02 junho 2012

Otimismo

Mesmo com o desempenho do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre, que cresceu apenas 0,2%, o ministro da Fazenda Guido Mantega prevê que a economia brasileira vai fechar o segundo semestre de 2012 com taxa de crescimento entre 4% e 4,5%.

Nesta segunda-feira, às 9 horas

Do site www.lucianosiqueira.com.br
Audiência pública debaterá agravos ambientais em Suape
. Os agravos ambientais gerados pela atividade industrial em Suape serão tema da audiência pública que a Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Pernambuco, por iniciativa do deputado Luciano Siqueira (PCdoB), promove na próxima segunda-feira (04), a partir das 9h, no auditório do Anexo I da Casa.
. Já estão confirmadas as participações do secretário estadual de Desenvolvimento Econômico e presidente do Complexo Industrial-Portuário de Suape, Geraldo Júlio; do secretário estadual de Meio Ambiente, Sérgio Xavier; e do economista ecológico e professor da UFPE, Clóvis Cavalcanti. A reunião acontece na véspera do Dia Mundial do Meio Ambiente e no mês em que se realiza a Rio+20, Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, no Rio de Janeiro.
Segundo Luciano, a proposta do encontro é debater e tentar responder em que medida os empreendimentos instalados em Suape se relacionam com o meio ambiente, bem como aprofundar a compreensão do desenvolvimento e os impactos que traz para o meio ambiente. “Queremos saber, se isso se dá de maneira satisfatória ou não, os agravos que tem sido cometido e em que nível se dá e a quem cabe responsabilidade: se somente à iniciativa privada ou também ao poder público”, explica o parlamentar.
Tripé do desenvolvimento - “A nossa preocupação, a preocupação do partido é aprofundar a compreensão da natureza do que ocorre em Pernambuco e no País e, portanto, que risco traz para os direitos do povo, para os trabalhadores, para o meio ambiente, que deformidade que esse desenvolvimento pode estar incorporando. É nosso dever analisar criticamente até porque nós partimos do pressuposto de que esse crescimento econômico está atuando no âmbito do capitalismo e é impossível no desenvolvimento capitalista se contemplar todos os interesses, os interesses dos trabalhadores, da população em geral, do meio ambiente, da redução das desigualdades regionais”, avalia Luciano.
. Para ele, nessa questão em particular deve-se construir a compreensão de que há um tripé com qual o mandato deve trabalhar: o do desenvolvimento que pesa a economia, o aspecto social e o aspecto ambiental.
. “Se você pinça a questão ambiental separada das demais vai ter uma visão deturpada do progresso, cai naturalmente em uma concepção atrasada que interessa as grandes potências, aos que querem impor a Rio +20, contra a posição do governo brasileiro, o conceito de economia verde, economia verde que não é outra coisa senão a expressão de uma corrente de pensamento que defende o desenvolvimento zero para os países não desenvolvidos para não atingir o meio ambiente”, ressalta o parlamentar.
. “Também se nos pegamos só a questão econômica, estamos assumindo a concepção de desenvolvimento capitalista predadora. Se nos pegamos só a questão social, porque cria emprego, nós também caímos numa posição ingênua, porque é impossível melhorar o padrão social da população sem considerar a natureza do crescimento econômico, em que nível ele concentra riqueza, em que nível ele concentra geograficamente as atividades econômicas, qual é natureza do tratamento aos trabalhadores. Por isso, devemos trabalhar com esse tripé”.

Bom dia, Vladimir Maiakovski

A flauta vertebrada

A todos vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.
Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso eu hoje vou dar meu concerto de adeus.
Memória!
Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria,
esta noite ficará na História.
Hoje executarei meus versos
na flauta de minhas próprias vértebras.

Crise social: um caso emblemático

Violência, droga e criminalidade
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho

Há três meses Auriceia, mãe de família, moradora de um bairro popular da capital levou um tiro na cabeça, entrou em coma e faleceu nessa terça-feira passada. Sábado o médico José Alfredo foi assassinado quando passeava com a sua bicicleta pelo corredor Vera Arruda na orla marítima, região nobre de Maceió.

Esses são dois exemplos trágicos, mas há um rosário imenso de ocorrências criminosas que se estendem por todo o Estado cujas vítimas principais são os cidadãos, atingindo também bancos, repartições públicas e estabelecimentos comerciais.

O veredicto consensual da população é que o Estado vem perdendo vertiginosamente a batalha contra a violência, a criminalidade desenfreada e o sentimento é o do terror coletivo, a certeza que todos somos vítimas ou porque já fazemos parte das frias estatísticas ou estamos sob perigo iminente.

Assim, ficamos submetidos à banalização da criminalidade e se instaura um forte temor na coletividade fruto do clima de insegurança que atinge a sociedade alagoana quase sem distinção de classes.

Por outro lado estudos demonstram que entre as principais causas da escalada da criminalidade em Alagoas, além das graves e históricas distorções sociais, desenvolvimento econômico insuficiente dificultando a modernização da estrutura produtiva por anos a fio, há um novo ingrediente extremamente maligno.

Esse catalisador da barbárie tem sido o crack, movimentando fortunas, fabricando dependentes químicos induzidos à paranoia, que cresce em escala geométrica, multiplicando criminosos, semeando a morte.


É um cenário que também cobre todo o território brasileiro que vive um processo de crescimento econômico estabanado, sem a construção de valores culturais, ideológicos, espirituais, onde se alastra o individualismo absoluto, a competição louca e propaga-se a ideia do "sucesso na vida" através do dinheiro fácil.

É um tecido social sem defesas morais, o que facilita a apologia do bizarro e da violência cujas vítimas têm sido a maioria da população, encontrando em Alagoas um elo débil, propiciando o avanço galopante do narco-crack.

