Forças populares e empresariais articulam o “Fora, Bolsonaro”. Manifestações de esquerda e de direita contra o governo abrem espaço para a formação de uma “frente ampla” em defesa do impeachment do presidente. Leia aqui https://bit.ly/2NC9PXj
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
27 janeiro 2021
Quem pode ajudar?
Um apelo à (minha) eficiência
Luciano
Siqueira
Postei no Instagram www.instagram.com/lucianosiqueira65 uma fala curta, em vídeo, pedindo sugestão acerca do bom uso do tempo no trabalho em home office.
Não é brincadeira. Preciso de ajuda mesmo.
E encaro o desafio com tranquilidade, mas alguma impaciência.
Estou numa fase de adaptação, diferente do período de rigoroso
isolamento social, iniciado em março do ano passado.
Foram mais de seis meses de confinamento – e também de
trabalho intenso. Mas eu tinha uma equipe na retaguarda, que me assessorava na
Prefeitura com muita eficiência.
Agora, inicialmente tenho que me virar quase sozinho.
Já não se trata de rigoroso isolamento, embora estejamos
todos ameaçados disso em razão do repique da pandemia.
Trata-se de encarar uma nova agenda, com responsabilidades
políticas – a essência do meu trabalho – em níveis nacional, estadual e local.
Confesso que me atrapalho mesmo. A variável tempo, essencial
em qualquer empreitada humana, ainda não a domino bem nessas novas
circunstâncias.
Olho a agenda que meu neto, Miguel, mantém atualizada, me
ajudando à distância. Até que não tem sido tão pesada, mas exige horas de
leitura, reflexão, anotações...
O fato inquestionável (pelo menos em minha consciência) é que
ainda não estou bem. Ao final do dia, ou da noite, sou tomado da sensação de que me
faltou a objetividade desejada.
Questão de disciplina, creio.
E da boa gestão dos “núcleos temáticos” de preocupações e
tarefas: atividades físicas, leitura, postagens nas redes sociais e no meu blog
(um misto de dever e de hobby), reuniões à distância, diálogo no WhatsApp...
A cada tema o tempo devido, equilibradamente.
De toda sorte, amigos e amigas que me seguem no Instagram
certamente me oferecerão dicas que talvez me ajudem.
Aguardo.
Veja: Trabalho, renda e vacina são destaques na
resistência imediata https://bit.ly/35deEMX
26 janeiro 2021
Perdido
Se alguém encontrar um cidadão vagando pelas ruas de Manaus, perdido, sem saber o que fazer, não estranhe: provavelmente será o general Pazuello, suposto ministro da Saúde.
Tarcísio, presente!
Muita tristeza pelo falecimento do amigo Tarcísio Pereira — fundador da livraria Livro7, baluarte de nossa cultura.
Pessimismo
Empresários veem crise política minar chances de retomada do crescimento
Valor Econômico
Os tropeços do governo federal na condução da campanha de vacinação para combater a covid-19 colocam em risco a retomada do crescimento do país. É crescente a insatisfação de empresários e do mercado financeiro, inclusive entre industriais e o alto escalão da Faria Lima que apoiavam declaradamente até há pouco tempo o governo de Jair Bolsonaro. Porém, mesmo com as recentes pesquisas indicando queda de popularidade do presidente, ainda há a percepção no setor privado de que não há força para o impeachment. A indicação de que o governo poderá criar um novo auxílio emergencial é criticada por parte dos empresários, que veem na medida um sinal de que Bolsonaro deverá enterrar as chances de colocar as agendas de reformas econômicas na pauta de votação e adotará de vez um viés populista. “Se o governo voltar a conceder auxílio e não sinalizar nada de reformas, não há possibilidade de volta dos investimentos no país”, diz um empresário de infraestrutura e energia. Para ele, o presidente conduziu mal a questão sanitária, com negacionismo, e insiste em manter o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, no cargo.
