01 setembro 2023

Ultraconcentração da renda e da riqueza

A retórica da reação neoliberal e o futuro do igualitarismo
Quanto mais neoliberalismo, maior a diferença entre a renda extraída pela posse de propriedade e a distribuída como retorno pelo trabalho. Em escala mundial, sua incapacidade de produzir crescimento econômico, combinada ao aumento da desigualdade, é proporcional à sua capacidade de corroer, por dentro, regimes democráticos
Sávio Cavalcante/Le Monde Diplomatique

 

O neoliberalismo foi intelectualmente elaborado em meio à crise do “liberalismo realmente existente” e das guerras mundiais na primeira metade do século XX. O objetivo era oferecer um sistema de ideias alternativo aos princípios igualitaristas dos modelos que então surgiam como respostas de esquerda, ou seja, tanto o modelo capitalista de Estado de bem-estar social quanto o comunismo. Apenas a partir da década de 1970, especialmente após o fim da União Soviética, é que as ideias neoliberais puderam impor parte do que, por décadas, desenharam como ordem social e modelo de Estado ideais.

O resultado prático, coerente com seus princípios normativos, tem sido a retomada de poder e renda de parcela diminuta de grandes proprietários, especialmente da fração financeira do capital. Em diferentes países, quanto mais essa parcela obtém hegemonia, maior se torna a desigualdade de poder e renda entre o “1%” e o restante da sociedade.1 Quanto mais neoliberalismo, maior a diferença entre a renda extraída meramente pela posse de propriedade (especialmente na forma de ativos financeiros) e a distribuída como retorno “equivalente” do esforço dispendido no trabalho que, de fato, gera a riqueza.2 Em escala mundial, sua incapacidade de produzir crescimento econômico efetivo, combinada ao intrínseco aumento da desigualdade, é diretamente proporcional à sua capacidade de corroer, por dentro, regimes democráticos e pavim entar o caminho eleitoral, como no passado, ao campo da extrema direita, em alguns casos de tipo neofascista.  

Como um sistema de ideias profundamente anti-igualitarista, que legitima a deterioração democrática e pouco tem a oferecer, na prática, à maioria da população trabalhadora, se realizou historicamente? Como se tornou “racionalmente” possível e reivindicou legitimidade?

Nos últimos anos, o uso da fórmula Marx + Foucault tem gerado boas e novas respostas. Um acúmulo incontornável nesse sentido é o reconhecimento de que o neoliberalismo não pode ser reduzido à bandeira do “menos Estado, mais mercado”. Antes de disputar o tamanho da intervenção estatal, o neoliberalismo formulou um sistema de ideias cuja base normativa e intelectual era a de que todos (indivíduos, organizações/empresas e Estado) precisavam se reconhecer e agir como se empresas fossem, ou seja, uma razão, uma forma de governo e uma subjetividade de novo tipo.3

Na prática, porém, a suposta superioridade da razão neoliberal em termos de eficiência e justiça exigiu o confronto, soft e hard, com agentes orientados por princípios igualitaristas – não apenas com sindicatos, mas com todas as ideias, movimentos, ativistas e organizações que, dentro e fora das empresas, impunham limites políticos e morais à acumulação de capital. A razão neoliberal não abdica – pelo contrário, a legitima – da violência para barrar outros modelos de sociedade.4

Ainda que o “cassetete [seja] o télos dos códigos de conduta” da razão neoliberal,5 a luta em si de ideias incide sobre terrenos de ordem moral e intelectual em relação aos quais os neoliberais não podem simplesmente se abster, sob pena de restringir sua hegemonia apenas ao “1%”. O neoliberalismo não prescinde da crítica das armas, como bem sabem muitos povos, mas não seria possível sem a arma da crítica.

Eis, então, o maior desafio do neoliberalismo na luta de ideias: como sua normatividade essencialmente anti-igualitarista reivindica, com relativo sucesso, superioridade?

