28 junho 2026

Postura chinesa da cena mundial

A China não improvisa
“Subjugar o inimigo sem lutar é o acme da habilidade.”  Sun Tzu, em A Arte da Guerra
Paulo Nogueira Batista Jr./Vermelho     

Tomo a visita de 10 dias que fiz a Shanghai como ponto de partida para este artigo. Acabei de chegar e ainda luto com o fuso horário (a viagem de volta foi de 39 horas porta a porta). Assim, o artigo será talvez ainda mais incoerente do que de costume. Mas, enfim, vamos lá.

A China está em pleno processo de redefinição das suas relações com o resto do mundo, com o Ocidente em particular. Nas primeiras três ou quatro décadas do período de reforma e abertura econômica iniciado por Deng Xiaoping em 1979, a China buscava uma “ascensão pacífica” no interior do quadro internacional estabelecido sob a égide dos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial. E foi inicialmente muito bem-sucedida nesse propósito. Evitava sistematicamente confrontações com os Estados Unidos e outras nações, posicionando-se com prudência e paciência estratégicas. Deng adotava como lema uma máxima chinesa clássica – “esconda a força, espere a hora”. 

Como representante do Brasil em reuniões dos BRICS, na fase de formação do grupo de 2008 em diante, posso dar o meu testemunho de que os delegados chineses, sem exceção, obedecendo a um comando superior, evitavam a todo custo qualquer linguagem ou iniciativa que fosse mais agressiva em relação ao Ocidente ou que pudesse ser interpretada como tal. A China se posicionava como uma potência reformista – cautelosamente reformista, tanto na retórica como nas propostas. Às vezes, passava-nos a impressão de que dava precedência a um entendimento estratégico com os Estados Unidos – à formação de um G-2, como se dizia na época – mesmo que isso sacrificasse a articulação entre os BRICS.

O G-2 nunca viria a se constituir. Os Estados Unidos preferiram partir para uma política de contenção e confrontação, começando no primeiro mandato de Donald Trump, de 2017 a 2020, continuando com Joe Biden, de 2021 a 2024, e se intensificando de modo dramático no segundo mandato de Trump desde o ano passado. Formou-se um sólido consenso bipartidário de que a China precisa ser freada. Os Estados Unidos passaram a ver o país como rival e principal ameaça, adotando de caso pensado uma  série de medidas desenhadas para solapar a China nas áreas comercial, tecnológica, militar e diplomática,

Desde o primeiro governo Trump pelo menos, e provavelmente antes disso, a China reconheceu que a estratégia de “esconder a força e esperar a hora” não era mais viável. A China tornara-se grande demais, chegando a ultrapassar os Estados Unidos em termos econômicos (quando se comparam os PIBs medidos por paridade de poder de compra) e comerciais (a China virou o principal parceiro comercial para a maioria dos países do mundo). O rápido desenvolvimento despertou invejas e suspeitas. O país passou a ser alvo de intrigas, manobras diplomáticas e agressões.  

Mas a China não abandonou a sua cautela estratégica. Continuou evitando conflitos sempre que possível. Prevalece o cuidado com as palavras e ações, mesmo quando o país está sob ataque ou enfrenta hostilidade sistemática. Em meio às turbulências, os chineses mantêm o seu estilo tradicional de lidar com desafios estratégicos que Henry Kissinger, em seu célebre livro Sobre a China, descreveu como uma combinação de análise minuciosa, preparação detalhada e atenção a fatores psicológicos e políticos.

Uma parte da preparação chinesa, que se revelaria decisiva em 2026, foi a formação de reservas estratégicas de petróleo. Graças a isso, a China sofre relativamente pouco com o choque de preços do petróleo desencadeado pela guerra do Irã. Continuam imensas também as reservas monetárias do país, hoje menos expostas a confiscos e sanções. Boa parte dessas reservas internacionais estão ocultas, tendo sido transferidas pelo Banco Central para bancos comerciais e outros bancos públicos. Esses bancos públicos também compram moeda estrangeira no mercado cambial, em coordenação com o Banco Central, para evitar apreciação indesejada da moeda nacional. Além disso, a China começou a construir sistemas de pagamentos transfronteiriços como alternativa aos sistemas controlados pelo Ocidente, que têm sido usado para punir e sancionar países considerados hostis. Cresceu também o uso do renminbi em transações internacionais da China. Quase 100% do comércio Rússia/China, por exemplo, se faz atualmente em rublos e renminbi.

