diáspora
Cida
Pedrosa
abro os
olhos
e a quarta-feira é cinza
as taras da noite me perseguem
neste quarto de hotel
é bom acordar sem deus
descer a rua
e ver o mesmo flanelinha no ofício
diáspora
palavra que me segue
sem pedir perdão
sou retalho carne dilacerada
fragmento escuridão
abro as pernas no sinal
os carros passam
e o vento leva pó para o meu rosto
a noite chega
a quarta-feira é cinza
e faz tanto tempo que me perdi de mim
[Ilustração: Ben Fenske]
Leia também: "Canção de agora", poema de Lila Ripoll https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/palavra-de-poeta_27.html
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