28 julho 2026

Editorial do 'Vermelho'

Sem aliados, sem vice, Flávio Bolsonaro oficializa candidatura
Em queda nas pesquisas, a testa grafada “traidor da pátria”, atolado em denúncias de corrupção, o candidato da extrema direita é isolado pela direita e pelo Centrão
Editorial do 'Vermelho'  

A convenção do Partido Liberal (PL) confirmou o isolamento político de Flávio Bolsonaro. A oficialização de sua candidatura presidencial se deu sem apoio de partidos da direita e do   Centrão, sem nome definido para a vice-presidência e com a ausência presencial de aliados estratégicos e familiares. Preso por tentativa de golpe de Estado, o pai, Jair Bolsonaro se fez “presente” por um vídeo gerado por inteligência artificial com a imagem e a voz do ex-presidente transmitiu seu apoio ao filho, dizendo que ele é “a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue”. “Eu posso ser mais calmo, sorridente, tranquilo e moderado, mas aqui tem sangue de Bolsonaro”, confirmou o candidato

A madrasta Michelle Bolsonaro também não foi. Flávio teve que se contentar com um tímido apoio em vídeo arrancado por uma força-tarefa.

A exposição de mulheres na convenção, no palco e nos discursos, foi uma tentativa de amenizar a imagem de Flávio Bolsonaro diante do eleitorado feminino, sabidamente com grande rejeição à sua candidatura, pela misoginia, marca registrada do clã. Mas a cena soou falso, vez que sua própria madrasta denunciou que o enteado a “humilhou” e a “apunhalou”. As mulheres representam 52,8% do eleitorado. A pesquisa Datafolha divulgada no dia anterior à convenção mostrou que no segundo turno o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem 47% dos votos, contra 43% de Flávio Bolsonaro, mas no eleitorado feminino a diferença é de 52% a 37%.

Flávio tentou preencher o imenso vazio da ausência da direita e do Centrão com uma espécie de “socorro” internacional”. O presidente da Argentina, Javier Milei, responsável pelo perverso governo de extrema direita que castiga o povo portenho e destrói o país. O primeiro-ministro israelense, o carniceiro Benjamin Netanyahu, enviou um vídeo apoiando a candidatura de Flávio Bolsonaro.

Houve um momento de ópera-bufa. A caricata dupla Milei e Flávio Bolsonaro pateticamente cantaram e dançaram rock, após o que Milei fez um longo discurso de conteúdo neofascista contra o “socialismo” e de ataque ao presidente Lula e ao ministro do STF, Alexandre de Moraes.

O isolamento de Flávio Bolsonaro contrasta com a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que uniu o campo progressista e estruturou apoios em todas as unidades da federação. Participam dessa estrutura, de forma declarada, PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL, REDE e, também, setores do PSD, do MDB, do PP, do União Brasil e Republicanos.

Pode-se dizer que esse isolamento tem como uma das causas a sequência de entreguismo, traição à pátria e subserviência ao presidente estadunidense Donald Trump, como negociações e apoios à sequência de tarifaços contra o Brasil, as ameaças ao Pix, os ataques à regulamentação das big techs, ao Judiciário e a autoridades brasileiras, com gestão de seu irmão Eduardo Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e foragido da Justiça brasileira.

Soma-se a lista de escândalos que lhe acompanha, como relações com o crime organizado, e uma réstia de investigações, denúncias, por parte da Polícia Federal, do Ministério Público, de casos de corrupção. Para citar somente a duas mais recentes: o repasse pelo ex-banqueiro corrupto Daniel Vorcaro a pretexto de financiar o filme sobre seu pai e emissão de R$ 1,5 milhão em notas por seu escritório de advocacia para empresas da estrutura de Vorcaro.

No episódio mais recente, Flávio Bolsonaro divulgou informação falsa sobre as urnas eletrônicas, associando-as à empresa venezuelana Smartmatic, citando um suposto relatório da CIA, desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). É uma manifestação de que ele está pressentindo a derrota e já ensaia, novamente, uma farsa para questionar a soberania do voto popular, mais uma de suas atitudes irresponsáveis de traição nacional, que se liga ao pedido para que dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos se reunissem com autoridades eleitorais brasileiras, negado Ministério das Relações Exteriores.

Ao passar o recibo de “derrota à vista”, Flávio se distancia ainda mais de eventuais aliados.

