30 julho 2026

Inferno digital

Por uma resposta estrutural às bets
No mundo, US$5,9 bilhões foram gastos em apostas durante a Copa do Mundo. Problema não é só de saúde, mas o setor deve dar respostas. Elas passam por barrar publicidade e restringir acesso a plataformas – mais do que promover “jogo responsável”
Cláudia Braga/Outras Palavras   

A Copa do Mundo de 2026 acabou; o debate sobre as bets, não.

Segundo o The New York Times, estima-se que 5.9 bilhões de dólares foram apostados globalmente durante esta Copa do Mundo; 69% desse valor foram movimentados em operações de apostas não regulamentadas.

No Brasil, diversos sites de notícias noticiaram um número alto de apostas no período – as informações variam, mas indicam gastos com apostas próximos a 1 bilhão de reais, envolvendo quase 40% da população brasileira. Desse total, estima-se que mais de 70% sejam homens e 80% pertençam às faixas de renda média e renda baixa, com maior concentração de apostas nos estados do Centro-Oeste brasileiro e em alguns estados da Região Norte. 

Para quem acompanhou os jogos – não os de azar, os de futebol -, era notável a intensa propaganda de casas de apostas e mesmo o incentivo constante para apostar realizado por algumas mídias, especialmente nos jogos de azar com apostas de quota fixa (conhecidas como bets). Não à toa, esta Copa do Mundo vem sendo chamada de Copa das Bets.

O problema das apostas certamente não se reduz a uma questão de saúde, embora possa envolvê-la em algumas situações. Atribuir unicamente a prática nociva de apostas a um problema de saúde – e, mais especificamente, de saúde mental – é, mais uma vez, cair na armadilha da psiquiatrização de problemas sociais. As pessoas apostam por muitos motivos, que vão do entretenimento e da busca por excitação à prática criminosa de lavagem de dinheiro.

Mas também as pessoas apostam imaginando que poderão resolver problemas financeiros ou mesmo enriquecer. Ocorre que apostas envolvem perdas que podem, por sua vez, levar a perdas ainda maiores. Estima-se que o maior volume da receita dos jogos de azar, cerca de 60%, seja proveniente de uma minoria de apostadores, que abrange justamente aquelas pessoas que realizam apostas em níveis prejudiciais. Ou seja, o modelo econômico da indústria dos jogos de azar depende desproporcionalmente das pessoas que mais apostam.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, as apostas como um problema de saúde atingem cerca de 1.2% da população mundial. É possível que esse número aumente nos próximos anos, considerando o rápido crescimento global do mercado de apostas, impulsionado pelo maior acesso a dispositivos eletrônicos, como os celulares, que colocam não apenas as plataformas de apostas, mas um ambiente digital ao alcance das mãos.

O desafio atual e futuro será responder aos inéditos problemas criados por presença intensa e potencialmente prejudicial nos ambientes digitais – que, não esqueçamos, inclui o debate sobre uso das redes sociais por crianças e adolescentes, por exemplo –, sem cair na armadilha de reproduzir uma política alarmista e reducionista do problema das apostas em jogos de azar apenas como um problema de saúde mental, rotulado em um diagnóstico psiquiátrico. 

As propostas da The Lancet

Com a expansão global da prática de apostas em jogos de azar, que levou ao aumento do número de pessoas com problemas de saúde relacionados às apostas, em 2024, a The Lancet criou a Public Health Commission on Gambling – uma comissão de saúde pública em jogos de azar, reunindo um painel de especialistas para analisar o problema e propor respostas para o campo. Um dos objetivos da Comissão é afastar o entendimento de que se trata apenas de um problema individual ou do uso de estratégias de “jogo responsável” – uma ideia desenvolvida pela indústria dos jogos de azar que desvia a atenção da necessidade de regulação pública -, desenvolvendo reflexões e respostas que reconheçam os determinantes sociais e comerciais de saúde.

A Comissão sustenta que a prática das apostas afeta, para muito além da saúde das próprias pessoas que apostam, seu entorno, como familiares e comunidade, com impactos na economia e vida social. Este é um ponto de partida fundamental: a Comissão afirma que os danos causados pelas apostas abrangem mais do que o definido pelo CID-11 e DSM 5 como “transtornos de apostas”.

