24 agosto 2026

Minha opinião

Desagradável, mas necessário
Luciano Siqueira     

O principal candidato da extrema direita à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) andou dizendo que o rumoroso caso do financiamento do projeto cinematográfico Dark Horse (cinebiografia sobre a trajetória de Jair Bolsonaro) já seria “página virada”.

Ansioso para se ver livre da encrenca.

Ao contrário, o dito filho Zero Um do ex-presidente encarcerado ainda terá muito que explicar. Ou esclarecer – com todas as consequências morais e políticas adversas.

Politicamente necessário? Certamente sim. Porém extremamente desagradável, sobretudo porque o centro do debate eleitoral deve estar nas propostas programáticas dos candidatos.

A situação e os rumos do país em primeiro lugar.

Mas o diabo é que o candidato do PL, metido até a testa no imbróglio, ainda terá que o valor envolvido na trama - perícia privada contratada pela produtora do projeto aponta despesas próximas a R$ 75 milhões -; apresentação de contratos, notas fiscais ou documentos detalhando quem recebeu os pagamentos e quais serviços foram efetivamente prestados; envolvimento em . tratativas que chegaram a cerca de US$ 24 milhões com o banqueiro preso Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master; a diferença não explicada de quase R$ 45 milhões entre o orçamento inicial e os valores negociados posteriormente.

Em julho, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a aprofundar as investigações para identificar o destino dos recursos. De fato, falta esclarecer se verbas enviadas aos EUA teriam sido usadas para custear despesas de Eduardo Bolsonaro ou de outros aliados da extrema-direita no exterior.  

Verdadeiro angu de caroço, que os envolvidos têm dificuldade de digerir...

Ruy Castro: Os Bolsonaros são antissistema? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/quem-e-antissistema.html

Arte é vida

 

João Câmara

"250 anos do império decadente dos EUA" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/eua-decadencia.html 

Palavra de Lupicinio

"O pensamento parece uma coisa à toa. Mas como a gente voa quando começa a pensar." (Lupicinio Rodrigues)

Qual é a da Faria Lima? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_068512590.html 

Editorial do 'Vermelho'

Governo Lula anuncia iniciativas importantes para reindustrialização nacional
Presidente enfrenta desafios da inovação tecnológica, ponto central de um novo projeto nacional de desenvolvimento
Editorial do 'Vermelho'    

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita ao Centro Industrial Nuclear de Aramar, em Iperó (SP), na quarta-feira (19), enfatizou a capacidade do Brasil de dominar tecnologias estratégicas e transformar conhecimento científico em instrumentos de soberania nacional. Ele acompanhou o início da montagem da seção nuclear do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), que integra o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB).

Também na linha da soberania tecnológica nacional, na quinta-feira (20), em Natal, Rio Grande do Norte, Lula anunciou um edital para a aquisição de um supercomputador no valor estimado em R$ 1 bilhão, parte da estratégia prevista no Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que contribuirá para a expansão do desenvolvimento da tecnologia no país. O Plano integra a estratégia nacional do governo para desenvolver, estruturar e incentivar o uso soberano da inteligência artificial no Brasil, com investimentos de R$ 23 bilhões até 2028, com mais de R$ 14 bilhões executados nos últimos dois anos.

De acordo com a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o supercomputador colocará o país entre os cinco maiores do mundo em computação de alto desempenho, uma máquina que permitirá integrar dados de programas do governo, além de aumentar a eficiência em análises de efeitos do aquecimento global, como o aumento do nível do mar, a frequência de eventos climáticos extremos e o impacto na agricultura. Ao supercomputador soma-se a elaboração de uma linguagem totalmente nacional de inteligência artificial (IA), que possibilitará à ciência brasileira dar um salto e aumentar ainda mais a soberania nacional.

No Centro Industrial Nuclear de Aramar foi apresentado o Reator Multipropósito Brasileiro, associado à produção nacional de radioisótopos e medicamentos, mostrando que o domínio da tecnologia nuclear possui aplicações que ultrapassam a área militar. “O submarino com propulsão nuclear é mais do que um projeto de defesa: é soberania, ciência, tecnologia e desenvolvimento. É proteger o nosso território e nossas riquezas, gerar empregos qualificados e abrir oportunidades para que nossos jovens possam estudar, se formar e construir o futuro aqui”, afirmou o presidente.

O presidente, também, defendeu investimentos no enriquecimento de urânio para fins pacíficos, como na produção de energia. O Brasil ostenta um grande potencial de recursos minerais de urânio, entre os maiores do mundo, todavia não consegue suprir sequer a demanda interna. Há, no momento, oportunidade, segundo os especialistas, para o Brasil superar esse absurdo. Além das necessidades do país, cresceu a procura no mercado mundial. Mas, semelhante ao caso das terras raras, em vez de exportar urânio em estado bruto, o Brasil pode exportar urânio enriquecido, posto que faz parte do seleto grupo de países que domina a tecnologia de enriquecimento e tem instalações já em atividade.

