Quem viu Santos 2 X 3 Fluminense, hoje, não pode desejar a convocação de Neymar para a seleção brasileira.
Seleção brasileira:
"Tempos vividos e
perdidos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/selecao-brasileira-para-onde.html
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
Quem viu Santos 2 X 3 Fluminense, hoje, não pode desejar a convocação de Neymar para a seleção brasileira.
Seleção brasileira:
"Tempos vividos e
perdidos" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/selecao-brasileira-para-onde.html
1.
A
ideia de “uberização bancária” das fintechs refere-se a
um arranjo institucional no qual muitas empresas financeiras digitais aparecem
para o cliente como “o banco”, mas a infraestrutura financeira profunda –
liquidação, funding, balanço e risco – continua
concentrada nos grandes bancos. Algo parecido ocorreu no transporte urbano com
plataformas digitais: a interface mudou, mas a infraestrutura subjacente
permaneceu concentrada.
No
sistema financeiro existem duas camadas diferentes. Uma visível (interface) por
meio de aplicativo, experiência do usuário, pagamentos, transferências e
serviços financeiros simples. Nesta atuam muitas fintechs, por exemplo,
Nubank, Banco Inter e C6 Bank.
Na
camada invisível (infraestrutura financeira) estão a liquidação interbancária,
o acesso ao sistema de pagamentos, o funding de crédito, a
gestão de risco e o capital regulatório. Essa camada continua altamente
concentrada em grandes instituições como o BBICS (Banco do Brasil, Bradesco,
Itaú, Caixa, Santander) conforme indicam os balanços bancários.
O
papel da infraestrutura pública do Pix, criada pelo Banco Central do Brasil,
foi reduzir muito as barreiras para entrar no mercado de pagamentos. Agora
qualquer instituição pode oferecer transferências instantâneas, pagamentos
digitais e contas eletrônicas. Isso facilitou a entrada de fintechs.
Mas
o Pix não elimina duas necessidades fundamentais como a conta de liquidação no
Banco Central e a gestão de liquidez e risco financeiro. Nem todas as fintechs possuem
estrutura para isso. Muitas utilizam bancos liquidantes.
Mesmo
oferecendo serviços ao cliente final, muitas fintechs dependem
estruturalmente de bancos maiores para liquidação interbancária, custódia de
recursos, funding de crédito e emissão de
determinados instrumentos financeiros.
Uma fintech oferece
uma interface digital, um grande banco oferta a infraestrutura financeira. A
dependência daquela cria uma espécie de subcontratação bancária.
Quem
controla o dinheiro captado e o crédito controla o sistema bancário. Pagamentos
são importantes, mas o núcleo do sistema financeiro é o multiplicador
empréstimos-depósitos-empréstimos. Para conceder crédito em larga escala é
necessário capital regulatório elevado, captação estável de recursos e gestão
de risco com base em grande banco de dados.
2.
Os
grandes bancos ainda concentram essas capacidades. Assim, muitas fintechs acabam
originando crédito ao distribuírem cartões de crédito, mas vendendo ou
securitizando esse crédito para instituições maiores.
É
possível fazer uma analogia com outras plataformas digitais porque a lógica
lembra outros setores da economia digital. O setor transporte tem como
interface apps e como infraestrutura motoristas e
frota. O streaming tem
como interface plataformas e como infraestrutura estúdios e conteúdo. O
comércio eletrônico tem como interface o marketplace e como
infraestrutura logística. No sistema financeiro, na camada de interface é ator
a fintech, mas no balanço e liquidez o ator é o grande banco.
Esse
arranjo gera um resultado paradoxal para a concorrência bancária. Mais
competição na experiência do usuário, mas continuidade da concentração
financeira estrutural. O cliente pode trocar facilmente de aplicativo, mas o funding do
sistema, o crédito corporativo e a gestão de grandes patrimônios continuam
concentrados.
