07 novembro 2010

Combate a Lula sem trégua

. Abra os jornais, veja manchetes, colunas, matérias de maior destaque. Prossegue o combate cerrado ao presidente Lula e ao seu governo. Sem trégua.
. Agora procure algum comentário ou notícia, por mais breve que seja, dando conta de algo positivo no governo. Difícil de achar.
. Então, por que razão o povo brasileiro continua concedendo tamanho crédito ao presidente e ao seu governo?
. Há um flagrante descompasso entre o que diz a grande mídia e o sentimento do povo – mediado pela realidade concreta.

Diálogo literário: Abelardo da Hora, Abelardo de toda a gente

No Vermelho, por Urariano Mota:
. A casa de Abelardo é uma galeria de arte. Ou um museu de arte. Ou uma permanente exposição. Ou um templo de convicções levantadas. Abelardo da Hora habita no mundo que ele criou. Nesse particular, é muito mais feliz que os colecionadores de livros, que os amantes de livros, que os escritores.
. Nem mesmo Balzac teve a grande ventura de caminhar entre seus personagens em bronze, em cimento. Abelardo da Hora tem, enquanto caminha entre seres que poderiam ser uma alegoria da fome, da negação de direitos, ou de eróticos delírios que seriam renascentistas, se os seres que saem da sua imaginação não se encontrassem ao abrir a porta e sair para a cidade do Recife.
. Leia a matéria na íntegra http://twixar.com/QSZh 

Reforma política, a quem cabe?

. Tudo bem que Dilma se mostre favorável à reforma política – e que esta seja concebida com sentido democratizante.
. É um dos compromissos da presidenta quando candidata.
. Mas não esqueçamos: é a Congresso (Câmara e Senado) que cabe fazer a reforma. E é preciso que haja sintonia entre a presidenta e a sua base de sustentação parlamentar.

Em vídeo, boas informações científicas

Ciência Hoje Online:
Vídeos de ciência na internet
Você conhece a neurocientista que teve um derrame e se recuperou para contar a história? Ela é personagem de um documentário do TED, apenas uma entre as várias páginas que disponibilizam filmes científicos na rede.
. O portal Online Universites, especializado em ensino virtual, fez uma lista de 100 documentários sobre ciência disponíveis na rede. É uma oportunidade de a redação da CH On-line dar dicas sobre páginas interessantes que disponibilizam filmes gratuitos com temas do interesse dos nossos leitores.
. Além da lista do Online Universites, que inclui filmes conhecidos como Super size me (sobre o sujeito que passa um mês se alimentando apenas de produtos do McDonald’s) e obras menos conhecidas como Stephen Hawking and the Theory of Everything (sobre o trabalho do famoso cosmólogo britânico), há outros portais que costumamos visitar.
. O primeiro da nossa lista é o portal do TED ('Tecnologia, Entretenimento, Design', em português), instituição norte-americana que tem como objetivo disseminar novas ideias. Pois bem, o TED tem página em inglês e também em português, com filmes de palestras dos mais importantes cientistas do mundo.
. Há, no site do TED, uma página apenas para vídeos traduzidos por voluntários para o português. Recentemente vimos uma exposição com o editor da revista Wired, o criador (e identificador) de tendências Chris Anderson.
. O TED tem também um canal no YouTube, onde assistimos – impressionados – à palestra da neurocientista Jill Bolte Taylor, que descreve, com calma e experiência de cientista, o seu próprio derrame.
. Leia mais e veja o vídeo http://twixar.com/FiyHd 

05 novembro 2010

Meu artigo semanal no Blog de Jamildo (Jornal do Commercio Online)

A relação do mundo com o que ocorre na aldeia
Luciano Siqueira


Certa vez, tomava anotações para uma discussão sobre a conjuntura política com membros da equipe gestora da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do Recife, e me veio à mente o diálogo mantido nos idos dos oitenta, quando deputado, com um professor da rede pública. O tema era o mesmo: a conjuntura política; e a intenção semelhante: da minha parte, contribuir para a compreensão de que lutamos melhor e de maneira mais consistente quando nos damos conta da dimensão universal da batalha particular que estamos travando.

No caso do grupo da atual SCTDE da Prefeitura do Recife, situar as possibilidades e limites do plano de ação estratégica formulado no contexto da crise global e de suas repercussões no Brasil e da evolução da economia nacional e local. Para que se tenha os pés no chão, evitando intenções abstratas; e para se vislumbre as janelas de oportunidades postas no cenário atual.

