19 agosto 2026

Minha opinião

Samba de um mercado só
Luciano Siqueira    

Não uso a expressão “de uma nota...” em respeito a Tom Jobim e porque “mercado” sintetiza tudo.

Ou quase tudo, quando se lê e se escuta o que dizem os responsáveis pelo programa de governo dos candidatos da direita à presidência da República.

O compromisso de todos é antes de tudo com o chamado mercado financeiro, a força hegemônica da elite dominante, de braços dados com o grande agro exportador e os monopólios varejistas.

Cada um ao seu estilo, concentram suas proposições na substituição ou reformulação de regras fiscais com foco na contenção do crescimento dos gastos públicos, redução do déficit e estabilização do endividamento em relação ao PIB. Associado a isso, redução drástica dos gastos com politicas sociais compensatórias, principalmente com a Bolsa Família, que odeiam.

Defendem a retomada e a ampliação de programas de desestatização, concessões e parcerias público-privadas (PPPs) para atração de capital privado em projetos de infraestrutura.

Muita demagogia com promessas de simplificação tributária, desoneração, incentivo ao empreendedorismo, ampliação de crédito para pequenos negócios e facilitação da produtividade.

E quando falam os próprios candidatos, saiam de baixo: a superficialidade, o improviso e a demagogia dão o tom do discurso.

Pelo capital financeiro, tudo!

Vale acompanhar o confronto de ideias durante a campanha e valorizar, mais do que nunca!, o programa da chapa Lula-Alkmin cujo fio condutor está no desenvolvimento soberano e socialmente democrático.

Soberania nacional é o pilar do Programa de governo de Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/editorial-do-vermelho_01066033204.html

Postei nas redes

Recentemente, a Thopen Energy, empresa de energia renovável, proclamava aos quatro ventos que esperava faturamento de R$ 1 bilhão em 2026, crescimento de 100% em relação ao ano passado. Agora, afundada em R$ 4,5 bilhões em dívidas, pediu recuperação judicial. No capitalismo, todos mentem e muita gente ainda acredita. 

Soberania e autonomia tecnológica https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/estado-soberania-nacional.html 

Arte é vida

 

Sophia Tassinari

Diretrizes do Programa Lula e a agenda trabalhista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/nivaldo-santana-opina.html 

Dica de leitura

Um ativo estratégico
Luciano Siqueira    

Em artigo no Le Monde Diplomatique - , "Quando as nações deixam de aprender" - o físico Celso Pinto de Melo aborda a destruição ou desarticulação dos ecossistemas de conhecimento e a ascensão do obscurantismo levam países e grandes potências ao declínio econômico, científico e soberano.

O autor afirma que o verdadeiro motor da prosperidade, a autonomia e a soberania de uma nação não residem em recursos naturais nem em ativos isolados, mas na capacidade contínua de aprender, inovar e acumular conhecimento complexo.

Para tanto, importam instituições científicas sólidas e em redes articuladas, envolvendo universidades, centros de pesquisa, indústrias, engenharias e fornecedores especializados.

Quando uma rede assim inexiste, opus se desfaz, o país perde sua capacidade de criar o próprio futuro.

Nesse contexto, a emergência de correntes obscurantistas, o desmonte de políticas públicas de educação e ciência e o descaso com as áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) destroem silenciosamente os ecossistemas do saber.

Na prática, tem-se verificado que a interrupção da formação de cientistas ou desvalorização da carreira acadêmico-tecnológica, leva a que jovens talentos se dispersem ou mudem de área, gerando um "apagão" de capacidades de difícil recuperação.

Na opinião do autor, grandes potências globais tratam suas universidades e setores tecnológicos de ponta como questões essenciais de segurança nacional e soberania, contrastando com países acomodados à dependência.

Celso Pinto de Melo afirma que a maior riqueza de uma nação está na sua capacidade de aprender a construir o que ainda não existe. Quando uma nação se rende ao obscurantismo ou desmantela suas estruturas científicas, ela perde a capacidade de compreender, imaginar e projetar alternativas de futuro, condenando-se ao declínio silencioso.  