Como abordagem para o problema, a Comissão indica combinar ações voltadas às pessoas, mas com intervenções estruturais de peso, sendo enfática: “Fornecer serviços de apoio, tratamentos e proteção para indivíduos em situação de risco é, sem dúvida, importante. Aprimorar ainda mais esses recursos e tornar o apoio protetivo amplamente disponível continua sendo uma prioridade. No entanto, enquadrar o problema dessa maneira e concentrar a atenção política em um pequeno subconjunto de pessoas que jogam desvia o foco das práticas da indústria e do comportamento corporativo”.

Assim, recomenda a disponibilização de serviços de cuidado para pessoas afetadas por problemas relacionados às apostas, e enfatiza que, entre as medidas que podem ser destinadas para apoiar a redução ou mesmo interrupção da prática de apostas de maneira danosa, estão a adoção de estratégias de autoexclusão de plataformas e o desenvolvimento de ferramentas para que as pessoas monitorarem o tempo e dinheiro gastos nesses ambientes digitais.

No âmbito das intervenções estruturais, a Comissão sugere que os governos adotem estratégias semelhantes às utilizadas historicamente para responder às indústrias do tabaco e do álcool, com foco na regulação do mercado e das plataformas. Recomenda, ainda, o desenvolvimento de estratégias amplas para reduzir a exposição e o uso de plataformas de apostas, incluindo restrições à publicidade, controle de patrocínio esportivo e limitação da disponibilidade e do acesso.

O que o Brasil tem feito?

As apostas esportivas e os jogos online foram regulamentados no Brasil pela Lei nº 14.790/2023.

Em 2024, foi publicada a Portaria SPA/MF nº 1.231, “que estabelece orientações e medidas para assegurar que as operações de jogos e apostas promovam a integridade e o bem-estar dos apostadores”. A portaria reconheceu o tema como uma questão que envolve a saúde, e estabelece, entre suas diretrizes, a “prevenção e mitigação de malefícios individuais ou coletivos decorrentes da atividade”, incluindo as “consequências negativas à saúde mental do apostador em virtude de dependência, compulsão, mania ou qualquer transtorno associado ao jogo ou apostas, tais como o jogo patológico ou abusivo”.

Muito mais recentemente, em meio à polêmica em torno da publicidade de apostas durante a Copa do Mundo, foi assinada a Portaria Interministerial MF/SECOM/MJSP nº 73 que coloca regras para a publicidade de apostas conhecidas como bets.

Vale registrar outras duas iniciativas adotadas pelo governo federal. A primeira, foi a elaboração do Guia de Cuidado para Pessoas com Problemas Relacionados a Jogos de Apostas, que orienta o SUS, especialmente a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), no acolhimento, acompanhamento e cuidado das pessoas afetadas por problemas relacionados às apostas. O guia inclui um “autoteste de jogo” para apoiar as pessoas na reflexão sobre sua relação com os jogos de azar.

A segunda iniciativa, que dialoga muito com as recomendações da The Lancet Public Health Commission on Gambling, foi a criação de uma ferramenta de autoexclusão de plataformas de apostas. Embora ainda não seja possível avaliar os resultados e os impactos dessa medida, dados da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, divulgados em reportagem da BBC News Brasil, revelam um expressivo aumento do número de pessoas que solicitaram sua autoexclusão de plataformas de apostas online durante as semanas da Copa do Mundo. A reportagem informa: “entre 15 e 28 de junho, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, gerida pelo governo federal, recebeu 250.129 pedidos de bloqueio ou de prorrogação de bloqueios feitos por usuários. (…). Isso representa uma média de 17.866 solicitações por dia no período. Para efeito de comparação, de 11 a 25 de maio, antes do início do torneio, haviam sido registrados 38.907 pedidos ao longo de 15 dias, uma média de 2.594 por dia”.

Debates a fazer, práticas a construir

Qual será o futuro das apostas online e o quanto elas irão, de fato, representar uma demanda expressiva para o SUS em razão de necessidades de cuidado em saúde e saúde mental, ainda não é possível saber.

Aliás, esse é o caso geral relacionado aos ambientes digitais. O que se pode afirmar é que a vida em ambientes digitais seguirá existindo e, caso sejam superadas as iniquidades digitais, tenderá a envolver mais e mais pessoas.

Um caminho que, até o momento, parece adequado para responder aos novos problemas que se apresentam é o desenvolvimento de estratégias centradas em intervenções nos próprios ambientes digitais, incluindo a regulamentação de plataformas. O número de pessoas que acessaram rapidamente a plataforma de autoexclusão criada pelo governo federal, no Brasil, é um indicador de que medidas do tipo podem ser de significativo alcance, cabendo investir em sua ampla divulgação.

