25 abril 2018

Vale a pena


Ciro e Haddad, conversar é indispensável
Walter Sorrentino

Boa a iniciativa de Ciro e Haddad irem ao encontro com Delfim Netto e Bresser Pereira. Ciro afirma que “combinamos que o que tem de ser feito é dar toda força às nossas direções nacionais e às nossas Fundações, que já estão operando juntas, com documentos conjuntos e análises de conjuntura e seguiremos trocando ideias sobre essas coisas. Nada de chapa”. Haddad, por sua vez, que é preciso manter fluidas as relações entre os partidos de esquerda e centro-esquerda. E arremata que também com Manuela e Boulos isso vem se verificando.Custa a crer que alguém, afora as forças conservadoras, possa ter dúvidas quanto à necessidade e correção disso.

Como se sabe, essas forças deram um grande passo ao elaborar um Manifesto assinado pelas Fundações do PCdoB, PT, PDT e PSOL – também com participação, embora sem endosso, do PSB – há pouco tempo. É a base para uma convergência programática para tirar o país da crise apontando para um projeto nacional de desenvolvimento consistente, articulado e sistêmico, soberano, democrático e de inclusão social plena. Com ele – e com a determinação da maioria dos brasileiros – é possível tirar o Brasil da condição de um país semiperiférico nas cadeias de valor globais e divisão internacional do trabalho, levando-o a novo patamar civilizatório.

Incrível é que se trata da primeira vez na história desde a ditadura de 64 que as forças de esquerda e centro-esquerda logram um pacto formal com essa consistência programática. Ele dá ensejo a outros passos de entendimentos em comum para as eleições de outubro, visando a assegurar a presença no 2º turno e ousar vencer.
A resistência ao atual estado de coisas no Brasil logrou êxitos substantivos quanto à análise que fazemos neste campo político. Mas de nada vale ter forças – cerca de um terço da sociedade – se se permite que sejam sitiadas nessas fronteiras.

O entendimento progressivo é necessário, respeitando o tempo político de cada uma dessas forças e a legitimidade de suas candidaturas, os objetivos partidários necessários para assegurar ampla bancada de parlamentares no Congresso Nacional. As eleições estão aí logo mais, mas até agosto, quando se fazem os acertos finais, muita água vai rolar, o quadro vai decantar em quase todas as suas variáveis, tanto no nosso lado quanto do lado de lá.

Manter abertas as portas do entendimento não enfraquece este ou aquele, ao contrário, fortalece nosso projeto comum em alcançar de fato o povo, com saídas críveis e viáveis para a crise, falar de solução aos problemas agudos do cotidiano, abrindo novas esperanças no futuro. Uma opção frentista sempre é melhor unir vastas forças, para resistir e lutar contra o arbítrio e a exceção, pela democracia e pela Constituição de 1988, unindo sobretudo os movimentos populares em ação e as forças progressistas.

Se desse combate comum na resistência ativa nascer uma alternativa mais coesa para as eleições, aumentam as chances de liderarmos a reconstrução da nação. Os justos interesses partidários não devem nem precisam se sobrepor aos interesses do Brasil, da democracia e dos direitos do povo. São necessários convergência de objetivos e pactuação progressiva entre nossas candidaturas, sem hegemonismos nem vetos. A hora é de destravar esses caminhos.
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Uma crônica para descontrair

O rádio e a antecipação da notícia
Luciano Siqueira


Fernando Sabino diz numa de suas crônicas que o rádio entrou na residência dos brasileiros pela sala de visitas e, com o advento da televisão, foi parar na cozinha.

Em minha casa, não exatamente na cozinha: no banheiro. Porém não relegado a uma condição inferior, vez que é muito mais ouvido do que vista é a TV.

Desde cinco horas da manhã, quando tomo o primeiro banho antes da caminhada matinal.

Ali, sempre presente, de domingo a domingo, anunciando os acontecimentos do dia e difundindo comentários de tudo o que é gente se arvora especialista nos mais variados assuntos.

Testemunho assim a importância do rádio na formação (ou deformação) da consciência política do nosso povo. Não só do rádio, mas dos meios de comunicação como um todo: a TV e os jornais, e também os sítios na Internet, guardam uma relação simbiótica com o rádio, um alimenta os demais e vice-versa.

O rádio confirma ou antecipa a notícia, dependendo da hora em que o sintonizemos. Na madrugada, os jornais impressos do dia já não terão tempo de registrar o que ocorreu em Estocolmo, Atenas ou Mossoró, naquele instante; mas o rádio sim, pois a informação terá sido captada em tempo real, via Internet e de imediato repassada aos ouvintes.

A “antecipação” da notícia às vezes é precipitada pela ansiedade de quem a transmite. Vira premonição. Como aconteceu com um jovem repórter da Rádio Jornal, no Recife, em meados dos anos 80, quando eu exercia o primeiro mandato de deputado estadual colado às lutas populares em ascensão.

Uma espécie de plantão permanente, para o que desse e viesse. Um pé na Assembléia Legislativa e o outro nas ruas.

Foi na ocupação do conjunto habitacional Montes Verdes, no Ibura.

Transmissão ao vivo. O repórter narra a chegada do Batalhão de Choque da Polícia Militar, enviado pelo governador Roberto Magalhães, e o tumulto que se instala – gritaria, corre-corre, choro de crianças, vozes exaltadas:

- Há muita confusão, senhores ouvintes, pessoas podem ser feridas. Como sempre acontece, o deputado Luciano Siqueira já se encontra no local e, segundo lideranças comunitárias ouvidas pela reportagem, já teve um entrevero com o capitão Viana.

- Então ouça o depoimento do deputado – pede o locutor do estúdio.

- Ainda não é possível. O deputado parece estar encoberto pela poeira que se levanta no local do conflito, onde alguns policiais foram agredidos a pedradas.

- Ele foi agredido pelos policiais? É importante verificar isso.

- Vamos verificar, vamos verificar... e dentro de alguns minutos ele dará entrevista exclusiva para nossa emissora.

Mas não tinha jeito de encontrar o deputado, que ouvia tudo pelo rádio do carro, ainda se deslocando de casa para o bairro, agora o mais rápido que podia – para cumprir o dever e não frustrar o repórter e os seus ouvintes.

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Mais um

Nem o festejado Nelsinho Batista resistiu e o Sport perde seu técnico no início do campeonato. No futebol brasileiro, tudo se desmancha no ar. 

Encolhido

“Temer muda discurso sobre reeleição para evitar ataques”. [E aumentar mais ainda a rejeição recorde].

23 abril 2018

Unidade quando?

Uma questão crucial para as oposições. Veja http://goo.gl/6sWRPX

Pluralidade

Cada partido há de ter seus princípios, sua linha e suas cores – e todos são livres para escolher por onde e com quem desejam caminhar. 

Convivência

Antes de me cobrar sobre o que penso e onde estou, me pergunte 'o que penso' e 'por que' escolhi estar onde estou. Fora disso, o diálogo dá lugar à imposição e à intolerância e a possibilidade de entendimento morre no nascedouro. Vale para o amor, para o trabalho profissional e, sobretudo, para a luta política.