20 junho 2026

Sylvio: soberania

Ao alertar Trump dizendo "não se meta em nossas eleições", Lula sinaliza, com veemência, que somos um país livre e democrático cuja soberania não está em jogo. Em resumo: cuide de seu quintal, que do nosso cuidamos nós. 

Sylvio Belém   

Diplomacia altiva e propositiva https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/lula-no-g7.html 

19 junho 2026

Minha opinião

EUA no Irã: e agora?
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65   

Fortalece-se a cada dia a percepção dos norte-americanos – reverberada por analistas da grande mídia ianque – de que no conflito EUA versus Irã não haverá vencedores.

Uma forma amena de reconhecer que Donald Trump não obteve o que pretendeu ao desencadear a guerra.

Fala-se em “ciclo autodestrutivo”, onde o sofrimento humano e a destruição material anulam qualquer ganho político ou estratégico a longo prazo.

Além disso, há uma espécie de subproduto geopolítico que se expressa no isolamento internacional e o desgaste moral dos EUA, carente de aliados “pra valer” na empreitada criminosa, salvo Israel.

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Leia também: "Confissão pública" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_0837578382.html 

Arte é vida

 

Ángel Zárraga

Futebol permite sonhar o sonho impossível https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/futebol-ciencia-arte.html 

Uma crônica de Abraham Sicsu

É de lamber os beiços: São João chegando
Abraham B. Sicsu 

Minha neta, três anos, logo vai dizendo para minha companheira: “Vovó, gosto de cuscuzinho e carninha!”

O flocão de milho entremeado com queijo coalho, daquele que derrete na cuscuzeira, uma delícia. Se colocar uma manteiga por cima então!!

O bodinho guisado, prato das tradições nordestinas, refogado com um molho grosso com alho, cebola, tomate e colorau. Não deixem de colocar o coentro e o cominho, lembrem-se que isso é do Nordeste.

São João é sinônimo de boa mesa, de comida de milho. É ela que dá o sentido, com ela se mantém a animação.

No entanto, não é só ele, há de se criar o clima, com música e tira-gostos.

A mesa tem que trazer uns antecedentes para animar. A caninha boa para uma lapada, o amendoim torrado e cozinhado, pode ter também o de casca japonês que é crocante, os queijinhos, onde se sobressaem o de manteiga e o coalho, umas azeitonas para lembrar as tradições portuguesas.

Não se esqueçam do cachorro quente. O nosso, não aquele insosso americanizado. Com carne moída e lingüiça esmiuçada, com vinagrete, sem aquela gororoba de ketchup e  mostarda.

Indispensáveis, as espigas de milho. Assado ou cozinhado. Apenas com manteiga e sal esparramados por riba. Se tiver uma fogueira, o assado fica mais gostoso. Mas, não coloque muito perto dela que queima.

Como já dito, o milho é a atração principal. É nele que se baseia a comida da festa.

A pamonha feita de milho verde ralado e embrulhada em palha da espiga. Pode ser salgada ou doce. A salgada, com recheio de queijo e sertaneja lingüiça, minha predileção. A doce, com leite e açúcar, a mais famosa. Às vezes colocam um pouco de coco ralado.

O mungunzá, que os sulistas com falta de boa linguagem, chamam de canjica, com milho branco e calda cremosa de leite de coco e açúcar, quentinho, aquece nosso estômago.

A canjica, chamada de curau nas plagas do sul, com suco de milho verde espremido, leite e açúcar, deve estar bem cremosa. Compro na feirinha de orgânicos, toda a semana, e faz parte do meu café da manhã.

A seção de bolos é verdadeira loucura. No mínimo cinco variedades. Dão gosto ao forró e arrasta pé que domina a musicalidade e dança. Com ingredientes bem regionais. O milho, a macaxeira, o coco, o amendoim.

Meu favorito é o de macaxeira. Bem úmido tipo pudim, com uma casquinha dourada de fora e raspas de coco. Como sempre alguns pedaços.

A tradição pernambucana incorporada no Souza Leão. Muito doce, açúcar era nossa riqueza, virou Patrimônio Cultural de Pernambuco. Massa de mandioca, muita manteiga e ovos, adicionados a um exagero do adoçante.

O Mané Pelado, o mais tradicional bolo de milho. Com queijo meia cura, coco fresco ralado e milho verde. Veio do Brasil Central e aqui se estabeleceu. Nos bolos de milho existem variações, podendo ser cremoso, de liquidificador ou tipo broa, a gosto do freguês. 

Pé de Moleque, para mim, é sinônimo de Dona Teresa, a quituteira. Não aquele duro que quebra o dente. Mas o nosso, feito de macaxeira, café forte, rapadura, cravo, canela e castanha de caju. Com gosto marcante, com crocância, com cremosidade.