Seria oportuno retomar a estrutura básica da “retórica da reação” identificada por A. O. Hirschman, isto é, o uso articulado de variações argumentativas de três teses – da perversidade, da futilidade e do risco (ou da ameaça) – contra modelos igualitaristas. De forma resumida, funcionam no confronto de ideias da seguinte maneira: políticas moralmente bem-intencionadas (imbuídas de princípios igualitarista, por “justiça social”) podem gerar efeitos imprevistos que pioram o que se pretendia enfrentar (perversidade); na prática, alteram pouco ou quase nada aquilo que buscavam resolver (futilidade); se radicalizadas, corre-se o risco de perder o que não deveria ser afetado ou eliminado (risco/ameaça). A reivindicação de superioridade da razão neoliberal exige primeiro demonstrar a inferioridade das alternativas.6

Contudo, também por isso, começam aqui seus problemas: para os neoliberais “puros”, a igualdade jurídica de indivíduos racionais, ante contratos celebrados sem coerção física direta a qualquer parte, é a única dimensão do princípio igualitarista que valeria a pena ser defendida. Seria a única capaz de não gerar um trade-off com outro princípio. Todas as demais pressões que procurem dar grandes – ou mesmo pequenos – passos em direção a uma igualdade mais substantiva serão submetidas aos invariantes da retórica da reação.

Esse igualitarismo esvaziado de conteúdo cobra seu preço na luta de ideias. Mesmo o apelo a outros princípios, como o da liberdade ou da eficiência econômica, gera sínteses retóricas que não tem, por assim dizer, um apelo popular espontâneo: “Muitos direitos trabalhistas, por limitarem os negócios, reduzem empregos”; “Salário mínimo alto parece positivo, mas, com o tempo, não é bom para quem vive do salário”; “Impostos mais baixos para os mais ricos acabam sendo bons para os mais pobres”; “Políticas sociais, bolsas e ações afirmativas não são boas nem para quem mais precisa delas”; “Serviços públicos universais e gratuitos diminuem o incentivo ao trabalho”. A redução do problema a um trade-off entre igualdade e liberdade, como já amplam ente documentado, gera efeitos políticos ainda mais complicados e antipopulares: “Sufrágio universal pode minar a democracia”; “Políticas em defesa de justiça social (igualitaristas) são o prenúncio do autoritarismo”. 

Dada a recusa do conteúdo substantivo do princípio igualitarista – o qual, historicamente, tem capacidade de gerar movimentos de massa e ganhar eleições –, a reação neoliberal exige um mecanismo alternativo de justificação. Sánchez-Cuenca oferece um profícuo caminho de análise. A adesão – parcial ou integral, consequente ou não – de esquerdas reformistas ou revolucionárias ao princípio do igualitarismo lhes concede uma superioridade moral difícil de ser combatida, nos mesmos termos, pelas direitas. Para obter hegemonia e encontrar portadores sociais ativos, a reação das direitas precisa se apresentar, antes, como intelectualmente superior à esquerda igualitarista. Só depois desse desvio para a dimensão supostamente racional/intelectual do problema, e por conta dele, é que a reação alegar&aacu te; superioridade moral.7

Não se trata, é claro, de ignorar o recurso, em muitos casos procedente, da denúncia de hipocrisia ou perversidade do indivíduo, grupo ou regime “de esquerda” que, por se acharem portadores de uma moral superior, promovem as maiores violências e injustiças. O ponto não é esse. A questão é que não se conquista superioridade de ideias apenas alegando a incapacidade de seus inimigos de esquerda de cumprir, na prática, o princípio igualitarista. Novas forças e movimentos sempre aparecem prometendo não reeditar os fracassos do passado. Em algum momento, a reação anti-igualitarista sabe que é preciso coragem intelectual para disputar o próprio princípio igualitarista e colocar outra coisa no lugar.

Sugiro a seguir uma estrutura de três grandes camadas da retórica da reação neoliberal. De cada uma, derivam muitas variações – indicarei aqui apenas alguns exemplos. Cada uma pode gerar diferentes encontros, mais ou menos contextuais, com outros sistemas de ideias. Até por isso, não há homogeneidade completa entre seus intelectuais e divulgadores. Seria possível sugerir certa ordem lógica entre as camadas, mas ênfases, alcances e silêncios seguem uma dinâmica própria em cada tipo de intervenção e prática.

Como se trata de uma reação anti-igualitarista, a primeira camada é aquela que exige normalizar, como ponto de partida, a desigualdade, ou seja, justificar por que não é tão moralmente ruim assim ser anti-igualitarista. As sínteses retóricas neoliberais recentes ultrapassaram o tradicional “é preciso fazer o bolo crescer, para depois dividi-lo” por meio de formulações mais diretas, que não precisam adiar para um futuro distante o problema da distribuição: “A desigualdade não é o problema, e sim a pobreza” ou “Não é possível praticar justiça social na miséria”. 

