22 abril 2018

Em cima do lance: Luciano Siqueira Opina

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Compromisso

"Quando o povo é mais atacado, o artista surge nessa hora, porque ele é o povo. E tem o dever de estar sempre avant-garde, observando o futuro. Na realidade, o papel do artista é esse." (Otto, em entrevista à revista Continente). 

Ciência atual


Inovação no combate a doenças neurológicas
Novas estratégias para o transporte de fármacos até o cérebro abrem portas para o desenvolvimento de terapias para doenças como a de Alzheimer e tumores cerebrais.

Com o aumento da expectativa de vida da população, tem sido cada vez maior a prevalência de doenças neurológicas, atualmente uma importante causa de mortalidade no mundo. Apesar dos rápidos avanços na tecnologia médica e na compreensão de como funciona o cérebro humano, várias doenças neurológicas, como as de Alzheimer e Parkinson e tumores cerebrais, permanecem sem um tratamento eficaz.
O problema não se deve à falta de fármacos para essas doenças, mas à dificuldade que eles têm em atravessar a barreira que separa o sistema circulatório do sistema nervoso central (chamada barreira hematoencefálica) e chegar ao local onde devem desempenhar sua ação terapêutica. Embora tenha uma vasta rede de vasos capilares, o cérebro é provavelmente um dos órgãos menos acessíveis a substâncias que circulam na corrente sanguínea. Isso porque essa barreira semipermeável tem como função proteger o cérebro de substâncias estranhas, como certos medicamentos, vírus e bactérias.
Um estudo publicado este ano e financiado em parte pelo projeto internacional Inpact demonstrou que segmentos específicos (chamados peptídeos) de uma proteína presente na camada que envolve o vírus da dengue tipo 2 podem ser usados como transportadores de substâncias através da barreira hematoencefálica, sem precisarem de receptores específicos no cérebro que ‘autorizariam’ sua passagem por essa barreira.
Em testes com células e com camundongos, observou-se que um peptídeo em particular, denominado PepH3, consegue penetrar rapidamente no cérebro, assim como ser excretado, o que é extremamente positivo para evitar possíveis efeitos tóxicos associados à acumulação do peptídeo nesse órgão. Essa propriedade faz com que o PepH3 possa ser usado para transportar substâncias tanto para dentro como para fora do cérebro.
“O que se pretende com o PepH3 é que funcione como um sistema de liberação controlada para o cérebro. O que verificamos com esse peptídeo é que ele tem a capacidade de entrar e sair do cérebro. Isso é vantajoso especialmente para a doença de Alzheimer, em que se pretende remover os agregados tóxicos que estão associados à patologia”, explica a líder da pesquisa, a engenheira biotecnológica portuguesa Vera Neves, atualmente pesquisadora no Instituto de Medicina Molecular (Lisboa).
Vera Neves salienta que, na doença de Alzheimer, por exemplo, a terapêutica atual utiliza inibidores que regulam a transmissão de informação entre neurônios.  “Se fosse possível usar anticorpos que reconhecem a proteína beta-amiloide [proteína tóxica que se acumula nas placas senis que se formam no cérebro e são uma das características da doença] e que ao mesmo tempo conseguem inibir a acumulação da mesma, essa estratégia iria não só melhorar os sintomas como prevenir a progresso da doença”, diz a pesquisadora. E acrescenta: “Idealmente, o tratamento deveria ser feito no início da doença para evitar os efeitos irreversíveis, como a morte celular. Por isso, é também importante encontrar meios de detectar a doença em estágios iniciais.”
O obstáculo ao uso de anticorpos para combater doenças do cérebro é também a dificuldade dessas proteínas em transpor a barreira hematoencefálica. “Os anticorpos, devido às suas características e ao seu tamanho, são incapazes de atravessar a barreira”, explica Vera Neves.
Na tentativa de ultrapassar essa limitação, pesquisadores tentam desenvolver anticorpos biespecíficos, ou seja, capazes de reconhecer, por um lado, a barreira hematoencefálica (para conseguir atravessá-la), e, por outro, o alvo terapêutico (para agir contra a doença). Esses esforços, descritos por Neves e colaboradores em artigo de revisão publicado em 2016 e também financiado em parte pelo projeto Inpact, poderão dar origem a estratégias terapêuticas tanto para doenças neurológicas como para determinados tipos de câncer, especificamente os tumores cerebrais.
Margarida Martins
Instituto de Medicina Molecular (Lisboa/ Portugal)
Especial para CH On-line
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Humor de resistência

Luscar vê contradições no PSDB acerca do caso Aécio Neves

E a vida segue...


Em movimento

Como acontece comumente no casamento, na política não existe a obrigatoriedade da união "até que a morte nos separe". Alianças são conjunturais e devem ser
sempre mutuamente proveitosas - e, para que tenham consistência, feitas em torno de propostas programáticas.

Factóide mais do que suspeito


Operação contra milícias no RJ foi show para TV
 A polícia chegou na festa na madrugada de 7 de abril, quando a casa de shows estava lotada. Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, de onde as milícias partiram, em meados dos anos 1990, para dominar a cidade e se tornar uma força mais potente do que as históricas facções do tráfico de drogas.
The intercept, reproduzido no Vermelho
Formadas por policiais, bombeiros, vigilantes, agentes penitenciários e militares, fora de serviço ou ainda na ativa, elas dominam bairros inteiros e, além de atuar no tráfico, cobram também por serviços como gás, luz, televisão a cabo, vans do transporte alternativo e proteção.

Na ação daquela madrugada, os agentes mataram quatro pessoas ainda do lado de fora da festa. Os tiros causaram pânico e correria. Ao entrar, mandaram todas as mulheres embora, ordenaram que os homens deitassem no chão, de bruços e sem camisa. Poucas horas depois, imagens de ônibus cheios de jovens tranquilos e sem algemas já estavam nos jornais matinais de TV. Sem qualquer questionamento. “A Polícia Civil acabou com a festa da milícia.” À noite, foi destaque no Jornal Nacional. Sem investigação própria, o programa decretou: “Bandidos que fazem parte da principal milícia do Rio aproveitavam a noite em um sítio, em Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade.”

O secretário de Segurança Pública do Rio, o general Richard Nunes, nomeado pela intervenção militar federal, estava contente. Em uma entrevista coletiva, ele disse:

“Essa é uma semana muito exitosa para a segurança pública do nosso estado. A intervenção federal começa a apresentar resultados positivos. Foram diversas apreensões, diversas operações bem sucedidas e essa, sem sombra de dúvida, foi a mais exitosa.”

É difícil saber o que o general acredita ser “exitoso”. Fato é que “a maior operação contra as milícias” já feita no Rio de Janeiro foi apenas mais um show para a televisão, como tem sido a intervenção. A polícia não prendeu 159 milicianos. A polícia entrou em uma festa – promovida por uma estação de rádio, com ingresso, anúncio nas redes, pulseirinha – e prendeu indiscriminadamente todos os homens que nela estavam.

O que menos há, entre os presos, são milicianos: talvez uma dúzia, ainda não se sabe. Pior: há suspeitas de que o chefe de uma quadrilha estivesse no local. Se realmente estava, Wellington da Silva Braga, o Ecko, fugiu.

The Intercept Brasil foi atrás dos familiares de alguns presos. Oito menores também foram apreendidos e vendidos para a imprensa como milicianos. A Defensoria Pública está cuidando do caso de 25 pessoas, e deve ouvir mais vítimas nesta semana. Um deles é Pablo Dias Bessa Martins, artista de circo que estava com viagem programada para a Suécia, onde iria se apresentar. O ator Marcos Frota o conhece, e fez um apelo para que ele seja solto.

Leia também:
Leonardo Chaves: Intervenção para quem?
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