A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
03 abril 2010
História: 3 de abril de 1967
O Exército prende 8 guerrilheiros do MNR (Movimento Nacionalista Revolucionário) que tentavam implantar foco guerrilheiro contra a ditadura na serra de Caparaó, divisa de MG-ES. (Vermelho http://www.vermelho.org.br/).
Conae quer 50% dos recursos do pré-sal para educação
. A informação é da Agência Brasil. A plenária final da Conferência Nacional de Educação sugeriu a destinação de 50% dos recursos obtidos a partir da extração do petróleo da camada pré-sal para a educação. Desse total, 30% ficariam com a União para investimento em educação profissional e superior e 70% com estados e municípios para aplicação na educação básica.
. O uso de recursos do pré-sal na educação foi a reivindicação mais importante de duas das principais entidades que representaram os estudantes na Conferência Nacional de Educação, que terminou ontem (1º). A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasiliera de Estudantes Secundaristas (Ubes) esperam que a proposta não fique apenas no papel.
. “Não dá para acontecer com o pré-sal o que aconteceu com a borracha, com o ouro e o pau-brasil, bens que geraram muita riqueza, mas riquezas muito mal distribuídas. E para nós distribuir bem riqueza é investir em educação", afirmou o presidente da UBES, Ian Ivanovicht. "Também vamos seguir lutando por bandeiras históricas como eleição direta para diretor, maior financiamento do Estado nas universidades, ampliação das vagas nas universidades e fim do vestibular."
. A primeira diretora de políticas educacionais da UNE, Laís Gouveia, disse que a destinação de 50% dos recursos do pré-sal para educação é de fundamental importância para a entidade, além da reforma universitária e do aumento da participação dos estudantes na elaboração do Plano Nacional de Educação. "A gente quer fazer um PNE novo e que tenha participação de toda a sociedade."
. As propostas aprovadas na Conferência Nacional de Educação servirão de diretrizes para a construção do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que irá vigorar de 2011 a 2020.
. O uso de recursos do pré-sal na educação foi a reivindicação mais importante de duas das principais entidades que representaram os estudantes na Conferência Nacional de Educação, que terminou ontem (1º). A União Nacional dos Estudantes (UNE) e a União Brasiliera de Estudantes Secundaristas (Ubes) esperam que a proposta não fique apenas no papel.
. “Não dá para acontecer com o pré-sal o que aconteceu com a borracha, com o ouro e o pau-brasil, bens que geraram muita riqueza, mas riquezas muito mal distribuídas. E para nós distribuir bem riqueza é investir em educação", afirmou o presidente da UBES, Ian Ivanovicht. "Também vamos seguir lutando por bandeiras históricas como eleição direta para diretor, maior financiamento do Estado nas universidades, ampliação das vagas nas universidades e fim do vestibular."
. A primeira diretora de políticas educacionais da UNE, Laís Gouveia, disse que a destinação de 50% dos recursos do pré-sal para educação é de fundamental importância para a entidade, além da reforma universitária e do aumento da participação dos estudantes na elaboração do Plano Nacional de Educação. "A gente quer fazer um PNE novo e que tenha participação de toda a sociedade."
. As propostas aprovadas na Conferência Nacional de Educação servirão de diretrizes para a construção do novo Plano Nacional de Educação (PNE), que irá vigorar de 2011 a 2020.
02 abril 2010
Neoliberalismo esfarrapado
No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
A mesma esparrela
A profunda crise econômica que vem se abatendo sobre a Comunidade Européia reflete, em última instância, um processo de fadiga estrutural de um modelo econômico do sistema capitalista que oscila ciclicamente da euforia à depressão.
E dentre todas as receitas adotadas ultimamente, a mais nefasta e mais trágica é sem dúvida alguma a doutrina neoliberal. E foi essa mesma que vigorou olimpicamente no Brasil durante os oito anos dos dois governos do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Que produziu uma economia estagnada, aumento gritante dos tributos fiscais às pessoas físicas e ao setor produtivo, gerando uma quase paralisia da economia nacional, arrocho salarial para os trabalhadores, classe média, restrição ao crédito, o que impediu o acesso dos segmentos assalariados aos bens de consumo mais elementares.
