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Blog de Luciano Siqueira
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01 abril 2026
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PCdoB na luta contra a ditadura
Do golpe à resistência: como o PCdoB leu 1964 e enfrentou a ditadura
Documentos históricos do partido com maior número de vítimas pela ditadura militar trazem análise do golpe, leitura do regime e os quais foram os caminhos de resistência articulados pelo PCdoB
Leandro Melito/Portal Grabois
Em 1º de abril de 1964, uma ofensiva articulada entre militares, elites conservadoras e o imperialismo norte-americano derrubou o governo de João Goulart e impôs ao Brasil uma ditadura que duraria mais de duas décadas (1964-1985). Nos meses seguintes, já sob a repressão do novo regime, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB) tornou pública sua análise dos acontecimentos no documento O Golpe de 1964 e seus ensinamentos, divulgado em agosto daquele ano pela Comissão Executiva. O texto resgata os fatores que levaram ao golpe, examina a situação do país nos primeiros meses da ditadura e aponta caminhos para enfrentá-la.
A caracterização da ditadura
Para o PCdoB, não se tratava de uma “revolução”, como sustentavam os militares:
“Embora a ditadura militar procure, desde o início, mascarar-se com aspectos legais, proclamando hipocritamente sua obediência à Constituição de 1946, no país não se respeita a lei.”
O novo regime se expressou rapidamente em medidas de exceção: cassações, intervenções em sindicatos, repressão a estudantes e perseguições políticas. O governo chefiado pelo marechal Castelo Branco também se alinhou aos interesses dos Estados Unidos, tanto na política econômica quanto na política externa.
A preparação do golpe
Nos anos anteriores a 1964, ampliavam-se as mobilizações sociais e o debate público em torno de reformas estruturais, como a reforma agrária, enquanto cresciam as críticas à presença do capital estrangeiro no país. Para os comunistas:
“Esse clima de certas liberdades e o avanço do movimento democrático e antiimperialista preocupava seriamente os reacionários do país e dos Estados Unidos. Sob o falso pretexto de que Goulart favorecia os comunistas, há muito grupos militares e de civis tinham iniciado a conspiração para derrubar o governo e deter o ascenso das lutas populares.”
O documento cita algumas ações:
“A Escola Superior de Guerra transformou-se em antro de conjura. Latifundiários armados realizavam violenta repressão aos camponeses. Lacerda e Ademar de Barros pregavam abertamente a destituição do presidente da República. Setores reacionários do clero mobilizavam fiéis em passeatas e procissões.”
O imperialismo norte-americano também atuou diretamente para viabilizar o golpe, apoiando política e materialmente os setores golpistas.
Ainda assim, predominavam a passividade do governo e a crença de que o Exército garantiria a legalidade. “O povo estava despreparado para enfrentar a ação combinada dos imperialistas e dos reacionários.”
O resultado foi a ausência de resistência. “O governo e o povo foram tomados de surpresa. (…) Nenhuma resistência foi oferecida ao golpe.”
Para o PCdoB, João Goulart confiou que poderia levar adiante algumas reformas e manter-se na Presidência apoiado no movimento sindical e nos principais comandos militares. Contudo, “os acontecimentos de março-abril vieram demonstrar o quanto era ilusória a orientação do caminho pacífico.”
“Os trabalhadores, os estudantes, os intelectuais indagam por que não se resistiu ao golpe quando se tinha tão fortes posições. Os responsáveis principais são os que pregavam aquela orientação. Tivesse prevalecido a linha revolucionária, outro teria sido o curso dos acontecimentos.”
A linha do PCdoB no pré e no pós-golpe
Dias antes do golpe, entre 27 e 30 de março, o Comitê Central do PCdoB reuniu-se e decidiu manter-se na oposição à esquerda ao governo João Goulart, considerado reformista, ao mesmo tempo em que apoiaria a luta pelas reformas de base em debate no Congresso Nacional. O partido vivia um período de reorganização após a cisão com o antigo PCB, em 1962.
A leitura dos acontecimentos após o golpe e do arbítrio instaurado no país pelo governo Castelo Branco reforçou a convicção que havia orientado essa reorganização.
“A tese revisionista, defendida pelo PC Brasileiro, da revolução pelas reformas, redundou em completo malogro. Os militares golpistas, ao galgar o poder, acabaram com as liberdades, voltaram-se contra o povo e deram seu apoio aberto ao imperialismo ianque.”
