03 maio 2026

Aparência & essência

O falso magro

Luciano Siqueira

instagram.com/lucianosiqueira65    


A expressão está em voga para caracterizar indivíduos que possuem um peso considerado normal ou baixo na balança, mas apresentam um percentual de gordura elevado e pouca massa muscular. Aqui diante dos meus olhos uma matéria sobre o assunto me incomoda: falso magro, eu!?


​Parece que sim, pois os estudiosos do assunto asseguram que importa, mais do que o peso total, a composição corporal: baixo volume muscular (braços e pernas franzinos), gordura localizada predominantemente na região abdominal ou flancos, flacidez, muscular aparente.

Sinto-me diante do espelho. Pior: sob a condenação de toda a família e dos amigos mais próximos: faça pilates, frequente juma academia para melhorar a musculação...

​É que não abasta emagrecer um pouco mais, mas cuidar da recomposição corporal.

​Arre égua! E eu nem inclui este entre os objetivos deste abençoado ano de 2026. E agora?

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Idosos em suas trincheiras https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/renovacao-conscienciosa.html

Palavra de poeta

I (UMA PALAVRA SE ABRE)
Emily Dickinson      

Uma palavra se abre
Como um sabre —
Pode ferir homens armados
Com sílabas de farpa
Depois se cala —
Mas onde ela caiu
Quem se salvou dirá
No dia de desfile
Que algum Irmão de armas
Parou de respirar.

Aonde vá o sol sem ar —
Por onde vague o dia —
Lá está esse assalto mudo —
Lá, a sua vitória!
Observa o atirador arguto!
O tiro mais perfeito!

O alvo do Tempo
O mais sublime
É um ser “ignoto!”

[Ilustração: Henry Lebasque]

Um mundo em transe https://lucianosiqueira.blogspot.com 

Humor de resistência

 

Céllus

Em cima do lance https://lucianosiqueira.blogspot.com/  

IA & condição humana

Comandos e desmandos da inteligência artificial
A simulação algorítmica do pensamento e a concentração de poder nas grandes corporações convertem a intimidade em mercadoria e ameaçam a autonomia cognitiva da sociedade
Manfred Back & 
Luiz Gonzaga Belluzzo*/A Terra é Redonda       

“A tirania da inteligência artificial preside ao nascimento de uma besteira desconhecida até agora – a estupidez artificial – espalhada por toda parte, nas telas e redes informáticas. Então a besteira natural pode ganhar nobreza, como loucura” (Jean Baudrillard).

1.

Inteligência artificial x artificial inteligência, eis a questão, diria Hamlet! Seria a destruição criadora ou a destruição destruidora? Diria Schumpeter. No artigo, “Máquinas de computação e inteligência”, Alan Turing em 1950, fez um teste, criou uma máquina para verificar se a inteligência das máquinas seria equivalente a inteligência humana. Testou se a inteligência dita artificial, é inteligência ou não.

Alan Turing faz uma premonição: Acredito que a pergunta original, “as máquinas podem pensar?”, é insignificante demais para merecer discussão. No entanto, acredito que, no final do século, o uso das palavras e a opinião geral das pessoas instruídas terão mudado tanto que será possível falar de máquinas pensantes sem esperar ser contrariado.

Esse momento chegou, qualquer análise rigorosa e crítica sobre as causas e consequências da inteligência artificial na vida, comportamento e pensamento das pessoas, não pode ser contrariada. O que chamou de Jogo da Imitação, hoje seria modelo LLM (Large Language Models)! Imitar é diferente de pensar, para isso gasta-se trilhões de dólares em armazenamento de dados e informações, consumindo energia e água. Para que? Melhorar a capacidade de imitar, não de pensar, artificial intelligence.

Entre o final de 2025 e meados de 2026, a Amazon captou 15 bilhões de dólares em títulos de crédito privado, a Open IA captou 122 bilhões de dólares, Google 32 bilhões de dólares e Oracle cerca de 45 bilhões de dólares. Uma transferência brutal de recursos de investidores no setor de inteligência artificial. Quantos empregos criaram? Quantos empregos destruíram? Nesse jogo da imitação de trilhões de dólares, a facilidade cobrará seu preço, não aos donos do Vale do Silício, mas aos pobres mortais.