Essa primeira camada gera diversos efeitos. Primeiro, corrói a legitimidade política da pressão em si, por diminuição da desigualdade. Segundo, normaliza a tarefa de, antes de qualquer coisa, “pôr ordem na casa” – princípio das políticas neoliberais de austeridade. Terceiro, ao reacender a chama moral do anti-igualitarismo, viabiliza uma conexão de sentido prática com outros sistemas de ideias e valores, muitos de base religiosa, que fornecem fundamentos morais e éticos, especialmente aos mais pobres, para uma postura conservadora de resignação ou consentimento perante desigualdades de todo tipo (além de classe, gênero, raça, sexualidade etc.).

segunda camada é aquela que procura dar fundamento racional (técnico ou científico) à “função social” da desigualdade. A premissa é que o capitalismo pode ser um jogo de “ganha-ganha”: o pobre é aquele que, ainda, não é classe média ou rico. Trata-se, então, de “apenas” acabar com a pobreza. Passa-se, assim, a disputar, e restringir, os meios. Os mais eficientes seriam aqueles compatíveis com o livre mercado. Intervenções externas não mercadorizadas gerariam ineficiência econômica, que, por sua vez, não criaria a riqueza que se quer distribuída.

É nessa camada que as teses da perversidade e do risco ganham plenitude. Nela habitam tanto as críticas neoliberais a políticas desenvolvimentistas, de planejamento estatal e protecionismo nacional quanto as versões mais radicais da trickle down economics: “Quanto mais livres (de impostos e regulamentações externas) forem os mais ricos para enriquecer, melhor será para os mais pobres” ou “Os ricos precisam ter a confiança de que terão o retorno que esperam de seus investimentos para que exista algo para os pobres”. Intervenções menos radicais tendem a se refugiar na tese da futilidade: “Sabendo como funciona uma economia de mercado, é muito difícil, ou pouco eficaz, taxar grandes fortunas (ou a herança de propriedade, ativos financeiros etc.)”. 

terceira camada supõe a superioridade racional do anti-igualitarismo (“Para o bem de todos, sempre haverá desigualdade”), mas precisa voltar a lidar com o problema moral: os indivíduos (e suas famílias) que compõe o “1%” merecem estar no lugar social em que se encontram? Aqui talvez resida a novidade, e a fragilidade, do neoliberalismo.

A resposta tradicional do liberalismo ao problema da desigualdade foi legitimá-la como expressão de um retorno equivalente a uma “escala natural de dons e méritos”, expressa pelo risco do investimento ou pelo esforço de trabalho (intelectual ou físico, de concepção ou execução etc.) dispendido no comércio ou na produção de riqueza material. A existência de uma competição impessoal de mercado (único princípio igualitarista admitido) valeria até mesmo para secundarizar o peso da desigualdade de ponto de partida (a herança familiar, não individualmente conquistada pelo mérito). 

Assim, a ideologia meritocrática, base de legitimação necessária da “ciência econômica” liberal, pôde justificar a desigualdade, porque o retorno de renda de todo tipo de atividade no mercado seria regulado pelo princípio da equivalência (compradores e vendedores recebem o que racional e livremente contratam). Desde Max Weber, sabe-se que o fundamento moral que sustenta essa ideologia passou de uma conversão do ascetismo religioso ao laico: disciplina, autocontrole dos desejos de consumo imediatos, resignação ante as dificuldades e sabedoria para poupar e acumular pelo esforço e mérito do próprio trabalho. A recompensa, no céu ou na terra, uma hora chega.

Eis o problema: o neoliberalismo, ao realizar, sobretudo, os interesses do capital financeiro, abdicou de parte essencial do princípio do retorno equivalente ao “mérito”. No plano das ideias, a defesa teórica mais acabada da diferença “natural” entre mérito e recompensa é feita pela escola austríaca, especialmente F. von Hayek.8 Na agitação e propaganda de massa, manifesta-se pela vasta literatura de “autoajuda” e peças de marketing de bancos e consultorias que apresentam fórmulas e serviços para que “você enriqueça enquanto está dormindo, no lazer ou com a família”. Mesmo a ideia de “retorno de investimento em capital humano” obtido pela escolarização deixa de fazer sentido: “Enriquecer não exige diploma”. 