Leia aqui https://diplomatique.org.br/quando-as-nacoes-deixam-de-aprender/

Luciana Santos: "Infovias: Ciência e Tecnologia a serviço da inclusão e da soberania nacional" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-luciana.html 

Arte é vida

 

Bernard Safran

Leia:“Vivos, lúcidos e ativos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/04/minha-opiniao_18.html 

Boa notícia

Mulheres ocupam 57,4% dos empregos formais no 3º governo Lula
Dos 10,1 milhões de novos vínculos desde 2023, 5,8 milhões foram ocupados por mulheres; participação feminina subiu de 44,2% para 46,4%
Natália Padalko/Vermelho 
 

As mulheres ainda não são maioria no mercado de trabalho formal brasileiro, mas estão ocupando uma parcela cada vez maior das novas vagas. Dos 10,1 milhões de vínculos formais criados entre janeiro de 2023 e junho de 2026, durante o terceiro governo Lula, 5,8 milhões foram ocupados por mulheres, enquanto 4,3 milhões foram preenchidos por homens. O movimento reduziu a distância entre os dois grupos e alterou a composição do emprego formal no país.

Leia também: Governo Lula cria mais de 10 milhões de empregos formais desde 2023

Os dados da Rais (Relação Anual de Informações Sociais), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), mostram que as mulheres representam hoje 46,4% dos 62,8 milhões de vínculos formais ativos no Brasil, com 29,2 milhões de postos. Os homens ainda concentram a maior parcela, 53,6%, com 33,7 milhões de vínculos.

Mulheres ganham espaço, mas homens ainda são maioria

A diferença, porém, diminuiu desde o início de 2023. Naquele momento, os homens ocupavam 55,7% dos postos formais, enquanto as mulheres respondiam por 44,2%. Em pouco mais de três anos, a participação feminina avançou 2,2 pontos percentuais, enquanto a masculina recuou 2,1 pontos.

O dado ganha dimensão quando se observa de onde veio essa mudança. Dos 10,1 milhões de novos vínculos acumulados no período, 57,4% foram ocupados por mulheres. Elas ficaram, portanto, com a maior parcela dos empregos que entraram no mercado formal desde janeiro de 2023. Entre os homens, foram 4,3 milhões de novos vínculos.

É uma alteração importante na composição do mercado, mas que ainda está longe de significar igualdade. Mesmo tendo ocupado mais novas vagas, as mulheres continuam em desvantagem no estoque total de empregos formais. São cerca de 4,5 milhões de vínculos a menos que os homens.

Mercado formal amplia registro da diversidade racial

A Rais também revela mudanças na composição racial dos trabalhadores registrados. Dos vínculos formais contabilizados, 27,3 milhões são de pessoas que se autodeclaram pardas e 26,8 milhões de pessoas brancas. Trabalhadores autodeclarados pretos somam 4,6 milhões, enquanto amarelos representam 600 mil vínculos e indígenas, 239 mil.

A Rais também apresenta um retrato atualizado da composição racial dos trabalhadores formais. Dos vínculos contabilizados, 27,3 milhões são de pessoas que se autodeclaram pardas e 26,8 milhões de pessoas brancas. Trabalhadores autodeclarados pretos somam 4,6 milhões, enquanto amarelos representam 600 mil vínculos e indígenas, 239 mil.

O perfil do trabalhador formal também mudou em relação à escolaridade. Atualmente, 54% dos vínculos, equivalentes a 33,7 milhões de pessoas, são de trabalhadores com ensino médio. Outros 15,2 milhões têm ensino superior ou pós-graduação. O rendimento médio dos empregos formais ficou em R$ 4.389,49.

A maior parte dos empregos está concentrada no setor de serviços, que reúne 38,2 milhões de vínculos. O comércio aparece em seguida, com 10,5 milhões, seguido pela indústria, com 9,1 milhões; construção, com 3 milhões; e agropecuária, com 1,8 milhão.

Os números mostram, assim, duas realidades que convivem no mercado de trabalho brasileiro. As mulheres ainda ocupam menos postos formais que os homens, mas passaram a responder pela maior parcela das novas vagas criadas nos últimos três anos e meio. A distância permanece, mas diminuiu. A mudança na distribuição dos novos empregos aponta para uma presença feminina cada vez maior no mercado formal.

Diretrizes do Programa Lula e a agenda trabalhista https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/nivaldo-santana-opina.html

Postei nas redes

Compreensível o interesse eleitoral de Raquel Lyra em associar sua imagem à de Lula em alguma medida, mas com isso desmoronaria seu palanque, quase a metade de extrema direita.  

"Dois trunfos em favor de João Campos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/08/minha-opiniao.html