A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
04 outubro 2026
Minha opinião
Desejamos,
mas não é fácil
Luciano
Siqueira
Bom seria vencer já no primeiro turno. Teríamos a certeza de que o país seguiria adiante preservando a sua soberania e o regime democrático. Mais: persistindo numa plataforma desenvolvimentista com compromisso social.
Mas não é simples.
Lula teria que alcançar 50%
mais um dos votos válidos, descontados os votos brancos e nulos.
Dados de
pesquisas - as consideradas razoavelmente confiáveis – revelam até hoje, o dia
D, o que se convencionou chamar “polarização
achatada” e empate técnico, sem que nenhum dos dois principais contendores,
Lula e Flávio Bolsonaro, atinja números próximos da maioria absoluta.
A acirrada polarização esquerda x direita tem como
subproduto alta taxa de rejeição de ambos.
Ao se apurarem os votos, veremos que pesarão, em
certa medida, os níveis de abstenção e voto nulo.
[Ilustração imagem produzida por IA]
Na reta final detalhes importam https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/minha-opiniao_01182604884.html
03 outubro 2026
Postei nas redes
Sem negar os demais institutos, importa saber que pela pesquisa CNT/MDA Lula tem 47,8% e Flávio 42,1% dos votos válidos no 1º turno. Este domingo pode ser decisivo.
Lula dá o tom da reta de chegada https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/editorial-do-vermelho_089066419.html
Palavra de poeta
convocatória
Cida Pedrosa
meu amor
vamos conjugar o verbo amar
cultivar manias
de plantar auroras
e colher manhãs
o passado está morto
entre os ponteiros do relógio
que agora giram
para um tempo novo
meu amor
eu te convoco
vamos velar a rua
guardar a casa
onde os filhos dormem
e o amor descansa
[Ilustração: René Magritte]
Competente, corajosa, múltipla https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/combativa-sem-perder-leveza-jamais.html
Nas ruas de São Paulo
Lula leva 150 mil à Avenida Paulista e encerra campanha em clima de
vitória
Ao lado de Alckmin, Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, presidente
percorreu a Avenida Paulista e a Rua Augusta no último grande ato antes do
primeiro turno
Lucas Toth e Natalia Padalko/Vermelho
Em busca
de seu quarto mandato no Planalto, o presidente Lula levou uma multidão às ruas
de São Paulo neste sábado (3), no último grande ato antes do primeiro turno.
Segundo a assessoria da campanha, 150 mil pessoas participaram da caminhada,
que percorreu a Avenida Paulista e a Rua Augusta, em direção à Praça Roosevelt.
Além de Lula, participaram seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), o candidato a
governador Fernando Haddad (PT) e as candidatas ao Senado Simone Tebet (PSB) e
Marina Silva (Rede).
Desde
cedo, a militância se concentrou em diferentes pontos da Paulista. Na Praça do
Ciclista e em frente ao Conjunto Nacional, grupos de apoiadores se reuniam para
acompanhar a caminhada. Aos motoristas, pediam buzina e eram atendidos. O coro
de “olê, olê, olá, Lula” também se repetia entre os grupos, e o clima era de
euforia e vitória entre os presentes.
“Até o
último minuto está valendo”
Presidenta
nacional do PCdoB, Nádia Campeão afirmou que a mobilização seguiria até o
último momento permitido antes da votação. Ela destacou o trabalho de conversa
com os eleitores e a busca por votos para os candidatos do partido. “Até o
último minuto está valendo a gente convencer as pessoas, virar voto para os
nossos candidatos do PCdoB”, disse.
Nádia
também comentou o impasse em torno da caminhada. A decisão da Prefeitura de não
liberar a Avenida Paulista dificultou a organização do ato, mas não impediu que
a militância seguisse pela Rua Augusta. “Mesmo assim, nós vamos tomar a Rua
Augusta inteirinha e vamos fazer uma belíssima manifestação, fechando esse
conjunto de grandes mobilizações nacionais”, disse.