No mais, cabe cautela. Estabelecer uma associação direta entre a prática prejudicial de apostas e o imaginário social em torno da ideia de “vício” é arriscado, especialmente pelas soluções simplificadoras que – já vimos essa história antes com a fabricada “epidemia de crack”- podem decorrer dessa compreensão e que encontram amplo apoio social. Nos últimos 40 anos, a experiência cotidiana de decodificação das demandas narradas por pessoas e comunidades em necessidades reais de cuidado no SUS e, depois, na RAPS, mostra que problemas complexos exigem respostas igualmente complexas. Um pacto em torno de entendimento do tipo, assinalando a importância de ser pautada a questão das das bets, mas evitando que isso se torne um problema de responsabilidade pessoal e que o tema seja explorado de forma predatória pelos meios de comunicação, pode ser um avanço.

Quanto ao debate sobre a necessidade de ir além e sobre a possibilidade de proibição das bets, essa parecer ser uma discussão que permanecerá em aberto, ainda que tenha apoio social para o seu fim.

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Leia também: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Editorial do 'Vermelho'

Ataque de Milei ao Brasil aumenta isolamento de Flávio Bolsonaro
Presidente argentino desrespeitou o povo brasileiro e as instituições da República, atuando como linha auxiliar de Trump nas agressões à soberania do país
Editorial do 'Vermelho' 

A presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na esvaziada convenção do Partido Liberal (PL) teve efeito contrário ao esperado pela candidatura de extrema direita de Flávio Bolsonaro. Ele atacou as instituições brasileiras e, de forma pessoal e institucional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Milei mirou em Lula e no STF, mas acertou, em cheio, a candidatura de seu anfitrião.

Conforme manifestação do Ministério das Relações Exteriores, o episódio é lamentável e inédito, destacando que não há precedentes de um chefe de Estado estrangeiro em território nacional assacar insultos contra as instituições e o povo brasileiro.

O embaixador do Brasil na Argentina, Júlio Bitelli, foi chamado de volta a Brasília para consultas. E o embaixador argentino no Brasil, Daniel Raimondi, recebeu uma manifestação formal de protesto do governo brasileiro. Houve também manifestações de repúdio de juristas e magistrados. No Congresso Nacional, parlamentares protocolaram um projeto para declarar Milei persona non grata no Brasil.

Segundo o jornal argentino La Nación, “dezenas de diplomatas, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais, tanto da ativa quanto aposentados, de ambos os países, não têm dúvidas de que a maior crise diplomática do último meio século entre Argentina e Brasil acaba de ser desencadeada”. O jornal Clarin disse “o conflito rompe uma tradição histórica de dar prioridade ao bom relacionamento”.

A atitude de Milei se insere na atmosfera criada pelo governo dos Estados Unidos com as causas alegadas para o tarifaço de Donald Trump, aberta ingerências em decisões das instituições democráticas do país, e ataques a autoridades, além da recente ameaça ao processo eleitoral brasileiro com a tentativa de Washington de enviar representantes para questionar a integridade das urnas eletrônicas.

Outra ação de Trump contra o Brasil foi a prorrogação, por mais um ano, da chamada “emergência nacional”, declarada contra o Brasil, mantendo em vigor a “ordem executiva”, lei que autoriza o presidente estadunidense a adotar medidas econômicas em situações consideradas de emergência, que não requer aprovação do Congresso. O documento classifica o Brasil como uma ameaça “incomum e extraordinária” à segurança nacional, à política externa e à economia dos Estados Unidos.

O presidente da Argentina contou com essa cobertura para disparar sua metralhadora giratória, na verdade um espetáculo de fanfarronice. Ele também aspira ser uma espécie de vice-rei da América do Sul, o principal protagonista da extrema direita na região. Suas diatribes vêm de sua ideologia, mas a cobertura de Trump é determinante.

Milei repetiu a verborragia neofascista do secretário de Estados dos Estados Unidos, Marco Rubio, que liderou a “Reunião Ministerial sobre o Ressurgimento do Terrorismo Político”, organizada pelo governo Trump no dia 16 de julho de 2026, em Washington, reunindo representantes de mais de 60 países para debater e coordenar ações contra o que ele classificou como “terrorismo político de extrema-esquerda”.

