02 agosto 2026

Palavra do PCdoB

PCdoB com Lula e Alckmin: rumo a um Brasil soberano e desenvolvido
O programa de governo do próximo mandato de Lula (2027-2030) contou em sua construção com a participação do PCdoB e da Fundação Maurício Grabois
Portal Grabois   

A Convenção Nacional do PCdoB aprovou nesta quinta-feira (30) um manifesto que oficializa o apoio à chapa de Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin para as eleições de 2026. Sob o lema “Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho”, o documento apresenta as diretrizes políticas da legenda e sustenta que o próximo mandato deve inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento, marcado pela superação da etapa de reconstrução iniciada no último mandato, após os quatro anos do governo de Jair Bolsonaro.

No manifesto “Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho”, o PCdoB avalia que a eleição de 2026 representa uma disputa da frente democrática comprometida com soberania, desenvolvimento, inclusão social e uma ordem internacional multipolar contra a extrema-direita, aliada aos setores neoliberais.

O programa de governo do próximo mandato do presidente Lula (2027-2030) contou em sua construção com a participação de partidos, fundações, especialistas de diferentes áreas e contribuições da sociedade. A Fundação Maurício Grabois (PCdoB) integrou a coordenação do debate participativo e da formulação final do documento Plano Participativo pelo Brasil, pelos brasileiros. No dia 22 de junho, a Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil apresentou sua contribuição ao Programa de Campanha Lula Presidente 2026. Intitulado Rumos soberanos para uma nova arrancada do desenvolvimento, o documento apresentou diretrizes e propostas que o partido considera centrais para um novo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre 2027 e 2030. 

Leia a íntegra do manifesto:

PCdoB com Lula e Alckmin
Avançar no rumo de um Brasil soberano, desenvolvido e de valorização do trabalho

O Brasil sempre foi maior do que os obstáculos que tentaram impor ao nosso povo. Foi assim quando conquistamos a democracia, enfrentamos a fome, ampliamos direitos, valorizamos o trabalho e fizemos milhões de brasileiros acreditarem novamente no futuro.

Agora chegou o momento de dar um passo adiante, de romper com as amarras do atraso e ir além da reconstrução do que foi destruído, empreendida com sucesso pelo atual governo do Presidente Lula. É preciso abrir um novo ciclo de desenvolvimento soberano capaz de transformar profundamente o país e assim também transformar a vida do nosso povo. É para cumprir essa missão que o Partido Comunista do Brasil compõe a frente democrática e popular por um novo mandato para o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula é o líder necessário que detém a experiência e a liderança nacional, o respeito internacional e o compromisso social para conduzir essa transição.

O PCdoB conclama a sociedade brasileira para participar desse processo. O desafio é simples de compreender e grandioso de realizar: adotar um caminho próprio para um salto civilizacional que nos torne uma nação soberana, forte e influente, mais desenvolvida e, sobretudo, mais próspera e justa para nossa gente.

O caminho para isso está apontado no Plano de Governo Participativo da campanha de Lula, com a contribuição do PCdoB. Esse Plano expressa a confiança que temos de que a nova vitória em outubro pode realizar tais objetivos.

Alicerçados no apoio e na mobilização popular e com direção estratégica do novo governo construiremos um país com uma verdadeira mobilidade social ascendente, em que o crescimento econômico valorize o trabalho com empregos de qualidade em larga escala e salários melhores, a educação pública de excelência seja prioridade permanente, onde a defesa da vida tenha no SUS fortalecido um fator decisivo, garantindo o direito à saúde acessível e sem filas de espera, com cidades mais humanas e segurança para viver, com oportunidades para a juventude e dignidade para quem envelhece, onde a cultura ocupe seu lugar na consolidação de nossa nacionalidade e a ciência seja reconhecida como patrimônio estratégico do nosso povo.

Neste país a riqueza produzida precisa estar a serviço de elevar o bem-estar do nosso povo, assegurar amplos direitos sociais e civis a mulheres e homens, independentes de cor da pele, de gênero, de orientação sexual e opção religiosa.

Para isso, é preciso realizar uma grande e intensiva etapa de industrialização em novas bases tecnológicas. Nenhuma nação alcançou alto nível de desenvolvimento e de qualidade de vida abrindo mão das suas indústrias, capacidade científica e soberania. Uma indústria moderna, inovadora, digital, ambientalmente sustentável, integrada à revolução científica e tecnológica do nosso tempo e voltada à superação dos grandes desafios nacionais é imprescindível para garantir nossa soberania e superar a elevada desigualdade social que marca nossa história.

