29 agosto 2014

De tudo um pouco

Na “Roda de conversa” de ontem, no Café Castro Alves, da greve dos rodoviários às transformações em curso no Brasil desde 2003, incluindo o desafio das reformas estruturais, educação, arte e cultura. A palavra livre, o bate-papo descontraído e esclarecedor. Terça-feira tem mais. (Foto: Jean Falcão)

28 agosto 2014

Programa bem sucedido

Em 2012, em Pernambuco, a partir do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), o governo Dilma contribuiu para que mais de 40 milhões de quilos de alimentos foram produzidos por 9.853 agricultores familiares, com lucro de R$ 44.018.751, destinados a 216 entidades no estado.

Rumo

Chris Cisneiros
A terça-feira é de Vinícius de Moraes: “Não quero o que tenho/Pelo que custou/Não sei de onde venho/Sei para onde vou.” 

O que importa discutir

O debate da Band e outros debates

Luciano Siqueira

Um momento privilegiado da democracia, como costumam afirmar os candidatos participantes de debates, como o da Band, terça-feira última? Nem tanto, porque o formato que adotam serve para muitas coisas, menos para a clara explicitação do conteúdo dos programas de governo – o cerne da diferenciação entre os diversos postulantes.

Nem os debates, tampouco as entrevistas ao modelo do Jornal Nacional. Repórteres se esmeram na tentativa de constranger os entrevistados com perguntas supostamente embaraçosas, periféricas em relação ao que cada um pensa sobre o País e o que propõe para enfrentar as questões cruciais do seu atual estágio de desenvolvimento. No caso da Rede Globo, permeia todas as entrevistas o falso pressuposto de que todos – candidatos, partidos, apoiadores mais próximos – estão de algum modo envolvidos com a corrupção ou, no mínimo, são coniventes.

Daí porque, em relação aos debates televisivos, diz-se que, do ponto de vista de cada candidato, o importante é não perder – ou seja, não cair em nenhuma casca de banana ou responder mal a uma provocação. Ganhar é não perder. E pronunciar, se possível, uma frase de efeito, ou algo parecido, que sirva como destaque no noticiário do dia seguinte. Isto porque, mais importante até do que o debate em si, é a exploração dele no noticiário ou as versões veiculadas nas redes sociais.

Demais, há estudos que atestam a ineficácia desses debates como fator de alteração significativa no comportamento do eleitor. Seja bela baixa audiência, seja mesmo porque pouco ou nada esclarecem.

Pior: de certo modo o formato e o conteúdo dos debates televisivos – além do da Band vêm aí outros, inclusive o da autoproclamada Venus Platinada – refletem a superficialidade das ideias disseminadas na campanha eleitoral. A questão nodal da eleição presidencial – o confronto entre projetos nacionais diametralmente opostos – é tangenciada.

Ainda bem que há as redes sociais e blogs, apesar do tiroteio entre adeptos das principais candidaturas. O fato é que, distinguindo-se o joio e o trigo, na internet flui um bom debate, este sim, em que argumentos e dados possibilitam a identificação do conteúdo essencial dos projetos encarnados por Dilma e Aécio, e mesmo Marina, apesar da brutal tergiversação que a “sonhática pratica”, em nome de uma suposta terceira via, capaz de conduzir o País apoiada nos “bons” de cada partido, escoimando-se da gestão os “maus” – num maniqueísmo de fachada que rebaixa o nível da discussão e desinforma o eleitor.

Há, de toda sorte, milhares de internautas e blogueiros capazes de tomar partido e de trazerem à superfície a diferenciação tão necessária ao caráter efetivamente democrático da peleja eleitoral. Que cumpram o seu papel. (Publicado no portal Vermelho www.vermelho.org.br)

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Bolsa Estiagem

O Bolsa Estiagem, programa do governo federal que desde 2004 ajuda agricultores familiares com renda mensal média de até 2 salários mínimos quando essas pessoas são atingidas por desastres naturais, beneficiou em Pernambuco, 87,8 mil agricultores em 89 municípios.

