A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
05 janeiro 2012
Besteirol em alta
Sucesso da futilidade: jornais e portais de notícias na internet dão destaque à lista dos concorrentes à nova rodada do Big Brother Brasil. Que coisa!
04 janeiro 2012
Mineral de outro mundo
Ciência Hoje Online:
Quasicristal extraterrestre
Pesquisadores sugerem que única amostra de quasicristal natural já encontrada na Terra tenha vindo para o nosso planeta de carona em um meteorito há 4,5 bilhões de anos. O estudo do mineral pode ajudar a entender mistérios da formação do universo.
. Escondida no interior de uma rocha encontrada nas Montanhas Koryak, na Rússia, e guardada por anos no Museu de História Natural da Universidade de Florença, na Itália, uma equipe de pesquisadores encontrou a primeira mostra de quasicristal natural em 2009. Agora, depois de análises mais aprofundadas, os cientistas sugerem que o mineral teve origem fora do nosso planeta, onde veio parar há 4,5 bilhões de anos em um meteorito.
.Quasicristais são materiais que, diferentemente dos cristais comuns, têm sua estrutura atômica arranjada de modo simétrico, mas não periódico, ou seja, eles não podem ser identificados apenas por uma unidade básica que se repete. Ao olhar para um cristal ao microscópio, os cientistas veem padrões idênticos. No quasicristal existem padrões simétricos, mas eles não se repetem.
. Esses minerais foram descritos há 30 anos sob sua forma sintética, criada em laboratório, e renderam ao seu descobridor, o físico israelense Daniel Schechtman, o prêmio Nobel de Química do ano passado. Hoje, são usados pela indústria para criar ligas de aço ultrarresistentes e também como isolantes térmicos em motores e frigideiras, em substituição ao teflon.
. Leia mais http://goo.gl/uiZBM
Quasicristal extraterrestre
Pesquisadores sugerem que única amostra de quasicristal natural já encontrada na Terra tenha vindo para o nosso planeta de carona em um meteorito há 4,5 bilhões de anos. O estudo do mineral pode ajudar a entender mistérios da formação do universo.
. Escondida no interior de uma rocha encontrada nas Montanhas Koryak, na Rússia, e guardada por anos no Museu de História Natural da Universidade de Florença, na Itália, uma equipe de pesquisadores encontrou a primeira mostra de quasicristal natural em 2009. Agora, depois de análises mais aprofundadas, os cientistas sugerem que o mineral teve origem fora do nosso planeta, onde veio parar há 4,5 bilhões de anos em um meteorito.
.Quasicristais são materiais que, diferentemente dos cristais comuns, têm sua estrutura atômica arranjada de modo simétrico, mas não periódico, ou seja, eles não podem ser identificados apenas por uma unidade básica que se repete. Ao olhar para um cristal ao microscópio, os cientistas veem padrões idênticos. No quasicristal existem padrões simétricos, mas eles não se repetem.
. Esses minerais foram descritos há 30 anos sob sua forma sintética, criada em laboratório, e renderam ao seu descobridor, o físico israelense Daniel Schechtman, o prêmio Nobel de Química do ano passado. Hoje, são usados pela indústria para criar ligas de aço ultrarresistentes e também como isolantes térmicos em motores e frigideiras, em substituição ao teflon.
. Leia mais http://goo.gl/uiZBM
Um olhar sobre o retorno do Padre Vito
Padre Vito Miracapillo: O avião da expulsão deu a volta!
Ruy Sarinho*
Visivelmente emocionado, feliz da vida e sorrindo muito, o Padre Vito Miracapillo foi recebido nos braços dos seus amigos de Ribeirão e de Pernambuco, na noite dessa terça-feira, 03 de janeiro de 2012, mais de 31 anos após ser expulso do Brasil, em outubro de 1980, nos últimos anos da ditadura militar de 1964, pelo general-ditador de plantão, João Batista Figueiredo, aquele que gostava mais do cheiro do cavalo do que do povo brasileiro.
Depois do desembarque, cercado por umas cinquenta pessoas que foram recepcioná-lo, entre antigos participantes da Pastoral Católica de Ribeirão, integrantes de movimentos de direitos humanos, políticos, jornalistas, simples admiradores, ou apenas curiosos, o Padre Vito falou ao telefone com o arcebispo de Palmares, Dom Genival Saraiva de França. Na conversa, com um forte brilho nos olhos e um sorriso expansivo, ele resumiu ao amigo todo o seu sentimento, nesta volta definitiva a Pernambuco: “O avião da expulsão deu a volta”!
