A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
26 agosto 2016
Entre a farsa e a democracia
A
que tradição se filiará o Senado da República? O Senado tomará uma
decisão de grande importância nos próximos dias. Decidirá se Dilma Rousseff
reassumirá o mandato para o qual foi eleita ou será afastada em definitivo. Leia
artigo de Haroldo Lima, no Vermelho http://migre.me/uLNob
Extorsão
A taxa de juros do cheque especial continuou a subir em
julho. De acordo com dados do Banco Central (BC), divulgados nesta quinta-feira
(25), a taxa do cheque especial subiu 2,7 pontos percentuais, de junho para
julho, quando chegou a 318,4% ao ano, chegando a novo recorde na série
histórica do BC, iniciada em julho de 1994. Leia mais http://migre.me/uLN7D
Golpe "natural"?
No dia em que o Senado deu início ao julgamento do
processo de impeachment contra a presidenta eleita Dilma Rousseff, o presidente
que ocupa interinamente o governo, Michel Temer (PMDB), afirmou nesta
quinta-feira (25) que, na opinião dele, o impeachment é uma coisa “natural da
democracia”. Juristas contestam. Leia mais http://migre.me/uLMNo
25 agosto 2016
Fio da História
24 de agosto
Eduardo Bomfim, no portal Vermelho
No dia 24 de
Agosto de 1954 o presidente Getúlio Vargas cometia suicídio em resposta à
terrível onda reacionária que se abatia contra o seu governo.
Decorreu imensa revolta da população que foi às ruas em ondas de
protestos incontidos nas cidades do País, especialmente no Rio de Janeiro,
acuando a reação e a grande mídia, sustando um golpe urdido por figuras
políticas do udenismo de então, cujo expoente era o governador da Guanabara,
hoje Estado do Rio de Janeiro, Carlos Lacerda.
Lacerda foi o agitador central contra Getúlio com o chamado “mar de
lama” em que teria se transformado o governo, tática usada porque não conseguia
o respaldo popular nas urnas para ganhar as eleições presidenciais e nos
principais Estados da federação.
Arquitetou-se uma campanha golpista diária, apoiada pela grande mídia,
para depor Getúlio Vargas, sob o pretexto do resgate da moralidade por notórios
corruptos abertamente financiados, inclusive por grupos internacionais.
Mas na verdade o xis da questão era a política em defesa dos interesses
nacionais e dos trabalhadores tais como a Consolidação das Leis do Trabalho,
pesados investimentos nas indústrias de base estratégicas, a exemplo da
Siderúrgica de Volta Redonda, Vale do Rio Doce na mineração, a Petrobrás,
política nacional de saúde e educação públicas, o BNDES, Eletrobrás, salário
mínimo, voto feminino, inúmeros projetos em infraestrutura etc.
Contra tais medidas insurgiram-se poderosas forças opostas à soberania
do País, aos direitos dos trabalhadores. Mino Carta editor da revista Carta
Capital afirmou que de lá para cá tivemos presidentes ruins, razoáveis ou
excelentes, mas um único estadista, Vargas.
FHC disse que uma das suas metas era enterrar o legado de Getúlio. Em
vão. Outros tentaram contornar o que foi de positivo, estratégico ao contínuo
histórico da nação em sua gestão.
Hoje frente ao golpe em curso contra Dilma Rousseff há lições Históricas
a serem extraídas. A democracia no Brasil jamais será consolidada com a
primazia do capital financeiro, do oligopólio midiático diante dos interesses
do País.
A outra constatação é que cabe às forças democráticas, patrióticas a
constituição, via política concreta, de um projeto de desenvolvimento
estratégico que retome os rumos do País. Sem o qual ele ficará à deriva,
desnorteado.
Leia mais sobre temas da
atualidade:http://migre.me/kMGFD
24 agosto 2016
A comunicação nossa de cada dia
A internet entre a virtude e a culpa e as eleições
Luciano
Siqueira, no Blog de Jamildo/portal ne10, no portal Vermelho e no Blog do Renato
Outro
dia ouvi Carlos Heitor Cony comentar uma crônica de Machado de Assis a
propósito de um acidente fatal com um bonde elétrico recém-implantado no Rio de
Janeiro.
