Blog de Luciano Siqueira
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
07 junho 2026
Minha opinião
O lugar da leitura
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Desde que surgiu a escrita na história da Humanidade,
por volta de 3.300 aC, a leitura ocupou lugar privilegiado na vida das pessoas. Em todas
as épocas, inclusive no tempo presente de avassalador predomínio da comunicação
digital instantânea e superficial.
Lendo, o individuo é instado a considerar o ponto de vista do outro,
tenha ou não plena consciência disso.
E a imaginar – aproximando-se subjetivamente da realidade ou dela aparentemente
se afastando pela construtiva abstração, que funciona como uma espécie de
viagem às variadas dimensões da sociedade humana.
No tempo presente, em que o sistema capitalista dominante experimenta
grave e incontornável crise, há uma espécie de esperneio que atua terrivelmente em favor de uma espécie de minimização
da condição humana.
A chamada “guerra aérea”, na qual a tecnologia mortífera até dispensa a
invasão de tropas agressoras ao território inimigo, turva a visão de mundo do
cidadão comum, internauta e telespectador.
Os que leem, entretanto, se apossam de um leque mais abrangente de considerações
e valores que propiciam a visão crítica.
Assim, a leitura é indispensável, sobretudo aos que se batem contra as
iniquidades da sociedade atual e miram um futuro de emancipação do trabalho, liberdade
e valorização da condição humana.
Paulo Freire, a seu tempo, associou a alfabetização e o ingresso de indivíduos
empobrecidos pela exploração ao mundo da leitura à tomada de consciência
política e ao envolvimento na luta coletiva.
Cá em nosso modestíssimo (e artesanal) blog, a imagem ilumina a necessidade da leitura e quando alcança
(nem sempre) quase 60 mil acessos diários dá a sensação de que de algum modo e
cá com nossos botões, como se diz, estamos contribuindo para a elevação da
consciência social e para o ímpeto guerreiro de muita gente.
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Edson Santana: "Quem não lê depende de quem leu" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/a-leitura-nossa-de-cada-dia.html
Uma crônica de Abraham Sicsu
No embaralhar da vida
Abraham B. Sicsu
Não, não quero falar de política. Nem, também, das contradições de uma sociedade desigual e contraditória. Meu tema é outro. Ligado ao cotidiano. Coincidências que confundem, que vão esgarçando os princípios que nos orientam, que tornam a vida mais complexa.Velho gosta de tudo previsto, nada de surpresas, nada de situações inusitadas. Algo fora de lugar, ou que exija novas iniciativas, o atordoam, o deixam “aperreado”.
Tornam a vida um problema, um inferno a ser enfrentado, mesmo que sejam apenas coisas pontuais, que têm boas perspectivas para serem resolvidas, de solução previsível.
Pior, quando o ritmo de solução não depende de nós, quando se é obrigado a esperar que o outro tome uma atitude, assuma a dianteira. Isso é terrível, angustiante, aguardar o outro traz um sufoco nada suportável.
Tive que fazer uma retificação na minha declaração de imposto. Todos os dias abro o computador para ver se já processaram. Frustração diária já sabida. Tive que comprar uma passagem com pontos do programa fidelidade e recursos financeiros, um problema insolúvel, apenas equacionado por meu filho. Fazem os “APPs” incompreensíveis para idosos.
Fiz alguns trabalhos e a remuneração não entra na conta. Não faz falta, tenho certeza que sairá, mas incomoda. Uma infiltração de água numa parede. Não se descobre a origem, chamo especialistas, nada dizem de concreto. Outro motivo para agonia. Um conserto numa esquadria. Depende de um dia de sol. Faz uma semana de chuva. Nova decepção.
Isso falando apenas do material, não vou entrar aqui no emocional, mas pequenas atitudes, pequenos contratempos, reações um pouco diferentes das esperadas, levam a uma tristeza profunda. Ninguém gosta mais de mim? Ou, eu quero um tratamento individualizado impossível no mundo atual?
Expectativas não realizadas são um problema. Também, divergências de opiniões. A quebra da rotina traz motivos para um questionamento infindável, sem propósito reconheço, mas concretamente sentido.
Tenho um grupo de estudos que se reúne todas as quartas, das 15 às 16. Quatro amigos que trabalharam juntos, que tem interesses comuns, que gostam de ler textos sobre economia e se divertem debatendo. É virtual desde a pandemia, mas nunca deixou de acontecer.
Semana passada um dos participantes, o mais afeto à área de Cultura, indica um livro, uma biografia de um jornalista que sempre muito admirei. Diz da maravilha do texto e da facilidade do seu fluir. Terminada a reunião, vou ao Amazon e compro. Adoro livros, adoro biografias. Chega no dia seguinte.
Começo a leitura. Empolgado. Nas primeiras páginas, referindo-se à infância e formação da personagem, encontro a frase:
“Como lembrou Pierre Bourdieu, na construção dessa espécie de artefato socialmente irrepreensível que é a história da vida e, em particular, no privilégio concedido à sucessão longitudinal dos acontecimentos constitutivos da vida considerada como a história em relação ao espaço social na qual se realizam não é em si mesma um fim. Ela conduz à noção de trajetória como série de posições sucessivamente ocupadas por um mesmo agente num mesmo espaço que é ele próprio um devir, estando sujeito a incessantes transformações.”
Entenderam? Fiquei um bom tempo relendo e me “encucando” pela minha total falta de compreensão de texto tão “facilmente” compreensível. Brincadeira à parte, o livro é muito bom e recomendo a leitura, “De Milton a Millôr” de Andrea Cristina Queiroz.