Além de tudo isso o neoliberalismo buscou adotar no País um dos seus princípios mais destacados, o do Estado nanico. O que pressupõe o seu esquartejamento em suas atribuições fundamentais.
Apesar das várias privatizações extremamente nocivas à soberania nacional feitas, é sempre bom lembrar, com o que foi denominado pela imprensa brasileira de moedas podres, a resistência da sociedade foi tamanha que tal processo não foi adiante em seus objetivos estratégicos mais nefastos.
A nossa longa tradição de defesa do Estado como instrumento decisivo ao processo de desenvolvimento soberano desde a histórica revolução de 1930 foi outro fator decisivo às trincheiras que defendiam a integridade econômica, social e política do Brasil.
E olhem que a luta de idéias foi encarniçada com segmentos da grande mídia hegemônica nacional vomitando diariamente horrores contra o que denominavam “os dinossauros”, que seriam os nacionalistas e a esquerda do Brasil.
O então presidente Fernando Henrique dissertou tese em defesa de uma economia sem fronteiras e sem nações, uma espécie de versão de bolso do “Fim da História” do outrora badalado teórico Francis Fukuyama. Enfim, a crise que sacode toda a Europa, provocando desindustrialização, recessão e desemprego, atinge mais gravemente os seus elos mais fracos, Grécia, Portugal, Espanha e nações do Leste, para onde estão transferindo a conta e o prejuízo. Essa esparrela em que caíram os europeus, nós não podemos deixar que retorne ao Brasil em outubro de 2010.
A mesma esparrela
A profunda crise econômica que vem se abatendo sobre a Comunidade Européia reflete, em última instância, um processo de fadiga estrutural de um modelo econômico do sistema capitalista que oscila ciclicamente da euforia à depressão.
E dentre todas as receitas adotadas ultimamente, a mais nefasta e mais trágica é sem dúvida alguma a doutrina neoliberal. E foi essa mesma que vigorou olimpicamente no Brasil durante os oito anos dos dois governos do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Que produziu uma economia estagnada, aumento gritante dos tributos fiscais às pessoas físicas e ao setor produtivo, gerando uma quase paralisia da economia nacional, arrocho salarial para os trabalhadores, classe média, restrição ao crédito, o que impediu o acesso dos segmentos assalariados aos bens de consumo mais elementares.
Além de tudo isso o neoliberalismo buscou adotar no País um dos seus princípios mais destacados, o do Estado nanico. O que pressupõe o seu esquartejamento em suas atribuições fundamentais.
Apesar das várias privatizações extremamente nocivas à soberania nacional feitas, é sempre bom lembrar, com o que foi denominado pela imprensa brasileira de moedas podres, a resistência da sociedade foi tamanha que tal processo não foi adiante em seus objetivos estratégicos mais nefastos.
A nossa longa tradição de defesa do Estado como instrumento decisivo ao processo de desenvolvimento soberano desde a histórica revolução de 1930 foi outro fator decisivo às trincheiras que defendiam a integridade econômica, social e política do Brasil.
E olhem que a luta de idéias foi encarniçada com segmentos da grande mídia hegemônica nacional vomitando diariamente horrores contra o que denominavam “os dinossauros”, que seriam os nacionalistas e a esquerda do Brasil.
O então presidente Fernando Henrique dissertou tese em defesa de uma economia sem fronteiras e sem nações, uma espécie de versão de bolso do “Fim da História” do outrora badalado teórico Francis Fukuyama. Enfim, a crise que sacode toda a Europa, provocando desindustrialização, recessão e desemprego, atinge mais gravemente os seus elos mais fracos, Grécia, Portugal, Espanha e nações do Leste, para onde estão transferindo a conta e o prejuízo. Essa esparrela em que caíram os europeus, nós não podemos deixar que retorne ao Brasil em outubro de 2010.
Reflexão crítica sobre a credibilidade da grande mídia
Na Carta Maior, por Emir Sader*:
A decadência da imprensa brasileira
Nunca a imprensa esteve tão distante e contraposta à opinião do povo brasileiro. Daí seu isolamento e decadência, pelo menos sob sua forma atual.