Para outro industrial, que tem negócios dentro e fora do país, a crise política e as incertezas econômicas deverão retrair os investimentos de empresas no mercado local, uma vez que o ambiente de negócios é desfavorável e o custo Brasil é alto por conta da emaranhada estrutura tributária. Empresários e executivos também não poupam críticas ao ministro da Economia, Paulo Guedes. “Ele é brilhante, mas não conseguiu implementar a agenda econômica. Preferiu comprar uma briga com o Rodrigo Maia [atual presidente da Câmara dos Deputados]”, diz um alto executivo da Faria Lima, que até há poucos meses participava de “lives” com o ministro. “Não é o momento de se discutir auxílio emergencial”, acrescenta. Para outra fonte, o ministro Paulo Guedes “virou um zumbi no governo”, mas há um risco pior, caso ele saia, e Bolsonaro opte por um nome que reforce o viés populista. A insatisfação com o governo é crescente nos bancos. As queixas vão da “incompetência” demonstrada na gestão das vacinas - nas palavras de um banqueiro - à falta de medidas concretas para que o país volte a crescer de forma sustentável e com equilíbrio fiscal. Para um dos executivos mais importantes do setor bancário, a economia vinha se recuperando surpreendentemente bem, com grande impulso do crédito, mas agora as incertezas voltaram e o país está “flertando com a criticidade” diante da segunda onda da pandemia e da possível retomada do auxílio fiscal sem a realização das reformas. “O país não tem nem Orçamento aprovado”, lembra.
Na visão desse interlocutor, a combinação de uma segunda onda da covid-19 com o surgimento de variantes do coronavírus e a desorganização no processo de vacinação forma um caldo preocupante no âmbito político. “Tem uma tragédia nas ruas. A gente começa a se preocupar com a possibilidade de se instaurar um caos social no país.” Essa fonte questiona em que medida e com qual velocidade essa situação poderá implodir o capital político de Jair Bolsonaro. Apesar disso, o executivo considera remotas as chances de um impeachment - aponta risco de 3 ou 4 numa escala de zero a 10 -, já que ainda não se vê um clamor popular nesse sentido e os novos líderes do Congresso dificilmente com essa pauta. Ele diz também que o afastamento de Bolsonaro não é seu cenário preferido pelo desgaste que um processo desse tipo gera. “Infelizmente, incompetência não é suficiente para o pedido de impeachment”, diz um banqueiro. Outro executivo do mercado financeiro afirma temer que o presidente se torne cada vez mais refém do Centrão. Essa fonte diz estar muito pessimista com as perspectivas para o primeiro semestre, com um começo de ano mais fraco que o normal para os negócios, inflação em alta, possibilidade de subida das taxas de juros, dificuldades na vacinação e crise política.
As eleições para as presidências da Câmara e do
Senado são, neste momento, foco de total atenção dos bancos. Uma das fontes
ouvidas pelo Valor deposita nas novas lideranças do Legislativo grande parte
das expectativas de uma melhora no clima. Segundo ele, sem um aceno conciliador
na política, o país não vai se reorganizar tão cedo. Há uma preferência mais
clara do setor por Rodrigo Pacheco (DEM-MG), candidato à presidência do Senado,
também apoiado por Bolsonaro. Em relação ao processo na Câmara, os bancos têm
sentimentos mistos, a despeito das investidas de Arthur Lira (PP-AL) no mercado
financeiro. Uma fonte do setor vê tanto em Lira quanto no Baleia Rossi (MDB-SP)
a capacidade de ajudar a apaziguar os ânimos. “Um por ser apoiado pelo governo
e outro por ser conciliador, o saldo é que ambos conseguiriam fomentar um
ambiente de concertação”, diz. Para outro executivo de banco, entretanto, o
dólar pode ir a R$ 6 e a bolsa cair “uns 20 mil pontos” se Lira vencer, pois
afetaria a confiança no país. Ele também critica o fato de Pacheco acenar com a
volta do auxílio emergencial e a derrubada do teto de gastos. No sábado, Baleia
Rossi (PSDB-SP) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) reuniram-se em um hotel com 15
executivos e gestores para ouvi-los falar sobre compromisso com as reformas,
caso ganhe, em evento da XP. Baleia tem dito que vai colocar pautas em votação e
não tem compromisso com a esquerda. Entre empresários e mercado financeiro, há
também receio sobre a corrida eleitoral. Boa parte vê Bolsonaro forte para
2022, sobretudo se houver uma polarização entre direita e esquerda. Para um
empresário da indústria, contudo, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB)
poderia ser um forte candidato, se conseguir se aliar a um nome de
centro-esquerda.