Impasse
marca início da caminhada
A realização do ato foi precedida por uma disputa em torno do percurso. A Prefeitura de São Paulo havia questionado a realização da caminhada na Paulista. Na sexta-feira (2), porém, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) autorizou a “Caminhada Lula e Haddad” por 5 votos a 1 e suspendeu os efeitos da determinação da Subprefeitura da Sé.
Pouco antes do início da caminhada, houve um princípio de tumulto entre integrantes da organização e policiais militares. Segundo o UOL, a PM determinou que carros de som da campanha avançassem pela Augusta para liberar a circulação de veículos, provocando uma discussão com integrantes da organização. O episódio começou por volta das 10h20 e durou alguns minutos.
Marco Aurélio de Carvalho, coordenador e fundador do Grupo Prerrogativas,
acompanhou o impasse e criticou a condução da operação. Ao Portal Vermelho,
afirmou que a organização manteria a caminhada. “São Paulo é o maior colégio
eleitoral do país e eles também sabem. Então, estão tentando impedir porque nós
estamos tirando uma onda para, quem sabe, encerrar essa eleição no primeiro
turno.”
Depois do
episódio, o ato seguiu enquanto novos grupos ainda deixavam a Paulista para se
juntar ao percurso.
São Paulo
está em disputa”, afirma Haddad
Candidato
ao governo paulista pelo PT, Fernando Haddad afirmou que a eleição no estado
segue aberta e rejeitou a ideia de que a disputa esteja definida. “O estado de
São Paulo não está perdido. Ele está em disputa. Acho surreal desistir desse
estado. Temos a periferia, temos as universidades, temos a militância”,
afirmou. “É com esse espírito que vamos para o segundo turno.”
Mobilização
ganha força nas últimas semanas
O
movimento das últimas semanas também foi destacado por Walter Sorrentino,
presidente da Fundação Maurício Grabois. Para ele, as manifestações realizadas
na reta final deram novo impulso à campanha.
“Com
certeza, as duas últimas semanas deram um gás a mais pelas grandes
manifestações”, afirmou. Segundo Sorrentino reforçou, o trabalho não terminaria
com a caminhada deste sábado. A orientação aos apoiadores era aproveitar as
últimas horas antes da votação para conversar com familiares e amigos e manter
a mobilização. “Não pode descansar nunca!”
“A minha
causa é o povo brasileiro”
Durante o
ato, Lula falou sobre motivação e sobre as causas que continuam orientando sua
trajetória política. “Nós não somos obrigados a ficar velhos, porque o que faz
a gente envelhecer é falta de motivação, é falta de causa. E a minha causa é o
povo brasileiro”, afirmou.
Em outro
momento, Lula falou sobre o que está em jogo na eleição e pediu tranquilidade
aos eleitores para a votação deste domingo (4). “Vamos à urna amanhã com muita
tranquilidade, sabendo do que está em jogo. De um lado, a democracia e a
soberania. Do outro lado, a barbárie e a corrupção”, afirmou.
Leia também: Lula reúne multidão no Rio e pede “dedicação revolucionária”
para vencer https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/rio-lula-nos-bracos-do-povo.html
Soberania nacional nas urnas
A dimensão geopolítica da eleição brasileira
Em meio ao avanço da influência dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental, alerta para riscos à soberania brasileira e para os impactos geopolíticos da eleição de 2026
Paulo Nogueira Batista Jr.
A soberania brasileira corre um risco inédito na nossa história como nação. Estamos vivendo a eleição mais perigosa de todos os tempos por causa da conjunção de dois fatores: a candidatura competitiva de Flávio Bolsonaro e a nova fase da política internacional dos Estados Unidos.
O primeiro fator é conhecido, não preciso me alongar a respeito. Digo apenas que, entre muitas outras deficiências e antecedentes problemáticos (ele não tem currículo, mas sim folha corrida), Flávio Bolsonaro faz questão de explicitar a sua subordinação a Donald Trump, seguindo nesse ponto o exemplo do pai.