A imprensa brasileira teve momentos da historia do país em que desempenhou papel determinante. Basta recordar o peso que teve nas mobilizações de desestabilização que levaram ao golpe de 1964, em que jornais como O Estado de Sao Paulo, a Tribuna da Imprensa, o Correio da Manhã, entre outros, tiveram o papel, pela primeira vez, de condutores ideológicos e políticos das forcas opositoras.
Setores da imprensa tiveram também um papel positivo, na campanha das diretas, quando outros tentavam esconder a amplitude do movimento e seu verdadeiro significado.
Assistimos hoje à decadência generalizada dessa mesma imprensa, que martela, cotidianamente, praticamente de forma total e monótona, ataques contra o governo Lula, logrando, no entanto, que apenas 5% da população rejeite o governo, enquanto mais de 80% o apóie. Nunca a imprensa brasileira esteve tão distante e contraposta à opinião do povo brasileiro. Daí seu isolamento e decadência, pelo menos sob sua forma atual.
As organizações Globo, que só possuiam um jornal, sem nenhuma importância, no Rio, antes do golpe, tiveram na ditadura sua grande alavanca, mas, ao mesmo tempo, o golpe insuperável de falta de credibilidade. Ficaram com a marca da ditadura, por mais que tentassem se reciclar, importando colunistas, usando a audiência da televisão para tentar conseguir mais público.
Atualmente dispõe de um trio que atenta contra qualquer credibilidade, que dá a tônica do jornal: Merval Pereira, Ali Kamel e Miriam Leitão. Todos os três se caracterizam por serem as vozes do dono, por sua postura propagandística, sem nenhum interesse no que dizem, nem brilho ou criatividade no que escrevem. São funcionários burocráticos da empresa, que exercem, da maneira que conseguem, seu burocrático papel de opositres, buscando catar supostas fraquezas do governo, que é seu único objetivo.
Nenhum tipo de análise, nenhuma nuance, nenhuma idéia. Para um jornal que precisaría desesperadamente de credibilidade, eles são um tiro no pé, uma confirmação da falta de credibilidade do jornal. O resto do jornal – das manchetes de primeira página às colunas de notícias – padece desse freio da rígida linha editorial, fazendo um jornal sem graça, sem interesse, sem repercussão.
No Rio de Janeiro, o conjunto dos órgãos da empresa, mesmo atuando fortemente a favor de algum candidato, perdem sempre. Lula ganhou nas duas últimas eleições no Rio; os Garotinhos, Sergio Cabral, Paes, mesmo Cesar Maia, se elegeram sem o apoio do jornal, que os atacava. Hoje, contra a vontade majoritária da grande maioria dos brasileiros, ficam de novo, acintosamente, na contramão da opinião do povo e do país, incluído claramente o povo do Rio de Janeiro, que sabe separar programas de diversão que lhe gosta ver, das inverdades que diz o jornal e os noticiários de rádio e televisão da Globo.
O outro são os movimentos sociais, em particular o MST, que causa ojeriza ao Estadão, pela defesa intransigente do direito à propriedade privada, pilar do sistema capitalista. (O jornal foi praticamente o órgão oficial das passeatas de preparação do golpe de 64, na defesa da “liberdade, da família e da propriedade”, valores aos quais continua fiel.) A liberdade, que inclui centralmente a de “imprensa” (privada, diga-se), protagonizada pela SIP – Sociedade Interamericana de Prensa -, órgão da Guerra Fria, cenário a que o jornal, rançoso, ainda se sente apegado. Os editoriais, sempre, e atualmente Dora Kramer, são os momentos mais patéticos do jornal, saudoso da Guerra Fria.
A FSP é o jornal que mais teve oscilações de imagem. Era um jornal sem nenhum peso até o golpe e mesmo durante boa parte da ditadura militar. O Estadão era o grande jornal de São Paulo. A FSP apoiou ativamente a preparação do golpe militar, sua realização e a instauração da ditadura, cumpriu tudo o que a ditadura determinava, com noticiários que escondiam os sequestros, desaparecimentos, execuções, publicando as versões oficiais, emprestando carros da empresa para a Oban.