Como enfrentar a ditadura
“A amplitude da frente única é condição indispensável da vitória da revolução, uma vez que são fortes os inimigos a derrotar.”
Naquele agosto de 1964, o PCdoB apontou a necessidade de reorganizar o movimento popular e construir uma ampla frente de forças democráticas e patrióticas para enfrentar a ditadura:
“Mobilizar o maior número de brasileiros contra a ditadura e contra os direitistas mais extremados é uma necessidade premente. Desta tarefa participam tanto revolucionários quanto reformistas, tanto militantes do PC do Brasil quanto do PC Brasileiro, tanto católicos quanto socialistas. Lado a lado podem atuar trabalhistas, brizolistas, comunistas, elementos do PTB, PDC, PSD e até da UDN. Na luta por objetivos concretos é preciso unir todas as forças capazes de ser unidas e neutralizar todas as que possam ser neutralizadas.”
A luta pelas liberdades — como a libertação de presos políticos, o fim das intervenções nos sindicatos e nas universidades e a reabertura de jornais — aparece como eixo imediato de mobilização. Ao mesmo tempo, o PCdoB indica que o enfrentamento ao regime exigiria formas mais profundas de organização e resistência.
A luta nas páginas de ‘A Classe Operária’
Veículo histórico do Partido Comunista do Brasil fundado em 30 de abril de 1925, sob a repressão do governo Arthur Bernardes, o jornal A Classe Operária resistiu à perseguição do Estado Novo (1937-1946) e circulou legalmente, sendo vendido em bancas de jornal até março de 1964. Sua circulação foi retomada em abril de 1965 e permaneceu com circulação mensal durante os anos de arbítrio (1964-1985) quando, mesmo na clandestinidade, publicou 159 edições.
Preservadas no Centro de Documentação e Memória (CDM) da Fundação Maurício Grabois, as edições do jornal referentes a esse período ajudam a analisar as principais movimentações do PCdoB.
Em 1966, o partido realizou a VI Conferência Nacional, que aprovou o documento União dos brasileiros para livrar o país da crise, da ditadura e da ameaça neocolonialista, no qual destaca “a necessidade de organizar a mais ampla união patriótica, sob o lema de independência, progresso e liberdade”.
Em maio de 1968, o documento Preparar o partido para as grandes lutas destaca que consideráveis setores das massas ganharam confiança nos embates com a reação e “sentiram que é possível enfrentar com êxito a tirania”, com destaque para os movimentos grevistas de trabalhadores. A edição de A Classe Operária de novembro daquele ano denuncia o ataque dos militares ao XXX Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), com a prisão de centenas de estudantes, e prenuncia o movimento que desaguaria no Ato Institucional número 5, AI-5, em dezembro daquele ano.
“Os ministros militares exigem a cassação dos mandatos de deputados oposicionistas, o ministro da Justiça ameaça implantar o estado de sítio e fala da aplicação de outras medidas de exceção. Acham-se em execução, portanto, planos de provocação e atentados contra os líderes do movimento popular, enquanto atinge caráter mais brutal e sanguinário, com novos assassinatos de estudantes e trabalhadores, o regime de violência instaurado em abril de 1964”.
Preparação da luta armada e guerrilha do Araguaia
Em resposta à instituição do AI-5 no dia 13 de dezembro de 1968, a Comissão Executiva do PCdoB respondeu com o documento A ditadura não conseguirá deter as lutas do povo, reproduzido na edição de A Classe Operária de janeiro de 1969, em que o partido fala explicitamente em recorrer à luta armada para combater o arbítrio.
“O povo brasileiro não poderá se livrar de seus opressores sem recorrer à luta armada. Os generais dizem abertamente que as armas estão em suas mãos e que as utilizarão contra os patriotas e democratas para defender o injusto regime vigorante no país. Se o povo não quiser viver como escravo, sob o tacão dos generais fascistas e sob o guante do imperialismo ianque, precisa também dispor de armas e preparar-se para usá-las contra seus inimigos.”
Em dezembro de 1969, os comunistas lançam o documento Responder ao banditismo da ditadura com a intensificação da luta do povo, que destaca que “o sentimento popular em favor da revolução é muito grande”.
Em julho de 1970, o Partido aprova o documento Mais audácia na luta contra a ditadura, em que atribui aos comunistas o papel de “organizar e levar a cabo ações revolucionárias”. “A passividade, o conformismo, as posições contemplativas, o espírito burocrático e os debates estéreis são atitudes inteiramente alheias ao revolucionário proletário”, destaca o texto.