O pano de fundo é a chamada nova estratégia de segurança nacional de Trump, centrada no lema America First (os Estados Unidos em primeiro lugar) e na retomada da Doutrina Monroe, no combate rígido à imigração e na pressão sobre a alegada influência da China no Hemisfério Ocidental.

Ou seja: quem não se curvar a Washington é classificado como “comunista”, o inimigo a ser combativo e destruído, manobra para tentar encobrir o receituário neocolonial e reciclar os ditames do neoliberalismo. Obviamente que não é possível impor essa agenda num ambiente regido pela democracia. Daí o projeto de instituir governos autoritários para impor esse receituário com mão de ferro.

Flávio Bolsonaro é o principal responsável por essa pantomima de Milei. O governador paulista Tarcísio de Freitas é corresponsável. O presidente argentino esteve com ele no Palácio dos Bandeirantes para receber a Ordem do Ipiranga, a mais alta honraria concedida pelo estado de São Paulo. Outra manifestação de extrema direita se deu com a mensagem do genocida Benjamin Netanyahu, que enviou um vídeo apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro.

As dificuldades do candidato da extrema-direita para ganhar votos da direita não bolsonarista, e mesmo de setores intermediários entre a sua candidatura e a de Lula, aumentaram. A ampla repercussão negativa da performance do bufão Milei se soma ao seu isolamento político, decorrência de sua lista de escândalos de corrupção e envolvimento com o crime organizado, além do vergonhoso conluio com o governo Trump para sabotar a economia e a democracia do Brasil.

A atitude de Milei é mais uma evidência de que reeleger o presidente Lula é decisivo para a defesa para a defesa da pátria e do futuro do povo brasileiro. De grande relevância também à causa da democracia e da soberania nacional dos países da América Latina e Caribe.

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Sylvio: pusilânime

Chanceler argentino diz que Milei apoia Bolsonaro, mas não  quer romper com o Brasil. Fica difícil de entender depois dos insultos e agressões proferidos por ele no Brasil, num comportamento que fica entre a molecagem e a psicopatia. Assuma sua irresponsabilidade e covardia, Javier!

Sylvio Belém 

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Enio Lins opina

Donald e a interferência trumpista na eleição brasileiraEnio Lins   

SURPRESA NÃO É, mas é um escândalo internacional a divulgação – a partir dos Estados Unidos – que o autocrata Donald Trump está dando andamento a seu plano para fraudar as eleições brasileiras. O galegão do veneno da Casa Branca está acelerando seu velho anseio de subjugar o Brasil.

AO DAR GUARIDA A BANDIDOS brasileiros nos Estados Unidos, Trump, desde o início de sua segunda locação da Casa Branca, sustenta delinquentes para atuarem a seu serviço, garantindo-lhes coito para atacar o Brasil, especialmente os poderes Judiciário e o Executivo. Dentre esses apaniguados, o pequeno Paulo – neto do finado general Figueiredo – exibe vínculos velhos com Donald, desde a construção de um hotel com a marca Trump na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. O projeto não se realizou e gerou investigações sobre fraudes, provocando a prisão do neto de Figueiredo, em Miami, em 2019 – mas tendo o cúmplice como presidente dos Estados Unidos, passou apenas 17 dias em cana, cumprindo cerca de dois anos de medidas cautelares na Flórida até o caso se trancado no Brasil em 2021 (durante o mandato do amigão Jair). Outros meliantes, foragidos da justiça brasileira e protegidos por Donald são – só para citar dos mais famosos – Allan dos Santos, Dudu Bananinha e Alexandre Ramagem, todos atacando o Brasil.

COMO A CANDIDATURA do filho do presidiário naufragou, e com o aumento dos problemas políticos de Trump nos Estados Unidos e no resto do mundo, o oligarca ianque voltou a provocar o Brasil. O retorno das taxas inexplicáveis contra as exportações brasileiras – que prejudica também empresários americanos – foi acompanhado da retórica virulenta de um de seus mais fiéis áulicos, o cubano Marco Rubio, replicando declarações hostis de Trump, evidenciando o fim do “pintou um clima” com Lula.

