28 outubro 2026

Abraham Sicsu opina

Explode, companheiros!
Abraham B. Sicsu     

Tristeza leva ao Isolamento, Solidão, e pode resultar em Desilusão. Foi assim que me sentia depois do Primeiro Turno.

A escrita é uma das minhas fugas. Apego-me a ela e procuro não desviá-la para uma Terapia Pessoal. Escrevo para ser lido, não como meio de externalizar minhas angústias. Os leitores não merecem.

 Sei que não tenho grande influência, mas, por ventura, se algum desavisado vier a se espelhar no que divulgo, não gostaria que fosse algo para baixo e melancólico. Guardo para mim esses sentimentos.

Por isso, mantive meus alfarrábios apenas para meu consumo, não quis trazer mais incerteza daquela que já vivíamos. Continuei escrevendo, mas não expondo publicamente.

Tristeza. Não por ter ciência de que a visão de mundo dominante não era, nem foi, a minha. Democracia é isso. Deve ser respeitada a opinião da maioria.  Mas, pelas razões que explicitavam essas divergências, que traziam como motivo rancor e ódio.

Melhorar as condições de vida e depois de anos conseguir empregos melhores era pouco, se esqueceu facilmente. A culpa de sofrerem, de não serem exitosos, sempre é do Governo que sempre tem que dar mais. Como assim???

Pior, via apenas, engano meu, uma visão individualista. Nada fácil, mas constatar que empatia e solidariedade não faziam parte da agenda da maioria era desanimador.

Foi duro escutar em uma roda de conversa:

 “Um bando de vagabundos, sangue sugas que não querem trabalho, vivem explorando a sociedade, bolsa família, pé de meia, tudo para retirar de nós, que merecemos os recursos que com muito suor geramos. Trabalho para eles é luxo. São um bando de vagabundos, principalmente os nordestinos.”

Deprimido, com a falta de senso e com o preconceito, encerrei a conversa. O que dizer para mentes como essas, que olham apenas para seus umbigos, que acham que o mundo deve girar em seu entorno.

Pessoas que melhoraram de vida que, graças aos programas sociais e ao aumento do emprego, conseguem ter uma casinha, uma geladeira, um televisor, bom não esquecer, um celular de última geração. É verdade, se vêm endividadas. Mas, está se procurando resolver.

Pior, se consideravam injustiçadas. Não se apercebiam que houve um esforço grande para que pudessem ter dignidade. Querem muito mais, o que é justo, mas acreditam que virá de mão beijada, em um mundo aonde o autoritarismo e o domínio do capital se imporia e os tornaria privilegiados???.

Ingratidão, outro sentimento que se fez presente.

Num ambiente como esse me restava um outro sentimento. Desilusão. Paulinho da Viola disse, "Danço eu, dança você / Na dança da solidão".  Tudo se embaralha e vem à minha cabeça como o verso:

“Solidão é lava que cobre tudo
Amargura em minha boca
Sorri seus dentes de chumbo
Solidão, palavra cavada no coração
Resignado e mudo
No compasso da desilusão.”

Como sonhar com um futuro digno, com um mundo que traga esperança a filhos e netos. Novamente o poeta nos alerta:

Quando eu penso no futuro
Não esqueço o meu passado

A memória era fraca, sofrimento recente facilmente olvidado. Tudo que se sofreu em anos muito recentes, pandemia, desestruturação da Educação, desemprego alarmante, fome e pobreza absoluta, nada disso era lembrado, como se fosse algo muito longínquo.

Engajo-me no Exercito do Lula. Janones meu general. Sempre fui avesso ao militarismo, à disciplina rígida, a cumprir ordens sem questioná-las. Mas, havia algo mágico. O sentimento de pertencimento. Juntos por uma causa maior. A empatia, o pensar num mundo mais igual, como lema. Fez-me muito bem.

Eu, analógico, começo a entender as mídias e sua força. Unidos em um propósito maior. Salvar o País das milícias, garantir a nossa Soberania, lutar por um mundo mais igual. Com um instrumento potentíssimo de um Nova Pensar e Agir. O Digital do Bem.

Participo de um grupo de intelectuais pretensiosos. Todos são “donos da verdade”. Vejo criticas incompreensíveis. Um dos ditos “gurus” escreveu:

“Não acho que derrubaram o canal dos soldados. Mas ele é ruim pra caramba. Não ganha voto de ninguém que seja convertido. É agressivo, grosseiro e autoritário. Janones é um perigo para a democracia. Deixando o cara falar é pedir para perder a eleição.”