Assim, como logo ficaria evidente, a China estava bem posicionada para enfrentar a tempestade desencadeada pelo governo Trump no seu segundo mandato. Trump veio com tudo, usando de maneira mais radical os instrumentos já usados contra a China no seu primeiro mandato. Encontrou, contudo, um adversário  mais disposto a brigar e mais capaz de enfrentar embates internacionais. Sob Xi Jinping, a China aparece como um adversário que sabe se defender com grande eficácia e, mais do que isso, conhece as vulnerabilidades da superpotência e dos seus aliados e satélites. Não só conhece, como está disposta a explorá-las toda vez que sofre alguma investida dos Estados Unidos ou de outros países.

A ninguém escapa que a China vem levando a melhor nessa confrontação com os Estado Unidos. E isso não apenas pelas suas qualidades e pontos fortes, mas também por causa dos erros do adversário. Os EUA, superestimando a própria força, abriram ao mesmo tempo frentes de conflito com a Rússia, a China e o Irã. Promoveram assim o estreitamento da aliança entre os três países. E pior: estão perdendo nas três frentes. A guerra contra o Irã, em especial, parece ser um marco. Em retrospecto, como muitos têm notado, poderá ser vista como o prenúncio do fim do Império Americano.  

A China não só segue estratégias consistentes, como também sabe manobrar taticamente. Joga parada, quando conveniente, aproveitando os erros dos adversários. Os chineses seguem a máxima atribuída a Napoleão Bonaparte: “Nunca interrompa um adversário quando ele estiver cometendo um erro.” Não existe, ao que parece, evidência confiável de que Napoleão realmente disse ou escreveu isso, mas esta máxima ocidental apócrifa é inteiramente consistente com o pensamento militar clássico chinês, tal como expresso notadamente por Sun Tzu em A Arte da Guerra, inclusive por exemplo na frase que aparece em epígrafe.

 A China muda, evolui, se adapta aos desafios que vão aparecendo, mas preserva ao mesmo tempo as suas tradições filosóficas e a sua cultura milenar. Não descarta Confúcio, nem Mao Tsé-Tung. Não se apega irrefletidamente ao passado, mas também não abandona suas raízes.

A sua ascensão, não mais pacífica, mas crescentemente conflitiva, deve continuar sem interrupção.

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Como a China contornou o tarifaço https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/04/china-x-estados-unidos.html

Arte é vida

 

Fernando Botero

A Buenos Aires nordestina que admira e torce pela Argentina https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/surpreendente-emocionante.html     

Futebol: disciplina tática

A ciência do acaso
Agora tenho o amparo da ciência para minha convicção. Japão, que enfrentará o Brasil, muda bastante de posição, com enorme disciplina tática
Tostão/Folha de S. Paulo  

O Japão possui um ótimo conjunto, bons jogadores, pressiona bastante para recuperar a bola, alterna a troca curta de passes com as jogadas em velocidade, mas não tem a improvisação e o talento individual da seleção brasileira, especialmente de Vinicius Junior.

A equipe japonesa se posiciona com um trio de zagueiros, dois alas que atacam e defendem, dois meio-campistas hábeis e um trio de atacantes. Os jogadores mudam bastante de posição, com enorme disciplina tática. Será um jogo difícil, porém o Brasil tem mais chances de vencer.

Ancelotti deve manter a escalação e a formação tática, com quatro defensores, um trio de meio-campistas (Casemiro pelo centro, Bruno de um lado e Paquetá do outro), Rayan pela direita, atacando e voltando para marcar, formando um quarteto no meio-campo na proteção aos defensores. Matheus cunha centralizado, sem precisar voltar para marcar pela esquerda, atua mais próximo de Vini livre, que se movimenta por todo o ataque. Contra a Escócia, faltou mais compactação e mais intensidade para recuperar a bola.

O gol no início da partida, após falha grave do zagueiro, pressionado por Rayan, mudou todo o planejamento da Escócia. Eles, que provavelmente iriam marcar muito atrás para contra-atacar, tiveram que avançar. Deixaram enormes espaços na defesa e continuaram fracos no ataque.

Os detalhes mudam a história dos jogos. Hélio Schwartsman, na sua coluna "Dribles do acaso", relatou que no livro "Os Números do Jogo", publicado em 2013, os autores Chris Anderson e David Sally, depois de um rigoroso trabalho estatístico e analítico, concluíram que o acaso explica 50% dos resultados. Hélio completou: "Meu palpite é que gostamos do futebol porque ele imita a vida".