Veja: Trabalho, renda e vacina são destaques na resistência imediata https://bit.ly/35deEMX
Unir para vencer
Impeachment: unir forças contra Bolsonaro
Portal Vermelho
Desde que tomou posse como presidente da República, em janeiro de 2019, Jair Bolsonaro acumulou, até hoje, 61 pedidos de impeachment. São 2.4 pedidos por mês, apresentados à Câmara dos Deputados – número que se acelerou visivelmente desde o início da pandemia, em março de 2020 – de lá pra cá são 54 pedidos, ou quase 5 por mês.
Há pedidos para todos os gostos, da esquerda à direita – incluindo partidos como o PCdoB, PT, PDT, e o direitista Novo. Na avaliação popular, diz a última pesquisa Exame/Ideia, sua aprovação despencou de 37% a 26%. Já o Datafolha indica que a reprovação do saltou de 32% para 40%. Sendo a maior queda de aprovação de Bolsonaro desde que ele assumiu a presidência da República Os números indicam que uma grande quantidade de eleitores que, iludidos com o discurso de uma política nova, deram a ele a vitória em 2018 se sentem traídos e agora lhe dão as costas.
As acusações de crime de responsabilidade praticados por Bolsonaro se multiplicam. Eles ficaram evidentes em seu comportamento ante a grave pandemia que o Brasil e os brasileiros já enfrentaram. Contra todas as evidências médicas, científicas e sanitárias, Bolsonaro negou a gravidade da crise, chamando-a de “gripezinha”. Não aceitou as medidas de isolamento social necessárias à profilaxia do mal; incentivou a aglomeração de pessoas, colocando-as todas em risco de contágio; insistiu na recomendação de tratamentos comprovadamente inócuos contra a Covid-19, como a propaganda insistente que, não sendo médico, faz da cloroquina, afrontando a recomendação de médicos e cientistas; despreza a ciência e aposta em crendices pessoais.
A consequência mais imediata desses crimes contra os brasileiros, cometidos pelo chefe da Nação, são os mais de 210 mil mortos e quase 9 milhões de infectados. A situação chegou ao ápice com o colapso em Manaus, onde pacientes morrem asfixiados pela falta de oxigênio nos hospitais – algo que um planejamento centralizado de combate à pandemia, de responsabilidade do presidente da República, teria a obrigação de prever – desleixo que também aparece com clareza na confusão armada, devido a falhas de planejamento do governo federal, em torno das necessárias vacinas que os brasileiros precisam.
Vários juristas de renome pensam que, ao descumprir suas obrigações constitucionais e cometer crimes de responsabilidade previstos na Lei Maior ou na Lei 1.079/1950, o governo de Jair Bolsonaro é em si mesmo um risco à ordem social, à saúde pública e à economia do país. É, como dizia o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, um “governo de ocupação”, que despreza o povo e o país.
Tamanha falta de responsabilidade e de cuidado com o povo,
que despreza, tornam urgente o impeachment de um presidente que, como
Bolsonaro, já deu todas as demonstrações de não estar à altura das exigências
de seu cargo. A repulsa a Bolsonaro já estrapola os segmentos que já faziam
oposição, partidos e entidades do movimento popular. Ganha corpo entre setores
mais amplos e até mesmo veículos de comunicação cobram o afastamento do
presidente incompetente e irresponsável. manifestações, panelaços, movimentos
nas redes sociais e agora carretadas se espalham pelo país, demonstrando um
sensível mudança no quadro político. A hora é de agregar mais forças, com a
amplitude e radicalidade necessárias a dar um basta a esse governo genocida,
inimigo dos brasileiros e do Brasil.