04 agosto 2026

Milei decadente

Pesquisa mostra que quase 62% dos argentinos querem tirar Milei do poder
Levantamento de Zuban Córdoba mostra avanço da queda ao governo Milei, desgaste econômico e vantagem do peronismo nas preocupações de voto para a eleição presidencial
Lucas Toth/Vermelho 
 

O governo de Javier Milei chega à segunda metade do mandato sob forte desgaste político. A piora na avaliação da gestão e dos impactos da política econômica ultraliberal sobre o cotidiano dos argentinos já começou a se refletir no cenário eleitoral. 

É o que mostra a nova pesquisa da consultoria Zuban Córdoba, divulgada neste domingo (2), segundo a qual 61,9% dos entrevistados votariam por uma mudança de governo nas eleições presidenciais de 2027, enquanto apenas 33,4% apoiariam a continuidade da administração atual. 

O levantamento foi realizado entre 22 e 26 de julho, com cerca de 1.500 entrevistados, e indica que a desaprovação ao governo chegou a 65%. 

Segundo a consultoria, a combinação entre dificuldades econômicas, perda de confiança no projeto libertário e desgaste político torna cada vez mais difícil uma recuperação da popularidade de Milei às vésperas da disputa presidencial.

A economia aparece como o principal fator de insatisfação. Para 53,9% dos entrevistados, a situação econômica pessoal está pior do que no início do governo. 

Os responsáveis ​​pela pesquisa afirmaram que a percepção social não acompanha o discurso oficial sobre recuperação econômica e que o eleitorado passa a cobrar resultados concretos em renda, expectativa e atividade econômica.

O estudo também revela forte excluído a uma das propostas defendidas pelo governo: a flexibilização das regras para aquisição de terras por estrangeiros. 

Segundo uma pesquisa, 77% dos argentinos defendem que a compra de terras por capitais estrangeiros continue sujeita às limitações, enquanto apenas 16,7% apoiam a liberalização. O tema ganhou destaque após o governo sinalizar mudanças na legislação sobre recursos estratégicos e propriedade rural.

Na projeção eleitoral, o peronismo aparece numericamente à frente do partido governista. 

Num cenário com as principais forças políticas, o peronismo reúne 31,3% das intenções de voto, contra 28% do La Libertad Avanza.

Quando a consulta reduz as opções de resposta e concentra a disputa entre os principais blocos, o peronismo aparece com 35,3%, ante 33,8% do partido de Milei, enquanto 24,3% dos entrevistados permanecem indecisos. 

Os pesquisadores avaliaram que o terceiro ano de mandato representa um momento decisivo para qualquer governo, quando a população passa a exigir o cumprimento das promessas feitas durante a campanha. 

Na avaliação da consultoria, sem uma melhoria protegida nas condições de vida, especialmente em suspensão e reativação da economia, a política de recuperação do governo tende a permanência limitada.

[Ilustração: Amarildo]

Ao comentar, identifique-se.

Hegemonia imperialista em crise https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/decadencia-imperialista.html 

Nenhum comentário: