21 agosto 2013

Reencontro

A quarta-feira é de Manuel Antonio Pina: “Regresso devagar ao teu/sorriso como quem volta a casa.”

Uma crônica minha para descontrair

Quem é quem diante do espelho
Luciano Siqueira

Publicado no portal Vermelho 

Espelho em elevador dá nisso: a exposição da vaidade humana, pois é muito comum aquele olhar, de soslaio ou desinibido, para conferir a própria imagem.

Outro dia no prédio onde funciona o meu escritório político testemunhei a crise de identidade, ou de autoimagem, de uma jovem adolescente que foi do térreo ao décimo segundo andar mirando a si mesma, ajeitando com leves toques o penteado, ora acolhendo os cabelos revoltos com as duas mãos em concha, ora os assanhando novamente com as pontas dos dedos. Observada por mim e mais uns três colegas de viagem, não estava nem aí. Quem quer cultivar a própria beleza não pode se importar com o que pensam os que lhe flagram em plena labuta.

No caso, uma bela jovem – morena, estatura mediana, olhos negros, cabelos encrespados e soltos à altura dos ombros, corpo bem distribuído. Uns dezessete anos. Insatisfeita, entretanto. Pois após mexer e remexer a cabeleira, meteu uma fita larga sobre as madeixas mais salientes e, num movimento brusco, prendeu tudo num feixe só, fez um leve muxoxo e ganhou o corredor a passos tímidos.

Essa coisa de autoimagem não é simples. Implica ciência e arte. Cada um que encontre os atributos nos quais se apoiará ao longo da vida para se aceitar a si mesmo, sejam quais forem suas referências culturais. Com a autoridade de haver conquistado o segundo lugar num improvisado concurso de feiura feito por companheiras do movimento estudantil, em 1968, no pátio da antiga Faculdade de Filosofia de Pernambuco, tenho cá minhas dicas.

Vejamos. Suponhamos que o leitor ou leitora não se considere favorecido pela natureza, não se enquadre nos padrões de beleza consagrados pelo vulgo. Melhor é não mexer muito na própria carcaça, adotando cabeleira exótica, tatuagens chamativas ou adereços extravagantes. Faça isso não. Como autoimagem não é coisa meramente individual, depende de como você imagina que as pessoas lhe olham – apreciando ou rejeitando -, nesse caso opte por alternativa mais sensata. Que tal compensar a feiura com uma boa dose de afeto, atenção e despojada solidariedade? Se puder somar alguma competência no que faz, melhor ainda.

Vá em frente que por aí pode se dar bem. Nas relações amorosas, por exemplo. Vez por outra revistas de amenidades publicam pesquisas dando conta de que tanto mulheres como homens buscam num possível parceiro antes de tudo sensibilidade, cumplicidade, compreensão; em seguida prestam atenção às características físicas. Eis porque belas mulheres se apaixonam por homens feios e homens tidos como modelos gregos escolhem mulheres feias.

Daí chegamos à boa e sensata conclusão de que o peso do espelho é muito relativo na aferição de nossa autoimagem. Afinal, convenhamos, o que há de mais essencial entre os animais racionais nem sempre está à vista - brota da alma.

Feios e feias de minha terra, sejamos autoconfiantes e felizes!

20 agosto 2013

Cidades históricas


Hoje, 11h, em São João del Rei, Minas Gerais, participo da solenidade de lançamento do PAC Cidades Históricas, com a presidenta Dilma.

Espera

A terça-feira é de Paulo Freire: “Não te esperarei na pura espera/porque o meu tempo de espera é um/tempo de quefazer.”