27 agosto 2014

Destaques no debate da Band

Debate entre os presidenciáveis: Dilma é o alvo

O primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República na noite desta terça-feira (26) na TV Bandeirantes, com o aumento do número de participantes,  se estendeu por mais de três horas, entrando pela madrugada da quarta-feira (27). A presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) foi o alvo preferido, inclusive dos jornalistas da Band, que se valiam do candidato tucano, Aécio Neves, para atacar as iniciativas do governo de regulamentação da mídia e participação popular. 
Márcia Xavier, no Vermelho
A variedade de temas abordados e o número de candidatos impediram o aprofundamento da abordagem dos assuntos. Os candidatos também procuraram falar mais sobre a mensagem que queria levar ao eleitor do que responder as perguntas que, na maioria das vezes, chegava a provocação. As polêmicas maiores envolveram principalmente os três candidatos mais bem posicionados na pesquisa de intenção de voto. Além de Dilma Rousseff e Aécio Neves, Marina Silva (PSB) foi cobrada sobre suas posições.

As regras do debate impediam que um mesmo candidato fosse questionado mais de duas vezes em um mesmo bloco, para garantir que todos os demais candidatos participassem. O pastor Everaldo (PSC) defendeu o Estado mínimo, enquanto a candidato da Psol, Luciana Genro, anunciou que, se eleita, iria enfrentar o capital financeiro, acusando todos os demais candidatos de produzirem o mesmo modelo macroeconômico, que beneficia o capital e penaliza o trabalhador.

A presidenta Dilma foi a única que fugiu aos discursos subjetivos e as frases feitas de defesa da saúde, educação, segurança e infraestrutura. Ela apresentou os programas e ações que estão sendo realizados por seu governo, dando continuidade aos projetos do ex-presidente Lula, e apontou para avanços e aprofundamentos nas mudanças até aqui implementadas.

Ela citou por diversas vezes o Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) para defender a educação como a base para o novo ciclo de desenvolvimento do país.

Novo ciclo de crescimento - No bloco em que os jornalistas perguntavam aos candidatos, o jornalista Boris Casoy perguntou a Dilma, com réplica de Aécio, sobre a economia. Dilma disse que o Brasil enfrenta uma crise internacional e que ela refez a velha receita que desemprega, arrocha salários e aumenta impostos e tarifas para o enfrentamento da crise. “Nos recusamos a fazer isso, mantemos o nível de emprego e a inflação sobre controle. Ela está na mesma situação do que ocorreu nos últimos nove anos”, afirmou.

Segundo ela, “criamos as condições para novo ciclo de crescimento, investindo em infraestrutura e educação, como o governo está fazendo. É inequívoco que as pessoas hoje têm mais oportunidades. O filho do trabalhador pode virar doutor”, enfatizando que a educação é o caminho para o nosso futuro. E citou os programas como Ciências sem Fronteiras, o Pronatec entre outros, que pretende ampliar em seu segundo mandato.

Aécio tentou ironizar e insistiu em falar sobre o aumento da inflação. Dilma acusou-o de ignorar a crise econômica mundial e indagou: “Hoje, tem ou não tem mais empregos? Tem ou não tem mais comida? Tem ou não tem mais proteção? Tem ou não tem mais moradia? Eu peço ao eleitor para comparar com o que ocorria no Brasil a 12 anos atrás.”

Os jornalistas da Band criticaram a proposta de regulamentação dos meios de comunicação, usando o argumento de que representa ameaça a liberdade de imprensa. A Presidenta Dilma explicou que a liberdade integral dos meios de comunicação é básico, mas como todos os setores, (a mídia) tem que ter regulação econômica, não pode ter monopólio e precisa cumprir o seu papel. Ela lembrou que as agências reguladoras, a exemplo do que ocorre para energia elétrica, telecomunicação, petróleo, serve para mídia e para todos os demais setores.

