22 agosto 2026

Mídia pró-mercado

Jornalismo sem pluralismo
O jornalismo econômico troca o debate plural pelo consenso do mercado
Fernando Nogueira da Costa*/A Terra é Redonda   

1.

Há, no jornalismo econômico brasileiro, narrativas recorrentes apresentadas muitas vezes como se fossem proposições técnicas incontroversas, quando na realidade dependem de escolhas teóricas, institucionais e distributivas. Isso não significa toda crítica fiscal ser um “mito”, nem a inflação ter deixado de importar. Significa ser necessário distinguir identidades contábeis, restrições institucionais, hipóteses comportamentais e juízos normativos.

Os dados atuais tornam essa discussão oportuna. O recorrente diagnóstico mandatório de economista fiscalista midiático – “a dívida pública terá de ser paga” – é uma formulação enganosa,

Um Estado sem dívida externa e com títulos de dívida pública em moeda nacional, isto é, risco soberano, não funciona como uma família na qual herdeiros têm de liquidar todas as dívidas do finado antes de receber eventual herança. A dívida pública é normalmente refinanciada: títulos vencem, o Tesouro os resgata e simultaneamente emite outros.

O Tesouro Nacional administra emissões, resgates, estoque, vencimentos e reserva de liquidez – justamente porque administrar a dívida pública significa gerir continuamente seu refinanciamento. Os detentores de títulos de dívida pública – Instituições Financeiras em torno de 31,8% do total dos títulos; Fundos de Previdência: aproximadamente 22,6%; Fundos de Investimento: cerca de 21,6%; Não-residentes (Estrangeiros): 10%; Seguradoras, Governo e Tesouro Direto com participações menores – estão interessados nos permanentes rendimentos de juros. Logo, quando há vencimentos dos títulos públicos, compram outros.

A pergunta economicamente relevante não é: “Quando o Brasil pagará sua dívida?”, mas sim: “Em quais condições o Estado conseguirá refinanciar sua dívida ao longo do tempo?” Isso desloca radicalmente o problema.

O limite não é uma imaginária data de quitação do estoque, mas a interação entre taxa de juros, crescimento nominal do PIB, resultado primário, composição e maturidade da dívida, demanda dos investidores por títulos e credibilidade político-institucional. Simplificadamente: Δ(d) ≈ (r−g) d – p; onde (d) é dívida/PIB, (r) é o juro real efetivo, (g) é o crescimento da renda (ou arrecadação fiscal) e (p) é o superávit primário.

Essa equação mostra algo obscurecido pelo debate jornalístico sem pluralismo: uma taxa real de juros muito elevada pode desestabilizar a dívida mesmo com um resultado primário relativamente próximo do equilíbrio. 

2.

Bancos, fundos de investimento, fundos de pensão, seguradoras e famílias não desejam necessariamente “livrar-se” da dívida pública. Para eles, o passivo do governo é ativo financeiro.

O título público é simultaneamente: Passivo do Estado = Ativo financeiro dos detentores, inclusive bancos públicos e governos. Por isso, “eliminar a dívida pública” significaria também eliminar parcela importante dos ativos seguros usados na gestão patrimonial privada e nos balanços de entidades públicas.

Nos números fiscais há uma assimetria e precisam ser distinguidos entre realizados e projetados. Aproximadamente 0,5% do PIB de déficit primário e 8,5% de juros são valores projetados para 2026 no cenário-base da IFI do Senado.

Segundo o Banco Central, em doze meses, o setor público consolidado acumulou déficit primário de R$ 157,2 bilhões, equivalente a 1,19% do PIB. No acumulado em doze meses até junho, os juros nominais alcançaram R$ 1,16 trilhões (8,8% do PIB). O resultado nominal do setor público consolidado, incluindo o resultado primário e os juros nominais apropriados, no acumulado em doze meses, teve déficit nominal de R$ 1,31 trilhões (9,99% do PIB).

Mesmo usando o dado realizado, a diferença é extraordinária: a conta de juros é cerca de 7,4 vezes o déficit primário. Isso não demonstra ser qualquer gasto social irrelevante fiscalmente. Previdência, saúde e educação precisam ser financiados dentro da capacidade fiscal e tributária do Estado.

