26 outubro 2026

Trump hostil

Silêncio de Trump  

Em entrevista ao Globo, Celso Amorim, assessor especial de Relações Internacionais da Presidência da República, reafirmou que os Estados Unidos não têm poder ou prerrogativa de contestar o resultado eleitoral nem a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

O ex-chanceler destacou a postura autônoma do Brasil no cenário internacional, afirmando que o país não aceitará tutelas externas ou interferências em seu processo democrático.

Quase 24 horas após a proclamação do resultado do pleito, não há nenhuma declaração formal do governo de Donald Trump em relação ao resultado das eleições brasileiras, em contraste com o amplo reconhecimento diplomático recebido por Lula por parte de diversos líderes mundiais de diferentes correntes políticas.

Amorim observa que o governo brasileiro deseja manter e cultivar boas relações diplomáticas com os EUA, desde que em conformidade com o princípio de igualdade entre nações soberanas.

(LS)

Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html  

Reconhecimento mundial

Lula recebe felicitações de líderes de esquerda e de direita pelo mundo
De Macron e Sánchez a Kast e Fujimori, autoridades de diferentes correntes políticas felicitaram Lula e defenderam a cooperação e o fortalecimento das relações com o Brasil
Lucas Toth/Vermelho        

A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições, neste domingo (25), foi celebrada e reconhecida por governos de diferentes correntes políticas e partes do mundo. Presidentes, primeiros-ministros e dirigentes de organismos internacionais parabenizaram o brasileiro e defenderam a continuidade da cooperação com o Brasil. 

Lula venceu o segundo turno neste domingo (25) com 64,2 milhões de votos, 51,79% dos válidos, contra 59,8 milhões de Flávio Bolsonaro (PL). 

Entre os primeiros a se manifestar estiveram o presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez. Macron defendeu o fortalecimento da parceria entre os dois países; Sánchez celebrou a vitória e a relacionou à disputa política na Espanha. 

“A França e o Brasil têm muito a construir juntos. Diante dos grandes desafios do nosso tempo, vamos fortalecer nossa parceria estratégica e manter viva a amizade entre nossos países a serviço de um mundo mais justo”, escreveu Macron.

“Grande vitória de Lula! O que aconteceu no Brasil acontecerá na Espanha. A virada do progressismo global acaba de começar”, publicou o espanhol. 

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “a democracia e o multilateralismo venceram no Brasil”. 

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, conversou por telefone com Lula. Também enviaram felicitações o chanceler alemão, Friedrich Merz, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que destacou a contribuição do brasileiro para as relações bilaterais e para o Brics. 

Na Ásia, o governo chinês parabenizou Lula por meio do porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, e afirmou estar disposto a avançar na parceria com o Brasil. 

“A China está disposta a trabalhar com o Brasil para avançar na construção de uma comunidade de futuro compartilhado entre os dois países”, declarou. Questionado sobre a tentativa de Flávio Bolsonaro de anular o resultado, Guo respondeu: “A China respeita a escolha do povo brasileiro.” 

Também cumprimentaram o presidente brasileiro o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, e o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung. 

Na Oceania, o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, chamou Lula de amigo e defendeu o fortalecimento da parceria entre os países. O presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse que a vitória terá repercussão além das fronteiras brasileiras e representa “uma vitória para o Sul Global e para as forças progressistas”.

Na América Latina, felicitaram Lula a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum; os presidentes do Uruguai, Yamandú Orsi, de Cuba, Miguel Díaz-Canel, da Guatemala, Bernardo Arévalo, da República Dominicana, Luis Abinader, e da Guiana, Irfaan Ali. 

Também se manifestaram governos liderados pela extrema direita: José Antonio Kast, do Chile; Keiko Fujimori, do Peru; Santiago Peña, do Paraguai; Rodrigo Paz, da Bolívia; Daniel Noboa, do Equador; José Raúl Mulino, do Panamá; e Abelardo de la Espirella, da Colômbia 

As mensagens citaram a integração regional, a cooperação e o desenvolvimento da Amazônia.

No Caribe, o primeiro-ministro das Bahamas, Philip Davis, ressaltou o papel do Brasil no enfrentamento das mudanças climáticas, enquanto a primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, celebrou a vitória e mencionou as políticas de justiça social. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, defendeu ampliar o comércio e a cooperação ambiental entre os países.