Ronaldo Carmona, assessor para assuntos de inovação e política industrial da FINEP, pesquisador na área de geopolítica, defesa e estratégia, defende a ideia de que o submarino nuclear amplia a capacidade brasileira de proteger a Amazônia Azul – área oceânica sob jurisdição brasileira no Oceano Atlântico –, especialmente seus recursos naturais, além de instalações estratégicas e rotas marítimas.

O aspecto mais profundo do programa, segundo Carmona, é o domínio de tecnologias críticas. O Brasil não está simplesmente comprando um submarino pronto: está desenvolvendo a capacidade de projetar, construir e operar uma plataforma extremamente complexa. Em sua opinião, “o submarino nuclear vai mudar a qualidade da nossa capacidade de nos defendermos”.

A Marinha afirma que o programa fortalece a Base Industrial de Defesa e estimula setores como eletrônica, mecânica, eletromecânica, química e indústria naval. Em outras palavras, o submarino funciona como espécie de projeto mobilizador: para construí-lo, é necessário desenvolver ou qualificar uma cadeia de empresas, engenheiros, pesquisadores, técnicos e fornecedores.

Diante do país sob ameaça, alvo de agressões e chantagens do imperialismo estadunidense, aumentar seu poder dissuasão não se concretiza com retórica. Acelerar a produção do submarino movido a propulsão nuclear, entre outros projetos, é uma necessidade que requer urgência.

Programa de governo de Lula define que, “cumprindo estritamente o que está definido pela Constituição, as Forças Armadas atuarão na defesa do território nacional, do espaço aéreo e do mar territorial”. “A partir de diretrizes dos Poderes da República, colaborarão na cooperação com organismos multilaterais e na modernização do complexo industrial e tecnológico da defesa”, destaca.

Esses dois movimentos do governo Lula confirmam uma concepção de desenvolvimento no qual ciência e tecnologia ocupam posição estratégica, o domínio nacional de tecnologias sofisticadas como instrumento de reindustrialização. O Brasil possui universidades, centros de pesquisa, empresas de engenharia, instituições militares e uma comunidade científica capazes de participar de projetos complexos. O problema histórico tem sido transformar esse potencial em uma política de desenvolvimento.

Essa concepção é importante para o Brasil enfrentar o desafio de seguir se reconstruindo, com conhecimento científico, inovação tecnológica e maior agregação de valor à produção. A reindustrialização precisa estar associada à ciência, à tecnologia, à digitalização, à inteligência artificial, à energia, à indústria de defesa, à biotecnologia, à indústria naval e a outros segmentos. Pode-se dizer que esse é um ponto central de um novo projeto nacional de desenvolvimento, assentado em novas bases, fundamental para o país e para o povo.

O jornalismo econômico troca o debate plural pelo consenso do mercado https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/midia-pro-mercado.html

23 agosto 2026

Palavra de poeta

Presságio

Fernando Pessoa   


 

 O AMOR, quando se revela,
 Não se sabe revelar.
 Sabe bem olhar p'ra ela,
 Mas não lhe sabe falar.
 
 Quem quer dizer o que sente
 Não sabe o que há de dizer.
 Fala: parece que mente...
 Cala: parece esquecer...
 
 Ah, mas se ela adivinhasse,
 Se pudesse ouvir o olhar, 
 E se um olhar lhe bastasse
 P'ra saber que a estão a amar!
 
 Mas quem sente muito, cala;
 Quem quer dizer quanto sente
 Fica sem alma nem fala,
 Fica só, inteiramente!
 
 Mas se isto puder contar-lhe
 O que não lhe ouso contar,
 Já não terei que falar-lhe
 Porque lhe estou a falar...

[Ilustração: Peter Worsley]

Leia também: "Céu de confeiteiro", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/palavra-de-poeta_01758261591.html

Fotografia

 

Sebastião Salgado

José Bertotti: Transformação ecológica conecta estratégias de desenvolvimento de Brasil e China https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/jose-bertotti-opina.html

Minha opinião

Mais de 40 trilhões de dólares

Luciano Siqueira    

 

Mesmo os arautos do capital financeiro se assustam: a dívida nacional bruta dos Estados Unidos atingiu oficialmente a marca inédita de US$ 40 trilhões, segundo informações do Departamento do Tesouro norte-americano.

O déficit fiscal do governo federal se aproxima de US$ 1,4 trilhão e despesa com o pagamento de juros da dívida acumulada US$ 827 bilhões em um período de apenas nove meses, refletindo o impacto direto da manutenção de taxas de juros elevados sobre a rolagem do passivo federal, registra matéria no Monitor Mercantil.

Os Estados Unidos mantêm uma dinâmica constante de operação sob déficit estrutural, compelindo ao endividamento.

Mais: a rápida progressão do estoque da dívida vem acelerando ano a ano, impulsionada pelo descompasso recorrente entre a arrecadação e as despesas públicas.

O todo poderoso mercado mantém vigilância sobre balanços corporativos, tendo em conta que o peso da dívida tende a influenciar o custo geral de financiamento e a estabilidade financeira global.

Na verdade, um dado de realidade no quadro geral de decadência do império norte-americano.

Trump transforma a Presidência dos EUA em negócio https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/negocios-suspeitos.html