Mas enfraquece a narrativa ortodoxa dos “fiscalistas”, segundo a qual o déficit nominal brasileiro seria essencialmente consequência de um “Estado gastador” em políticas sociais. Contabilmente, hoje, a grande diferença entre um déficit primário relativamente pequeno e o enorme déficit nominal é a conta de juros.

Aqui aparece um segundo mito: confundir déficit primário com “gastos sociais”. Nessa sutileza conceitual, o resultado primário não mede simplesmente: gastos sociais – receitas. Ele agrega receitas e despesas primárias de diversas naturezas. Portanto, não podemos inferir serem saúde, educação ou Previdência os únicos responsáveis diretos pelo déficit primário de 1,19% do PIB.

Apesar de todo o conjunto das despesas primárias do Estado, grande parte delas sociais, receitas tributárias financiam quase integralmente essas despesas. O desequilíbrio líquido primário é pequeno, quando comparado à despesa líquida com juros. Essa formulação factual é difícil de contestar. 

3.

A baixa inflação demonstra a natureza do problema. O IPCA de julho foi apenas 0,07%, acumulando 3,44% em 2026 e 4,44% em doze meses. Enquanto isso, a Selic está em 14% ao ano. O próprio Copom caracteriza esse nível como “significativamente contracionista”.

Logo, há uma questão econômica legítima, merecedora de debate plural. Não se deve simplesmente subtrair os dois números para obter o juro real ex ante – o correto é considerar a inflação esperada –, mas qualquer medida razoável aponta para juros reais excepcionalmente elevados.

Por isso, a inflação em nível historicamente baixo deixou de justificar, por si só, toda a discussão macroeconômica brasileira continuar girando em torno do combate inflacionário, sem ponderação equivalente dos efeitos patrimoniais, fiscais, distributivos e produtivos da taxa de juros.

Fundamento a “estagdesigualdade” com a Teoria do valor financeiro, elaborada por mim em um livro digital. A Selic elevada produz efeitos diferentes sobre dois circuitos: (i) No circuito da renda e produção: Juros↑ → Crédito mais caro → Alavancagem empresarial↓ → Investimento↓ → Demanda↓ → Crescimento da renda↓; (ii) No circuito da capitalização patrimonial: Selic↑ → CDI↑ → Renda fixa↑ → Juros compostos → Patrimônio financeiro↑.

Isso cria uma configuração paradoxal: fluxo de renda crescendo lentamente + estoque financeiro capitalizando rapidamente. É precisamente aí onde o conceito de estagdesigualdade ganha força analítica.

Quem depende predominantemente do trabalho vive no circuito do fluxo de renda relativamente estagnado, diante do padrão da Era desenvolvimentista. Quem já acumulou grande patrimônio financeiro participa intensamente do circuito de capitalização.

Há um feedback: Selic elevada → despesa pública com juros → renda financeira privada → acumulação patrimonial → maior concentração de riqueza. Simultaneamente: Selic elevada → custo de capital → menor alavancagem financeira da produção → menor investimento → menor crescimento da renda.

A combinação dos dois circuitos produz justamente: Estagdesigualdade = baixo dinamismo do fluxo de renda (estagnação relativa) + capitalização assimétrica dos estoques (desigualdade patrimonial). 

4.

Há quatro contrapontos importantes a uma visão indiferente ao problema fiscal.

Primeiro, rolar dívida não significa inexistir restrição fiscal. Se investidores exigirem taxas crescentes, encurtarem prazos ou alterarem a composição desejada de suas carteiras, o custo de refinanciamento aumenta.

Segundo, resultado primário importa, particularmente porque interage com (r-g). Juros altos tornam necessário um resultado primário maior para estabilizar dívida/PIB; mas déficits primários persistentes também aumentam o estoque sobre o qual os juros incidem.

Terceiro, juros não constituem simplesmente uma transferência do Estado para “rentistas”. Os títulos pertencem direta ou indiretamente a fundos de pensão, fundos de investimento, bancos, seguradoras, empresas e pessoas físicas. O efeito distributivo precisa ser medido pela propriedade final desses ativos.

Quarto, não é possível atribuir toda a baixa taxa de investimento à Selic. Expectativas de demanda, infraestrutura, tecnologia, câmbio, tributação, incerteza política, capacidade instalada e perspectivas de rentabilidade também entram na decisão empresarial.

O verdadeiro problema jornalístico brasileiro é, portanto, o reducionismo ortodoxo fiscalista – e não “fake news econômicas”. Mitos econômicos são produzidos pela transformação de uma interpretação teórica convencional, muitas vezes uma crença equivocada, em senso comum jornalístico.

Forma-se uma cadeia: hipótese teórica → interpretação de economistas neoliberais → consenso do mercado → jornalismo econômico → opinião pública. No fim dessa cadeia, deveria falsear a hipótese inicial – e não a conclusão aparecer como se fosse um fato.

“Dívida tem de ser paga”, “o governo precisa fazer a mesma coisa de uma família”, “déficit público decorre de excesso de gasto social”, “juros altos são simplesmente consequência do risco fiscal” e “qualquer inflação acima da meta exige juros extremamente elevados” são proposições discutíveis, não identidades contábeis.

A alternativa plural não seria simplesmente inverter todas elas. Seria mostrar ao leitor as causalidades concorrentes e seus feedbacks: de um lado, Selic elevada → déficit nominal maior → dívida pública / PIB maior → pressão por ajuste fiscal; de outro lado: Selic elevada → menor alavancagem financeira → menor investimento. Ambas as resultantes se sobrepõem e resultam em: menor crescimento da renda → menor arrecadação tributária → piora fiscal.

Em contrapartida, no estoque de riqueza: Selic elevada → rendimentos financeiros → juros compostos → capitalização patrimonial → concentração da riqueza.

Essa abordagem sistêmica muda a pergunta central. Em vez de discutir isoladamente “gasto público demais ou de menos?”, passa-se a investigar como política monetária, política fiscal, estrutura financeira, distribuição patrimonial e crescimento interagem e se retroalimentam.

Nesse enquadramento da complexidade, minha hipótese pode ser formulada de maneira provocadora de um debate plural: o problema macroeconômico brasileiro contemporâneo não é simplesmente um “déficit fiscal”, mas sim uma configuração financeiro-fiscal na qual juros muito elevados simultaneamente ampliam o déficit nominal, remuneram estoques de riqueza, encarecem a alavancagem e restringem a expansão do fluxo de renda e, portanto, da arrecadação fiscal.

Esta é uma hipótese de Economia política a ser testada empiricamente. É justamente o tipo de hipótese ausente quando o debate econômico é apresentado como se houvesse apenas uma interpretação tecnicamente admissível.

*Fernando Nogueira da Costa é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp. Autor, entre outros livros, de Brasil dos bancos (EDUSP). [https://amzn.to/4dvKtBb]

A soberania em destaque https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01847079127.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

Pequenas grandes contribuições https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/pequenas-grandes-contribuicoes.html 

Futebol: ontem e hoje

Vivi épocas diferentes, dentro e fora do futebol; tudo mudou bastante
Viajo de um mundo a outro e gosto dos dois períodos. Quando eu era menino, ia com meu pai ao estádio Independência e via craques de pertinho; hoje não é assim
Tostão/Folha de S. Paulo      

Quem gosta de ir ao cinema, com telas grandes e pipoca, não pode perder o delicioso e profundo filme francês "As Cores do Tempo", que mostra, alternando as cenas e imagens de cada época, famílias e personagens que se entrelaçam com diferentes comportamentos. Um período atual, com sua enorme tecnologia, e o outro no ano de 1895, o do impressionismo e da "Belle Époque". As imagens de Paris são belíssimas. Imperdível!

