24 maio 2026

Minha opinião

Trump em voo de galinha
Luciano Siqueira 
instagram.com/lucianosiqueira65


Gargalo

Antes mesmo da metade do mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entre bobagens, ameaças e desaforos diários em redes sociais e um misto de agressividade e vacilação na guerra contra o Irã, amarga desaprovação histórica por parte dos norte-americanos.

“Crise de popularidade”, expressão usual, é pouca para caracterizar aferições reveladas por pesquisas recentes, como Times/Siena e Washington Post/ABC News/Ipsos.

A apenas seis meses das eleições legislativas, que podem mudar a correlação de forças na esfera parlamentar, Trump protagoniza verdadeiro “voo de galinha”: tenta subir mais alto, mas é impossível.

A taxa de desaprovação de Trump alcança o recorde de 62% , o pior nível registrado em seus mandatos.

A sua taxa de aprovação despencou para 37% (com variações de 36% a 39% dependendo da pesquisa).

Mais: cerca de dois terços dos norte-americanos (67%) consideram que os Estados Unidos estão caminhando na "direção errada".

São muitas as razões para tanto.

Nada menos do que 76% dos entrevistados assinalam custo de vida e Inflação como motivos de desaprovação.

O encarecimento dos combustíveis afetou diretamente o bolso e a percepção econômica pessoal da população.

Quanto à guerra contra o Irã, a desaprovação alcança 66% dos entrevistados.

Nesse cenário, o Partido Republicano (ao qual pertence o presidente) se apresenta para as eleições sem um discurso convincente. As projeções indicam que os Democratas têm a preferência para a Câmara com 49% das intenções de voto contra 45% dos Republicanos.

Ou seja, prenuncia-se uma inversão da correlação de forças na esfera parlamentar que pode até paralisar o governo.

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Trump contraditório e errátil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/minha-opiniao_18.html 

Arte é vida

 

Pierre-August Renoir

Retratos da vida https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Postei nas redes

O cara escreve em tom empolado que a direita falha em não substituir o pré-candidato Flávio Bolsonaro por uma alternativa que represente a "verdadeira mudança". Verdadeira o quê, cara-pálida!?

Diz-me com quem andas e eu te direi quem és https://lucianosiqueira.blogspot.com/ 

Palavra de poeta

Não venderei
Fabrício Carpinejar   
 

Comigo pedra não é pedra,
pedra é cada uma de minhas perdas,
pedra é a lembrança ainda intacta.

Eis comigo nas paredes
o meu casamento,
os nascimentos das crias,
três gerações, o divórcio.

Vocês não enxergam
os meus fantasmas?
Sequer condeno, fantasmas
são pessoais e intransferíveis.
Não despejarei as assombrações de amor,
elas não têm onde dormir.

Não venha pedir que me desapegue,
não venha sugerir que vire a página
e comece nova história.
Só saio daqui morta.

Familiares desejam
me convencer da seriedade
dos próprios problemas,
como se eu não
me conhecesse o suficiente.
Que o custo de manutenção
da casa é caro,
que é perigoso estar desacompanhada,
que é uma residência enorme para limpar,
que posso cair e me machucar sem socorro.
Que não tenho idade para consertar
a bomba d’água que enche o porão,
que não tenho idade para anoitecer no portão.
Desde quando a o excesso de idade é acusação?

As mesmas desculpas
para qualquer existência
no céu ou no inferno.

Pelo menos, estou no chão,
presa ao chão,
enraizada no chão.
Não dependo de eletricidade
para abrir e fechar a porta.
Não há escadas entre a rua
e a minha cama.

Não me tornarei refém
de síndico e zelador.
Não seguirei regras
de condomínio.
Não pedirei que ninguém
baixe a música
e me devolva a paz.
Não é não,
não venderei a casa.

Não adesivarei as janelas
com telefones desconhecidos.
Não desistirei de mim.
Não aguentarei até onde deu,
como a maioria faz.

Onde mexerei na terra?
Onde estenderei as roupas?
Onde as redes de pescar livros?
Onde colocarei a biblioteca?
Onde cumprimentarei os vizinhos
que passam pela minha varanda?
Onde a liberdade de passear
de pijama pelas árvores?
Onde? Num cubículo aéreo?
Não fui criada para morar em cabines
de helicóptero e aviões de concreto.
Minha vista é de mim mesma.
Não invento segredos para ser importante.

Sou rasa, rasteira,
chapa do fogão a lenha.
Meus chapéus são as panelas
pregadas na cozinha,
meu vestido é o caule do vento.

Como filha do interior,
eu sinto a chuva vindo nos ossos,
anuncio as visitas com os talheres caindo.