Acusação leviana - Aécio tentou mais uma vez provocar a presidenta Dilma, pedindo que ela se desculpasse pela gestão da Petrobras, que ele considerou como temerária. Dilma classificou a acusação dele como “leviandade” e disse que ele desconhecia a Petrobras.

Dilma lembrou que foi durante os governos Lula e dela que a Petrobras descobriu e explorou o pré-sal, o que aumentou seu valor e transformou-a em uma das empresas maiores do mundo. E ironizou: “Não fomos nós que tentamos mudar o nome para Petrobrax e nem afundamos uma plataforma e nem investigamos sobre a troca de ativos da Petrobras com uma empresa argentina”, citando os casos suspeitos que envolvem a administração da Petrobras pelo governo tucano.

“É uma leviandade tratar a empresa dessa forma”, disse a Presidenta, destacando que “quem investiga a Petrobras é a Polícia Federal porque o compromisso do meu governo é a luta contra corrupção. Nós não escondemos debaixo do tapete e ser acusado de ter uma relação com o Procurador Geral da República que era chamado de Engavetador Geral da República”, afirmou a Presidenta Dilma.

Para ter oportunidade de falar sobre os projetos para a produção de energia, Dilma perguntou ao Pastor Everaldo sobre o assunto. Ao exemplo do que dizia para tudo, o candidato do PSC defendeu o estado mínimo e a transferência para a iniciativa privada de todos os setores econômicos. “Vamos liberar o mercado”, repetia.

Dilma defendeu o planejamento e a gestão da energia elétrica, lembrando que “a última vez que não houve planejamento tivemos racionamento de proporções gigantescas”, em referência ao apagão ocorrido no governo de Fernando Henrique Cardoso. Para atender a demanda dos próximos anos, ela defendeu a energia eólica como uma das alternativas que está sendo implantada pelo governo.

O Pastor Everaldo perguntou a Dilma sobre a reforma tributária. Ele disse que defende a reforma tributária, mas que é preciso construir maioria parlamentar e dialogar com os governadores para fazer a reforma, mas que o seu governo tomou iniciativas como desonerar a cesta básica e, para garantir os empregos, diminuir impostos das empresas sobre o trabalhador. E destacou a importância da universalização do Simples, reduzindo a tributação do microempreendedor individual.

O programa, que reuniu sete dos 11 presidenciáveis, foi dividido em seis blocos e conduzido pelo jornalista Ricardo Boechat. Estiveram presentes nos estúdios da Band, no Morumbi, em São Paulo: Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Aécio Neves (PSDB), Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (Psol), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB).

Ao chegar ao evento, Dilma disse que esperava um debate proativo e propositivo. E anunciou que havia se preparado de forma intensa “porque temos muitos programas a apresentar”, acrescentando que “mas ainda temos muito o que fazer.”

Tudo deu certo - No primeiro bloco, todos os candidatos responderam a uma pergunta única, sobre a segurança pública, considerada uma das principais demandas da sociedade brasileira atualmente. As respostas dos candidatos se resumiam a uma generalização enquanto eles procuravam se apresentar.

Marina Silva falou sobre a morte de Eduardo Campos. O microfone muito baixo não favoreceu a candidata, que abaixou a cabeça, sem olhar para o eleitor. Aécio Neves defendeu a mudança do Código Penal para, segundo ele, “acabar com a impunidade”, reproduzindo o discurso dos tucanos que querem reduzir a maioridade penal.

Dilma Rousseff disse que embora a competência constitucional da segurança pública seja dos estados, ela deve ser compartilhada com a União para responder à população. E usou o exemplo do que foi feito na área de segurança durante a Copa do Mundo. Segundo ela, a integração entre todos os órgãos da segurança resultou em grande vitória na segurança da Copa.

No segundo bloco, quando os candidatos perguntavam uns aos outros, a dinâmica foi maior. Marina Silva, perguntou a candidata Dilma Rousseff, porque não havia dado certo os pactos anunciados pelo governo após as manifestações de rua em junho do ano passado.