CAIU A FICHA DE TRUMP em relação ao fracasso da candidatura do filho do presidiário, assim como a falta de competitividade dos demais candidatos com disposição de lhe dobrar o espinhaço. Donald acelerou na interferência direta nas eleições brasileiras, e analistas enxergaram na escalafobética participação do presidente argentino na convenção bolsonarista como mais uma cutucada trumpista. Mas a mais escandalosa expressão dessa política provocativa foi o envio de dois agentes nada secretos do governo americano ao Brasil, para difamarem o sistema eleitoral brasileiro. Na cara de madeira, sem disfarces. Apropriadamente, o Itamaraty negou visto à dupla.

DENUNCIADOS PELO THE WASHINGTON POST, os agentes Riley Barnes e Samuel Samson ficaram expostos antes de iniciarem a missão. Dançaram. Samson é o mais notório, com extensa folha corrida. O Post denunciou que ele “viajou da África para a Europa, promovendo a linha política conservadora do presidente Donald Trump e cultivando laços com grupos de direita”, conforme repercutido pela BBC. Por sua vez, matéria no The New York Times informou que “Samson esteve à frente de esforços para redefinir as relações dos EUA com a Europa e que, ao viajar pelo continente, buscou estreitar laços de Washington com figuras da direita radical europeia e fortalecer essas figuras em detrimento da classe política centrista da Europa”. Ainda segundo o NYT, em maio deste ano, o agente trumpista “esteve em Paris tentando convencer uma comissão de direitos humanos de que Marine Le Pen, líder da direita radical francesa recentemente condenada por se apropriar indevidamente de fundos europeus para financiar seu partido, havia sido ‘injustamente perseguida’”.

BARRADOS NO BAILE, os dois agentes provocadores de Trump serão seguidos de muitas outras tentativas trumpistas/bolsonaristas para tumultuar as eleições brasileiras. Não é novidade. Cabe ao Brasil manter a atenção em alta, responder cada provocação sem aperreio, e votar com segurança e tranquilidade.

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Leia também: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

O silêncio seletivo da grande mídia e a blindagem de Flávio Bolsonaro na engrenagem da “Lava Jato 2.0” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/conspiracao-midiatica.html 

Minha opinião

A soberania nacional, por exemplo*
Luciano Siqueira 

Os maiores jornais do país e todo o complexo midiático neoliberal dominante expressam, a todo instante, dupla e capciosa interpretação do embate eleitoral. 

Uma (verdadeira), a precariedade do discurso dos pré-candidatos da extrema direita à Presidência da República, Caiado, Zema e, sobretudo, Flávio Bolsonaro.

Nas convenções que homologaram suas candidaturas, nada mais do que impropérios dirigidos contra o presidente Lula e o campo popular e democrático; e esquálidas ideias gerais (reacionárias) sobre a situação atual e os destinos do país.

A outra (falsa), obsessiva cantilena destinada a desvalorizar e distorcer toda e qualquer iniciativa ou pronunciamento do presidente.

Ações como Desenrola Brasil 2.0, que propicia alívio a aproximadamente 24 milhões de consumidores (19 milhões de famílias), são acusadas de "eleitoreiras".

Idem quanto ao Brasil Soberano 3, que socorre setores de nossa economia duramente afetados pelo tarifaço desferido pelo governo norte-americano. 

Minimamente honesto seria reconhecer que o governo cumpre a plataforma da reconstrução nacional que deu conteúdo à candidatura do presidente Lula em 2022.

A defesa da soberania nacional é um dos seus eixos centrais, traduzida agora em palavras e ações consequentes nos terrenos político e diplomático.

Envolve a autonomia geopolítica, o desenvolvimento socioeconômico e a proteção dos recursos naturais e das instituições do país.

Mais explicitamente, inserção global pragmática e independente na cena internacional, com ênfase no BRICS e MERCOSUL; resistência a sanções e tarifas coercitivas; a proteção de recursos naturais estratégicos (como terras raras e lítio) para, ao invés de simplesmente exportar matéria-prima, gerar valor agregado e empregos.

Mais: a soberania sobre a Amazônia, a regulação das big techs, a defesa do Pix, a rejeição a interferências externas sobre o sistema judiciário e as eleições têm sido reafirmadas corretamente pelo presidente Lula, em visível contraste com a postura entreguista da extrema direita.

Questões centrais no tempo presente e em perspectiva. Devem ser abordadas, sim, promovendo consequências efetivas e elevando o nível de consciência politica do eleitorado.

*Texto da minha coluna semanal no Vermelho www.vermelho.org.br   

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Governo Lula lança Brasil Soberano 3 https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/brasil-soberano-3.html