Luciana celebra marca de R$ 55 bi de investimentos
na ciência
Ministra detalhou a nova Estratégia Nacional de
CT&I, com meta de 2% do PIB em pesquisa até 2034
Cear Xavier/Vermelho
Em discurso na 78ª Reunião Anual da SBPC, em Niterói (RJ), a ministra da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, afirmou que a ciência é
“pilar de um projeto de nação e de soberania nacional”. Ela apresentou os
desdobramentos da 5ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia, que
mobilizou mais de 100 mil pessoas e culminou na nova Estratégia Nacional de
Ciência, Tecnologia e Inovação (ENCTI) para a década 2024-2034.
O plano se estrutura em quatro eixos: expansão e integração do Sistema
Nacional de CT&I, reindustrialização e novas bases tecnológicas, projetos
estratégicos de soberania e CT&I voltada ao desenvolvimento social. A meta
central do documento é elevar os investimentos nacionais em pesquisa e
desenvolvimento para 2% do PIB até 2034.
R$ 55 bilhões e o paradoxo fiscal
A ministra celebrou a recomposição do Fundo Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (FNDCT), que garantiu R$ 55 bilhões em investimentos
nos últimos três anos e meio, após ter sido totalmente descontingenciado por
decisão política em 2023.
Luciana destacou a recente vitória no STF, conquistada por apenas um
voto com o apoio do ministro Flávio Dino, que barrou tentativas de extinguir o
fundo. No entanto, alertou para um “paradoxo estruturante”: com o crescimento
da economia, a arrecadação do fundo (via CIDE) aumenta, mas as regras do
arcabouço fiscal comprimem o orçamento discricionário do ministério, exigindo
um debate urgente para desamarrar o fomento à ciência.
Inovação 100% nacional e inclusão
Para combater a dependência tecnológica, Luciana elencou conquistas como
a vacina 100% brasileira contra a Covid, o ônibus elétrico nacional, o barco
voador para a Amazônia e testes moleculares para predição de câncer de mama. No
campo da infraestrutura, destacou o Sirius, o laboratório de biossegurança
Héron, o projeto AmazonFACE e os futuros computadores quânticos na Paraíba.
A ministra também enfatizou a dimensão social da ciência, revelando que
R$ 1,7 bilhão foram destinados a iniciativas para mulheres no setor, e defendeu
a integração dos saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais como
caminho para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável e inclusivo.
Após a ministra, Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de
Ciências (ABC), reforçou a transversalidade da ciência, alertando que, sem
financiamento robusto via FNDCT, não haverá avanços em saúde ou educação. Nader
também criticou as amarras macroeconômicas defendendo que a comunidade
científica deve continuar lutando para que a ciência não seja sacrificada no
orçamento.
Francilene Garcia, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso
da Ciência (SBPC) cobrou do Congresso Nacional o fim da lógica que trata a
ciência como “gasto” e não como investimento estruturante de Estado.
Se comentar, identifique-se. https://lucianosiqueira.blogspot.com/2025/06/participe.html
Luciana Santos: O papel estratégico do
CTVacinas para o Brasil https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/03/boa-noticia_28.html

Nenhum comentário:
Postar um comentário