Isso não significa, por certo, que as formas rentistas e especulativas do capital nunca tenham enfrentado esse problema. O que chama a atenção é a ausência, naqueles que buscam produzir o sujeito-empresa da razão neoliberal, da aparência igualitarista antes embutida na ideia de retorno equivalente ao esforço do trabalho.

O anti-igualitarismo dos “liberalismos realmente existentes” não é novidade. Por mais de um século, as teses da perversidade, da futilidade e do risco, aplicadas à ampliação do estatuto de igualdade jurídica a qualquer pessoa, normalizaram ou até mesmo lucraram com o comércio ou trabalho forçado de milhões de seres humanos reduzidos à condição de servidão ou escravidão.9

Nas origens, diferenças tomadas como atributos naturais de desigualdade – especialmente de raça – tornaram socialmente compatíveis, por muito tempo, trabalho escravo (ou forçado) e acumulação de capital. Na atualidade, a defesa neoliberal irrestrita da legitimidade da coerção “puramente” econômica de incentivo ao trabalho, mesmo para aqueles cuja alternativa de sobrevivência seja apenas a fome ou a miséria, produz defesas “racionais” de trabalhos em condições análogas à escravidão.10

Novamente, o déficit anti-igualitário do neoliberalismo cobra seu preço. A dificuldade de ganhar base social de massa (e votos) gera certa bifurcação de suas variações políticas concretas. 

O caminho originário e com maior base social até aqui, percorrido desde os anos 1970, foi aquele que buscou, com mais ou menos violência, um sentido de comunidade e vínculo social existente no conservadorismo. O mecanismo de articulação de um sistema de ideias ao outro se efetivou pela instituição família. Se para os conservadores um modelo patriarcal de família era o único que garantia estabilidade, para os neoliberais a família foi vista como uma empresa, único ente superior ao indivíduo cuja racionalidade poderia garantir de forma “ótima” a reprodução de seus membros.11

O outro caminho, mais recente e com pouca base de massa, é o que Nancy Fraser chamou de “neoliberalismo progressista”.12 Trata-se da cooptação, por parte de grandes corporações e de forças políticas neoliberais, de demandas de reconhecimento e redistribuição baseadas principalmente em termos de gênero, raça e sexualidade. O déficit moral da base neoliberal anti-igualitarista é aqui supostamente compensado por um mercado atento à “diferença” e à “diversidade”. 

O impasse neoliberal, contudo, permanece. Sua variante progressista pode tornar mais socialmente diversa alguma parcela da camada mais rica da sociedade, mas não enfrenta as causas da crescente desigualdade de poder e renda criada pelo próprio neoliberalismo. Gera, como efeito ideológico (este, sim, perverso), a aparência de uma “meritocracia justa” de mercado. O caminho conservador, por seu turno, se radicaliza. A necessidade de encontrar um sentido de igualdade comunitária com apelo popular ultrapassa a instituição família e passa a exigir níveis de pureza adicionais: religiosa, nacional, racial e étnica. O neofascismo se realiza historicamente como seu télos.

No Brasil, o novo governo petista tem à frente o desafio histórico, e decisivo, de renovar a esquerda igualitarista, interditando não apenas a resposta neofascista, mas também a versão neoliberal que impede, em seu interior, a superação desse impasse.

*Sávio Cavalcante é professor do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp.

1 Gérard Duménil e Domique Lévy, “O imperialismo na era neoliberal”, Crítica Marxista, n.18, 2004.

2 Thomas Piketty, O capital no século XXII, Rio de Janeiro, Intrínseca, 2015.

3 Pierre Dardot e Christian Laval, A nova razão do mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal, São Paulo, Boitempo, 2016.

4 Grégoire Chamayou, A sociedade ingovernável: uma genealogia do neoliberalismo autoritário, São Paulo, Ubu, 2020.

5 Idem, p.251.

6 Albert O. Hirschman, The rhetoric of reaction: perversity, futility, jeopardy [A retórica da reação: perversidade, futilidade, ameaça], Cambridge, Harvard University Press, 1991.

7 Ignácio Sánchez-Cuenca, La superioridade moral de la izquierda, Madri, Lengua de Trapo, 2018.

8 Essa posição causa um “sincericídio” curioso em Hayek. Ver, para tanto, Sávio Cavalcante, “Classe média, meritocracia e corrupção”, Crítica Marxista, n.46, 2018.

