22 novembro 2014

A sabedoria e a leveza do poeta

Lições tardias

Alberto da Cunha Melo

Não devemos aprender a esperar.
Devemos, sim,
esquecer as coisas esperadas.
Ainda que nos digam:
“espere-me, à tal hora, em tal jardim”,
o jardim nos deve bastar.
Que a chegada daquilo
que nos fez esperar
seja algo normal naquele mundo,
como a morte de uma borboleta
ou a fuga de um lagarto nas pedras.
Se nada chega,
se ninguém aparece,
não notaremos a sua falta.


Arte: Van Gogh

Olhos nos olhos

Da minha correspondência pessoal: "A linguagem é uma fonte de mal-entendidos: tanto a linguagem das palavras como a dos gestos. Na dúvida, vale considerar o que é dito olhos nos olhos e o que é praticado de verdade. E considerar também que quando alguém se encontra afundado em problemas nem sempre consegue se fazer entender, além de praticar gestos impensados e inconvenientes. O diálogo sincero, paciente e solidário dirime dúvidas, supera desencontros."

Prenúncio de vitória

Jogo duro e possibilidade de vitória no Uruguai. O ex-presidente e candidato da Frente Ampla, Tabaré Vázquez, lidera as intenções de voto para o segundo turno com 52,2% contra Luis Lacalle Pou, do Partido Nacional, da direita, que aparece com 42,3%. Provavelmente mais uma vitória do povo em nosso subcontinente.  

21 novembro 2014

Pressão a todo custo

Dilma protela o anúncio da nova equipe econômica e os "analistas" da grande mídia se mostram nervosos. E querem influenciar as decisões da presidenta fazendo onda. Quanto primarismo!

O poeta celebra a paixão

Pablo Picasso

Soneto do amor total

Vinícius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

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Queda de braço

Em pronunciamento na Conferência Nacional de Educação, ontem, a presidenta Dilma reafirmou a determinação de enfrentar as agruras da crise econômica global, que atingem duramente a economia brasileira, persistindo na preservação do emprego, do crescimento da massa salarial e do acesso ao crédito. Em queda de braço com a oligarquia financeira   que pede o ajuste fiscal prometido por Aécio, que – segundo algumas estimativas – levaria ao desemprego cerca de 15 milhões de trabalhadores.

20 novembro 2014

Cidadãos Kane nativos

Democracia ameaçada

Eduardo Bomfim, no Vermelho

Pelo que se vê através da grande mídia oligárquica a campanha eleitoral presidencial ainda não terminou, se pretende um terceiro, quantos turnos “eleitorais” forem necessários para derrubar do poder Dilma Rousseff  legitimamente consagrada presidente nas urnas.
A linha dos âncoras da televisão e dos que ditam a versão “oficial” das notícias, de tudo mais que aconteça no País, no mundo, é do golpismo aberto, sem o menor disfarce, para conspurcar a soberania popular.
E quando se fala em soberania popular ela implica em todos os eleitores que votaram nos diversos candidatos, incluindo os eleitores de Aécio Neves, que acreditam na autonomia, na prevalência da vontade eleitoral, a  decisão democrática da sociedade nacional.
Durante a batalha eleitoral surgiram várias baixas em meio a essa grande mídia, jornalistas que ousaram afrontar não a opinião pública mas a aristocracia reinol dos barões da imprensa brasileira.
Monopólio midiático que nada de braçadas a despeito dos eventuais partidos, coalizões que se encontrem inquilinos no Alvorada, ou até de regimes autoritários como se abateu contra nós perdurando 21 anos.
De grandes beneficiários do arbítrio, como se sabe, passaram a falsos embandeirados das liberdades políticas, a democracia etc.
Ninguém é poderoso, por mais força desproporcional que tenha diante do conjunto da sociedade, sem aliados, nos ensina a História.
E esses cidadãos Kane nativos têm aliados: o capital financeiro internacional, regional, a geopolítica imperial, entreguistas que desejam sustar uma realidade mundial, nacional em transição a um tempo de progresso, soberania dos povos, mais democrático.
O que estão articulando à luz do dia, como sempre fizeram, é o vazio de poder, o golpe, sob a bandeira do combate à corrupção, real ou ficcional mas histórica, da qual, sabe-se, foram grandes beneficiários. É o limbo, o fascismo, a pajelança sem contestação com a opinião pública acuada, amordaçada. Esse filme já assistimos.
Assim o que se impõe é que o governo Dilma promova o crescimento econômico, os avanços sociais às grandes maiorias, antes deserdadas de esperanças, a apuração geral de corrupção, transparência com a coisa pública, intensa, ampla mobilização da sociedade brasileira em defesa das liberdades políticas, do progresso, da pátria.
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