Na visita ao Mercado da Madalena, sábado pela manhã, um presente do professor e poeta Adelmo Vasconcelos: o cordel Hexa é luxo – 40 anos (parece que foi ontem).
Você que é alvirrubro
Fica emocionado
O hexa inesquecível
É para ser recordado
Os meus versos vão lembrar
Aquele doce passado
É fácil ter o seu exemplar. Basta ligar para o próprio Adelmo 3428.0506 ou 8830.5953.
A construção coletiva das idéias é uma das mais fascinantes experiências humanas. Pressupõe um diálogo sincero, permanente, em cima dos fatos. Neste espaço, diariamente, compartilhamos com você nossa compreensão sobre as coisas da luta e da vida. Participe. Opine. [Artigos assinados expressam a opinião dos seus autores].
15 março 2009
Dependência do Executivo
Jornal do Commercio,
coluna pinga-Fogo (Ana Lúcia Andrade):
É tudo novo de novo
. De um bate-papo com dois parlamentares pernambucanos, semana passada, um que cumpre expediente no Recife e outro em Brasília, trago ao leitor um cenário, que nem mais se figura como novidade. Por isso, pode não mais espantá-lo. Tão anestesiada se encontra sua esperança em mudança. Mas diante do entusiasmo que contagia o ambiente político – saudável até – em defesa da moralidade, é oportuno redesenhá-lo. Para se ver que (esses filmes) a gente já viu antes. E sabe bem como terminam. Ao não ser, que mudemos o script. O cenário é o da inoperância e estagnação das nossas casas legislativas: a Câmara do Recife e a Câmara Federal.
. O primeiro parlamentar foi o vereador Luciano Siqueira. Que inofensivamente disse esperar que chegue à Câmara, esta semana, alguma matéria para ser discutida. Por enquanto, a Casa tem alimentado as tardes com requerimentos, apelos, votos de aplausos...
. O segundo foi o deputado Carlos Eduardo Cadoca. Três mandatos. Um e meio sendo cumpridos, já que do primeiro afastou-se para atuar no Executivo. A razoável experiência parlamentar é insuficiente para conter o incômodo. E Cadoca redunda na cobrança recorrente a todos: a falta de uma agenda própria do Legislativo. O que reforça nele a característica de um poder chancelado pelo Executivo. Que parece se bastar pelo ato de referendar as intervenções do Planalto. “A gente tem a função de legislar e fiscalizar o Executivo. Mas não faz nenhuma coisa, nem outra”, desabafa Cadoca. E completa. “Mas todos estão lá legitimados pelo voto”. É verdade. Cabe a você, portanto, pensar em mudar isso.
coluna pinga-Fogo (Ana Lúcia Andrade):
É tudo novo de novo
. De um bate-papo com dois parlamentares pernambucanos, semana passada, um que cumpre expediente no Recife e outro em Brasília, trago ao leitor um cenário, que nem mais se figura como novidade. Por isso, pode não mais espantá-lo. Tão anestesiada se encontra sua esperança em mudança. Mas diante do entusiasmo que contagia o ambiente político – saudável até – em defesa da moralidade, é oportuno redesenhá-lo. Para se ver que (esses filmes) a gente já viu antes. E sabe bem como terminam. Ao não ser, que mudemos o script. O cenário é o da inoperância e estagnação das nossas casas legislativas: a Câmara do Recife e a Câmara Federal.
. O primeiro parlamentar foi o vereador Luciano Siqueira. Que inofensivamente disse esperar que chegue à Câmara, esta semana, alguma matéria para ser discutida. Por enquanto, a Casa tem alimentado as tardes com requerimentos, apelos, votos de aplausos...
. O segundo foi o deputado Carlos Eduardo Cadoca. Três mandatos. Um e meio sendo cumpridos, já que do primeiro afastou-se para atuar no Executivo. A razoável experiência parlamentar é insuficiente para conter o incômodo. E Cadoca redunda na cobrança recorrente a todos: a falta de uma agenda própria do Legislativo. O que reforça nele a característica de um poder chancelado pelo Executivo. Que parece se bastar pelo ato de referendar as intervenções do Planalto. “A gente tem a função de legislar e fiscalizar o Executivo. Mas não faz nenhuma coisa, nem outra”, desabafa Cadoca. E completa. “Mas todos estão lá legitimados pelo voto”. É verdade. Cabe a você, portanto, pensar em mudar isso.
