06 agosto 2026

Palavra de Lula

Estamos criando as bases para uma sociedade altamente civilizada, diz Lula
Em entrevista, Lula volta a defender soberania, critica interferências de Trump e afirma que o Brasil pode dar um salto de qualidade a partir da educação
Priscila Lobregatte/Vermelho 
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou, nesta quarta-feira (5), que sua atuação na política tem sido guiada pela construção de um país justo, desenvolvido e soberano; que não aceita mentiras sobre o Brasil e que se as urnas eletrônicas pudessem ser fraudadas, ele nunca teria sido presidente.

“Estamos tentando criar as bases de uma sociedade altamente civilizada e atendida naquilo que é o principal: viver dignamente”, enfatizou. Lula também declarou querer “entregar o Brasil soberanamente grande, bem formado e competitivo com qualquer outro país do mundo”.

Lula também salientou que não aceita “mentiras sobre o Brasil” e acrescentou: “Este país é muito grande, tem muita história, muita responsabilidade e não dá para alguém imaginar que vai derrotar o Brasil com mentiras. Não dá para ninguém pensar que vai se intrometer aqui para disputar as eleições”.

As declarações foram dadas durante entrevista conjunta aos podcasts Os Três Elementos e Meteoro Brasil.

Intromissão dos EUA

Em meio às intromissões de Donald Trump no Brasil e sua tentativa de influenciar as eleições deste ano em favor de Flávio Bolsonaro (PL), numa clara afronta à soberania e à democracia brasileiras, o presidente discorreu sobre como avalia o comportamento dos EUA e a posição do Brasil.

Ao ser questionado sobre se o País estaria preparado para enfrentar ingerências estrangeiras, respondeu que “o Brasil não apenas está preparado, como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral”.

Com relação à revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti — anunciada nesta terça-feira (4) pelo governo estadunidense como suposta retaliação ao fato de o Brasil ainda estar analisando o nome do embaixador indicado por Trump em junho — Lula reagiu: “Os EUA não deram importância para a embaixada no Brasil porque faz um ano e meio que (Trump) está no poder e não mandou (representante) para cá. Aí, tentam mandar agora e acham que a gente tem obrigação de fazer na data que eles querem? Não é correto, não é possível e queremos ser tratados com respeito”. Ele prosseguiu argumentando que a cassação do visto da diplomata foi uma atitude “irresponsável e impensada”.

Sobre interferências dos EUA no processo eleitoral, Lula reforçou que “quem manda em nosso país é o povo brasileiro e quem governa sou eu; quem disputa as eleições aqui são os brasileiros e qualquer um pode disputar. Então, não se metam, porque eu duvido que no país deles tenha um sistema eleitoral mais honesto do que o nosso”.

Motivação política

Em outro momento, Lula foi questionado sobre sua motivação para se manter na política, mesmo diante de tantas adversidades. “Quando você entra na política apenas para disputar uma eleição, você não tem compromisso com nada. Mas, eu não estou na política para disputar uma eleição”, respondeu, acrescentado que “a política, para mim, é uma causa”.

Ele recordou que quando chegou à Presidência em 2003, pela primeira vez, “havia 54 milhões de pessoas em estado de fome e acabamos (com a fome) em 2012. Quando voltei em 2023, tinha 33 milhões de pessoas passando fome e novamente acabamos, em dois anos e meio. Eu tenho orgulho porque nós conseguimos ser um modelo para o mundo de inclusão do pobre no orçamento do país com múltiplas políticas. Não é apenas o Bolsa Família; é o aumento real do salário mínimo, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil; é o Gás do Povo, é o Luz para Todos…”.

Outro ponto abordado foi o combate ao crime organizado. Lula disse aguardar que o Senado aprove a PEC da Segurança Pública para que seja possível implantar o Susp (Sistema Único de Segurança Pública) para que seja possível combater o crime organizado de maneira mais estruturada.

Nesse sentido, defendeu que é preciso “interferir na violência da periferia, não para matar, mas para recuperar o território para que a sociedade possa viver dignamente” e, ao mesmo tempo, reforçar o combate ao topo dessas organizações. “Para vencer o crime, precisamos vencer os de cima porque são eles que fazem a irrigação da droga, do dinheiro ilícito junto aos mais pobres”, argumentou.

Salto na educação

Durante a entrevista, Lula também falou em mais de um momento sobre o papel da educação no desenvolvimento humano e do País. Sobre isso, lembrou sua preocupação com a alta evasão de adolescentes das escolas devido à necessidade de ajudarem no sustento de suas famílias, o que inspirou o governo a lançar o programa Pé-de-Meia.

