29 outubro 2026

Quem deve, teme

Razão da fuga: medo de cadeia por corrupção
A extrema direita, depois de derrotada nas urnas, encontra-se sob nova carga de desgaste com a fuga vexatória do golpista e corrupto Flávio Bolsonaro
Editorial do Vermelho www.vermelho.org.br

A narrativa de que Flávio Bolsonaro fugiu do país por ser alvo de perseguição política tem a mesma solidez de uma estaca fincada no brejo. Não há explicação, fora da fuga pura e simples da Justiça, para esse gesto de quem representa o Partido Liberal (PL), que elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados e do Senado, além de contar com grande número de governadores aliados, abandonando o posto de líder da oposição para fugir às pressas, deixando o pai preso, mandando às favas o eleitorado que lhe confiou o voto.

Com este episódio, além de traidor da pátria, inimigo do povo e da democracia, revela-se, também, um covarde. E o bolsonarismo se reafirma como sinônimo de golpismo.

A razão da fuga é cristalina. Flávio Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um investiga o financiamento do filme Dark Horse, sobre seu pai, com recursos atribuídos ao ex-banqueiro criminoso Daniel Vorcaro; o outro apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo sua relação com o advogado Willer Tomaz. Sua fuga ocorre em meio ao avanço dessas apurações e à determinação judicial de entrega dos passaportes.

Na última semana, vieram à tona documentos obtidos pela Polícia Federal (PF) que indicam Flávio Bolsonaro como usuário master de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa ligada a Willer Tomaz. O cadastro lhe permite poderes relevantes de acesso e gerenciamento da conta, segundo as investigações que apuram indícios de participação econômica ou societária indireta de Flávio Bolsonaro em negócios relacionados ao setor de apostas.

Para se ter uma dimensão do que pode envolver essa conta, basta observar que Willer Tomaz movimentou cerca de R$ 5 bilhões em apostas on-line, segundo as investigações. O que torna o caso explosivo é a combinação dessas movimentações bilionárias com suspeitas de lavagem de dinheiro.

A PF investiga as conexões financeiras entre empresas do setor e o papel de Flávio Bolsonaro nessa estrutura. O rastreamento das transferências bancárias, a identificação dos beneficiários dos recursos e o cruzamento dos vínculos empresariais podem revelar se Flávio Bolsonaro exercia papel efetivo na estrutura financeira investigada.

Diante da dimensão dessas movimentações, o caso Dark Horse se reduz a trocados, uma cifra irrisória diante do vulto que assume a conta master da Alcazar Holdings e da rede de negócios que a investigação procura desvendar.

O destino de Flávio Bolsonaro não poderia ser outro senão os braços de Donald Trump, que acolhe seu lacaio embora tenha fracassado na missão recebida de ganhar as eleições e incluir o Brasil no chamado Escudo das Américas, junção de países subordinados ao imperialismo estadunidense. Já sem a participação do México, e, agora, com a reeleição do presidente Lula esse “Escudo” se apresenta com um considerável rombo no casco.

Flávio foi se juntar ao irmão, Eduardo Bolsonaro, e a outros aliados bolsonaristas para fazer com mais propriedade o que tem feito sistematicamente: trair a pátria.

A união desses foragidos da Justiça brasileira com o governo dos Estados Unidos forma uma espécie de comando político a serviço dessa potência estrangeira para atacar o Brasil. Precisam ser continuamente desmascarados e denunciados como traidores da pátria, inimigos do povo brasileiro e sabotadores da democracia.

A sua dita carta com duas versões e uma só essência é uma peça autodefinidora: bolsonarismo é sinônimo de golpismo e se alimenta de corrupção. Na primeira versão, Flávio Bolsonaro se proclama “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, reivindicando para si uma legitimidade que as urnas lhe negaram e afrontando diretamente o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.

Na segunda, recua para a expressão “líder do Brasil”, numa tentativa vã de atenuar a reivindicação explícita sem abandonar a proclamação golpista. Também corrigiu o brasão com a grafia “Estados Unidos do Brazil”.

