02 novembro 2017

Humor de resistência

Charge de TACHO

Poesia sempre

Maria Catalina Albertonov
Sem despedidas suas
Vinicius de Moraes

Tomara
Que você volte depressa
Que você não se despeça
Nunca mais do meu carinho
E chore, se arrependa
E pense muito
Que é melhor se sofrer junto
Que viver feliz sozinho

Tomara
Que a tristeza te convença
Que a saudade não compensa
E que a ausência não dá paz
E o verdadeiro amor de quem se ama
Tece a mesma antiga trama
Que não se desfaz

E a coisa mais divina
Que há no mundo
É viver cada segundo
Como nunca mais...

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Práxis necessária

Trincheira de luta que se impõe
Luciano Siqueira, no portal Vermelho e no Blog do Renato

Vem de Engels a consideração de que o embate de ideias configura um terreno específico da luta de classes, articulado e em paralelo às demais frentes de luta, social e política que se desenrolam cotidianamente.

Tudo a ver com o peso decisivo da consciência avançada no esforço de deslindar os complexos problemas que dão conteúdo aos conflitos, especialmente em situações críticas na sociedade.

Ou seja, sem referências teóricas seguras e sem uma verdadeira práxis o movimento transformador dificilmente ultrapassa os limites do imediato, não alcança patamares superiores, esbarra em obstáculos interpostos pela classe dominante.

Vimos isso no transcorrer dos treze anos de governos Lula-Dilma, que a par de propiciarem conquistas políticas e sociais relevantes, parte delas sem precedentes em nosso país, soçobraram na engrenagem estatal, que se manteve intacta.

A força hegemônica nesse período patinou justamente por carência de descortino teórico e político estratégico.

Agora, mais do que antes, impõe-se a luta no terreno das ideias. Enfrentá-la em sua real dimensão é desafio da militância consequente.

À sua época, não foi sem razão que Lênin, em bilhete a uma irmã a quem confiara a missão de encaminhar à gráfica os originais de sua magistral obra teórica 'Materialismo e empiriocriticismo', a advertiu ser aquela naquele exato momento “a tarefa ‘prática’ mais urgente” da revolução Russa.

Também na mesma linha, quando da débâcle da URSS e dos regimes do Leste da Europa, e da evidência de uma crise da própria teoria revolucionária, João Amazonas proclamou em artigo na Revista 'Princípios' que "defender e desenvolver a teoria marxista se impunha como tarefa central”.

Óbvio que não se trata de arrefecer o ânimo e a iniciativa na resistência que ora se desenvolve em relação ao ilegítimo governo Temer e à sua agenda antinacional e regressiva de direitos. Trata-se sim, de maneira irrecusável, respaldar essa resistência com a compreensão mais profunda do que ocorre no país agora e elucidar a perspectiva estratégica em seu desdobramento.

Isto não se faz apenas com protestos e denúncias, que em si são válidos e necessários, alimentam o movimento. Faz-se através de amplo e consistente debate, que aborde questões fundamentais.

O 14° Congresso do PCdoB, cuja plenária final ocorrerá de 17 a 19 próximos, encara esse desafio com ousadia. Estabelece uma agenda capaz de esclarecer e, em diálogo com outras correntes políticas e segmentos progressistas, contribuir para a construção de uma plataforma comum destinada a conjugar amplas forças interessadas na superação da crise, na restauração da democracia e na recomposição do Estado como indutor do desenvolvimento em bases soberanas. 

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O prazer da fotografia

Cena urbana: Metrô de São Paulo, detalhe (Foto: LS) #cenaurbana

01 novembro 2017

Os grandes se enfraquecem

A crise e a crise dos grandes partidos 
Luciano Siqueira, no Blog de Jamildo/portalne10

Se o tempo é de impasses e instabilidade em todas as esferas da sociedade, especialmente nos chamados três poderes da República, natural que os partidos políticos estejam chamuscados. Deveriam cumprir um papel que em geral não cumprem. E sofrem — os grandes partidos detentores de bancadas numerosas no Senado e na Câmara dos Deputados — corrosão externa e interna.

As causas imediatas estão na própria crise que esgarça a sociedade brasileira e tem na esfera institucional uma dos seus principais fatores.

O Executivo, sob o comando de um reles negocista e envolto em comprovadas denúncias de corrupção e afins, não ultrapassa 5% de aprovação junto à população. Cumpre uma agenda absurdamente contra o povo e a nação, urdida e manipulada pelo Mercado em consórcio com a banda mais oligárquica da tupiniquim.

O Judiciário, alçado indevidamente a uma hegemonia por todos os títulos prejudicial ao equilíbrio dos poderes da República, perde credibilidade na mesma velocidade com que se deixa envolver com interesses partidários e de grupos.

E o Legislativo, cujos membros das suas duas instâncias federais, na maioria, se encontram sub judice e amargam crescente desconfiança por parte dos eleitores, permanece entre sem paralisado e na defensiva, tendo como pauta essencial o conluio com a presidência da República.

Nessas circunstâncias, não surpreende que próceres dos grandes partidos reconheçam de público a crise interna que enfrentam, aliada ao desgaste externo.

Entre as causas de suas agonias há que se incluir o próprio sistema partidário e eleitoral caduco, eivado de cívicos em geral associados à influência do poder econômico.

Mais apegados a interesses nem sempre confessáveis e de descortino imediatista e pouco afeitos a compromissos programáticos, distanciam-se dramaticamente das condições de responderam aos desafios ora postos.

Assim, forçoso é reconhecer que adiante, conquistadas as condições políticas de superação da multifacetada crise em que o país se vê mergulhado, a agenda política há que incluir uma verdadeira reforma do sistema partidário e eleitoral, para muito além das mini reformas que nos últimos anos têm se sucedido.

Os partidos no Brasil só alcançarão outro patamar e real legitimidade quando, de fato, se converterem em organizações programáticas e nitidamente representativas de classes e segmentos de classes.

Disso também depende a construção da democracia em bases minimamente conscientes e estáveis. 

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Inútil

Governo fará campanha publicitária em defesa da reforma previdenciária. Convencerá a quem?

Fragmentação

Temer quer reduzir contatos individuais com os deputados e dialogar com líderes de sua base. Mas sabe que as legendas que o apoiam não dispõem de líderes realmente influentes sobre suas bancadas.

A fragmentação partidária é um fato — fruto de um sistema eleitoral fracassado, que a última mini reforma não alterou na sua essência. 


Uma reforma política ampla e verdadeiramente democrática ainda carece de pressão popular. E há de se manter viva na agenda das forças populares e democráticas.