Fico ofendido. A esperança que tinha estraçalhada por um dito intelectualoide empavonada. Mas, não desisto do Exército, era minha única esperança. Continuamos na luta.

As pesquisas sempre nos colocavam atrás. Fico muito apreensivo. Janones garante a nossa vitória. Tenho um filho que entende de pesquisa. Explica que depende de outros fatores, inclusive do índice de abstenção que usam nos cálculos. Os dois garantem: Vamos ganhar!!!

E GANHAMOS. Continuarei no Exercito e na vida pessoal ajudando no que estiver ao meu alcance para garantir um País que está sendo construído: JUSTO, MAIS IGUALITÁRIO, MAIS EMPÁTICO.

Explode companheiros!!!!

A vitória épica de Lula e a necessidade de disputar o futuro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/elias-jabbour-opina.html

Entre cúmplices

Sergio Mastropietro, acusado de lavagem de dinheiro e envolvimento em esquema de desvios da Agência Nacional de Deficiência da Argentina, é proprietário do avião que leva Flávio Bolsonaro aos EUA. O imundo ajuda o sujo.

A vitória épica de Lula e a necessidade de disputar o futuro https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/elias-jabbour-opina.html 

Elias Jabbour opina

A vitória épica de Lula e a necessidade de disputar o futuro
Esquerda e centro terão como tarefa imediata deixar de lado suas diferenças e construir uma aliança patriótica em defesa do Brasil e das conquistas sociais
Elias Jabbour/Portal Grabois   

A vitória de Lula é épica e tem enorme alcance na vida do país e no mundo. Essa vitória pertence a cada brasileiro, a cada estudante, cada jovem, cada idoso, cada trabalhador, cada mulher e cada homem que fez dessa batalha, a maior batalha das suas vidas. Foi isso que fez a diferença nesses 20 dias de mobilização do povo brasileiro. As ruas e as redes foram inundadas por uma onda popular gigantesca.

Vencemos um candidato escolhido a dedo pelo imperialismo que há anos vem construindo uma dissidência interna no país, a transformando em movimento de massa pró-EUA. Vencemos  um novo 08/01, agora liderados por prefeitos de capitais. Notadamente São Paulo e Salvador tumultuando o transporte público de forma provocativa e, certamente, em posse de informações privilegiadas. Vencemos a leniência ativa do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques.

Vencemos a clara representação do submundo da sociedade: o crime organizado, o tráfico de drogas, de armas e madeira e de mulheres; a utilização do sistema financeiro como instrumento funcional à circulação de dinheiro sujo e a transformação da fé legítima em forma de acolhimento da base da pirâmide em células sob o domínio de picaretas de todo tipo.

A luta política no país alcança novo patamar. No plano internacional, Trump sofre uma derrota estratégica. Passaremos por tempos de intensa luta, pois o inimigo não reconhecerá a derrota. A sombra do golpe e da desestabilização estará sempre à espreita. Nesse momento, onde a contradição principal envolvendo os destinos do Brasil x interesses do imperialismo se agudizam, esquerda e centro terão como tarefa imediata deixar de lado suas diferenças e construir uma aliança patriótica em defesa do Brasil e das conquistas sociais. Derrotamos a tentativa de implantação de uma ditadura da mais-valia absoluta no Brasil.

Nossa resposta será a disputa por um projeto nacional de desenvolvimento que mantenha e transforme em prática o que se desenhou nas ruas e nas redes nesses últimos 20 dias, nas manifestações diárias que mobilizaram milhões de jovens, trabalhadores e trabalhadoras, brasileiras e brasileiros de todos os setores em defesa da eleição de Lula como expressão de um projeto de Brasil soberano e inclusivo da maioria do seu povo.

Um governo de mobilização popular permanente, com inteligência e amplitude política suficiente para manter governabilidade institucional deverá buscar enfrentar os temas de nosso tempo, notadamente a nossa inadiável tarefa de reindustrialização do país e o desmonte das amarras neoliberais que adiam a realização do sonho brasileiro. O Brasil precisa crescer e estar à altura da sua grandeza e das necessidades do nosso povo.

As esquerdas deverão transformar o conceito que se manifesta no movimento real. Devemos nos reinventar para um período novo de exigências em torno de uma hegemonia cultural de orientação nacionalista, desenvolvimentista, patriótica e antineoliberal.