O
possível futuro do sistema financeiro, se essa dinâmica continuar, será evoluir
para um modelo com três camadas: (i) infraestrutura pública com Pix, open
finance, sistemas de liquidação; (ii) plataformas financeiras com
fintechs e aplicativos capazes de interagirem com o usuário; (iii) bancos
sistêmicos continuam sendo instituições com grandes balanços concentradoras do
crédito e do funding.
A
“uberização bancária” significa fintechs dominarem a
interface digital com o cliente e grandes bancos continuam dominando o balanço
financeiro e o crédito. Assim, a inovação tecnológica transforma a forma de
acesso ao sistema, mas não necessariamente a estrutura de poder dentro dele.
No
entanto, o Pix está transformando os bancos em “plataformas financeiras
universais”, algo parecido com o modelo das big techs. Isso pode
alterar profundamente a lógica de concorrência bancária nos próximos 15 anos.
Há
uma mudança estrutural. Os bancos deixam de ser apenas intermediários de
crédito e depósito e passam a funcionar como ecossistemas digitais integrados,
semelhantes às plataformas das grandes empresas tecnológicas. Isso ocorre por
três transformações interligadas.
Na
primeira, a conta bancária vira uma “plataforma de serviços”. Antes do Pix, a
conta corrente era usada basicamente para receber salário, pagar contas e
transferir dinheiro. Com o Pix, essa conta se tornou o centro de praticamente
todas as transações cotidianas, porque permite transferências instantâneas,
pagamentos no comércio, pagamentos entre pessoas, cobranças automatizadas e
integração com aplicativos.
3.
O
fluxo de pagamentos da economia passa continuamente pela conta bancária. Quanto
mais o cliente usa essa conta para tudo, mais o banco consegue integrar
serviços adicionais.
Há
integração crescente de serviços financeiros. Os grandes bancos brasileiros
estão transformando seus aplicativos em super-apps financeiros. Nos apps do
BBICS, o usuário já pode acessar, no mesmo ambiente digital, pagamentos Pix,
crédito pessoal, financiamento, investimentos, seguros, previdência, câmbio e marketplace financeiro.
Assim, o aplicativo no mobile banking (celular)
deixa de ser apenas interface bancária e passa a ser plataforma de múltiplos
serviços financeiros.
Dados
financeiros são registrados em tempo real. Cada transação Pix gera informações
sobre renda, consumo, fluxo de caixa e regularidade de pagamentos. Esses dados
permitem aos bancos oferecer crédito personalizado, avaliar risco de forma mais
precisa e criar ofertas automáticas.
Essa
lógica é semelhante à utilizada por plataformas digitais como Amazon e Alibaba
Group. Elas usam dados de comportamento para ampliar continuamente sua oferta
de serviços.
O
efeito de rede leva ao “aprisionamento” do usuário. Quando um cliente passa a
usar um único aplicativo para pagar, receber, investir, tomar crédito e
contratar seguros, o custo de mudar para outro banco aumenta. Esse fenômeno é
conhecido como “efeito de plataforma”. Quanto mais serviços concentrados no
mesmo ambiente, maior o incentivo para o usuário permanecer ali.
O
papel institucional da autoridade monetária é chave. Essa transformação foi
possibilitada por iniciativas regulatórias do Banco Central do Brasil, como
Pix, open
finance e novos tipos de instituições de pagamento.
Essas
iniciativas aumentaram a competição na entrada do sistema. Porém, também
permitiram os bancos reorganizarem seus serviços como plataformas digitais
integradas.
Isso
poderá mudar a concorrência bancária nos próximos 15 anos porque podem emergir
três tipos de atores no sistema financeiro: (a) bancos-plataforma: instituições
com grande base de clientes e múltiplos serviços integrados; (b) fintechs especializadas:
empresas focadas em nichos específicos (pagamentos, crédito ou investimentos);
(c) infraestrutura pública: sistemas como Pix e open finance capazes
de conectarem todos os participantes.