Só que agora há um agravante: o império estado-unidense se mostra muito mais agressivo do que na época em que Jair Bolsonaro foi presidente. O Trump 2 é uma versão piorada e mais violenta de Trump 1. Como os Bolsonaros são imitadores vulgares e assumidos de Trump, não será de surpreender que um eventual Bolsonaro 2 venha a ser pior do que o Bolsonaro 1. Se cometermos o erro gigantesco de eleger esse estrupício, o país retrocederá décadas e a soberania brasileira será esmagada.
Um aviso prévio. Este artigo está sendo finalizado alguns dias antes do primeiro turno das eleições. Em caso de vitória de Lula já no primeiro turno, o Basil estará, sem dúvida, mais preparado para enfrentar ameaças estrangeiras. Mesmo com a eleição de Lula, entretanto, no primeiro ou segundo turno, os graves problemas do entorno internacional e o desafio de lidar com uma superpotência agressiva, descritos no artigo, permanecerão conosco por muito tempo.
A lei da selva
Não estou exagerando, nem fazendo drama. É bem verdade que o imperialismo do Ocidente sempre foi brutal, sempre esteve disposto a se valer de todos os meios para submeter e até destruir outras nações e civilizações.
A diferença é que o Ocidente está agora em declínio. E não aceita esse declínio de forma nenhuma. Fará o diabo para tentar conter ou reverter a sua perda de relevância no mundo. Apesar de decadente, os EUA e o resto do Ocidente ainda têm muita força econômica, política e militar – e podem fazer grandes estragos, como estamos vendo.
Nada mais perigoso do que uma superpotência em declínio. Na segunda metade do século 20 e, mais ainda, no “momento unipolar” após o colapso da União Soviética em 1991, os Estados Unidos prevaleciam com naturalidade. Convencidos da sua superioridade, implementavam regras e tratados, criavam instituições multilaterais e propugnavam o livre-comércio urbi et orbi. Espalhavam mundo afora a ideologia dos mercados eficientes e da abertura das economias como receita para o sucesso de qualquer país.
Nas década iniciais do século 21, com o surgimento de um mundo multipolar marcado principalmente pela ascensão da China e outros países do Leste da Ásia, os estado-unidenses e europeus viraram casaca. Abandonaram o neoliberalismo e defesa do livre-comércio; passaram a praticar, sem rodeios, as políticas de proteção e intervenção estatal que antes condenavam.
A mudança das políticas econômicas mostrou-se, porém, insuficiente para deter o enfraquecimento dos Estados Unidos e da Europa. Atrapalhou, mas não deteve o avanço da China, vista como a principal ameaça. Resultado: o Ocidente, sobretudo os EUA, resolveram dobrar a aposta. Entraram em modo desespero e passaram a romper regras, acordos e tratados, além de minar algumas das instituições criadas por eles após a Segunda Guerra Mundial, notadamente a ONU e a OMC. Virou um vale-tudo em termos institucionais.
Quando isso também não funcionou para preservar a hegemonia mundial, os EUA colocaram em campo o seu poderio militar. Com Trump 2, tornou-se rotina recorrer, ou ameaçar recorrer, à força militar para extrair concessões e abalar países considerados pouco cooperativos ou hostis. Estabeleceu-se a lei da selva.
Os EUA estão dando razão à profecia mordaz, atribuída a George Clemenceau, primeiro-ministro da França durante a Primeira Guerra Mundial, que usei como epígrafe deste artigo.
A vulnerabilidade do Hemisfério Ocidental
Outro elemento essencial do contexto internacional – o foco renovado dos EUA no Hemisfério Ocidental, que é considerado abertamente como parte da sua área de influência. Dois documentos oficiais do governo Trump deixaram esse ponto claro e cristalino – a “Estratégia de Segurança Nacional”, divulgada em novembro de 2025, e a “Estratégia de Defesa Nacional”, de janeiro de 2026, deram amplo destaque à retomada do controle sobre o Hemisfério Ocidental, da Groenlândia à Patagônia.