Tal desafio nos exige dominar tecnologias estratégicas, ampliar os investimentos em pesquisa, inovação, educação e saúde, agregar valor às nossas riquezas naturais e criar milhões de empregos qualificados com melhores salários para as próximas gerações, elaborar marcos regulatórios soberanos para a transição digital, energética, exploração da cadeia das terras raras e enfrentamento das mudanças climáticas. Esse é o caminho para romper os limites do atual modelo de décadas de baixo crescimento e desigualdade.

O povo brasileiro quer e merece mais! O Brasil tem pressa. Isso requer mudanças para superar o desalento e o rebaixamento cultural imposto pelas forças dominantes. E temos todas as condições para isso, proporcionando cidadania plena a milhões de pessoas excluídas.

Somos uma potência agrícola, energética, mineral, científica, ambiental e cultural. Possuímos um dos maiores mercados internos do planeta. Dispomos de universidades, institutos de pesquisa, trabalhadores qualificados e uma juventude criativa. Precisamos de decisão política e de um plano nacional de desenvolvimento para colocar nossas capacidades em movimento.

Esse projeto exige um Estado forte, democrático e eficiente. Capaz de planejar o futuro, induzir e coordenar investimentos públicos e privados, fortalecer a infraestrutura, impulsionar a inovação, apoiar quem produz, garantir serviços públicos de excelência e reduzir as carências regionais e sociais que ainda dividem nosso país. A política econômica deve servir às pessoas, e não submeter a sociedade aos interesses do capital financeiro e dos rentistas. O Estado e seu orçamento devem contemplar quem trabalha e produz.

São objetivos que exigem colocar em marcha um plano de desenvolvimento com metas nítidas e coordenação de todo o governo. Nossa soberania começa pela capacidade de defesa nacional, de produzir conhecimento, energia, alimentos, tecnologia, medicamentos e soluções para nossos próprios desafios. Soberania também se conquista quando o Brasil atua no mundo com independência, cooperação, parcerias e alianças condizentes aos seus interesses, defesa da paz e compromisso com um desenvolvimento sustentável, solidário e multipolar.

Mas nenhuma dessas transformações acontecerá espontaneamente. Aqueles que lucram com o atraso continuarão defendendo um país dependente, desindustrializado, desigual e subordinado aos privilégios de poucos e das grandes potências estrangeiras. Suas armas são a imposição de juros altos e austeridade fiscal para assegurar extraordinários rendimentos financeiros, próprias do sacrossanto receituário neoliberal.

Por isso, o desafio de nosso tempo é construir uma nova mobilização política, social e cultural para abrir caminho para a transformação!

É preciso uma nova maioria na sociedade e no parlamento formada por trabalhadores e trabalhadoras, pela juventude, pela comunidade científica, pelos setores produtivos, pelos sindicatos e movimentos sociais, pela cultura, pelos empresários comprometidos com o desenvolvimento nacional e por todos aqueles que acreditam na democracia e na soberania.

Uma maioria capaz de colocar os interesses nacionais e populares acima dos lucros do rentismo, da atual composição do Congresso Nacional, do atraso e da intolerância. Maioria para produzir mudanças com reformas estruturais no país, no campo político e institucional, da política econômica, macroeconômica e tributária.

Nesse sentido, as eleições de 2026 serão uma escolha entre dois projetos de país.

De um lado, a extrema direita e os setores que apostam na divisão do povo, no negacionismo, na violência política, na destruição de direitos e na submissão do país aos interesses estrangeiros. Aqueles que querem destruir a democracia e atar o Brasil a reboque dos interesses dos países imperialistas.

De outro, estamos com Lula para inaugurar um novo ciclo histórico de desenvolvimento soberano, democrático e inclusivo por uma vida melhor para os brasileiros e brasileiras. Aqueles que situam o nosso país em alianças internacionais em prol do seu Projeto Nacional e por uma ordem mundial mais justa e democrática.

É essa escolha que está diante de nós. É esse o chamado que o PCdoB faz à sociedade brasileira. Avançar na elaboração de um novo Projeto Nacional de Desenvolvimento para fazer do Brasil uma nação que transforme as riquezas em prosperidade compartilhada, crescimento econômico em oportunidades e desenvolvimento em qualidade de vida.

