04 outubro 2026

Dica de leitura

Discurso furta-cor
Luciano Siqueira     

No artigo "Chutzpah: quando a cara de pau se torna uma tecnologia política", publicado no Jornal GGN https://jornalggn.com.br/artigos/chutzpah-quando-a-cara-de-pau-se-torna-uma-tecnologia-politica/ , Celso Pinto de Melo analisa como o conceito judaico de chutzpah (termo em iídiche para audácia extrema, cinismo ou “cara de pau”) deixou de ser apenas um rasgo de insolência individual para se transformar em uma estratégia e tecnologia de comunicação política.  

Chutzpah é a atitude do homem que mata o pai e a mãe e, no julgamento diante do juiz, deseja ser absolvido alegando ser um "pobre órfão".

Ou seja, a inversão absoluta de papéis, na qual o próprio causador do problema transforma as consequências do seu ato em argumento de vitimização.  

Caso do discurso sobre as milícias. Atores políticos viam benefícios e elogiavam esses grupos. Posteriormente, por conveniência, passaram a rotulá-los como narcoterroristas.  

Assim, chutzpah como tecnologia política tergiversa, substituindo o debate por outra pauta ou simplesmente contradizendo-se.

Em certa medida, o público aceita ou tolera essas inversões devido a motivações eleitorais imediatistas.

Em uma cultura política pautada pela chutzpah, a recusa em recuar ou fazer autocrítica é vista pelo eleitorado como "coragem" ou "autenticidade", e a cobrança por coerência como "perseguição do sistema".  

O fenômeno viceja numa esfera pública polarizada que permite ao oportunista mudar a pauta, transformar culpa em vitimização e converter o questionamento ético em demonstração de força perante seus seguidores.  

Tudo a ver com a extrema direita, o bolsonarismo em particular.

Leia também: Flávio Bolsonaro contra os trabalhadores https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/dica-de-leitura_0653764906.html    

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