“Eu tinha de tomar uma decisão sobre isso: ou deixar essas crianças fora da escola, permitindo que algumas, por falta de oportunidade, caíssem no crime, ou fazer um programa para evitar que abandonem a escola. Assim criamos o Pé-de-Meia, que diminuiu em 62% a evasão no ensino médio e já atendeu mais de 7,2 milhões de pessoas”.

O presidente, então, salientou que está “tentando criar as bases de uma sociedade altamente civilizada e atendida naquilo que é o principal: viver dignamente”.

Por isso, afirmou que sua meta para um próximo mandato, é “dar um salto de qualidade extraordinário” na educação. “Precisamos, dentro de 10 ou 15 anos, entregar este país como um dos maiores do mundo na área da educação. Formar engenheiro, matemático, gente para pensar em inteligência artificial, para fazer bateria de minerais críticos e terras raras. Quero pegar a juventude brasileira e transformá-la em gente altamente qualificada para não dever nada a nenhum americano, chinês ou francês. Não queremos ser melhores, só queremos ser iguais”, enfatizou.

Defesa e soberania

Lula também salientou que, entre as suas prioridades, está fortalecer a defesa nacional. “O Brasil é muito grande: temos 16,8 mil km de fronteiras secas e 8 mil km de fronteiras marítimas; temos 12% da água doce do mundo, a maior floresta tropical e temos riquezas minerais que nem conhecemos ainda”, disse, reforçando a necessidade de defender o território.

O presidente salientou que esse conjunto de riquezas “pertence ao povo brasileiro” e que “ninguém vai colocar a mão”. Lula enfatizou ainda que deseja entregar um Brasil “soberanamente grande, bem formado e competitivo”.

Mais adiante, Lula defendeu que garantir a soberania também depende de um projeto próprio de desenvolvimento, o que inclui a exploração autônoma de minérios críticos e terras raras. “Se houver empresas estrangeiras com expertise que queiram trabalhar conosco, ótimo”, mas “não vamos permitir que venham navios aqui, encham com 200 toneladas de minérios, levem para a terra deles, com a gente vendendo baratinho e comprando caro de volta. Não”.

O presidente reforçou que “queremos ser donos do nosso nariz e fazer o processo de transformação aqui. Por isso, temos de investir em educação para formar muito mais profissionais dessas áreas (…) Não há nenhum país do mundo que se desenvolveu sem antes investir em educação, ciência e tecnologia”.

Desinformação e big techs

Outro ponto debatido foi o combate à desinformação na internet. “Acredito que precisamos ser mais duros no controle da perversidade de alguns humanos na utilização das redes digitais. O cara pode brincar, falar, discutir, mas o que não pode é utilizar um celular ou computador para desinformar as pessoas com relação às doenças. Se não sabe, fecha a boca. Será que não perceberam o que aconteceu na pandemia? ”, criticou.

Lula acrescentou que os EUA “acham que as plataformas não podem ser punidas ou investigadas por nada. Não sou contra as plataformas. Acontece que quem quiser entrar em território nacional, tem que se subordinar à legislação brasileira. Muita gente lá fora não gostou quando a gente fez o ECA Digital para proteger nossas crianças e adolescentes. O fato é que cada vez mais vamos precisar de mais criatividade e seriedade na criação de instrumentos de fiscalização porque não podemos permitir que nossas crianças sejam vítimas de interesses econômicos escusos”.

Relação entre poderes e entraves econômicos

Outro assunto abordado foi a relação entre os Três Poderes e o uso do Orçamento, capturado pelo Legislativo. “Como o governo anterior ao meu foi um desgoverno, o Congresso Nacional se apoderou do Orçamento da União”, disse o presidente.

Lula defendeu que seja restabelecido o papel de cada poder da República dentro do que é um regime presidencialista. E ponderou: “precisamos conversar para manter a harmonia, mas vamos tentar mudar essa questão do orçamento”.

O presidente também voltou a criticar os juros altos e disse que “no Brasil, o Estado foi aprisionado pela Faria Lima. Começam o ano falando que ‘o teto de gastos vai estourar’, ‘a política fiscal não vai cumprir as metas’. Passam o ano inteiro falando isso e ninguém discute o que fazer para o país crescer”.

