PCdoB alerta para desafios eleitorais e ofensiva
imperialista
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A presidenta em exercício do PCdoB, Nádia Campeão, abriu nesta sexta-feira (10) a 3ª reunião do Comitê Central do partido, realizada em formato híbrido, a partir de Brasília, com uma intervenção política que traçou um panorama da conjuntura internacional e nacional e apontou os desafios partidários para o ano eleitoral de 2026.
Cenário mundial: declínio da hegemonia dos EUA
Segundo o informe do Comitê Central apresentado pela dirigente do
Partido, o mundo vive um momento de “graves acontecimentos, tensões e ameaças”,
marcado pela aceleração da ruptura da ordem mundial anterior. Nádia destacou
que os Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, tornaram-se “o
epicentro da crise que instabiliza e ameaça o mundo”.
O documento aponta que a estratégia imperialista tem se desdobrado em
guerra comercial indiscriminada (“tarifaço”), sanções e bloqueios contra
Rússia, Irã, Cuba e Coreia do Norte, e escalada militar direta. No caso do
Brasil, o “tarifaço” foi agravado pela Lei Magnitsky, usada como pressão
política contra decisões do STF.
A guerra contra o Irã, iniciada por EUA e Israel, é apresentada como
parte da tentativa de dominar o Oriente Médio, controlar reservas de petróleo e
gás e afastar a influência da China e da Rússia. Contudo, a resistência
iraniana impôs um cessar-fogo sem a reabertura do Estreito de Ormuz e sem
rendição, desmoralizando a bravata de Trump de derrubar o regime em 24 horas.
Crise energética e desgaste do imperialismo
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, rota por onde passam 20% do
petróleo mundial, espraiou a crise energética para o planeta. Com o barril de
petróleo saltando de US$ 60 para mais de US$ 100, se o Brent atingir US$ 140
por mais de 90 dias, “o risco de recessão global torna-se o cenário base para
2026”.
Internamente nos EUA, Trump enfrenta pressão fiscal, escândalos como o
caso Epstein, inflação e insatisfação social, com grandes manifestações como o
“No Kings”. Na Europa, crescem as contradições, com a Espanha qualificando a
guerra como “desastre absoluto” e fechando espaço aéreo para operações contra o
Irã.
Oriente Médio e América Latina sob ataque
O informe condena o genocídio em Gaza perpetrado por Israel, sob comando
de Netanyahu, e os ataques ao Líbano e à Cisjordânia, que já deslocaram 1
milhão de pessoas. Denuncia ainda a aprovação de lei no parlamento israelense
que prevê pena de morte por enforcamento exclusivamente para árabes e
palestinos.
Na América Latina, a ofensiva de Trump busca coesionar presidentes de
extrema-direita para formar o “Escudo das Américas”, visando dominar recursos
energéticos, minerais estratégicos e mercados, além de afastar a articulação
regional com os BRICS. Cuba segue sob bloqueio energético, e a Venezuela, sob
tutela econômica e política.
Eleições no Brasil: soberania ou subjugação
No plano nacional, Nádia Campeão afirmou que a questão central é a
reeleição do presidente Lula, que significará “uma afirmação da soberania do
Brasil, ou a subjugação do país à alternativa de extrema-direita comprometida
com nova investida ultraneoliberal e entreguista”.
A candidatura principal da oposição será a de Flávio Bolsonaro (PL), que
reúne a base bolsonarista e apoio explícito do imperialismo estadunidense. O
informe alerta que nenhuma das candidaturas oposicionistas representa o “centro
moderado”, o que coloca um dilema para parte das elites.
Pesquisas recentes indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro,
com erosão de 10 a 15 pontos na vantagem lulista em três meses. O informe
atribui esse movimento à recuperação da iniciativa política pela extrema
direita após episódios como a chacina do Complexo do Alemão, a CPI do INSS e o
caso do Banco Master.
Economia: indicadores positivos, mas desafios sociais
O informe reconhece indicadores favoráveis: inflação de 4,5%, queda do
desemprego, aumento da renda real e da massa salarial, expansão do emprego
formal e programas habitacionais. Contudo, alerta que a taxa Selic em patamar
elevado neutraliza esforços de reindustrialização, mantendo o PIB estagnado em
torno de 3%.
“O custo proibitivo do crédito levou a que 80% das famílias estejam
endividadas, sendo que 30% estão inadimplentes”, aponta o documento. O
endividamento das famílias em relação à renda anual chega a 49,69%, com juros
rotativos de cartão de 436% ao ano.
Eixos da campanha de Lula
O informe assentou três bases para a campanha lulista:
1. Ataque sistemático à
candidatura de Flávio Bolsonaro, classificando-a como “traição nacional” e
ameaça à democracia, por seu histórico golpista e subordinação de interesses
nacionais aos EUA em temas como petróleo, Amazônia, terras raras e sistema
financeiro.
2. Atuação firme do
governo nos problemas do povo, com medidas efetivas para proteger a economia
popular, controlar preços da cesta básica e combustíveis, e reduzir o
endividamento familiar. Destacam-se as lutas pelo fim da escala 6×1 e combate
ao feminicídio.
3. Apresentação de
perspectivas novas para um novo mandato, com programa de mudanças que enfrente
problemas críticos como segurança pública, saúde, juros altos, aperto fiscal e
taxação dos super-ricos.
Papel do PCdoB e reformas estruturais
O informe orienta que o PCdoB deve ser “o defensor desta política,
integrar a coordenação da campanha com visão de amplitude”, contribuindo com
propostas que transcendam o programa de governo.
Deve apresentar às forças progressistas “o alcance de um novo projeto
nacional soberano” que permita ao Brasil desenvolver indústria de ponta, defesa
nacional, ciência e tecnologia, proteger minerais estratégicos e aprofundar a
democracia.
Para isso, o partido constituirá um grupo para elaborar proposta com
base no documento de Reformas Estruturais e aportes acumulados pelos núcleos da
FMG. As demais tarefas serão apresentadas via Projeto Eleitoral e agenda de
lutas.
Agenda do Comitê Central
A reunião, que segue até domingo (12), inclui ainda: apresentação do
Projeto Eleitoral do PCdoB; informe sobre atualização do Programa Socialista;
aprovação de resolução sobre Fundo Especial de Financiamento de Campanha; e
eleição para recomposição da Comissão Executiva e Comissão Política.
Neste sábado, os trabalhos foram abertos com homenagem aos camaradas
Renato Rabelo e Márcio Cabreira, falecidos há pouco mais de um mês. Ao final
dos debates, o Partido divulgará orientações para a batalha eleitoral e as
lutas populares de 2026.
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