O primeiro documento afirma que os EUA “irão restaurar a proeminência americana sobre o hemisfério e negar a competidores não-Hemisféricos a habilidade de posicionar forças (…) ou possuir ou controlar ativos estrategicamente vitais”. O segundo declara que “os interesses americanos estão sob ameaça em todo o Hemisfério Ocidental” e que os EUA, seguindo o “corolário Trump à doutrina Monroe”, buscarão “a restauração do poder e das prerrogativas dos EUA no hemisfério”.
Diversas declarações do presidente Trump e seus ministros, notadamente do ministro das relações exteriores, Marco Rubio, confirmaram enfaticamente essa abordagem. Foram muitas. A sua tônica pode ser resumida em uma frase: o Hemisfério Ocidental é nosso. Os EUA anunciam que usarão de todos os meios, inclusive militares, se preciso, para eliminar resistências nacionais e reduzir ou eliminar a presença econômica e política da China, cuja influência na América Latina e em outras partes do mundo cresceu muito nas décadas recentes.
Como se sabe, não foram só documentos e declarações. Já tivemos ações imperiais concretas no Hemisfério Ocidental, atingindo por exemplo Groenlândia e Cuba. O episódio mais impressionante foi a intervenção relâmpago na Venezuela, com o sequestro do presidente do país. Sem resistência, a Venezuela foi transformada em protetorado dos EUA, que passou a controlar as riquezas do país, notadamente as suas imensas reservas de petróleo. Trump não esconde, antes proclama, que esse controle foi a finalidade e o resultado da intervenção na Venezuela. Ressalte-se que esse descaro é novidade: antes, a tradição imperial era encobrir os seus objetivos com retórica hipócrita e discursos demagógicos, em especial sobre a sua suposta defesa da democracia e dos direitos humanos.
Uma outra vitória do governo Trump foi a ampliação e consolidação da presença militar dos EUA na Groenlândia. Com base em ameaças de intervenção militar, Trump extraiu da Dinamarca e da Groenlândia, um acordo que reforça e torna mais permanentes os direitos militares dos EUA nesse território.
Sob Trump, tivemos, também, a radicalização do embargo criminoso imposto a Cuba, causando grande sofrimento à população do país. É possível que o próximo passo dos EUA, depois das suas eleições parlamentares em novembro, seja alguma agressão militar e até mesmo a invasão de Cuba.
Note-se que essas ações têm um traço comum: a determinação de conter a influência da China e da Rússia. Os países agredidos ou ameaçados eram ou são próximos à China e a Rússia (Venezuela e Cuba) ou eram vistos como incapazes de deter a influência e ação dessas duas potências rivais no seu território (caso da Dinamarca e da Groenlândia).
Um Milei brasileiro?
A influência dos EUA no Hemisfério aumentou enormemente. Não só com as ações mencionadas acima, mas também porque as eleições em muitos países da região (com atuação estado-unidense nos bastidores) levaram a governos alinhados a Washington e também, sintomaticamente, a Telavive. O modelo Javier Milei fez escola. Esse modelo inclui subordinação explícita aos Estados Unidos e apoio incondicional ao regime criminoso de Israel.
Hoje, temos apenas três países grandes que mantêm uma linha independente – o Canadá de Mark Carney , o Brasil de Lula e o México de Claudia Sheinbaum. Além desses, temos apenas Cuba, Nicarágua – tradicionalmente anti-imperialistas – e, em menor medida, Suriname.
O que querem os EUA na eleição brasileira? Na medida do possível, ajudar a eleger um vassalo, um Milei brasileiro, e submeter nosso país à sua área de influência sem disparar um tiro sequer.
O Brasil vai permitir isso? É nas horas difíceis que os povos demonstram o seu valor. Os nossos descendentes farão inevitavelmente a pergunta: o que você fez em 2026 para defender a soberania nacional?
Lula reúne multidão no Rio e pede “dedicação revolucionária” para vencer https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/rio-lula-nos-bracos-do-povo.html





