Adversário oportuno*
Luciano Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
Campanhas eleitorais são uma espécie de arena onde gladiadores disputam o pódio com todas as armas disponíveis.
Em princípio,
seria o confronto de atributos positivos, de diversas naturezas, que uma vez assimilados
pela grande plateia - o eleitorado -, propiciaria a vitória ao melhor dos
contendores.
Mas não é
bem assim. Ou é, porém numa complexidade em boa parte determinada pelas
circunstâncias da luta e pela “bagagem” exibida por cada gladiador.
O presidente
Lula disputará o pleito contra mais de um oponente, mas dentre eles, pelos
menos por enquanto, o senador Flávio Bolsonaro (PL), dito filho 01 do
ex-presidente encarcerado Jair, se destaca.
Um
adversário oportuno. Vulnerável, ainda que arrogante e predisposto a toda sorte
de manobras distantes anos luz de qualquer consideração de ordem ética.
Um candidato
em ascensão? Longe disso. Desde que reveladas suas relações comprometedores com
o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, o senador dedica parte substancial do seu
tempo a se explicar diante da opinião pública e mesmo dos próprios
correligionários. O que se reforça agora com a retomada do “tarifaço” de Donald
Trump contra a economia brasileira, onde estão nítidas as digitais do
bolsonarismo.
Na
correspondência enviada por Trump a Lula, são mencionadas supostas fragilidades
no combate à corrupção e questionamentos ao sistema Pix para justificar as
barreiras protecionistas. Tudo a ver com a retórica enviesada do clã Bolsonaro,
tornando justa a alcunha de "Tariflávio" que agonia o senador nas
redes sociais.
Num ambiente
político minimamente sério e sujeito a normas jurídicas aplicáveis e diante de
uma opinião pública atenta e crítica, o candidato bolsonarista raiz já teria desistido
ou afastado pelo próprio partido.
Ao contrário,
esperneia como pode e aciona o arsenal de comunicação digital pautado pelo conceito
de “pós-verdade”, em que a fronteira entre o acontecido e o inventado é tão tênue
quanto um fio dental.
Nessas circunstâncias,
avulta um paradoxo: o principal candidato da extrema direita, herdeiro direto
de minoritário, porém consistente naco do eleitorado de todo o país é também o
melhor adversário a ser enfrentado pela ampla coalização democrática e popular
liderada pelo presidente Lula.
Antes de
tudo porque, em razão das diatribes do senador junto ao governo
norte-americano, com o qual se relaciona de forma subserviente, a defesa da
soberania nacional avulta como destaque na cena eleitoral, bandeira capaz, a um
só tempo, de demarcar campos e elevar o nível de consciência da população.
Politiza a
disputa, para além do confronto entre as chamadas “entregas”, quase sempre
referidas a politicas e programas socialmente compensatórios que, embora
importantes, não podem nem devem se sobrepor à questão nacional e à defesa da democracia.
O discurso
das “entregas” gera gratidão, mas não a consciência política necessária.
Mas
quando se relacionam as “entregas” com a soberania nacional e a defesa e o aprimoramento
do regime democrático, à gratidão se acrescenta a consciência política que
esclarece, organiza e mobiliza.
Sim, o
senador bolsonarista raiz é o melhor adversário a enfrentar nas atuais
circunstâncias.
*Texto da
minha coluna semanal no portal ‘Vermelho’
[Ilustração: imagem produzida por IA]
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Lula desmascara extrema direita https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-lula.html