Todo sábado é obrigação. A passagem em uma venda para tomar uma ou duas, de preferência três. Se tiver uma carninha ao molho com um pãozinho fatiado, melhor ainda. Amigos que se encontram para jogar conversa fora, lá pelas dez da manhã. Neste, na mesa, fora os itinerantes que sempre se aproximam, um artista plástico e um engenheiro florestal.
Começaram discutindo Recife e o esvaziamento do turismo advindo dos ataques de tubarões. Posições controversas que me eram incômodas. Diziam das placas de aviso existentes e que a culpa era das pessoas, irresponsáveis que não seguiam as recomendações. Contra-argumentei, mas não é tema para este texto. Como disse no início, também não é tema a política e suas consequências, papo que também rolou. O problema surge ao se falar de futebol.
A dita seleção e o momento em que vivemos. A apatia reinante e a falta de poder acreditar que, pelo menos, exista um ópio ou qualquer narcótico que desejarem para aliviar as mazelas reinantes. A falta de esperança como saída para um continuar vivendo, mesmo sendo massacrados, principalmente os mais oprimidos.
Tentei argumentar que algo melhorou, que temos avançado, que é verdade que todos estão endividados, mas se tenta minorar o sofrimento. Qual nada, ninguém escuta, com detalhes mostram como “o mundo sempre foi, sempre será uma porcaria, sim senhor, no quinhentos foi e no dois mil será”,... ou já é.
Descrença, sentimento que impera naqueles que sempre lutaram por acreditar que tudo vai melhorar.
Desilusão, aqueles que ainda acreditam, que se sentem pressionados, se sentem impotentes mesmo na contraposição, contra-argumentação.
Diria o poeta:
“Desilusão, desilusão
Danço eu, dança você
Na dança da solidão”
[Ilustração Genaro de Carvalho]
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Leia também: Abraham Sicsu aborda a intolerância nas relações humanas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/02/uma-cronica-de-abraham-b-sicsu_14.html
Postei nas redes
Noticia a revista Exame, o presidente Lula alcança o primeiro lugar no Índice Datrix de Presidenciáveis, o IDP, que mede a força digital de pré-candidatos à presidência da República. Tudo a ver com a defesa da soberania nacional.
Lula desmascara extrema direita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-lula.html
Palavra de Luciana
Tecnologias quânticas: soberania e inovação para o futuro do Brasil, por Luciana Santos
As tecnologias quânticas despontam como uma fronteira capaz de redefinir economias, fortalecer soberanias e criar soluções para desafios complexos
Luciana Santos/Vermelho
Estamos em um momento decisivo para o futuro do desenvolvimento global. Assim como a eletricidade, a informática e a internet transformaram profundamente a sociedade, as tecnologias quânticas despontam agora como uma nova fronteira científica e tecnológica capaz de redefinir economias, fortalecer a soberania das nações e criar soluções para desafios complexos da humanidade.
É por isso que o Brasil não pode apenas acompanhar essa transformação, precisa participar dela como protagonista.
No Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação temos trabalhado para posicionar o país de forma estratégica nessa agenda. Estamos apoiando a construção do Centro Internacional de Computação Quântica (Ciquanta-PB), na Paraíba, que abrigará os dois primeiros computadores quânticos operacionais da América Latina. Também lançamos a segunda chamada do edital Mais Inovação Brasil, conduzido pela Finep, que representa mais um passo nessa direção ao destinar recursos para projetos inovadores, incluindo uma linha temática dedicada às tecnologias quânticas.
Nosso objetivo é claro: reduzir dependências externas, fortalecer capacidades nacionais e inserir o Brasil nas cadeias globais de tecnologias de alto valor agregado.
Quando falamos em tecnologias quânticas, falamos sobre dominar conhecimentos capazes de revolucionar áreas como computação, segurança da informação, indústria, defesa, saúde e exploração de recursos estratégicos. Estamos falando de computação quântica, com capacidade de enfrentar problemas que hoje desafiam até os supercomputadores mais avançados; de comunicação quântica, baseada nas leis da física para oferecer novos patamares de segurança; e de sensores quânticos, que ampliam radicalmente nossa capacidade de medir, detectar e inovar.
Mas essa não é uma construção que começa agora. O Brasil possui uma trajetória sólida de formação científica nessa área. Desde o início dos anos 2000, grupos de excelência vêm consolidando uma base robusta de pesquisa, formando especialistas e criando infraestrutura de ponta. Instituições como o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), instituição vinculada ao MCTI, por meio do laboratório QuantumTec, e redes como o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Informação Quântica mostram que o país construiu uma base humana e científica valiosa, e é sobre ela que estamos avançando.
O compromisso do governo do presidente Lula, é transformar conhecimento em desenvolvimento. Isso significa apoiar pesquisadores, conectar universidades, centros de pesquisa e empresas, estimular parcerias estratégicas e criar condições para que a ciência brasileira se converta em inovação, competitividade e oportunidades para nossa população.
A história mostra que os países que lideram revoluções tecnológicas não são apenas aqueles que consomem inovação, mas os que investem na capacidade de produzi-la.
Por isso, investir em tecnologias quânticas é investir em soberania. É preparar o Brasil para um novo ciclo de desenvolvimento científico e industrial. É garantir que nossos talentos, nossas instituições e nossas empresas estejam na linha de frente das transformações que definirão o século XXI.
No Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, seguimos trabalhando com uma convicção profunda: ciência não é gasto, é projeto de nação.
O futuro está sendo construído agora. E o Brasil precisa estar preparado para liderá-lo.
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Leia também: Um caminho para a Soberania Digital Brasileira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/soberania-digital.html