Nesse
cenário, a competição ocorre dentro das plataformas e não apenas entre bancos
isolados.
Em
síntese, o Pix não é apenas um sistema de pagamentos. Ele está transformando a
conta bancária em uma plataforma digital central para organizar a vida
financeira das pessoas. Assim como ocorreu com as plataformas tecnológicas na
economia digital, a instituição controladora dessa interface tende a concentrar
dados, relacionamento com o cliente e distribuição de serviços financeiros.
Por
isso, o sistema bancário pode evoluir para um modelo de “plataformas
financeiras universais”. Nele, poucos grandes aplicativos organizam grande
parte das transações e serviços financeiros da economia.
*Fernando Nogueira da Costa é professor titular do Instituto de Economia da Unicamp.
Autor, entre outros livros, de Brasil dos bancos (EDUSP). [https://amzn.to/4dvKtBb]
Se comentar, assine.
As big techs e a teoria do Valor-Atenção https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/07/mais-valia-transmutada.html
A guerra com o Irã esgotou os estoques norte-americanos de mísseis de cruzeiro de longo alcance e interceptadores e leva tempo para reconstruí-los. De quebra, aumenta a já significativa dependência de Washington das exportações chinesas de minerais críticos necessários para a produção de novas armas e munições. (Iam Bremmer, na Folha de S. Paulo)
Vitória do Irã sobre a guerra neocolonialista de Trump tem alcance mundial https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/editorial-do-vermelho_12.html
“O ChatGPT quebra um galho danado, mas não serve de remédio”, leio em voz alta, de olho na tela do celular.
- Quem disse?, pergunta o amigo
Epaminondas.
- Christian Dunker, respondo com ar de
quem sabe das coisas.
- Quem!?, insiste o amigo meio
que descrente.
- É um especialista no assunto,
respondo com um misto de convicção e dúvida.
Segue o diálogo aqui no café do
shopping.
Retorno ao texto e ficamos sabendo — o
Epaminondas e eu — que se trata de renomado psicanalista, critico sobre o uso
de ferramentas de inteligência artificial como conselheiros e terapeutas.
Obviamente, coisa desse tempo atribulado,
curioso, cibernético e surpreendente em que vivemos.
Robôs das mais diversas qualificações
são chamados a cumprir funções outrora reservadas exclusivamente aos humanos.
(Feito Akihiko
Kondo, um japonês de 41 anos que ficou conhecido no
mundo inteiro ao se casar, em 2018, com um holograma 3D da cantora virtual Hatsune Miku.
Ele tocava numa tecla e de pronto a
imagem aparecia diante dos seus olhos — provavelmente uma bela figura feminina
— com quem conversava sem nenhum risco de atrito ou mal entendido.
Com quase
cinco anos de relacionamento, Kondo caiu em depressão” e se viu “viúvo” quando
a empresa Gatebox, responsável pela tecnologia, desativou o serviço de suporte
ao holograma, impedindo-o de interagir com sua esposa virtual.
Não me interessei pelo desdobramento do
caso, mas creio que o dito cujo terá recorrido à psicanálise, provavelmente via
IA.)
- Pois bem, doutor Christian Dunker,
sobre quem estávamos conversando, será um dos palestrantes do São Paulo
Innovation Week — comento como que mostrando uma falsa intimidade com o
assunto.
Mas o Epaminondas, sábio como sempre,
me corta com a pergunta:
- Sabe quantos craques provavelmente
convocados para a seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo jogarão
nesse fim de semana em partidas decisivas na Europa?
E passou a discorrer sobre reta final
da Premier League, assumindo as rédeas de nossa conversa fútil e despretensiosa
em torno de um bom capuccino.
Com a minha concordância, claro!
Se comentar, identifique-se.