Lula prosseguiu dizendo que “a gente nunca se pergunta quanto custa não fazer as coisas na hora certa. Quanto custou ao Brasil não alfabetizar o povo na hora certa? Quanto custou não comprar a vacina? Quanto custou não fazer a reforma agrária quando o mundo inteiro fez depois da Segunda Guerra? Essa é a discussão que quero fazer em um quarto mandato: o Brasil tem de dar o salto de qualidade porque a base já está construída, as pessoas já estão comendo, temos o menor desemprego da história, a maior quantidade de jovens nas universidades…estamos num patamar em que é possível dar um salto maior de qualidade”.

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"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html 

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Grande mídia neoliberal não questiona Flávio Bolsonaro sobre propostas para a economia. Para proteger o candidato da extrema direita evitando constrangê-lo por seu evidente despreparo. 

Lula defende o que já fez e promete um passo adinate https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-lula_0102374859.html 

Minha opinião

O foco das grandes legendas e os desafios de João*
Luciano Siqueira    

O principal candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, penou para compor sua chapa (e alargar o tempo da propaganda eleitoral na TV e no rádio) e, rejeitado, terminou escolhendo um senador do sua cozinha para vice.

Fraqueza? Certamente.

Pelo menos por enquanto não exibe competência e força eleitoral para derrotar Lula. Índices relativamente altos que ainda ostenta em pesquisas tendem a encolher no transcorrer da campanha.

Há outra razão nada sub-reptícia: PP, PSD, Republicanos e Podemos — onde Flávio Bolsonaro pescou e frustrou-se — adotam uma espécie de neutralidade marota, que permite a seus candidatos ao parlamento liberdade plena para alianças locais que lhes favoreçam eleitoralmente. Inclusive a participação em composições comprometidas com a reeleição de Lula, como em Pernambuco, onde o Republicanos indicou o candidato a vice-governador. 

Tudo porque o chamado "presidencialismo de coalizão" perdeu força, dando ao parlamento federal poder jamais alcançado na história da República, através do sistema de emendas ao Orçamento em dimensão exagerada e questionável, produto do governo Bolsonaro. 

Em 2025, nada menos que R$ 31,5 bilhões do Orçamento foram executados através de emendas (individuais, de bancada e de comissão).

Mais: quanto maior a bancada na Câmara dos Deputados, mas volumosa a cota dos fundos partidário e eleitoral.

Ainda na mesma cena eleitoral, cá na província, desenha-se disputa pelo governo do Estado das mais renhidas. Por enquanto, segundo as pesquisas disponíveis, a governadora Raquel Lyra (PSD), que tenta a reeleição, leva ligeira vantagem sobre o candidato da Frente Popular, João Campos (PSB), ex-prefeito do Recife.

Mas há um fator que pode desequilibrar a peleja em favor de João: o vínculo explícito com Lula, que aqui deve suplantar por larga margem Flávio Bolsonaro e demais adversários.

Raquel faz no seu palanque uma composição de centro-direita, com a presença de notórios e estridentes bolsonaristas, não quer apoiar o candidato do PL e se obriga a uma suspeitosa neutralidade em relação ao pleito presidencial.

Porém, como se sabe, nem sempre a maioria do eleitorado vincula automaticamente as disputas pela presidência da República e pelo governo estadual.

João Campos tem não apenas que proclamar a sinergia com Lula, imas vincular suas propostas para Pernambuco com a plataforma que dá conteúdo à luta pela reeleição do presidente da República. Ou seja, um passo adiante na politização do seu discurso, excessivamente pautado pelas chamadas "entregas administrativas".

*Texto da minha coluna semanal no portal Vermelho

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Leia também: "A soberania nacional, por exemplo" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0138497997.html 

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Manchete da Folha de S. Paulo: "Banco Central preserva flexibilidade ao evitar sinalizar rumo dos juros, dizem analistas". Que analistas? Todos agentes do sistema financeiro! 

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Futebol brasileiro em baixa

Campeonatos no Brasil vivem banalização da mediocridade
Ela tem a ver com os fracassos da seleção nacional e com as ações administrativas do nosso futebol. Carlo Ancelotti anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo estão fora; deveria haver outros
Tostão/Folha de S. Paulo     

 

Os últimos jogos da Copa do Brasil e do Brasileirão foram, na média, muito ruins, alguns em péssimos gramados, como o do Corinthians contra o Athletico Paranaense. Além disso, nas partidas, como é frequente no futebol brasileiro, houve muitos tumultos, reclamações, discussões, pressão sobre os árbitros e auxiliares, simulações. Nenhum árbitro do mundo é capaz de controlar tanta bagunça. Muitos gostam, dizem que é o futebol raiz, mais emocionante.