O avanço de rotinas e atendimentos mais rápidos, escondem o monopólio de dados, ou melhor, a intimidade das pessoas. Tudo vira dado, dado vira comodity, que vira dinheiro, que vira controle, que vira poder. Ninguém escapa.

Evgeny Morozov, doutor em história da ciência pela Universidade de Harvard, grande pesquisador e crítico do poder do Vale do Silício, no seu grande e importante livro Big Tech, a ascensão dos dados e a morte da política, faz um alerta, sobre o poder de vigilância das corporações.

“A tecnologia digital da atualidade, ficou evidente, não é apenas ciência aplicada, como ainda sustentam as filosofias mais vulgares da tecnologia. Ela é, na verdade, um emaranhado confuso de geopolítica, finança global, consumismo desenfreado e acelerada apropriação corporativa dos nossos relacionamentos mais íntimos (…) Nossa sociedade digital, quaisquer que sejam suas falhas, não é a causa do mundo em que vivemos, e sim consequência dele”. (Evgeny Morozov).

2.

Quanto mais acumula dados e dinheiro, mais você deixa de pensar, basta consultar a inteligência artificial, e assim vai, recorrentemente. Você colabora de graça aos algoritmos, vendendo de graça seus dados, seu pensamento, suas emoções e desejos. Sem perceber, passa não usar seus neurônios, como não pensa, não usa energia cerebral. Você se torna uma artificial inteligência, porque terceiriza todo seu ser a um banco de dados. Quem é a máquina? Quem imita quem?

Nos alerta, Maryanne Wolf, professora da UCLA, Diretora do Centro de Dislexia, Alunos Diversos: “o ato de ler acrescentou um circuito inteiramente novo ao repertório do nosso cérebro de hominídeos longo processo evolutivo de aprender a ler bem e em profundidade mudou nada menos que a estrutura de conexões desse circuito, e isso fez bem com que mudassem as conexões do cérebro, com a consequência de transformar a natureza do pensamento humano”.

Onde o cérebro gasta mais energia e conexões, está no ato de ler e pensar, e depois escrever no papel. Esse é o movimento da inteligência. Ao digitar e consultar a inteligência artificial, seria a morte da inteligência. Diz o ditado popular: criar dificuldades para vender facilidades. A inteligência artificial facilita a obstrução do pensamento.

No livro How Big-Tech barons smash innovation – and how to strike back, Ariel Ezrachi trata das consequências sociais e políticas do domínio das BigTechs: “A utopia tecnológica intensa dos anos 1990 agora parece uma distopia, em que muitos dispositivos, aplicativos e serviços vêm de ecossistemas digitais controlados por poucas empresas poderosas (que chamamos de “barões da tecnologia”). Pense, por exemplo, na Alphabet (Google), Apple, Meta (Facebook), Amazon e Microsoft (GAFAM para abreviar)”.

“Esses barões da tecnologia não apenas governam a concorrência dentro de seus ecossistemas rigidamente controlados por eles, mas também determinam a natureza da inovação que chega ao mercado. E para proteger seus interesses, eles garantem avançar e permitir inovação apenas que não atrapalhe seus modelos de negócios e lucros”.

Pedimos licença para recorrer a Karl Marx. Nos Grundrisse, Marx argumenta que “o desenvolvimento do capital fixo indica o grau em que o conhecimento social se tornou uma força direta de produção e em que medida, portanto, o processo da vida social foi colocado sob o controle do General Intellect e passou a ser transformado de acordo com ele”.

O conceito de “capital fixo” em Marx envolve, portanto, um potencial inesgotável de avanço tecnológico, o que implica necessariamente a criação de aparatos educacionais e científicos institucionalmente articulados.

General Intellect institui-se como forma de apropriação dos significados do conhecimento humano, em particular dos códigos da ciência. O capital toma para seus propósitos a educação, cujos métodos e objetivos são ajustados aos requerimentos da aceleração da valorização do capital e da desvalorização do trabalho, no mesmo movimento em que impõe critérios de qualificação dos trabalhadores cada vez mais exclusivos e “excludentes”.