Foi ao longo dos anos 80, quando levou Claudio Abramo do Estadão, que a FSP, pela primeira vez, ganhou prestígio, buscando espaço próprio na oposição liberal à ditadura. Pretendeu ser o órgão da “sociedade civil” contra o “Estado autoritário”, conforme a ideología hegemônica na oposição, advinda da teoria do autoritarismo de FHC. (A FSP tirava, todo ano, uma foto no teto do seu prédio na Barão de Limeira, com os que ela consderava os representantes da “sociedade civil”, de empresários a líderes sindicais, como que para expresar físicamente esse vínculo organizado com os setores que se opunham, em graus distintos, à ditadura.)
Consolidou essa imagen emprestando suas páginas para uma certo pluralismo, com um cronista semanal – Florestan Fernandes, Marilena Chaui, entre os mais conhecidos – do PT, e distintos políticos, intelectuais e líderes sociais escrevendo na sua página de opinião.
Desde a eleição de FHC, entrou em decadência, perdendo totalmente a credibilidade que o diferenciava. Colunistas com vínculos pessoais com os tucanos, como Clovis Rossi, Eliane Catanhede, outros, decadentes, como Jânio de Freitas, se arrastam melancolicamente na decadência geral do jornal, o que mais despencou na tiragem e o que mais se transformou nas duas últimas décadas. O filho do Frias pai conduz o jornal pelo abismo da intranscendência e do rancor, se parecendo cada vez mais com a Tribuna da Imprensa da época de Carlos Lacerda.
A Veja se assume, grotescamente, como o Diario Oficial da extrema direita, com paquidermes como colunistas, sensacionlismo de capa, projetando-se como má espécie de bushismo brasileiro. Com dificuldade para conciliar sua imagem de revista de generalidades com esse papel de brucutu da imprensa nacional, foi perdendo aceleradamente tiragem, o que aumenta a crise financeira que levou a empresa a pendurar-se em capitais externos.
Poderia ser menos afetada pela crise generalizada da imprensa, por ser uma revista semanal. Mas a brutalidade da sua orientação política a fez incorporar-se de cheio nessa queda. Terá papel ainda mais truculento na campanha eleitoral, jogando tudo para tentar barra a vitória do governo, esperando-se os golpes mais sujos da campanha da empresa dos Civita.
No conjunto, o cenário da imprensa brasileira – com a única exceção da Carta Capital, entre as publicações diárias e semanais – é deprimente e decadente. Uma vitória de Dilma – que os apavora, seria ficar mais quatro ou oito anos nessa posição de dirigentes opositores -, trará dilemas difíceis para essas empresas. É possível que uma ou outra busque reciclar-se para adaptar-se a novos tempos, em que inclusive tem que contar com o fim de toda uma geração de políticos estreitamente associados a ela, como FHC, Serra, Jereissatti, etc. Isso, associado a uma intensificação da crise econômica das empresas, deve colocar dilemas cruciais para órgãos que assumiram atitudes suicidas, contra a vontade expressa da maioria do povo brasileiro e pagam preço caro por isso.
*Emir Sader é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, jornalista, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ. Publicou, entre outros, os livros O poder, cadê o poder? - ensaios para uma nova esquerda, A vingança da história e Século XX: uma biografia não autorizada.
A decadência da imprensa brasileira
Nunca a imprensa esteve tão distante e contraposta à opinião do povo brasileiro. Daí seu isolamento e decadência, pelo menos sob sua forma atual.
A imprensa brasileira teve momentos da historia do país em que desempenhou papel determinante. Basta recordar o peso que teve nas mobilizações de desestabilização que levaram ao golpe de 1964, em que jornais como O Estado de Sao Paulo, a Tribuna da Imprensa, o Correio da Manhã, entre outros, tiveram o papel, pela primeira vez, de condutores ideológicos e políticos das forcas opositoras.