Em junho de 1971, A Classe Operária publica o documento Ampliar e radicalizar as ações populares. “Aos comunistas cabe o dever de colocar-se à frente das lutas do povo, ajudá-lo a encontrar as adequadas formas de lutar e de se organizar que possibilitem ampliar suas ações e radicalizá-las de acordo com o nível de consciência e de organização já alcançados pela oposição popular que se reforça no curso dos combates”, destaca o texto.
No dia 12 de abril de 1972, mais de dois mil soldados iniciaram os ataques às bases do PCdoB na Guerrilha do Araguaia, organizada no sul do Pará. O conflito durou mais de dois anos e envolveu cerca de 10 mil homens das Forças Armadas. “Tropas do Exército, da Marinha, Aeronáutica e Polícia Militar do Pará realizaram vasta operação armada na região ao sul da cidade paraense de Marabá, ocupando trechos da Transamazônica e locais às margens do rio Araguaia. Nessa operação, iniciada nos primeiros dias de abril, empregaram grande número de helicópteros, veículos anfíbios e soldados treinados em combates na selva”, denunciou a edição de abril de 1972 de A Classe Operária.
“A ditadura cerrou os caminhos da luta pacífica. Que outro recurso resta ao povo senão empunhar as armas e combater firmemente a tirania? Os que lutam de armas nas mãos merecem o mais amplo apoio das massas. As pessoas simples que reagiram ao ataque das Forças Armadas, em território paraense, assim como noutros lugares, interpretam o sentimento profundo dos brasileiros de ódio à ditadura e de amor à liberdade, ao progresso e à independência nacional.”
O movimento, organizado por militantes do PCdoB e camponeses da região, resistiu por quase dois anos a três grandes ofensivas do Exército antes de ser dizimado em 1974, com a morte de 54 guerrilheiros ligados ao partido. Um dos principais movimentos de enfrentamento à ditadura, a Guerrilha do Araguaia desencadeou uma feroz perseguição do aparelho de repressão contra o partido, sigla política com o maior número de vítimas do regime militar, 86 ao todo.
Chacina da Lapa
Considerada a última ação de extermínio da ditadura militar (1964-1985), a Chacina da Lapa, assassinato brutal de três dirigentes do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), completa 50 anos em 2026.
Militantes históricos do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) Ângelo Arroyo e Pedro Ventura de Araújo Pomar foram assassinados por agentes da repressão que metralharam a casa número 767 da Rua Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo (SP), na manhã do dia 16 de dezembro de 1976. O Comitê Central do PCdoB estava reunido naquele endereço desde o dia 14 de dezembro para discutir a derrota da Guerrilha do Araguaia pela repressão da ditadura militar (1964-1985).
Um dos comandantes da Guerrilha do Araguaia, Arroyo, havia recém-completado 48 anos. Ex-deputado pelo PSP, Pedro Pomar estava com 63 anos. Integrante mais novo da direção do PCdoB, João Batista Franco Drumond foi detido pelos militares e morto sob tortura aos 34 anos.
“O II Exército, em colaboração com o I Exército e o CENIMAR, incumbiu-se de levar a cabo uma operação terrorista contra aqueles elementos que culminou com o assassinato frio e calculado dos camaradas Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drumond e com a prisão de outros quadros do Partido, entre os quais, Elza Monnerat, Aldo Arantes, Haroldo Rodrigues de Lima e Wladimir Torres Pomar”, denunciou A Classe Operária.
“O sangue de Pedro Pomar, Ângelo Arroyo e João Batista Drumond não correu em vão. Transforma-se num apelo eloquente aos operários, camponeses, estudantes, intelectuais, aos democratas e patriotas para levar adiante a gloriosa tarefa de livrar o Brasil da peste militar-fascista e conquistar o direito a uma nova vida de liberdade, progresso, independência e justiça social.”
O governo brasileiro entregou, na terça-feira (31), certidões de óbito retificadas de 27 pessoas assassinadas pelo regime militar, em cerimônia realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador. Entre as vítimas, cinco eram integrantes do PCdoB, mortos na Guerrilha do Araguaia e que até hoje não tiveram seus restos mortais localizados: Maurício Grabois, dirigente histórico do partido; Dinaelza Santana Coqueiro (Maria Dina); Dinalva Oliveira Teixeira (Dina); Uirassú de Assis Batista; e Vandick Reidner Pereira Coqueiro, marido de Dinaelza.