A Federação Brasil da Esperança (Fé Brasil), composta pelo PT, PV e PCdoB, entrou com representação no TSE contra ele. “Não há nenhuma referência ao sistema eleitoral brasileiro. O documento estadunidense e suas conclusões, sejam lá quais forem, não dizem respeito ao Brasil em nenhum aspecto”, afirma

Com esse histórico de corrupção e conspiração contra o país, comprometendo a economia e do emprego dos brasileiros, além de sabotar a soberania nacional e a democracia, com o pai e outros aliados presos por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, com o irmão foragido e protegido pelo regime de Donald Trump, com o caso Master-Dark Horse inexplicado e a marca de antipatriota, incapaz de defender o país e o povo brasileiro, Flávio Bolsonaro se revela por inteiro. Fica nítido o contraste entre a sua candidatura, ao rés do chão, e a do presidente Lula, grande liderança nacional e popular respeitada no mundo.

Qual a sua opinião? Assine seu comentário para que possamos publicá-lo. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/sua-opiniao.html

É a incompetência, ora! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0540868348.html 

Sylvio: inaceitável

Segundo o Washington Post, Trump deseja questionar as urnas do Brasil. Fique sabendo, Donald, que somos um país livre e soberano, não lhe devemos nenhuma explicação, nem permitiremos sua descabida  interferência em nossas ações.
Isto posto, cuide de seu quintal, pois do nosso cuidamos nós. 

Sylvio Belém   

27 julho 2026

Postei nas redes

Já tem gente escrevendo na mídia neoliberal que "vice não é tão importante assim", para amenizar o vexame de Flávio Bolsonaro, que fez sua convenção sem escolher quem o acompanhará na chapa. 

É a incompetência, ora! https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0540868348.html 

Palavra de poeta

Não me peçam razões…
José Saramago    

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

[Ilustração: Marcel Duchamp]

Curar o quê? https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/estranha-epoca-nossa.html 

Pesquisa Nexus/BTG Pactual: bom sinal

Pesquisa Nexus/BTG: Lula amplia vantagem para 9 pontos no 1º turno
Presidente lidera entre mulheres, nordestinos e mais pobres; Flávio Bolsonaro mantém rejeição de 50%, segundo levantamento divulgado nesta segunda-feira
Davi Dmolir/Vermelho  

A nova rodada da pesquisa Nexus/BTG Pactual, divulgada nesta segunda-feira (27), aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua liderança na disputa pelo primeiro turno das eleições de 2026. No cenário estimulado, o petista alcançou 42% das intenções de voto, frente a 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com esse resultado, a diferença entre os dois principais concorrentes, que era de seis pontos percentuais no levantamento anterior realizado em 13 de julho, subiu para nove pontos.

O levantamento estatístico entrevistou 2.004 eleitores por telefone entre os dias 24 e 26 de julho. A pesquisa apresenta margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e está devidamente cadastrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o registro BR-01489/2026.

Na comparação em um intervalo de 15 dias, a evolução das intenções de voto mostra que Lula cresceu de 40% para 42%, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou negativamente de 34% para 33%. Os demais pré-candidatos testados mantiveram pontuações em patamares reduzidos: Ronaldo Caiado (PSD) registrou 6%, seguido por Renan Santos (Missão) com 5%, Romeu Zema (Novo) com 3%, Augusto Cury (Avante) com 2% e Cabo Daciolo (Mobiliza) acumulando 1%.

Rejeição dos pré-candidatos

Além do cenário de intenção de voto, os dados sobre a rejeição aos nomes apresentados permanecem como um dos recortes mais relevantes do levantamento. Exatamente metade dos entrevistados, somando 50%, declarou que não votaria de jeito nenhum no senador Flávio Bolsonaro, mantendo o mesmo patamar apurado na rodada anterior da pesquisa. Por outro lado, a taxa de rejeição ao presidente Lula passou de 46% para 48%. Apesar da leve variação dentro da margem de erro, o chefe do Executivo permanece com índice de rejeição inferior ao do principal pré-candidato do bloco da extrema direita.

Leia mais: Datafolha: Lula mantém boa vantagem sobre Flávio Bolsonaro nos dois turnos

Bases de sustentação e aspectos regionais

A análise dos dados por recortes sociodemográficos detalha onde se concentram os principais apoios do eleitorado. A liderança do presidente Lula é sustentada por vantagem expressiva entre o eleitorado feminino (47% a 28%), na parcela da população com renda familiar de até um salário mínimo (58% a 24%) e entre as pessoas com ensino fundamental completo ou incompleto (53% a 29%). O petista também apresenta desempenho superior no segmento de eleitores com mais de 60 anos (54% a 29%) e entre os católicos (49% a 27%).

Em contrapartida, o senador Flávio Bolsonaro apresenta melhores percentuais de preferência entre o eleitorado masculino (39% a 37%), entre cidadãos com ensino médio (39% a 35%) e, de maneira destacada, junto ao público evangélico, onde marca 50% contra 28% atribuídos a Lula.