14 março 2009
Pouca leitura
No Blog da Folha:
Brasileiro lê 2,5 livros por ano
brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos. Aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,9 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas, que as escolas exigem dos alunos. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios.Não é exato o número de livrarias existentes no país porque é fácil obter-se um registro de funcionamento, mesmo que o negócio principal não seja a venda de livros. Mas é seguro afirmar-se que o Brasil tem hoje menos de 2.700 livrarias, 70% das quais são de pequeno e médio porte. Um número muitíssimo inferior ao que seria ideal, na visão da Organização das Nações Unidas (ONU) para um país com 190 milhões de habitantes. Segundo Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e executivo na área há 20 anos, um número razoável no Brasil seria de 4.900 livrarias. "Estamos muito longe desta realidade", admite. Para a ANL, faltam incentivos para que mais livrarias sejam abertas e falta profissionalização para as que estão abertas. (Da Agência Senado).
Brasileiro lê 2,5 livros por ano
brasileiro lê bem menos que os habitantes dos países desenvolvidos. Aqui, são, em média, 2,5 livros por ano, contra 10 nos Estados Unidos ou 15 em países como a Suécia ou a Dinamarca. Mas apenas 0,9 desses 2,5 livros anuais lidos não são obras didáticas, que as escolas exigem dos alunos. As diferenças regionais brasileiras também conspiram contra o crescimento do hábito da leitura, já que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios.Não é exato o número de livrarias existentes no país porque é fácil obter-se um registro de funcionamento, mesmo que o negócio principal não seja a venda de livros. Mas é seguro afirmar-se que o Brasil tem hoje menos de 2.700 livrarias, 70% das quais são de pequeno e médio porte. Um número muitíssimo inferior ao que seria ideal, na visão da Organização das Nações Unidas (ONU) para um país com 190 milhões de habitantes. Segundo Vitor Tavares, presidente da Associação Nacional de Livrarias (ANL) e executivo na área há 20 anos, um número razoável no Brasil seria de 4.900 livrarias. "Estamos muito longe desta realidade", admite. Para a ANL, faltam incentivos para que mais livrarias sejam abertas e falta profissionalização para as que estão abertas. (Da Agência Senado).
As primeiras eleitoras do Brasil
Ciência Hoje Online:
Pioneiras no exercício do direito de voto surgiram bem antes da Constituição de 1934
. Na semana em que se comemorou o Dia Internacional da Mulher, ganha um doce quem acertar quais foram as primeiras mulheres no Brasil a conquistar o direito de voto. O que quer que você tenha pensado... errou! Pode acreditar: foram as mulheres africanas do Rio de Janeiro.
. Mas essa história precisa ser mais bem explicada, claro: não estou me referindo ao voto feminino, da maneira como foi definido pelo Código Eleitoral de 1932 e depois ratificado pela Constituição de 1934. Refiro-me às irmandades de “pretos” do século 18, onde as mulheres conquistaram, após muita discussão, o direito de participar do pr
ocesso interno de tomada de decisões da irmandade, organizado por meio do voto.
ocesso interno de tomada de decisões da irmandade, organizado por meio do voto. . Parece pouca coisa, mas não é: na sociedade colonial, onde não havia cidadãos, mas súditos do rei, e sequer se pensava em lutar por direitos políticos, é um bocado importante pensar que um grupo de mulheres reivindicou – e conseguiu – participar das práticas eleitorais de uma associação.
. Quem chamou a atenção para esse aspecto da história das irmandades no Brasil colonial foi a antropóloga e historiadora Mariza de Carvalho Soares, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), no livro Devotos da cor: identidade étnica, religiosidade e escravidão no Rio de Janeiro, século 18 (Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000). Nessa obra, Mariza analisa a incrível história da Irmandade de Santo Elesbão e Santa Ifigênia, cuja igreja, construída na rua da Alfândega, em pleno centro do Rio de Janeiro, está lá até hoje.
. Leia a matéria completa http://cienciahoje.uol.com.br/140323
CTB se fortalece
No Vermelho:
Contag rechaça divisionismo sindical e se desfilia da CUT
. A noite desta sexta-feira (13) é histórica para o sindicalismo brasileiro. A Cont
ag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), maior entidade sindical rural do país, decidiu se desfiliar da CUT. Dos 2.559 delegados presentes no 10º Congresso Nacional da categoria — que acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília —, 1.440 votaram pela saída da central. Apesar do uso irrestrito da máquina cutista, a proposta de manter a filiação obteve apenas 1.109 votos.
ag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), maior entidade sindical rural do país, decidiu se desfiliar da CUT. Dos 2.559 delegados presentes no 10º Congresso Nacional da categoria — que acontece no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília —, 1.440 votaram pela saída da central. Apesar do uso irrestrito da máquina cutista, a proposta de manter a filiação obteve apenas 1.109 votos.. Leia a reportagem http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=52423
Jango e a ditadura
No Vermelho, por Eduardo Bomfim:
O encontro
Estava com dois velhos amigos jantando num restaurante de Brasília quando passou por mim um cidadão de cinquenta anos mais ou menos, acompanhado da mulher e filhos, e sentou-se em uma mesa próxima. Era João Vicente Goulart, filho do presidente da República João Belchior Goulart.