A banalização da mediocridade nos campeonatos nacionais tem a ver com os fracassos da seleção brasileira. Faz parte também do que acontece, há décadas, no país, com variados governos, que não conseguem diminuir a violência, a criminalidade, a corrupção, o enorme número de residências sem saneamento básico e tantas outras misérias que assolam o país. As ações no futebol e nos governos costumam ser paliativas, populistas, sem mudanças nas estruturas.

Carlo Ancelotti voltou ao Brasil e reconheceu que errou ao escalar Neymar durante o segundo tempo contra a Noruega. Ele, com toda a sua experiência e o seu conhecimento técnico, iludiu-se, como milhares de brasileiros, imaginando que Neymar, nos momentos difíceis, acharia uma solução mágica.

Faltou a Ancelotti reconhecer a ineficiência da estratégia de recuar para contra-atacar contra a Noruega, ainda mais acompanhada pela passividade de assistir aos noruegueses trocar passes e ficar com a bola, mesmo no campo do Brasil. Marcar mais atrás para contra-atacar é uma estratégia que poderia dar certo, desde que houvesse pressão intensa para recuperar a bola.

Na história do futebol, muitas equipes que não possuem bons laterais, mas que têm excelentes pontas, como a seleção brasileira, adotam com sucesso a formação tática com três zagueiros e dois pontas como alas. Guardiola já fez muito isso. O time fica mais ofensivo, ainda mais se marca mais à frente. O Palmeiras atual tem jogado com três zagueiros e dois alas, o ponta-direita Allan e o lateral esquerdo Piquerez bastante avançado, para aproveitar a velocidade e os excelentes cruzamentos.

O futebol brasileiro precisa melhorar dentro e fora de campo, em todas as atividades, especialmente na formação de jogadores. É necessário também mudar alguns conceitos. Rodri, que inicia as jogadas no próprio campo com precisos passes, além de ser ótimo na marcação, foi eleito o melhor jogador do Mundial. A escolha é discutível, mas ele foi merecidamente o melhor jogador da melhor seleção do mundo, sem fazer um gol e sem dar o último passe para o gol. No Brasil só valorizam quem faz gols ou dá o passe final para o gol.

Ancelotti anunciou que Neymar, Casemiro e Danilo (o do Flamengo) estarão fora da próxima convocação. Deveria haver outros. É o início da renovação. Certamente, vários que estavam presentes no Mundial serão substituídos nos próximos anos.

A Uefa, formada por 55 países europeus, salvou o futebol, ao anunciar que não disputaria competições promovidas pela Fifa, como as Copas do Mundo masculina e feminina, se a entidade, como anunciara o presidente Infantino, vendesse o futebol para empresários. Outras federações apoiaram a Uefa, menos a sul-americana Conmebol, que não se manifestou.

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Lições da Espanha, campeã do mundo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/copa-do-mundo-espanha-no-podio.html 

Palavra de poeta

Rosa
Mariane Bigio     
O teu perfume, Rosa
é pérfido ao se inalar
faz minha nuca toda se eriçar
e lembro bem tua seiva nodosa

o carmesim do teu lábio em pétala
espinhos rígidos do excitar
quando o toque faz desabrochar
um botão de candidez perpétua

na terra-alma é que tu me fincas
e me revelas beija-flor no cio
de bico fino e voar bravio

o teu suor, orvalho, chuva, estio
néctar doce que me alimenta
pingo a pingo, unge, acalenta


[Ilustração: Joan Miró]

Leia também "Corações em série", poema de Micheliny Verunschk https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/palavra-de-poeta_0360602965.html 

05 agosto 2026

Minha opinião

Neutralidade insossa
Luciano Siqueira    

Impossível evitar que o acirrado conflito entre Lula e Flávio Bolsonaro – principal vertente da disputado presidencial – se reflita nos estados. Candidatura ao governo estadual são naturalmente arrastadas para um ou outro lado no transcorrer na disputa.

Em Pernambuco, como sempre. Aqui jamais se travou batalhas locais desconectadas da cena nacional. Nem mesmo na República Velha.

Daí a fragilidade da opção tática da governadora Raquel Lyra, candidata à reeleição: sob o fogo cruzado da disputa nacional nenhuma neutralidade vinga.

Essa marca negativa prejudica inclusive os postulantes ao Senado na chapa da governadora.

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"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html