Caberá ao meu partido, o Partido Comunista do Brasil, se colocar como força capaz de reaglutinar esse campo político que a história demanda conformar. Um nacionalismo revolucionário 4.0, que permita a construção de um programa que garanta o futuro da nação e crie as condições para enterrar o abismo que a extrema-direita tenta impor ao país.

Nosso mandato em Brasília estará na vanguarda deste movimento em torno da legitimação da quarta vitória do povo e a construção de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. Dedicarei todas as minhas forças, ao lado do meu partido, para assegurar as bases para um novo salto civilizatório ao nosso país!

Mulheres, jovens e idosos nas redes e nas ruas https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/a-forca-das-ruas-e-das-redes.html

Mãos sujas

Uma das razões da fuga de Flávio Bolsonaro é o inquérito enviado pela Polícia Federal ao STF (Supremo Tribunal Federal) para apurar a suspeita de lavagem de dinheiro com bets junto com o advogado Willer Tomaz, a quem o fugitivo é ligado. Quem não deve, não teme. Se fugiu é porque deve.  

Subiu o sarrafo da luta política https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/minha-opiniao_0999410531.html 

Humor de resistência

 

Aroeira

27 outubro 2026

Palavra de poeta

Noite morta
Manuel Bandeira       

Noite morta.
Junto ao poste de iluminação
Os sapos engolem mosquitos.

Ninguém passa na estrada.
Nem um bêbado.

No entanto há seguramente por ela uma procissão de sombras.
Sombras de todos os que passaram.
Os que ainda vivem e os que já morreram.

O córrego chora.
A voz da noite . . .

(Não desta noite, mas de outra maior.)

[Ilustração: Julio Strauch]

Leia também "Ausência", poema de Carlos Drummond de Andrade https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/09/palavra-de-poeta_01239649318.html 

A força das ruas e das redes

Mulheres, jovens e idosos movem a força popular que reelegeu Lula
Rafaela Elisário e Flávia Calé destacam a mobilização nas ruas e nas redes e defendem avanços sociais, mais direitos para as mulheres e oportunidades para a juventude
Natália Padalko/Vermelho       

“Devo essa vitória à juventude rebelde que se levantou em defesa da democracia. Eu devo essa vitória às mulheres que se rebelaram contra o feminicídio.” Ao agradecer aos dois grupos na comemoração da reeleição, Lula reconheceu a força de quem foi às ruas, mobilizou eleitores e entrou na disputa para impedir a volta da extrema direita à Presidência. Também saudou os idosos que foram votar e destacou o papel dos jovens que convenceram familiares a comparecer às urnas.

A vitória de 25 de outubro foi motivo de alívio e comemoração para quem passou semanas empenhado na campanha. Para Rafaela Elisário, presidenta nacional da União da Juventude Socialista (UJS), e Flávia Calé, secretária nacional da Mulher do PCdoB, o resultado demonstrou que a mobilização pode alterar os rumos do país. As duas destacam o protagonismo de seus segmentos e a expectativa de que essa participação ganhe espaço nas decisões do próximo governo.

Rafaela Elisário: a juventude entrou em campo para mudar a história

A reação ao resultado do primeiro turno começou rapidamente. Rafaela Elisário conta que a juventude não esperou uma orientação demorada para entender o tamanho da disputa e organizar a resposta. Foram três semanas de mobilização cotidiana, com estudantes e militantes nas ruas e nas redes sociais, em busca de votos para Lula.

“Quando a juventude se organiza com uma pauta coesa, com unidade de ação, a gente pode mudar o curso mesmo da história”, afirma.

A presidenta da UJS vê nessa experiência uma demonstração da capacidade de intervenção política dos jovens. A mobilização não se limitou a defender uma candidatura: envolveu a disputa pelo futuro do país, pela democracia e por condições de vida mais dignas para a população.

Rafaela considera que a vitória abre a possibilidade de avançar na construção de um Brasil soberano, comprometido com os valores democráticos e distante do autoritarismo que ela associa ao projeto bolsonarista. Para isso, porém, o país precisa enfrentar problemas que afetam diretamente a juventude, como a precarização do trabalho e a falta de empregos de qualidade.

A dirigente defende um modelo de desenvolvimento capaz de ampliar oportunidades e romper com a lógica neoliberal, que, em sua avaliação, continua a limitar as condições de vida dos trabalhadores. O próximo mandato, afirma, precisa ir além das conquistas já alcançadas.