9 Ver Roberto Steinfeld, Coercion, Contract and Free Labor in the Nineteenth Century [Coerção, contrato e trabalho livre no século XIX], Cambridge, Cambridge University Press, 2001; e Domenico Losurdo, Contra-história do liberalismo, Aparecida, Ideias e Letras, 2006.

10 Leandro Narloch, “Devemos proibir os pobres de ter trabalhos degradantes?”, Folha de S.Paulo, 16 maio 2018.

11 Melinda Cooper, Family values: between neoliberalism and the new social conservatism [Valores familiares: entre o neoliberalismo e o novo socialconservadorismo], Nova York, Zone Books, 2017.

12 Nancy Fraser e Rahel Jaeggi, Capitalismo em debate: uma conversa na teoria crítica, São Paulo, Boitempo, 2020.

As palavras valem, mesmo quando omitidas https://tinyurl.com/3ju94a87

Palavra de poeta: Cecília Meireles

ONDE ESTÃO AS VIOLETAS?

Cecília Meireles



Onde estão as violetas?
Na mão de etéreos meninos
Que enterram flores na areia,
Na areia consecutiva.
Túmulos de beija-flores
São essas vagas colinas
Sem consistência nenhuma
Sob as mãos inconsistentes
Que vão plantando violetas,
Violetas consecutivas.
Mudam de cor as violetas,
Vão sendo róseas e brancas,
E irão desaparecendo
Por ilusórios caminhos
Como, sem rosto, os meninos,
Meninos consecutivos.
Em tempos consecutivos
Quem pode ver esse mundo
Só de meninos, areias,
Túmulos de beija-flores
E sombras de violetas?

[Ilustração: Paul Serusier]

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Humor de resistência: Jota Camelo

Jota Camelo

O PCdoB na luta institucional: se você não viu, pode ver agora https://tinyurl.com/yc5p4bw5



No meu Twitter

Agora é o ex-secretário de Comunicação e atual assessor de Jair Bolsonaro Fabio Wajngarten que se dispõe a revelar na íntegra o teor de suas conversas telefônicas com o tenente-coronel Mauro Cid. Parece um bate-cabeças interminável em torno do ex-presidente. Vai dar em quê?

Quem disse que a vida não é arriscosa? https://tinyurl.com/35yp9kjm


China x EUA

China e EUA chegam a acordo sobre novos canais para resolver questões comerciais
Mecanismos de negociações são necessários, mas são necessárias ações concretas de Washington: especialistas
Wang Cong e Ma Jingjing/Global Times



O ministro do Comércio da China, Wang Wentao, e a secretária do Comércio dos EUA, Gina Raimondo, mantiveram conversações “racionais, francas e construtivas” na segunda-feira, o segundo dia da viagem de quatro dias do chefe do comércio dos EUA à China, e os dois lados anunciaram a criação de novos canais de comunicação para tratar de diversos assuntos.  

Num comunicado divulgado no final da noite, o Ministério do Comércio Chinês (MOFCOM) disse que Wang também levantou sérias preocupações sobre várias políticas dos EUA em relação à China, tais como as tarifas da Secção 301, políticas de semicondutores, restrições aos investimentos e sanções às empresas chinesas, sublinhando que ampliar demais o conceito de a segurança nacional não conduz ao comércio bilateral. 

O estabelecimento de novos mecanismos de comunicação mostrou que ambas as partes estão a tomar as medidas necessárias para melhorar as conversações para resolver disputas; no entanto, são necessárias ações concretas por parte de Washington para responder às principais preocupações da China sobre as medidas de repressão para uma relação económica e comercial bilateral estável, disseram os especialistas. 

Embora subsistam grandes diferenças entre os dois países, os esforços para estabilizar os laços económicos e comerciais bilaterais e reforçar a cooperação em áreas de interesses comuns poderão ajudar os EUA a enfrentar os seus próprios desafios económicos, incluindo a inflação elevada e a pressão recessiva persistente, uma vez que a economia chinesa continua a ser resiliente graças a uma série de medidas para estabilizar o crescimento, observaram os especialistas. 

Palestras acompanhadas de perto

Wang se encontrou com Raimondo na manhã de segunda-feira, informou o China Media Group. Imagens de vídeo dos dois chefes de comércio, que sorriam e pareciam estar de bom humor, acompanhados por outros funcionários, entrando em uma sala de reuniões, foram divulgadas por vários meios de comunicação. 