A primeira versão – a verdadeira de fato – expõe com nitidez a pretensão de sepultar a soberania do voto e suprimir a vontade popular. A correção do texto não apaga a gravidade do gesto. “Ele já virou a cabeça, achando que Estados Unidos é que vão mandar aqui. Era tudo o que ele queria”, diz a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ). “Ele expressa, nesse brasão, o seu pensamento”, declara.

Fica patente que ele tenta fazer soar o golpismo, sinalizando uma tentativa de, novamente, mobilizar o bolsonarismo para mais uma vez atentar contra o Estado Democrático de Direito. A fuga covarde de Flávio Bolsonaro e o patético manifesto golpista rapidamente vão se mostrando um desastre para a extrema-direita, em particular para o clã fascista.

A dita carta foi rechaçada por partidos políticos de matrizes ideológicas da esquerda à direita, passando pelo centro. O PL, encurralado, negou que houve fraude e já apresenta rachaduras. O TSE sublinhou a lisura da apuração. A carga de reprovação é potente e vem de amplos setores, do conjunto dos movimentos sociais, de personalidades da sociedade civil, de setores da mídia.

A estrutura de comando da extrema-direita perde nitidez e eficácia. Mesmo as ordens do fujão, em Washington ou numa praia da Flórida, tendem a ter efeito relativo. Parte da direita, diante desse cenário, dá sinais que buscará autonomia. E, ainda, há as conhecidas disputas e intrigas no âmbito do clã. O bolsonarismo tende a se isolar. Paga o preço de sua indigência política.

De conjunto, mesmo considerando as turbulências e ressaltando que a vigilância contra o golpismo não pode ser negligenciada, do quadro exposto emerge um momento político favorável à realização das tarefas imediatas para o sucesso do quarto mandato do presidente Lula.

O presidente sai das eleições com a liderança reforçada no Brasil e com um resultado de forte repercussão positiva no mundo. É preciso ter como bússola a tática de frente ampla para isolar a extrema-direita, desgastando ao máximo o clã Bolsonaro. Atrair o centro, a centro-direita e setores da direita. Essa tática deve reger a composição do novo governo, sem cedência programática e com firmeza na defesa da democracia, da soberania nacional e dos compromissos assumidos com o povo.

Um bom exemplo é a rápida articulação em torno da reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados, construída sobre uma base ampla de apoio parlamentar que exclui o PL. A bancada do PCdoB participa dessa articulação e apoia Motta com base em compromissos tendo como eixo a defesa da democracia, a governabilidade e estabilidade institucional e o diálogo com os movimentos sociais. O movimento demonstra a possibilidade de isolar o bolsonarismo.

Neste ano ainda, o governo e sua base parlamentar devem acelerar a aprovação de projetos importantes, entre eles, a PEC da Segurança Pública e, em sequência, criar o Ministério da Segurança Pública.

A fórmula decisiva à vitória, a mobilização nas ruas e redes, deve ser mantida e reforçada. Os estudantes liderados pela UNE, pela Ubes, pela ANPG já estão de volta às ruas, com suas bandeiras de direitos, denunciando o golpismo do fujão Flávio Bolsonaro e comemorando o triunfo histórico para o qual cumpriram papel decisivo.

Além da fuga vergonhosa de Bolsonaro, outro fato relevante foi a reação do mercado financeiro, no dia seguinte ao segundo turno das eleições, que derrubou a Bolsa de Valores e provocou uma disparada artificial do dólar, em um movimento de pressão sobre o governo. A chantagem do capital financeiro rentista busca impor sua agenda de austeridade, um “ajuste fiscal” brutal que compromete as políticas públicas. São os primeiros sinais do que está por vir.

Amplitude política, firmeza para realizar o programa eleito nas urnas, mobilização do povo e da juventude nas ruas e redes compõem a tática capaz de isolar o golpismo da extrema-direita, repelir as pressões do imperialismo e do capital financeiro e assegurar a jornada vitoriosa do quarto mandato do presidente Lula.

A vitória épica de Lula e a necessidade de disputar o futuro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/elias-jabbour-opina.html 




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