2021. Sob comando de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, o Banco Central promoveu um dos ciclos de alta da Selic mais agressivos da história recente. A taxa básica saltou de 2% ao ano, em março de 2021, para 13,75% em agosto de 2022.

A escalada dos juros encareceu brutalmente o crédito ao consumidor. Entre 2020 e 2022, os juros médios cobrados das famílias passaram de 41,5% para 52,1% ao ano. No crédito rotativo do cartão, algumas modalidades ultrapassavam 400% anuais. O Brasil já operava uma das estruturas bancárias mais caras do mundo. Com inflação elevada e alta acelerada da Selic, o endividamento virou uma bomba-relógio social.

Outro fenômeno importante foi a financeirização crescente da vida cotidiana. Bancos digitais, fintechs e plataformas online ampliaram enormemente a oferta de empréstimos rápidos e fáceis, muitas vezes acompanhados de pouca transparência sobre juros efetivos.

Nos últimos anos de Bolsonaro no poder, sobreveio um elemento adicional: o avanço das apostas online. As “bets” passaram a capturar parcela importante da renda popular, especialmente entre jovens e trabalhadores precarizados. Essas apostas venderam a ilusão de renda extra num ambiente já marcado por sufoco financeiro.

Enquanto isso, o discurso oficial seguia baseado em indicadores macroeconômicos isolados para sustentar a ideia de prosperidade. Mas crédito abundante, combinado com juros abusivos e inflação elevada, produziu dependência financeira.

Legado invisível

O estudo do Dieese ajuda a pôr o debate em bases concretas. O endividamento não explodiu porque os brasileiros “gastaram demais”. A dívida cresceu porque o salário deixou de sustentar padrões mínimos de vida.

Entre 2019 e 2022, o governo Bolsonaro administrou a crise social da pandemia por meio de transferências temporárias e expansão do crédito, mas sem reconstruir emprego estável, política salarial consistente ou proteção social duradoura. O resultado foi uma economia sustentada artificialmente pelo endividamento das famílias.

Nem a recuperação parcial do emprego foi suficiente para aliviar o peso de parcelas, renegociações e juros sobre juros. Em setembro de 2022, a um mês das eleições presidenciais que deram a vitória para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80,3% das famílias com renda de até dez salários mínimos estavam endividadas.

De acordo com o Dieese, este é um dos principais legados sociais do bolsonarismo: a consolidação de um modelo em que o crédito caro compensava temporariamente a perda de renda – até que a conta chegasse. Foi um ciclo em que os brasileiros não enriqueceram, não empreenderam e não ascenderam socialmente. Apenas aprenderam a sobreviver parcelando o presente enquanto o futuro chegava cobrado em juros.

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A escala 6×1 e o espírito do capitalismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/alienacao-jornadas-extensas.html

Enio Lins opina

A esperança em Lula lá e o perigo do bolsonarismo lalau
Enio Lins  

PESQUISA DATAFOLHA divulgada sexta-feira (22) mostrou o presidente Lula com 40% das intenções de voto contra 31% do primogênito do Jair, no 1º turno. Noutra simulação, com a substituição do filho Zero-Um pela esposa Zero-Três, Lula tem 41% e Michelle 22%. Segundo o instituto, Lula ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio B. O estudo, realizado entre 12 e 14 de maio, mostrou, num segundo turno, Lula com 47% e Flavito 43%. No levantamento anterior, estariam empatados com 45%.

ONTEM, A NEXUS/BTG 
divulgou nova pesquisa, quentinha. Cenário 1 para o 1º turno: “Lula (PT) – 40%; Flávio Bolsonaro (PL) – 35%; Ronaldo Caiado (PSD) – 5%; Romeu Zema (Novo) – 4%; Renan Santos (Missão) – 3%; Joaquim Barbosa (DC) – 2%; Augusto Cury (Avante) – 1%; Cabo Daciolo (Mobiliza) – 1%; Nenhum/branco/nulo – 7%”. A enquete, feita depois do escândalo Bolsonaro/Vorcaro, atestou que 86% dos entrevistados tomaram conhecimento da mutreta Dark Horse. Num 2º turno, em três cenários, os resultados apontaram: Lula 47% contra 43% de Flavito; Lula 49% contra 38% de Zema; Lula 46% contra 40% de Caiado. Abstenções ficaram na casa dos 10%, brancos e nulos na faixa de 2% (ambos marcadores oscilando dentro da margem de erro de 3%). Vale registrar a coerência com os resultados do Datafolha de três dias atrás.