De acordo com a declaração do MOFCOM, Wang disse que os laços económicos e comerciais são a pedra de lastro para as relações China-EUA e que a China está disposta a trabalhar com os EUA com base no princípio do respeito mútuo, coexistência pacífica e cooperação ganha-ganha para proporcionar um ambiente político favorável. para as empresas de ambos os países e promover o comércio e o investimento bilaterais.   

Raimondo disse ainda que “é profundamente importante que tenhamos uma relação económica estável, que seja benéfica para ambos os nossos países. E, de fato, o que o mundo espera de nós”, informou a CNN na segunda-feira. Em comunicado, o Departamento de Comércio dos EUA afirmou ainda que Raimondo enfatizou a importância de garantir linhas de comunicação abertas.

Notavelmente, os dois lados anunciaram o estabelecimento de novos canais de comunicação entre as autoridades comerciais dos dois países, incluindo um grupo de trabalho composto por funcionários chineses e norte-americanos e representantes empresariais para procurar soluções para questões comerciais específicas, de acordo com o MOFCOM. Os dois chefes do comércio também concordaram em comunicar regularmente e reunir-se pelo menos uma vez por ano. As duas partes também lançaram um mecanismo de comunicação para controlos de exportação e concordaram em realizar consultas técnicas entre especialistas dos dois países sobre o reforço da protecção de segredos comerciais e informações comerciais confidenciais durante os procedimentos de licenciamento administrativo.  

Bai Ming, vice-diretor do instituto de pesquisa de mercado internacional da Academia Chinesa de Comércio Internacional e Cooperação Econômica, disse que os mecanismos são principalmente itens processuais para melhorar a comunicação sobre as questões, que são necessárias, mas que ações concretas dos EUA são cruciais para uma situação estável. Relação económica e comercial China-EUA. 

“A esperança é que o lado dos EUA mostre realmente sinceridade e aborde estas questões, porque apenas ter mais conversações sobre as questões está longe de ser suficiente”, disse Bai ao Global Times na segunda-feira.

As observações de Raimondo sobre o compromisso de promover o comércio com a China reflectem a sua esperança de que a viagem melhore a comunicação e estabilize as relações económicas e comerciais China-EUAe abordam questões específicas que dificultam o desenvolvimento dos laços económicos e comerciais bilaterais, disse Wu Xinbo, diretor do Centro de Estudos Americanos da Universidade Fudan.

Ressaltando a sua intenção de promover determinado comércio, Raimondo, num evento na segunda-feira, apresentou alguns produtos de cuidados pessoais dos EUA e insistiu que 99 por cento do comércio entre a China e os EUA não está relacionado com os controlos de exportação dos EUA e com o comércio de produtos sem “segurança nacional”. implicações” podem florescer, informou a Reuters na segunda-feira. “O plano, e a esperança, é que a nossa relação comercial, se bem feita, possa estabilizar a relação política”, disse Raimondo, citando a Reuters. 

A exposição de produtos de cuidados pessoais dos EUA apresentada pelo secretário do Comércio dos EUA também ocorre num momento em que os consumidores chineses estão cada vez mais resistentes aos produtos cosméticos japoneses devido ao plano do Japão de despejar águas residuais contaminadas com energia nuclear no mar.

Gao Lingyun, especialista em comércio da Academia Chinesa de Ciências Sociais em Pequim, disse que existem mecanismos normais de comunicação entre os dois países e, de facto, também existem tais mecanismos ao abrigo da frase um acordo comercial. 

Os novos mecanismos de trabalho poderiam ser estabelecidos entre o Departamento de Indústria e Segurança do Departamento de Comércio dos EUA e os departamentos relevantes do Ministério do Comércio chinês para “comunicar sobre a chamada 'lista de entidades' dos EUA e outras restrições”, disse Gao ao Global Times na segunda-feira. 

Wu também disse que durante a viagem de Raimondo, os dois lados poderão estabelecer mecanismos relevantes para “lidar com questões específicas, como tarifas e restrições às exportações dos EUA dirigidas à China”. 