As condições de produção e de sobrevivência escapam cada vez mais ao controle dos cidadãos e os submetem aos seus movimentos. A automação crescente do processo de trabalho e a tendência à concentração e centralização das forças produtivas assumem diretamente, em sua forma material, o automatismo da acumulação, determinando o “empobrecimento” e a submissão da subjetividade dos indivíduos “livres” e de seu mundo da vida.

*Manfred Back é graduado em economia pela PUC –SP e mestre em administração pública pela FGV-SP.

*Luiz Gonzaga Belluzzo, economista, é Professor Emérito da Unicamp. Autor entre outros livros, de O tempo de Keynes nos tempos do capitalismo (Contracorrente). [https://amzn.to/45ZBh4D]

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Uma espiral de declínio das redes sociais acelerada pela IA https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/baixo-nivel-nas-redes.html

Evolução dentro e fora do campo

Contrastes do futebol
Partidas como as entre PSG e Bayern são esperanças contra a aridez, a mesmice e a violência no futebol. Flamengo e Cruzeiro entraram nas provocações dos argentinos; dizem que é o futebol raiz da América do Sul, que muitos tentam glamourizar
Tostão/Folha de S.Paulo     

No meio de semana, PSG e Bayern, pelas semifinais da Liga dos Campeões, fizeram um jogo inesquecível, fascinante, com nove gols, de muita intensidade, pressão para recuperar a bola, ousado e corajoso. Na outra semifinal, Atlético de Madrid e Arsenal realizaram, ao contrário, uma partida prudente, equilibrada e de poucos riscos. 

No Brasil, pela Libertadores, Boca Juniors e Cruzeiro, no Mineirão, não teve futebol. O Boca veio para tumultuar. O Cruzeiro, para mostrar que tem "espirito de Libertadores", entrou na briga do time argentino. Matheus Pereira salvou o jogo no final da partida com um passe milimétrico, preciso, que deu a vitória ao Cruzeiro.

Flamengo e Estudiantes, na Argentina, foi também um jogo bastante violento, provocado pelos argentinos. Dizem que é o futebol raiz da América do Sul, que muitos tentam glamourizar.

São os contrastes do futebol. PSG e Bayern, em um jogo limpo, marcaram por pressão durante todo o tempo. Não se deve confundir esta pressão no jogador que vai receber a bola com a marcação individual, muito usada no passado, de correr atrás do mesmo adversário em todo o campo. O defensor entra na partida sabendo a quem vai marcar.

Na final da Copa de 70, sabíamos que a Itália fazia marcação individual em todo o campo, mesmo se o jogador mudasse de posição. Havia quatro defensores para quatro adversários, além de um zagueiro para fazer a cobertura dos quatro. Combinamos que eu me posicionaria a frente do zagueiro de sobra, entre ele e os outros quatro. No quarto gol do Brasil, Jairzinho saiu da ponta direita para o centro, seguido pelo marcador, e o lateral Carlos Alberto ocupou este espaço livre para receber a bola de Pelé e finalizar.

Como atuei à frente do zagueiro de sobra, peguei pouco na bola. Depois do jogo, o técnico Zagallo me abraçou e agradeceu pelo meu trabalho.

PSG e Bayern anulam vários clichês, lugares-comuns e conceitos muito usados no Brasil. Os dois centroavantes, Dembelê, pelo PSG, e Kane, pelo Bayern, são atacantes que se movimentam por todo o ataque, recuam, trocam passes e fazem muitos gols. São os craques centroavantes, verdadeiros. No Brasil seriam chamados de falsos 9.

Os meio-campistas Vitinha, do PSG, e Kimmich, do Bayern, chamados no Brasil de primeiros-volantes, marcam, constroem e avançam. Vitinha, com sua habilidade e mobilidade, desliza pelo gramado, de uma área a outra. Kimmich se destaca mais pelos passes e lançamentos precisos.

