26 agosto 2026

Minha opinião

Enganosa busca da felicidade 
Luciano Siqueira 

Vira e mexe retomo o assunto aqui. É que me sinto perseguido pela frequência com que escutono rádio "especialistas" tidos como detentores da última palavra sobre as emoções humanas. 

Alguns são apresentados como especialistas na superação de conflitos a dois. 

Outros são tampa de Crush em matéria de “felicidade contemporânea”. 

E ainda temos os que encontram nas redes sociais mecanismos de promoção do bem-estar espiritual. 

"Palavras são palavras, nada mais do que palavras", assegurava Walfrido Canavieira, personagem humorístico de Chico Anysio. Com toda razão. Pelo menos para esses tais especialistas que devem faturar muito bem com o blá blá blá midiático. 

Tal como os autores de livros de autoajuda. 

Em ambos, a tendência repetitiva a se voltar para si mesmo, cada indivíduo mergulhado no seu próprio eu, numa busca frustrante de uma felicidade imaginária. 

E a relação do indivíduo com o meio em que vive? 

E a exploração e a opressão próprias da sociedade de classes? 

E a distinção entre o individualismo exacerbado e o desprendimento da experiência coletiva? 

Aí seria querer demais. Os tais especialistas olham-se ao espelho e, ininterruptamente e com uma boa dose de habilidade e verborreia, faturam adoidado às custas da angústia alheia.

Leia também: "Amor e ódio ao smartphone" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/minha-opiniao_21.html 

Editorial do 'Vermelho'

Vazamentos visam a atingir Lula e livrar Flávio Bolsonaro
Grupelhos bolsonaristas incrustados no Estado, em conluio com parcelas da grande mídia, manobram para atacar o presidente
Editorial do 'Vermelho'      
    

O vazamento seletivo de dados de inquéritos da Polícia Federal (PF) sobre o Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luíz Inácio Lula da Silva, nominado pela mídia hegemônica de “Lulinha”, sobre suposto tráfico de influência e corrupção tem clara orquestração e objetivo bem definido. A defesa de Fábio Luís comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que em 17 de agosto, um dia após o início da propaganda eleitoral geral nas ruas e na internet, foram publicados dados sigilosos do caso.

O relator de dois inquéritos sobre Fábio Luís no STF, ministro André Mendonça, demandado pela defesa do acusado, mandou a PF investigar suspeita de novos vazamentos, uma atitude até agora sem resultados conhecidos. Vale lembrar que a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís, autorizada por André Mendonça em dezembro de 2025 a pedido da PF no contexto da CPI do INSS, não revelou indícios sobre a sua participação no esquema.

André Mendonça é também relator do caso Master, apontado por autoridades como o maior crime financeiro da história do país, cujo tratamento é bem diferente. O inquérito existe há mais de 9 meses, desde a deflagração da Operação Compliance Zero pela PF em 18 de novembro de 2025, e praticamente nada se sabe a respeito.

Com o agravante de que o candidato a presidente da extrema direita, Flávio Bolsonaro, foi flagrado em áudio amplamente divulgado no qual aparece negociando cerca de R$ 134 milhões diretamente com ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro para supostamente financiar a produção de Dark Horse, o filme biográfico sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Pelo menos R$ 61 milhões foram entregues ao esquema dos Bolsonaro. Cinicamente, Flávio Bolsonaro tentou encerrar politicamente o episódio ao declarar que o caso era “página virada”, sem prestar contas sobre a origem e a destinação dos recursos.

O ministro STF Flávio Dino acaba de demonstrar o contrário ao autorizar a PF a acessar dados apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo em uma operação contra a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme sobre Jair Bolsonaro. O material poderá esclarecer a origem e a destinação de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares e contratos milionários envolvendo entidades ligadas à produtora.

Outra questão relevante é a justificativa de André Mendonça para não acatar o parecer da Procuradoria-Geral da União indicando que o caso de Fábio Luís saia do STF e vá para a primeira instância. O ministro tende a manter o caso na Corte Suprema sob o argumento de que a investigação foi inicialmente encaminhada pela PF e de que ainda podem surgir elementos envolvendo autoridades com foro privilegiado, ignorando a argumentação da PGR de que que, na ausência atual de investigados com essa prerrogativa, o inquérito deve ser remetido à primeira instância.

A questão, portanto, deixa de ser apenas jurídica e passa a ter evidente dimensão política e eleitoral A discussão sobre foro privilegiado e competência não pode ser separada dos princípios do Estado Democrático de Direito, como o devido processo legal e o amplo direito de defesa. Como disse o presidente Lula, Fábio Luís terá de provar a própria inocência da mesma forma que ele próprio provou nos processos-farsas da Operação Lava Jato. “Ninguém está impune se cometeu erro. Portanto, esse é meu papel de presidente. Meu filho sabe que se cometeu erro, ele vai ser julgado, vai ser punido ou vai ser inocentado, mas ele tem que provar a inocência dele”, afirmou.

O contraste com o comportamento de Bolsonaro sobre seus filhos é absolutamente nítido. Ficou marcado na história brasileira o episódio no qual o ex-presidente disse, na reunião ministerial de 22 de abril de 2020, que não aceitaria punições à sua família e que, se necessário, trocaria integrantes da estrutura da PF e até o ministro da Justiça, na época o ex-líder da farsesca Operação Lava Jato, Sérgio Moro.

