05 fevereiro 2021

Mais complexo do que parece

Veja também: A unidade não é cinza. Comporta diferenças e preservação 
da identidade de cada um https://bit.ly/2MBqwlk

Cuba autossuficiente

Um país que investe na ciência e cuida da saúde da população. 

04 fevereiro 2021

Dimensão da luta

UMA ENTRE MUITAS BATALHAS

Luciano Siqueira 


Guerra prolongada é assim, não há o que estranhar. Muitas são as batalhas, o conjunto delas é que produzirá o resultado — vitória ou derrota.


No confronto com o governo ultradireitista de Jair Bolsonaro, as correntes democráticas têm acumulado forças?


Menos do que o necessário, porém de modo paulatinamente crescente.


Dois episódios recentes são marcantes nesse sentido.


Nas eleições municipais, o bolsonarismo “de raiz”, ou seja, grupos assumidamente de extrema-direita perderam e se tornaram mais vulneráveis.


O centro predominantemente conservador (onde há setores compromissados com o Estado de Direito) se fortaleceu ao abocanhar cerca de 80% dos votos. 


A esquerda no seu conjunto não venceu, porém ostentou desempenhos indicativos de que resiste e pode crescer.


O outro episódio, na última segunda-feira — a eleição para as mesas dirigentes da Câmara dos Deputados e do Senado — produziu uma vitória do governo Bolsonaro que podemos chamar de “movediça”.


Ou, melhor dizendo, uma “vitória de Pirro”: venceu empenhando volume tal de energia e munição que se fez vulnerável face às novas pelejas que se seguem. 


Tal como o rei de Epiro, que na batalha de Heracleia, ano 280 a.C., venceu os romanos, mas exauriu seu exército de tal maneira que foi dizimado na Baralha de Ásculo, em seguida.


Segundo o “Estadão”, só em emendas extras em benefício de deputados e senadores do chamado “centrão”, comprometidos com os candidatos apoiados pelo presidente, o governo empenhou pouco mais de 3 bilhões de reais. Este valor e outros tantos, incluindo espaços no Ministério e em instâncias intermediárias do governo, constituem uma pesada conta.


Além disso, sabe-se que o “centrão” não corresponde exatamente a uma força homogênea, composto que é por um volume majoritário de parlamentares pouco afeitos a compromissos partidários, sempre empenhados em resolver interesses próprios. 


A oposição perdeu a batalha pelas presidências das duas Casas do Congresso, porém — como bem assinala a presidente nacional do PCdoB, Luciana Santos — se fortaleceu. 


Uma mescla muito heterogênea de parlamentares comprometidos com a democracia pode agora ter papel relevante na continuidade. 


“Um exercício vital para o enfrentamento a este governo e suas políticas de desmonte do país”, diz a dirigente comunista.


Há muito chão por onde caminhar e muitas pelejas a travar em meio à multifacetada crise que o País atravessa. 


Adiante, o fator povo nas ruas — momentaneamente represado pela pandemia — pode vir a desequilibrar o jogo, enfraquecendo Bolsonaro e sua trupe.


Veremos.


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Sem nexo

Ridículo o pretexto da “segurança” para que o governo Bolsonaro persista em negar ao Brasil o acesso à tecnologia 5G da Huawei chinesa, a mais avançada do mundo.

03 fevereiro 2021

Luta que segue

Eleição das mesas diretoras da Câmara e do Senado é um round da prolongada resistência popular e democrática. A luta segue em muitas trincheiras.

02 fevereiro 2021

Ruy camarada, presente!

José Carlos Ruy, presente!

Portal Vermelho

A morte do nosso grande camarada José Carlos Ruy é uma perda que deixa imensa lacuna. Era um destacado militante intelectual do nosso Partido, abnegado lutador da causa comunista e civilizacional. Deixa extenso e rico legado que nos inspira e nos fortalece.

O PCdoB perdeu um dos jornalistas e escritores mais importantes de sua história. Faleceu na manhã nesta terça-feira (2), aos 70 anos, José Carlos Ruy, membro da equipe do Vermelho, do conselho curador da Fundação Maurício Grabois e da comissão editorial da revista Princípios, além de ex-editor da Classe Operária.