Com os professores em campanha salarial, a tentativa de levá-los a considerar dentre as muitas variáveis que conformavam a correlação de forças na qual pugnavam pelos objetivos postos na pauta de reivindicações do Sindicato, certas influências do que as passava no Brasil e no mundo.

Pois bem. Fizera uma intervenção abrangente, embora concisa, mencionando fatos e tendências marcantes da situação internacional e nacional antes de desembocar no quadro político da província, para em seguida debatermos o tema com os presentes. O primeiro a se inscrever foi claro: “Deputado, sobre essa teoria toda eu não vou falar, quero apenas dar a minha opinião sobre a luta de nossa categoria”. Ou seja, para ele, tudo o que havia dito sobre o mundo e o Brasil não passava de “teoria”, algo distante da peleja em que estava envolvido com seus colegas.

Lembro que tentei convencê-lo da necessidade de um descortino mais amplo. Argumentei que desde o fim do Século 19, quando o capitalismo atingiu o estágio superior dos monopólios e o mundo se viu totalmente dividido em áreas de influência das grandes potências, já não se pôde falar em economias nacionais autônomas, dissociadas da cadeia de dominação em que se convertera o sistema capitalista. E que a partir daí, a realidade de cada país e, por extensão de cada lugar, sofreria a influência direta ou indireta dos acontecimentos em plano mundial. E, portanto, teríamos que considerar esse dado na dimensão política das possibilidades de alcançar os nossos objetivos em nossas lutas, mesmo quando setoriais ou localizadas.

Se o convenci, não lembro. Talvez se voltássemos a conversar hoje, passados mais de vinte anos, o professor “particularista” me compreenderia melhor. Afinal, o mundo globalizado como agora se apresenta está ao alcance da percepção de muitos. Mais ainda quando o Brasil assume papel de destaque na cena global, liderando a busca da integração solidária dos países do subcontinente sul-americano.

Bom dia, Fernando Moreira Salles


Navegante

hoje
ergo velas
e fixo o lastro
à minha quilha

a proa incauta
vou, sem luzes
ao liso horizonte
do amanhecer

não largo amarras
desta feitas
pois nem sequer
soube atá-las

não sei dos astros
por meu sextante
e nem sereias
por estes mares

mas posso ainda
olhar as ondas
viver o vento
e a espera

04 novembro 2010

Minha coluna semanal no portal Vermelho

Dilma e a luta pela igualdade de gênero

Luciano Siqueira


Nas duas gestões consecutivas do prefeito João Paulo, no Recife, de quem fui com muita honra o vice-prefeito, adotamos como rotina recepcionar novos funcionários concursados com uma breve conversa, na qual discutíamos temas relevantes que incidem sobre a gestão pública. Na minha fala, invariavelmente introduzia a questão de gênero, que incluo entre os pilares de um governo de sentido popular e democrático.

Quando a leva de concursados pertencia à área da educação, em geral mais de oitenta por cento se compunha de mulheres. O que me permitia observar um fato curioso: enquanto discorria sobre o tema, apenas uma parte diminuta da plateia manifestava concordância com leve meneio de cabeça. A maioria, cenho cerrado, parecia não compreender o assunto – mesmo exposto de maneira simples – e estranhava que justamente o vice-prefeito, e não uma mulher, o estivesse abordando. Reflexo do fato de que no Brasil não apenas a questão de gênero ainda não ganhou dimensão de massas, como a maioria das mulheres conserva concepções machistas.

Agora, a partir de janeiro, o Brasil será presidido por uma mulher. E isso tem uma relevância particular.

Dilma ressaltou durante a campanha a importância da mulher na sociedade brasileira – sem, entretanto, aprofundar o debate. Provavelmente porque o adversário impôs o rebaixamento do confronto de ideias, trazendo a primeiro plano, de maneira distorcida, a questão do aborto e da religião. Mas isso não reduz o impacto de sua assunção à presidência da República na formação de uma consciência social avançada. Assemelha-se à vitória do operário Lula em 2002, que engendrou entre os que sobrevivem do seu trabalho e em vastas camadas populares uma enorme elevação da autoestima e da confiança na própria força.

“A igualdade de oportunidades para homens e mulheres é um principio essencial da democracia”, assinalou a presidenta eleita em seu discurso na noite do dia 31. E concitou os pais e mães de meninas a olharem nos olhos de suas filhas e a dizerem “SIM, a mulher pode!”

Podemos todos nós, mulheres e homens que se batem pela transformação da sociedade brasileira inspirados em ideias avançadas, fazermos bom uso da oportunidade que se abre para o fortalecimento da luta pela igualdade de gênero.