É importante recordar que a indicação de André Mendonça para ministro do STF por Jair Bolsonaro foi recebida por analistas do Direito e da política como sinal amarelo sobre a maneira como determinados processos poderiam ser conduzidos.

Os vazamentos sobre Fábio Luís têm a evidente intenção de alimentar a cobertura dos meios de comunicação da grande mídia e a máquina digital de fake news bolsonarista. Trata-se de um movimento deliberado e sincronizado, programado para desgastar eleitoralmente o presidente Lula por meio da exploração do tema da “corrupção”. Setores da mídia hegemônica com as velhas armas da manipulação e mentira cumprem o papel de artilharia pesada mirada em tentar impedir a reeleição do presidente.

O objetivo é interditar e travar o debate sobre as propostas reais dos candidatos, sobre as grandes questões que devem orientar as eleições, lançando uma espécie de névoa sobre temas fundamentais como democracia, soberania nacional, desenvolvimento, direitos sociais e os interesses do povo brasileiro. Enquanto isso, a extrema-direita quer arrastar a campanha presidencial para o terreno que lhe é favorável, “da lama ao caos”. Afinal, o programa neoliberal e neocolonial do neofascismo não é palatável à maioria do eleitorado.

Interdita o debate também sobre a ingerência de uma potência estrangeira, os Estados Unidos sob o governo de extrema direita de Donald Trump, no processo eleitoral, além de ações cibernéticas, a manipulação das big techs para disparo em massa de desinformação e turbinando mensagens criminosas da extrema-direita.

Como disse a deputada federal Jandira Feghalli (PCdoB-RJ), “é inacreditável que em todo momento de eleição presidencial alguém da família do presidente Lula é alcançado pela grande mídia para gerar insinuações e dúvidas”. Fábio Luís “não tem cargo público, não é candidato a nada e o próprio presidente Lula já disse que se aparecer alguma coisa que se investigue”, afirmou. Em compensação, Flávio Bolsonaro, que é candidato a presidente e “tem um rabo imenso e sujo”, é ignorado.

A frente democrática e popular que apoia a campanha da chapa Lula-Alckmin deve sustentar a ofensiva, travar a luta de ideias, esclarecer e engajar mais e mais o povo no confronto, desmascarar Flávio Bolsonaro, repelir e neutralizar a baixaria da extrema direita, redobrar o combate nas redes sociais, fazer o corpo a corpo intenso com o eleitorado, disseminar os compromissos do programa de governo de Lula. Mobilizar os/as trabalhadores/as para que o Senado Federal vote já o fim da escala 6×1, eles temem essa agenda como diabo da cruz.

Atenção ao conteúdo programático https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_02003961006.html

25 agosto 2026

Palavra de poeta

Consolo na praiaaia
Carlos Drummond de Andrade        

Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
 
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
 
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
 
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
 
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
 
Tudo somado, devias
precipitar-te — de vez — nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.

 
[Ilustração: Dionísio del Santo]
 
Leia também: O poeta negro Miró da Muribeca, voz antirracista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/uma-cronica-de-urariano-mota.html 

Fotografia

 

Marie Adolphson 

"Somos todos Lula em torno de um cafezinho" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/convite-vamos-nessa.html 

Postei nas redes

Aumentar a representação popular e democrática no Senado e na Câmara é essencial ao êxito do próximo governo Lula. Implica atitude proativa na campanha e no voto. 

Qual é a da Faria Lima? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_068512590.html 

Dica de leitura

Guerra híbrida midiática
Luciano Siqueira     

O papel nefasto do complexo midiático dominante é tema de oportuno e esclarecedor artigo de Luís Nassif - "A imprensa na guerra híbrida" - , publicado no Jornal GGN.

Nassif  afirma que o comportamento atual da imprensa é ainda mais grave do que no período da Lava Jato. Antes havia o pretexto de apuração de crimes reais;  explícita de guerra híbrida, sem a sustentação consistente nos fatos.

Ocorre uma “pressão extraterritorial” (especialmente vindos dos Estados Unidos) que subordinam a imprensa e a infraestrutura de comunicação nacional.

O direcionamento do conteúdo publicitário de grandes multinacionais americanas influencia a conduta editorial. Empresas evitam veicular anúncios em portais ou veículos que não sigam a linha de interesses geopolíticos de Washington.

Por outro lado, a aplicação da Lei Magnitsky/OFAC impõe avaliações individuais ou corporativas a executivos e grupos econômicos, operando como uma "arma nuclear financeira". A simples possibilidade de ser atingido por restrições do Departamento do Tesouro dos EUA impõe autocensura a grupos empresariais e de mídia.

Acresce dependência tecnológica e plataformas: o controle das Big Techs (mecanismos de busca, redes sociais e serviços de nuvem) constitui estrangulamento operacional e distribuição assimétrica de conteúdo e de receita.

Para Nassif, a insistência da grande imprensa em atuar como linha de frente de desgaste político e de soberania não deve ser interpretada apenas por viés ideológico local ou erro pontual de apuração. Ela é uma guerra híbrida ampla, na qual alavancas econômicas, judiciais, tecnológicas e publicitárias sob influência dos Estados Unidos constrangem o debate público e tensionam a soberania das instituições e da política brasileira. Confira https://jornalggn.com.br/destaque-capa/a-imprensa-na-guerra-hibrida-por-luis-nassif/

Leia também: "O Leviatã digital" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/poder-algoritmico.html

Humor de resistência

 

Miguel Paiva

Trump não gosta do Pix https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_02067967086.html