Machado
se queixava dos riscos do novo meio de transporte, sugerindo ser preferível o
bonde puxado a cavalos, que pelo menos não ameaçava os usuários com eventuais
choques elétricos.
“A
Humanidade avança às cegas”, arrematava Cony, afirmando que o progresso
inevitavelmente vem com virtudes e defeitos.
O
grande Machado se mostrava resistente ao progresso. Cony talvez exagere em sua
assertiva. Mas a verdade é que nada que o homem crie sob esse céu de Nosso
Senhor é perfeito, cem por cento bom, zero em riscos e agravos.
Nem
por isso vamos deixar de fazer bom uso do produto do progresso da ciência e da
tecnologia.
Caso
da internet. Explodem revoltas no Oriente Médio: tome elogios às redes sociais,
alçadas à condição de arma poderosa e decisiva na mobilização de vontades, como
se base objetiva e contradições sociais e políticas reais não estivessem na
raiz da insurgência.
Psicopatas
invadem escolas, cinemas ou supermercados e atiram a esmo matando e ferindo
dezenas de inocentes: tome maldição à internet, agora acusada de grande vilã,
pois os assassinos deixam registros em seus computadores dando conta de que
frequentavam comunidades malignas e que tais.
Nem
uma coisa, nem outra: a internet nem é a solução para todos os nossos
problemas, sequer o da comunicação entre as pessoas; nem a raiz dos males
sociais que nos afligem.
É
apenas – apesar de sua extraordinária dimensão e imensurável rapidez – uma
ferramenta que, como todas as ferramentas construídas pelo homem, desde os
primórdios da Humanidade – pode ter bom ou mau uso.
Foi
assim com o tacape, a flecha, a pólvora, a energia atômica e com tudo mais que
se possa contabilizar aqui como descobertas ou invenções marcantes.
Também
não cabe “culpar” a internet pelo baixo índice relativo de leitura de livros
entre as novas gerações.
Biblioteca
que não esteja informatizada, hoje, leva uma enorme desvantagem. Assim como
internauta que não se sinta estimulado a ler livros é porque naturalmente já
não tinha essa predisposição.
É
próprio do ser humano abstrair a realidade, seja para melhor compreendê-la,
seja para dela fugir (em certos casos). O livro sempre foi e será instrumento
dessa abstração.
Do
mesmo modo, quando o interesse do internauta é o conhecimento mais
circunstanciado sobre algum tema, na internet ele encontra artigos, teses,
estudos vários e até livros em pdf que logo tratará de “baixar” e imprimir para
a leitura atenta e a consulta.
Não
sou nenhum fanático da web, dela faço uso por dever de ofício e por prazer –
moderadamente, de acordo com a necessidade.
Agora
mesmo não teria a menor chance de me comunicar com vocês, meus talvez poucos e
generosos leitores, se não existisse esse fantástico canal de expressão que
tanto bem nos faz, não é mesmo?
E
na atual campanha eleitoral, sob enormes restrições financeiras – com todo
respeito ao finado Machado de Assis -, ai de nós se não pudéssemos dialogar com
militantes, amigos e eleitores através do WhatsApp, do Facebook, do Instagram e
do hoje um tanto desprestigiado e-mail!
Mesmo
correndo o risco de desaforos, agressões e rudimentares manifestações de
intolerância e sectarismo.
Assim
caminha a Humanidade.
23 agosto 2016
Investigações manipuladas
Xadrez de Toffoli e o fruto da árvore envenenada
Peça
1 – o teor explosivo das delações
Peça
2 – os truques para suspender investigações.
Peça 3 – a fábrica de dossiês
Peça
4 – a denúncia contra Toffoli.
Peça
5 – a posição do STF e do PGR
Luis Nassif, no Jornal
GGN
Entramos em um
dos mais interessantes quebra-cabeças da Lava Jato: a operação fruto da árvore
envenenada, possivelmente montada para livrar Aécio Neves e José Serra das
delações da OAS. Trata-se do vazamento parcial da delação do presidente da OAS
Léo Pinheiro, implicando o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
Peça
1 – o teor explosivo das delações
Já circularam
informações de que as delações da OAS serão fulminantes contra José Serra e
Aécio Neves. Até um blog estreitamente ligado a Serra – e aos operadores da
Lava Jato – noticiou o fato.