Setores da imprensa tiveram também um papel positivo, na campanha das diretas, quando outros tentavam esconder a amplitude do movimento e seu verdadeiro significado.
Assistimos hoje à decadência generalizada dessa mesma imprensa, que martela, cotidianamente, praticamente de forma total e monótona, ataques contra o governo Lula, logrando, no entanto, que apenas 5% da população rejeite o governo, enquanto mais de 80% o apóie. Nunca a imprensa brasileira esteve tão distante e contraposta à opinião do povo brasileiro. Daí seu isolamento e decadência, pelo menos sob sua forma atual.
As organizações Globo, que só possuiam um jornal, sem nenhuma importância, no Rio, antes do golpe, tiveram na ditadura sua grande alavanca, mas, ao mesmo tempo, o golpe insuperável de falta de credibilidade. Ficaram com a marca da ditadura, por mais que tentassem se reciclar, importando colunistas, usando a audiência da televisão para tentar conseguir mais público.
Atualmente dispõe de um trio que atenta contra qualquer credibilidade, que dá a tônica do jornal: Merval Pereira, Ali Kamel e Miriam Leitão. Todos os três se caracterizam por serem as vozes do dono, por sua postura propagandística, sem nenhum interesse no que dizem, nem brilho ou criatividade no que escrevem. São funcionários burocráticos da empresa, que exercem, da maneira que conseguem, seu burocrático papel de opositres, buscando catar supostas fraquezas do governo, que é seu único objetivo.
Nenhum tipo de análise, nenhuma nuance, nenhuma idéia. Para um jornal que precisaría desesperadamente de credibilidade, eles são um tiro no pé, uma confirmação da falta de credibilidade do jornal. O resto do jornal – das manchetes de primeira página às colunas de notícias – padece desse freio da rígida linha editorial, fazendo um jornal sem graça, sem interesse, sem repercussão.
No Rio de Janeiro, o conjunto dos órgãos da empresa, mesmo atuando fortemente a favor de algum candidato, perdem sempre. Lula ganhou nas duas últimas eleições no Rio; os Garotinhos, Sergio Cabral, Paes, mesmo Cesar Maia, se elegeram sem o apoio do jornal, que os atacava. Hoje, contra a vontade majoritária da grande maioria dos brasileiros, ficam de novo, acintosamente, na contramão da opinião do povo e do país, incluído claramente o povo do Rio de Janeiro, que sabe separar programas de diversão que lhe gosta ver, das inverdades que diz o jornal e os noticiários de rádio e televisão da Globo.
Diminuem sua tiragem, perdem público abertamente para a internet, para os jornais gratuitos, para os jornais populares vendidos. Melancolicamente, se arrasta o jornal, na fúria antilulista, sem repercussão política alguma.
O Estadão sempre foi o jornal conservador por excelência, com certa discrição, boa cobertura internacional, posições claramente direitistas. Conforme foi perdendo público para a FSP, que aparecia mais atraente para os jovens, mais ligada à oposicao à ditadura, tratou de rejuvenescer. Como jornal mais organicamente ligado às entidades empresariais, tem uma avaliação mais equilibrada da política econômica, valorizando seus avanços, no marco das críticas tradicionais do liberalismo dos “gastos excessivos do Estado”.
Além do papel do Estado na economia, suas maiores preocupações e críticas ao governo são na política internacional. Sua predileção, em tudo e por tudo, com os EUA, fica ferida com as alianças com os países do Sul do mundo e com os da América Latina em particular. A política externa soberana do Brasil os incomoda profundamente, transformando-se num dos temas mais usuais e violentos dos editorais.
