08 setembro 2026

Palavra de Lula

Lula sobe o tom no programa de TV e mostra Bolsonaros como “traidores da pátria"
Em nova operação eleitoral, o presidente associa a família Bolsonaro à tarifa dos EUA e às ameaças contra o Pix, elevando o confronto com Flávio na reta crítica da campanha
César Xavier/Vermelho

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma nova ofensiva contra a família Bolsonaro no horário eleitoral gratuito desta terça-feira (8). A propaganda da noite deve classificar os membros do clã como “traidores da pátria”, ao associar o grupo político ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e às pressões contra o sistema de pagamentos Pix.

A estratégia amplia o tom adotado pela campanha nos últimos dias e desloca o centro da disputa para a questão da soberania nacional. A mensagem é que os adversários internos desenvolvem interesses estrangeiros em prejuízo da economia brasileira.

A expressão não é inédita na campanha de Lula. No início de setembro, o presidente já havia utilizado o termo ao falar de setores que, segundo ele, estariam interessados ​​em entregar recursos estratégicos brasileiros a interesses estrangeiros. Em seu programa eleitoral, uma referência foi direcionada à família Bolsonaro. 

Tarifaço vira arma

O principal eixo da nova comunicação é o conflito comercial com os Estados Unidos. Lula tem procurado apresentar as tarifas norte-americanas como uma questão de soberania nacional, contrapondo sua política externa à postura de seus adversários.

No pronunciamento de 7 de Setembro, o presidente afirmou que o Brasil não será “colônia de ninguém” e defendeu que o país tenha autonomia para definir seus parceiros comerciais. Também vinculou a defesa da soberania ao controle brasileiro sobre recursos estratégicos, como terras raras, petróleo e água.

A campanha pretende explorar politicamente a atuação de Bolsonaro diante do governo Trump, sobretudo declarações e iniciativas que podem ser propostas como apoio ou tolerância às medidas norte-americanas contra o Brasil.

O objetivo é transformar o entreguismo das elites numa escolha eleitoral: de um lado, Lula e a defesa da soberania económica; por outro lado, os adversários compararam-se como alinhados aos interesses de Washington.

Pix entra no confronto

Outro elemento da propaganda é o Pix. A campanha de Lula pretende associar a família Bolsonaro às ameaças e implicações envolvendo o sistema de pagamentos brasileiro, explorando o tema como símbolo de interferência estrangeira e de defesa da autonomia nacional.

O assunto tem forte potencial eleitoral porque o Pix se tornou um dos instrumentos mais divulgados no cotidiano dos brasileiros. A disputa política em torno do sistema já havia provocado forte repercussão durante o governo Lula, inclusive depois da circulação de informações falsas sobre uma suposta tributação do Pix.

A campanha busca agora deslocar o debate para a ideia de que interesses estrangeiros poderiam atingir uma ferramenta criada e desenvolvida no sistema financeiro brasileiro.

A ocorrência ocorre em cenário acirrado

A mudança de tom acontece quando a corrida presidencial apresenta sinais de maior equilíbrio.

No primeiro turno, porém, Lula permanece numericamente na frente: 39%, contra 35% de Flávio, segundo pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira. Augusto Cury aparece em terceiro, com 9%. Em uma simulação de segundo turno, aponta Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, há empate técnico. O levantamento reuniu 2.002 participantes entre 4 e 7 de setembro e foi registrado no TSE sob o número BR-06790/2026.

O resultado ajuda a explicar a intensificação da estratégia. Com a diferença entre Lula e Flávio reduzida no segundo turno, a campanha do presidente passa a explorar com maior intensidade de temas capazes de mobilizar participantes além da identificação partidária tradicional.

Disputa sem rioblu

A escalada já vinha sendo construída no horário eleitoral. Na semana passada, Lula usou sua propaganda para o crítico Flávio Bolsonaro também em torno da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

Em inserção veiculada na rádio, o presidente afirmou que seus adversários estariam participando contra os trabalhadores. Outra peça apresentou uma declaração de Flávio sobre a proposta e o classificou como “o pior dos Bolsonaros”.

A nova propaganda dá mais um passo nessa direção. Ao utilizar a expressão “traidores da pátria”, Lula procura não apenas criticar Flávio individualmente, mas atingir a identidade política construída pela família Bolsonaro em torno de patriotismo, soberania e nacionalismo.

A eleição entra, assim, em uma fase na qual os candidatos passam a disputar não apenas propostas e resultados de governo, mas também a interpretação sobre quem representa os interesses nacionais diante da pressão externa.

Veja aqui https://www.youtube.com/watch?v=6Hqlu3uWmNU&source_ve_path=MjE0Mjgz&embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fvermelho.org.br%2F    

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