A divisão geográfica das intenções de voto expõe o quadro de polarização regional no país. Na região Nordeste, Lula mantém larga vantagem ao somar 57% das preferências ante 24% atribuídos a Flávio Bolsonaro. No Sudeste, o presidente lidera com 41% contra 32% do senador. Já na região Sul, o parlamentar do PL aparece na frente com 47% das intenções de voto contra 31% do petista, enquanto no agrupamento Norte e Centro-Oeste o senador registra 39% frente a 33% de Lula.

Simulações para o segundo turno

Em um eventual cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a pesquisa indica situação de empate técnico no limite da margem de erro, com o presidente registrando 47% das intenções de voto e o senador somando 43%. Na comparação com o levantamento de 13 de julho, quando o placar marcava 47% a 44%, Flávio oscilou um ponto para baixo.

O detalhamento do segundo turno reproduz dinâmicas semelhantes às observadas no primeiro turno. Lula vence com folga entre as mulheres (54% a 36%), no Nordeste (62% a 30%) e no segmento de menor renda, onde chega a 62% contra 28% de Flávio na faixa de até um salário mínimo. Já o senador do PL lidera entre homens (50% a 41%), no Sul (57% a 36%) e entre os eleitores evangélicos (62% a 30%). Nas outras hipóteses de segundo turno testadas, Lula figura numericamente à frente de Ronaldo Caiado (45% a 43%), Romeu Zema (46% a 42%) e Renan Santos (47% a 39%).

Avaliação da gestão federal

O levantamento mensurou ainda a percepção pública sobre a atuação do governo federal. A aprovação da gestão Lula registrou 47%, enquanto a desaprovação ficou em 49%. Na avaliação qualitativa do governo, 36% dos entrevistados classificam a administração como ótima ou boa, 20% a avaliam como regular e 43% a consideram ruim ou péssima. A aprovação é mais expressiva no Nordeste e na faixa de renda de até um salário mínimo, ambas com 62%, ao passo que a desaprovação atinge seus maiores índices na região Sul, com 64%, e nas parcelas de maior poder aquisitivo.

A captação desses dados ocorreu poucos dias após o anúncio do novo tarifaço promovido pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Mesmo diante desse contexto internacional, o levantamento indica consolidação da vantagem de Lula na corrida presencial, ancorada nos segmentos populares e regionais que compõem sua base histórica de apoio.

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Tendências favoráveis https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/minha-opiniao_0865763975.html 

Minha opinião

Uma questão de valor estratégico
Luciano Siqueira 

Diariamente, o complexo midiático dominante pressiona o governo para que reduza investimentos nas mais diversas áreas – educação e saúde, por exemplo – para que se assegure o equilíbrio fiscal. Na verdade, a defesa sistemática da rentabilidade dos títulos públicos negociados no mercado, em nome dos investidores.

Importa o mercado financeiro, menos o desenvolvimento do país.

Nesse contexto, investimentos de caráter estratégico, porque relacionados com a própria soberania nacional, sofrem de descontinuidade orçamentária, atrasando por décadas projetos em andamento.

Em artigo recente no jornal O Globo – "Soberania nacional não se improvisa" -, Alessandro Facure, diretor-presidente da Autoridade Nacional de Segurança Nuclear, destaca a absoluta importância do desenvolvimento da indústria nacional de defesa.

A dependência excessiva de tecnologia e fornecedores estrangeiros reduz a margem de manobra geopolítica do país em momentos de crise, assinala.

Urge manter presença estatal e capacidade dissuasória real em áreas prioritárias, como a Amazônia , as fronteiras terrestres e a "Amazônia Azul" (a vasta extensão marítima e do pré-sal).

Para tanto, faz-se necessária a articulação entre forças armadas, diplomacia, ciência e tecnologia, integradas em um projeto nacional claro e duradouro.

Segundo Facure, o setor nuclear passou a reunir três dimensões essenciais: a tecnológica (o domínio do átomo exige conhecimento científico sofisticado, infraestrutura complexa e profissionais cuja formação leva muitos anos); a política (programas nucleares dependem de decisões que frequentemente ultrapassam ciclos de governo e exigem instituições permanentes, capazes de preservar conhecimento e coordenar ações ao longo de décadas); e a estratégica (competências nucleares relevantes não se adquire sobre eventual pressão imediatista).

Tema indispensável num projeto nacional de desenvolvimento efetivamente democrático e soberano.

Se comentar, identifique-se. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/participe.html

Luciana Santos: "Infovias: Ciência e Tecnologia a serviço da inclusão e da soberania nacional" https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/05/palavra-de-luciana.html

Fotografia

 

Ana Beatriz de Almeida

Quando Buenos Aires viu “Buenos Aires”, de Tuca Siqueira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/buenos-aires-o-filme.html