Ruy morreu em sua casa, em São Paulo, vítima de um infarto fulminante. Seu corpo foi encontrado pela filha Carolina Maria Ruy, também jornalista, que acompanharia o pai hoje em uma consulta ao oftalmologista.

“José Carlos Ruy foi um grande jornalista. Um militante e dirigente comunista disciplinado, ativo e dedicado. Mas foi sobretudo um homem sensível, atencioso e delicado. Uma pessoa humana ímpar”, registou a presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos. “É doloroso saber da sua partida.”

Luciana lembrou a influência de Ruy sobre outros jornalistas que trabalharam em veículos sob direção do PCdoB. “A Classe Operária, jornal do nosso partido, tem muito do seu DNA, do seu suor e do amor pela comunicação. Gerações de comunicadores do nosso partido cresceram sob seu exemplo, influência e carinho”.

Paulistano, nascido em 7 de outubro de 1950, Ruy era jornalista desde os anos 1970 e foi um dos primeiros membros do PCdoB a ser dirigente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Sob a ditadura militar, colaborou com os jornais Movimento e Tribuna da Luta Operária, entre outros veículos alternativos. No Departamento de Documentação (Dedoc) da Editora Abril, manifestou sua vocação não apenas para a apuração tipicamente jornalística – mas também para a pesquisa histórica.

Em seus textos sobressaía a visão marxista do mundo e dos fatos – o que Ruy acentuou posteriormente, na condição de intelectual orgânico do PCdoB. Membro do Comitê Central do Partido de 1997 a 2009, ele gostava de dizer que era “estudioso de história e do pensamento marxista”. Autodidata, tinha interesse, ainda, pelas lutas históricas dos negros no Brasil, pela história da do movimento feminista e também por literatura – brasileira e estrangeira. Volta e meia, escrevia para o “Prosa, Poesia e Arte”, a seção cultural do Vermelho.

Artigos de sua autoria estão presentes em mais de 20 livros, com destaque para as duas edições de Contribuição à História do Partido Comunista do Brasil – projeto do qual foi um dos organizadores, ao lado de Augusto Buonicore. Ruy foi autor de Os Comunistas na Constituinte de 1946, mas seu projeto de maior fôlego e profundidade foi, sem dúvida, Biografia da Nação – História e Luta de Classes, lançado em 2018. Os livros de Ruy foram publicados pela Editora Anita Garibaldi, em parceria com a Fundação Maurício Grabois.

Renato Rabelo, presidente da Fundação e dirigente do PCdoB, foi um dos companheiros de Ruy que lamentaram sua morte: “A morte do nosso grande camarada José Carlos Ruy é uma perda que deixa imensa lacuna. Era um destacado militante intelectual do nosso Partido, abnegado lutador da causa comunista e civilizacional. Deixa extenso e rico legado que nos inspira e nos fortalece”.

Nos últimos anos, mesmo com a perda parcial da visão e a saúde debilitada em função do diabetes, Ruy se dedicou a traduzir para o Vermelho artigos da mídia comunista e progressista internacional. Nos quase 19 anos do portal, Ruy se destaca também como um dos colunistas com mais textos publicados.

“Como amigo e companheiro na equipe do Vermelho, Ruy foi como um irmão mais velho para mim”, afirma Inácio Carvalho, editor do portal desde 2015. “Nos últimos cinco anos, desde que assumi a editoria do portal, nos falávamos praticamente todos os dias, sobre os mais diversos assuntos – trabalho, acontecimentos políticos, cultura e a vida. Sempre muito disposto, afável e esperançoso na luta do povo, Ruy era um inspirador para quem acredita numa vida melhor, nos seres humanos, na vida e no socialismo. Ruy continua imprescindível e seguirá nos inspirando através de sua obra.”

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·         Veja: Obstáculos à existência de partidos de base popular https://bit.ly/34vKu7c

 

Fragil solidez

Qual a força real do “centrão”? Como nele ninguém lidera ninguém, a cada matéria importante o governo terá que oferecer mais benesses em troca do voto. Um eterno buruçu.