Entre seus amigos e seguidores, o casal Norma Sueli e Oscar Tavares de Melo, casado pelo Padre Vito no mesmo ano de sua expulsão do País, Cícero Tavares de Melo e Sônia, todos participantes da Paróquia de Ribeirão na época em que o religioso desenvolvia seu trabalho naquela Cidade da Zona da Mata pernambucana, eram o autêntico retrato da felicidade. Eles relembravam atitudes do Padre Vito, na defesa da população massacrada pelos latifundiários aboletados em suas grandes fazendas, atuação que incomodava esses distintos simpatizantes do golpe militar. “O Padre Vito denunciava as injustiças e fazia a população refletir sobre elas”, sintetizou Oscar. Já sua mulher, Norma Sueli, com as flores nas mãos que levou para o querido amigo, ria ao lembrar que na estrada, no seu fusquinha acanhado, ele saía dando carona a todo mundo que encontrava pelo caminho. “Entravam mais de dez, de um em um; certa vez, ele terminou com o volante solto, na sua mão”, contou.
A história, ainda tem gente, principalmente os mais novos, que não conhece, ou apenas ouviu falar. No dia sete de setembro de 1980, o Padre Vito Miracapillo recusou-se a celebrar a missa programada pela Prefeitura Municipal de Ribeiro, Cidade da qual era o pároco, em comemoração ao Dia da Independência do Brasil, por entender que aquele povo, sofrido e humilhado pela miséria social, pela exploração dos patrões do coronelismo rural e violência da ditadura militar vigente, não havia conquistado, ainda, a sua independência. Depois do episódio, incitado por esses latifundiários e pela ação de um obscuro e folclórico deputado estadual, Severino Cavalcante, que era uma dos mais fiéis lambedores das botas dos generais, João Batista Figueiredo baixou um decreto, expulsando o religioso do Brasil.
“Para nós, foi a morte”, definiu a paroquiana de Ribeirão, Norma Sueli. Apesar da frase forte da sua amiga fiel, de certa forma, a expulsão do padre italiano Vito Miracapillo pode ter sido a salvação de sua vida. Ninguém que viveu aquela época duvida que se ele, tivesse permanecido em Ribeirão, poderia ter sido assassinado, como o Padre Henrique, por pistoleiros contratados pelos fazendeiros da região, com o aval dos militares, incomodados com as suas pregações e com a mobilização dos camponeses, que eram orientados por ele a defenderem e lutarem por seus direitos, por suas vidas.
Nesta volta, o Padre Vito Miracapillo terá o seu visto permanente no Brasil renovado, a partir de ação impetrada no Ministério da Justiça pelo advogado e ex-deputado, Pedro Eurico, que foi um dos que o recepcionaram, no Aeroporto Internacional dos Guararapes, neste retorno festivo e emocionante a Pernambuco. Sob o coro dos seus amigos, cantando a música-poema Vito, Vito, Vitória!, composta na época pelo Padre Reginaldo Veloso, do Morro da Conceição, o momento ainda ganhou mais emoção quando todos, em coro, leram em voz alta as palavras proféticas de Dom Helder Câmara, publicadas em 31.10.1980, pelo Jornal Do Brasil, e impressas na contracapa do livro O Caso Padre Miracapillo:
“Em lugar de julgar os juízes da nossa Corte Suprema, prefiro dirigir-me ao Padre Vito: vá tranquilo, Padre Vito. Agradeço a Deus que você não leve travo nenhum em seu coração. Continuaremos a luta pacífica, mas corajosa, da qual você participou. Continuaremos, inclusive, a sustentar que defender os direitos humanos é direito e dever de todas as criaturas humanas, sobretudo os cristãos. Saiba que não é o povo brasileiro que o está expulsando. E alegra-me pensar que, assim que o Estatuto dos Estrangeiros assumir uma redação humana, você voltará a este país e a este povo que você leva em seu coração (...) A Igreja, com a ajuda divina, não mudará sua linha pastoral, aprovada abertamente pelo Santo Padre, em sua inesquecível visita ao país” (Dom Helder Câmara).