Os dois laterais das duas equipes, especialmente os excelentes Rakimi e Nuno Mendes, ambos do PSG, avançam ao mesmo tempo, contrariando o conceito de que quando um lateral ataca, o outro deveria se comportar como um terceiro zagueiro.

Muitos treinadores, analistas e torcedores acham que pressionar em bloco, como jogam o PSG, o Bayern e outros times, não compensa pelos grandes riscos de não recuperar a bola e deixar enormes espaços na defesa. Por outro lado, os times brasileiros costumam atuar com os zagueiros colados à grande área. Quando o meio-campo avança, sobram muitos espaços entre os dois setores para o adversário receber a bola. Sempre haverá riscos.

Partidas como as entre PSG e Bayern são esperanças contra a aridez, a mesmice e a violência no futebol.

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Engrenagem mistura propaganda política, dinheiro sujo e plataformas que lucram https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/mafia-digital-milionaria.html 

Lendo Verissimo

O Verissimo que recomendo
Rodrigo Casarin/Página Cinco
Da Biblioteca: “Verissimo Antológico: Meio Século de Crônicas (Ou Coisa Parecida)”, de Luis Fernando Verissimo  

Revisito com frequência a uma crônica de Luis Fernando Verissimo chamada “Prioridades”. Costumo trabalhá-la no meu curso de Crônicas e Ensaios. A cena sempre se repete: ali pelo meio da coisa eu já estou dando risada. Voltarei a esse texto no final da dica.

Verissimo se foi no último sábado, como vocês sabem. Como sua obra seguirá firme, permanecerá sendo um autor que nos ganha pela simplicidade, pelo estilo cristalino, de raras firulas.

Isso ajuda a explicar o enorme sucesso de coletâneas como "Comédias Para Ler na Escola", "As Mentiras que os Homens Contam" e principalmente "Comédias da Vida Privada". Esses livros circularam incansavelmente, pareciam estar em todas as casas entre a metade dos anos 1990 e o começo dos anos 2000.

Em 2020, durante a fase mais pavorosa da pandemia, a Objetiva lançou um volumão que passou um tanto batido. “Verissimo Antológico: Meio Século de Crônicas (Ou Coisa Parecida)” chegou aos leitores primeiro na sua versão digital e só um tempo depois ganhou edição física.

São 728 páginas reunindo mais de 300 crônicas do mestre, parte delas fora de circulação há décadas, organizadas pelo jornalista Marcelo Dunlop. Na hora de escolher o que colocar no volume, caíram fora os textos com comentários sobre notícias quentes e protagonizados por personagens fáceis de achar em outros momentos da vasta obra.

“Verissimo Antológico” é um ótimo caminho para curtir a sagacidade, o humor e a ironia de Verissimo e, ao mesmo tempo, descobrir momentos menos lembrados de sua faceta cronista. Em todo caso, seus temas mais recorrentes estão ali: o amor, o futebol, a política, a timidez, a boa mesa, o olhar para a história e o interesse pelo gênero policial…

“Futebol de Rua”, uma das centenas de crônicas, me leva de volta à infância, quando montava um campo no asfalto: pedras ou chinelos demarcavam os gols, as guias da calçada faziam as vezes das linhas. Nada de juiz, falta só quando o adversário caía no bueiro.

No texto que fecha a antologia, Verissimo lembra de quando lhe pediram para cuidar do horóscopo de um jornal. "Todos os dias inventava o destino das pessoas e distribuía as previsões e os conselhos pelos doze signos do zodíaco".

Era só uma das etapas de sua picaretagem astral ou "trapaça sideral", como define. "Eu só queria dizer que, mesmo quando era eu que escrevia os textos, nunca deixava de olhar para ver o que Libra reservava para meu futuro. Fazer o quê? Precisamos de uma direção na vida, venha ela de onde vier".

Indicar um Verissimo? Tarefa bem difícil.

Como diversos outros livros do autor já estão super referendados, iria de “Verissimo Antológico: Meio Século de Crônicas (Ou Coisa Parecida)”.

