31 janeiro 2011

Uma crônica minha no site da Revista Algomais

Adivinhação rima com ciência?
Luciano Siqueira

Desde priscas eras seres humanos de diferentes culturas perseguem o desejo de prever o futuro. Seria uma beleza. Quem sabe pudéssemos evitar catástrofes – ou melhor nos prepararmos para enfrenta-las -, saber antecipadamente o time campeão em torneio duramente disputado e mesmo a sorte no amor.

De vez em quando surge alguém que se diz dotado de premonição, que não é exatamente a capacidade de adivinhar, mas chega perto; serve para “ler” em fatos fortuitos o “sinal” de que algo pode acontecer. E se o dito cujo estiver envolto numa aura de misticismo ou excentricidade, aí é que a coisa pega.

Quando vivia clandestino, junto com Luci, no sertão das Alagoas, à época do regime militar, passou por nossa cidade, Santana do Ipanema, frei Damião. Tido como santo, desde o meio da madrugada a comandar procissões, tinha também a fama de “ler” o pensamento dos fiéis e antecipar o futuro. Pior: quem fosse ao confessionário e ocultasse algum pecado (não apenas atos, mas também maus pensamentos) pagaria caríssimo: repreensão em regra, em voz alta para que todos ouvissem, e a penitência de incontáveis Pai Nossos e Ave Marias.

Complicada essa coisa de adivinhar e prever. E polêmica. Um ex-professor de Harvard, hoje professor emérito de psicologia social da Universidade Cornell, em Nova York, Daryl J. Bem, divulgou artigo no prestigiado "Journal of Personality and Social Psychology" dando conta de um estudo feito com 1.100 voluntários que tentaram adivinhar o futuro. Percepção extrassensorial (PES) é o atributo desses voluntários, isto é, a capacidade de pressentir o que está para acontecer.

Causou a maior balbúrdia. Cientistas de diversos naipes protestaram veementemente contra o que lhes parece ser a vulgarização da ciência – eufemismo para charlatanice. Ou as duas coisas, pois os tais voluntários fizeram mesmo foi dar palpites sobre se uma fotografia vai aparecer do lado esquerdo ou direito da tela do computador ou descobrir onde está a imagem erótica (sic). Quem acertou mais vezes ganhou o status de dotado de premonição.

Sei não, o problema foge em muito à minha compreensão, mas que valeria a pena selecionar uma turma dessas e submete-la a uma agenda de previsões de acontecimentos importantes para a vida de todos nós. Numa lista se anotaria as coisas boas que estão para acontecer, noutra as coisas ruins. E se constituiria um fórum internacional destinado a indicar as providências necessárias que para vingassem só as boas, evitando-se ou amainando-se ao máximo possível as consequências das coisas ruins.

Mudaria algo? Muito pouco, talvez. O acirramento das contradições sociais, por exemplo, poderiam ser previstas – mas aí uns tratariam de aproveitá-las em favor da ruptura com status quo, enquanto outros cuidariam de preservar seus privilégios e interesses. Donde o polêmico pesquisador ianque poderia concluir: há premonição, sim; porém nada impede que a roda da História se mova.

Tarefa de quem?

. Absolutamente sem sentido cobrar de Dilma a reforma política. A tarefa é do Congresso Nacional e a matéria se mantém travada pelos grandes partidos.
. Por que não se dá sequencia ao que já se produziu na Câmara e no Senado?
. Cadê a tal reclamada independência do Legislativo?

30 janeiro 2011

Salário mínimo: Centrais Sindicais X Dilma

Salário mínimo: o outro lado da moeda

Por Wagner Gomes

Publicado na Agência Sindical http://twixar.com/RjkqL5y

O governo da presidente Dilma Rousseff convive em seus primeiros dias com duas “verdades” que soam como absolutas, embora uma delas esteja muito distante dessa definição. A primeira mostra que é preciso cortar os gastos públicos, como forma de se conter a inflação e colocar as contas do governo federal nos eixos; a outra evoca o fato de que a política de valorização do salário mínimo foi uma das responsáveis pelo bom momento econômico vivido pelo Brasil, a despeito da crise internacional que ainda assombra diversos países.

Diante de tais “dogmas”, como deveria agir o governo recém-instalado no Palácio do Planalto para definir o valor do salário mínimo para 2011? Por que interromper a política iniciada durante o governo Lula? Por que a falta de diálogo com a classe trabalhadora em torno dessa questão?