Também houve manifestações de ex-chefes de Estado e políticos de oposição. A argentina Cristina Fernández de Kirchner celebrou a mobilização eleitoral brasileira; o ex-presidente Alberto Fernández destacou a trajetória política de Lula; e o ex-presidente chileno Gabriel Boric agradeceu ao brasileiro por manter viva a esperança de um mundo melhor. 

Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders, o deputado Ro Khanna e o governador da Califórnia, Gavin Newsom, parabenizaram Lula. Todos democratas.

Até a manhã desta segunda-feira (26), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o argentino Javier Milei ainda não haviam divulgado mensagens públicas de felicitação. 

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Sylvio: ridículo

Flávio Bolsonaro perde a eleição com 4 milhões de votos de diferença e  perde também o senso do ridículo dizendo que vai pedir a anulação do pleito.  

Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html 

Idosos e jovens

O medo do retorno da extrema direita fez crescer em 3 milhões o comparecimento às urnas no segundo turno. Dois polos etários do eleitorado - idosos e jovens - contribuiram em muito para a vitória de Lula. 

Duvidosa precisão milimétrica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0699377504.html 

Editorial do 'Vermelho'

Vitória histórica de Lula rechaça fascismo e abre nova fase para o Brasil
O povo, com a juventude à frente, liderou triunfo épico que descortina uma nova jornada de avanços sociais e democráticos e de defesa da soberania nacional
Editorial do 'Vermelho' www.vermelho.org.br   

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é, antes de tudo, uma vitória do povo brasileiro, com o papel destacado da juventude, sobre as forças de extrema-direita que tentaram sufocar suas esperanças, restringir os seus direitos e subordinar o país à ganância do imperialismo estadunidense. É a afirmação de um Brasil que caminha para o desenvolvimento nacional, com inclusão social, soberania, liberdades democráticas e direitos para o povo.

Esse grande feito do povo brasileiro transcende as fronteiras do país. No contexto do avanço internacional da extrema-direita, a vitória de Lula é comemorada pelas forças democráticas, populares e avançadas do Ocidente ao Oriente. Tem importância especial para os povos e países da América Latina e Caribe diante da ofensiva neocolonial dos Estados Unidos na região. O governo neofascista de Donald Trump, que apoiou descaradamente Flávio Bolsonaro, sofreu dura derrota.

A virada começou com a resposta da juventude ao resultado adverso do primeiro turno. A União Nacional dos Estudantes (UNE) elaborou um calendário nacional de mobilização, a campanha Estudantes com Lula nas ruas e redes. A União da Juventude Socialista (UJS) cumpriu papel de esteio da concretização dessa agenda, ao lado da Juventude Pátria Livre (JPL). Foi a centelha que desencadeou, país afora, uma das maiores mobilizações do povo desde a redemocratização. A jornada se agigantou com o engajamento entusiástico de milhões de pessoas do povo e com a participação das centrais sindicais e do conjunto dos movimentos sociais, artistas e intelectuais.

A guerra digital também foi decisiva. O deputado federal André Janones criou o canal Exército do Lula no WhatsApp, que ultrapassou dez milhões de seguidores, transformando-se numa central de distribuição de vídeos, áudios e orientações para a mobilização. Outros potentes influenciadores se engajaram e outros milhões, antes sem ativismo digital, entraram na arena da internet. A campanha enfrentou atos ilegais e criminosos da Meta — controladora do WhatsApp, do Instagram e do Facebook — que restringiu conteúdos de Lula e favoreceu o candidato da extrema-direita.

O presidente Lula, aos 80 anos de idade, foi o grande líder e o fator decisivo desta vitória da nação, do povo, da juventude e da classe trabalhadora. Por um conjunto de qualidades: a estatura de estadista, o fato de ter a confiança do povo, a coragem política mais uma vez demonstrada no enfrentamento ao fascismo, o elevado patriotismo no rechaço às investidas de Trump, a capacidade de unir amplas forças, o vigor de realizar uma agenda diversa e arrojada em todo o país, a capacidade de responder às novas exigências da luta de classes, como demonstrou no segundo turno, disseminando mensagens nas redes sociais. E, concretamente, quando percebeu que a ampla maioria das classes dominantes havia se alinhado à extrema-direita, rompeu o cerco radicalizando seu compromisso com a defesa dos direitos do povo brasileiro, com a soberania do país e a democracia.