"Arriscada aposta
economicista" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/minha-opiniao_2.html
O Barcelona, em Madri, ganhou por 2 a
1, mas foi o Atlético que se classificou para as semifinais da Liga dos
Campeões porque venceu o primeiro jogo por 2 a 0. As duas
partidas foram decididas nos detalhes. O Barcelona, como sempre, dominou os
dois jogos e criou mais chances de gols, porém, como é habitual, sofreu gols
por jogar com a defesa muito adiantada e não ter zagueiros de grande qualidade.
Faltou o tal do equilíbrio, que reprime, mas com frequência é necessário.
O
Atlético de Madrid, do jeito do técnico Simeone, de correr pouco risco, vai
enfrentar o Arsenal, que eliminou o Sporting de Portugal. O time inglês passa
por uma queda técnica. Diminuíram até os gols de bola parada, 30% de todos os
gols marcados, um dos pontos fortes do time. PVC, que conhece todas as
estatísticas e entende profundamente de futebol, disse que 32% dos gols do Palmeiras
são feitos também desta maneira. É uma tendência moderna, bastante treinada por
todas as equipes.
O
Arsenal enfrenta neste domingo (19) o Manchester City pelo
Campeonato Inglês. O Arsenal tem seis pontos de vantagem sobre o City, porém
com um jogo a mais. Guardiola, após uma queda prolongada da equipe, reconstruiu
o time, que está jogando muito bem.
Nenhum
jogo é decidido por um único motivo, nem por um único acerto ou erro, embora
muitos insistam em achar uma única explicação para as vitórias e derrotas. As
opiniões mudam rapidamente.
PSG e Bayern, dois timaços, fazem a outra semifinal. Não há favorito. O PSG, atual campeão europeu, voltou a jogar muito bem após uma queda técnica. A defesa do time francês é mais protegida do que a do Bayern.
O time alemão, em um jogo
de sete gols (4 a 3), como era esperado pela qualidade dos ataques, eliminou o Real Madrid. No futebol atual, um dos grandes prazeres é ver
as melhores equipes jogando no ataque. Vinicius Junior atuou muito bem. Seu posicionamento pela
esquerda, sem precisar voltar para marcar, ajuda Ancelotti na escalação da seleção.
O
técnico possui duas alternativas. Uma, que usou contra a França e nas partidas
anteriores, com Vini no centro do ataque, Martinelli pela esquerda (Raphinha
ocuparia este lugar), Luís Henrique ou Estevão pela direita e Matheus Cunha de
meia avançado pelo centro, próximo de Vinicius Junior.
Na
outra formação, na boa atuação contra a Croácia, Vini atuou pela esquerda, mas
sem recompor para marcar, João Pedro de centroavante, Luís Henrique pela
direita e Matheus Cunha mais recuado, protegendo o lado esquerdo defensivo e
formando um trio no meio-campo com Casemiro e Danilo. Matheus Cunha não é um
craque, mas possui muita força física, velocidade e postura coletiva, capaz de
marcar e chegar ao ataque.
Nos
últimos anos, o Brasil começou a formar bons meio-campistas, capazes de atuar
bem de uma intermediária a outra, como Bruno Guimarães, Paquetá, Danilo,
Andreas Pereira. Matheus Cunha tem características de atacante, mas no
Manchester United e na seleção se adaptou muito bem a um novo posicionamento.
No futebol moderno, não há mais sentido dividir o meio-campo entre camisa 5,
camisa 8 e camisa 10.
Uma
das qualidades de Ancelotti é ter bom senso, uma rara virtude, para mudar
detalhes antes e durante as partidas.
Se comentar, assine.
Leia também: A arte, a técnica e a objetividade no futebol https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/02/futebol-aparencia-e-essencia.html
Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos
Como um divino vinho de Falerno!
Poisando em ti o meu amor eterno
Como poisam as folhas sobre os lagos...
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno...
E a Vida já não é o rubro inferno
Todo fantasmas tristes e pressagos!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas hemos de bebê-la!
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor?... As nossas bocas juntas!...
[Ilustração: