Fogo de monturo financeiro
Luciano Siqueira
Os mercados
financeiros são confiáveis? A pergunta cabe aos que investem na usura e faturam
somas estratosféricas.
Segundo analistas,
há uma espécie de fogo de monturo, como dizemos nós nordestinos, queimando por
baixo das estruturas e ameaçando um fogaréu adiante.
No artigo
"A nova tormenta nos mercados
financeiros”, do economista britânico Michael Roberts, publicado no site
Outras Palavras, https://outraspalavras.net/mercadovsdemocracia/vem-ai-nova-tormenta-nos-mercados-financeiros/ referência a episódios de forte
volatilidade e instabilidade que atingiram os mercados globais, destacando as
fragilidades estruturais do capitalismo financeiro contemporâneo.
Roberts
avalia que a turbulência recente nos mercados financeiros globais foi
desencadeada pela combinação de dois fatores principais: Incertezas sobre o
ritmo de corte das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed) perante uma
inflação persistente e sinais de desaceleração econômica; ao desmonte maciço do
carry trade (estratégia em que os investidores tomavam empréstimos
baratos em ienes para aplicar em ativos de maior rendimento pelo mundo),
gerando uma liquidação em cadeia nos mercados globais.
Entretanto,
analistas de Wall Street insistem na falsa expectativa de um “pouso suave” da
economia norte-americana.
Entretanto,
adverte o autor, os lucros corporativos — motor fundamental dos investimentos e
do crescimento sob o capitalismo — estão sob pressão e mostrando sinais de
estagnação ou queda; e há severos indicadores de aumento do desemprego nos EUA
sugerem que o risco de recessão é real e superior ao precificado pelos
mercados.
O autor
critica o otimismo dominante entre analistas de Wall Street sobre um
suposto "pouso suave” da economia norte-americana:
Nesse contexto, há que se
considerar uma espécie de monopólio das big techs, carro chefe da valorização
dos mercados. Por exemplo, a forte alta das bolsas impulsionada pela especulação e euforia em torno
da inteligência artificial (IA), ainda sem retorno consistente.
Agregam-se fatores outros
igualmente significativos (no contexto das expectativas negativas): a manutenção das taxas de juros em
níveis mais elevados torna o refinanciamento das dívidas insustentáveis para
muitas empresas vulneráveis; e o crescimento
do mercado de crédito privado (shadow banking) sem regulação adequada e
consequente aumento dos riscos sistêmicos no caso de calotes em cadeia.
Assim, a volatilidade dos mercados não é um acidente isolado, mas sim o sintoma visível das
contradições da economia real. Crises financeiras decorrem da queda na taxa de
lucro do capital produtivo e da subsequente dependência excessiva da
especulação financeira e do endividamento para sustentar o crescimento.
Em perspectiva,
portanto, sinais de exaustão de um sistema agoniante.
Leia também: As fissuras do dólar https://lucianosiqueira.blogspot.com/2026/07/celso-pinto-de-melo-opina_02068371605.html

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