Essa vitória contabiliza também o papel do vice-presidente Geraldo Alckmin. Coube a ele ampliar o diálogo para além das forças que já integravam a base de Lula, mobilizando lideranças políticas, prefeitos, empresários, representantes religiosos e personalidades identificadas com outras orientações partidárias, de centro, centro-direita e mesmo de direita.

Em conjunto, as duas frentes, ruas e redes, conjugadas e articuladas com milhões de ativistas e apoiadores, tendo como alicerce a militância dos partidos progressistas e as direções dessas legendas, confrontaram o poderio do consórcio da extrema-direita e de grande parte da direita e a parcialidade vergonhosa da grande mídia monopolista. Desmascararam Flávio Bolsonaro e realizaram o que parecia impossível: viraram a eleição e reelegeram o presidente Lula.

O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), seu coletivo militante e lideranças estiveram na linha de frente deste confronto definidor do presente e do futuro imediato do país.

O quarto mandato presidencial de Lula terá significado histórico. Nasce como filho de um dos maiores confrontos políticos da história da República. Sai das urnas compromissado com um programa avançado: imprimir uma arrancada de desenvolvimento soberano, com uma reindustrialização em novas bases tecnológicas que gere melhores empregos e cuja riqueza produzida seja canalizada para promover uma nova geração de direitos ao povo e valorizar o trabalho. Aprofundar a democracia e garantir a soberania nacional.

Para avançar nessa agenda, Lula precisará construir uma ampla aliança de apoio ao governo e manter-se apoiado na mobilização do povo nas ruas e nas redes. A tarefa será ainda mais desafiadora diante do avanço da direita e da extrema-direita, refletido na nova composição do Congresso Nacional e na eleição de governadores desse campo político em estados representativos.

A vitória abre, assim, uma nova fase de desafios, na qual será preciso transformar a força conquistada nas urnas em avanços concretos para o país e para o povo brasileiro.

Uma poderosa onda de extrema-direita, impulsionada por Trump, vinha avassaladora, arrogando-se imbatível, desde o Caribe à América do Sul, e já festejavam na Casa Branca que Brasil seria a conquista da vez.

Mas, o povo brasileiro tendo a juventude como força motriz, bradou alto: aqui, não! Ninguém hasteará uma bandeira estrangeira no lugar da nossa verde e amarela, ninguém roubará nossas riquezas, ninguém roubará nossos direitos duramente conquistados, ninguém soterrará a democracia que nos custou muita luta e muitas vidas, não aceitaremos retornar ao passado de horror e tragédia do fascismo, dos Bolsonaros, não aceitaremos que matem nossos projetos e sonhos de vida melhor!

E, assim, por um futuro promissor e pujante ao Brasil e ao povo, a jornada heroica e épica do segundo turno conquistou o quarto mandato do presidente Lula.

Por tudo, a hora agora é de celebrar e comemorar esse feito histórico do povo brasileiro!
​​​​​​​
O Brasil numa encruzilhada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/o-brasil-numa-encruzilhada.html 

Palavra de poeta

Passando
Oswald Barroso  

Aperta minha mão, mulher
estreita tua vida à minha
que hoje cometemos algo assombroso.

Não fomos heróis
nem mesmo covardes fomos
embora uma ponta de medo nos perguntasse
pelo amanhã.

Mas a semente vingou
numa planta
numa rama
pequena e passageira
que se precisa semear a cada ano

como um ato de amor feito atrás da porta
do qual só não importa o perigo
como este poema provinciano
com hora e lugar determinados
mas que por isso mesmo
incomoda.

[Ilustração: Andrey Remnev]

Leia também: "Fresta", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_0649186256.html 

Datafolha e Quest: e agora?

A vitória de Lula por pouco mais de 4 milhões de votos de diferença certamente surpreende os institutos Datafolha e Quest, que previram vantagem de Flávio Bolsonaro por pequena margem. 

Duvidosa precisão milimétrica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0699377504.html