Ao contrário de Marina, Dilma disse que tudo deu certo. Na Educação, conseguiu aprovar mais recursos para o setor oriundos da exploração do pré-sal; fez o Mais Médicos, com mais profissionais de saúde no interior e teve o compromisso com a estabilidade econômica, com redução da inflação.

Sobre a reforma política, a Presidenta disse que enviou proposta para o Congresso, que não foi aprovada, o que a levou a defender a participação popular e um plebiscito para definição do assunto.
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Mimetismo ideológico

O paradoxo (anti)político de Marina Silva

Marina Silva quer ser a opção política que está fora da política; quer convencer o eleitor a votar em uma plataforma que não poderá ser julgada no futuro.
João Feres Júnior e Fábio Kerche, na Carta Maior

A repetição nas coisas humanas já foi tema das reflexões de importantes filósofos e escritores. Os historiadores antigos a tinham como certa, Maquiavel a viu como provável e Marx, como farsa. A política eleitoral da democracia representativa contemporânea, da qual nenhum desses autores tratou, não está livre dela, tampouco. Como que constrangidos por um número limitado de scripts, seus personagens reapresentam o que já foi visto e vivido em outros tempos, às vezes, por outras gerações.

Esse parece ser o caso da recém-escolhida candidata do PSB à presidência da república, Marina Silva.

O mantra entoado por ela, já sabemos todos há bastante tempo, é o da negação da política institucional em nome de convicções e ideais supostamente éticos. Não é a primeira persona política na nossa vida recente a tomar esse caminho. Mas, como ensinaram os antigos mestres dos quais falamos, o que é aparentemente ético pode ser politicamente catastrófico.

Seguindo essa estratégia, Marina Silva declarou recentemente: "Nosso compromisso é pelo fim da reeleição. O meu mandato será um mandato de apenas quatro anos". Pois bem, o fim da reeleição é uma bandeira que fala diretamente aos adeptos da antipolítica, tão numerosos nos dias que correm.

Ela sintetiza vários chavões que vemos repetidos frequentemente por aí nas vozes de cidadãos comuns, de diferentes classes e ocupações.

O primeiro deles é a imagem do político como um predador rapace, somente interessado em dar continuidade, senão aumentar, o lucro que aufere por meio de corrupção.

O segundo é o do partido que pretende se eternizar no poder, garantindo assim o fluxo de cargos públicos e de dividendos da corrupção política para seus apaniguados. Segundo o terceiro, a vontade de se reeleger induz o político no cargo a utilizar a máquina pública para fins eleitorais. Seria, portanto, profundamente ético acabar com a reeleição, pois estaríamos assim debelando essas mazelas.

Raciocínio melhor podemos conceber, mas talvez não um que seja mais distorcido na compreensão do funcionamento da democracia eleitoral, particularmente no que afeta seu caráter democrático propriamente dito. Vejamos. Para começar, vamos descartar a posição segundo a qual todos os políticos são igualmente ladrões cujo objetivo é saquear os cofres públicos e enriquecer de todas as maneiras que se lhes apresentam. Se isso fosse verdade, a democracia não seria mais que um total embuste, coisa que nem mesmo Marina argumenta. 

Assim, somos obrigados a aceitar que existe uma diversidade de opções oferecida pela classe dos políticos. Como em várias atividades, existem os que roubam, uns que roubam mais do que os outros, aqueles que roubam bem pouco e, provavelmente, aqueles que não roubam. Mas roubar está longe de ser a atividade mais importante desempenhada por um político; há sua plataforma política, ideias, projetos, valores, etc. Aqui também há diversidade: aqueles mais preocupados com o social, outros com o mercado, empresários e investidores, alguns mais estatizantes, outros mais liberais, e assim vai. Pois bem, em suma, só vale a pena falar de eleição se a escolha (palavra sinônima) faz algum sentido.

Então, qual seria o efeito da reeleição naquilo que toca a escolha?

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