Eu, que sempre valorizei o acaso no futebol, sem diminuir a enorme importância da estratégia, do planejamento e do talento individual, tenho agora o amparo da ciência para minha convicção, embora ache que 50% de gols por causa do acaso é um exagero.

Os grandes craques estão brilhando na Copa. Craques não são apenas os atacantes que fazem muitos gols. São craques também os excepcionais goleiros, como Courtois, da Bélgica, zagueiros como Van Dijk, da Holanda, laterais como Nuno Mendes, de Portugal, meio-campistas como Bruno Fernandes, de Portugal, Pedri, da Espanha, e outros.

Vini evoluiu. Está com uma técnica mais precisa, tenta menos jogadas impossíveis sem diminuir a inventividade, a fantasia e o bailado em campo. Assim como Maradona, Vini é um craque artista, diferentemente de Messi, que é muito mais craque que artista.

Kane é o craque discreto, coletivo, excepcional nas finalizações. Mbappé é o craque veloz, talentoso, com muita força física. Cristiano Ronaldo é o magistral finalizador, de todos os jeitos. Haaland é o gigante veloz e artilheiro. Lamine Yamal é o Vini pela direita, craque do presente e do futuro. Cada um tem seu jeito de fazer.

Neste domingo (28) começam os jogos eliminatórios, o mata-mata. O futebol simboliza a vida e a morte. Quando ganha, é o êxtase. Quando perde, morre e renasce.

No livro "A Terra É Redonda" (editora Nós), de Milly Lacombe e Jamil Chade, a jornalista escreveu: "O futebol em seu estado mais puro faz isso com a gente: aponta para a vida e lida com a morte. Dá sentido à existência, eleva o lugar de mais significado e ensina que tudo acaba. Morremos, renascemos, tornamos a morrer. Começo, meio e recomeço. Não existe fim, o tempo não é linear, depois de acabar volta a começar".

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Como o capitalismo sequestrou a Copa e o sonho de uma criança https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/futebol-argentario.htm

Palavra de Luciana

O Sirius e a soberania científica: o Brasil no protagonismo do futuro
A expansão do acelerador fortalece a capacidade nacional de inovação, impulsiona a neoindustrialização e amplia a autonomia brasileira em áreas estratégicas.
Luciana Santos/Vermelho   

O Brasil vive um novo momento em sua trajetória científica e tecnológica. A inauguração de quatro novas linhas de luz síncrotron do Sirius, em Campinas (SP), em maio, representou mais um passo decisivo e firme na construção de um país que aposta no conhecimento, na inovação e na soberania como pilares inegociáveis do desenvolvimento nacional.

O Sirius não é apenas a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída em nosso solo. Ele simboliza uma escolha política e estratégica: a de investir em ciência de ponta para enfrentar os desafios concretos da sociedade, fortalecer a nossa indústria, ampliar a capacidade nacional de inovação e garantir autonomia tecnológica em áreas vitais para o futuro da nossa gente.

A viabilização do Sirius resultou de uma convergência de esforços políticos, técnicos e regionais que moldaram o projeto. A decisão política inicial foi consolidada nos primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa base institucional foi pavimentada anos antes pelo físico Sérgio Rezende que, como Ministro da Ciência e Tecnologia, garantiu os primeiros aportes orçamentários cruciais para o pré-projeto de engenharia. Complementando o suporte federal, a infraestrutura territorial foi viabilizada pelo então governador Geraldo Alckmin, responsável por decretar a desapropriação e a cessão do terreno em Campinas que permitiu a construção do gigantesco anel de armazenamento.

Recentemente adicionamos mais um capítulo a essa história. Ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tivemos a honra de inaugurar as linhas Tatu, Sapucaia, Quati e Sapê. São estruturas de vanguarda que ampliam significativamente a capacidade de pesquisa em áreas estratégicas como saúde, energia, agricultura, clima, nanotecnologia, telecomunicações, semicondutores e materiais avançados.

Com essa entrega, o Brasil consolida sua posição no restrito grupo de quatro nações que dominam a tecnologia de luz síncrotron de quarta geração, isso significa que ele opera no limite absoluto da tecnologia mundial para esse tipo de equipamento com a Suécia, China e Estados Unidos.