O outro são os movimentos sociais, em particular o MST, que causa ojeriza ao Estadão, pela defesa intransigente do direito à propriedade privada, pilar do sistema capitalista. (O jornal foi praticamente o órgão oficial das passeatas de preparação do golpe de 64, na defesa da “liberdade, da família e da propriedade”, valores aos quais continua fiel.) A liberdade, que inclui centralmente a de “imprensa” (privada, diga-se), protagonizada pela SIP – Sociedade Interamericana de Prensa -, órgão da Guerra Fria, cenário a que o jornal, rançoso, ainda se sente apegado. Os editoriais, sempre, e atualmente Dora Kramer, são os momentos mais patéticos do jornal, saudoso da Guerra Fria.A FSP é o jornal que mais teve oscilações de imagem. Era um jornal sem nenhum peso até o golpe e mesmo durante boa parte da ditadura militar. O Estadão era o grande jornal de São Paulo. A FSP apoiou ativamente a preparação do golpe militar, sua realização e a instauração da ditadura, cumpriu tudo o que a ditadura determinava, com noticiários que escondiam os sequestros, desaparecimentos, execuções, publicando as versões oficiais, emprestando carros da empresa para a Oban.
Foi ao longo dos anos 80, quando levou Claudio Abramo do Estadão, que a FSP, pela primeira vez, ganhou prestígio, buscando espaço próprio na oposição liberal à ditadura. Pretendeu ser o órgão da “sociedade civil” contra o “Estado autoritário”, conforme a ideología hegemônica na oposição, advinda da teoria do autoritarismo de FHC. (A FSP tirava, todo ano, uma foto no teto do seu prédio na Barão de Limeira, com os que ela consderava os representantes da “sociedade civil”, de empresários a líderes sindicais, como que para expresar físicamente esse vínculo organizado com os setores que se opunham, em graus distintos, à ditadura.)
Consolidou essa imagen emprestando suas páginas para uma certo pluralismo, com um cronista semanal – Florestan Fernandes, Marilena Chaui, entre os mais conhecidos – do PT, e distintos políticos, intelectuais e líderes sociais escrevendo na sua página de opinião.
Desde a eleição de FHC, entrou em decadência, perdendo totalmente a credibilidade que o diferenciava. Colunistas com vínculos pessoais com os tucanos, como Clovis Rossi, Eliane Catanhede, outros, decadentes, como Jânio de Freitas, se arrastam melancolicamente na decadência geral do jornal, o que mais despencou na tiragem e o que mais se transformou nas duas últimas décadas. O filho do Frias pai conduz o jornal pelo abismo da intranscendência e do rancor, se parecendo cada vez mais com a Tribuna da Imprensa da época de Carlos Lacerda.
A Veja se assume, grotescamente, como o Diario Oficial da extrema direita, com paquidermes como colunistas, sensacionlismo de capa, projetando-se como má espécie de bushismo brasileiro. Com dificuldade para conciliar sua imagem de revista de generalidades com esse papel de brucutu da imprensa nacional, foi perdendo aceleradamente tiragem, o que aumenta a crise financeira que levou a empresa a pendurar-se em capitais externos.
Poderia ser menos afetada pela crise generalizada da imprensa, por ser uma revista semanal. Mas a brutalidade da sua orientação política a fez incorporar-se de cheio nessa queda. Terá papel ainda mais truculento na campanha eleitoral, jogando tudo para tentar barra a vitória do governo, esperando-se os golpes mais sujos da campanha da empresa dos Civita.
No conjunto, o cenário da imprensa brasileira – com a única exceção da Carta Capital, entre as publicações diárias e semanais – é deprimente e decadente. Uma vitória de Dilma – que os apavora, seria ficar mais quatro ou oito anos nessa posição de dirigentes opositores -, trará dilemas difíceis para essas empresas. É possível que uma ou outra busque reciclar-se para adaptar-se a novos tempos, em que inclusive tem que contar com o fim de toda uma geração de políticos estreitamente associados a ela, como FHC, Serra, Jereissatti, etc. Isso, associado a uma intensificação da crise econômica das empresas, deve colocar dilemas cruciais para órgãos que assumiram atitudes suicidas, contra a vontade expressa da maioria do povo brasileiro e pagam preço caro por isso.
*Emir Sader é doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, jornalista, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da UERJ. Publicou, entre outros, os livros O poder, cadê o poder? - ensaios para uma nova esquerda, A vingança da história e Século XX: uma biografia não autorizada.