Em muitas
operações bombásticas, pré-Lava Jato, os acusados valiam-se do chamado “fruto
da árvore envenenada” para anular inquéritos e processos. A Justiça considera
que se o inquérito contiver uma peça qualquer, fruto de uma ação ilegal, todo o
processo será anulado. Foi assim com a Castelo de Areia. E foi assim com a
Satiagraha.
Na Castelo de
Areia, foi uma suposta delação anônima. Na Satiagraha, o fato dos
investigadores terem pedido autorização para invadir um andar do Opportunity e
terem estendido as investigações a outro.
Peça
2 – os truques para suspender investigações.
Vamos a um
arsenal de factoides criados para gerar fatos políticos ou interromper
investigações:
Grampo sem
áudio – em plena
operação Satiagraha, aparece um grampo de conversa entre Gilmar Mendes,
Ministro do Supremo, e Demóstenes Torres, senador do DEM. Era um grampo às
avessas, no qual o conteúdo gravado era a favor dos grampeados. Jamais se
comprovou a autoria do grampo. Mesmo assim, com o alarido criado Gilmar
conseguiu o afastamento de Paulo Lacerda, diretor da ABIN (Agência Brasileira
de inteligência). Veículo que abrigou o factoide: revista Veja.
O falso grampo
no STF – Recuperada a
ofensiva, matéria bombástica denunciando um sistema de escutas no STF. Era um
relatório da segurança do STF, na época presidido por Gilmar Mendes. Com o
alarido, cria-se uma CPI do Grampo, destinada a acuar ainda mais a Polícia
Federal e a ABIN. Revelado o conteúdo do relatório, percebeu-se tratar de mais
um factoide. Veículo que divulgou o falso positivo: revista Veja.
O falso pedido
de Lula – em pleno
carnaval da AP 470, Gilmar cria uma versão de um encontro com Lula, na qual o
ex-presidente teria intercedido pelos réus do mensalão. O alarido em torno da
falsa denúncia sensibiliza o Ministro Celso de Mello, o decano do STF, e é
fatal para consolidar a posição dos Ministros pró-condenação. Depois, a única
testemunha do encontro, ex-Ministro Nelson Jobim, nega veementemente a versão de
Gilmar. Veículo que disseminou a versão: revista Veja.
O caso Lunnus – o grampo
colocado no escritório político de Roseane Sarney, que inviabilizou sua
candidatura à presidência. Caso mais antigo, na época ainda não havia sinais da
aproximação de Serra com a Veja.
O suborno de
R$ 3 mil – o caso dos
Correios, um suborno de R$ 3 mil que ajudou a deflagrar o “mensalão”. Veículo
que divulgou: Veja. Fonte:
Carlinhos Cachoeira, conforme apurado na CPI dos Correios.
Peça 3 – a fábrica de dossiês
Com base
nesses episódios, procurei mapear os pontos em comum entre os mais célebres
dossiês divulgados pela mídia.
Confira:
Fato 1 – na Saúde,
através da FUNASA o então Ministro José Serra contrata a FENCE, empresa
especializada em grampo, o delegado da Polícia Federal Marcelo Itagiba e o
procurador da República José Roberto Figueiredo Santoro.
Fato 2 – em fato
divulgado inclusive pelo Jornal Nacional, Santoro tenta cooptar Carlinhos
Cachoeira, logo após o episódio Valdomiro Diniz.
Fato 3 – Cachoeira
tem dois homens-chave. Um deles, o araponga Jairo Martins, seu principal
assessor para casos de arapongagem. O segundo, o ex-senador Demóstenes Torres,
seu principal agente para o jogo político. Ambos têm estreita ligação com o
Ministro Gilmar Mendes: Demóstenes na condição de amigo, Jairo na condição de
assessor especialmente contratado por Gilmar para assessorá-lo.
Fato 4 – todos os
principais personagens do organograma – Serra, Gilmar, Cachoeira, Demóstenes e
Jairo – mantiveram estreita relação com a Veja, como
fontes, como personagens de armações ou como fornecedores de dossiês.