Vivi épocas diferentes, a atual e a de muito antes da internet. Viajo de um mundo a outro e gosto dos dois períodos. Ainda uso cheque, vou à banca de jornal, tenho celular apenas para fazer e receber ligações e admiro o mundo tecnológico. Quando as coisas apertam, pessoas próximas me socorrem. Será que a inteligência artificial (IA), que ainda está no início, vai captar e entender as emoções e os sentimentos que moram nas profundezas da alma? Como será o novo ser humano? Ou vamos desaparecer?

Depois de viajar no tempo, volto ao mundo e ao futebol atual. Queria falar sobre o jogo de quarta-feira (19) entre Flamengo e Cruzeiro, mas na noite deste sábado (22) os dois times voltam a se enfrentar depois de eu ter escrito minha coluna. A vida está muito apressada. Será que a história da partida será diferente da anterior? Os filósofos do futebol já diziam no século passado que cada jogo tem a sua história.

No jogo pela Libertadores, o Flamengo agrupava todos os seus jogadores do meio para a frente na intenção de recuperar a bola, trocar passes e ter o domínio do jogo. Do outro lado, os laterais e pontas do Cruzeiro ficavam isolados, apagados, deixando o trio no meio-campo em desvantagem em relação ao do Flamengo. A segunda partida foi diferente?

Corinthians, do seu jeito, com um jogador a menos, ganhou por 1 a 0 do Rosario Central e se classificou para as quartas de final da Libertadores. Memphis entrou no meio do segundo tempo e cobrou com precisão a falta para Bidon fazer o gol. A loucura corintiana combina com a inteligência racional de Memphis.

A classificação do Corinthians não anula os importantes protestos de membros da torcida contra a irresponsabilidade e a promiscuidade que ocorrem há tempos no clube.

Fluminense, com ótimas atuações dos quarentões Fábio e Thiago Silva, continua na luta pela Libertadores. O time melhorou muito nos dois últimos jogos sob o comando do interino Marcão. Se tivessem contratado um treinador, muitos diriam que a nova estratégia tática foi magistral.

 

Palmeiras, do seu jeito, com muita luta, bolas longas e um gol após um cruzamento de bola parada, continua forte na Libertadores. Muitos disseram que o time foi eficiente. Quando joga da mesma maneira e não ganha, criticam que faltou repertório.

Retorno ao passado. Quando era menino, adolescente, ia com meu pai ao estádio Independência. Chegávamos cedo para sentar na primeira fila da arquibancada, uns dois metros acima do gramado. Uma barra protegia contra acidentes. Via os jogadores de perto. Assisti ao Botafogo jogar com GarrinchaDidi e Nilton Santos, três dos maiores jogadores da história do futebol. Garrincha bailava em campo. Os repórteres, com enormes microfones, entrevistavam os jogadores antes de começar o jogo e no intervalo. Dava até para escutá-los. O tempo passa, hoje é bem diferente.

Leia também: Futebol brasileiro banaliza a mediocridade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/futebol-brasileiro-em-baixa.html 

Minha opinião

Meu gosto pelo chocolate não chega a tanto 
Luciano Siqueira  

Desses tópicos que a gente recebe na tela do celular vi agora um que questiona se eu sei onde tem o melhor chocolate em São Paulo. 

Na verdade, o tom da pergunta sugere não sei se propaganda ou algum prêmio pelo bom produto servido à clientela. 

Gosto de chocolate, inclusive líquido, quente e em xícara mediana. Mas não chego ao ponto de procurar o melhor, mais bem preparado e algo mais. 

Além disso, quando vou a São Paulo meu tempo é totalmente tomado pela atividade partidária, reunião da direção nacional do PCdoB em particular. E nunca me passou pela cabeça pesquisar onde se come e se bebe melhor. Vou aonde é mais perto e mais simples. Se possível, gastando pouco. 

Isto posto, bem que poderia anotar aqui aonde é mesmo que se toma o melhor chocolate na capital paulista. Impossível porque já não acho aqui na tela do celular tão importante chamada — para os chocolates.

Desculpem. Vai um cafezinho? Aqui em casa tem.