CTB avança

No Vermelho:
"O congresso é o coroamento de nossa central", diz Wagner Gomes
. Avançar nas mudanças com valorização do trabalho. Esse é o tema do 3º Congresso Nacional da CTB, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil, que ocorre entre quinta-feira (22) e sábado (24), no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo (SP). “O tema do nosso congresso é focado no que mais acreditamos para fortalecer a base dos trabalhadores, que deve ser a unidade da luta sindical”, declarou ao Vermelho o presidente da entidade, Wagner Gomes.
. “O nosso terceiro congresso é o coroamento de uma proposta sindical que foi aceita amplamente pelos dirigentes quando propomos a criação da central. Portanto, é uma data na qual a gente vai comemorar o crescimento da CTB e avaliar nossas ações, além de preparar uma agenda de luta para os próximos anos”, completou Wagner Gomes.
. Cerca de 1,5 mil delegados de todo o país participarão do encontro que debaterá diversos temas relacionados ao mundo do trabalho, no contexto nacional e internacional, além de eleger uma nova diretoria para a próxima gestão (2013-2017).

. Leia mais http://goo.gl/Zcrq6c

19 agosto 2013

Que venha o Rede

. Noticia-se que o TSE agilizará o processo de constituição do partido liderado por Marina Silva, denominado “Rede”.
.Que assim seja. Fortalece a democracia a presença das diversas correntes de opinião na cena política.

Discriminação de gênero e raça

Fratura exposta da desigualdade
Luciano Siqueira

Publicado no Blog da revista Algomais
 
O Brasil progride e alcança melhoria importante das condições existência dos que vivem do trabalho, nos últimos dez anos. Mas permanece muito desigual.

Uma das faces contundentes da desigualdade se revela no mercado de trabalho – no caso, de gênero e raça – expressão nua e crua da discriminação.

Dados divulgados pelo jornal O Globo, colhidos junto ao IBGE indicam que mulheres e negros são mais de 60% entre os que estão desempregados há mais de um ano. Isto apesar do caráter inclusivo que tem marcado a evolução recente da economia brasileira, que roda com taxa de desemprego menor que 6% - o que equivale tecnicamente ao pleno emprego na maioria das categorias profissionais.

Analistas consideram que para mulheres e negros a conquista de um posto de trabalho é sempre mais difícil do que para outros grupos sociais; e a situação se agrava quando se reduz o ritmo da oferta. Segundo a reportagem, entre os trabalhadores que buscam emprego há menos de um ano, 53,9% são mulheres e 53,3%, negros. Percentuais que se elevam para 63,2% e 60,6%, respectivamente, entre os que estão desempregados há mais de um ano.

A economista Lúcia Garcia, coordenadora das Pesquisas de Emprego e Desemprego do Dieese, chama a atenção para o fato de que “quanto mais tempo a pessoa fica desempregada, mais tempo ela tende a ficar desempregada”. Isto quer dizer que quanto menor a taxa geral de desemprego, mais numerosos são negros e mulheres entre os desempregados de longo prazo.

Ainda de acordo com o Dieese, em 1999, quando a taxa de desemprego estava perto de 20%, negros e mulheres eram cerca de metade dos trabalhadores sem emprego há mais de um ano. Em 2012, quando a taxa de desocupação foi de 10,5%, nas contas do Dieese, eles superavam 60% dos desempregados de longo prazo.

Esses números expõem uma fratura social inadmissível e reforçam a absoluta necessidade do recorte de gênero e de raça no incremento do crescimento econômico. Ou seja: se buscamos desenvolver o Brasil com valorização do trabalho, distribuição de renda e sustentabilidade econômica e ambiental, é preciso que o façamos concomitantemente empenhados na redução das desigualdades sociais – inclusive mediante o combate à discriminação da mão de obra feminina e negra.

Isto nos impõe a peleja em duas frentes distintas e entrecruzadas. Uma, estabelecendo mecanismos concretos que favoreçam o acesso de mulheres e de negros ao mercado de trabalho, de caráter afirmativo. Outra, enfrentando o debate no terreno das ideias, vez que a discriminação comporta vieses de classe e culturais e ideológicos arraigados na sociedade brasileira, difíceis de extirpar. Tarefa dos que governam com compromisso popular e democrático; e do movimento social, dos sindicatos em particular.