A imprensa vem noticiando nos últimos dias que as centrais sindicais têm sido muito duras com o novo governo, mas não é esse o ponto crucial do debate. O fato é que a proposta de reajuste para R$ 545,00 está na contramão daquilo que foi colocado em prática – com sucesso – nos últimos anos. É frustrante acompanhar o ressurgimento da tese de que os salários deterioram as contas públicas, especialmente porque esse ideário não fez parte do programa com o qual a presidente Dilma foi eleita – ao contrário, fazia parte do discurso da oposição.

Estudos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) demonstram que 47 milhões de pessoas são diretamente beneficiadas pelo aumento do salário mínimo. É nesse universo que está um dos principais pilares de sustentação do crescimento da economia brasileira, responsável pelas excelentes perspectivas para o curto, médio e longo prazos do país.

Setores do governo argumentam que o reajuste para R$ 545,00 corresponde ao valor acordado com as centrais sindicais, a partir da fórmula que utiliza a variação do Produto Interno Bruto e a inflação anual. Esse é um viés bastante discutível, pois não é essa a expectativa criada por um governo comprometido com o desenvolvimento do país. O PIB negativo de 2009 foi um ponto fora da curva, que não pode servir de pretexto para interromper o ciclo de crescimento real dos salários.

Essa discussão não pode ser encerrada por meio de uma medida provisória, conforme demonstra a equipe econômica do novo governo. É preciso mais diálogo com a sociedade e com os movimentos sociais em geral. Se as centrais sindicais hoje pressionam por um reajuste maior do salário mínimo, isso é mero reflexo do que anseia a classe trabalhadora do país, setor que apoiou em massa a continuidade do projeto iniciado pelo presidente Lula e viu em Dilma Rousseff a líder ideal para conduzir o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento.
Wagner Gomes é presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).

Livre para voar

A sugestão de domingo é de Geraldo Azevedo e Carlos Fernando: “Quero ver você voando, quero ouvir você cantando/Quero paz no coração”.

ProUni ainda tem vagas

. O Programa Universidade para Todos (ProUni) inscreveu este ano um número recorde de estudantes: mais de 1 milhão.
. Mas ainda há bolsas disponíveis. Para o primeiro semestre de 2011, a oferta foi de 123 mil bolsas, mas 117,6 mil estudantes foram convocados em primeira chamada para preenchê-las. Há ociosidade de 4% do total.
. Mas para que o estudante se habilite, devem comprovar que atendem aos critérios de renda exigidos pelo programa.
. O ProUni oferece bolsas de estudo para ex-alunos de escola pública que tenham bom desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Para conseguir o benefício integral, o candidato precisa ter renda familiar per capita de até 1,5 salário mínimo. No caso das bolsas parciais, que custeiam 50% das mensalidades, a renda por pessoa pode deve ser de até 3 salários mínimos. Até o ano passado, 748 mil estudantes tiveram acesso a uma bolsa do programa.

29 janeiro 2011

Bom dia, Francisco Miguel Duarte

Não cultives a fraqueza

Vive o fraco na fraqueza
o bom na sua bondade
vive o firme na firmeza
lutando por liberdade.

Não cultives a fraqueza,
procura sempre ser forte,
que o homem que tem firmeza
não se rende nem à morte.

Educa a tua vontade
faz-te firme: em decisões,
que não terá liberdade
quem não fizer revoluções.

Se queres o mundo melhor
vem cá pôr a tua pedra,
quem da luta fica fora
neste jogo nunca medra.

Física e neurociência: uma parceria virtuosa

Ciência Hoje Online:
. Uso de recursos ópticos para observar ou desencadear processos biológicos em nível celular tem se mostrado um método promissor na análise e recuperação funcional de circuitos neuronais. Carlos Alberto dos Santos apresenta os avanços nessa área de pesquisa.
. Parece até provocação, mas é uma extraordinária coincidência que, na estreia do jovem e renomado neurocientista Stevens Kastrup Rehen aqui na CH On-line, um físico, neófito até a raiz do cabelo na área do prof. Rehen, cometa o desatino de falar sobre optogenética, um método que aplica recursos da física em estudos biológicos, em especial, os de neurociência.
. Optogenética é uma técnica de investigação da genética que usa recursos ópticos e que foi escolhida pelos editores da revista Nature Methods como o método do ano de 2010.
. Desde a época de Galileu Galilei (1564-1642), aumentar a capacidade visual na pesquisa científica – o que pode ser feito por meio de recursos ópticos – tem sido uma busca incessante por parte dos pesquisadores.
. Leia a matéria completa http://twixar.com/FOc6