01 abril 2010
Ciência brasileira: caramujo ameaçador
Ciência Hoje Online:
Caramujo pode disseminar doenças
Estudo brasileiro comprova que o caramujo-gigante-africano pode se infectar naturalmente por vermes que são transmitidos aos humanos por meio de alimentos mal lavados e podem causar grave infecção intestinal, meningite e até a morte.
. O caramujo-gigante-africano infectado por Angiostrongylus pode contribuir para a disseminação de duas doenças causadas por esse verme: a angiostrongilíase abdominal e a meningoencefalite eosinofílica. A comprovação foi obtida a partir de estudo feito em parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp-São Vicente) e o Centro de Pesquisas René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz, em Belo Horizonte (MG).
. A partir de estudos anteriores, os cientistas acreditavam que o Achatina fulica, nome científico do caramujo-gigante-africano, poderia ser contaminado pelo nematódeo Angiostrongylus apenas em laboratório. Entretanto, a bióloga Iracy Léa Pecora, da Unesp, analisou uma amostra de três mil animais, coletados em São Vicente (SP), e constatou que aproximadamente 10% estavam infectados pelo verme. “A quantidade ainda é baixa, mas indica que os caramujos podem estar naturalmente infectados”, diz.
. O Achatina fulica é um dos hospedeiros intermediários do Angiostrongylus, que, na forma adulta, vive no organismo de pequenos roedores, como ratos. “Após a reprodução dos vermes adultos, surgem larvas que são expelidas junto com as fezes do roedor. São essas larvas que infectam os caramujos”, explica Pecora.
. Leia a matéria na íntegra http://migre.me/t24s
Caramujo pode disseminar doenças
Estudo brasileiro comprova que o caramujo-gigante-africano pode se infectar naturalmente por vermes que são transmitidos aos humanos por meio de alimentos mal lavados e podem causar grave infecção intestinal, meningite e até a morte.
. O caramujo-gigante-africano infectado por Angiostrongylus pode contribuir para a disseminação de duas doenças causadas por esse verme: a angiostrongilíase abdominal e a meningoencefalite eosinofílica. A comprovação foi obtida a partir de estudo feito em parceria entre a Universidade Estadual Paulista (Unesp-São Vicente) e o Centro de Pesquisas René Rachou da Fundação Oswaldo Cruz, em Belo Horizonte (MG).
. A partir de estudos anteriores, os cientistas acreditavam que o Achatina fulica, nome científico do caramujo-gigante-africano, poderia ser contaminado pelo nematódeo Angiostrongylus apenas em laboratório. Entretanto, a bióloga Iracy Léa Pecora, da Unesp, analisou uma amostra de três mil animais, coletados em São Vicente (SP), e constatou que aproximadamente 10% estavam infectados pelo verme. “A quantidade ainda é baixa, mas indica que os caramujos podem estar naturalmente infectados”, diz.
. O Achatina fulica é um dos hospedeiros intermediários do Angiostrongylus, que, na forma adulta, vive no organismo de pequenos roedores, como ratos. “Após a reprodução dos vermes adultos, surgem larvas que são expelidas junto com as fezes do roedor. São essas larvas que infectam os caramujos”, explica Pecora.
. Leia a matéria na íntegra http://migre.me/t24s
A Folha de S. Paulo admite
. “Índices de desaprovação de Kassab evidenciam o esgotamento de medidas cosméticas para superar o caos urbano em SP”, afirma, em editorial, a Folha de S. Paulo.
. Mais: que reconhece. Mais: ”Do fechamento de albergues para mendigos às imagens de bairros submersos na sujeira, a paisagem paulistana conheceu deterioração marcante.”
. Em tempo: Kassab é prefeito demo-tucano, como a Folha.
. Mais: que reconhece. Mais: ”Do fechamento de albergues para mendigos às imagens de bairros submersos na sujeira, a paisagem paulistana conheceu deterioração marcante.”
. Em tempo: Kassab é prefeito demo-tucano, como a Folha.
Slogan de campanha?
. Serra diz que o País “pode mais”.
. Pode, sim – desde que ele não vença a eleição. Seria um retrocesso ao “pode quase nada”.
. Pode, sim – desde que ele não vença a eleição. Seria um retrocesso ao “pode quase nada”.
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