Segundo a Comissão Nacional da Verdade, o Brasil registra ao menos 434 mortos e desaparecidos durante o período autoritário.
Referência bibliográfica
BUONICORE, Augusto. O PCdoB e a ditadura militar. Revista Princípios, São Paulo, n. 129, p. 10-18, 2014.
Luta que segue https://lucianosiqueira.blogspot.com/
Humor de resistência
Powerpoint da Globonews reabre as feridas de manipulação da mídia https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/globo-na-lama-2.html
Enio Lins opina
A tenebrosa
sombra do 1º de abril de 1964 paira sobre o Brasil
Enio Lins
RECORDAR É VIVER, e a Democracia brasileira, para sobreviver, precisa nunca esquecer do golpe de 1º de abril de 1964. Até porque aquele Dia da Mentira que se espalhou por 21 anos nunca morreu de fato, apesar do atestado de óbito lavrado em 15 de março de 1985. Perambula, como morto muito vivo, por becos e avenidas, livre e fagueiro, sem temer a luz do meio-dia. É um Drácula tropical, adaptado ao sol, dispensando até os óculos escuros que fizeram parte da farda dos ditadores latino-americanos nos anos 60/80.
NÃO É O GOLPE DE 1964 um acontecimento passado. Esta é a questão. Como diz aquele
presidiário famoso: “Ustra vive!”. Algo está muito podre quando um político
berra a todos pulmões sua admiração por um torturador abjeto, criminoso
hediondo, militar insubordinado, como o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
Conhecido nos porões da ditadura como “Doutor Tibiriçá”, imortalizou seu nome e
codinome como o mais desumano dentre os torturadores. Ustra foi um covarde
juramentado, especializado em seviciar vítimas que lhes eram entregues
imobilizadas, sem lhe oferecer riscos. As mulheres eram seu alvo predileto,
especialmente se estivessem grávidas. Na época, a própria extrema-direita
militar teve o cuidado de evitar a subida de seu mais notório torturador a mais
um degrau na hierarquia. Jamais permitiram que alcançasse o
generalato. Congelaram-no como coronel e o esconderam. Jair B, como
presidente da República, em agosto de 2021, aventou promover – postumamente –
Ustra à Marechal. A “promoção” topou em problemas legais, mas foi a reafirmação
de um compromisso entre bandidos.
NA BARAFUNDA DE
INTEGRANTES do golpe de 64, existiam descontentes com o
governo Jango, gente ressabiada com o trabalhismo, carolas tementes do
comunismo, empresários ressentidos, proprietários ruais assustados com a
Reforma Agrária etc. Sim, mas essa plêiade de interesses foi apenas o caldo de
cultura, nunca a força dirigente. Quem dirigiu o processo e assumiu
inteiramente o poder foi a extrema-direita militar, por sua vez dividida em
alas que se aliavam e se combatiam internamente, disputando o leme do barco
pirata. A facção mais criminosa era a “dos porões”. Esse grupo praticava crimes
políticos do tipo prisão, tortura e assassinato de militantes da oposição,
ao mesmo tempo em que, "nas horas vagas", praticavam delitos
comuns como assaltos, tráfico e serviços gerais prestados para o crime
organizado. Do pouquíssimo que veio à público, é educativo ler os resumos
(disponíveis na internet) dos processos movidos contra o então Capitão
Guimarães, nos anos 1970. Quando, em 2005, o então deputado estadual carioca
Flávio Bolsonaro homenageou o capitão Adriano da Nóbrega, notório miliciano e
assassino com vários processos em andamento – reafirmou a existência e
vitalidade dessa ligação entre os herdeiros dos porões de 1964 e o crime
organizado. E não é um tributo isolado a um militar criminoso por parte do
hoje presidenciável Flávio: em 2004 ele homenageou o então capitão Ronald
Pereira, atualmente condenado a 56 anos de prisão por participar dos
assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
USUALMENTE, AS ANÁLISES do golpe de 1964 centram o foco nas questões
ideológicas. Restringem-se ao inequívoco fato de os golpistas serem de
extrema-direita, fascistas, antipatrióticos... sim, foram. São. Seus herdeiros
seguem sendo. Mas a corrupção e o crime organizado são outras características
intrínsecas aos donos do poder entre 1964 e 1985. Ocorrências como o Escândalo
da Mandioca – ocorrido no interior de Pernambuco, entre 1979 e 1981, culminando
com o assassinato do procurador federal Pedro Jorge em agosto de 1982 – unindo
agentes da repressão política ao crime organizado, eram tão comuns e
quanto rigorosamente ocultadas pela censura prévia à imprensa e pelo
impedimento das investigações. Assim aconteceu nos escândalos da Itaipu
Binacional, da Ponte Rio-Niterói, Transamazônica, Coroa-Brastel, Capemi,
Luftalla-Maluf etc. Ocorrências jamais elucidadas, ligando líderes golpistas da
extrema-direita ao roubo sistemático de recursos públicos e privados. Isso não
ficou no passado. Nem é mera coincidência a fusão num mesmo personagem da
tentativa de venda de joias desviadas do acervo da República e a tentativa de
golpe de Estado quando da passagem de governo depois das eleições de 2022. Os
herdeiros da bandidagem 1964/1985 estão presentes, e fortes, nessas eleições de
2026.