João Goulart faleceu no exílio, no Uruguai, em circunstâncias misteriosas, provavelmente assassinado pela terrível Operação Condor, articulação criminosa dos regimes arbitrários do cone sul, que se especializou em liquidar lideranças desterradas da América do Sul.
Jango, como era chamado pelo povo e a imprensa, jamais retornou ao Brasil em vida, voltou em um caixão, em um dia de inverno, para ser enterrado no Rio Grande do Sul, em meados da década de setenta passada.
O regime ditatorial sempre teve por Jango mais pavor do que ódio, porque ele era uma vítima do arbítrio e uma liderança nacional que almejava reformas estruturais imprescindíveis. Os setores conservadores das elites tinham à época uma rejeição profunda a reformas que alterassem a fisionomia da nação. Era tudo que João Goulart desejava com ardor, apesar de ser um rico estancieiro com vastas propriedades nos pampas gaúchos e no Uruguai.
O mundo vivia sob a guerra fria e as nações do terceiro mundo que aspiravam sair do subdesenvolvimento estavam impedidas de perseguir seu destino de melhores dias para suas economias e seus povos.
E aquele senhor era à época uma criança que possivelmente não entendeu nada do que se passava com seus pais e deve ter amargado o exílio como uma aventura sem graça e sem sentido, arrancado de sua terra, sua língua portuguesa, seus amigos, sua paisagem. Levantei-me da mesa, dirigi-me a ele e o cumprimentei. Não sabia se solidário a ele ou a seu pai. De qualquer maneira senti-me cumprindo um dever de consciência e ele, surpreso e comovido, agradeceu-me.
Disse Darcy Ribeiro que João Goulart foi deposto em 64 não pelos seus defeitos, mas exatamente por suas virtudes de homem público, de presidente reformador econômico e social. Negou-se a trair seus amigos, como condição de permanecer no poder, e disse ao general que lhe fez a proposta: “General, se o senhor quiser, que me traia, mas eu jamais trairei os meus amigos”. Preferiu o exílio.
Era sobre tudo isso que ia falar a João Vicente Goulart, porém fiquei na solidariedade e o apreço. Ele já sabia, tenho certeza, da história e do caráter do pai.
O encontro
Estava com dois velhos amigos jantando num restaurante de Brasília quando passou por mim um cidadão de cinquenta anos mais ou menos, acompanhado da mulher e filhos, e sentou-se em uma mesa próxima. Era João Vicente Goulart, filho do presidente da República João Belchior Goulart.
João Goulart faleceu no exílio, no Uruguai, em circunstâncias misteriosas, provavelmente assassinado pela terrível Operação Condor, articulação criminosa dos regimes arbitrários do cone sul, que se especializou em liquidar lideranças desterradas da América do Sul.
Jango, como era chamado pelo povo e a imprensa, jamais retornou ao Brasil em vida, voltou em um caixão, em um dia de inverno, para ser enterrado no Rio Grande do Sul, em meados da década de setenta passada.
O regime ditatorial sempre teve por Jango mais pavor do que ódio, porque ele era uma vítima do arbítrio e uma liderança nacional que almejava reformas estruturais imprescindíveis. Os setores conservadores das elites tinham à época uma rejeição profunda a reformas que alterassem a fisionomia da nação. Era tudo que João Goulart desejava com ardor, apesar de ser um rico estancieiro com vastas propriedades nos pampas gaúchos e no Uruguai.
O mundo vivia sob a guerra fria e as nações do terceiro mundo que aspiravam sair do subdesenvolvimento estavam impedidas de perseguir seu destino de melhores dias para suas economias e seus povos.
E aquele senhor era à época uma criança que possivelmente não entendeu nada do que se passava com seus pais e deve ter amargado o exílio como uma aventura sem graça e sem sentido, arrancado de sua terra, sua língua portuguesa, seus amigos, sua paisagem. Levantei-me da mesa, dirigi-me a ele e o cumprimentei. Não sabia se solidário a ele ou a seu pai. De qualquer maneira senti-me cumprindo um dever de consciência e ele, surpreso e comovido, agradeceu-me.
Disse Darcy Ribeiro que João Goulart foi deposto em 64 não pelos seus defeitos, mas exatamente por suas virtudes de homem público, de presidente reformador econômico e social. Negou-se a trair seus amigos, como condição de permanecer no poder, e disse ao general que lhe fez a proposta: “General, se o senhor quiser, que me traia, mas eu jamais trairei os meus amigos”. Preferiu o exílio.
Era sobre tudo isso que ia falar a João Vicente Goulart, porém fiquei na solidariedade e o apreço. Ele já sabia, tenho certeza, da história e do caráter do pai.
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