* Ruy Sarinho é jornalista, titular da Sintonia, jornalismo e comunicação popular.
Ruy Sarinho*
Visivelmente emocionado, feliz da vida e sorrindo muito, o Padre Vito Miracapillo foi recebido nos braços dos seus amigos de Ribeirão e de Pernambuco, na noite dessa terça-feira, 03 de janeiro de 2012, mais de 31 anos após ser expulso do Brasil, em outubro de 1980, nos últimos anos da ditadura militar de 1964, pelo general-ditador de plantão, João Batista Figueiredo, aquele que gostava mais do cheiro do cavalo do que do povo brasileiro.
Depois do desembarque, cercado por umas cinquenta pessoas que foram recepcioná-lo, entre antigos participantes da Pastoral Católica de Ribeirão, integrantes de movimentos de direitos humanos, políticos, jornalistas, simples admiradores, ou apenas curiosos, o Padre Vito falou ao telefone com o arcebispo de Palmares, Dom Genival Saraiva de França. Na conversa, com um forte brilho nos olhos e um sorriso expansivo, ele resumiu ao amigo todo o seu sentimento, nesta volta definitiva a Pernambuco: “O avião da expulsão deu a volta”!
Entre seus amigos e seguidores, o casal Norma Sueli e Oscar Tavares de Melo, casado pelo Padre Vito no mesmo ano de sua expulsão do País, Cícero Tavares de Melo e Sônia, todos participantes da Paróquia de Ribeirão na época em que o religioso desenvolvia seu trabalho naquela Cidade da Zona da Mata pernambucana, eram o autêntico retrato da felicidade. Eles relembravam atitudes do Padre Vito, na defesa da população massacrada pelos latifundiários aboletados em suas grandes fazendas, atuação que incomodava esses distintos simpatizantes do golpe militar. “O Padre Vito denunciava as injustiças e fazia a população refletir sobre elas”, sintetizou Oscar. Já sua mulher, Norma Sueli, com as flores nas mãos que levou para o querido amigo, ria ao lembrar que na estrada, no seu fusquinha acanhado, ele saía dando carona a todo mundo que encontrava pelo caminho. “Entravam mais de dez, de um em um; certa vez, ele terminou com o volante solto, na sua mão”, contou.
A história, ainda tem gente, principalmente os mais novos, que não conhece, ou apenas ouviu falar. No dia sete de setembro de 1980, o Padre Vito Miracapillo recusou-se a celebrar a missa programada pela Prefeitura Municipal de Ribeiro, Cidade da qual era o pároco, em comemoração ao Dia da Independência do Brasil, por entender que aquele povo, sofrido e humilhado pela miséria social, pela exploração dos patrões do coronelismo rural e violência da ditadura militar vigente, não havia conquistado, ainda, a sua independência. Depois do episódio, incitado por esses latifundiários e pela ação de um obscuro e folclórico deputado estadual, Severino Cavalcante, que era uma dos mais fiéis lambedores das botas dos generais, João Batista Figueiredo baixou um decreto, expulsando o religioso do Brasil.
“Para nós, foi a morte”, definiu a paroquiana de Ribeirão, Norma Sueli. Apesar da frase forte da sua amiga fiel, de certa forma, a expulsão do padre italiano Vito Miracapillo pode ter sido a salvação de sua vida. Ninguém que viveu aquela época duvida que se ele, tivesse permanecido em Ribeirão, poderia ter sido assassinado, como o Padre Henrique, por pistoleiros contratados pelos fazendeiros da região, com o aval dos militares, incomodados com as suas pregações e com a mobilização dos camponeses, que eram orientados por ele a defenderem e lutarem por seus direitos, por suas vidas.
