Tudo muda
Luciano
Siqueira
Prestes a concluir a sétima década de vida, tenho a impressão de que muita coisa já não é como antes.
Coisas simples da vida.
Sempre fui reconhecido aqui em casa como excelente lavador de pratos. E de panelas também. É a minha especialidade, já que a incompetência no fogão é total e absurda e a limpeza da casa a realizo apenas o suficiente, com a ajuda de um aspirador de pó.
Qual a novidade entre esponjas, detergentes e panelas?
Juro que até um dia desses eu acertava na mosca ao friccionar as panelas com a firmeza e a acuidade suficientes para deixá-las como se fossem genuinamente inoxidáveis. Mas de certo tempo para cá percebo o quanto é difícil deixar rigorosamente nos trinques aquelas reentrâncias e riscos que surgem com o uso, em lugares os mais inconvenientes porque de difícil acesso.
Ali próximo ao cabo, por exemplo.
As panelas se tornam esquivas e ainda por cima me enganam. Ao colocá-las para enxugar passo em revista todas com o olhar atento. Mas não basta.
Agora mesmo, discretamente, vi que duas delas que lavei após o almoço ainda exibem resíduos de gordura. Tive que fazer o serviço novamente até que as minúsculas manchas impregnadas no alumínio lustroso desaparecessem.
A experiência não é de todo ruim, funciona como advertência: o mesmo rigor vale para tudo o que me resta na vida, as tarefas políticas em especial.
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Quando Buenos Aires viu “Buenos Aires”, de Tuca Siqueira https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/06/buenos-aires-o-filme.html

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