Por fim, a unanimidade nacional. O Bolo de Rolo. Com camadas finas, com recheio de goiaba. Que dá sentido ao degustar, ao sentir suavidade. Lembro e sinto ainda o paladar do famoso que era feito por Luisa Cardoso, o primeiro que experimentei, faz mais de cinqüenta anos.

Não se esqueçam dos doces em calda, tradições vindas das épocas de engenhos, que, colocados sobre os bolos tornam as iguarias meladas e deliciosas. Adoro os de goiaba e jaca.

Para terminar, não esqueça o licor de jenipapo, podendo também ser  de graviola, mangaba, maracujá, tamarindo, umbu e jabuticaba, frutas nossas, bem nossas, sempre preparadas para as festas juninas.

Uma mesa de São João tem história, tem cultura, tem o Nordeste presente.

[Ilustração: Anita Malfatti]

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Leia também: "Onde tudo se disputa" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/minha-opiniao_01973223157.html

Palavra de poeta

Último poema
Manuel Bandeira    

Assim eu queria o meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um  soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

[Ilustração: Edward Hopper]

Leia também: Um milhão de amigos e a trena imaginária https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/minha-opiniao_10.html 

Fotografia

 

Pedro Caldas

Na acirrada disputa presidencial, Lula passa à frente https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/editorial-do-vermelho_01182781367.html 

"Civilização ecológica"

Inédito em português, livro aborda modernização ecológica chinesa
Com estreia na Feira Internacional do Livro de Pequim nesta quarta (17), “Perspectiva Ecológica da Modernização Chinesa” já está disponível para compra e será lançado no Brasil no dia 29
Piscila Lobregatte/Vermelho
 


Pela primeira vez editado em língua portuguesa, o livro “Perspectiva Ecológica da Modernização Chinesa” (2026), de Zhang Yongsheng, já está disponível para compra. Sua estreia global aconteceu nesta quarta-feira (17), na 32ª Feira Internacional do Livro de Pequim. No Brasil, o lançamento será no dia 29 de junho.

A versão traduzida é publicada pela Fundação Maurício Grabois, em parceria com a editora Chongqing e está à venda no site da livraria Anita Garibaldi.

O lançamento brasileiro será no dia 29 de junho, às 19h, com debate que reunirá os pesquisadores Elias Jabbour (UERJ), André Tokarski (Unialfa), Inamara Melo (Ministério do Meio Ambiente), além do professor Humberto Mattos, Ricardo Abreu Alemão (Cebrach) e Walter Sorrentino, presidente da Fundação Maurício Grabois. O evento terá transmissão pela TV Grabois.

Civilização ecológica

A publicação apresenta o conceito de “civilização ecológica”, formulado no contexto da modernização socialista chinesa, e discute alternativas ao modelo de desenvolvimento associado à crise ambiental e aos limites da civilização industrial capitalista.

Ao mesmo tempo, analisa como a China articula planejamento estatal, desenvolvimento econômico e transição ecológica em sua estratégia contemporânea.

O autor da obra, Zhang Yongsheng, é pesquisador e diretor-geral do Instituto de Estudos da Civilização Ecológica da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS), tornou-se uma referência nos debates sobre desenvolvimento verde e transformação ecológica.

Na apresentação da edição brasileira, o presidente da Fundação Maurício Grabois, Walter Sorrentino, diz que a publicação é um acontecimento editorial e político relevante diante dos desafios ambientais do século 21, ao mostrar “um socialismo capaz de reconciliar a humanidade com a natureza e afirmar, contra o desespero do capitalismo em crise, a esperança revolucionária de uma nova civilização”.

Além disso, salienta que a publicação oferece “uma oportunidade única de compreender o pensamento por trás da civilização ecológica”, conceito que, segundo ele, emerge da experiência chinesa de modernização socialista.

Seis perspectivas da modernização chinesa

O livro é o primeiro volume publicado no Brasil da série “Seis perspectivas da modernização chinesa”. Editada pelo pesquisador em socialismo com características chinesas e ex-vice-presidente da CASS, Jiang Hui, a série traça um panorama da modernização chinesa a partir de seis perspectivas: o mundo, os valores, a história, a civilização, a democracia e a ecologia.

A edição brasileira de “Perspectiva Ecológica da Modernização Chinesa” nasce de convênio estabelecido pela Grabois com a Academia de Marxismo e a Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

A tradução para o português foi feita pelo jornalista, editor e escritor Bernardo Joffily, a partir da edição em espanhol traduzida por Lou Yu e Lin Yue. A publicação conta, ainda, com apoio do Centro de Estudos Avançados Brasil-China (Cebrach).

Para saber mais e adquirir o livro, clique aqui https://www.livrariaanita.com.br/perspectiva-ecologica-da-modernizacao-chinesa/p