Nesta volta, o Padre Vito Miracapillo terá o seu visto permanente no Brasil renovado, a partir de ação impetrada no Ministério da Justiça pelo advogado e ex-deputado, Pedro Eurico, que foi um dos que o recepcionaram, no Aeroporto Internacional dos Guararapes, neste retorno festivo e emocionante a Pernambuco. Sob o coro dos seus amigos, cantando a música-poema Vito, Vito, Vitória!, composta na época pelo Padre Reginaldo Veloso, do Morro da Conceição, o momento ainda ganhou mais emoção quando todos, em coro, leram em voz alta as palavras proféticas de Dom Helder Câmara, publicadas em 31.10.1980, pelo Jornal Do Brasil, e impressas na contracapa do livro O Caso Padre Miracapillo:
“Em lugar de julgar os juízes da nossa Corte Suprema, prefiro dirigir-me ao Padre Vito: vá tranquilo, Padre Vito. Agradeço a Deus que você não leve travo nenhum em seu coração. Continuaremos a luta pacífica, mas corajosa, da qual você participou. Continuaremos, inclusive, a sustentar que defender os direitos humanos é direito e dever de todas as criaturas humanas, sobretudo os cristãos. Saiba que não é o povo brasileiro que o está expulsando. E alegra-me pensar que, assim que o Estatuto dos Estrangeiros assumir uma redação humana, você voltará a este país e a este povo que você leva em seu coração (...) A Igreja, com a ajuda divina, não mudará sua linha pastoral, aprovada abertamente pelo Santo Padre, em sua inesquecível visita ao país” (Dom Helder Câmara).
* Ruy Sarinho é jornalista, titular da Sintonia, jornalismo e comunicação popular.
Uma fonte para fortalecer o SUS
Financiamento da Saúde: por que taxar grandes fortunas
Jandira Feghalli
Somos mais de 190 milhões. O nosso país melhorou bastante socialmente, mas ainda convivemos com grandes disparidades de renda, patrimônio, escolaridade, acesso a bens e serviços públicos. Também desproporcional é a relação entre a capacidade econômica das pessoas e a tributação a que estão submetidas. Nosso sistema tributário não está voltado para diminuir as desigualdades. Segundo o Ipea, as famílias mais pobres, com renda de até dois salários mínimos, gastam 49% da renda com tributos; para as com renda superior a 30 mínimos, com maior capacidade econômica e patrimônio muito superior, a conta é quase a metade, 26%.
Nesse sistema injusto, 16,3 milhões estão obrigados a apresentar e pagar Imposto de Renda. Analisando dados da Secretaria da Receita, percebe-se o tamanho da concentração patrimonial. Na base da pirâmide, mais de 97% dos declarantes possuem apenas 49% do patrimônio declarado. No topo, 0,1%, cerca de 18 mil pessoas, concentram 26% do patrimônio do conjunto das pessoas físicas. Na tentativa de contribuir para um sistema tributário mais justo, tramita na Câmara o projeto de lei complementar 48/11, do deputado Dr. Aluízio (PV/RJ), que cria a Contribuição Social sobre Grandes Fortunas, do qual sou relatora, na Comissão de Seguridade Social e Família. O projeto tem vantagens sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas previsto na Constituição há mais de 20 anos e não instituído até hoje: como contribuição social, as receitas arrecadadas podem ser direcionadas para a Saúde, faculdade impedida no caso dos impostos, que são desvinculados; e podem se r alcançadas fortunas sob as mais diversas formas patrimoniais, o que também enfrentaria óbices com o imposto. Nos termos do meu voto, a arrecadação da contribuição significará aporte adicional de R$14 bilhões para a Saúde. Somente serão tributadas pessoas com patrimônio líquido superior a R$4 milhões, depois de deduzidos, integral ou parcialmente, imóveis residenciais e outros bens relacionados ao trabalho (salas, consultórios e respectivos equipamentos). Pelos dados da Receita, há apenas 56 mil pessoas habilitadas nas faixas patrimoniais acima desse piso. O projeto determina tributação progressiva. Uma pessoa com patrimônio de R$5 milhões pagaria 0,4% sobre o que exceder a R$4 milhões. Desse modo contribuiria com R$4 mil. Com patrimônio de R$20 milhões, a alíquota seria de 0,8% e, depois de abatimentos e descontos, pagaria R$87 mil. Aqueles com patrimônio de R$100 milhões seriam tributados em R$1,04 milhão. Para melhor atender à justiça fiscal, 70% da arrecadação viriam de 900 indivíduos cujas fortunas ultrapassam R$115 milhões. Será, de fato, uma contribuição sobre grandes fortunas.