Eu me contento com um tanque de pedra
e os prendedores de madeira.
O pouco é muito para quem nunca
precisou de mais nada
.

[Ilustração: Livien Rózen]

Leia também:"Prelúdio", poema de Cida Pedrosa https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/palavra-de-poeta_22.html 

Fotografia

 

Rui Mendes


"Água na fervura de quem já passou dos cinquenta" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/12/etarismo-em-laboratorio.html 

Enio Lins opina

Juscelino Kubitscheck e a luta pela restauração da verdade
Enio Lins    

“MORTE DE JK NÃO FOI ACIDENTE”: essa assertiva frequentou os títulos de matérias em todos os noticiários há duas semanas. Era a repercussão de furo da Folha de São Paulo, que, em 8 de maio, divulgou o relatório elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão, estudo em apreciação pelo conselho da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), órgão do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

EM SI, NÃO É NOVIDADE.
 É uma obviedade que tromba com a versão oficial há 50 anos. Juscelino Kubitscheck morreu em 22 de agosto de 1976, quando o carro em que viajava foi esmagado por uma carreta no quilômetro 165 da Via Dutra, nas proximidades de Resende (RJ). Morreu juntamente com Geraldo Ribeiro, experiente motorista e amigo por mais de 30 anos, desde quando JK foi prefeito de Belo Horizonte. O relatório de Maria Cecília tem mais de cinco mil páginas, incluindo detalhadas análises documentais e periciais.

EM 1976, A DITADURA VIVIA 
uma luta intestina entre a abertura proposta pelo general que ocupava a presidência, Ernesto Geisel, e os radicais que dominavam os chamados “porões da ditadura” que, viciados em torturar, matar e roubar, não queriam abrir mão do terrorismo que praticavam. Essa chamada “linha dura” se lançou em novos assassinatos para tentar impor seu poder dentro do próprio regime. Depois da morte “acidental” de JK, os militares promoveram – abertamente – a Chacina da Lapa, em 16 de dezembro, matando três dirigentes do PCdoB, em São Paulo. Antes, em 17 de janeiro, assassinaram sob tortura o operário Manoel Fiel Filho (alagoano), na capital paulista. Em 6 de dezembro, o ex-presidente João Goulart morreu repentinamente, aos 57 anos de idade, em Mercedes, Argentina, onde estava exilado. Coincidentemente, 1976 foi o auge da criminosa Operação Condor, organizada pela CIA em parceria com os órgãos de repressão das ditaduras latino-americanas. Em 21 de setembro de 1976, o chileno Orlando Letelier, ex-chanceler do governo Allende, foi assassinado em Washigton, capital dos Estados Unidos, onde vivia exilado. Entre 1975 e 1983, se estima que essa cooperação terrorista internacional tenha assassinado, no mínimo, 402 opositores aos regimes ditatoriais na América do Sul.

IVAN BARROS,
 alagoano residente no Rio de Janeiro, então com 33 anos, repórter da revista Manchete, foi o primeiro jornalista a chegar no local da morte de JK. Testemunhou os militares alterando a cena do suposto acidente. Como advogado, protestou contra aquela irregularidade, e recebeu um seco “ordens superiores!”. Ivan conhecia pessoalmente JK e Geraldo, pois ambos frequentavam regularmente o prédio da Manchete, onde o ex-presidente tinha um escritório pessoal cedido pelo empresário Adolpho Bloch. Desde então, Ivan Barros escreve artigos, concede entrevistas e presta depoimentos sobre a morte de Juscelino Kubitscheck. É autor do livro “O Assassinato de JK” (2014, 400 páginas), trabalho consistente usado como base para outras publicações, como “O assassinato de JK pela ditadura: documentos oficiais” (2016, 800 páginas), obra que uma das autoras, a pesquisadora paulista Lea Vidigal, veio até Palmeira dos Índios especialmente para o entrevistar. Fundador do grupo Tribuna do Sertão, Ivan, o bravo palmeirense, merece redobrados parabéns por sua contribuição decisiva (e corajosa) na afirmação da verdade sobre esse acontecimento de fundamental importância para a história do Brasil e da América Latina.

NO MARCO DOS 50 ANOS 
da morte de Juscelino Kubitscheck de Oliveira – um dos mais valorosos presidentes da república brasileira, democrata histórico, humanista, desenvolvimentista –, passar a limpo as circunstâncias de sua tragédia é uma obrigação cidadã. Viva JK!

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PCdoB lança programa de reformas para romper com o neoliberalismo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/pcdob-atualiza-rumos.html 

Humor de resistência

 

Enio

Releio e anoto https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/teoria-pratica.html