Não se tratava
de meros dossiês para disputas comerciais, mas episódios que mexeram
diretamente com a República. O organograma acima não é prova cabal da
existência de uma organização especializada em dossiês para a imprensa. São
apenas indícios.
Peça
4 – a denúncia contra Toffoli.
Alguns fatos
chamam a atenção na edição da Veja.
Fato 1 – já era
conhecido o impacto das delações de Léo Pinheiro sobre Serra e Aécio (http://migre.me/uJKsj). Tendo acesso à
delação mais aguardada do momento, a revista abre mão de denúncias explosivas
contra Serra e Aécio por uma anódina, contra Toffoli.
Fato 2 – a matéria de
Veja se autodestrói em 30 segundos. Além de não revelar nenhum fato criminoso
de Toffoli, a própria revista o absolve ao admitir que os fatos narrados nada
significam. Na mesma edição há uma crítica inédita ao chanceler José Serra,
pelo episódio da tentativa de compra do voto do Uruguai. É conhecida a aliança
histórica de Veja com Serra. A
reportagem em questão poderia ser um sinal de independência adquirida. Ou
poderia ser despiste.
Peça
5 – a posição do STF e do PGR
Um dos pontos
defendidos de maneira mais acerba pelo Ministério Público Federal, no tal
decálogo contra a corrupção, é a relativização do chamado fruto da árvore
envenenada. Querem – acertadamente – que episódios irregulares menores não
comprometam as investigações como um todo.
Se a intenção
dos vazadores foi comprometer a delação, agiram com maestria.
Sem
comprometer Toffoli, o vazamento estimula o sentimento de corpo do Supremo,
pela injustiça cometida contra um dos seus. Ao mesmo tempo, infunde temor nos
Ministros, já que qualquer um poderia ser alvo de baixaria similar.
Tome-se o caso
Gilmar Mendes. Do Supremo para fora até agora, não houve nenhum pronunciamento
público do Ministro, especializado em explosões de indignação quando um dos
seus é atingido. E do Supremo para dentro? Estaria exigindo providências
drásticas contra o vazamento, anulação da delação? Vamos aguardar os fatos
acontecerem. Mas certamente, Gilmar ganha um enorme poder de fogo para fazer
valer suas teses que têm impedido o avanço das investigações contra Aécio
Neves.
A incógnita é
o PGR Rodrigo Janot. Até agora fez vistas largas para todos os vazamentos da
operação mais vazada da história. E agora?
Se ele insiste
na anulação da delação, a Hipótese 1 é que está aliado a Gilmar na obstrução
das investigações contra Aécio e Serra. A Hipótese 2 é que está intimidado,
depois do tiro de festim no pedido das prisões de Renan, Sarney e Jucá. A
Hipótese 3 é que estaria seguindo a lei. Mas esta hipótese é anulada pelo fato
de até agora não ter sido tomada nenhuma providência contra o oceano de
vazamentos da Lava Jato.
De qualquer
modo, trata-se de um ponto de não retorno, que ou consagra a PGR e o Ministério
Público Federal, ou o desmoraliza definitivamente.
Afinal, quem
toca a Lava Jato é uma força tarefa que, nas eleições presidenciais, fez
campanha entusiasmada em favor do candidato Aécio Neves. Bastaria um delegado
ligado a Serra e Aécio vazar uma informação anódina contra um Ministro do STF
para anular uma delação decisiva. Desde que o PGR aceitasse o jogo, obviamente.
Será curioso
apreciar a pregação dos apóstolos das dez medidas, se se consumar a anulação da
delação.
PS1 - A
alegação dos procuradores, de que o vazamento teria partido dos advogados de
Léo Pinheiro, visando forçar a aceitação da delação não têm o menor sentido.
Para a delação ser aceita, os advogados adotariam uma medida que, na práitca,
anula a delação? Contem outra.
PS 2 - N
semana passada o procurador Carlos Fernando dos Santos lima já mostrava
deconforto com a delação da OAS, ao afirmar que a Lava Jato só aceitaria uma
delação a mais de empreiteiras. Não fazia sentido. A delação depende do
conteúdo a ser oferecido. O próprio juiz Sérgio Moro ordenou a suspensão do
processo, sabe-se lá por que. E nem havia ainda o álibi do vazamento
irrelevante.
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