13 setembro 2026

Dica de leitura

O que estava sob sigilo

Luciano Siqueira   

Na edição de setembro da revista piauí, matéria intitulada "As 196 páginas de sigilo" https://piaui.uol.com.br/web/as-196-paginas-sigilo-stf-vorcaro-toffoli/ revela dados esclarecedores sobre informações mantidas em sigilo pelo ministro André Mendonça.

Na verdade, o Supremo Tribunal Federal recebeu dois relatórios secretos produzidos pela Polícia Federal para apurar as relações entre os ministros da Corte e o empresário/banqueiro Daniel Vorcaro. Enquanto outros documentos ou apurações vieram a público, um relatório específico de 196 páginas foi mantido em sigilo por meses no STF.

A peça de 196 páginas, subscrita por quatro delegados da Polícia Federal, detalha e investiga as relações financeiras e institucionais entre o ministro Dias Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro.

Entre as descobertas reveladas pela reportagem, a Polícia Federal aponta a suspeita de que Toffoli possa ser o “beneficiário final” de um fundo offshore/paraíso fiscal que teria recebido cerca de R$ 3,5 milhões ligados a negócios de Vorcaro.

Mais uma vertente do novelo de informações comprometedoras sob apreciação (a maioria secreta) no âmbito do STF.

Leia também: A sociologia do golpe https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/natureza-do-golpe.html

Postei nas redes

Matéria no site da BBC menciona que analistas do audiovisual contestam a divisão orçamentária do filme Dark Horse — que destinou apenas 13,9% para a etapa de filmagens propriamente dita. No padrão da indústria cinematográfica internacional, cerca de 50% do orçamento é direcionado às filmagens, o que gerou dúvidas sobre o destino real dos recursos repassados.  

Três "questões de ordem" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0658357328.html 

Minha opinião

Instrumento estratégico
Luciano Siqueira    

Nem sempre com o destaque que cabe, o Novo Banco de Desenvolvimento - NBD (sustentado pelo BRICS) gradativamente se converte em importante fator ativo na cena global.

Tudo a ver com a autonomia financeira dos países membros em meio à desorganização das relações internacionais promovida incessantemente pelos EUA do presidente Donald Trump. Essencial para o financiamento de infraestrutura, transição energética e projetos sustentáveis ​​em economias emergentes.

Nesse quadro, o papel crescentemente ativo do BRICS no incremento do comércio recíproco e os financiamentos em moedas nacionais, diminuindo, em consequência, a dependência do dólar americano e os riscos decorrentes das flutuações internacionais.

Na prática, a possibilidade real do NBD cumprir papel destacado ao possibilitar termos de financiamento isentos de condicionalidades políticas ou econômicas habitualmente impostas pelo FMI e o Banco Mundial.

Uma variável a ser acompanhada com atenção no quadro global de transição à multipolaridade.

Leia também: Mais de 40 trilhões de dólares https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao_0876986250.html 

Fotografia

 

Luciano Siqueira

O pensamento crítico na era dos algoritmos https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/bolha-algoritmica.html 

Postei nas redes

Em Curitiba, Lula demarcou campos com a extrema direita pondo em destaque o combate à corrupção e a defesa das instituições democráticas e republicanas. E apelou à militância pela intensificação de ações de rua, fortalecendo a campanha nas comunidades e nos territórios. 

A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html 

Urariano Mota opina

11 de setembro de 1973 ou de 2026?
Do golpe de Pinochet às ofensivas contra o STF e as eleições de 2026, a memória do fascismo reaparece como alerta diante das ameaças à democracia brasileira.
Urariano Mota/Vermelho 
 

A pergunta do título não é retórica. A questão é a continuidade histórica entre o golpe fascista de Pinochet  no Chile em 1973 e os dias de hoje. Se não, vejamos.