EM TERMOS DE INTENÇÃO
 de voto, considerando a similitude entre duas pesquisas distintas – DataFolha e Nexus/BTG – conferindo 31%/35% no primeiro turno, e 43% no segundo turno para o nome representante do bolsonarismo é, simultaneamente, patético e perigoso. Escandaloso. Pela folha corrida familiar, qualquer nome apresentado como herdeiro político de Jair, o presidiário, deveria alcançar, no máximo 0,44%, que é o percentual aproximado referente à população carcerária brasileira. É chocante comprovar que um herdeiro direto da familícia Bolson4ro – envolvida acintosamente com ligações íntimas com milicianos, rachadinhas, imóveis pagos à vista, furto de joias, tentativa de golpe de Estado etc. – domina em torno de 1/3 do eleitorado brasileiro. Esse índice reafirma os gigantescos obstáculos para o Brasil se transformar num país capaz de aproveitar seus próprios potenciais, e libertar-se das amarras herdadas do colonialismo, patrimonialismo e escravismo, que fincaram raízes nesse generoso pedaço de terra desde 1500.

NÃO INDICAM ESSAS 
pesquisas as perspectivas de composição na Câmara e no Senado, mas a história recente tem apresentado resultados em descompasso retrógrado com os resultados auferidos nas eleições presidenciais. Mas não há do que reclamar, muito menos se desestimular. Pois a novidade, desde 1894, é que forças de centro-esquerda e de esquerda se têm mantido competitivas nas eleições presidenciais. O fato novíssimo, em termos históricos, é candidaturas identificadas como esquerda vencendo cinco das nove eleições presidenciais realizadas desde a Redemocratização. Ressalte-se, a bem da verdade, que Fernando Henrique Cardoso, vitorioso em duas eleições presidenciais nesse período, apesar de carimbado como “neoliberal”, nunca foi de direita (pelo contrário, foi um representante dos setores democráticos que lutaram contra a ditadura). Collor, associado à direita, foi eleito e impichado aceitando as regras democráticas. A extrema-direita mais obtusa, golpista, defensora da ditadura militar, ganhou apenas uma eleição, em 2018, mas graças à fraudes jurídicas que afastaram Lula da disputa, somadas à uma facada a favor do “treinado para matar”. As novas pesquisas, entretanto, confirmam que a Democracia segue sob risco de sofrer mais um coice do dark horse miliciano, mesmo encarcerado. É um grande perigo que não pode, nem deve, ser menosprezado. Atacar o bolsonarismo, sem dó nem intervalo, é indispensável gesto de autodefesa democrática.

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Lula ganha pontos e a direita segue dividida https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_11.html

Palavra de poeta

INVENTÁRIO
Geir Campos 

Esta epiderme há muitos muitos anos
me cobre: guarda algumas cicatrizes,
outras não lembra mais, e até mistura
uns caminhos da infância a outros de agora.
As unhas não direi que são as mesmas
com que o seio nutriz terei vincado:
são mais duras, mais feias e mais sujas
— pois nem sempre de amor e entrega foi
o chão em que plantei, colhi nem sempre.
Se os dentes não gastei, gastei meus olhos
entrevendo paisagens, vendo coisas,
cegando-me ante sésamos de sombra.
A alma apanhou demais e vai pejada,
mas vão leves as mãos cheias de nada.

 
[Ilustração: Pablo Picasso]
 
"Talvez um ano meio morno e cinza. Só isso" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/minha-opiniao_94.html