O futuro não será obra do acaso. Será resultado da vontade organizada de um povo que decide acreditar novamente em si mesmo. Envolve estimular uma consciência nacional vocacionada a um país plenamente desenvolvido e senhor do seu destino. Para os comunistas, essas conquistas que as forças progressistas são chamadas a realizar nesse futuro imediato desbravam caminho e acumulam forças para a jornada de lutas pelo socialismo em nossa pátria.

É tempo de dar um passo adiante e fazer do próximo governo Lula o vetor de referência e mobilizador do país, com rumos soberanos para uma arrancada do desenvolvimento, na busca da construção de uma grande nação, para uma vida melhor a todos os brasileiros e brasileiras.

Nós brasileiros e brasileiras, temos, nesta hora, o privilégio e a responsabilidade de sermos decisivos para assegurarmos a reeleição do presidente Lula, condição imperativa para o futuro promissor que almejamos. Igualmente, nosso voto e nossa mobilização são imprescindíveis para que tenhamos uma forte bancada de parlamentares no Congresso Nacional sem a qual é impossível a realização das mudanças. Venham e juntem-se à campanha eleitoral alegre, criativa e combativa do PCdoB, pela vitória de Lula, pela eleição de deputados/as de nossa legenda e também de deputados/as estaduais, além de nossos aliados.

Brasília, 30 de julho de 2026

Documento aprovado pela Convenção Eleitoral Nacional
do Partido Comunista do Brasil-PCdoB

O mundo gira. Saiba mais  https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Humor de resistência

 

Claudius

O pensamento crítico na era dos algoritmos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/bolha-algoritmica.html 

Uma crônica de Urariano Mota

O poeta negro Miró da Muribeca, voz antirracista do Recife
Os jornais não registram a data, os portais na internet não percebem a sua falta, então é preciso que um escritor conterrâneo e de origem fraterna o lembre
Urariano Mota/Vermelho
 

Quando às vezes nos encontramos cansados, ou com a mais incômoda esterilidade, eis que cai sobre nós um assunto ou pessoa que exige merecidas linhas. Este é o caso do poeta Miró da Muribeca, que faleceu em 31 de julho de 2022. 


Faz só quatro anos, e parece que ninguém mais o lembra! Os jornais não registram a data, os portais na internet não percebem a sua falta, então é preciso que um escritor conterrâneo e de origem fraterna o lembre. 


Em um Recife de tantas vozes negras, entre as quais poucas se veem como afrodescendentes, ponho Miró da Muribeca ao lado de Solano Trindade, o grande poeta comunista, que legou poemas inesquecíveis como “Tem gente com fome”. Miró está ao lado de Solano não bem pela consciência socialista, de marxismo, mas pela consciência de classe vivida, negra, expressa em poesia que é um soco no estômago de toda a gente.

Tantas coisas a falar sobre Miró. Tantas, que nem consulto anotações e textos anteriores, como os que escrevi sobre a sua biografia publicada pela Cepe, e no Dicionário Amoroso do Recife. Seria fácil, copiar e colar. Mas não, à sua maneira, vou improvisando no livre fluxo da memória. De repente, estou com ele no Recife, próximo ao Bar Mamulengo, tiramos fotos. Ou na Rua do Bom Jesus, onde lhe digo, “Miró, escrevi sobre você”, e ele, grande, se curva num cumprimento que é uma graça. Ou diante da sua estátua, e recito versos em que o poeta fala que nas farmácias não existe remédio para a dor da saudade. Ou seria algo contra a dor da falta de amor?

De outra oportunidade, me contam que Miró estava numa roda de jovens na Rua da Moeda, no Recife Antigo, e os policiais o escolhem para sofrer um “baculejo” (gíria para a vistoria policial no corpo de uma pessoa). Ele foi O escolhido. Então, de volta à mesa, os jovens se revoltam contra a discriminação da polícia. E Miró os consola:

— Nada, véi, tudo bem. Fazia tempo que ninguém pegava no meu saco.

E todos riem. Pois Miró era assim, ele arrancava do trágico, ou do dramático, a maior comicidade. Como numa declamação de poema, na Bienal do Livro, onde foi sucesso absoluto entre os jovens recifenses de todas as cores e classes. No palco, ele declamou, pelo que cito de memória:

“— Mãe, pai fumava maconha?

E a mãe:

— Já tá querendo saber demais!”.