Há um golpe de Estado contra a democracia e o Presidente Lula neste momento em marcha.  A expressão mais evidente desse fascismo vivo se encontra com o ministro do stf  andré mendonça. E tão pequeno ele é, que só mesmo em minúsculas, porque o golpista apequena tudo em que mete as mãos. Com apoio da mídia do capital e de esquerdistas sectários dos mais míopes, ele parte para implodir o STF. Mas já antes, ele mostrava quem é. Quando ministro da justiça, ele produzir um dossiê contra mais de 570 servidores federais e estaduais de segurança, identificados como membros do “movimento antifascismo”. Olhem só a natureza do crime dos servidores. Desse ministro não se pode dizer que erra os adversários. andré mendonça teve seus dossiês quando ministrinho da justiça, durante o governo de jair bolsonaro, considerados inconstitucionais pelo STF em 2022. A relatora do processo, ministra Cármen Lúcia, chegou a nivelar a produção do dossiê do ministrinho às atividades realizadas durante a ditadura militar brasileira.

Tampouco se pode falar dele que não seja ousado nem possua doses cavalares de cinismo.  Isso jamais do ministrinho poderá ser falado, pois é seu um tamanho mérito. Há pouco, ordenou que suspeitos de desvios no INSS fossem soltos. Agora, tenta alterar a correlação de forças dentro da Corte para abrir caminho a uma anistia que beneficie envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e na tentativa de golpe de Estado! Notem que desse modo ele avança contra provas documentadas de crimes tentados contra as mais altas autoridades.

Ele tenta destruir, por exemplo, uma investigação da Polícia Federal que descobriu cinco indivíduos presos (quatro militares e um policial federal) em conversa de 2022 em um aplicativo de mensagens para matar o presidente Lula. E mais o vice, Geraldo Alckmin  e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Todos seriam assassinados juntos, ou em diferentes oportunidades no mesmo dia, como era feito na ditadura militar. Lula seria envenenado com  “utilização de envenenamento ou uso de [produtos] químicos”. No caso de Moraes, seria usado artefato explosivo. Para matar o presidente Lula, consideraram  a sua vulnerabilidade de saúde e ida frequente a hospitais, com a possibilidade de utilização de envenenamento ou uso de químicos para causar um colapso orgânico.

Agora, andré mendonça tenta matar de outra maneira. Os fascistas mudam a máscara, mas não o objetivo.  Eles são formados, para os quartéis e fora,  todos os dias nas escolas militares até hoje. Aqui, numa imagem tão bem criada pelo gênio do cartunista Ral: 

As escolas militares doutrinam, fazem uma verdadeira Escola com Partido à direita, enquanto escondem a história trágica e o papel destruidor de vidas pela Ordem da ditadura militar. Os colégios militares continuam independentes da democracia do Brasil, como se fossem ilhas inexpugnáveis à civilização.

Daí que voltamos à pergunta do título: 11 de setembro de 1973 ou de 2026? Em 11 de setembro de 1973, livros eram queimados por soldados do exército nas ruas do Chile. Em um país de grandes poetas e tradição humanista, a foto do horror escapou do paradoxo, porque ela se fez coerente com o assassinato do poeta Pablo Neruda pela ditadura. E depois, a imagem de livros no fogo era tão simples e pornográfica, ao mesmo tempo de tamanho didatismo sobre a ideologia fascista no seu carbono Pinochet, que um comentário passaria pelo já visto, ao lembrar e repetir ações de Hitler a Franco, todos ótimos queimadores de escritores, livros e inteligência. 

Agora, as tentativas de andré mendonça para mudar o curso das eleições do Brasil. Esta é a razão pela qual os escritores, jornalistas, professores, intelectuais e militantes socialistas devemos esclarecer o que foi, o que é a ditadura, como história, em continuidade histórica e sua ameaça. Todos temos um trabalho de Sísifo, todos os dias levantando a pedra da memória até o alto, e vê-la cair de novo até o chão. E recomeçar, outra vez e sempre, o trabalho e luta contra o fascismo.

Leia também: A praça ainda é do povo? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_02118984853.html

Palavra de poeta

O Poço

Pablo Neruda    

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.

[Ilustração: Jean-Michel Basquiat]

Leia também "Madrugada", poema de Ferreira Gullar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_0552917227.html