Marcelo Barros: Cem anos de uma profecia política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/fidel-por-marcelo-barros.html

Datafolha: Lula segue líder

Lula vence Flávio Bolsonaro no 1º e 2º turnos, aponta Datafolha
O presidente aparece com 39% contra 33% do filho 01 de Jair Bolsonaro no primeiro turno e, no segundo, lidera por 47% a 43%
Iram Alfaia/Vermelho
      

Na primeira pesquisa DataFolha após o início oficial da campanha, divulgada nesta sexta-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 39% contra 33% de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa de primeiro turno.

Os dois estão isolados na pesquisa com números estáveis em relação aos levantamentos anteriores.

Na disputa de segundo turno, o presidente lidera por 47% a 43%, uma diferença de quatro pontos.

Em julho, último DataFolha, Lula tinha 48% contra 43% de Flávio, uma diferença de cinco pontos percentuais também no segundo turno.

O presidente ainda é o candidato com os votos mais consolidados. 82% dos seus eleitores dizem que não vão mudar e 18% admitem que podem ter outra opção, ao passo que 78% estão dispostos a manter voto em Flávio e 21% admitem mudar.

A rejeição de Flávio continua sendo maior do que a de Lula. Nesse item, o 01 tem 46% contra 45% de Lula.

“A disputa eleitoral segue estática com Lula liderando em todos os cenários de 1° e 2° turnos. 82% dizem que a intenção de voto é definitiva. Voto em Lula já bate em 32% na espontânea. Vamos firmes rumo ao TETRA!”, comemora no X o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP).

Espontânea

Os números da pesquisa espontânea, quando não se mostra os nomes dos candidatos aos entrevistados, mostram Lula com 32% contra 19% de Flávio Bolsonaro.

O Datafolha ouviu 2.058 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 18 e 20 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro no TSE é BR-04496/2026.

A campanha de Cida, por exemplo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_01844987494.html

21 agosto 2026

Minha opinião

Tenho nada a ver com isso 
Luciano Siqueira     

A manchete é espalhafatosa: "Onde os mais ricos investem: veja fundos, ações e CDBs preferidos dos clientes de alta renda".

Vejo não. Não me interessa. 

Basta saber que o tal capital financeiro, como bem demonstrou Lenin já no seu tempo, fruto da fusão entre o capital industrial e o capital financeiro, é esse monstro que concentra a riqueza do mundo e no Brasil conspira diuturnamente contra o desenvolvimento nacional e a melhoria do padrão de vida do povo. 

No capítulo 3 de "O imperialismo, fase superior do capitalismo", o líder revolucionário russo é claro e convincente: "A concentração da produção; os monopólios que dela resultam ponto e, a fusão ou concentração dos bancos com a indústria: tal é a história do desenvolvimento do capital financeiro e o conteúdo deste conceito.”.

Sou um brasileiro daquela faixa dos que têm como sobreviver, mas alimentam a revolta contra a iniquidade que é milhões sobreviverem na miséria. 

Então, não alimento a curiosidade sobre quem investe, aonde e que lucros obtém. Alimento, sim, a convicção de que em perspectiva é possível erguer o povo brasileiro em defesa dos seus próprios interesses e com suficiente competência para derrotar as elites que subjugam a nação aos ditames do capital internacional e semeiam a pobreza entre os que vivem do próprio trabalho. 

Reeleger Lula é um passo. Nas atuais circunstâncias, será uma grande vitória. Mas a luta tem dimensão muito maior.

Não é possível destravar o desenvolvimento econômico em bases socialmente aceitáveis se não avançarmos na direção de reformas estruturais, que embora aconteçam nos marcos do capitalismo vigente, propiciarão imensa elevação do padrão de vida material e espiritual dos brasileiros e brasileiras. 

Será possível enxergar um pouco além do horizonte visível e almejar uma sociedade socialista com o jeito da nossa gente. 

É assim que reajo ao apelo do jornalão neoliberal para que eu, simples leitor, me interesse pelas preferências do ricaços em suas aplicações financeiras. 

Vade retro!

Valorização do trabalho precisa da reeleição de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/nivaldo-santana-opina_01288357759.html  

Fotografia

 

Selcuk Sazak