Ainda assim, os especialistas chineses alertaram contra expectativas excessivas em relação aos EUA. Embora os EUA pareçam cada vez mais empenhados em estabilizar os laços económicos e comerciais com a China, as questões económicas e comerciais servirão a estratégia global dos EUA em relação à China, sob a qual Washington se concentra principalmente nas restrições, enquanto o desenvolvimento dos laços com a China vem em segundo lugar, disse Wu. “Assim, estão a promover selectivamente a melhoria e o desenvolvimento das relações económicas e comerciais China-EUA. Não podemos ter muitas expectativas para os EUA.” 

Destacando tal estratégia, Raimondo, ao mesmo tempo que procurava promover o comércio entre os dois países, disse durante a reunião de segunda-feira que “em questões de segurança nacional, não há espaço para compromissos ou negociações”, segundo o Financial Times. 

No entanto, mesmo que todos os países, incluindo a China, compreensivelmente tomem várias medidas para proteger a sua própria segurança nacional, o facto de os EUA ampliarem excessivamente o conceito de “segurança nacional” pode ser a causa raiz de diferenças profundas, disseram especialistas chineses. As autoridades chinesas também criticaram repetidamente os EUA por utilizarem um conceito exagerado de segurança nacional para reprimir a China. 

“Se o conceito de 'segurança nacional' referido pelos EUA é razoável, concordamos com ele e há muito espaço para cooperação bilateral; no entanto, se os EUA considerarem que a indústria de chips da China, a soberania e os direitos no Mar da China Meridional têm impacto na 'segurança nacional' dos EUA, então teremos uma grande disputa”, disse Gao. 

Li Yong, pesquisador sênior da Associação Chinesa de Comércio Internacional, também disse ao Global Times na segunda-feira que Raimondo precisa oferecer “uma interpretação mais clara e inovadora de 'concorrência saudável'”, de modo a enviar uma mensagem mais sincera de cooperação . 

Benefícios para os EUA

Os EUA e o mundo precisam de cooperação em vez de dissociação entre as duas maiores economias do mundo, especialmente num contexto de crescente pressão descendente, afirmam os especialistas. 

A intensificação dos esforços das autoridades dos EUA para estabilizar os laços económicos e comerciais com a China ocorre num momento em que a economia dos EUA enfrenta uma série de desafios, incluindo uma inflação persistentemente elevada e riscos recessivos persistentes. Recentemente, os responsáveis ​​da Fed dos EUA alertaram para riscos “significativos” para a inflação, o que potencialmente requer mais subidas das taxas, o que por sua vez mede uma maior pressão não apenas sobre a economia dos EUA, mas também sobre a economia global como um todo.

Tian Yun, um economista baseado em Pequim, disse que embora os EUA ainda procurem conter a China, as autoridades norte-americanas também estão plenamente conscientes de que precisam da China para ajudar a impulsionar a economia interna dos EUA, o que é crucial para as autoridades norte-americanas antes das eleições do próximo ano. . “Eles precisam de melhores números económicos e, para isso, precisam de estabilizar os laços com a China, em termos de economia e comércio”, disse Tian ao Global Times, ao mesmo tempo que observou que a economia chinesa, embora enfrente desafios, é resiliente e um parceiro insubstituível. para os EUA.

Alguns meios de comunicação estrangeiros têm divulgado perspectivas sombrias para a economia chinesa no meio de alguns desafios, mas os decisores políticos chineses agiram rapidamente para enfrentar vários desafios em áreas como a economia privada, o consumo e o mercado de capitais para impulsionar o crescimento, que deverá ser o mais rápido entre as principais economias. De acordo com o FMI, a economia da China deverá crescer 5,2% em 2023, enquanto o PIB dos EUA deverá crescer 1,8% este ano. 

Raimondo destacou ainda na segunda-feira a importância da relação económica bilateral, que considerou “uma das mais significativas do mundo”. “Compartilhamos mais de US$ 700 bilhões em comércio”, disse ela, segundo a CNN.

A cooperação entre a China e os EUA, que deverá contribuir para mais de 50 por cento do crescimento global, também é uma excelente notícia para a economia global no meio da actual recessão, disseram os especialistas.

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A inteligência artificial e os impactos no mundo do trabalho

Leia: A Inteligência Artificial pode ter uso no futebol? 

31 agosto 2023

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Crescentemente desmascarada, a ultradireita alimentada pela chamada guerra cultural se sente mais confortável como vítima do que obrigada a apresentar propostas concretas para solucionar problemas reais. É uma espécie de vazio barulhento e odioso.

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