Mais do que briga familiar
Luciano
Siqueira
instagram.com/lucianosiqueira65
PL e PP, com o PSD à espreita, se assanham na busca de uma solução eleitoral viável para enfrentar o presidente Lula nas urnas.
Não está fácil: o ex-presidente Jair, de dentro da prisão, empurrou o
filho senador Flávio; o PL formalmente aceita, mas não joga todas as fichas
nele; o PP preferia Tarcísio de Freitas, mas agora tem dúvidas diante da indecisão
crônica do governador paulista. E o PSD, cujo objetivo principal, publicamente
anunciado, é aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado, acompanha tudo sem se
comprometer.
No clã Bolsonaro as coisas não estão bem acertadas, conforme o
noticiário da grande mídia. O filho senador é do PL, assim como a esposa do
ex-presidente, Michelle, que parece mais inclinada a outra solução.
É o que vem à tona.
No fundo, não se trata simplesmente de briga familiar. A verdade é que
mais do que desavenças em torno de nomes, a direita e o centro-direita carecem
de propostas. Não são partidos programáticos propriamente, são legendas que
abrigam parlamentares, governadores e pretendentes a novos cargos sem
eira nem beira, movidos fundamentalmente por interesses utilitaristas pessoais e de pequenos
grupos. No máximo dão oportunista sustentação política ao ideário da tríade da elite
dominante – o capital financeiro, o agro exportador e monopólios do grande varejo.
Até quando? Não se sabe ao certo porque falta um líder que ponha ordem
na disputa.
Indiretamente, o impasse favorece a frente ampla que governa sob a
liderança de Lula, que converge em torno do programa possível e ainda se faz
apta a agregar mais forças e assim consolidar a vantagem eleitoral.
Correndo por fora, como se costuma dizer, a hipótese de uma delação
premiada de Daniel Vorcaro, pivô da debacle do Banco Master, pode tirar o sono
de gente graúda aninhada em legendas direitistas.
[Ilustração baseada em caricaturas de Mário Adolfo, Aroeira, Kléber Sales e Ton RS]

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