Na prática, o Sirius funciona como um supermicroscópio capaz de revelar estruturas atômicas e moleculares com altíssimo grau de precisão. Essa capacidade permite investigar desde proteínas e biomoléculas até minerais críticos, novos medicamentos, baterias e componentes eletrônicos de nova geração. Isso se traduz, diretamente, em mais capacidade nacional para desenvolver vacinas, tratamentos inovadores, soluções para a transição energética e a agricultura sustentável, além de chips e materiais fundamentais para a nossa neoindustrialização.

A segunda etapa do Sirius, viabilizada com recursos do Novo PAC, marca uma nova fase dessa infraestrutura estratégica. A linha Tatu, por exemplo, será a primeira do mundo em uma fonte de quarta geração a operar na faixa dos terahertz, abrindo fronteiras inéditas em materiais quânticos e sistemas biológicos. Já a linha Sapê fortalece as pesquisas em semicondutores e supercondutores, tema central para a inserção soberana do Brasil nas cadeias globais de valor da indústria eletrônica.

Dando continuidade a esse avanço, a linha Quati amplia a investigação em minerais críticos e terras raras, recursos altamente estratégicos para a economia de baixo carbono e essenciais para a transição energética. Ao mesmo tempo, a linha Sapucaia impulsiona estudos em nanopartículas, polímeros e terapias avançadas na área da saúde, além de estreitar parcerias internacionais de peso, como a nossa histórica cooperação científica com a China.

O diferencial mais profundo do Sirius é que essa excelência está diretamente conectada às necessidades do povo brasileiro. Ele atende pesquisadores do Brasil e do exterior em estudos voltados à saúde pública e à sustentabilidade, fortalecendo a capacidade do Estado de transformar ciência em soluções reais para a vida das pessoas.

Essa mesma visão orienta o lançamento da pedra fundamental do Programa Nacional de Inovação Radical em Saúde, uma iniciativa conjunta entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e o Ministério da Saúde. O programa nasce com o objetivo claro de reduzir a nossa dependência externa e fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, garantindo a produção nacional de biomoléculas, dispositivos médicos e Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) voltados ao nosso Sistema Único de Saúde (SUS). O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) reúne as condições multidisciplinares únicas para liderar esse processo.

Outro motivo de orgulho é o elevado índice de conteúdo nacional do Sirius: entre 85% e 90% dos componentes do empreendimento foram produzidos ou desenvolvidos por empresas no Brasil. Isso impulsionou cadeias industriais de alta precisão, gerou empregos qualificados e formou recursos humanos de excelência, provando que o investimento em ciência é um motor poderoso para o crescimento econômico.

Desde o primeiro dia, o governo do presidente Lula assumiu o compromisso inabalável de reconstruir e fortalecer o Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. No governo Lula, o apoio à Ciência e ao conhecimento é um eixo Transversal presente em todas as suas iniciativas. A recomposição do FNDCT, a valorização das universidades e dos institutos de pesquisa e os investimentos estruturantes do Novo PAC são provas desse esforço.

O Brasil viu na pandemia o estrago feito pelo governo anterior ao desprezar a ciência, com a morte de 700 mil brasileiros. O Brasil está vendo a diferença que faz ter um governo que acredita que os brasileiros podem ser os melhores cientistas do mundo, que podemos ter indústrias de ponta, empregos de qualidade, e termos soberania sobre o nosso destino.

O Sirius é a expressão viva dessa visão de futuro que estamos construindo. Um país soberano e democrático precisa dominar o conhecimento. Precisa valorizar seus pesquisadores, investir em seus laboratórios e transformar a inovação em bem-estar social e desenvolvimento sustentável. Ao expandir o Sirius, o Brasil demonstra, de forma altiva, que está pronto para ocupar o seu lugar de protagonismo nas grandes transformações científicas do século 21.

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Território brasileiro como projeto nacional de desenvolvimento https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/espaco-desenvolvimento.html 

Sylvio: "casa de Mãe Joana"

A madrasta e o enteado arengam e o Waldemar, que estava nos Estados Unidos, volta às pressas para tentar apaziguar os ânimos. É um partido político ou uma casa de mãe Joana? 

Sylvio Belém  

Charge de Gilmar

O silêncio seletivo da grande mídia e a blindagem de Flávio Bolsonaro na engrenagem da “Lava Jato 2.0” https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/conspiracao-midiatica.html 

Palavra de poeta

SUTILÍSSIMO ETERNO
César Leal  


Sutilíssimo eterno que habita
minhas saletas interiores
onde trago o tempo guardado
noturno e resignado

sutilíssimo eterno interior
que como um tálamo é
em minha alma limpa e sofrida
como água dormida em pedra

que eterna seiva alimenta
este tempo em mim retido
plumagem livre de flor
forma exata imperecível

sinto-te assim como um trunfo
branda coroa do eterno
além das nuvens, das águas
ouço o teu metal desperto

se existes no ser completo
na cinza móvel das sombras
por que retiras de mim
tudo o que em mim não é pântano?