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Palavra de poeta
REFLEXÕES
Maurílio Rodrigues
Ai daquele, que ao
final
De sua jornada, não
percebe
O seu rosto dizendo
Sim, valeu a pena.
Ai daquele, que
carrega
No seu cáustico
dorso,
O peso enorme da
desilusão,
E não é capaz de pedir
ajuda.
Ai daquele, que com o
coração
Oprimido, sente a
vida
Como um inevitável
naufrágio,
Por não ter cortado
as asas
De seus desejos.
É essa dor, que na
alma crepita,
Como os ciprestes que queimam
Sabendo que
seu único destino,
Será as cinzas, que o
vento as levará,
Em qualquer direção.
Ai daquele que
sequer
Tem uma débil
esperança
De encontrar um
arbusto
Que possa lhe
oferecer
Uma mínimo de sombra.
Ai daquele, que
sofrendo
Imensurável
dor,
Não encontra
palavras
Para amenizar seus
sofrimentos
Após uma vida de
desventuras.
Ai daquele que não
tem a fé
Para montar esse
cavalo selvagem,
Chamado vida, o qual
demonstra
Fortes sinais que
jamais será
Domesticado.
[Ilustração: Noemia Prada]
"Assim vejo a vida", poema de Cora Coralina https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_31.html
Minha opinião
O conteúdo do debate eleitoral
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Pesquisas pré-eleitorais sugerem que os temas educação, segurança e saúde devem centralizar o debate na eleição presidencial deste ano. É o que a grande mídia neoliberal sugere.
Será uma lástima se assim ocorrer.
Inegável que esses três temas, ao lado de tantos outros relacionados
com a condições de vida do nosso povo têm relevância. Entretanto, não podem obscurecer
a questão central: que modelo de desenvolvimento o Brasil deve adotar?
Ou seja, o debate sobre os
rumos do país.
Esse pretendido reducionismo
serve à elite dominante, não serve ao nosso povo. Sobretudo neste instante em
que o mundo se mostra conturbado e a própria soberania das nações postas em
risco.
Assim, o debate sobre os
rumos estratégicos do país há que encarar questões essenciais e não apenas
políticas publicas setoriais. É preciso lançar luz e cotejar alternativas sobre
os condicionantes macroeconômicos e estruturais que, em última análise,
viabilizam — ou impedem — até mesmo o investimento nessas políticas específicas.
É preciso debater se ao Brasil cabe se constituir como potência
agrícola, hub de tecnologia ou um centro industrial autosuficiente e moderno, em sintonia com as transformações que se operam no mundo.
Demais, o Estado
democrático de direito concebido na Assembleia Nacional constituinte tem sido
transfigurado mediante PECs e mesmo através de legislação infraconstitucional. Este também é um tema central, não pode permanecer debaixo do tapete.
É indispensável que os candidatos e as coalizões político-partidárias se posicionem sobre a soberania nacional, a política externa e a integração regional. É preciso encarar o desafio de uma inserção global soberana. Definir que país pretendemos ser nas próximas décadas.
A frente ampla que pugna pela reeleição do presidente Lula não pode fugir a essa dimensão do debate. Argumentar com os inegáveis avanços recentes de politicas públicas específicas é válido, mas não suficiente.
A elevação do nível de consciência política do eleitorado guarda intima e
indissociável relação com a conquista do voto para vencer.