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Leia aqui: "História estranha", Luis Fernando Veríssimo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/uma-cronica-de-luis-fernando-verissimo.html 

Luciana Santos opina

O papel estratégico da tecnologia e inovação na prevenção de desastres climáticos
Uso de ciência, monitoramento e educação é apontado como caminho essencial para reduzir riscos, proteger populações vulneráveis e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas no país.
Luciana Santos/Vermelho   
        

Temos acompanhado, de forma recorrente, os graves danos que os períodos chuvosos impõem aos estados brasileiros. Em razão das mudanças climáticas, cada vez mais as chuvas integram a dinâmica natural do nosso clima e evitar desastres se torna um desafio para gestores em todo o país. 

Na minha trajetória na vida pública sempre tive a convicção de que prevenir é sempre o melhor caminho. Quando estive à frente da Prefeitura de Olinda, enfrentamos de forma direta o desafio das áreas de risco, especialmente nos morros, onde a população mais vulnerável está exposta aos efeitos mais severos das chuvas. Ali, aprendemos que não basta agir na emergência, é preciso antecipar, planejar e cuidar.

Essa mesma diretriz orienta hoje a nossa atuação no Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Diante da emergência climática que bate à nossa porta, a prevenção deixou de ser uma opção administrativa para se tornar um imperativo ético e humanitário.

A ciência não dorme. E isso, no nosso Ministério, é literal. Através do Cemaden, nosso Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, mantemos uma vigília ininterrupta. São cientistas e técnicos dedicados 24 horas por dia, monitorando mais de 1.100 municípios em todo o território nacional.

Estamos falando de um dos sistemas mais sofisticados do mundo. Integramos dados de satélites, radares e pluviômetros para transformar números em decisões que salvam vidas. Também atuamos com parcerias importantes, como é o caso do Recife, onde estamos financiando a aquisição do radar meteorológico de Banda S, resultado de um protocolo de intenções entre o MCTI e a prefeitura. O equipamento conta com investimento superior a R$ 30 milhões do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), operado através da Finep, e vai ampliar a precisão das previsões e fortalecer o monitoramento das chuvas não só na capital, mas em toda região metropolitana, onde vivem mais de quatro milhões de pessoas. 

O desastre se pronuncia quando a chuva encontra a vulnerabilidade. E é possível se antecipar para diminuir os pontos de risco. Por isso, o trabalho realizado pelo MCTI e pelo Cemaden é um grande exemplo de como a ciência se transforma em proteção.

Mas a prevenção não se faz apenas com tecnologia. Ela se constrói também com educação e participação social.  A ciência precisa estar presente no cotidiano das pessoas. Precisa ser compreendida, apropriada e transformada em instrumento de cuidado coletivo. Programas como o Cemaden Educação mostram que isso é possível. Ao levar o conhecimento sobre riscos para dentro das escolas, formamos uma geração capaz de proteger a si mesma, suas famílias e suas comunidades.

Em Jaboatão dos Guararapes, por exemplo, estudantes construíram pluviômetros caseiros, monitoraram a chuva e ajudaram a alertar moradores durante eventos extremos em 2022. É a ciência cidadã salvando vidas, mostrando que o conhecimento, quando compartilhado, se transforma em ação concreta.

Ainda nesse espírito lançamos, neste ano, em Recife, a 9ª Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades sem Risco. A iniciativa mobiliza escolas, comunidades e organizações sociais para fortalecer a cultura de prevenção. 

Estamos utilizando os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e investindo pesado em infraestrutura científica e supercomputação para que o Brasil esteja à altura dos desafios do século XXI. 

Em um mundo de eventos climáticos extremos, falar de prevenção é, fundamentalmente, falar de justiça social. As chuvas continuarão a cair, mas o nosso compromisso é garantir que elas encontrem um Estado presente, uma ciência robusta e um governo que coloca a vida acima de tudo. É esse o Brasil que estamos reconstruindo, sob a liderança do presidente Lula: um país onde o conhecimento serve para proteger cada cidadão e cidadã.

Investir em ciência não é um luxo. É uma estratégia de proteção à vida.

Foto: Catástrofe no Rio Grande do Sul | Lauro Alves/Secom-RS

Leia também: Olhar nacional sobre as desigualdades inter-regionais https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/10/minha-opiniao-reserva_17.html

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