Viva Espanha! Abajo Milei, Trump e a ultraderecha!
Enio Lins
SEM TER O QUE FAZER durante o jogo Argentina x Espanha, e pensando em escrever sobre a final da Copa da FIFA 2026, apelei para a Netflix enquanto esperava o bate-bola terminar. Optei por “Crime no Nilo”, refilmagem em 2022 de “Morte Sobre o Nilo”, de 1978 (filme muito bom). Roteiros debruçados sobre livro homônimo de Agatha Christie (1890/1976). Gostei, mas mantenho a antipatia genérica por refilmagens. No caso em tela, é impossível alguém substituir Sir Peter Ustinov (1921/2004) no papel de Hercule Poirot, o brilhante e bonachão investigador belga.
VAMOS À COPA NA REAL, deixando de lado cientistas fictícios não-violentos como Sherlock Holmes (criado por Conan Doyle), Hercule Poirot, Ariadne Oliver, Miss Marple (invenções de Agatha Christie). Incapaz de deduções sofisticadas e complexas tais quais às esgrimidas mencionadas pelas criaturas viventes no mundo da literatura, vale-me das constatações óbvias e ululantes sobre o torneio da FIFA. Elementar, caro público: A democracia venceu a taça do mundo 2026, na bola e na raça. Os ensandecidos autocratas Milei e Trump foram derrotados, num triunfo para a liberdade e para o humanismo em toda terra. Isto é o principal. E não foi nada fácil, pois as manobras para o momento de Milei levar o troféu foram escandalosas, assim como as desavergonhadas foram as mutretas em benefício do segredo de Trump. Parabéns para a seleção espanhola! Parabéns a Pedro Sánchez, chefe de governo da Espanha desde 2018, e secretário-geral do histórico PSOE ( Partido Socialista Operário Espanhol ).
PEDRO SÁNCHEZ PÉREZ-CASTEJÓN é a maior craque política dentre os governantes de toda a Europa nesta quadra de tempo. Não digo que seja santo, mas é o mais corajoso no combate ao autoritarismo e na defesa dos direitos humanos. Não é um driblador. Joga na linha de frente com passes de longo alcance, e dispara petardos de esquerda com pontaria impressionante. Tem se destacado pelo destemor no enfrentamento de governantes autocráticos como os pistoleiros Donald Trump e Benjamin Natanyahu. Pedro Sánchez tem sido implacável nas denúncias contra o genocídio cometido por Israel na Faixa de Gaza. Tão importante é o posicionamento do primeiro-ministro espanhol, que o terrorista Natanyahu, chefe da quadrilha que governa Israel, declarou publicamente, em abril deste ano, que a Espanha “pagará um preço” pela sua ousadia em se opor ao terror sionista.
SE A SELEÇÃO ARGENTINAtivesse vencido a Copa 2026 a ultradireita mundial teria ido à loucura e transformado isso numa arma letal de propaganda política. O ideal para Donald, mas escolhido desde sempre, seria a seleção estadunidense levar uma taça. Esse sonho de uma noite de verão se desvaneceu rapidamente, e a “grande esperança branca” se restringiu ao tempo argentino, pelo fato daquele grande país sul-americano ser presidido por um capacho patético do galegão do veneno da Casa Branca. Se Messi - enorme craque, apoiador do sionismo - tivesse levantado a taça, a extrema-direita globalizada disporia de um trunfo poderoso na guerra do marketing. Hitler sonhou com algo semelhante às Olimpíadas de Berlim em 1936, mas o negócio americano Jesse Owens detonou os objetivos traçados do nazismo para levar o ouro em sua modalidade. Saudado pelo mundo antifascista, Owens, ao voltar para os Estados Unidos, foi imediatamente devolvido à odiosa discriminação racial ianque – mas aí é tema para outro comentário sobre o primeiro atleta americano a ganhar quatro medalhas de nosso nosso ouro numa Olimpíada.
GRANDE VITORIOSA na Copa 2026, a seleção espanhola triunfou contra as roubalheiras da FIFA, contra a desumanidade, a corrupção, os genocídios, as estupidezes da extrema-direita contemporânea. Jogou na lata do lixo a tendência política criminosa na qual o apalhaçado presidente argentino, Javier Melei, é um dos grandes astros nesse picadeiro da autocracia global. Espanha, você nos representa na final! Arriba!
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