O Verissimo que recomendo
Rodrigo Casarin/Página Cinco
Da Biblioteca: “Verissimo Antológico: Meio Século de Crônicas (Ou Coisa Parecida)”, de Luis Fernando Verissimo
Revisito com frequência a uma crônica de Luis Fernando Verissimo chamada “Prioridades”. Costumo trabalhá-la no meu curso de Crônicas e Ensaios. A cena sempre se repete: ali pelo meio da coisa eu já estou dando risada. Voltarei a esse texto no final da dica.
Verissimo se foi no último sábado, como vocês sabem. Como sua obra seguirá firme, permanecerá sendo um autor que nos ganha pela simplicidade, pelo estilo cristalino, de raras firulas.
Isso ajuda a explicar o enorme sucesso de coletâneas como "Comédias Para Ler na Escola", "As Mentiras que os Homens Contam" e principalmente "Comédias da Vida Privada". Esses livros circularam incansavelmente, pareciam estar em todas as casas entre a metade dos anos 1990 e o começo dos anos 2000.
Em 2020, durante a fase mais pavorosa da pandemia, a Objetiva lançou um volumão que passou um tanto batido. “Verissimo Antológico: Meio Século de Crônicas (Ou Coisa Parecida)” chegou aos leitores primeiro na sua versão digital e só um tempo depois ganhou edição física.
São 728 páginas reunindo mais de 300 crônicas do mestre, parte delas fora de circulação há décadas, organizadas pelo jornalista Marcelo Dunlop. Na hora de escolher o que colocar no volume, caíram fora os textos com comentários sobre notícias quentes e protagonizados por personagens fáceis de achar em outros momentos da vasta obra.
“Verissimo Antológico” é um ótimo caminho para curtir a sagacidade, o humor e a ironia de Verissimo e, ao mesmo tempo, descobrir momentos menos lembrados de sua faceta cronista. Em todo caso, seus temas mais recorrentes estão ali: o amor, o futebol, a política, a timidez, a boa mesa, o olhar para a história e o interesse pelo gênero policial…
“Futebol de Rua”, uma das centenas de crônicas, me leva de volta à infância, quando montava um campo no asfalto: pedras ou chinelos demarcavam os gols, as guias da calçada faziam as vezes das linhas. Nada de juiz, falta só quando o adversário caía no bueiro.
No texto que fecha a antologia, Verissimo lembra de quando lhe pediram para cuidar do horóscopo de um jornal. "Todos os dias inventava o destino das pessoas e distribuía as previsões e os conselhos pelos doze signos do zodíaco".
Era só uma das etapas de sua picaretagem astral ou "trapaça sideral", como define. "Eu só queria dizer que, mesmo quando era eu que escrevia os textos, nunca deixava de olhar para ver o que Libra reservava para meu futuro. Fazer o quê? Precisamos de uma direção na vida, venha ela de onde vier".
Indicar um Verissimo? Tarefa bem difícil.
Como diversos outros livros do autor já estão super referendados, iria de “Verissimo Antológico: Meio Século de Crônicas (Ou Coisa Parecida)”.
Assine seu comentário para que possamos publicá-lo.
Leia aqui: "História estranha", Luis Fernando Veríssimo https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/09/uma-cronica-de-luis-fernando-verissimo.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário