21 janeiro 2012

Boa noite, Pablo Neruda

Picasso
Querer

Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

Silêncio para ler, entender, sentir

No Terra Magazine, por Ronaldo Correia de Brito
O barulho nas festas de livros

Os livros pedem silêncio para escutarmos as vozes que falam neles. Há barulho em excesso, ameaçando calar as falas dos personagens de romances, contos, novelas e peças de teatro. Algumas vozes parecem sussurros, de tão delicadas. Como ouvi-las, com tanto barulho? Os poemas dos chineses Li Po e Tu Fu, traduzidos por Cecília Meireles, parecem água correndo nos regatos ou folhas arrastadas pelo vento, em noite de lua cheia. Como ouvi-los, com tanto barulho? Mesmo os cantos elétricos de Walt Whitman são abafados pelas caixas sonoras repetindo anúncios e comerciais. E o "Son de negros em Cuba", na voz de Federico Garcia Lorca - calor branco, fruta morta, curva de suspiro e barro -, emudecem em meio à algazarra de maracatus e sambas do Recife.

O silêncio é aonde resvalam ecos e vales, diz um verso do poeta andaluz. Os escritores necessitam dele para escutarem suas próprias vozes e se fazerem ouvir. Porém tudo conspira contra o silêncio e ninguém ouve quem escreve, lê poemas ou conta histórias. Muitas vozes falam alto nos microfones, os tambores percutem o couro e as festas para os escritores ameaçam transformar-se em carnavais e shows.

Contam que Demócrito de Abdera cegou os próprios olhos para desse modo pensar melhor. Como poderemos pensar em meio ao barulho? Os ruídos embotam os pensamentos e a poesia, nos tornam surdos à voz que brota dos livros. Por favor, façam silêncio e escutem o que os livros desejam falar. Já existem festas em excesso nesse país, três meses de carnaval, shows para milhões, jogos de futebol, rádios, televisões e aparelhos de som ligados nas casas. Quando o livro pedir silêncio, uma pausa em meio aos caos sonoro, por favor, silenciem. Um minuto que seja. Aquele minuto que pedem em reverência aos mortos. Aquele minuto pelo menos.

Mas os livros não morreram ainda, eu juro. Eles teimam em continuar vivos e pulsantes. Porém se ninguém fizer silêncio para que eles falem, com certeza calarão de vez.

Nem é preciso o silêncio absoluto das pedras, de que fala a poesia de João Cabral. Basta silêncio com menos aridez. Silêncio de escutar em silêncio a música das palavras, o engenho dos artistas, o ritmo das estrofes e parágrafos na sua música plena, sem acompanhamento de tambores, nem caixas ou gonguês. Silêncio para ouvir os que trabalham calados e um dia resolvem falar de voz viva.

O poeta Everardo Norões escreveu sobre ler cada saliência das coisas. Precisamos ler todas as palavras dos livros, com o peso que elas possuem e nos comunicam. Mas, para tanto, é necessário silêncio.

O olhar de Enio sobre as desigualdades no Brasil

Charge de Enio Lins na Gazeta de Alagoas

Peculiaridades do Brasil na cena mundial

No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
Brasil, governo e civilização

Apesar da crise sistêmica do capitalismo o Brasil continua a crescer economicamente, o que vai consolidando o fato de que essa nova realidade veio para ficar e faz parte de nova configuração do tabuleiro geopolítico global.

O País tem quase todas as características que são comuns aos gigantes emergentes: extensão territorial, mercado interno em crescimento, liderança econômica regional ascendente, parque industrial complexo etc.

Além disso, é detentor de potencialidades distintas aos demais componentes dos chamados BRICS. Possui a maior reserva florestal, o maior manancial de água doce, a maior extensão de terras agricultáveis do planeta.

Por outro lado é insuficiente a infra-estrutura do País em relação às estradas de rodagem, portos, ferrovias de interligação com o território nacional, hidrovias e por aí vai.

O crescimento econômico da última década não foi acompanhado por um plano nacional de desenvolvimento com metas e objetivos a serem alcançados, mostrando que as heranças da doutrina neoliberal dos anos noventa e início do milênio não foram de todo superadas.

Porque as estratégias, os planos estruturais, o papel do Estado como indutor central ao desenvolvimento não só foram descartados nos governos FHC como a nova ordem mundial continua difundindo esses pré-requisitos ao desenvolvimento do País como abomináveis.

Na verdade os preceitos neoliberais mantêm-se hegemônicos no planeta sob a batuta do complexo midiático mundial, do capital financeiro global.

No Brasil as forças neoliberais estão tensionadas para que não se constituam novos caminhos tanto ao crescimento econômico quanto ao desenvolvimento soberano, coisas complementares porém diferentes.

Por outro lado, além de pelejarmos pela construção da riqueza nacional, da emancipação social, devemos lutar pelo resgate e desenvolvimento dos grandes valores humanos universais esmagados pela "globalização", o que já implica em tremenda resistência ideológica e política.

Valores esses resgatados, desenvolvidos e mesclados ao nosso rico processo de nação tropical. Mas não devemos perseguir, como objetivo último, alguma coisa como se fossemos uma espécie de "esquerda" da própria globalização capitalista.

Os nossos desafios devem nos confrontar como alternativa econômica, social, cultural e de civilização a essa nova ordem mundial do capital.

Neste domingo, no Catamarã

Amig@s, estou contando que a gente se encontra no aniversário de George Braga. No Catamarã (ao lado do Forte das Cinco Pontas), neste domingo, das 11 horas em diante.

Um momento de descontração e de reencontro, para honrar os versos do poeta Drummond:

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial,
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para diante vai ser diferente

Você chega, pega sua comanda, consome o que quiser e se resolve.
A boa música e a amizade é por nossa conta.

Por e-mail, mais opiniões

Chance para quem é competente
De Maria José Feitosa: “Todo dia a gente vê falar que Pernambuco está bombando e vai ter oportunidade para todos, mas a verdade é que só tem vez quem é considerado ‘qualificado’, que já passou por outros empregos ou que tem diploma de curso técnico. Acho isso uma injustiça.”
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Injustiça não é bem o termo, Maria José. Na verdade, estamos pagando caro pelas mais de duas décadas perdidas em nossa economia, que começamos a superar a partir do governo Lula. Deixávamos de formar mão de obra qualificada porque não havia projeto de desenvolvimento que se apoiasse em nossas próprias potencialidades. Agora há um grande esforço de capacitar as pessoas, inclusive aqui em Pernambuco. Mesmo assim, há também uma faixa de oportunidades para o primeiro emprego.

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Educação em primeiro lugar
De Angela Carneiro: “Educação, meu caro deputado, para mim é a solução para fazer o Brasil de verdade uma grande nação e com apenas pouco mais de 5% do PIB investido na área ficamos a ver navios...”.
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Angela, nossa luta é de imediato 10% do PIB para a educação. E quando tivermos aferindo recursos provenientes da exploração do petróleo e gás da camada do pré-sal, chegar próximo de 50% para educação, ciência e tecnologia.

O calendário de nossas vidas

O ano de 2012 é bissexto, ou seja, tem um dia a mais – 29 de fevereiro. O acréscimo acontece a cada quatro anos, com algumas exceções. Vários ajustes já foram feitos aos nossos calendários, por razões científicas e culturais.
A invenção do tempo
. Os calendários, criação humana usada para marcar a passagem do tempo, é o tema da coluna do físico Adilson de Oliveira. Na ‘Física sem mistério’ de janeiro, ele conta a história por trás de nossas agendas e fala sobre a ideia de Carl Sagan de construir um calendário cósmico.
. A necessidade da utilização de calendários começou na época em que a humanidade iniciou o desenvolvimento da agricultura. Como a maioria das culturas agrícolas segue os ciclos das estações do ano, saber quando dar início ao plantio e à colheita é de fundamental importância.
. Para marcar a passagem do tempo, foram escolhidos como referência os movimentos das estrelas e planetas no céu. A periodicidade de eventos astronômicos era ideal para isso. Por exemplo, os sacerdotes egípcios sabiam que haveria uma cheia no rio Nilo, que ajudaria na irrigação das suas margens, quando a estrela Seped – conhecida hoje como Sírio, a mais brilhante do céu – surgia pouco antes do amanhecer ao leste.
. . Leria a matéria completa http://goo.gl/WBGos