“Esse quarto governo vai precisar ser um governo que, junto com o povo, consiga implementar transformações mais estruturantes”, diz.

A expectativa é que a participação que marcou a campanha continue a influenciar as decisões políticas. Para Rafaela, a juventude demonstrou que pode interferir nos rumos do país e quer seguir atuante na construção de um projeto nacional que ofereça perspectivas concretas para as novas gerações.

Flávia Calé: mulheres querem políticas públicas que ampliem sua autonomia

Flávia Calé descreve o alívio de quem atravessou uma campanha tensa e viu a mobilização popular garantir a vitória de Lula. “A sensação principal é de alívio, de leveza, de ufa. Podemos dormir em paz hoje, nesses próximos dias, até recomeçar a batalha que a gente vai ter pela frente”, afirma a secretária nacional da Mulher do PCdoB. Ao classificar a campanha como “heroica” e “incrível”, ela destaca o empenho de mulheres que se envolveram na disputa para defender a democracia e impedir retrocessos.

Para Flávia, a participação feminina está ligada à defesa de direitos que afetam diretamente a vida das famílias. Escola pública e em tempo integral, Sistema Único de Saúde (SUS), Bolsa Família, Minha Casa, Minha Vida e Pé-de-Meia ajudam a dividir responsabilidades de cuidado que ainda recaem desproporcionalmente sobre as mulheres, além de ampliar suas oportunidades de estudo e trabalho.

“É justamente o segmento que compreende a importância de um Estado que investe nos serviços públicos, que partilha o trabalho reprodutivo das mulheres brasileiras”, afirma. E resume: “As mulheres brasileiras querem mais Estado, querem mais políticas públicas, querem mais investimento em políticas que impactam suas vidas”.

O agradecimento de Lula às mulheres durante a comemoração da vitória traz uma expectativa para o próximo mandato. Flávia defende que esse reconhecimento se traduza em medidas para combater a pobreza feminina e a violência de gênero.

O feminicídio está entre as prioridades. Para a dirigente, esses crimes exigem uma resposta coordenada do poder público, com prevenção e proteção às vítimas.

“O feminicídio como um problema de segurança pública, um problema de Estado que tem que ser enfrentado”, defende.

Flávia também aponta a ampliação de creches e de serviços de cuidado como parte dessa agenda. Enquanto as responsabilidades domésticas e a criação dos filhos continuarem concentradas nas mulheres, elas terão menos tempo e oportunidades para estudar, trabalhar e participar da vida política. Dividir esse trabalho é, portanto, uma condição para ampliar a autonomia feminina.

A mobilização que levou Lula à vitória precisa continuar

O envolvimento de mulheres e jovens na campanha também reforçou, segundo Flávia, a importância de combinar organização nas ruas e disputa nas redes sociais. A dirigente avalia que a extrema direita construiu, ao longo de quase uma década, uma estrutura digital que mantém parte da população em bolhas de informação. O campo progressista ainda precisa avançar para compreender melhor o funcionamento das plataformas e ampliar o diálogo com esses eleitores.

A experiência da campanha deixou aprendizados sobre comunicação, organização e participação popular. Lula reconheceu essa força ao agradecer aos militantes e afirmar que o “exército” da campanha não deveria se dispersar. Também prometeu mudar a forma de governar e ampliar a participação da população nas decisões.

Para Flávia, manter a mobilização será importante para fazer avançar pautas que dependem de pressão social, como o fim da escala de trabalho 6×1.

“O Parlamento ainda é permeável à pressão popular, e a gente precisa se valer disso”, afirma.

A continuidade da participação política aparece, assim, como um ponto de encontro entre as duas dirigentes. Rafaela quer que a energia da juventude se converta em desenvolvimento, emprego e soberania. Flávia espera que o reconhecimento das mulheres se traduza em políticas públicas, autonomia e proteção contra a violência.

O resultado eleitoral trouxe a comemoração de uma vitória que ambas consideram fruto da mobilização coletiva. Agora, a expectativa é que mulheres e jovens tenham presença efetiva no governo e que suas demandas encontrem respostas nas políticas do próximo mandato. A campanha mostrou a capacidade desses setores de influenciar os rumos do país; o desafio será manter essa força na construção do Brasil que reivindicam.

Vitória histórica abre nova fase para o Brasil  https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/10/editorial-do-vermelho_0444637687.html