Caso o governo do Estado não adote medidas severas resgatando os espaços perdidos para a droga, a criminalidade, a tendência será o surgimento em Alagoas de fenômenos típicos de uma sociedade encolerizada buscando outras formas de segurança e até de justiça paralela.

Desafios ingentes

Erradicação da pobreza: conquistas e desafios
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Revista Algomais

Elevados índices de pobreza, um problema crônico, estrutural – que tem tudo a ver com a natureza do desenvolvimento capitalista conforme se dá no Brasil, desde que impulsionado no início do século XX: dependente, precocemente monopolizado, socialmente excludente. Com agravantes neste percurso de pouco mais de cem anos, sobretudo quando do período de predominância de políticas neoliberais, a partir de Collor e mais ainda nos oito anos de Fernando Henrique Cardoso.

Não é sem razão que a presidenta Dilma, assentada sobre importantes conquistas parciais alcançadas nos dois governos sucessivos de Lula, prioriza a erradicação da pobreza.

E há o que comemorar, embora sem despregar os pés da realidade. Ontem, 29, o tema esteve no centro do debate no Fórum Ministerial de Desenvolvimento, vinculado ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em Brasília.

Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social, em nove anos de vigência do Programa Bolsa Família, 28 milhões de pessoas deixaram a faixa da pobreza extrema em nosso País.

Programas sociais do governo atingem atualmente cobertura estimada em 43 milhões de famílias.

Associa-se a isso a redução do desemprego; o progressivo aumento real do salário mínimo; o reforço da agricultura familiar; a ampliação dos serviços de saúde e educação no rumo da universalização.

Mas no meio do caminho tem um desafio – o de assegurar que milhões de brasileiros acolhidos nos programas assistenciais encontrem mais rapidamente a porta de saída que os leva à integração ao sistema produtivo. O que se dá através da sustentabilidade do atual padrão de crescimento econômico, que encontra obstáculos diversos – dos condicionantes macroeconômicos ainda não de todo superados (como os juros elevados e o câmbio sobrevalorizado) à perda relativa de competitividade de nossa indústria.

Por isso o governo Dilma age corretamente ao lutar, digamos, em duas trincheiras paralelas, porém articuladas entre si: mantém e até amplia o dispêndio com políticas públicas assistenciais; e endurece no combate ao setor rentista que resiste à alteração do figurino macroeconômico neoliberal e deseja sustentar lucros astronômicos com a usura, em detrimento da produção. Uma verdadeira quebra de braço que, por enquanto, pende para o governo, apesar do esperneio dos banqueiros reverberado pela grande mídia.

País rico é país sem pobreza, é certo. Desde que o capital financeiro se ponha no devido lugar e ganhe força o incremento da produção e do trabalho, com distribuição de renda.

Crise e superação no Recife

O PT é maior do que a crise e a Frente Popular é maior do que o PT
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da Folha e no Jornal da Besta Fubana 

Assuntos internos de um partido cabem a seus próprios dirigentes e militantes. Cada partido se organiza, funciona e trata seus problemas a seu modo – e não é conveniente que aliados se imiscuam.

A disputa renhida que ora se envolve o PT no Recife, entretanto, direta ou indiretamente respinga em seus aliados da Frente Popular, que embora guardando conveniente distanciamento observam apreensivos o desenrolar dos acontecimentos. A possibilidade de unificação de todos em torno de uma candidatura única, em princípio a ser apresentada pelo PT, reside em boa medida na capacidade desse partido se apresentar unido diante dos demais. Se a prévia para escolha do nome que deve concorrer à Prefeitura do Recife é efetivamente um instrumento democrático – como asseveram os petistas -, o mínimo que se espera é que terminado o pleito interno, o lado perdedor apoie o lado vencedor. Democracia é assim.

A apreensão dos aliados se aguça quando se assiste a continuidade de uma disputa verbal, pública, veiculada pelos jornais, emissoras de rádio e demais mídias – inclusive pelas redes sociais – marcada por termos inadequados ao bom trato de discrepâncias e entrechoques de propósitos. Invalidada a primeira prévia, até que ocorra a segunda, prevista para o próximo dia 3, o PT se submete a uma espécie de purgatório, tendo se comprometido a afinal resolver suas pendências internas, sob o olhar atento dos aliados.

O desgaste público do PT recifense é inequívoco. Houvesse o contraponto de uma oposição competente e hábil, as consequências poderiam ser mais severas do que as até o momento visíveis. Mas a oposição, anêmica de ideias e desunida, carece de rumo.

Mais: o PT é maior do que sua crise; acumula todo um conjunto de realizações iniciadas em 2001, quando assumiu a gestão da cidade sob a liderança de João Paulo, e sequenciadas na atual gestão comandada por João da Costa, em que pesem os contratempos internos à própria legenda, com reflexos administrativos, e as limitações do prefeito no exercício da liderança da coalizão partidária. Tem um crédito que não se exauriu.

Por seu turno, a Frente Popular no Recife é maior do que o PT. Em se confirmando o melhor cenário – a solução do conflito interno petista no próximo dia 3 -, o conjunto das forças que a compõem reúne experiência e capacidade de articulação para virar a página e redefinir os termos da unidade necessária. E iniciar imediatamente um novo diálogo em torno da proposta programática, da composição da chapa majoritária e do desenho da disputa pela Câmara Municipal – isto dentro de um modelo de convivência entre o PT e os partidos aliados em que todos se vejam partícipes ativos do projeto comum.

Dica de poeta

A dica de sábado é de Gonzaguinha: “Guerreiros são pessoas/Tão fortes, tão frágeis/Guerreiros são meninos/No fundo do peito...”.