Vale ressaltar que, nas maiores faixas patrimoniais, acima de R$120 milhões e de R$150 milhões, as alíquotas seriam de 1,8% e 2,1%. Embora produzam efeito, são alíquotas diminutas frente à evolução patrimonial dessas pessoas. A Receita informa que, ao longo de 2009 – um ano de crise -, o patrimônio das pessoas que superam a casa dos R$100 milhões elevou-se de R$418 bilhões para R$542 bilhões, crescendo 30% num único ano. Nesse contexto, uma tributação adicional de 2% representa muito pouco para esse pequeniníssimo segmento social, mas representará um significativo aporte de recursos para a saúde pública que atende os 190 milhões de brasileiros.
Publicado no jornal O Globo.
Jandira Feghalli
Somos mais de 190 milhões. O nosso país melhorou bastante socialmente, mas ainda convivemos com grandes disparidades de renda, patrimônio, escolaridade, acesso a bens e serviços públicos. Também desproporcional é a relação entre a capacidade econômica das pessoas e a tributação a que estão submetidas. Nosso sistema tributário não está voltado para diminuir as desigualdades. Segundo o Ipea, as famílias mais pobres, com renda de até dois salários mínimos, gastam 49% da renda com tributos; para as com renda superior a 30 mínimos, com maior capacidade econômica e patrimônio muito superior, a conta é quase a metade, 26%.
Nesse sistema injusto, 16,3 milhões estão obrigados a apresentar e pagar Imposto de Renda. Analisando dados da Secretaria da Receita, percebe-se o tamanho da concentração patrimonial. Na base da pirâmide, mais de 97% dos declarantes possuem apenas 49% do patrimônio declarado. No topo, 0,1%, cerca de 18 mil pessoas, concentram 26% do patrimônio do conjunto das pessoas físicas. Na tentativa de contribuir para um sistema tributário mais justo, tramita na Câmara o projeto de lei complementar 48/11, do deputado Dr. Aluízio (PV/RJ), que cria a Contribuição Social sobre Grandes Fortunas, do qual sou relatora, na Comissão de Seguridade Social e Família. O projeto tem vantagens sobre o Imposto sobre Grandes Fortunas previsto na Constituição há mais de 20 anos e não instituído até hoje: como contribuição social, as receitas arrecadadas podem ser direcionadas para a Saúde, faculdade impedida no caso dos impostos, que são desvinculados; e podem se r alcançadas fortunas sob as mais diversas formas patrimoniais, o que também enfrentaria óbices com o imposto. Nos termos do meu voto, a arrecadação da contribuição significará aporte adicional de R$14 bilhões para a Saúde. Somente serão tributadas pessoas com patrimônio líquido superior a R$4 milhões, depois de deduzidos, integral ou parcialmente, imóveis residenciais e outros bens relacionados ao trabalho (salas, consultórios e respectivos equipamentos). Pelos dados da Receita, há apenas 56 mil pessoas habilitadas nas faixas patrimoniais acima desse piso. O projeto determina tributação progressiva. Uma pessoa com patrimônio de R$5 milhões pagaria 0,4% sobre o que exceder a R$4 milhões. Desse modo contribuiria com R$4 mil. Com patrimônio de R$20 milhões, a alíquota seria de 0,8% e, depois de abatimentos e descontos, pagaria R$87 mil. Aqueles com patrimônio de R$100 milhões seriam tributados em R$1,04 milhão. Para melhor atender à justiça fiscal, 70% da arrecadação viriam de 900 indivíduos cujas fortunas ultrapassam R$115 milhões. Será, de fato, uma contribuição sobre grandes fortunas.
Vale ressaltar que, nas maiores faixas patrimoniais, acima de R$120 milhões e de R$150 milhões, as alíquotas seriam de 1,8% e 2,1%. Embora produzam efeito, são alíquotas diminutas frente à evolução patrimonial dessas pessoas. A Receita informa que, ao longo de 2009 – um ano de crise -, o patrimônio das pessoas que superam a casa dos R$100 milhões elevou-se de R$418 bilhões para R$542 bilhões, crescendo 30% num único ano. Nesse contexto, uma tributação adicional de 2% representa muito pouco para esse pequeniníssimo segmento social, mas representará um significativo aporte de recursos para a saúde pública que atende os 190 milhões de brasileiros.
Publicado no jornal O Globo.
Mero boato
Não faz nenhum sentido matéria do Correio Braziliense, replicada pelo Diário de Pernambuco, sugerindo problemas entre Aldo Rebelo e o PCdoB.
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