Ou quando, em surtos ou contestação, andava de saia, de vestido, pelas ruas do Recife. A qualquer estranheza, ele respondia: “É a roupa da minha mãe que morreu. É assim que me lembro dela”. Ou quando o encontrei, no Pátio de Santa Cruz, no dia em que me dirigia pra falar sobre o grande músico de frevo Maestro Nunes, numa missa de sétimo dia, e no bar às 9 da manhã Miró já estava bebendo a sua cerveja. E lhe disse:

— Miró, vamos homenagear o Maestro Nunes, aqui perto, na Igreja de Santa Cruz. Você vem?

E ele, com um sorriso:

— Depois, eu vou.

E fiquei com a esperança de que ele fosse mesmo, pelo menos como um intervalo na cerveja. Esperança frustrada. Depois, em outra oportunidade, num dos bares do Mercado da Boa Vista, quando ele ficou aos beijos cada vez mais insistentes em cima da minha filha Luanda. Tive que aguentar a mistura de admiração por Miró e o desgosto por aquela manifestação teimosa. Mas assim era a alma do poeta, na alegria e na tristeza. Ele amava, amava e amava demais, mas com maior frequência tinha de volta o desamor, desamor e desamor. O seu coração era um disparador de bumerangues.

Então, por fim, em um último recurso, divulgo aqui vídeo do que falei sobre ele, no dia em que o poeta foi homenageado pela Bienal do Livro de Pernambuco.

Para Miró, em 31 de julho de 2026.

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Leia também: Urariano Mota "Para um encontro de amigos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/uma-cronica-de-urariano-mota.html

Sylvio: condenado nos termos da Lei

O senador Flávio Bolsonaro compara situação do pai a período de repressão durante o AI 5 da ditadura. Não sei se o faz em razão de total desconhecimento de nossa história ou tentando  confundir, pois durante a época sombria em que nossa Constituição foi violada e substituída pelos nefastos atos institucionais, quem tentasse fazer oposição ao governo imposto à força pelos militares seria preso e torturado, como foram milhares de brasileiros. Na situação atual, Jair Bolsonaro foi julgado com amplo direito de defesa e condenado conforme as leis vigentes.

Sylvio Belém   

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Palavra de poeta

Lunares Leoninos
Andréia Carvalho Gavita   

Estarei sempre-viva.
Cultuo esta solidão que laçam,
Mais um palco para o sol.

Tenho leões
Mesmo adormecidos
Rugem-me evangelhos
Como músicas empoeiradas
Sarapintadas,
letras panteras deslizantes
no livro manuseado.

Os leopardos sonâmbulos.
Passo-signo.
Leituras que nos caçam
a dinastia extinta.

Incansável realeza
Indestrutível ronda

Estou sempre-viva
Mesmo adormecida.

Espreito o que me espreitam.
Nada me descreve. Antes, eu.
E tu, e os topázios.

Aquilo que tenho e que só,
tu alcanças.

Aquilo que tens e que só,
eu alcanço.

Rugidos e extratos-feras.
Enquanto adormecem
sob nossos calcanhares:
galanteio, vaia, devoção.

[Ilustração: Di Cavalcanti]

Leia também: "Guarda-me em ti", poema de Raúl Zurita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_02016478250.html 

01 agosto 2026

Minha opinião

Dois trunfos em favor de João Campos 
Luciano Siqueira 

A convenção da Frente Popular, neste sábado, no Clube Internacional — unitária, massiva e vibrante — sugere dois pontos diferenciais que poderão inverter a tendência hoje ligeiramente favorável à governadora Raquel Lyra e contribuir para a vitória de João Campos. 

Um é a vinculação com o presidente Lula, extraindo toda a energia simbólica que essa aliança implica.

Disputando pelo PSD e à testa de uma coligação de centro-direita, o máximo que resta a Raquel é se dizer neutra em relação ao pleito presidencial, convivendo entretanto com um palanque contraditório, onde despontam lideranças e grupos de extrema direita vinculados ao bolsonarismo. 

O outro é qualificar a aliança Lula-João Campos explicitando elementos essenciais da batalha nacional — a defesa da soberania do país, por exemplo — e sua relação com a retomada do desenvolvimento de Pernambuco e a busca do desejado protagonismo regional. 

Isto associado às políticas setoriais que têm marcado o discurso propositivo do ex-prefeito do Recife. 

Em outras palavras, esclarecido sobre a essência do que distingue João Campos e Raquel Lyra e o modo com que cada um se relaciona com o projeto nacional liderado por Lula, o eleitorado tenderá majoritariamente ao candidato da Frente Popular.

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Leia também: O voto híbrido ameaça Raquel https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_01230491090.html

Arte e vida

 

Leonce Raphael Agbodjélou