[Ilustração: Edvard Munch]

Leia também "Em violino fado", poema de José Saramago https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/palavra-de-poeta_01034304464.html 

Boa notícia

Brasil tem 5,6% de desemprego, menor taxa da série histórica
Priscila Lobregatte/Vermelho     
População desempregada está em 6 milhões e a empregada supera os 102 milhões. Situação mostra mercado com tendência estrutural de aquecimento, segundo analista do IBGE

A taxa de desemprego no trimestre encerrado em maio de 2026 caiu para 5,6% e é mais baixa para o período desde 2012, quando começou a série histórica. O índice está 0,6 ponto percentual (pp) menor do que os três meses anteriores, quando foi de 6,2%. Os dados fazem parte da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua Mensal, divulgada nesta sexta-feira (26) pelo IBGE.

“A estabilidade na variação é sazonal, pois é o período em que os setores começam a olhar para o segundo semestre, mas atingir a mínima histórica para o período indica que o mercado mantém uma tendência estrutural de aquecimento e expansão na absorção de mão de obra”, explica o analista da pesquisa, William Kratochwill.

Com isso, a população desempregada ficou em 6,1 milhões — entre dezembro de 2025 e fevereiro deste ano, foi de 6,2 milhões. Na comparação com o mesmo trimestre de 2025, quando o número estava em 6,7 milhões, a queda foi ainda maior, de 9,3%, o que significa menos 624 mil pessoas nessa situação.

Quanto à população empregada, que soma 102,7 milhões, houve alta de 0,5% no trimestre — acréscimo de 558 mil pessoas trabalhando — e de 0,8% no ano — ou, mais 840 mil.

Considerando esses dados, o IBGE aponta que o nível de ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi de 58,6%, com variação de 0,2 p.p. no trimestre (58,4%) e estabilidade no ano (58,6%).

Tipos de emprego e rendimento

A Pnad mostra, ainda, estabilidade frente ao trimestre anterior e ao mesmo período de 2025 no contingente de empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada (excluindo os domésticos), estimado em 39,3 milhões de pessoas.

Ao mesmo tempo, o segmento de empregados no setor privado sem carteira assinada (13,4 milhões) também apresentou estabilidade nas duas comparações. O mesmo ocorreu com trabalhadores por conta própria, formados por 26 milhões de pessoas, e com os empregadores (4,2 milhões de pessoas).

O levantamento ressalta que no caso dos trabalhadores domésticos, o grupo teve estabilidade frente ao trimestre de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026, mas na comparação com o mesmo trimestre do ano passado teve queda de 328 mil postos de trabalho.

“Em cenários de baixa desocupação, o custo de oportunidade dessa força de trabalho aumenta, gerando uma migração estrutural para postos formais em outras atividades, que oferecem melhores salários, condições de trabalho e garantias”, pondera Kratochwill.

No caso do setor público, houve crescimento de 3,6% no número de empregados (inclusive servidores estatutários e militares), estimado em 13,1 milhões de pessoas, frente ao trimestre anterior.

De acordo com o IBGE, também houve aumento de rendimento na comparação com o período de março a maio de 2025. Os trabalhadores CLT tiveram um acréscimo de 3%, ou mais R$ 99; os domésticos, 3,8%, ou mais R$ 52; e os por conta própria tiveram uma elevação de 4,4%, ou mais R$ 130.

Subutilização

No que diz respeito à taxa de subutilização, houve queda de 0,88 pp frente ao trimestre anterior, ficando em 13,3%. Em um ano, a redução foi de 1,6 pp.

“Esse é o patamar mais baixo desde o início da série histórica e vem acompanhada por quedas em outros indicadores similares como: população subutilizada (15,1 milhões), que caiu 5,7% no trimestre (menos 920 mil) e recuou 11,3% no ano (menos 1,9 milhão de pessoas subutilizadas), e a população subocupada por insuficiência de horas (4,1 milhões), que caiu 5,7% no trimestre (menos 251 mil pessoas) e recuou 10,6% no ano (4,6 milhões)”, aponta a pesquisa.

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O selo do PCdoB na frente pró-Lula https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/o-pcdob-e-lula.html